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Autor: Emmanuel Grieco

Cardeal Steiner: Como em Jesus, Deus não nos abandona.

Tantos momentos em que pensamos que Deus nos abandonou, mas como em Jesus, não nos abandona. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, ao presidir a missa do Domingo de Ramos da Paixão do Senhor (28), início da Semana Santa, na qual celebraremos os mistérios da Paixão, morte e Ressurreição de Cristo. A celebração, com grande número de fiéis e a presença do arcebispo emérito, Dom Luiz Soares Vieira, iniciou com a bênção dos ramos, na praça em frente à Catedral Metropolitana de Manaus. Em seguida, uma procissão até a igreja, recordando a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém para o mistério da morte-ressurreição. Solidário com as nossas solidões Em sua homilia, o arcebispo recordou o grito de Jesus: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”, que reflete a proximidade com o Pai, mas também um eco da “humanidade abandonada”. Segundo o cardeal, o grito e o gemido de Jesus são por não “compreender o abandono do Pai”, assim como nós em “tantas situações desesperadoras”, não entendemos o porquê “do abandono e do sofrer, ou porquê das mortes, dos assassinatos, das guerras”. Nas palavras do cardeal Steiner, essa experiência de total abandono e desolação foi “por nós, para servir-nos”. Ele recordou que Papa Francisco nos ensinava meditando esse grito de Jesus na perspectiva do “abandono dos seus, que fugiram”. Nesse “abismo da solidão”, experimentado por Jesus, “restava-lhe, porém, o Pai” a quem se dirige nas palavras de um Salmo (cf 22,2).  “Porque quando nos sentimos encurralados, quando nos encontramos num beco sem saída, sem luz nem via de saída, quando parece que não Deus responde, lembremo-nos que não estamos sozinhos. Jesus experimentou o abandono total, a situação mais estranha para Ele, a fim de ser em tudo solidário com as nossas solidões. O fez por mim, por ti, por cada um nós”, afirmou o cardeal. No grito de Jesus, o grito da humanidade Ao comentar a primeira leitura, cardeal Steiner destacou, citando o livro de Isaías, o alento de ter o Senhor Deus como “meu auxiliador, por isso não deixei abater o ânimo”. Nessa perspectiva “da dor e da destruição da humanidade”, disse o cardeal, “Jesus se faz intimidade como Pai, exclama, grita não me abandones, de ti vim, para ti desejo voltar, não me abandones. E não o abandonou”, e assim também nós somos alcançados pelo auxílio de Deus em Jesus. “Porque Jesus diz: tudo o que Eu tenho, o que me resta, eu te dou o meu espírito. No grito de Jesus ouvimos a humanidade desesperada: dor, fome, fuga, imigração, guerra, a morte”, explicou o cardeal. Jesus transforma a nossa humanidade Ao refletir sobre a segunda leitura, onde Paulo aponta a condição de esvaziamento de Jesus que assume a “condição de escravo e tornando-se igual aos homens”, o cardeal aponta que “assim é Deus-cruz no qual reluz a nossa humanidade transformada”. Isto porque “Deus esvaziou-se, não se assegurou na sua divindade, mas se humilhou, trilhou o caminho da morte, se fez morte”. Essa atitude de Jesus nos permite ver “na morte a nossa salvação”. “Em Jesus nos vemos, em Jesus Crucificado nos lemos, n’Ele nos cremos. Participamos da sua sorte, isto é, da mesma morte, da vida. Na mesma morte, na mesma sorte de sermos perpassados pelo mistério da dor e da morte que nos desperta para vida da eternidade. Mistério da dor e da morte no qual nos movemos todos os dias, ora com mais intensidade, ora suavidade. Mas sempre envoltos por esse mistério incompreensível, mas que Jesus crucificado nos indica o horizonte, o sinal, a redenção, a salvação” explicou o arcebispo. O cardeal também indicou um caminho possível para trilhar na Semana Santa: “deixarmos tomar pelo mistério da morte como plenitude da vida”. Esse caminho, ajuda a compreender o “jogo de morte no qual Deus mesmo se inseriu e experimentou” como indicativo de que “no amor tudo se transforma”. E reforçou que a grandeza do abandono aponta não “uma piedade conformista, mas de um itinerário e caminho único de quem na fraqueza a possiblidade de transformação, de salvação”, capaz de iniciar uma vida nova com o Pai. Oferecer os frutos da conversão O arcebispo também recordou que a contribuição na Coleta Nacional da Solidariedade é a oferta dos “frutos do nosso caminho de conversão, do encontro com Jesus que deu sua vida por nós”.  Ela expressa um “desejo de identificação com Jesus”. E por fim, o cardeal agradeceu e aos irmãos e irmãs que, no período quaresmal, foram ao encontro dos necessitados continuando “o caminho de caridade”. A vida, morte e ressurreição de Jesus nos atrai e nos faz consolação. Em nome de todas as irmãs e todos os irmãos que receberam e receberão ajuda, a minha gratidão. “O Senhor das dores nos ajude no caminho desta Semana. Ele nos mostrará na dor e na morte não o reino dos mortos, nem o Reino dos mortos-vivos, nem dos vivos-mortos, mas apenas na morte o Reino dos vivos, o convívio o mais precioso e suave com o Pai. Entremos com Jesus em Jerusalém e experimentemos o que pode fazer de nós o Amor”, finalizou o cardeal.

Fraternidade presbiteral e escuta do Espírito marcam retiro do clero Arquidiocesano de Manaus

A Arquidiocese de Manaus reuniu cerca de 90 padres no retiro anual do clero. De 23 a 26 de março no Centro de Formação Maromba, os participantes refletiram sobre a Missionariedade na vida do presbítero, conduzidos pelo Pe. Antônio Niemiec, CSsR. O arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, e os bispos auxiliares da arquidiocese Dom Zenildo Lima, Dom Joaquim Hudson Ribeiro e Dom Samuel Ferreira, e o emérito Dom Mário Pasqualotto participaram integralmente. Pe. Manoel Rubson Vilhena, pároco da Área Missionária Divina Misericórdia, na zona Norte de Manaus, destacou o retiro como forte momento de “intimidade com Cristo, de escuta do Espírito, também de fraternidade presbiteral”. Além disso, ele apontou a oportunidade de retomar os fundamentos vocação presbiteral, considerando os cuidados como saúde mental. Um momento integrador e vivificante. “Ouvir sobre a configuração, a nossa configuração a Cristo, a nossa doação de vida, se assemelhar a Ele, voltar a essas fontes, revivificar de novo a nossa vocação, o espírito sacerdotal, o serviço de Cristo, e aquela consciência de que o sacerdócio é dom de Cristo para a igreja”, explicou o padre. Cristo Palavra  O coordenador da Pastoral Presbiteral, Pe. Gilson Pinto, destacou a presença de alguns padres da Prelazia de Itacoatiara.  Ele enfatizou que os padres estavam reunidos em oração pela igreja e pelo povo na dimensão da fraternidade, da missão, do serviço escuta da Palavra de Deus. Segundo o coordenador, esse retiro no tempo da quaresma aprofunda o convite a “escutar a Palavra”, renovar as forças e preparar “nosso coração para a grande semana, a Semana Santa”. O presbítero explicou ainda que todo o retiro foi programado e planejado na perspectiva “de fazer essa experiência com Cristo”. Em suas palavras, “Cristo que vem a partir da palavra, o Cristo que serve, o Cristo que nos convida a sermos novas criaturas”. Este horizonte, de reconhecer Cristo nas relações, permite que o retiro cumpra a finalidade de ter “uma relação, uma comunhão com o clero, estar mais perto, mais juntos, e vendo essa dinâmica de oração, da escuta, da partida”. Pe. Michel Carlos da Silva, que participa pela primeira vez como presbítero, enfatizou o retiro como “encontro fecundo com a Palavra”. Para ele, o aprofundamento da dimensão do silêncio recorda que “é no silêncio de todas as coisas que Deus fala”.  O presbítero acentuou que a Palavra é uma Pessoa, o próprio Jesus, e compara a força geradora de vida da Palavra a uma semente. Portando  “O ministro ordenado é aquele que é movido pelo Verbo encarnado, porém é necessária uma intimidade com Deus para que diante de tantas vozes que ressoam em nosso meio poder discernir a voz de Deus em nossas vidas. Nessa dinâmica o conhecer é sinônimo de amar. O conhecimento na dimensão da relação com Deus gera a comunhão de sentimentos com Ele e a missão está na identidade do presbítero que a partir da Palavra é chamado e enviado” disse o padre. Eucaristia, caridade e missão O período de retiro do clero foi marcado pela oração permeada da Palavra de Deus. O pregador do retiro, Pe. Antônio Niemiec, CSsR, trabalhou a importância da Palavra de Deus na vida do presbítero e na vida de cada cristão.  Além da identidade missionária do presbítero, enraizada no “nosso ser de presbíteros”. Outro ponto abordado foi a ligação entre Eucaristia e o serviço caritativo, com ênfase nas pessoas mais empobrecidas e abandonadas. De acordo com o pregador, essa reflexão segue aquilo que o Papa Leão XIV escreveu na exortação “sobre o amor para com os pobres”. Em suas palavras, Pe. Antônio apresentou que “o presbítero esse homem que deve dinamizar dentro da comunidade, dentro da paróquia, esta sensibilidade para com as pessoas mais vulneráveis”. Informações: Pe. Matheus Marques e fotos: Pe. Hilton Brito e Pe. Humberto Vasconcelos.

Obrigado por construir uma Igreja com rosto amazônico: Presidência da CEAMA 2022–2026

A CEAMA expressa sua mais profunda gratidão à presidência cessante por seu serviço generoso, comprometido e profético neste tempo de consolidação e crescimento da Igreja na Amazônia. Durante seu mandato, a presidência acompanhou com dedicação o caminho de uma Igreja sinodal, missionária e encarnada nos territórios, impulsionando processos que fortaleceram a identidade amazônica, a participação dos povos e o cuidado da Casa Comum. Sua liderança foi fundamental para consolidar a CEAMA como um espaço de comunhão, discernimento e articulação a serviço da vida. Ao longo desse período, foram promovidas iniciativas pastorais, sociais e formativas que contribuíram para ouvir o clamor dos povos amazônicos e da terra, respondendo com ações concretas aos desafios da região. Seu compromisso permitiu avançar na construção de uma Igreja com rosto amazônico, onde a diversidade cultural, a interculturalidade e a corresponsabilidade são pilares fundamentais. De maneira especial, reconhece-se o testemunho de proximidade, escuta e entrega de cada um de seus membros, que souberam caminhar junto às comunidades, acompanhando suas lutas, fortalecendo sua esperança e anunciando o Evangelho em contextos muitas vezes marcados pela vulnerabilidade. Representações da presidência cessante Nesse caminho, a presidência foi composta por representantes de diversos estados de vida e vocações, refletindo a riqueza e a pluralidade da Igreja amazônica: O legado desta presidência permanece nos processos que continuam a dar frutos, na vida das comunidades acompanhadas e no horizonte de uma Igreja que continua sonhando e construindo novos caminhos para a Amazônia. A CEAMA agradece profundamente por este serviço e confia que seu testemunho continuará iluminando o caminho eclesial, animando a continuar com fidelidade e esperança a missão em defesa da vida, da dignidade dos povos e do cuidado da Casa Comum.

Nova presidência da CEAMA (2026–2030): uma Igreja com rosto amazônico, sinodal e pluricultural

A Conferêcia Eclesial da Amazônia (CEAMA) inicia uma nova etapa com a renovação de sua presidência para o período 2026–2030, consolidando um caminho eclesial profundamente sinodal, onde convergem diversas vocações, ministérios e culturas a serviço da vida na Amazônia. Esta nova presidência expressa com clareza o rosto de uma Igreja que caminha com os povos: bispos, presbíteros, leigos, líderes indígenas e vida religiosa, unidos na missão de anunciar o Evangelho e defender a Casa Comum em um dos territórios mais desafiadores e promissores do mundo. Presidência da CEAMA 2026–2030 Presidente – Episcopado O Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, OFM, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da CNBB (Brasil), assume a presidência da CEAMA. Sua trajetória pastoral na Amazônia e seu compromisso com uma Igreja próxima, defensora da vida e promotora da justiça socioambiental fazem dele uma figura-chave para este novo tempo eclesial. Sua liderança se caracteriza por uma profunda sensibilidade para com os povos amazônicos e por seu impulso a uma Igreja sinodal e missionária. Vice-presidente – Presbíteros O Pe. Jesús Huamán Conisilla, do Vicariato Apostólico de Puerto Maldonado (Peru), representa os presbíteros. Com experiência em contextos amazônicos, seu ministério tem sido marcado pela proximidade com as comunidades e pelo acompanhamento pastoral em territórios de grande diversidade cultural e social. Vice-presidente – Povos indígenas Juan Urañavi, do povo guaraya (Bolívia), e vinculado ao Vicariato Apostólico de Ñuflo de Chávez, representa os povos indígenas. Com uma vida dedicada ao serviço eclesial e comunitário, sua liderança reúne a sabedoria ancestral e a experiência viva de seu povo. Sua presença na presidência reafirma o protagonismo dos povos originários na vida da Igreja amazônica. Vice-presidente – Leigos Marva Joy Hawksworth, da Diocese de Georgetown (Guiana), assume a vice-presidência em representação do laicato. Pertencente ao povo Macushi, sua vocação educativa e seu compromisso com a interculturalidade fortalecem os processos formativos na Amazônia, integrando fé, cultura e identidade. Vice-presidente – Vida religiosa A Ir. Sônia Maria Pinho de Matos, da Arquidiocese de Manaus (Brasil) e membro da Congregação das Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo, representa a vida religiosa. Com ampla experiência pastoral na Amazônia, seu serviço tem sido marcado pela proximidade com as comunidades e um profundo conhecimento do território, sendo sinal de uma presença profética e comprometida. Nova presidência: Sinal de sinodalidade Esta nova presidência é um sinal concreto da sinodalidade que impulsiona a CEAMA: uma Igreja que caminha em conjunto, que valoriza a diversidade de dons e que se deixa interpelar pela realidade do território. É também uma expressão viva do sonho de uma Igreja com rosto amazônico, onde a interculturalidade, a participação e a corresponsabilidade são pilares fundamentais. Neste novo tempo, a CEAMA reafirma seu compromisso com a defesa da vida, a dignidade dos povos e o cuidado da Casa Comum, caminhando ao lado da Amazônia com esperança, fé e profunda convicção missionária.

Cardeal Steiner: “Acolher o sonho de Deus”, uma Igreja chamada a ser morada da vida na Amazônia

O Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da CNBB, recentemente eleito presidente da CEAMA, presidiu a Eucaristia da solenidade de São José para VI Assembleia Geral da CEAMA, realizada em Bogotá, na manhã de 19 de março, oferecendo uma homilia profunda e luminosa centrada no “acolhimento dos sonhos de Deus” como caminho espiritual, eclesial e missionário. Do sonho de Deus à presença salvadora Partindo do Evangelho de Mateus (Mt 1,16.18-21), o Cardeal Steiner convidou a contemplar São José como o homem que soube acolher a passagem da promessa à presença. “Deus sonhou”, afirmou, ressaltando que esse sonho não ficou como uma expectativa distante, mas se tornou realidade concreta na história: em Maria, no Menino, na vida cotidiana de uma família. José, diante do mistério da maternidade de Maria, não compreende, mas também não julga nem condena. Em seu silêncio e em sua decisão de “despedi-la em segredo”, revela-se como um homem justo, respeitoso da dignidade. No entanto, é no sonho — na escuta profunda de Deus — que encontra luz para discernir. Lá ele recebe o convite para acolher: acolher Maria, acolher o Menino, acolher o mistério. “José acolhe sem impor condições”, destacou o Cardeal, sinalizando que esse gesto inaugura uma nova forma de habitar o mundo: fazer da própria vida uma morada para Deus. José, homem do caminho e da confiança A homilia percorreu os diferentes momentos em que os sonhos de Deus guiaram a vida de José: o nascimento em Belém, a precariedade da manjedoura, a fuga para o Egito, o retorno a Israel e a vida oculta em Nazaré. Cada um desses episódios revela um José profundamente disponível, que não age segundo seus próprios planos, mas em obediência confiante à vontade de Deus. Migrante, peregrino, pai e guardião, José torna-se sinal de uma fé que caminha em meio à incerteza. “Os sonhos fizeram dele pai, cuidado, presença”, expressou o Cardeal, destacando que em cada lugar — inclusive em terra estrangeira — José soube fazer de sua vida uma morada para o Filho de Deus. O acolhimento: caminho espiritual e missão Um dos eixos centrais da reflexão foi o acolhimento como atitude fundamental da vida cristã. Um acolhimento que não é passividade, mas abertura, escuta, disponibilidade e ação. “Acolher nas adversidades, nas incompreensões, nos desafios” implica deixar-se conduzir por Deus, mesmo quando não se tem todas as respostas. Nesse sentido, o Cardeal lembrou que José, ao acolher o mistério de Cristo, torna-se colaborador da redenção, “ministro da salvação”, como afirma o Papa Francisco em sua carta apostólica Patris Corde. Este caminho de acolhimento apresenta-se hoje como um convite para toda a Igreja, especialmente no tempo da Quaresma: deixar-se transformar pelo mistério da vida que Deus oferece e preparar-se para a plenitude da Páscoa. Ser profetas do Reino a partir do acolhimento A homilia também iluminou a missão dos discípulos hoje: não somos, em primeiro lugar, anunciadores, mas acolhedores do Reino. Acolher o Reino significa torná-lo visível, encarná-lo, mostrá-lo na vida concreta como verdade, justiça, amor e paz. Nessa perspectiva, a Igreja é chamada a ser sinal desse Reino que inclui a todos, onde cada pessoa e toda a criação têm um lugar na Casa Comum. O Cardeal Steiner destacou que esse chamado é vivido de maneira sinodal, caminhando com o Povo de Deus, ouvindo, discernindo e agindo juntos. Assim, a experiência da CEAMA torna-se expressão concreta desse caminho compartilhado. A Amazônia: lugar onde o sonho de Deus se torna história Em sintonia com o processo eclesial amazônico, o Cardeal convidou a acolher os sonhos que o Espírito suscitou na Igreja, especialmente por meio da Querida Amazônia e do Sínodo para a Amazônia. Esses sonhos — sociais, culturais, ecológicos e eclesiais — continuam sendo um roteiro para construir uma Igreja com rosto amazônico: encarnada nos territórios, comprometida com os povos e defensora da vida. “Acolher os sonhos de Deus nos torna participantes de um amor que redime o universo”, afirmou, convidando a se abrir às surpresas de Deus e a se deixar conduzir por seu Espírito. Uma Igreja que se torna morada Por fim, o Cardeal Steiner expressou seu desejo de que esta Assembleia fortaleça as Igrejas particulares para que sejam sinais vivos do Reino: um Reino que liberta, transforma e salva. Seguindo o exemplo de São José, a Igreja na Amazônia é chamada a ser morada: lugar de acolhida, de cuidado, de vida compartilhada. Uma Igreja que não observa de fora, mas que habita com o povo, escuta seus clamores e caminha com ele. Assim, a homilia se torna um convite profundo: acolher o sonho de Deus hoje, para que a Amazônia — e o mundo — sejam verdadeiramente uma casa de vida para todos.

O Padre Jesús Huamán Conisilla é eleito vice-presidente da CEAMA para o mandato 2026–2030

No âmbito da VI Assembleia Geral da CEAMA, realizada em Bogotá, foi eleito vice-presidente para o mandato 2026–2030 o padre Jesús Huamán Conisilla, sacerdote do Vicariato Apostólico de Puerto Maldonado. A eleição ocorreu na quarta-feira, 18 de março, em um clima de discernimento sinodal, comunhão eclesial e compromisso com os povos da Amazônia. Um caminho vocacional a serviço da missão O padre Jesús Huamán Conisilla nasceu em 16 de junho de 1971 em Quillabamba, província de La Convención, em Cusco, Peru. Desde a juventude, participou ativamente de processos pastorais, especialmente no grupo juvenil Reginalda Ríos da paróquia de Quillabamba, acompanhado por missionários dominicanos, e recebeu uma influência missionária significativa das Missionárias Eucarísticas de Nazaré. Ingressou no Seminário São João Maria Vianney de Puerto Maldonado em março de 1992, onde realizou sua formação até sua ordenação sacerdotal em 8 de agosto de 1999. Sua primeira missão pastoral foi como formador e ecônomo no mesmo seminário, e posteriormente atuou como pároco e vigário paroquial em diversas comunidades do Vicariato Apostólico de Puerto Maldonado, tanto na região de Madre de Dios quanto na província de La Convención, em locais como Mazuko, Huyro-Maranura e Santa Teresa. Desde março de 2018, é pároco da paróquia Senhor dos Milagres em Madre de Dios e, atualmente, também exerce a função de vigário pastoral dessa zona do vicariato, além de coordenar a equipe de sinodalidade. Desde 2023, é delegado do clero peruano junto à CEAMA. Um ministério próximo dos povos amazônicos O padre Huamán é reconhecido por seu trabalho pastoral em territórios com forte presença indígena e marcados por múltiplos desafios sociais. Seu serviço tem se caracterizado por uma proximidade concreta com as comunidades, especialmente as mais vulneráveis, acompanhando seus processos de vida, fé e organização. Seu ministério reflete uma Igreja encarnada no território, que escuta, caminha e compartilha a vida com os povos, promovendo o anúncio do Evangelho a partir do compromisso com a dignidade humana. Fé que se torna vida e compromisso Ao longo de sua trajetória, impulsionou iniciativas que integram a fé com a ação social, promovendo a educação, a solidariedade e a defesa dos direitos das comunidades amazônicas. Seu testemunho expressa uma espiritualidade missionária que se traduz em ações concretas de serviço, acompanhamento e promoção humana. Um serviço para fortalecer a sinodalidade amazônica Sua eleição como vice-presidente da CEAMA fortalece o caminho de uma Igreja sinodal, onde ministérios ordenados, vida consagrada e leigos caminham juntos a serviço da missão. A partir de sua experiência em Puerto Maldonado, território emblemático da Amazônia, ele trará uma visão próxima das realidades locais e dos desafios que os povos enfrentam em contextos de vulnerabilidade. A CEAMA continua assim consolidando sua missão como espaço de articulação eclesial a serviço da vida, da justiça e do cuidado da Casa Comum, em comunhão com as Igrejas locais e os povos amazônicos. Continuidade do processo sinodal Amanhã, quinta-feira, 19 de março, no âmbito da Assembleia, será realizada a eleição dos demais membros da vice-presidência, representando a vida religiosa, os leigos e as leigas e os povos indígenas. Este momento dará continuidade ao processo de discernimento sinodal que caracteriza a CEAMA, garantindo uma representação diversa e complementar que reflita o rosto plural da Igreja na Amazônia e fortaleça sua missão evangelizadora, profética e comprometida com a vida.

O Cardeal Leonardo Steiner é eleito presidente da CEAMA para o mandato de 2026–2030

No âmbito da VI Assembleia Geral da CEAMA, realizada em Bogotá, foi eleito como novo presidente para o período 2026–2030 o Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo metropolitano de Manaus e presidente do Regional Norte 1. A eleição ocorreu na quarta-feira, 18 de março, em um ambiente de discernimento, comunhão e compromisso com a missão da Igreja na Amazônia. Um pastor com profundo espírito missionário Dom Leonardo Ulrich Steiner, O.F.M., é natural de Forquilhinha, no estado de Santa Catarina (Brasil), e pertence à Ordem dos Frades Menores (franciscanos). Foi ordenado sacerdote em 21 de janeiro de 1978 por seu primo, o cardeal Paulo Evaristo Arns. Sua formação acadêmica inclui estudos de Filosofia e Teologia em Petrópolis (Brasil), bem como especialização (mestrado) e doutorado em Filosofia no Pontifício Ateneu Antoniano de Roma, onde também atuou como Secretário-Geral entre 1999 e 2003. Ao longo de sua vida religiosa, atuou em diversos campos da formação, destacando-se como mestre de noviços e formador de novas gerações na vida consagrada. Trajetória episcopal a serviço da Igreja no Brasil De volta ao Brasil, exerceu seu ministério pastoral em Curitiba e no âmbito acadêmico, antes de ser nomeado segundo bispo da Prelazia de São Félix (2005–2011), uma Igreja marcada pelo compromisso com os povos indígenas e as comunidades mais vulneráveis. Em 2011, foi nomeado bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, cargo que exerceu até 2019, contribuindo significativamente para a articulação pastoral da Igreja no país. Em 27 de novembro de 2019, o Papa Francisco o nomeou arcebispo de Manaus, no coração da Amazônia. Em 2022, foi criado cardeal, em reconhecimento à sua proximidade pastoral e ao seu compromisso com os povos amazônicos. Atualmente, ele também preside a Região Norte 1 da CNBB e o CIMI, espaços fundamentais na defesa dos direitos dos povos indígenas. Um novo tempo para a CEAMA Sua eleição como presidente da CEAMA representa um passo significativo na continuidade do processo sinodal da Igreja na Amazônia. Sua experiência pastoral, sua identidade franciscana e seu compromisso com os povos originários fortalecem o caminho de uma Igreja com rosto amazônico, próxima, profética e encarnada nos territórios. A CEAMA inicia assim uma nova etapa, confiando na liderança do Cardeal Steiner para continuar impulsionando a missão evangelizadora, o cuidado da Casa Comum e a defesa da vida na Amazônia. Continuidade do processo sinodal Amanhã, quinta-feira, 19 de março, no âmbito da Assembleia, será realizada a eleição dos demais membros da vice-presidência, representando a vida religiosa, os leigos e as leigas e os povos indígenas. Este momento dará continuidade ao processo de discernimento sinodal que caracteriza a CEAMA, garantindo uma representação diversificada e complementar que reflita o rosto plural da Igreja na Amazônia e fortaleça sua missão evangelizadora, profética e comprometida com a vida.

Dom Zenildo Lima: A experiência sinodal da Amazônia pode iluminar a Igreja universal

No âmbito da VI Assembleia Geral da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus e vice-presidente da CEAMA, compartilhou uma reflexão sobre o valor da sinodalidade na vida da Igreja e sua expressão particular no território amazônico. Durante sua intervenção, o bispo explicou que a sinodalidade é uma experiência que manifesta a universalidade da Igreja. No entanto, ele lembrou que a Igreja sempre se concretiza em um lugar específico e em uma realidade concreta. Por isso, a teologia da Igreja local está profundamente ligada à experiência sinodal, pois é nos territórios que a Igreja vive, discerne e caminha junto aos povos. Nesse sentido, Dom Zenildo destacou que a Igreja na Amazônia foi construída historicamente por meio de processos missionários marcados pela sinodalidade. Embora esse caminho tenha sido marcado por contradições e desafios, também permitiu o desenvolvimento de uma experiência eclesial profundamente participativa e próxima das comunidades. Para o bispo, existe hoje uma grande oportunidade:que a experiência sinodal vivida na Amazônia possa se tornar um sinal e uma inspiração para a sinodalidade da Igreja universal. Ele lembrou também que, no Congresso Missionário Nacional da Igreja no Brasil, refletiu-se sobre como a Igreja local pode se abrir para as fronteiras do mundo, compartilhando seus aprendizados e seu caminho pastoral. Nessa perspectiva, destacou a proposta da CEAMA de salvaguardar e fortalecer as experiências sinodais na Amazônia, como forma de consolidar esse processo e oferecê-lo como referência para outras realidades eclesiais. Por fim, Dom Zenildo ressaltou que a construção de uma Igreja com rosto amazônico, que brota de sua identidade, de sua cultura e de sua relação com o território, permite viver uma comunhão eclesial profunda. Uma comunhão que, embora nasça em uma realidade local, permanece plenamente unida à Igreja presente em todo o mundo.

“Sem território e sem água não há vida”: voz indígena na VI Assembleia Geral da CEAMA

No âmbito da VI Assembleia Geral da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), que se realiza em Bogotá, a líder indígena Ernestina Afonso de Souza, do povo Makushi, participa como delegada do Brasil, representando os povos originários do território indígena Raposa Serra do Sol, no estado de Roraima. Com alegria e senso de responsabilidade, Ernestina expressou que sua presença na Assembleia é uma oportunidade para compartilhar a experiência dos povos indígenas no cuidado do território e da Casa Comum. “Estou aqui com muita alegria e honra participando como delegada, representando os povos indígenas de Roraima, trazendo nossas expectativas e o trabalho que realizamos junto com a Igreja”. Uma visão de vida profundamente conectada com a natureza Durante sua intervenção, a representante indígena destacou a profunda relação que os povos originários mantêm com a natureza, entendida como fonte de vida e parte essencial de sua identidade. “Nós, povos originários, trabalhamos de forma interconectada com a natureza porque ela é nossa mãe. Como diz o Papa Francisco, tudo está interconectado”. Essa visão, explicou ela, orienta o compromisso das comunidades indígenas com a defesa da terra, da água e da vida. Território, água e vida Ernestina ressaltou que a defesa do território é uma condição fundamental para a vida dos povos amazônicos. “Sem água e sem território não há vida. Sem território não há saúde, não há educação, não há sustentabilidade”. Por isso, os povos indígenas buscam contribuir com sua experiência e sabedoria ancestral nos espaços de diálogo da Assembleia, compartilhando suas preocupações e propostas para o futuro da Amazônia. Compartilhar experiências e caminhar juntos A delegada também destacou a importância deste encontro como um espaço de intercâmbio entre diferentes povos, Igrejas e realidades do território amazônico. A Assembleia reúne representantes de diversos países, comunidades e pastorais que trabalham pelo cuidado da Casa Comum e pela defesa da vida na Amazônia. Nesse sentido, Ernestina expressou sua esperança de que este espaço permita fortalecer o trabalho conjunto entre a Igreja e os povos indígenas, promovendo caminhos de diálogo, respeito e compromisso com o território. Sua participação reflete a importância da voz dos povos indígenas no caminho sinodal da CEAMA, onde suas experiências, saberes e lutas contribuem para a construção de uma Igreja que caminha ao lado dos povos da Amazônia e a serviço da vida.

O Papa Leão XIV envia uma mensagem em vídeo à VI Assembleia Geral da CEAMA

No âmbito da VI Assembleia Geral da CEAMA, que se realiza de 16 a 20 de março de 2026 em Bogotá, o Papa Leão XIV enviou uma mensagem em vídeo dirigida aos participantes do encontro, na qual expressou sua proximidade com os povos amazônicos e encorajou a Igreja da região a continuar o caminho sinodal iniciado após o Sínodo para a Amazônia de 2019. Dirigindo-se aos bispos, sacerdotes, religiosas, religiosos e leigos reunidos na Assembleia, o Santo Padre iniciou sua mensagem com uma saudação de paz e comunhão, destacando o caráter espiritual e discernente do encontro: “É com alegria que me dirijo a todos vocês… vocês estão vivendo um momento privilegiado de escuta ao Espírito Santo para discernir o caminho das comunidades enraizadas nessa região”. O Papa lembrou que a Assembleia é fruto de um processo de preparação acompanhado pela oração, no qual os participantes compartilharam com ele os desafios, sofrimentos e esperanças dos povos amazônicos, bem como a preocupação com a crescente deterioração de seu ambiente natural. Diante dessas realidades, manifestou sua proximidade pastoral com aqueles que vivem essas situações. Horizontes Pastorais Sinodais para a missão na Amazônia Em sua mensagem, o Santo Padre valorizou especialmente o trabalho da Assembleia na formulação dos Horizontes Pastorais Sinodais, uma das tarefas centrais do encontro. Esses horizontes buscam orientar a missão da Igreja na região e fortalecer o anúncio do Evangelho em chave amazônica. O Papa citou a exortação apostólica pós-sinodal Querida Amazônia, do Papa Francisco, para recordar que a missão da Igreja é anunciar: “Um Deus que ama infinitamente cada ser humano e que manifestou plenamente esse amor em Cristo”. Além disso, destacou que durante a Assembleia também será realizada a eleição da nova presidência da CEAMA para o período 2026–2030, cuja missão será continuar impulsionando a implementação das orientações do Sínodo para a Amazônia e preparar a contribuição da experiência amazônica para a futura Assembleia Eclesial prevista em Roma em 2028. “Algo novo está nascendo”: a inspiração bíblica da Assembleia O Papa Leão XIV referiu-se também ao lema bíblico escolhido pela Assembleia, tirado do livro do profeta Isaías: “Estou prestes a fazer algo novo: já está brotando, não percebem?” (Is 43,19). A partir dessa imagem, o Papa convidou os participantes a reconhecer os sinais de novidade que o Espírito suscita na Igreja amazônica. Para ilustrar essa esperança, ele evocou o shihuahuaco, árvore emblemática da selva amazônica conhecida como o “gigante da selva”. Essa árvore, explicou ele, cresce lentamente, mas pode viver mais de mil anos e se tornar um verdadeiro ecossistema que dá refúgio e vida a múltiplas espécies. Com essa imagem, o Papa destacou que a Igreja é chamada a ser: um sinal de unidade na diversidade e um refúgio seguro que gera e protege a vida. Uma Igreja das Bem-aventuranças Em sua reflexão, o Santo Padre lembrou que o futuro prometido pelo profeta Isaías encontra sua plenitude na visão do livro do Apocalipse, onde Deus “faz novas todas as coisas” (Ap 21,5). Por isso, convidou os participantes a trabalhar com uma fé profundamente enraizada em Cristo, capaz de renovar a vida pessoal e comunitária. Nesse contexto, ele destacou que a Igreja na Amazônia é chamada a ser: “A Igreja das Bem-aventuranças, uma Igreja que abre espaço para os pequenos e caminha pobre com os pobres”. Essa perspectiva evangélica reveste-se de particular significado diante dos desafios sociais, ambientais, culturais e eclesiais que a região amazônica atravessa, marcada em muitos lugares por situações de exploração, abuso e degradação ambiental. A flor da Paixão: símbolo profético da Igreja amazônica O Papa também fez referência ao símbolo escolhido para esta Assembleia, a flor da Paixão, cuja forma lembra os elementos da Paixão de Cristo. Para o Santo Padre, esta imagem expressa a dimensão profética da Igreja na Amazônia. Segundo explicou, a missão da Igreja e de todos os seus membros — cada um segundo a sua vocação — consiste em: Rumo a uma Igreja com rosto amazônico Outro aspecto central da mensagem foi a referência ao processo de construção de uma Igreja com rosto amazônico, um dos grandes sonhos surgidos do Sínodo para a Amazônia de 2019. O Papa lembrou que esse caminho se realiza por meio do processo de inculturação da fé, que permite que o Evangelho dialogue com as culturas e sabedorias dos povos amazônicos. Citando o Documento de Aparecida, ele destacou que a inculturação enriquece a Igreja com novas expressões e valores, permitindo uma catolicidade mais plena, não apenas geográfica, mas também cultural. Ao mesmo tempo, reconheceu que se trata de um caminho exigente, que requer abertura e coragem para acolher a novidade do Espírito: “É preciso aceitar com coragem a novidade do Espírito, capaz de criar sempre algo novo com o tesouro inesgotável de Jesus Cristo”. Continuar semeando esperança na Amazônia Por fim, o Papa Leão XIV encorajou pastores e fiéis a continuarem fortalecendo a identidade de discípulos missionários na Amazônia, recordando o testemunho de tantas pessoas que entregaram sua vida a serviço do Evangelho nesta região. O Santo Padre evocou aqueles que semearam o Evangelho até mesmo com o próprio sangue, tornando-se — unidos à paixão de Cristo — a raiz daquela “árvore gigante” que hoje continua crescendo na Amazônia. O Papa concluiu sua mensagem confiando os frutos da VI Assembleia Geral da CEAMA à intercessão da Virgem Maria, Mãe do Criador, e concedendo sua Bênção Apostólica a todos os participantes. Desta forma, a mensagem em vídeo do Santo Padre torna-se um forte impulso espiritual para o caminho que a Igreja amazônica continua percorrendo: uma Igreja sinodal, inculturada e comprometida com a defesa da vida, dos povos e da Casa Comum.