Na manhã do dia 7 de junho, a Arquidiocese de Manaus realizou a coletiva de imprensa de lançamento da cartilha de orientações políticas para as eleições de 2026. A expectativa é que nossas comunidades disponham de um material para reflexões de fé e cidadania. O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo Metropolitano de Manaus, destacou o papel fundamental da Igreja para a construção da consciência política.
“Por ocasião das eleições, a Igreja sempre tem se manifestado, sempre tem dado orientações para uma boa escolha, mas principalmente tem ajudado a criar uma consciência da importância que a política tem. Não só dos políticos, mas da política pública. E assim também desejamos para as eleições deste ano, desejamos dar a nossa contribuição”, explicou o cardeal.

Fé unida a realidade social
A construção do subsídio de círculos bíblicos busca unir a fé professa com a realidade social do Brasil, explicou Josiel Coelho, presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB). Ela responde ao chamado de São João Paulo II para que a Igreja não se desvincule da política para construção do bem comum.
“Diante de tempos difíceis para os excluídos da convivência social e afetados pela falta de emprego, pela falta de saúde, de oportunidades, a finalidade desta cartilha é mudar o modo de ver a política, transformando-a em discernimento ético, compromisso civil e engajamento social ativo”, explicou o presidente do CNLB.

A estrutura dos círculos bíblicos segue a metodologia do “ver, julgar e agir” em linguagem acessível para toda a população. O texto conta com uma seleção de iluminações bíblicas e fatos históricos que possibilitem a reflexão consciente dos cristãos e cristãs. Além disso, o material oferece opções de gestos concretos de estímulo à ações coletivas entre os fiéis nas paróquias, movimentos sociais, pastorais, sindicatos e conselhos ao final de cada encontro.
Os cinco encontros disponíveis no subsídio aprofundam a ligação entre a fé e a vida social fundamentada na Carta Encíclica Fratelli Tutti, de Papa Francisco. Eles buscam situar o debate responsável para o sentido real do bem comum com a valorização das pessoas. As discussões evidenciam a perspectiva ética que deve permear o cotidiano das escolhas políticas com participação cidadã.
Autoridade do Evangelho
O bispo auxiliar de Manaus, Dom Zenildo Lima, recordou que a Igreja sempre se manifesta diante das realidades diversas realidades dos tempos. Mesmo que essa manifestação seja acolhida ou encontre resistências, se manifesta com a autoridade concedida pelo Evangelho. É natural da missão da Igreja abordar e oferecer elementos para reflexão baseados em sua Doutrina Social.
“Papa Leão nos oferece, de um modo muito convincente, uma convicção que o Evangelho ilumina as realidades e ilumina as coisas novas de cada tempo. Por isso mesmo, a política que sempre se apresenta como a possibilidade de novas experiências de convívio social, pode ser iluminada a partir das convicções que brotam do evangelho. Apresentar-se assim, deste modo e com esta aparente pretensão, não descaracteriza o que é próprio da comunidade de fé. O fazemos por causa da autoridade do Evangelho”, enfatizou o bispo.

Narrativas de encantamento
Dom Zenildo Lima apontou para a necessidade de construirmos narrativas que possibilitem um reencantamento com a política, onde a imprensa tem um papel de destaque. Essas narrativas de reencantamento, passam pelo resgate dos processos políticos que ultrapassem a polarização entre “populismos e entre neoliberalismos, mas uma política capaz de caridade”.
Nesse horizonte, é necessário resgatar a elaboração de política melhor proposta pela Fratelli Tutti. Isto implica reconhecer a vida de homens e mulheres e compreender o voto como um processo de grande discernimento. Dom Zenildo sublinhou que o subsídio preparado pela Arquidiocese supõe o regaste da beleza e da clareza política como experiência de fé.
“Hoje nós temos um novo risco, que são processos de narrativas que criam ideologias tão superficiais que, de certo modo, compram o nosso voto. Compra a consciência dos eleitores. Então, a necessidade do discernimento é o principal elemento que perpassa esse pequeno subsídio de orientações, especificamente quanto ao gesto de votar. Então de novo nós somos convidados a esse processo de participação, como um processo consciente, como um processo fruto de um discernimento”, destacou o bispo.
Integridade nas eleições
A Arquidiocese de Manaus participa do Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB -AM), uma construção coletiva de diversas entidades civis que trabalham para garantir a integridade do pleito eleitoral. A Dra. Margareth Buzaglo, representante do comitê, esteve na coletiva e destacou que o grupo está pronto para receber “todo tipo de denúncias, encaminhamentos, reclamações” relacionado às eleições.
O coordenador de Pastoral da Arquidiocese, Pe. Geraldo Bendaham, realçou que a posição da Igreja em Manaus “é orientar a população para que vote com verdade, com justiça” e discernimento. Por isso a Arquidiocese se junta ao comitê para garantir que escolhas de políticos que prezem pelo bem comum, a ética e o trabalho. Com essas presenças autênticas, reestabelecer a esperança e o encantamento.
“Enquanto a fé, ela tem uma postura crítica diante da realidade. Não é para ser instrumentalizada a fé, mas é para que possa elevar a cidadania. Então, a Arquidiocese, junto com o Comitê de Combate à Corrupção e à Compra de Vota, vamos ficar atentos para que não entre na política aqueles que não são qualificados, somente os preparados”, destacou o padre.
Trabalhar pelo bem comum
Ao final, o cardeal Leonardo Steiner recordou que as eleições e o voto são “uma expressão da democracia”. Ele ressaltou a importância de atentarmo-nos “à pessoa a quem nós damos o nosso voto”. O que significa reconhecer em sua trajetória o trabalho firme pelo bem comum e a defensa da democracia, diferente das posições que o Congresso Nacional tem assumido.
“Dar mais uma vez a nossa contribuição para que as eleições ocorram com tranquilidade, mas também que nós possamos ajudar a renovar a política e a renovar, especialmente o Congresso Nacional, porque temos tido pautas no Congresso Nacional que não têm ajudado a sociedade brasileira. Tem tido decisões que vão contra a sociedade brasileira, vão contra o meio ambiente”, encerrou o cardeal.



