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Autor: Emmanuel Grieco

Dom Zenildo Lima: “Uma comunicação carregada de sentido e anúncio profético”

“Mais do que comunicações muito imediatas, sejam muito carregadas de sentido, de significado, de conteúdo e de anúncio profético”. Essas foram as palavras de Dom Zenildo Lima, o bispo auxiliar de Manaus e referencial para a Comunicação do Regional Norte 1, em mensagem aos comunicadores reunidos na 14º edição do Mutirão de Comunicação (Muticom). O evento busca refletir a comunicação pautada na Ecologia Integral e na Sustentabilidade e acontece de 25 a 28 de setembro, na Arquidiocese de Manaus. Aprofundar os conteúdos comunicados Ele faz um apelo a todos os comunicadores participantes do evento, mas que se estende aos “agentes de pastorais de comunicação, de organismos de comunicação eclesial”. Para que “aprofundem na reflexão, que conheçam os conteúdos”.  Já que o modo de ser da sociedade tecnológica estimula uma “ânsia, o desejo muito forte de furo de reportagem, de apresentar logo uma publicação”, mas que “não pode transcurar, não pode descuidar da profundidade do seu conteúdo”. Essa mensagem surge de uma inquietação sentida pelo bispo ao perceber que “até mesmo aqui neste encontro, neste mutirão, uma necessidade muito grande, para não dizer uma avidez, de registro e de publicação”. Ele recorda que no decorrer do mutirão de comunicação “nós fomos alertados” da importância de que “nós sejamos dominadores do conteúdo que a gente quer publicar”, destacou o referencial da comunicação. Amazônia como palco de narrativas construídas na escuta Ao comentar a importância de o evento acontecer na Amazônia, Dom Zenildo Lima, reforçou que se trata “um esforço da Igreja do Brasil, da Igreja Católica, de somar com outras vias de comunicação”. Esse esforço, é para que a “atualíssima questão da Ecologia Integral” seja capaz de gerar narrativas e esclarecer notícias que não são verdadeiras. “É providencial que o encontro aconteça aqui na Arquidiocese de Manaus, porque no chão da Amazônia e a reflexão a partir do lugar tem a possibilidade de vermos as perspectivas do território, de escutarmos as vozes de sujeitos locais. E é muito importante que não somente a Igreja Católica, mas a sociedade como um todo consiga de fato pautar a Ecologia Integral”, explicou o bispo. As dimensões expostas pelo evento se somam a necessidade de compreender o momento histórico vivido pelo país. Isso porque há um enfrentamento de um “projeto de lei que fragiliza a legislação ambiental”. Por isso, é fundamental, segundo Lima, que “tenhamos a força a partir de ferramentas de comunicação para efetivarmos o cuidado com a Casa Comum”. O itinerário temático Os painéis e rios temáticos trouxeram elementos muito importantes para o itinerário de construção do discurso da comunicação nas igrejas locais. É fundamental que as discussões feitas ajudem a formar um discurso autêntico das problemáticas ambientais. Nessa perspectiva, diversos pontos de vistas devem ser considerados, inclusive “do ponto de vista científico” como destaca Dom Zenildo.  “o aquecimento global não é uma falácia, não é uma invenção, mas é uma realidade comprovada, cientificamente comprovada. Nós tivemos a possibilidade de compreender que hoje nós temos não somente uma pauta de comunicação, mas para usar uma expressão apresentada aqui, uma comunicação necessária”, disse o bispo. Essa comunicação necessária considera também “as vozes dos sujeitos locais”. E a experiência compartilhada “a partir do território, a partir dos sujeitos locais tem o seu impacto na globalidade, na realidade nacional” o que consolida os argumentos em defesa da Casa Comum. Embora se apresentem em diferentes abrangências, convidam para um caminho unificado. “O aquecimento global e todas as ameaças são uma realidade, é uma ameaça verdadeira e crescente. A articulação das forças locais, mas também as articulações nacionais são necessárias e isso nós podemos ver a partir de diversos caminhos que os nossos rios temáticos têm nos ajudado” finalizou Dom Zenildo.

Cardeal Steiner: “sem medo aprofundar a comunicação e a Ecologia Integral”

“Desejar que nós não tivéssemos medo de discutir e aprofundar as questões da comunicação e da Ecologia Integral”. Essas foram as palavras do arcebispo de Manaus, Cardeal Leonardo Steiner, durante a mesa de abertura do 14º Mutirão Brasileiro de Comunicação. O evento buscará expandir horizontes para uma comunicação transformadora nas diversas realidades sociais e humanas. O cardeal destacou a exigência desse processo de aprofundamento, justamente por ele considerar diversos “aspectos e dimensões”. Isso para que não o reduza a “um mero cuidado para preservar as coisas”, mesmo que haja uma predominância em colocá-lo sob a lógica de desenvolvimento que destrói o meio ambiente. A poesia como parte do processo de transformação Essa observação é um convite a perceber que existem “outros elementos próprios nossos, do ser humano, que precisam ser refletidos”. E para que essa comunicação ganhe os contornos de transformação desejados o cardeal aponta que o caminho é o de retorno ao “poetar”. Já que a poesia perpassa o itinerário de transformação da vida humana. “Poesia que é a tentativa de colher a realidade na sua dimensão mais profunda. Lá onde nós somos atingidos. Nós somos atingidos por uma dimensão que o sustenta e guarda as nossas relações mais profundas”, explicou o arcebispo. Nessa perspectiva, o arcebispo questionou a dinâmica a ser assumida diante dessas questões, de como “sermos realmente pessoas que conseguem comunicar?”. Para isso, é necessário que haja uma transformação e o caminho é pensar “O que veio Jesus fazer? Transformar as nossas vidas”, explicou o cardeal.Por isso, o anúncio do Reino de Deus é também de “um modo de vida novo, onde tudo se sente em casa, onde tudo realmente possa ser”, e é o que precisa ser anunciado. Aprofundar dimensões exigentes Como anfitrião do evento, o cardeal Steiner reforçou o desejo de que mutirão “não tenha medo de chegar e aprofundar as dimensões mais exigentes”. E lembrou da existência de iniciativas dissonantes da perspectiva da Ecologia Integral, citando a PEC da destruição. Nela há “todo o pensamento, e todo o pensamento através disso” em busca de oportunidades para atingir seus objetivos utilitários, que Heidegger chamava de um pensamento calculante. “Então, desejo que as nossas discussões, os nossos debates sejam sem receio, sem medo, com toda a liberdade, para podermos realmente ser uma presença do Evangelho na nossa realidade. Assim ao menos é o que nós tentamos fazer sempre na Amazônia. Sempre buscarmos as razões mais profundas para podermos assim continuar a caminhar na esperança”, concluiu o cardeal. Ao final de sua colocação pediu ao presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), uma das organizadoras do evento, Dom Valdir José de Castro, que declarasse a abertura oficial do MUTICOM. Ele retomou os agradecimentos aos envolvidos na preparação do evento e aos que ainda seguem trabalhando para realização do evento em todos os setores.

Conselho de Leigos e Leigas do Regional Norte 1 realiza 10º Assembleia

O Conselho de Leigos e Leigas do Regional Norte 1 realizou, de 19 a 21 de setembro, sua 10ª Assembleia em Manaus, com o tema “Cristãos, leigos e leigas, peregrinos da Esperança, agindo na história a serviço do Reino”. O encontro reuniu cerca de 25 pessoas, acompanhados pelo bispo auxiliar de Manaus e referecial para o laicato, Dom Zenildo Lima, com destaque para a primeira participação de membros da Diocese do Alto Solimões, além de integrantes da Prelazia de Tefé, da Arquidiocese de Manaus e das Dioceses de Borba, Parintins e Roraima. O objetivo do encontro é refletir a caminhada do laicato nas dioceses e prelazias. Além do aprofundamento formativo da temática, foi abordado a experiência do conselho nacional e de pensar o serviço não somente pela dimensão institucional do conselho, mas do cuidado com os cristãos leigos, explicou Francisco Meirelles, presidente do Conselho de Leigos do Regional Norte 1 e da Arquidiocese de Manaus. “Pensando justamente o serviço não só como institucionalização do Conselho de Leigos, como organismo, mas pensar como nós fizemos aqui esses dias, de refletir justamente o cuidado com os cristãos leigos e leigas em cada diocese, prelazia, nas paróquias, nas áreas de missões, nas áreas missionárias. Então esse momento foi um momento muito bonito, que podemos partilhar”, destacou o presidente. O Deus que eleva os pobres Na partilha, os participantes repercutiram o que a Palavra de Deus diz à história de cada um e cada uma. Justamente para fazer memória daqueles cristãos leigos e leigas que, aos domingos, expressam seu comprometimento se dividido entre as atividades das comunidades e de suas famílias. Os recortes falam da prática de injustiças e exploração com os empobrecidos e pedem por novas opções à luz do Evangelho. Ir. Ângela Maria, da Congregação das Franciscanas Missionárias da Mãe do Divino Pastor, da Diocese de Roraima, salientou a postura de Deus. Ele que “nunca mais vai esquecer o que eles fizeram”. Desse modo revela a beleza da “predileção de Deus pelos empobrecidos e empobrecidas”. Nesse cenário, Dom Zenildo recorda que o juramento de Deus confronta a experiência religiosa que anestesia o povo. É o “fazer da religião um grande sábado para que a gente possa adulterar as coisas”, em vez de tornar o povo mais atento. Esse é o contexto onde Deus não se esquece do mal feito. “É uma linguagem humana para falar de Deus com os sentimentos da gente, não é? Mas para dizer, o profeta usa essa linguagem para dizer o quanto isso foi caro para Deus. O quanto fazer mal ao pobre foi caro para Deus. Nunca mais eu vou esquecer. Eu acho que o convite da palavra é um convite para as grandes opções”, destacou. Refazer as nossas opções Val Firmino fez uma ligação entre o Evangelho do dia e a parábola do jovem rico. Nela o jovem pergunta com alcançar a vida eterna e Jesus indica que é necessário deixar tudo para segui-lo. Para dizer que a radicalidade do que foi proclamado é “viver com pouco, mas viver bem. Ser justo com aquilo que é justo”. “Justiça, onde precisa ter justiça, né? Onde estão as injustiças com os outros irmãos e irmãs, né? Não pegar o que não lhe pertence, né? E sim o que te pertence. Então, assim, para mim, eu vejo essas passagens bíblicas muito parecidas” porque o administrador esbanjava os bens de seu patrão. Dom Zenildo Lima destacou que a expressão em que o Senhor elogia o administrador desonesto gera um estranhamento. E levanta o questionamento de “como é que esse sujeito aqui aparece quase como um modelo, né?”. É indicou que esse pode ser “um convite mais profundo”, um convite para “as escolhas fundamentais”. “A partir do que a gente pauta a nossa vida? a partir do dinheiro, das estruturas, ou a partir da vida das pessoas? Esse homem, esse administrador, foi alguém que pautou toda a sua vida a partir do dinheiro, das estruturas. Agora isso vai ser retirado dele e ele percebe que ele não tem relações, que ele não tem pessoas”, salientou o bispo. Perceber as pessoas Ao fazer memória do segundo dia de assembleia, onde se refletiu sobre o trabalho do conselho, Dom Zenildo comparou com as exposições feitas pelo grupo. Isto porque “às vezes a gente se dedica muito às estruturas, às organizações, e não percebemos as pessoas”. Por isso a atividade pautou não como fortalecer estruturas, mas como “proporcionar momentos para as pessoas”. “Isso não nos faz de melhor do que os outros, o fato de nós não estejamos nesse mar de corrupções. Nós podemos estar, talvez, nessa perspectiva de vida. Não envolvidos em corrupções, mas talvez dominados e predominados pela estrutura e também nós não tenhamos feito opção pela vida e pelos outros. Aí olha Jesus, um homem absolutamente livre de estruturas. E absolutamente pautado pela vida dos outros. Por isso que a vida de Jesus é sempre encantadora para nós” sublinhou o referencial. Uma oração que alcance a vida comunitária O último dia de assembleia foi marcado por manifestações democráticas contra movimentações parlamentares opostas aos interesses populares. Por isso, Lima reforçou que rezar pelos governantes “não é submissão”, mas “é rezar pelo povo brasileiro, é rezar por essa harmoniosa convivência”. Principalmente porque Brasil é um país de “tantas diversidades e de tantos povos” e é necessário que a oração alcance essa dimensão da vida comunitária. “para eles refaçam as suas opções. E refazendo as suas opções, escolha as pessoas, escolha o bem-estar, escolha o nosso agente, escolha o nosso povo. E a gente continua aqui. O nosso papel, pessoas batizadas, seguidores de Jesus, que também somos chamados para refazer as opções e as escolhas fundamentais para a vida da vida”, finalizou o bispo. Os participantes definiram que para fortalecer o compromisso do Conselho Regional com a sinodalidade e missionariedade das Igrejas locais, a eleição da nova presidência seria feita no próximo ano. Um ano de preparação e assim, garantir um conselho mais consistente nas dinâmicas da Ação Evangelizadora.

Regional Norte 1 realiza 1° formação do Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras

Nos dias 19 e 20 de setembro a coordenação nacional do Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP) se reúne em Manaus. O objetivo do encontro é formar lideranças para atuar na implementação da pastoral no Regional Norte 1.  E inclui o planejamento um caminho para o CPP adequado às realidades de cada Igreja Local. O CPP integra a Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da CNBB. Atua junto aos pescadores e pescadoras da pesca artesanal, as comunidades pesqueiras e na defesa do território. É um trabalho “desenvolvido à luz do Evangelho de Jesus Cristo“, segundo Dom José Altevir, bispo da Prelazia de Tefé e presidente nacional do CPP. Missão à luz do Evangelho  “Uma missão bonita, é uma pastoral e, por isso mesmo, ela é baseada na força do Evangelho de Jesus Cristo. E a gente perpassa meio às comunidades ribeirinhas, às comunidades pesqueiras. E, junto a essas comunidades, atuam as associações, sindicatos, colônias, mas o CPP não se encaixa dentro desses trabalhos do governo. e nem tampouco dos municípios, do Estado. Por ser uma pastoral, somos livres, à luz do Evangelho, para ajudar realmente tanto a comunidade pesqueira como também o seu território”, explicou o presidente. Esse é a primeira reunião a nível regional do processo de implementação do CPP. Ele já existe em outros regionais, como o Norte 2. Segundo Dom Altevir, os bispos do Regional Norte 1 “aceitam, apoiam e estão buscando para suas dioceses e prelazias também o funcionamento dessa pastoral social”. “E esse está sendo o primeiro passo, a sensibilização do regional Norte 1. para que o CPP possa realmente funcionar, de fato, sendo para a igreja essa força transformadora, à luz do Evangelho, na defesa do povo e também do território, lida com a pesca artesanal, mas também com as orientações de como a comunidade pesqueira se comporta diante da relação com o seu território, com o seu meio ambiente”, acrescentou. A escutar a realidade dos pescadores e pescadoras A articuladora do encontro, Juliana Martins, informou que essa implementação iniciou na Prelazia de Tefé. O grande número de comunidades pesqueiras e as realidades locais levantaram o questionamento “por que não existe uma pastoral social voltada para a luta dos pescadores e pescadoras?”.  Essa perspectiva conduziu à participação em encontros nacionais e apropriação do funcionamento do conselho em outros regionais. “A gente observou que é de fundamental importância a implementação do CPP no nosso regional, por ser uma realidade que tem grande número de comunidades pesqueiras. Então a gente começou nesse processo e hoje nós estamos aqui reunidos. Além de mim, Juliana, tem também dois agentes da Prelazia de Tefé, um representante de Coari e um representante da Diocese de Borba”, explicou. A programação do evento é direcionada ao processo de formação para novos agentes do Conselho Pastoral dos Pescadores. O intuito é que o “CPP no nosso regional vá se estruturando, vá se encorpando”. Por isso a necessidade de “de conhecer o CPP, conhecer o processo histórico do CPP, conhecer como é que o CPP atua, como é que está estruturado, tanto nacional, regional e local, como é que faz esse trabalho junto aos pescadores e pescadoras”. Itinerário formativo A dimensão formativa inclui a pastoralidade, a missão e a espiritualidade do CPP. Nesse horizonte, o conselho estimula a organização das comunidades para que “os pescadores se empoderem dos seus direitos e, a partir desse empoderamento, eles consigam acessar, conquistar direitos, acessar políticas públicas”. Um trabalho que articula a Fé e a vida para “construir mudança na vida das pessoas”, explicou a assessora temática, Ormezita Barbosa, do coletivo de formação da CPP Ceará. “um trabalho que é muito missionário, de visita missionária, de visita pastoral, de conhecer a realidade que as comunidades vivem. E a partir dessa escuta e dessa convivência com as comunidades, a gente constrói com elas e com eles, assim, aponta quais são as perspectivas que eles pensam de trabalho. Então, é muito comum as comunidades apresentarem questões relacionadas ao seu dia a dia, ao seu trabalho, ao seu acesso aos direitos”, destacou a educadora. Acolher a diversidade amazônica A pastoral surgiu em Olinda, no estado de Pernambuco, em 1968, e se expandiu pelas regiões costeiras. Segundo Gilberto Lima, secretário executivo nacional do CPP, com a presidência de Dom Altevir, ocorreu a necessidade de articular esses processos na região da Amazônia e incluir “indígenas, quilombolas, pescadores, pescadoras, ribeirinhos, costeiros de rios”. Embora seja um cenário diferente dos outros regionais, mas “onde tiver a pesca artesanal, a gente está ali para fazer esse trabalho”. “Oceano, os mangues, os estuários, onde é uma outra dinâmica. E a gente tem também dos rios, mas era sempre dos rios ali do Cerrado ou então da Caatinga. Mas é uma outra lógica. E agora a gente está aqui conhecendo. Além da gente trazer esse processo de formação, a gente vem receber também formação porque é uma outra dinâmica, um outro modo de ser e de evangelizar”, enfatizou. Por fim, a Ir. Maria Lúcia, da Congregação das Irmãs Franciscanas Bernardinas, recordou que o conselho nasceu da percepção das dores e do sofrimento, buscou organizar os pescadores e as pescadoras para juntos fazerem uma caminhada”. Ainda que seja uma missão da Igreja Católica, continuou, é também ecumênica “porque ela abarca e abraça pessoas, acolhe pescadores, pessoas que queiram, que estão nessa luta e que se comprometem também com a vida, independente do credo religioso”. “antes dela ser uma instituição, ela foi uma intuição. Uma inspiração de alguém que conheceu o Evangelho de Jesus Cristo e se pautou na vivência do Evangelho. Porque o Evangelho é promover a pessoa humana, é chegar perto das pessoas, é ser pastor. Então a missão da Pastoral dos Pescadores hoje é anunciar o Evangelho aos pescadores e às pescadoras e promover a vida onde ela está ameaçada.”

Cardeal Steiner: “A Sinodalidade é o modo de ser Igreja assumido pelo Regional Norte 1”

O Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), finalizou a 52ª Assembleia. Aproximadamente 70 pessoas, das nove Igrejas Locais, estiveram presentes em Manaus, entre os dias 15 e 18 de setembro. O encontro foi um momento de aprofundamento das dinâmicas de Sinodalidade e de construção das diretrizes nacionais e regionais para a Ação Evangelizadora. O arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, cardeal Leonardo Steiner, comentou que a sinodalidade é um modo de ser Igreja assumido pelo regional. E mesmo que já seja uma realidade presente, é possível continuar avançando nessa dinâmica. “O nosso regional se caracteriza já por ser uma igreja sinodal, mas isso não significa que não temos muito a caminhar ainda. Temos muito para caminhar. O próprio modo da Assembleia é um modo muito sinodal, a participação de todos, mas nós desejamos que esse modo sinodal esteja também presente nas comunidades, seja presente nas áreas missionárias, nas paróquias, e assim a igreja toda seja ela sinodal, onde todos participam, onde todos pelo batismo se sentem profundamente integrados na igreja, se sintam realmente povo de Deus”, explicou o arcebispo. A escuta presente na Igreja da Amazônia O cardeal Steiner participou do Sínodo da Sinodalidade. Em suas palavras, destaca que a Igreja da Amazônia possui elementos significativos para oferecer à sinodalidade na Igreja Universal. Mas que esse processo nasce da escuta e é como a igreja “pode contribuir, no sentido de nós buscarmos ouvir as pessoas, ouvir os fiéis, e da escuta, irmos como que planejando as nossas ações”. Essa compreensão levanta questionamentos de “como sermos uma igreja presente? Como anunciarmos o Reino de Deus? Como anunciarmos Jesus Cristo crucificado e ressuscitado nas diversas culturas, nas diferentes situações, nas tensões que muitas vezes existem?”. É nesse contexto “que podemos dar uma grande contribuição no sentido de sermos todos nós pessoas que escutam e porque escutam são capazes de perceber. Assim se pode anunciar o Reino de Deus. Assim se pode anunciar Jesus crucificado e ressuscitado”, reforçou o arcebispo. Prestar contas da Ação Evangelizadora O Documento Final do Sínodo norteou as discussões durante os dias de assembleia. Ele fornece pistas para que as igrejas do Regional Norte 1 identifiquem os caminhos a serem seguidos. O presidente do Regional enfatizou que é importante aprofundar o conhecimento desse documento principalmente quanto à prestação de contas da Evangelização. “Eu penso que aprofundada na nossa região ainda precisa muito a questão de fazermos uma avaliação, uma espécie de prestação de contas, não apenas financeira. Mas de como vai a nossa Ação Evangelizadora? Como estamos anunciando? Como somos presença?”, questionou o cardeal. Daí necessidade de que o caminho a ser percorrido seja de fazer que as comunidades se sintam “cada vez mais corresponsáveis pelo Anúncio, pela Evangelização, ao mesmo tempo também perceberem: não, aqui ainda precisamos caminhar, aqui ainda podemos dar mais, aqui ainda podemos participar mais”. E esse aspecto avaliativo “nos ajuda muito a sermos cada vez uma igreja mais viva, uma igreja mais presente, uma igreja mais consoladora, uma igreja mais samaritana, diante das dificuldades que existem”, destacou Steiner. Um processo coletivo A secretária executiva do regional, Ir. Rose Bertoldo, que coordenou a preparação da assembleia, avaliou o encontro como “um processo construído coletivamente e construído na Sinodalidade. Eu pude perceber que cada diocese, cada prelazia, as pastorais sociais, a vida religiosa que esteve presente, se sentiu construtora dessa Assembleia. Foi uma Assembleia de estudo, uma Assembleia muito leve, mas também com muita responsabilidade, que é a característica do Regional Norte 1”. Além disso, o Regional tem o desafio de continuar criando os processos que posteriormente se desdobrarão nas dioceses e prelazias, juntamente com as pastorais sociais e todos os organismos de participação. “E a gente vem estudando as diretrizes da ação evangelizadora que serão aprovadas em 2026 na Assembleia da CNBB Nacional, mas também já estamos apontando caminhos para a construção do nosso documento, as nossas diretrizes. A gente vai elaborar um documento inicial, já com as proposições que foram tiradas durante essa Assembleia, que depois serão complementados a partir das diretrizes nacionais e também dos encaminhamentos que a próxima Assembleia dará do documento”, explicou Ir. Rose Bertoldo. Conhecer o Documento Final Junto com isso, a expectativa é que as dioceses e prelazias continuarão a estudar o documento final do Sínodo da Sinodalidade. Esse processo continuado vai aos poucos moldando o futuro da Evangelização no Regional. “E essa é a ideia, é de dar a conhecer o documento para as nossas lideranças que estão lá nas comunidades. E também dar a conhecer tudo aquilo que a gente foi construindo como perspectiva de construção das novas diretrizes. Tendo esse olhar para a realidade, para o território do Regional Norte 1, que tem, assim, realidades que são comuns, mas também tem realidades que são específicas, dependendo de cada igreja local”, finalizou a secretária executiva.

52° Assembleia do Regional: compreender a atuação das Igrejas Locais

No segundo dia (16) da 52° Assembleia do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), iniciou com a Celebração Eucarística na Capela São José. Em seguida, os participantes foram contemplados com uma Análise Conjuntura do cenário Global e a nível local: correlação de forças políticas, econômicas e religiosas. Um ponto fundamental para compreender atuação das igrejas locais. O discurso e a sociedade do cansaço Marcia Oliveira, professora da Universidade Federal de Roraima (UFRR), apresentou os cenários que movimentam os discursos mundiais e que fomentam diversas problemáticas sociais e pastorais. Destacando que no espaço digital se “reforçam crenças, filtros ou ideias divergentes” gerando que ela chamou um “processo de anestesia mental”. Ou seja, as ideias, o poder e como eles transformam as narrativas. “De comodismo da nossa capacidade crítica, né? De pensar e de mudar, de intervir em uma sociedade de forma mais direta, de forma mais incisiva, a partir da nossa capacidade de transformação”, explicou a professora. Em sua fala, fez memória de um diagnóstico presente em todas as dioceses que foi a questão do cansaço, “estamos cansados”. Este processo é uma expressão que corresponde ao modo de ser da sociedade desenvolvido na modernidade ocidental. Dessa forma, a ascensão da extrema direita no mundo como resultado da sociedade de cansaço que reflete a crise da Democracia. Cotidiano político e Ético Dr. Carlos Santiago, (OAB-AM), destacou a necessidade de construir uma composição política para se contrapor ao avanço do extremismo. Essa ideia, pode ser vista em diversas partes do mundo, mas também no Brasil. Do ponto de vista econômico, buscar acordos para avançar com o multilateralismo. Ele enfatizou que o papel do eleitor é entender que a “política se faz cotidianamente” e deve ser construída nos diversos âmbitos da sociedade. Pe. Geraldo Bendahan, coordenador de Pastoral da Arquidiocese de Manaus, apresentou uma análise eclesial a partir do último censo. Neles constam uma diminuição do número de católicos. Mesmo com esse dado, a discussão abordou que “é possível trabalhar por uma Nova Evangelização que influencie a sociedade”. Ao comentar a exposição de Pe. Geraldo, o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, recordou que no passado o pensamento político e as decisões se baseavam em princípios éticos.  “Ética não é norma, é um horizonte que ajuda a fazer política.” E que ao deixá-la de lado “perdemos o horizonte.” Outro ponto acrescentando pelo arcebispo, foi quanto ao “modo como se usa esses irmãos”, ou seja, a forma como essa política exerce influência sobre a vida e organização da sociedade. Por isso é fundamental um “Evangelização mais sinodal, não tanto sacramental. Que é importante”, mas que precisa considerar a organização das comunidades amazônicas. A Solidariedade de Jesus e a Sinodalidade dos Mártires Durante a Celebração, Dom Tadeu Canavarros, bispo da Prelazia de Itacoatiara, destacou que Evangelho de hoje “nos sinaliza solidariedade. E aí toda a cidade se move em solidariedade a esta viúva. E Jesus não é diferente, se solidariza com ela. Porém, Jesus é movido de uma outra questão mais profunda que a solidariedade, a compaixão. Compaixão é, de fato, algo profundo do coração. Por que não dizer das vísceras? Jesus se aproxima, toca e restitui o Filho a nós”. Ao contextualizar com a Assembleia, destacou que “nós cada vez mais queremos nos aproximar de nossas realidades do regional, das nossas igrejas, tocar, como que nos envolver cada vez mais na realidade que é o nosso regional” e para isso olhar o exemplo dos \mártires que trabalharam de “maneira sinodal, na sinodalidade para enfrentar os desafios da sua época” e no Regional “juntos, não simplesmente olhar a realidade, mas aproximar-se, tocar e restituir, para que a vida realmente seja plena”. Ao final de sua reflexão, fez memória do grave acidente com as Carmelitas de Santa Teresinha, onde perderam a vida a Madre Geral, mais alguns conselheiros, na Tanzânia. E o aniversário natalício de Dom Elói, que foi bispo na diocese de Borba.

Dom Altevir para 52° Assembleia do Regional: “Grande momento de participar”

O Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB NORTE 1) inicia nesta tarde (15), sua 52° Assembleia. Dom José Altevir da Silva, Secretário do Regional, comentou as expectativas para o encontro que visto é como um “grande momento, porque a Assembleia do Regional é a única regional que não é a Assembleia, realmente, dos bispos, mas com a participação de todas as lideranças que são enviadas de Dioceses e Prelazias”. Nessa perspectiva, destaca a importância do Sínodo da Sinodalidade. Tendo em vista que ele “possa contribuir conosco, assim como também as próprias diretrizes que estão realmente a caminho, contribuir para que nós possamos formar também, ir construindo a nossa diretriz do próprio regional”. “Essa é uma grande expectativa que nós temos. E ajuda a participação de todos, a comunhão, a participação, a missão brotada em nossas igrejas locais, é a grande ferramenta para que essa Assembleia, como as demais, traga realmente seus frutos de uma verdadeira sinodalidade”, afirmou. A Igreja na Amazônia é Sinodal O Bispo de Tefé também enfatizou que “A igreja na Amazônia é uma igreja totalmente sinodal, porque ela vive do caminhar juntos.” Isto porque “Ninguém na Amazônia pode sobreviver sozinho. Por isso, nós vivemos da sinodalidade.” A sinodalidade presente nas dioceses e prelazias do Regional “E agora, especialmente com essa reflexão do Sínodo sobre a Sinodalidade, que está, de fato, diretamente presente nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil, que está já na sua fase final para aprovação. Então, a gente percebe que a Igreja na Amazônia confirma cada vez mais a vivência sinodal dentro do seu trabalho, dentro da evangelização, desde os tempos primórdios”, explicou.

Grito dos excluídos 2025: “Mostrar a realidade em nome do Evangelho”

“Mostrar a nossa realidade porque ela precisa ser transformada e o fazemos em nome do Evangelho”. Foram as palavras do Arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB NORTE 1), cardeal Leonardo Steiner, em agradecimento a todos os participantes do 31º grito dos excluídos e excluídas. O evento aconteceu ontem, 05/09, na avenida Alphaville, às margens do igarapé do Mindú, zona norte da cidade. Uma sociedade mais justa Pensar a vida em primeiro lugar contribui “para termos uma sociedade mais justa, mais fraterna, possamos conviver na Casa Comum e termos um regime que seja cada vez mais democrático”, explicou o cardeal. Por isso, é necessário organização das comunidades, pastorais e movimentos, já que a sociedade brasileira vive um momento de tensão que se reflete nas dinâmicas sociais do país. A caminhada pelas ruas da cidade reforça a atuação da Igreja nas questões sociopolíticas que influenciam diretamente a vida da população. É uma forma de manter vivo o profetismo em meio aos desafios da urbanidade e das constantes ameaças a Casa Comum e a democracia. Dessa maneira, o grito é também por aqueles que não estão presentes, mas que são afetados pelas injustiças. Daí a ênfase na temática do Plebiscito Popular por uma Jornada de trabalho justa sem redução de salário, pelo fim da escala de trabalho 6×1 e por uma tributação fiscal justa com a taxação dos mais ricos, que ganham acima de R$ 50 mil mensais, e isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Uma proposta que beneficiará trabalhadores e trabalhadoras. Gritos de denúncia e esperança Neste ano, a igreja convida todos a serem Peregrinos da Esperança. Por isso, a denúncia das constantes violações às populações vulneráveis, como é caso do massacre do rio Abacaxis, símbolo de resistência das comunidades indígenas e ribeirinhas contra a impunidade e a violência estatal na região continuam atuais. Além de fazer memória a tantas outras vidas ceifadas por interesses particulares dos poderosos. Quanto à Casa Comum, a insistência de recordar a Aliança Interinstitucional em vista da despoluição e saneamento dos igarapés de Manaus,“Água e lixo não combinam”, comunica o desejo de caminhar juntos na construção de uma cidade onde todos se sintam responsáveis e comprometidos com todas as formas de vida. Na tentativa de uma novo modelo de relações onde homens e mulheres se reconhecem como natureza.  Outras temáticas como a violência contra mulheres, quilombolas e a população negra também tiveram destaques, ampliando as vozes que muitas vezes não encontram espaço de fala. A mobilização popular, organizada pela Arquidiocese de Manaus, reuniu lideranças das Pastorais Sociais, Redes, Coletivos e Organismos, agentes de pastorais das Regiões Episcopais, padres, diáconos e a comunidade Religiosa que atuam na cidade.

Missiologia: “A dimensão da Esperança no Chão da Amazônia”

“A dimensão da Esperança no Chão da Amazônia a partir da Missão da Igreja” foi o tema que norteou o II Simpósio de Missiologia e III Semana Filosófica e Teológica. Um espaço para refletir, partilhar e aprofundar as dinâmicas da missão Evangelizadora. Organizado pela Faculdade Católica do Amazonas, o Conselho Missionário de Seminaristas (COMISE NORTE 1) e o Seminário Arquidiocesano São José. Responsabilidade missionária O Arcebispo de Manaus e Presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Leonardo Steiner, esteve presente na segunda noite do evento e interpelou os presentes “E qual é a nossa missão? A missão aquela que Jesus nos confiou. Nós não estamos inventando, nós somos uma herança. Nós recebemos uma herança missionária. E essa minha herança missionária diz no texto de Marcos: ‘Ide pelo mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda a criatura!’ (Mc 16,15)”. Em suas palavras “a herança de missão que não é uma herança dada aos bispos, aos padres. Não, é uma herança que todos nós recebemos”, explicou. Esta afirmação faz com que “especialmente agora que o Papa retomou a questão da Sinodalidade, de irmos pensando que todos nós temos uma responsabilidade missionária“. As muitas Amazônias Na primeira noite, Pe. Matheus Marques, pároco Área Missionária São João Paulo II, conduziu a conferência de abertura com a proposta de “Os caminhos da Missão da Igreja na Amazônia: Memória e Esperança”, em sua fala destacou a complexidade desses caminhos, visto que “são muitas as Amazônias” seja do ponto de vista geográfico que se estende para além do território brasileiro, seja pela Amazônia que está no Brasil que também é diversa. Dando seguimento, explicou que os dados apresentados são muito situados. Falam a partir de “uma expressão da Amazônia” que é o Regional Norte 1, a Arquidiocese de Manaus. Marques afirma que existe “uma história em comum, que essas Amazônias, ou que a região amazônica participa”. O recorte feito pelo conferencista, abrange o período da romanização, porque, segundo ele, é possivelmente “um período formador de identidade, ou que quis ser, ou que se propôs ser, formador de uma identidade eclesial” até “uma possibilidade de amazonização da igreja”. As comunidades gestam testemunhos missionários Ir. Carmelita, da Congregação das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA), expressou que, ao fazer memória de sua história de vida, percebe seu chamado à vocação missionária aconteceu num processo marcado pela “mão de Deus”. Afilhada de missionários ativos na região de Eirunepé, onde ela nasceu, vivenciou uma infância “ligada à igreja, às coisas da igreja, toda essa movimentação de interior” comum das regiões amazônicas. Ao mudar-se com família para Manaus, conheceu os padres e as irmãs Agostinianos que eram “muito dinâmicos”. Nessa perspectiva, o colégio e a proximidade com a Igreja de Santa Rita permitiu que crescesse e fecundasse aquela semente da vocação missionária, explicou. E fez memória de dois nomes, Ir. Cleusa e Frei Laurindo, e da convivência na paróquia, onde descobriu a existência das missões. Em relação aos desafios, abordou a adaptação entre a agitação da comunidade paroquial e a rigidez da educação salesiana. E também de discernir o sonho da vida religiosa em meio as agitações sociais que o país vivia. Além disso,  destacou e a dificuldade em deixar a família e que trabalho desenvolvido no bairro, na morada “aliviou para que pudesse entrar e caminhar” junto à congregação. O diálogo com paradigma missionário Na Querida Amazônia, Papa Francisco apresenta a realidade existente na região “Numa Amazônia plurirreligiosa, os crentes precisam de encontrar espaços para dialogar e atuar juntos pelo bem comum“. Esse cenário aponta para a necessidade de pensar o Ecumenismo e o Diálogo inter-religioso. Dom Hudson, bispo auxiliar de Manaus e Diretor Acadêmico da faculdade, junto ao Prof. Dr. Pe. Ricardo Gonçalves permearam essa realidade por meio da conceituação dos termos e condução feita pela Igreja ao longo dos tempos. “Aprofundar como esta temática, este diálogo, está presente em vários documentos da Igreja, nos ajuda a vivenciar, refletir a vida de Jesus, que também foi uma vida de diálogo com outras realidades, com outros contextos diferentes deste. Então agradecemos e diria que as palavras-chave dessas colocações, muito profundas, que nos ajudam a entender a visão ampla da missão é a palavra diálogo, a palavra paz, a palavra unidade, a palavra diversidade. E tudo isso nos convida a uma abertura a uma compreensão e a uma corrida nesse mundo”, resumiu Ir. Rosana Marchetti, Missionária da Imaculada. O Cardeal Steiner refletiu que “esse modo aguerrido de às vezes combater o Ecumenismo e o diálogo inter-religioso” parece vir daqueles que “não conseguiram perceber o fundo da Fé. Eles acham que eles é que têm fé e não percebem que a Fé que nos têm“. e por esse motivo “talvez não compreendam a grandeza e a profundidade, e por isso não conseguem ver que existem outras possibilidades de uma relação com Deus. Existem outras maneiras de chamar Deus de Pai. Existem outras maneiras de se sentir filho e filha de Deus”, explicou. A dinâmica das cidades e a ação missionária da Amazônia urbana Os painéis temáticos do 2° dia do Simpósio abordaram a “Pastoral Urbana: Sinais de Esperança nas periferias geográficas e existenciais”, ministrado pelo Secretário Nacional da Pontifícia União Missionária (PUM), Pe. Rafael Lopez, e “As dinâmicas de atuação da Infância e Adolescência Missionária (IAM) na Igreja”, apresentado pela assessora da IAM, Merci Soares. Pe Rafael apresentou que “a pastoral urbana é ação missionária realizada no ambiente urbano em uma ‘Igreja em saída’ com as portas abertas, indo ao encontro das pessoas e realidades”. E também que seus desafios são reflexos do modo como as cidades estão organizadas: a vida acelerada, diversidade cultural, desigualdades sociais, pluralismo religioso, anonimato, violência, exclusão, novas formas de comunicação e modos de viver a fé. A experiência vivida pela IAM também se depara com a realidade da Pastoral Urbana nas periferias geográficas e existenciais. Merci fez memória de que em muitas situações falta aquilo que “não é só material, mas é também material, que é preciso”. Isso porque não…
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31° Grito dos Excluídos e Excluídas: “Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”

O Cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus e Presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participou da coletiva de imprensa do 31° Grito dos Excluídos e Excluídas 2025 que acontecerá no dia 05 de setembro com o tema “Vida em primeiro lugar” e o lema “Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”. O arcebispo reforçou que o Grito quer “refletir, discutir e proclamar o cuidado da Casa Comum e da Democracia, porque sempre tem um fundo, um horizonte que guia essas expressões que é a vida em primeiro lugar” e também que “é um privilégio morarmos aqui, é um privilégio morarmos numa região aonde nós ainda podemos apreciar a natureza no seu nascer.” Imposição de grupos de interesse Mas essa perspectiva se contrapõe já que “vemos e nos preocupamos porque a natureza cada vez mais é destruída e com projetos que estão no Congresso Nacional, nós veremos que a destruição acontecerá ainda mais, especialmente se for aprovada a mineração em Terras Indígenas”, como destacou o cardeal, principalmente pela dificuldade em demarcações das Terras Indígenas. Steiner também questionou se “os deputados e senadores, deputadas e senadoras permitiriam a mineração nas próprias terras, mas como a terra dos outros, como se trata de terras indígenas, então pode” o que situa a democracia em um espaço de “imposição de um determinado grupo de pessoas, com interesse, especialmente as empresas mineradores”. Ele enfatizou que o desejo desse grito é “trazer a vida em primeiro lugar, sempre a vida em primeiro lugar”, destacou que hoje “é possível perceber a nossa visão é mais larga quando falamos da vida” e dessa maneira falamos “da vida humana, da vida da natureza, da vida das nossas relações por isso também falamos da vida democrática” que também “corre perigo” ainda que nossas “instituições tenham funcionado, mas nós temos diversas dificuldades em relação à democracia” Cuidado da Casa Comum é fundamento da dignidade “A vida com seu valor, com a sua dignidade, com seus direitos e a necessidade do cuidado e a casa comum é fundamental para que a vida tenha dignidade, por isso a gente grita” foi o destaque feito por Pe. Alcimar Araújo, Vice-Presidente da Cáritas Arquidiocesana de Manaus, justamente para que no “processo democrático garantir aquilo que é o direito da natureza, o direito dos povos” e “a democracia nos possibilita isso: manifestar as nossas opiniões, nos organizarmos e com o coletivo, com força organizado podermos pressionar os governos” Ele insistiu que “na democracia se não há participação popular, há controle dos grupos de interesse do congresso” e que “a representação massiva do congresso não é uma representação Popular, mas a representação de grupos organizados do agronegócio, mineradoras, bancos, dos empresários, assim por diante.” Esses mesmos grupos “financiam campanhas para defender os seus direitos e nós muitas vezes como população os elegemos”, explicou. Disse também que “precisamos fazer a nossa parte porque a democracia não é só votar e deixar que eles trabalhem, a gente precisa participar, é preciso caminhar para uma democracia participativa em que a sociedade tenha consciência do seu papel, da sua responsabilidade para com as questões sociais” principalmente “porque uma vez que a gente não cuida daquilo que é o comum, algumas pessoas vão sofrer bastante”. Um Grito sobretudo de Esperança O coordenador de pastoral da Arquidiocese de Manaus, Pe. Geraldo Bendaham, comentou que “se nós gritamos, se tem um grito é porque tem dor, a gente pode gritar de alegria, mas fazer esse grito dos excluídos é por causa da dor, a dor é pessoal, é comunidade, mas é também social, sobretudo a dor é ecológica. O grito é para mostrar a sociedade, para o mundo que estamos muito preocupados, temos que demonstrar a nossa indignação com tudo que tá acontecendo”.  Em sua fala conduziu os presentes a se perguntarem se “está tudo bem com a nossa sociedade? com o nosso mundo?” e respondeu com a negativa “não tá bem, não tá bem economicamente, não tá socialmente, não tá bem ecologicamente” e convidou a “não ficar nesse pessimismo, em catástrofe” e que se faz necessário “manter a esperança, por isso que o grito é também de Esperança, nós temos a esperança no agora, no presente, de que esse grito também nos ajude para que as presente e futuras gerações possam ter um mundo melhor, sem lixo nos igarapés, por exemplo.” Na coletiva foram apresentadas as seguintes datas: no dia 29/08 será o lançamento da campanha “Água e lixo não combinam” em favor da despoluição e saneamento dos igarapés de Manaus, com a participação de 40 entidades públicas e privadas que serão convidadas para assinatura de uma Carta Compromisso, Parque do Mindú, às 15h. E no dia 05/09, às 15h, na rotatória do Novo Aleixo, Alameda Alphaville, e segue em direção ao Parque dos Gigantes.