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Nota de Solidariedade da diocese de Roraima com Dom Mário Antônio da Silva

Diante dos ataques “injustos e distorcidos por convocar o Povo de Deus para o 31º Grito dos Excluídos e Excluídas” contra o arcebispo de Cuiabá, dom Mário Antônio da Silva, a diocese de Roraima emitiu uma nota no dia 11 de setembro, onde mostra “incondicional apoio e solidariedade” àquele que foi pastor dessa Igreja entre 2016 e 2022. O texto sublinha que “esses ataques, alimentados por discursos de ódio que só geram divisão, ferem a comunidade cristã e distorcem a missão pastoral que Dom Mário exerce com fidelidade ao Evangelho.” Igualmente, a nota destaca a proximidade do arcebispo, sua “simplicidade, coragem e ternura”, recordando os passos dados em seu ministério episcopal da diocese de Roraima. Um convite a participar do Grito dos Excluídos que mostra cuidado pastoral com os que mais sofrem, mas que encontro respostas negativas, “sintomas de uma polarização vivida na sociedade.” A Igreja de Roraima diz permanecer unida ao arcebispo de Cuiabá, “em oração e comunhão”, e pede a guia e proteção de Maria, Mãe dos pobres.

Diocese de Roraima é homenageada pela Assembleia Legislativa pelos 300 anos de evangelização

A Diocese de Roraima recebeu, nesta sexta-feira (29), uma das maiores homenagens institucionais de sua história. Em Sessão Especial realizada no Plenário Noêmia Bastos Amazonas, a Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) reconheceu publicamente o papel da Igreja Católica na formação do Estado e na vida do povo roraimense ao longo de três séculos de evangelização. A cerimônia marcou a celebração do Jubileu dos 300 anos de evangelização em Roraima e reuniu autoridades, fiéis, missionários e missionárias. A homenagem foi aprovada em plenário por meio dos Projetos de Decreto Legislativo nº 51 e nº 52 de 2025, de autoria do presidente da Casa, deputado Soldado Sampaio (Republicanos), que concederam a Comenda Orgulho de Roraima a personalidades e instituições ligadas à Diocese. Na abertura da solenidade, o bispo de Roraima, Dom Evaristo Pascoal Spengler, lembrou que a presença da Igreja precede a própria criação do Estado e destacou a importância histórica desse reconhecimento. “A Igreja de Roraima chegou antes do território federal, antes da Constituição do Estado. Contribuiu muito no início com a saúde, construindo hospitais, com a educação, formando técnicos e professores. Esse papel histórico é hoje reconhecido e nós agradecemos a Deus por tudo o que foi construído com o povo ao longo desses 300 anos”, declarou. Por meio de vídeo, o bispo de São Gabriel da Cachoeira (AM), Dom Raimundo Vanthuy Neto, que fez uma retrospectiva da presença missionária na Amazônia desde 1725, com os carmelitas, jesuítas, franciscanos e beneditinos, até a chegada dos missionários da Consolata. “Celebrar os 300 anos é lembrar que a presença da Igreja está ligada à história da Amazônia, ao cuidado com os povos indígenas, à educação e à defesa da vida. Cada missionário e missionária deixou uma marca que precisa ser lembrada. Hoje celebramos não só a memória, mas também o compromisso de seguir evangelizando”, destacou. Voz dos missionários de hoje O pároco de Pacaraima, Pe. Jesus Esteban Lopes Fernández Bobadilla, um dos homenageados, dedicou a honraria a todos que trabalham no acolhimento de migrantes. “A homenagem não é só para mim. É para toda a Diocese, para as instituições e para o povo brasileiro que acolhe os imigrantes. Nossa missão é viver o espírito do bom samaritano e aliviar o sofrimento de quem chega até nós”, disse. Quem recebeu a Comenda Orgulho de Roraima A Comenda foi entregue a diversas personalidades religiosas e leigas, além de instituições e pastorais que representam a presença missionária e social da Igreja. Personalidades religiosas e leigas Leiga, Ângela Maria Shardong, catequista, Deolinda Melquior da Silva, irmã, Elizabeth Sales de Lucena Vida, Luzinete Gomes Lima Maria Joselha Lima, Irmão Carlo Zacquini – presente, Jacir José de Souza – representado por Júlio José de Sousa (filho), Pe. Antônio Jerffeson de Almeida Resende, Pe. Jesus Esteban Lopes Fernández Bobadilla, Pe. Josimar Lobo, Pe. Mauro Sérgio Maia da Silva – representado por Pe. Jeferson Homenagens In Memoriam Irmã Telma Cristina Lage dos Santos – representada pelas irmãs Marineis Xavier de Oliveira e Lúcia Souza e Silva, Dom Aldo Mongiano – representado por Pablo Sérgio. Dom José Aparecido Dias – representado por Irmã Ivani Krenchinski (Missionária Serva do Espírito Santo de Alto Alegre). E Pe. Francisco Mário Ribeiro Castro – representado pela Vereadora, Valquiria Ribeiro. Bispo atual e os que já passaram pela Diocese Dom Evaristo Pascoal Spengler, Bispo da Diocese de Roraima, Dom Mário Antônio da Silva é Arcebispo de Cuiabá – representado por Pe. Josimar Lobo, Dom Raimundo Vanthuy Neto, bispo de são Gabriel da Cachoeira– representado por dona Vaneide e seus irmãos Instituições e pastorais reconhecidas Apostolado da Oração, Colégio Claretiano, Articulação dos Serviços Eclesiais aos Migrantes e Refugiados (ASEMIR), Cáritas Diocesana, Conferência dos Religiosos do Brasil Regional Roraima (CRB-RR), Fazenda da Esperança,  Instituto Missões da Consolata, e Padres Fidei Donum.  Pastoral da Criança, Pastoral da Juventude, Pastoral Familiar  e a Rádio Monte Roraima FM 107,9 – Pe. Luiz Botteon (diretor-geral) e Cléo Silva Rocha (diretora comercial). Reconhecimento histórico Para o deputado Soldado Sampaio, autor da homenagem, a entrega da comenda simboliza o reconhecimento do povo de Roraima à Igreja. “A Igreja Católica teve papel fundamental na história, na cultura e no desenvolvimento de Roraima. Reconhecer isso publicamente é valorizar não só o passado, mas também o presente e o futuro do serviço que ela presta à nossa população”, afirmou. Na ocasião foi assinado o termo de Cooperação Técnica que tem como objetivo preservar, digitalizar e divulgar o acervo histórico documental da Diocese de Roraima. Além disso, de 01 até 05 de agosto ficará disponível para visitação no rol da Assembleia Legislativa, estandes com memórias dos 300 anos da Diocese de Roraima. O Jubileu dos 300 anos segue sendo celebrado com missas, encontros culturais e atividades sociais em todo o Estado, consolidando o legado histórico da Diocese de Roraima e reafirmando sua missão evangelizadora junto ao povo.  FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Costa – Monte Roraima fm

1° Nortão de Catequese: o caráter querigmático e mistagógico da Catequese como folêgo da Evagelização

De 24 a 27 de julho de 2025, em Castanhal, no Pará, acontece o 1° Nortão de Catequese, com o tema: Iniciação à Vida Cristã na Amazônia: Anúncio, Mistagogia e Ecologia Integral. A reflexão busca oferecer elementos para as Igrejas Locais em seus processos catequéticos, fortalencendo a pluralidade da idetidade amazônica. Representação do Regional Norte 1 O evento contará com a presença do Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, 23 catequistas, 2 irmãs Consagradas e 2 padres das dioceses de Parintins, Alto Solimões, São Gabriel da Cachoeira, Borba, Roraima, Coari, Prelazia de Tefé e Arquidiocese de Manaus. Dentro dos 5 painéis, nosso regional apresentará 3: Catequese Ribeirinha (Diocese de Parintins), Catequese Indígena (Diocese de São Gabriel da Cachoeira) e Catequese Urbana (Arquidiocese de Manaus), partilhado nossas experiências. Chegada dos participantes Padre Jânio Negreiros, do clero da Diocese de Parintins e coordenador de catequese do Regional Norte 1, expressou a expectativa dos participantes “com muita alegria que nós assim acompanhamos esse início e da chegada dos das nossas catequistas, assessores da catequese, dos nossos bispos, dos conferencistas, dos que vão conduzir as oficinas as e também os painéis”. Destacou também a Catedral de Castanhal como “lugar extraordinário de convivência”, visto que ela é “toda pensada no aspecto bíblico” e é como “um ver a bíblia desenhada, expressada nas paredes” e “toda sua estrutura pensada dessa forma” favorecendo um “ambiente acolhedor” e aumentando a “expectativa dos nossos catequistas”. Novo olhar para catequese na Amazônia O evento reunirá aproximadamente 500 catequistas, juntamente com as religiosas e religiosos, padres, diáconos e bispos que estarão juntos tratando das diversas temáticas e desenvolvendo o tema geral. O coordenador enfatizou que isto traz um “novo olhar para uma realidade em nossa Amazônia”. O padre explicou que o encontro acolhe “todos os regionais do Norte para esse momento realmente inaugural, inicial” de algo que “foi pensando pelos nossos bispos no ano passado, em agosto, e assim foi levado adiante essa preparação” e culminou “para vivenciar esse primeiro momento”. Por fim, padre Jânio manifestou que o evento “é algo de grande significado pra nossa catequese na nossa região amazônica”. E por isso “queremos que seja um encontro de partilha, de aprendizado e que possa trazer realmente um fôlego para Evangelização”. E “especialmente para o processo inicial da fé das nossas crianças, adolescentes e adultos que estão no processo de Iniciação à Vida Cristã e também o trabalho pastoral, bíblico dentro das nossas pastorais e movimentos de nossas prelazias, dioceses e arquidioceses”. As temáticas das quatro conferências serão: “A Igreja deve crescer na Amazônia (QA, 66): Querigma, um anúncio de Esperança“, (Cardeal Leonardo Steiner,OFM); “Aceitar corajosamente a novidade do Espírito (QA, 69): Fundamentos para catecumenatos amazônicos”, (Victor Paiva, OFS); “Cuidar da Amazônia (QA, 51): Catequese a serviço de uma ecologia integral” (Moema Miranda, OFS); e “A este mundo, só a poesia poderá salvar (QA, 46): A literatura na transmissão da fé”, (Dom Antônio Fontinele), respectivamente, e finalizará com a peregrinação Jubilar até a Igreja Catedral.

Diocese de Roraima comemora 300 anos de Evangelização: “Uma sucessão de unções e entregas”

A diocese de Roraima celebrou no dia 19 de julho de 2025, fazendo memória da chegada dos primeiros missionários no ano 1725, 300 anos de evangelização. Um Jubileu que tem como tema: “300 anos de fidelidade e novos desafios numa Igreja sinodal”, que iniciou sua comemoração com uma caminhada até a catedral, onde foi recordada a história dos três séculos de missão evangelizadora. Memória da história vivida Na celebração eucarística, que contou com a presença das autoridades e de grande número de participantes, chegados das comunidades, áreas missionárias, paróquias, pastorais e movimentos, o bispo diocesano, dom Evaristo Spengler, fez memória da história vivida nessa igreja local, “escrita, sim, com suor, com perseguições, com superação, com busca de novos caminhos, com coragem e com doação”. O bispo ressaltou que “só foi possível esse caminho, porque os que vieram antes de nós firmaram-se na fé e na esperança. A fé em Jesus Cristo, anunciada pelos missionários, aqui se entrelaçou com as sementes do verbo, já plantadas no coração dos povos originários.  Esse anúncio fez germinar frutos de vida, de dignidade, de respeito e de justiça.” Tudo isso em uma terra, “enriquecida com a pluralidade de pessoas provenientes de tantos recantos”, onde “todos aqui foram acolhidos, irmanados pelo evangelho. O evangelho se fez história na vida do nosso povo”. Semente plantada Dom Evaristo Spengler destacou “três símbolos que iluminam nosso caminho: a semente que é plantada, o óleo que unge e o rio que corre.” Segundo o bispo, “a semente e os pés no chão são sinais da Igreja que caminha junto”. Ele disse que “a Igreja que se fixou em Roraima, chegou aqui muito simples, despojada, desprovida de recursos e com poucos missionários”, recordando a chegada de 9 carmelitas, que “trouxeram apenas uma semente a ser plantada: a boa notícia do Reino de Deus”.   Uma palavra que “ao longo dos séculos, germinou: em pequenas comunidades, em escolas de fé, em gestos de solidariedade, na luta pela vida, em lideranças para a Igreja e para a sociedade”, segundo o bispo. Ele sublinhou que a Igreja “dedicou-se à promoção humana, à saúde, à educação, à formação de profissionais, etc. A evangelização aqui nunca foi colonização! Foi inculturação, sempre encarnada no chão e na história do povo.” Uma Igreja que caminhou com o povo, “com os pés descalços nas estradas empoeiradas e enlameadas, com mãos calejadas construindo comunidades e com os braços fraternos acolhendo a todos.” Uma missão que continua hoje, “mantendo os pés firmes na luta pela justiça; trilhando com os pés enlameados onde a vida clama; caminhando com pés sinodais, para fortalecer a esperança.” Óleo que unge Falando do óleo, o bispo explicou que “a unção é um gesto do Espírito Santo. Deus unge seus profetas, seus discípulos, para curar, consolar, libertar os pobres e os cativos”, sublinhado que “esta unção não é privilégio de poucos, é de todos os batizados.” Nesse sentido, dom Evaristo Spengler definiu a evangelização em Roraima como “uma sucessão de unções e entregas”, citando os missionários e missionárias, as várias ordens e congregações, as mães indígenas, os catequistas, os agentes de pastoral. Uma unção que “continua viva e operante em nosso meio”, com “comunidades vivas, dinâmicas e comprometidas com o Evangelho”, que ele identificou com “uma Igreja toda ministerial”, onde “cada fiel descobre a sua vocação e assume com generosidade o serviço ao Reino”, mediante “serviços exercidos com fé e simplicidade”. O bispo fez um chamado a avançar “ainda mais nesse caminho de comunhão e corresponsabilidade”, colocando como desafios atuais “denunciar todas as formas de violência e agressão à vida; acolher os migrantes, o povo em situação de rua, os doentes, os prisioneiros; servir com as mãos estendidas às crianças, aos jovens, aos idosos e a todas as famílias”. Rio que corre Se referindo ao rio que corre, imagem do “Rio Branco, que atravessa todo o nosso Estado e também o nosso coração”, o bispo disse que “ele é testemunha da evangelização, caminho da missão, veia de vida para o nosso povo.” Nessa perspectiva, dom Evaristo Spengler ressaltou que “a evangelização aqui foi paciente como um rio, contornando obstáculos, gerando vida e esperança nas malocas, nas periferias, nos acampamentos, nas vicinais, nas cidades e suas periferias.” Ele definiu o rio como “sinal da presença de Deus que flui, purifica e dá vida”, uma imagem que chama a “ser como esse rio: livres, fecundos e em constante movimento.” Nesse sentido, “a missão que recebemos não pode ficar estagnada, nem presa ao medo ou ao comodismo”. “Agora é tempo de avançar com coragem, sem medo, com generosidade!”, disse o bispo de Roraima. Para isso, precisamos ser discípulos e discípulas com os pés no chão e o coração aberto. Discípulos que mergulhem com ousadia na missão. A missão não é tarefa de poucos. Não é só para os religiosos nem apenas para os ministros ordenados. Essa missão é tarefa de todos nós”, fazendo um chamado a não parar diante dos obstáculos, e sim “aprender a contorná-los, a enfrentá-los, ou, se necessário, a abrir novos caminhos.” Diante disso, dom Evaristo pediu aos presentes: “sejamos rios de esperança que fertilizam este chão amazônico com o Evangelho da vida!” Para manter esse rio, o caminho é dialogar com a sabedoria nesse mundo tão polarizado; proteger a Casa Comum, como guardiões da criação, segundo o bispo. Finalmente, dom Evaristo Spengler fez um chamado a “um novo Sim para Roraima”, destacando que “esta celebração não é apenas memória, é profecia e envio”. Para isso ele pediu ser “Semeadores do Reino, Ungidos pelo Espírito e como um Rio que leva esperança.” Ele pediu a intercessão de Nossa Senhora do Carmo, que acompanhou os primeiros missionários, para que “nos ensine a dizer ‘sim’ como ela.” Uma Igreja que cuida da vida, um convite recebido no momento final da celebração em que foram entregues 450 mudas de planta a cada uma das comunidades que conformam a diocese de Roraima. Fotos: Kayla Silva – Rádio Monte Roraima FM

Carta e ordenação diaconal marca Jubileu dos Povos Indígenas de Roraima

A diocese de Roraima realizou nos dias 25 e 26 de abril de 2025 na Missão Surumú, Raposa Serra do Sol, o Jubileu dos Povos Indígenas, que foi encerrado com a ordenação diaconal de Djavan André da Silva, indígena do povo Macuxi. No final do encontro, precedido por uma peregrinação, onde participou grande número de indígenas e contou com a presença da Presidente da Funai, Joenia Wapichana e de dom Gonzalo Ontiveros, bispo do Vicariato de Caroní (Venezuela), foi dada a conhecer a Carta do Jubileu da Aliança com os Povos Indígenas. Transbordar de esperança Um texto que iniciou recordando as palavras de dom Aldo Mongiano, bispo da diocese já falecido: “É um privilégio ter os povos indígenas em nossa Diocese”. No âmbito do Jubileu da Esperança, “um tempo de renovação da fé, da justiça e do cuidado com a criação”, a carta afirma que “as palavras do Papa Francisco nos inspiram a ‘transbordar de esperança’ (cf. Rm 15,13).” Junto com isso, “este Jubileu convida a viver a misericórdia, o perdão e a defesa da vida. É um chamado para devolver as terras aos povos originários, cancelar dívidas que oprimem os pobres e lutar pela libertação de todas as formas de escravidão (cf. Lv 25)”, diz a carta. Os povos indígenas são definidos no texto como “guardiões das florestas, dos lavrados, bem como de tantos outros biomas. Vivem em harmonia com a Casa Comum”, colocando como exemplo disso o xamã yanomami Davi Kopenawa, “que recolhe os anseios de seu povo.” Sobre os Yanomami, os povos indígenas de Roraima afirmam que “podem dispor de tudo o que precisam e têm a responsabilidade de cuidar da floresta. Há milênios, os indígenas protegem não apenas seus territórios, mas também o equilíbrio do planeta.” Denúncia do modelo económico Diante da atual situação, a carta denuncia que “o modelo econômico, que idolatra o lucro e o dinheiro, provoca uma ruptura. Os avanços da derrubada da floresta, da pecuária extensiva, do monocultivo, dos megaprojetos e da mineração ameaçam a sobrevivência dos povos indígenas e a de todos nós. A harmonia da Casa Comum foi rompida pelos projetos de conquista e colonização, realizados de modo cruel, causando violências, dor e extermínio.” “Há 300 anos a Igreja em Roraima caminha ao lado dos povos indígenas, ouvindo seus clamores e sonhos. Juntos, construímos iniciativas que fortalecem suas comunidades: as cantinas (venda de produtos básicos a preços acessíveis) e o projeto M-Cruz (criação de gado), que garantem autonomia econômica; a formação em educação, saúde e gestão coletiva, que valoriza seus saberes; a luta pela demarcação de terras e a resistência contra invasões ilegais; o diálogo entre a fé cristã e as tradições indígenas, que cria pontes de respeito mútuo”, lembra a carta. O texto denuncia “a tese do Marco Temporal, que ameaça os direitos indígenas. Esta tese impõe e viola conquistas históricas e a Constituição Federal. Temos como exemplo a proposta da PEC 48 e da Lei 14.701/23, atualmente em vigor. Some-se a isso a criação da Câmara de Conciliação e Arbitragem pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a questão. Ela ameaça retirar direitos e favorecer interesses econômicos. O nosso marco é ancestral!” A esperança dos povos indígenas permanece viva Nessa perspectiva, os povos indígenas insistem em que “essas leis trazem dor e sofrimento, mas a esperança dos povos indígenas permanece viva. Eles clamam pelo respeito a seus territórios, culturas e modos de vida.” Para isso, dizem renovar “nossa aliança e convidamos todos a se unirem nesta luta”, colocando algumas propostas: “exigindo a derrubada dessas leis injustas e tantas outras tentativas de retirada de direitos; apoiando a demarcação de terras indígenas; protegendo a floresta e seus guardiões.” Finalmente, é sublinhado que “a Páscoa de Cristo é a nossa Esperança, garantindo que a Vida vence a morte. A cruz não O derrotou – Ele a venceu! Esta Esperança não pode ser silenciada! Celebrar este Jubileu reforça que a vida triunfa. Juntos, escrevemos uma história de justiça e de paz para os povos indígenas e para toda a humanidade. Unidos, lutemos pela justiça e pela vida, testemunhando a Páscoa!” Ordenação diaconal O bispo diocesano, dom Evaristo Spengler disse que “este Jubileu é uma memória agradecida pela luta dos povos indígenas por seus direitos, pela terra e pela liberdade”, pedindo aos jovens indígenas que “não traiam seu povo, não deixem que caminhem sozinhos”, que assumam a causa de seus povos, para que possa ser respeitado o direito ancestral dos povos indígenas. Durante o Jubileu foi abordada a presença histórica da Igreja entre os povos indígenas de Roraima, com uma opção clara pelos povos indígenas, sobretudo a partir do episcopado de dom Aldo Mongiano, levando à criação do onselho Indígena de Roraima (CIR). A ordenação de Djavan André da Silva é “um dos preciosos frutos dessa longa história de aliança”, segundo dom Evaristo Spengler. Uma ordenação que se tornou um símbolo vivo dessa caminhada. Um momento que ficará marcado não apenas na história da Diocese de Roraima, mas também na memória dos povos indígenas que seguem firmes, unindo fé, cultura e resistência. Com informações de Rádio Monte Roraima

Missa Crismal na diocese de Roraima: “Deus unge os seus para servir e para transformar a realidade”

A diocese de Roraima celebrou no dia 15 de abril a Missa dos Santos Óleos, “um dia de alegria e de festa!”, segundo o bispo diocesano, dom Evaristo Spengler. Ele disse que “a missa crismal deste ano é especial”, dado que a diocese celebra 300 anos de evangelização e o Papa convocou o Ano Jubilar, fazendo um chamado a caminhar como peregrinos e peregrinas da esperança. Ungidos para servir O bispo lembrou a presença de mais de 20 novos missionários na diocese, que foram apresentados. Em sua reflexão falou sobre o óleo da Aliança. Ele enfatizou que “Deus unge os seus para servir e para transformar a realidade onde estamos inseridos.” Dom Evaristo refletiu sobre os três vasos sagrados presentes na celebração: o Óleo dos Catecúmenos, o Óleo dos Enfermos e o óleo do Santo Crisma. Segundo o bispo, o óleo “é um sinal sagrado.” Analisando o texto de Isaias 61, sublinhou que “pelo batismo, Deus nos escolheu para sermos ‘sacerdotes do seu povo’ para levar a alegria do Evangelho aos que sofrem, para sermos instrumentos de misericórdia.” Junto com isso, ele vê que “o óleo é para romper correntes e esquemas.” No Salmo 88, o bispo destacou que “esta unção não é para nosso prestígio”, ressaltando que “essa é a nossa missão: vida a serviço.” Já em Apocalipse 1,5-8, dom Evaristo enfatizou que “esta unção nos compromete: somos chamados a ser profetas que denunciam as injustiças, sacerdotes que santificam o mundo no amor, pastores que governam com humildade e serviço. Somos povo de Deus, todos ungidos e chamados para ungir.” Por sua vez, no Evangelho (Lc 4,16-21), sublinhou que ‘o óleo do Crisma nos recorda que, como presbíteros, religiosos/as e leigos, não somos meros funcionários do sagrado. Somos outros ‘cristos’ – ungidos – para estar no mundo a serviço do Evangelho. Como presbíteros, nosso ministério não é um status, mas um chamado ao serviço, especialmente aos mais pobres. Como religiosos e religiosas somos convocados para servir e testemunhar a profecia do Reino de Deus. Os leigos e as leigas são chamados, a partir do seu Batismo e Confirmação, a serem ‘sal da terra, luz do mundo’ (cf. Mt 5,13-16), e fermento na massa (Lc 13,20-21).” Significado dos Óleos Na benção dos óleos descobrimos, segundo o bispo, que “Deus, no seu amor, caminha conosco em todas as etapas marcantes da vida. E nos unge, nos consagra, nos cura e nos envia em missão. É o amor do próprio Deus que se faz presença, fidelidade e ternura.” Isso porque “cada óleo é expressão do amor e do cuidado de Deus, de um carisma, de um serviço e de um ministério específico.” Dom Evaristo Spengler refletiu sobre o sentido de cada um deles: o óleo da consagração, o óleo da cura e o óleo da missão. No Óleo da Consagração, destacou que “somos chamados a viver o amor até o extremo.” Algo que acontece no Batismo, pois “não somos reis para dominar, mas para servir”; na Crisma, que “nos envia para a missão de viver e testemunhar a fé recebida no batismo”; e na Ordenação, em que “o candidato se entrega totalmente a serviço da Igreja, povo de Deus, neste caminho sinodal.” Bálsamo das Feridas da Humanidade O Óleo da Cura, ele e visto pelo bispo como “o Bálsamo das Feridas da Humanidade”. Ele falou de diversas doenças, pedindo pessoas ungidas para o cuidado da casa comum, pessoas ungidas para ajudar na superação de extremismos e de exclusões, pessoas ungidas para ajudar a superar as gritantes desigualdades em uma sociedade que acumula riqueza à custa dos pobres. Uma cura que também precisa o ser humano, segundo o bispo de Roraima. Do óleo da Missão, o bispo destacou que ele é “a fidelidade ao evangelho no percurso da missão, que nos prepara para o encontro com o Esposo, o Cristo.” Dom Evaristo advertiu que “não podemos nos conformar com uma fé superficial ou apenas herdada da família ou da tradição. Somos chamados a fazer um encontro pessoal e comunitário com o Cristo Morto-Ressuscitado.” Para isso, “nós, os cristãos, somos chamados a viver em estado de vigilância ativa, cultivando uma vida de fé, de oração e de boas obras, sem nos deixar levar pela negligência ou pelo comodismo espiritual. A missão do cristão não é apenas crer, mas testemunhar com ações concretas o amor de Deus no mundo. Isso significa colocar em prática o que assumimos no nosso Batismo e confirmamos na Crisma.” Sentido do óleo em cada ministério O bispo fez um chamado aos presbíteros, para que eles “não deixem secar o óleo da unção, do primeiro amor, da entrega total em seus corações, em suas mãos, em seus pés. Vão às periferias sociais e às fronteiras existenciais, e contemplem a consolação de Deus, a presença de Deus, o amor de Deus.” Um óleo que não é “guardar para si”, é para “gastar nos caminhos enlameados e esburacados.” Aos religiosos e religiosas, ele pediu ser o “bom perfume” de Deus para evangelizar as mais variadas realidades. Para ser “uma presença terna e fraterna, especialmente em meio aos mais vulneráveis.” Aos leigos e leigas, o bispo lembrou que eles são “ungidos para santificar o mundo a partir de dentro de cada realidade.” Por isso lhes pediu que “sejam protagonistas da evangelização, assumindo cada vez mais a missão de animar e fortalecer as comunidades, sendo uma presença cristã autêntica na sua família, no seu trabalho, na roda de amigos, em todas as realidades da vida.” Finalmente, aos enfermos e idosos, lhes disse que “a vida de vocês é um óleo precioso que unge a Igreja com o perfume da paciência e da fé. Em um mundo que idolatra a juventude, a produtividade e a velocidade, a paciência dos idosos e dos enfermos é um antídoto contra a cultura do descarte. Através da aceitação serena das dores e dos limites impostos pela idade, vocês são testemunhas de que a vida tem valor em todas as suas fases e em todas as situações!” Para isso, dom…
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Convocado o Jubileu dos Povos Indígenas de Roraima: 25 e 26 de abril no Surumu

A diocese de Roraima, que está comemorando 300 anos de Evangelização e junto com toda a Igreja celebra o Jubileu da Esperança, convocou através do seu bispo, dom Evaristo Spengler, para a Peregrinação do Ano Santo e Jubileu dos Povos Indígenas, com o tema “Somos peregrinos e peregrinas da esperança”, que será realizado nos dias 25 e 26 de abril de 2025, no Surumu. Jubileu em um lugar símbolo de resistência Uma convocação dirigida a toda a comunidade eclesial, povos indígenas, para participar de um momento que será realizado em “um local emblemático, símbolo da história de resistência e da Aliança da Igreja com os povos indígenas.” Segundo a carta de convocatória, “agora ele será o cenário de um encontro sagrado, onde celebraremos a fé, a cultura e o compromisso com a justiça e a ecologia integral.” Segundo o bispo, “inspirados pelo lema ‘A esperança não decepciona’ (Rm 5,5), reafirmaremos nosso caminho sinodal, ouvindo o clamor da Amazônia e renovando nossa missão em defesa da vida e da dignidade humana.” A programação contempla um dia de memória, compromisso, testemunhos dos povos indígenas e celebrações culturais, a ser realizado dia 25. Já no dia 26, acontecerá a peregrinação seguida da Santa Missa solene, com a Ordenação Diaconal do seminarista Djavan André da Silva e envio missionário. Celebrar a resistência e a esperança dos povos indígenas O bispo diocesano de Roraima faz um chamado a participar, para assim, “fazer memória da caminhada histórica da Igreja com os povos indígenas, desde os Missionários Carmelitas, Franciscanos, Diocesanos, Beneditinos e Missionários da Consolata, até os dias atuais.” Junto com isso, será um momento para “celebrar a resistência e a esperança dos povos indígenas, especialmente em meio aos desafios do Marco Temporal e do garimpo ilegal, com suas ameaças e consequências socioambientais.” Finalmente, será oportunidade para “reafirmar nosso compromisso com a sinodalidade, a ecologia integral e a defesa dos direitos humanos, respondendo aos apelos da Laudato Si’ e do Sínodo para a Amazônia.” O Jubileu dos Povos Indígenas de Roraima quer ser um chamado à ação, em que a diocese convida “a todos a se unirem em oração e a participarem desta jornada de fé.” Para isso, dom Evaristo Spengler pede “que Maria, Mãe da Amazônia, sob o título da Virgem do Carmo, interceda por nós, e que o Espírito Santo nos guie neste momento de graça, fortalecendo nossa missão de ser Igreja viva, samaritana e profética na construção do Reino.”

Dom Evaristo leva carta de sensibilização sobre tema da CF 2025 em sessão na ALERR

O bispo Dom Evaristo Spengler esteve na Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) nesta terça-feira (8) para entregar aos deputados estaduais uma carta de sensibilização sobre o tema da Campanha da Fraternidade 2025: “Fraternidade e Ecologia Integral”, com o lema “Deus viu que tudo era bom”. A iniciativa busca unir forças com o poder público em defesa do meio ambiente, em sintonia com a COP 30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas que ocorrerá no Pará no próximo ano. Em seu discurso, Dom Evaristo fez um alerta urgente: “A Terra está gritando por socorro”. Ele destacou a necessidade de mudanças tanto no comportamento individual – como o consumo consciente e o descarte correto do lixo – quanto em políticas públicas que garantam a preservação do planeta. “A grande pergunta que nós nos colocamos é: como é que Deus está vendo o mundo hoje, com tanta destruição, desmatamento, garimpo ilegal que contamina nossos rios e terras, e tanta poluição do ar?”, questionou o bispo, lembrando os 800 anos do Cântico das Criaturas, de São Francisco de Assis, que pregava o respeito à natureza como parte da criação divina. Parlamentares reforçam compromisso com sustentabilidade O presidente da ALE-RR, Soldado Sampaio (Republicanos), recebeu o documento e destacou o equilíbrio necessário entre preservação e desenvolvimento: “Roraima tem muito a mostrar em preservação ambiental, mas precisamos manter o diálogo com a sustentabilidade da nossa gente, especialmente quem vive no campo.” A Campanha da Fraternidade, promovida anualmente pela Igreja Católica durante a Quaresma, tem como objetivo mobilizar a sociedade e o poder público em torno de causas sociais e ambientais. Em 2025, o foco será a ecologia integral, abordando a relação entre justiça social e preservação dos recursos naturais. A carta entregue aos deputados contém propostas concretas para políticas ambientais, que devem ser discutidas nas comissões da Assembleia. Enquanto isso, a Igreja continuará promovendo debates e ações em parceria com comunidades, escolas e entidades civis.  Fonte/Créditos: Dennefer Costa – Rádio Monte Roraima

A ministerialidade das mulheres chanceleres no Regional Norte 1

Na Igreja da Amazônia, a ministerialidade especifica-se de modos poucos comuns em outras realidades eclesiais. São expressões ministeriais que tem a ver com uma Igreja Sinodal com rosto amazônico, uma Igreja sustentada no Batismo, uma Igreja em que as mulheres assumem espaços de responsabilidade, que historicamente não tinham um rosto feminino à sua frente. Mulheres chanceler: uma novidade na práxis Na diocese de Roraima, a chancelaria é assumida pela Ir. Sofia Quintans Bouzada, enquanto na prelazia de Tefé é uma leiga, Juliana de Souza Martins, que desempenha esse serviço. Isso é uma novidade na práxis, que de modo nenhum contradiz o Direito Canônico, mas que tem que ser visto como um processo de mudança neste momento histórico que a Igreja universal e a Igreja da Amazônia estão vivendo. As reformas que o Papa Francisco vai introduzindo na Cúria Vaticana, com nomeação de mulheres para postos de responsabilidade, aos poucos também vão se fazendo presentes em algumas igrejas locais. O serviço da chancelaria, tradicionalmente assumido por padres, agora exercido por mulheres, é um exemplo disso. Segundo a chanceler da prelazia de Tefé, “com todo esse convite do Papa, a gente percebe também que os nossos bispos também se abrem a esse novo.” É uma aposta dos bispos para as mulheres estar nesses espaços, como é a chancelaria, que mostra que “nossos bispos também estão neste caminho de abertura da Igreja, para esse momento novo com a inserção das mulheres nessas funções”, sublinha Juliana de Souza Martins. As mulheres maioria nas comunidades Ninguém pode esquecer que “as mulheres fazemos parte das comunidades de base, somos a maioria nas comunidades, somos as que alentamos os processos, acompanhamos as pastorais, estamos como verdadeiras diaconisas nas igrejas locais”, segundo a Ir. Sofia Quintans. A religiosa afirma que assumir esses serviços “é simplesmente reconhecer aquilo que já fazemos no dia a dia na igreja local, nas comunidades de base.” A chanceler da diocese de Roraima, afirma que “com nossa competência e nosso modo de ser e estar, ajudamos também para que esta Igreja seja inclusiva, integre a todos, todos, todos, como disse o Papa Francisco, e haja processos novos de relação, processos de inclusão e outra nova sensibilidade incorporada nos processos eclesiais, nas tomadas de decisão, na formação, em tudo.” A Ir. Sofia insiste em que “a mulher faz parte da Igreja, fazemos parte da Igreja faz muito tempo, e nos reconhecermos como chanceleres é algo que é possível na Igreja faz muito tempo. Só que temos inércias incorporadas e se faz necessário quebrar essas inércias.” De fato, as mulheres na chancelaria enfrentam diversos desafios, que em primeiro lugar surgem da grande responsabilidade assumida, da confiança depositada nelas para vivenciar um processo que é uma corresponsabilidade com o Ministério Pastoral do bispo. A chanceler da diocese de Roraima destaca a necessidade do respeito muito profundo à caminhada histórica da Igreja local, “e tentar fazer de ponte com as comunidades, as paróquias, áreas missionárias, áreas indígenas, com a caminhada pastoral da Igreja, com a realidade local e os novos desafios da realidade migratória, dos povos indígenas e também com os desafios dos missionários”, sublinhando que a importância da Cúria ser um lugar de hospitalidade, de encontro e de Igreja em saída, de fazer uma caminhada em conjunto, sinodal. A capacidade e o papel das mulheres Olhando para a Igreja da Amazônia, Juliana de Souza Martins reflete sobre o desafio de reconhecer que o papel da chanceler e do chanceler é um papel importantíssimo, fundamental, dentro da cúria, dar visibilidade. No plano da ministerialidade feminina, uma dinâmica que teve um grande impulso no atual pontificado, se faz necessário da parte das mulheres, “nos dar conta da capacidade e do papel que nós temos dentro da Igreja. Às vezes, com o desafio, por sermos ainda uma Igreja muito masculina, muito paternal.” Ela reconhece o sofrimento das mulheres, mas também os passos já dados, os avanços, afirmando que “é algo muito presente, muito enraizado ainda dentro da nossa Igreja e às vezes isso acaba nos limitando no nosso pensar e no nosso agir. Mas eu acredito que se nós permanecermos firmes enquanto mulheres, nos reconhecermos como figuras transformadoras, importantíssimas para a evangelização da nossa Igreja, eu acredito que é nesse caminho que a gente deve continuar e persistir.” Reconhecer os serviços das mulheres A Ir. Sofia faz um chamado às mulheres para um reconhecimento mútuo, um apoio mútuo, para assumir que “temos qualidades e competências, além de uma experiência espiritual muito forte que sustenta a Igreja toda.” Ela também insiste em “reconhecer os nossos serviços que já estamos a vivenciar na Igreja, dentro das comunidades, dentro das pastorais, de lideranças, com ministérios reconhecidos.” Trata-se de “abrir caminho para outros ministérios que podem ser mesmo reconhecidos, ocupando os espaços, sem ter que pedir licença, dando-nos confiança mútua, mulheres e homens, homens e mulheres, tentando vivenciar essa experiência de missão conjunta, de missão em equipe”, com “conhecimento, responsabilidade, visibilidade, confiança mútua, vivenciando tudo juntos e juntas, em igualdade, com a mesma dignidade, mas em igualdade”, concluiu a religiosa.

Diocese de Roraima envia dom Lucio Nicoletto para sua nova missão em São Félix do Araguaia, “uma Prelazia com uma história belíssima”

A Igreja de Roraima, onde ele foi missionário desde 2016, enviou neste sábado, 22 de junho, dom Lucio Nicoletto para sua nova missão como bispo da Prelazia de São Felix do Araguaia. Ordenado bispo na catedral de Padova no dia 1º de junho, catedral de Cristo Redentor acolheu uma celebração com a participação de mais quatro bispos, o clero local, a Vida Religiosa, e de representantes das paróquias e comunidades da diocese, dentre eles os migrantes e os povos indígenas. Na homilia, após agradecer aos presentes, ao povo da prelazia de São Félix do Araguaia e aquele que foi seu bispo até agora, dom Adriano Ciocca, e aos bispos que participaram de sua ordenação episcopal em Padova, dom Lucio Nicoletto iniciou reconhecendo seu sentimento de gratidão, que nasce das “inúmeras memorias dessa caminhada que Deus me deu de viver aqui com vocês desde 2016”, um tempo marcado pelo conhecimento “dos mais pobres e de todos aqueles que sofrem”. Uma Igreja que ele define, seguindo Gaudium et Spes, como “uma Igreja que desde os seus primórdios guardou em seu coração o eco de toda realidade verdadeiramente humana”.  Uma Igreja que tem feito uma “reiterada opção pelos pobres e marginalizados, pelos povos indígenas e o povo dos migrantes e refugiados”. O bispo eleito de São Félix do Araguaia questionou “como poderíamos justificar essa pressão de que fala São Paulo na segunda leitura que o amor de Cristo nos faz, esse coração ardente que a Palavra de Deus acende em nós a partir do momento em que como Maria e com Maria queremos dizer o nosso Sim a Cristo na missão evangelizadora?”, respondendo que “os pés das discípulas e dos discípulos de Jesus Cristo se colocam a caminho por causa de uma urgência!”, insistindo na necessidade de uma resposta de amor. “Assim como eu vos amei!”, ressaltou dom Nicoletto, uma resposta necessária “quando o nosso coração se depara com tanta violência e injustiça, com tantas divisões e polarizações, até mesmo dentro da nossa mesma igreja; quando sentimos o cansaço de tanta dor e a tentação de dar o fora. Numa hora como essa sentimo-nos representados pelos discípulos de Jesus na hora mais crítica dessa travessia no meio do mar da vida: Mestre, não te importas que estamos perecendo, que estamos sofrendo demais? Deus parece dormir”, disse o bispo. “Será que Deus se esqueceu de nós?”, questionou dom Lucio Nicoletto, refletindo sobre o significado da barca e o mar, mostrando que “o mar simboliza o perigo, a ameaça na vida” uma realidade presente na comunidade de Marcos. Mesmo diante do perigo, Jesus chama seus discípulos a continuar sua missão, “a ir ao encontro das pessoas nas diferentes situações e lugares onde estão”, onde ele vê representada a Igreja missionária, que “atravessa diferentes mares para ir ao encontro dos homens e mulheres para lhes comunicar a boa notícia do reino de Deus”. Nas ondas do mar, dom Lúcio vê o “aburguesamento e cumplicidade: já fizemos bastante, pobres sempre existiram e existirão; o fundamentalismo e superioridade: é importante cuidar a pureza de nossos ritos, liturgias; as injustiças e discriminação para com a vida dos povos originários e migrantes; a rejeição para com as nossas crianças e jovens que ficam cada vez menos no topo de nossas preocupações e políticas públicas”.  No texto, destacou o bispo, Marcos quer transmitir aos seus, que “quando a comunidade segue os passos de seu Mestre, vai sofrer perseguições, vai ter dificuldades, vai vivenciar noites de tormentas, mas Deus é maior que tudo isso”. Para cresce na fé, “somos convidados e convidadas a passar para o outro lado. Para isso é preciso atravessar o mar com a confiança que demonstra Jesus no texto: ele dorme sereno porque confia no Pai”, salientou dom Lucio Nicoletto, mostrando que “os discípulos ainda têm uma fé que se desespera e devem aprender de Jesus a ter uma fé que confia”. Jesus grita, e em seu grito, se posiciona “diante de todo o mal que provocamos quando nos afastamos da lógica do amor e transformamos a fé numa ideologia; diante de nossa incapacidade de deixar-nos transformar pela sua Palavras em autênticos promotores de Justiça e de Paz para a realização da civilização do amor; diante da nossa obcecação pelo poder, pelo sucesso, pela ganância que desconsideram cada vez mais a vida dos outros e só se importa com a própria!” No convite de Jesus para irmos para outra margem, dom Lúcio vê “um convite a uma conversão radical e permanente”, que exige “um contínuo e permanente processo de conversão, principalmente de uma vida mais pautada pelo egoísmo árido e mortífero para uma vida que seja fruto de um contínuo deixar-se plasmar por Deus como Jesus fazia, sempre em intima e profunda comunhão com o Pai, para aprendermos assim a guardar em nós os mesmos sentimentos que foram de Cristo Jesus”. No Jesus apresentado pelo evangelista Marcos, o bispo vê “Aquele que veio para nos acompanhar no êxodo da vida e fazer-nos sentir que não estamos só, mas Ele nos guia e está conosco, como lâmpada resplandecente, como força profética para anunciar seu amor e sua justiça sem calar diante das ‘ondas’ do egoísmo e dos interesses particulares que não pertencem a Deus nem tampouco ao seu Reino”. Ele insistiu em que “essa é a tua vocação Igreja na Amazônia: ser sinal de Cristo Bom Pastor que ama e guia o seu povo com amor e ternura de Pai e Mãe, que abre para nós o caminho da vida plena para todos, que mostra para nós que não há salvação sem comunhão, não há misericórdia sem compaixão, não há evangelização sem missão, não há esperança sem conversão ao amor para com todas as criaturas”. No final da celebração, dom Lucio Nicoletto recebeu as homenagens dos missionários italianos, do laicato, a Vida Religiosa, o clero, a Pastoral do Migrante, lembrando e agradecendo pelos momentos vividos juntos ao longo de oito anos, destacando aquilo que foi marcante nesse tempo em sua missão na diocese de Roraima. Foi lida a mensagem enviada pelo cardeal Leonardo…
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