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Celebração na Basílica de Santo Antônio marca abertura do Encontro dos Bispos do Regional Norte 1

A Diocese de Borba acolhe, entre os dias 2 e 5 de fevereiro, o Encontro Anual dos Bispos do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1). A abertura aconteceu na Basílica de Santo Antônio, no município de Borba, no Amazonas. O evento reúne os bispos da região para momentos de escuta, reflexão, partilha e definição de encaminhamentos pastorais, fortalecendo a comunhão episcopal e a missão evangelizadora da Igreja na Amazônia. O cardeal Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo metropolitano de Manaus e presidente do regional, presidiu a missa de abertura do encontro na noite de ontem, 2 de fevereiro. Entre os bispos presentes estavam Dom Zenildo Luiz Pereira, da Diocese de Borba; Dom Vanthuy Neto, da Diocese de São Gabriel da Cachoeira; Dom Evaristo Spengler, da Diocese de Roraima; Dom Marcos Piatek, da Diocese de Coari; Dom Adolfo Zon, da Diocese do Alto Solimões; Dom Edmilson Tadeu Canavarros, da Prelazia de Itacoatiara. Além de Dom José Albuquerque, da Diocese de Parintins e o emérito Dom Giuliano Frigenni e os três bispos auxiliares de Manaus, Dom Zenildo Lima, Dom Joaquim Hudson e Dom Samuel Ferreira. Manifestação do amor de Deus A celebração contou com a bênção das velas, num gesto simbólico que recorda Cristo como Luz do Mundo e ilumina o caminho da Igreja em sua missão pastoral. Em sua homilia, o cardeal Leonardo Steiner destacou a revelação de Jesus como manifestação do amor de Deus. Essa mesma revelação esteve presente no Evangelho de Lucas, refletido pelo arcebispo ao recordar que “assim serão revelados os pensamentos de muitos corações”. O presidente ressaltou que o Senhor se apresenta na simplicidade, e que a pequenez é dom de Deus, no qual a festa da luz manifesta o Seu amor. Nesse contexto, o encontro assume também um caráter festivo ao celebrar a Vida Consagrada, entendida como revelação de Deus presente no meio do povo. Essa confirmação encontra fundamento na Sagrada Escritura, pois é pela Palavra tudo foi feito, reafirmando a centralidade de Cristo na vida e na missão da Igreja. Compromisso pastoral Nesse horizonte, o Encontro dos Bispos do Regional Norte 1 sela uma caminhada eclesial marcada pelo mistério do encontro com o Senhor que é a luz que conduz ao Pai. Como expressão concreta desse compromisso pastoral, os bispos estarão presentes nas comunidades eclesiais missionárias, fortalecendo a unidade do clero com cada uma das Igrejas locais. O Encontro dos Bispos acontece anualmente em uma das dioceses ou prelazias do regional. Esse revezamento entre as diversas realidades pastorais da Igreja na Amazônia estimula a criatividade para buscar novos caminhos para a Evangelização no território amazônico. Por isso, a troca de experiências entre os bispos fortalece a colegialidade e a comunhão, sempre pautados na pessoa de Jesus Cristo Crucificado-ressuscitado que ilumina o caminho do povo de Deus na construção do Reino. Colaboração e fotos: Pascom Diocese de Borba

Djavan André é o novo padre da Diocese de Roraima

A Diocese de Roraima celebrou, no último sábado, 31 de janeiro, a Ordenação Presbiteral de Djavan André da Silva, pela imposição de mãos e a oração consecratória de Dom Evaristo Pascoal Spengler, bispo da diocese. O momento reuniu diversos fiéis vindos de várias regiões do estado, incluindo comunidades do interior e terras indígenas, que acompanharam de forma participativa e emocionada este momento histórico para a Diocese. A celebração aconteceu na Catedral Cristo Redentor, no Centro Cívico de Boa Vista. Missão, cuidado e fidelidade ao povo Na homilia, Dom Evaristo destacou que a ordenação de Djavan é motivo de alegria para toda a Igreja que peregrina em Roraima, especialmente por se tratar de um filho do povo Macuxi, chamado a servir como presbítero no chão amazônico. O bispo ressaltou que o sacerdócio nasce da iniciativa de Deus e é sempre um chamado ao serviço, à proximidade e ao cuidado com o povo. “O presbítero, como o profeta, é chamado a ser sinal da presença de Deus que consola, que levanta os abatidos e que anuncia que a vida sempre tem sentido, mesmo em meio a dores e lutas. O padre não é dono do rebanho, mas o servidor e o cuidador. É chamado a conhecer suas ovelhas, caminhar com elas e dar a vida por elas”, afirmou Dom Evaristo. Ao comentar o Evangelho, no qual Jesus se apresenta como o bom pastor, o bispo exortou o novo padre a viver um ministério marcado pela fidelidade, pela coragem profética e pela defesa dos mais vulneráveis. “O padre não pode se deixar aliciar pelos lobos que atacam os pobres, os indígenas, os migrantes e a comunhão dentro da Igreja. O sacerdote é chamado a manter viva a chama da profecia”, destacou. Dom Evaristo também enfatizou que Djavan leva para o ministério sacerdotal a riqueza da cultura indígena, a língua macuxi, os símbolos e a história de seu povo, como um dom para toda a Diocese. Palavra do novo padre Pouco antes da celebração, Djavan André falou sobre a emoção de viver este momento ao lado das comunidades, amigos e familiares. “É com muita alegria que o meu coração se exulta. É um momento de comunhão, de realmente festejar juntos. Foram muitos anos de estudo e preparação. É toda uma caminhada de fé e de vida, buscando sempre fazer com que a vontade de Deus seja feita, seguindo Jesus Cristo”, afirmou. Durante a celebração, já como presbítero, Djavan também dirigiu uma palavra à assembleia e recordou que sua vocação nasceu ainda antes de seu nascimento. Ele relembrou a fé de sua mãe, que rezava dizendo que, se nascesse menina, seria irmã religiosa, e se nascesse menino, seria padre missionário. Em sua fala, destacou que, ao olhar para a Diocese de Roraima, reconhece que sua vocação também nasce desta terra, onde aprendeu a ser igreja e a viver a fé de forma comunitária. Disse que leva consigo uma experiência viva construída no chão amazônico, especialmente a partir da convivência e do aprendizado com os povos indígenas. Caminhar junto com o povo Ao assumir o ministério sacerdotal, Djavan afirmou que deseja ser um padre que escuta, que ajuda e que serve, fazendo do seu ministério um sinal de comunhão e uma ponte entre culturas. Segundo ele, o compromisso é caminhar junto com o povo, para que, unidos, seja possível construir uma igreja cada vez mais fraterna e sinodal. Djavan nasceu em 12 de abril de 1997, na Comunidade Indígena Maturuca, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Filho de Djacir Melquior e Sarlene André, construiu sua vocação a partir da vivência comunitária, da fé simples aprendida nas comunidades e da caminhada missionária da Igreja em Roraima. Durante a celebração, Djavan também recebeu homenagens das comunidades indígenas, que o presentearam com símbolos da cultura de seu povo, entre eles um cocar, gesto que expressa o carinho, a gratidão e a comunhão entre fé, cultura e missão. Sobre a missão após a ordenação, o novo padre informou que seguirá atuando, inicialmente, na Área Missionária Santa Rosa de Lima, dando continuidade ao trabalho pastoral já desenvolvido. Acolhida no presbitério A missa de ordenação presbiteral é uma das celebrações mais solenes da Igreja Católica, marcada por ritos de simbolismo. Entre os momentos centrais estiveram a apresentação e eleição do candidato, a Ladainha de Todos os Santos, quando Djavan se prostrou em sinal de entrega e humildade, a imposição das mãos pelo bispo e pelos presbíteros presentes, a prece de ordenação e a unção das mãos com o óleo do Santo Crisma. O novo presbítero também recebeu o abraçado do bispo e demais padres, simbolizando sua acolhida no presbitério, a entrega do pão e do vinho, sinais da missão sacerdotal, as vestes próprias do sacerdote e concedeu a primeira bênção aos pais. Ao final, já como presbítero, Djavan concelebrou a Eucaristia pela primeira vez. Um sinal de fortalecimento Durante a celebração, a assinatura da Ata da Ordenação Presbiteral oficializou o rito sacramental realizado na Catedral Cristo Redentor. O documento registrou a presença de Dom Gonzalo Alfredo Ontiveros Vivas, bispo do Vicariato Apostólico de Caroní, na Venezuela, além de presbíteros, diáconos, religiosas, religiosos, fiéis leigos e leigas das paróquias, áreas missionárias e missões indígenas, bem como autoridades civis e militares. Dom Gonzalo destacou a importância do fortalecimento das vocações para a vida e a missão da Igreja. “É motivo de grande alegria estar presente nesta celebração. O fortalecimento da Igreja passa pelas vocações sacerdotais, religiosas e pela vida consagrada, algo que nunca podemos descuidar, mas que precisamos fortalecer cada vez mais. Que o Senhor continue multiplicando as vocações para levar a Palavra de Deus e o Evangelho de Jesus Cristo a todos os lugares e a todas as pessoas”, afirmou. Na ata, a Chanceler da Cúria, Irmã Sofia Quintáns, destacou a ordenação de Djavan como sinal de esperança e expressão de uma Igreja verdadeiramente universal, aberta às culturas e fiel à missão de anunciar o Evangelho. Com a ordenação de Djavan André, a Diocese de Roraima retoma as ordenações presbiterais e…
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Diocese de Roraima ordena o segundo padre diocesano indígena Macuxi

Djavan André será o 12° padre diocesano ordenado na Diocese de Roraima A Diocese de Roraima realiza neste sábado, 31 de janeiro, a Ordenação Presbiteral do diácono Djavan André da Silva, indígena do povo macuxi. A celebração ocorre às 18h, na Catedral Cristo Redentor, no Centro Cívico de Boa Vista e, será presidida pelo bispo diocesano, Dom Evaristo Spengler. A ordenação presbiteral integra o sacramento da ordem, missão confiada por Cristo aos apóstolos e continuada pelos sacerdotes. O evento marca a retomada das ordenações presbiterais após seis anos. O primeiro sacerdote ordenado foi Alvino Andrade, em 1990, o primeiro indígena Macuxi a receber a ordenação, que posteriormente deixou o ministério. Desde então, mais de dez presbíteros foram ordenados. A última celebração ocorreu em 2019, com a ordenação do padre Jefferson de Almeida. Com a celebração deste sábado, Djavan André torna-se o 12º padre diocesano.  Dom Evaristo e Djavan André, imposição das mãos durante a ordenação diaconal no Jubileu dos Povos Indígenas – Foto: Pablo Sérgio Bezerra Conheça o Diácono que será ordenado sacerdote Nascido em 12 de abril de 1997, na comunidade Indígena Maturuca, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Filho de Djacir Melquior e Sarlene André. Recebeu o sacramento do batismo em 1998, aos 13 anos o sacramento da eucaristia, e em 2015, a crisma. Seu processo vocacional começou cedo, ainda em sua comunidade de origem. Em 2016, o jovem ingressou no seminário diocesano Nossa Senhora Aparecida, em Boa Vista. Entre 2017 e 2023, cursou filosofia e teologia no seminário arquidiocesano São José, em Manaus. Em 2023, retornou a Roraima para dar continuidade à sua caminhada pastoral. O primeiro grau da ordem ocorreu em abril de 2025, durante o Jubileu dos Povos Indígenas, no Surumu, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Segundo o bispo diocesano, Dom Evaristo Spengler, a ordenação sacerdotal representa um momento significativo para a igreja local. “A ordenação de Djavan é um marco, sobretudo porque ele vem de uma comunidade muito comprometida. Foi em Maturuca que começou toda a história da aliança da nossa Diocese com os povos indígenas. Por isso, a ordenação de Djavan é um selo dessa aliança forte da Igreja de Roraima com os povos indígenas.” Para Djavan, o ministério presbiteral é fruto de fé e compromisso. “Essa caminhada exige amadurecimento da fé e compromisso com a Igreja local. É um objetivo de seguir Jesus por meio do ministério e continuar perseverando na caminhada. Eu sinto essa alegria e essa graça de Deus que habita em mim, nas pessoas e nas comunidades”. O futuro padre ainda ressaltou que o seu desejo é poder ajudar, servir e se colocar à disposição. Dom Evaristo também destacou a missão de um sacerdote. “O padre é alguém que se entrega a Deus e ao seu povo para anunciar a Palavra de Deus. Isso acontece nas celebrações, na formação de novos catequistas e na preparação de novas lideranças nas comunidades. Ele santifica o povo por meio dos sacramentos. É uma alegria poder reconhecer que, na pessoa do padre, é o próprio Cristo que age, transformando o pão e o vinho no Corpo e Sangue de Cristo, e oferecendo a Eucaristia aos fiéis. O padre está profundamente ligado à vida do povo, buscando santificá-lo por meio dos sacramentos.” Dom Evaristo e Djavan André, imposição das mãos durante a ordenação diaconal no Jubileu dos Povos Indígenas – Foto: Pablo Sérgio Bezerra Djavan André é fruto de uma missão evangelizadora O Padre Giorgio Dal Bem, que veio da Itália, deu início à Missão Maturuca em 1972. A iniciativa abriu um caminho de compromisso com o anúncio profético da palavra de Deus no coração dos povos indígenas. O padre Giorgio recorda que a missão encontrou pessoas dispostas a escutar a mensagem do Evangelho. “A palavra de Deus encontrou corações abertos.”, destacou. Em 1977, aconteceu uma reunião histórica conhecida como “vai ou racha”, quando lideranças do povo tomaram a decisão de romper com a bebida e assumir a responsabilidade de preservar a vida do povo indígena e fortalecer a comunidade. A partir desse momento, muitos projetos foram construídos e desenvolvidos ao longo dessa trajetória. “A raiz da transformação começou quando, em poucas palavras, a proposta de Jesus Cristo se mostrou mais atraente e mais forte, vencendo a sedução das bebedeiras, das desordens, das violências e de toda a confusão que assolava as comunidades. A partir desse pequeno núcleo, que se manteve firme com esforço heroico e uma decisão corajosa, começou a se destacar o tuxaua Jacir, e dali passaram a surgir frutos de vida nova. Esse foi o início de uma caminhada de dignidade e também de liberdade, na qual as pessoas passaram a descobrir a responsabilidade em suas próprias vidas.”, ressaltou o padre Giorgio. A avó de Djavan, Eldina Gabriel, destacou que essa vocação é fruto de muitas lutas e que hoje surge como uma luz para sua comunidade, tornando-se um elo de Deus com os Povos Indígenas. “A vocação do Djavan representa uma esperança que nós aguardávamos. Aquilo que esperávamos para 2026 já se tornou um fruto, e esse fruto está aqui, como resultado do trabalho dele. Com toda a luta que enfrentou para chegar até este momento, ele deixa hoje uma semente que vai se espalhar entre nós, povos indígenas. Essa árvore que foi plantada, agora começa a se expandir. E nós esperamos que haja continuidade, para que esse fruto cresça e essa árvore continue dando muitos resultados.” Segundo Jacir de Souza, avô de Djavan, com a ordenação do neto, ele verá um sonho se tornar realidade, o de ver o jovem celebrar a missa em sua língua tradicional. “Meu neto esteve fora, mas agora com certeza, com a volta dele, ele vai começar a estudar a língua tradicional, e celebrar a missa em macuxi. Isso me deixa muito feliz”. Jacir de Souza e Eldina Gabriel, avós de Djavan André – Foto: Kayla Silva FONTE/CRÉDITOS: Kayla Silva – Rádio Monte Roraima 

Assembleia Regional das CEBs encerra com eleição de nova coordenação

Com o tema “CEBs: reconhecendo sua história e propondo outros horizontes” 44 representantes das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) realizaram a Assembleia Regional das CEBs, entre os dias 16 e 18 de janeiro de 2026, na Igreja São Jorge, em Manaus. A assembleia teve caráter formativo e eletivo de avaliação da caminhada das CEBs no regional e de reflexão sobre novos horizontes para sua missão evangelizadora e social. O encontro reuniu membros da Arquidiocese de Manaus, das dioceses de Alto Solimões, Borba, Parintins, Roraima e São Gabriel da Cachoeira, além das prelazias de Itacoatiara e Tefé. No sábado (17), Pe. Paolo Cugini, sistematizou uma análise de conjuntura dividida em 4 partes: 1. Reconhecer a história; 2. Características identitárias das CEBs; 3. Análise Crítica da comunidade e das CEBs; e 4. Propondo novos horizontes – conjuntura eclesial, desenvolvimento e tradição. Nova coordenação Durante o encontro, o grupo refletiu cada uma das realidades pelo exercício da memória do caminho percorrido. As intervenções partiram do cenário local de cada Igreja para o contexto Regional. Pautados pela Esperança, destacaram as conquistas alcançadas e indicaram caminhos para aprofundar a espiritualidade, a profecia, a sustentabilidade, o compromisso com os vulneráveis e cuidado com a Casa Comum à luz da Palavra de Deus. No domingo (19), foram apresentados os informes sobre a Ampliada Nacional e o 16° Intereclesial das CEBs. Na eleição, a nova equipe de coordenação assume a condução das CEBs do Regional Norte 1 com a seguinte composição: Darlene de Oliveira, da Prelazia de Itacoatiara; Magleide Roque e Maria Antônia de Oliveira, da Diocese de Roraima; Maria Eliani Pereira, da Diocese de Borba, e Suelen Cley da Silva, da Arquidiocese de Manaus. Além das articuladoras na Ampliada Nacional, Adriana Chirone, da Diocese de Roraima e Zélia Guimarães, da Arquidiocese de Manaus e a assessora regional, Irmã Paulina Lagos, da Congregação Irmãs da Sagrada Família de Spoleto.

Novas vice-presidências e secretária executiva da REPAM: Continuar construindo o Reino de Deus

A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), inicia uma nova etapa. Um passo concretizado com a apresentação da nova secretária executiva, Clara Ximena Lombana, e dos novos membros da presidência, Carol Jeri Pezo, a Ir. Ana Maria Palomino, dom Evaristo Spengler e padre Júlio Caldeira. O evento foi realizado em Manaus, sede da secretaria executiva desde 2020, anunciando que a partir de 2026 a sede do Conselho Episcopal Latino-americano e Caribenho (CELAM), em Bogotá, sediará a secretaria executiva da rede. Uma Pan-Amazônia mais fraterna e sinodal Em suas palavras de acolhida, o presidente da REPAM, dom Rafael Cob, enfatizou que “o sonho que compartilhamos está se realizando”, recordando a fundação da rede em Brasília, em 2014. Ao longo desses anos, a rede foi se consolidando, ressaltou. Esse caminho compartilhado o levou a expressar sua gratidão a todos que colaboraram ao longo do caminho, especialmente aos membros da secretaria executiva nos últimos cinco anos, que compartilharam brevemente suas experiências durante esse período, bem como à REPAM Brasil e à Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), pela trajetória percorrida em conjunto. Dom Rafael Cob agradeceu à nova secretaria executiva e à nova presidência, que o bispo do Vicariato de Puyo (Equador) continua a liderar. Isso marca uma nova etapa “para continuar construindo o Reino de Deus com os pobres”, buscando criar uma região Pan-Amazônica cada vez mais fraterna e sinodal. Um sentimento de gratidão que foi expressa pela vice-presidente nos últimos anos, Ir. Carmelita Conceição, que acolheu os novos vice-presidentes, lendo a carta de nomeação para os próximos três anos. União para se fortalecer Os membros da nova vice-presidência assumem sua missão como um desafio, segundo expressou a Ir. Ana Maria Palomino, religiosa Laurita. Esta nova experiência é vista como uma oportunidade para renovar seu compromisso com a Amazônia, elemento central do carisma de sua congregação, para dar continuidade ao trabalho iniciado e desenvolvê-lo ainda mais. Palomino enfatizou a necessidade de união para se fortalecer e caminhar em estreita colaboração com os povos indígenas para continuar avançando e fortalecendo a Igreja sinodal. Assumir a vice-presidência da REPAM é uma oportunidade de servir à Igreja junto com os povos amazônicos, caminhar com eles e criar processos em que suas vozes possam ser ouvidas, afirmou Carol Jeri. A integrante da Cáritas Madre de Dios destacou que a REPAM tem realizado um processo de formação com significativa participação leiga, entrelaçando seus compromissos com o território amazônico. Ela lembrou a importância da visita do Papa Francisco a Puerto Maldonado, uma demonstração do compromisso da Igreja com os povos amazônicos. Um sentimento de gratidão presente em Júlio Caldeira. O missionário da Consolata, partícipe de diversos modos da caminhada da REPAM desde sua fundação, disse assumir a vice-presidência com espírito de serviço, como oportunidade para seguir tecendo juntos um caminho que acompanha a vida dos povos amazônicos. Ele destacou que sua vocação missionária é fruto do chamado a entregar a vida na Amazônia. Compromisso, cuidado e gratidão A nova secretária-executiva da REPAM, que assumirá o cargo em 1º de janeiro, resumiu esse novo caminho em três palavras: compromisso, cuidado e gratidão. Um compromisso que começou durante sua participação como aluna na primeira Escola de Direitos Humanos da rede. Esse compromisso, ela renovou, aprofundou e fortaleceu por meio de seu serviço aos povos e comunidades da Amazônia, construindo assim o Reino diariamente em uma região pan-amazônica que representa um tesouro para o mundo. Em um momento marcado pela escuridão, violência, fundamentalismo e desesperança, sua nova secretária-executiva enfatizou que “hoje, mais do que nunca, o planeta precisa de uma REPAM que seja o sal e a luz do mundo, que ofereça abrigo, que se entrelace com as comunidades a partir de seus clamores, suas causas e seus processos”. Diante disso, Ximena Lombana vê como sua responsabilidade nutrir a semente plantada e “fazer com que ela produza uma colheita abundante para o processo e para as circunstâncias em que nos encontramos”. Um caminho a percorrer em fraternidade com a Rede Eclesial Mesoamericana (REMAN) e a Rede Eclesial do Aquífero Guarani e Gran Chaco (REGCHAG), unindo forças para fazer a diferença como redes eclesiais de ecologia integral. Lombana expressou sua gratidão àqueles que estiveram ao seu lado em seu trabalho na Amazônia nos últimos anos e àqueles que lhe confiaram este novo serviço. Diante deste novo desafio, ela enfatizou a importância da “força das organizações eclesiais amazônicas que, unidas, podem fazer a diferença, respondendo de forma mais eficaz ao clamor do povo e da natureza”. Uma união daqueles que “acreditam neste compromisso com uma vida digna, com a justiça e com o bem viver dos povos”. Caminho comum CEAMA-REPAM O presidente da CEAMA, Cardeal Pedro Barreto, expressou sua alegria com este novo passo no caminho conjunto entre a REPAM e a CEAMA. “Consolidar o processo da REPAM nos faz lembrar o passado com muita gratidão”, disse o cardeal peruano, citando várias pessoas que participaram dessa essa experiência inédita que fez da Amazônia uma fonte de vida no coração da Igreja. Essa memória agradecida do passado “nos motiva a caminhar mais juntos nessa continuidade”. Barreto disse que vê a REPAM como “a resposta de Deus às necessidades da Amazônia”. Em sua intervenção, ele destacou a grande responsabilidade com que a REPAM assumiu a preparação do Sínodo para a Amazônia, enfatizando a importância da escuta nesse processo. O cardeal lembrou o último encontro do Papa Francisco com os presidentes da CEAMA e da REPAM, alguns meses antes de sua morte, quando ele pediu que nós “continuássemos caminhando juntos”. Ele também reconheceu que a REPAM o ajudou a entender que existe apenas uma Amazônia. O cardeal, que já foi presidente da REPAM, pediu que se olhasse para o futuro com esperança e que se assumisse um compromisso de serviço por amor a todos os povos da querida Amazônia.

Seminaristas vivenciam 12º Experiência Missionária na Prelazia de Itacoatiara

Os seminaristas do Regional Norte 1 estão reunidos na Prelazia de Itacoatiara para a 12° Experiência Missionária, organizada pelo Conselho Missionário de Seminaristas (COMISE Labontè). A experiência integra o processo formativo dos futuros presbíteros do regional, oportunizando a vivência com as realidades pastorais das igrejas locais. A programação iniciou no sábado (18) e se estende até o próximo domingo (26). A Missa de envio, na Catedral da Prelazia, marcou o início das atividades e contou com presença de agentes de pastoral e fiéis. Depois, os seminaristas seguiram para comunidades ribeirinhas e urbanas, onde fizeram visitas, celebrações, momentos de oração, encontros e rodas de conversa para fortalecer a “comunhão e a corresponsabilidade missionária”, segundo Lucas Santos, seminarista da Diocese de Roraima. Para ele, a experiência missionária é “um momento formativo para os futuros presbíteros, que vivenciam a realidade amazônica e são convidados a cultivar um olhar sempre mais próximo, fraterno e comprometido com a vida do povo”, explicou. O caminho comunitário As atividades da experiência missionário estão alinhadas ao Jubileu da Esperança, com o tema “Missionários da esperança entre os povos”, escolhido pelo Papa Francisco, e o lema “A esperança não decepciona” (Rm 5,5). E buscam responder, como sinal de Esperança, ao grito urgente das pessoas que ecoa de diversas partes do mundo. O encontro com as realidades da igreja na Amazônia é fundamental para que os jovens seminaristas aprimorem seu modo de atuação. Na Exortação Apostólica Querida Amazônia, Papa Francisco recorda, ao citar o Instrumentum Laboris do Sínodo para a Amazônia, que a “vida é um caminho comunitário onde as tarefas e as responsabilidades se dividem e compartilham em função do bem comum. Não há espaço para a ideia de indivíduo separado da comunidade ou de seu território”. Essa dinâmica corresponde às aspirações evangélicas de caridade, e é um “estímulo à cultura do encontro”, onde as relações são novamente restabelecidas. É uma possibilidade para que os seminaristas recordem a vocação evangelizadora presente em cada cristão e cristã batizado. Ou seja, para que desde agora sejam capazes de reconhecer as necessidades dos povos amazônicos, exercendo seus trabalhos com a força profética do Evangelho encarnado na realidade. Aprofundar a fé Dessa forma, a experiência missionária é o espaço para que os jovens missionários aprofundem sua fé. O encontro com os povos permite que haja um reconhecimento mútuo como anunciadores do Evangelho. E o vínculo, nascido nos caminhos, nos diálogos e nos encontros, é a manifestação da Esperança oferecida por Jesus, convida à uma abertura de coração para tocar, compreender e transformar o modo de ver o mundo. Nesse aspecto, o seminarista Jainer Reina, da Diocese do Alto Solimões, comentou que a experiência na Paróquia de Nazaré, em Itapiranga, “está sendo maravilhoso, visitando as famílias, os idosos, os necessitados”. Ele enfatiza que esses momentos motivam “a nossa fé, a minha vocação para ser um sacerdote”. E espera que os frutos dessa missão “possa amadurecer mais e mais na minha vocação”, terminou. Fotos: Lucas Santos.

Diocese de Roraima: novo Diretório Sacramental

A Diocese de Roraima iniciou na manhã de terça-feira (14) a formação sobre o Diretório Sacramental para missionários e missionárias. Durante três dias, os quase 100 participantes aprofundarão a realidade sacramental na diocese para construir o novo diretório à luz do Documento Final do Sínodo da Sinodalidade. O processo inclui escuta, discernimento e comunhão para ampliar a vivência da sinodalidade na Igreja da Amazônia. Dom Evaristo Splenger, bispo da Diocese de Roraima, explica que a construção do novo diretório assume o caminho traçado pela igreja nos Sínodos para a Amazônia, em 2019, e o Sínodo sobre a Sinodalidade. Ou seja, uma igreja com “um rosto mais inculturado, mais amazônico” que caminha de “forma comunitária” com todos os padres, bispos, religiosos e leigos das comunidades. Esse caminho é assumido também no aspecto sacramental. Nele, o sacramento é entendido “como um sinal da presença de Deus, que nos aponta o caminho da salvação” e não como um “rito mágico da igreja”. essa igreja que anuncia… Jesus Cristo que caminha com esse povo na Amazônia, caminha com essa nossa diocese, onde temos tantos imigrantes, tantos povos indígenas. O objetivo é fazer um percurso que começa com os missionários. Em seguida, “é levado para o Conselho de Evangelização da Diocese”, e, posteriormente, para “as nossas comunidades, paróquias, áreas indígenas”, explicou o bispo. Ao final do processo, a expectativa é que o material recolhido para o novo diretório sacramental reflita “a participação de todas as nossas comunidades”. Chegar às pequenas comunidades Pela avaliação de Dom Evaristo, o grande desafio na construção do diretório é fazer com que ele chegue “às pequenas comunidades mais distantes, áreas indígenas, ribeirinhas e nas comunidades do interior”. É fundamental que haja envolvimento de todos, para que o diretório não caia “de paraquedas” e “as pessoas não saibam a motivação”.  Por isso, a necessidade de juntos procurar “um melhor caminho para ajudar” as “realidades muito diversas”. “Temos aqui uma realidade que é urbana, onde temos um grande fluxo migratório, então uma grande movimentação de gente. Mas também temos pequenas comunidades numa área ainda de missão, onde estão se formando as comunidades. Onde não temos ainda um catequista, não temos um ministro da palavra”, pontuou. Segundo ele, essas características levantam questionamentos, tais como “Como é que fazemos a preparação para os sacramentos, o batismo? Como é que fazemos a preparação para a primeira eucaristia? Como é que fazemos a preparação para todos os sacramentos?”, indagou o bispo. Essa preocupação não é apenas com rito, mas com todo o “processo de seguimento de Jesus”. Um estímulo para a diocese encontre “novos caminhos”. Colocar em prática o Concílio No primeiro dia, Pe. Luis Miguel Modino, membro da comunicação do Sínodo da Amazônia, refletiu a partir do Documento Final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos – Por uma Igreja Sinodal – Comunhão – Participação – Missão. Durante o diálogo, insistiu na sinodalidade “como concreção de uma Igreja Povo de Deus, segundo a proposta do Concílio Vaticano II”. Para ele, o caminho sinodal é “por em prática aquilo que o concílio ensinou sobre a igreja como mistério e povo de Deus”. Mondino recordou que a Igreja “no Batismo dá a mesma dignidade a todos os membros do Povo de Deus”. Ela deve fomentar “a unidade na diversidade”. Para isso, a conversão é apresentada como palavra chave e condição para um caminho sinodal: conversão das relações, dos processos e dos vínculos.  “Todo o Povo de Deus é o sujeito do anúncio do Evangelho. Nele, cada Batizado é convocado para ser protagonista da missão, porque todos somos discípulos missionários”, segundo aparece no Documento Final do Sínodo. Diretório para santificação do povo de Deus Responsável por apresentar os Fundamentos dos Sacramentos, Pe. Gilson da Silva, membro do Tribunal Eclesiástico da Interdiocesano, disse que o diretório tem por objetivo “a santificação do povo de Deus”. Nessa dinâmica, o direito canônico “nos convida a ter um olhar, sobretudo, para a liturgia, onde a liturgia se torna um instrumento de salvação, olhar também para o bispo como o litúrgo responsável”. De uma maneira que “todos assumem esse papel no direito de santificação”. Outro ponto destacado são os sacramentais, “que são instrumentos, como as bênçãos, os crucifixos, que ajudam no crescimento da fé e da devoção do povo de Deus”, explicou Pe. Gilson. Além da necessidade de considerar, “diante de uma realidade amazônica”, estão presentes os elementos da inculturação e do cuidado com a casa comum. “a importância do diretório sacramental nessa perspectiva sinodal sobretudo buscar essa conversão, conversão sacramental, uma conversão primeiramente com atitudes, posturas que nos levem a um caminho de santificação”, finalizou.

Muticom 2025 lança livros e apresenta texto-base sobre Comunicação e Ecologia Integral

O texto-base busca aprofundar o diálogo entre fé, justiça socioambiental e práticas comunicacionais Na manhã desta sexta-feita (26), ocorreu no 14° Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom) lançamentos de livros. Entre eles, o texto-base sobre comunicação e ecologia integral, fruto do trabalho do Grupo de Reflexão sobre Comunicação (GRECOM), ligado à Comissão Episcopal para a Comunicação Social da CNBB. O texto-base busca aprofundar o diálogo entre fé, justiça socioambiental e práticas comunicacionais comprometidas com a sustentabilidade e a transformação social. O documento convoca comunicadores a assumirem um papel ativo, marcado pelo compromisso ético e pela responsabilidade ambiental, estimulando um novo jeito de comunicar em sintonia com a Casa Comum. Durante o lançamento, Ricardo Alvarenga, Membro do Grupo de Reflexão em Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, anunciou uma novidade: a partir deste Muticom, em todas as próximas edições, será publicado um subsídio temático para apoiar dioceses, paróquias e grupos de pastoral. “A ideia é que, a partir deste Muticom, sempre nos eventos nacionais, como o Encontro da Pastoral da Comunicação, o Grecom, com a ajuda de outros parceiros, publique um material de apoio. O objetivo é ajudar as comunidades a refletirem sobre o tema que estaremos trabalhando em cada encontro”, explicou. Já o Padre Dário Bossi, assessor da Comissão Sociotransformadora e da Comissão para Ecologia Integral e Mineração da CNBB, apresentou cinco prontos principais. O primeiro deles foi a fé e cuidado com a Casa Comum. Segundo ele, “Não há mais como separar a nossa fé do cuidado com a Casa Comum.” Outro aspecto ressaltado, foi a juventude como interlocutora central. Para o padre, “As juventudes são nosso interlocutor principal, porque elas são um presente que pode mudar o nosso futuro.” Ele também chamou atenção para o combate ao negacionismo, lembrando que “Um bom comunicador, uma boa comunicadora, desfaz o negacionismo e desvenda as falsas soluções do sistema capitalista, que criou um problema e agora quer nos dar uma resposta que não se sustenta.” O sacerdote ainda enfatizou a necessidade de conexão entre cotidiano e grandes decisões “Somos chamados a conectar os estilos de vida, as atitudes cotidianas de cada pessoa, família e comunidade com as grandes denúncias e as escolhas políticas. A comunicação precisa mostrar que há uma conexão entre tudo isso.”, afirmou. E por fim, destacou a esperança como missão “Nós somos semeadores e semeadoras de esperança. Temos que contar histórias que estão mudando este planeta, que existem e que reexistem. Essa é a nossa missão!” O lançamento marcou um dos momentos de reflexão do Muticom, reforçando o compromisso da igreja com uma comunicação inspirada pela ecologia integral. Baixe o texto-base: https://muticom.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Subsidio-14o-Multicom-DIGITAL-03-set-2025.pdf Kayla Costa – Rádio Monte Roraima / Fotos: Jonathan Allicock – Rádio Monte Roraima

Conselho de Leigos e Leigas do Regional Norte 1 realiza 10º Assembleia

O Conselho de Leigos e Leigas do Regional Norte 1 realizou, de 19 a 21 de setembro, sua 10ª Assembleia em Manaus, com o tema “Cristãos, leigos e leigas, peregrinos da Esperança, agindo na história a serviço do Reino”. O encontro reuniu cerca de 25 pessoas, acompanhados pelo bispo auxiliar de Manaus e referecial para o laicato, Dom Zenildo Lima, com destaque para a primeira participação de membros da Diocese do Alto Solimões, além de integrantes da Prelazia de Tefé, da Arquidiocese de Manaus e das Dioceses de Borba, Parintins e Roraima. O objetivo do encontro é refletir a caminhada do laicato nas dioceses e prelazias. Além do aprofundamento formativo da temática, foi abordado a experiência do conselho nacional e de pensar o serviço não somente pela dimensão institucional do conselho, mas do cuidado com os cristãos leigos, explicou Francisco Meirelles, presidente do Conselho de Leigos do Regional Norte 1 e da Arquidiocese de Manaus. “Pensando justamente o serviço não só como institucionalização do Conselho de Leigos, como organismo, mas pensar como nós fizemos aqui esses dias, de refletir justamente o cuidado com os cristãos leigos e leigas em cada diocese, prelazia, nas paróquias, nas áreas de missões, nas áreas missionárias. Então esse momento foi um momento muito bonito, que podemos partilhar”, destacou o presidente. O Deus que eleva os pobres Na partilha, os participantes repercutiram o que a Palavra de Deus diz à história de cada um e cada uma. Justamente para fazer memória daqueles cristãos leigos e leigas que, aos domingos, expressam seu comprometimento se dividido entre as atividades das comunidades e de suas famílias. Os recortes falam da prática de injustiças e exploração com os empobrecidos e pedem por novas opções à luz do Evangelho. Ir. Ângela Maria, da Congregação das Franciscanas Missionárias da Mãe do Divino Pastor, da Diocese de Roraima, salientou a postura de Deus. Ele que “nunca mais vai esquecer o que eles fizeram”. Desse modo revela a beleza da “predileção de Deus pelos empobrecidos e empobrecidas”. Nesse cenário, Dom Zenildo recorda que o juramento de Deus confronta a experiência religiosa que anestesia o povo. É o “fazer da religião um grande sábado para que a gente possa adulterar as coisas”, em vez de tornar o povo mais atento. Esse é o contexto onde Deus não se esquece do mal feito. “É uma linguagem humana para falar de Deus com os sentimentos da gente, não é? Mas para dizer, o profeta usa essa linguagem para dizer o quanto isso foi caro para Deus. O quanto fazer mal ao pobre foi caro para Deus. Nunca mais eu vou esquecer. Eu acho que o convite da palavra é um convite para as grandes opções”, destacou. Refazer as nossas opções Val Firmino fez uma ligação entre o Evangelho do dia e a parábola do jovem rico. Nela o jovem pergunta com alcançar a vida eterna e Jesus indica que é necessário deixar tudo para segui-lo. Para dizer que a radicalidade do que foi proclamado é “viver com pouco, mas viver bem. Ser justo com aquilo que é justo”. “Justiça, onde precisa ter justiça, né? Onde estão as injustiças com os outros irmãos e irmãs, né? Não pegar o que não lhe pertence, né? E sim o que te pertence. Então, assim, para mim, eu vejo essas passagens bíblicas muito parecidas” porque o administrador esbanjava os bens de seu patrão. Dom Zenildo Lima destacou que a expressão em que o Senhor elogia o administrador desonesto gera um estranhamento. E levanta o questionamento de “como é que esse sujeito aqui aparece quase como um modelo, né?”. É indicou que esse pode ser “um convite mais profundo”, um convite para “as escolhas fundamentais”. “A partir do que a gente pauta a nossa vida? a partir do dinheiro, das estruturas, ou a partir da vida das pessoas? Esse homem, esse administrador, foi alguém que pautou toda a sua vida a partir do dinheiro, das estruturas. Agora isso vai ser retirado dele e ele percebe que ele não tem relações, que ele não tem pessoas”, salientou o bispo. Perceber as pessoas Ao fazer memória do segundo dia de assembleia, onde se refletiu sobre o trabalho do conselho, Dom Zenildo comparou com as exposições feitas pelo grupo. Isto porque “às vezes a gente se dedica muito às estruturas, às organizações, e não percebemos as pessoas”. Por isso a atividade pautou não como fortalecer estruturas, mas como “proporcionar momentos para as pessoas”. “Isso não nos faz de melhor do que os outros, o fato de nós não estejamos nesse mar de corrupções. Nós podemos estar, talvez, nessa perspectiva de vida. Não envolvidos em corrupções, mas talvez dominados e predominados pela estrutura e também nós não tenhamos feito opção pela vida e pelos outros. Aí olha Jesus, um homem absolutamente livre de estruturas. E absolutamente pautado pela vida dos outros. Por isso que a vida de Jesus é sempre encantadora para nós” sublinhou o referencial. Uma oração que alcance a vida comunitária O último dia de assembleia foi marcado por manifestações democráticas contra movimentações parlamentares opostas aos interesses populares. Por isso, Lima reforçou que rezar pelos governantes “não é submissão”, mas “é rezar pelo povo brasileiro, é rezar por essa harmoniosa convivência”. Principalmente porque Brasil é um país de “tantas diversidades e de tantos povos” e é necessário que a oração alcance essa dimensão da vida comunitária. “para eles refaçam as suas opções. E refazendo as suas opções, escolha as pessoas, escolha o bem-estar, escolha o nosso agente, escolha o nosso povo. E a gente continua aqui. O nosso papel, pessoas batizadas, seguidores de Jesus, que também somos chamados para refazer as opções e as escolhas fundamentais para a vida da vida”, finalizou o bispo. Os participantes definiram que para fortalecer o compromisso do Conselho Regional com a sinodalidade e missionariedade das Igrejas locais, a eleição da nova presidência seria feita no próximo ano. Um ano de preparação e assim, garantir um conselho mais consistente nas dinâmicas da Ação Evangelizadora.

Cardeal Steiner: “A Sinodalidade é o modo de ser Igreja assumido pelo Regional Norte 1”

O Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), finalizou a 52ª Assembleia. Aproximadamente 70 pessoas, das nove Igrejas Locais, estiveram presentes em Manaus, entre os dias 15 e 18 de setembro. O encontro foi um momento de aprofundamento das dinâmicas de Sinodalidade e de construção das diretrizes nacionais e regionais para a Ação Evangelizadora. O arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, cardeal Leonardo Steiner, comentou que a sinodalidade é um modo de ser Igreja assumido pelo regional. E mesmo que já seja uma realidade presente, é possível continuar avançando nessa dinâmica. “O nosso regional se caracteriza já por ser uma igreja sinodal, mas isso não significa que não temos muito a caminhar ainda. Temos muito para caminhar. O próprio modo da Assembleia é um modo muito sinodal, a participação de todos, mas nós desejamos que esse modo sinodal esteja também presente nas comunidades, seja presente nas áreas missionárias, nas paróquias, e assim a igreja toda seja ela sinodal, onde todos participam, onde todos pelo batismo se sentem profundamente integrados na igreja, se sintam realmente povo de Deus”, explicou o arcebispo. A escuta presente na Igreja da Amazônia O cardeal Steiner participou do Sínodo da Sinodalidade. Em suas palavras, destaca que a Igreja da Amazônia possui elementos significativos para oferecer à sinodalidade na Igreja Universal. Mas que esse processo nasce da escuta e é como a igreja “pode contribuir, no sentido de nós buscarmos ouvir as pessoas, ouvir os fiéis, e da escuta, irmos como que planejando as nossas ações”. Essa compreensão levanta questionamentos de “como sermos uma igreja presente? Como anunciarmos o Reino de Deus? Como anunciarmos Jesus Cristo crucificado e ressuscitado nas diversas culturas, nas diferentes situações, nas tensões que muitas vezes existem?”. É nesse contexto “que podemos dar uma grande contribuição no sentido de sermos todos nós pessoas que escutam e porque escutam são capazes de perceber. Assim se pode anunciar o Reino de Deus. Assim se pode anunciar Jesus crucificado e ressuscitado”, reforçou o arcebispo. Prestar contas da Ação Evangelizadora O Documento Final do Sínodo norteou as discussões durante os dias de assembleia. Ele fornece pistas para que as igrejas do Regional Norte 1 identifiquem os caminhos a serem seguidos. O presidente do Regional enfatizou que é importante aprofundar o conhecimento desse documento principalmente quanto à prestação de contas da Evangelização. “Eu penso que aprofundada na nossa região ainda precisa muito a questão de fazermos uma avaliação, uma espécie de prestação de contas, não apenas financeira. Mas de como vai a nossa Ação Evangelizadora? Como estamos anunciando? Como somos presença?”, questionou o cardeal. Daí necessidade de que o caminho a ser percorrido seja de fazer que as comunidades se sintam “cada vez mais corresponsáveis pelo Anúncio, pela Evangelização, ao mesmo tempo também perceberem: não, aqui ainda precisamos caminhar, aqui ainda podemos dar mais, aqui ainda podemos participar mais”. E esse aspecto avaliativo “nos ajuda muito a sermos cada vez uma igreja mais viva, uma igreja mais presente, uma igreja mais consoladora, uma igreja mais samaritana, diante das dificuldades que existem”, destacou Steiner. Um processo coletivo A secretária executiva do regional, Ir. Rose Bertoldo, que coordenou a preparação da assembleia, avaliou o encontro como “um processo construído coletivamente e construído na Sinodalidade. Eu pude perceber que cada diocese, cada prelazia, as pastorais sociais, a vida religiosa que esteve presente, se sentiu construtora dessa Assembleia. Foi uma Assembleia de estudo, uma Assembleia muito leve, mas também com muita responsabilidade, que é a característica do Regional Norte 1”. Além disso, o Regional tem o desafio de continuar criando os processos que posteriormente se desdobrarão nas dioceses e prelazias, juntamente com as pastorais sociais e todos os organismos de participação. “E a gente vem estudando as diretrizes da ação evangelizadora que serão aprovadas em 2026 na Assembleia da CNBB Nacional, mas também já estamos apontando caminhos para a construção do nosso documento, as nossas diretrizes. A gente vai elaborar um documento inicial, já com as proposições que foram tiradas durante essa Assembleia, que depois serão complementados a partir das diretrizes nacionais e também dos encaminhamentos que a próxima Assembleia dará do documento”, explicou Ir. Rose Bertoldo. Conhecer o Documento Final Junto com isso, a expectativa é que as dioceses e prelazias continuarão a estudar o documento final do Sínodo da Sinodalidade. Esse processo continuado vai aos poucos moldando o futuro da Evangelização no Regional. “E essa é a ideia, é de dar a conhecer o documento para as nossas lideranças que estão lá nas comunidades. E também dar a conhecer tudo aquilo que a gente foi construindo como perspectiva de construção das novas diretrizes. Tendo esse olhar para a realidade, para o território do Regional Norte 1, que tem, assim, realidades que são comuns, mas também tem realidades que são específicas, dependendo de cada igreja local”, finalizou a secretária executiva.