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Autor: Emmanuel Grieco

Dom Zenildo Lima comenta aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora

Na manhã desta quinta-feira, dia 23 de abril, o episcopado brasileiro reunido na 62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em Aparecida (SP), aprovou as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil para os próximos seis anos (2026-2032). O Bispo auxiliar de Manaus, Dom Zenildo Lima, destacou o extenso trabalho para a construção das diretrizes considerando os acontecimentos na Igreja e no mundo. “As últimas diretrizes tiveram o seu tempo prorrogado. Nós tivemos toda a dificuldade de implantação das diretrizes até então vigentes por causa da pandemia. Tivemos a mudança no pontificado, tivemos o Sínodo sobre a Sinodalidade, o que fez com que a construção do processo das atuais diretrizes aprovadas na manhã de hoje se estendesse por um período de pelo menos uns quatro anos”, disse o bispo. Diretrizes: sinal de convergência Ele aponta que o texto das diretrizes aprovado traz “as principais linhas nas quais a igreja deve se concentrar na sua ação evangelizadora”, numa “convergência da Igreja do Brasil”. Essa perspectiva foi construída considerando as análises de conjuntura, a questões da Sinodalidade e da “compreensão de quem são os sujeitos da missão, partindo do reconhecimento de uma necessária conversão pastoral”. “Para que nós tornemos uma Igreja mais sinodal, apontamos os caminhos para a nossa missão. Inicialmente, a força da Palavra de Deus, a animação bíblica da vida e da pastoral, reconhecendo a força da Palavra para a animação das nossas comunidades, para a fundamentação da nossa ação evangelizadora e com uma série de pistas concretas de como cada vez mais animar e como cada vez mais perfilar a nossa pastoral a partir da palavra de Deus”, explicou Dom Zenildo. Comunidade de discípulos-missionários Dom Zenildo destacou que um dos caminhos para a missão de toda a Igreja no Brasil “diz respeito à vida na comunidade eclesial, destacada como comunidade de discípulos-missionários”. Por isso, a iniciação à vida cristã é um dos caminhos para “o desenvolvimento dessa ação evangelizadora”. Além disso, ele enfatizou que o documento recupera a contribuição das comunidades eclesiais de base, um “modelo eclesiológico muito marcante na história de evangelização do nosso país”. Por fim, o auxiliar de Manaus reforçou o compromisso de toda a Igreja no Brasil com o serviço à vida plena, a defesa da vida em todas as suas circunstâncias e com a Ecologia Integral. Esse compromisso, considera as linhas de ações propostas pelo documento final do Sínodo da Sinodalidade no horizonte da conversão das relações, dos processos e dos vínculos. O texto final será publicado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e busca “orientar e iluminar o caminho das nossas igrejas particulares”.

Dom José Albuquerque: conduzidos pelo Espírito Santo para servir melhor o Povo de Deus

“A Assembleia dos Bispos, ela reflete aquilo que a igreja é: um trabalho feito com muitas mãos, sempre conduzidos pelo Espírito Santo, mas a nossa perspectiva é servir melhor o povo de Deus em nossas dioceses, em nosso país”. Foram as palavras de Dom José Albuquerque, Bispo da Diocese de Parintins, durante o quarto dia da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida (SP). No dia 18 de março, os bispos iniciaram análise do texto das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil (DGAE) em grupos de estudo por regionais depois do dia anterior (17) dedicado aos desafios sociais, políticos e eclesiais do Brasil. “Antes de pensar na evangelização e como iríamos alcançar o povo de Deus, é preciso olhar a realidade. Então, sempre no primeiro dia de estudos, nós recebemos um trabalho interessantíssimo, fruto de muito estudo, muita pesquisa sobre a realidade sociopolítica e econômica do Brasil e do mundo e também nos colocamos dentro dessa análise da realidade eclesial”, disse o bispo. A partir das contribuições dos regionais, a comissão das diretrizes elaborará o texto final para nova apreciação dos bispos durante a Assembleia Geral para votação e aprovação. De maneira que os bispos se concentraram em discutir os capítulos das diretrizes e, a partir desse diálogo, apresentaram as sugestões em plenária e por escrito à comissão de elaboração do texto das diretrizes. Dom José reconheceu a existência de grandes desafios para a Evangelização na atualidade, mas apontou “a fé, a esperança e a certeza que nós estamos caminhando juntos” como sustento na missão evangelizadora de todo o episcopado brasileiro. Além disso, o bispo enfatizou a participação ativa de todos os bispos e a colaboração dos assessores. Embora a Assembleia seja dos bispos, há contribuições de padres, diáconos, religiosos e cristãos leigos e leigas que ajudam na missão de cada comissão e outros serviços “um trabalho admirável”. Confira (aqui) a análise social. Confira (aqui) a análise eclesial.

Dom Adolfo Zon destaca as Diretrizes Gerais como iluminadoras do trabalho pastoral

Na manhã desta sexta-feira, 17 de abril, a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) chegou ao terceiro dia em Aparecida (SP). Dom Adolfo Zon, bispo da Diocese do Alto Solimões e vice-presidente do Regional Norte 1 da CNBB, ressaltou o foco na aprovação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja. Essa aprovação passa pela assimilação da relação entre uma análise de conjuntura eclesial e as opções evangelizadoras presentes nas Diretrizes. Dom Adolfo enfatiza que “esperamos poder aprová-las para que iluminem também o trabalho pastoral em cada uma de nossas dioceses e, assim, de forma sinodal, construam a Igreja que Jesus quer”. Ele destacou os dois primeiros dias como um momento de contemplação de Jesus Missionário. Essa perspectiva missionária é o ponto de partida para o direcionamento do caminho a ser trilhado pelas nossas Dioceses e Prelazias, fortalecendo as ações que tornam a missão uma realidade da Igreja no Brasil. Na programação de hoje, os bispos concentram-se nas análises de conjuntura social e eclesial. Durante dois momentos de reflexão, divididos entre à compreensão dos desafios do tempo presente e as suas implicações para a missão evangelizadora da Igreja no Brasil. Segundo a CNBB, a análise de conjuntura social apresentada enfatizou a necessidade de compreender os diversos temas cenário de 2026 de forma abrangente e interligada, e não fragmentada. Esse horizonte, busca “evitar dois extremos: o alarmismo que paralisa e a ingenuidade que desarma”. Na questão internacional, um destaque para questões geopolíticas e no contexto nacional, a democracia, temas ambientais e a mensagem de paz constante nos discursos de Papa Leão XIV. Fonte: CNBB Nacional.

Dom Altevir e Dom Samuel partilham sobre o 1º dia de Assembleia da CNBB

Dom José Altevir, bispo da Prelazia de Tefé, e Dom Frei Samuel Ferreira, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, participam 62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em Aparecida (SP). Durante 10 dias, mais de 300 bispos estão reunidos para refletir os desafios e as oportunidade da Igreja no Brasil, à luz do Evangelho e das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora. A sessão de abertura foi dedicada à acolhida dos novos membros do episcopado. Entre os 33 bispos nomeados ao longo dos últimos dois anos, estava Dom Frei Samuel. A apresentação permite integração e comunhão dos novos bispos com os demais bispos da Igreja no Brasil. “A gente teve uma panorâmica geral de todo o corpo que é a CNBB, então a da grandeza, as mensagens que recebemos do Papa, do Cardeal Pizzaballa, do Presidente da República, mostram também a importância, a significância que tem a CNBB para a caminhada da Igreja do Brasil e também de toda a Igreja no mundo”, destacou Dom Samuel. Programação intensa Na sequência, ocorreu a leitura do relatório da presidência, apresentou um panorama das atividades e desafios enfrentados no período recente. Ainda durante a manhã, os bispos aprovaram a pauta da assembleia, que recebeu complementações antes de sua validação final. Para Dom Altevir, o 1º dia da Assembleia contou “com uma programação intensa”, e “marcado por momentos institucionais, informes e espiritualidade.” No período da tarde (15), teve início o retiro espiritual dos bispos, que se estendeu até a tarde do segundo dia da assembleia (16). Para o auxiliar de Manaus, o tempo dedicado à oração, reflexão e preparação espiritual para os dias de Assembleia ajudam “a perceber a dimensão da missão, a profundidade que precisamos estar em comunhão de fé com o Cristo Jesus”. Uma realidade fundamental “para poder vivenciar esse ministério sempre como serviço e como pastor que está no cuidado, no diálogo, na sinodalidade, na comunhão de pensamento e alma”. “Para mim está sendo uma experiência gratificante, importante, porque vai nos ajudando a perceber as exigências e ao mesmo tempo a força do ministério e da missão que Deus concede a todos nós, como igreja, como cristão, como servidor ordenado para anunciar e testemunhar o Evangelho de Cristo”, enfatizou Dom Samuel. Além disso, há uma grande expectativa pela votação das novas Diretrizes da Igreja no Brasil, fruto de um percurso sinodal marcado pela escuta e pela comunhão. Dom Altevir compõe a equipe central responsável pela elaboração do texto final. A assembleia segue nos próximos dias com debates, encaminhamentos e definições importantes para a Igreja no Brasil. Colaboração de texto: https://prelaziadetefe.org.br/

Dom Tadeu destaca 4 elementos do retiro realizado na 62ª Assembleia Geral

Na manhã desta quinta-feira, 16 de abril, segundo dia da 62ª Assembleia Geral da conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida (SP), Dom Edmilson Tadeu Canavarros, bispo da Prelazia de Itacoatiara, comentou sobre as reflexões proposta no retiro conduzido por Dom Armando Bucciol, bispo emérito de da Diocese de Livramento de Nossa Senhora na Bahia e atual diretor espiritual do nosso Colégio Pontifício Pio Brasileiro em Roma. Dom Tadeu elencou quatro elementos muito importantes desenvolvidos na meditação. Entre eles o seguimento de Jesus nas suas exigências e desafios; o zelo pastoral, que significa “evangelizar como Jesus, o bom pastor”. A parresia evangélica, compreendida como a vivência das “relações humanas livres e transparentes” e o exercício do serviço ao povo de Deus. “Devo lembrar que a parresia é um processo de linguagem, não só com palavras, mas com comportamentos e atitudes. E ele encerrou nos chamando novamente à condição de servos, servos por amor. nesse sentido de exercer nossa diaconia em relação ao povo a nós confiado.”, enfatizou Dom Tadeu Canavarros. Ao final da manhã, os bispos participaram de um grande momento de celebração penitencial com o sacramento da penitência. Em sua mensagem, Dom Tadeu agradeceu a Deus e a Dom Armando pela condução do momento de retiro e suas meditações que facilitam a compreensão da dimensão daquilo que é a Assembleia. Por fim, pediu a todos que mantivessem a unidade na oração.

Papa Leão XIV envia mensagem à 62ª Assembleia Geral da CNBB e reforça apelo pela paz

O Papa Leão XIV enviou uma mensagem aos bispos reunidos na 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em Aparecida (SP) até o dia 24, manifestando proximidade, esperança e um forte apelo pela paz diante dos conflitos armados no mundo. O subsecretário adjunto geral da CNBB, padre Leandro Megeto, leu a mensagem. Na mensagem, o Santo Padre saudou cordialmente os participantes do encontro, reunidos no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, e recordou a alegria da Ressurreição de Cristo como fonte de esperança para a missão da Igreja.“Com a alegria e a esperança que nos vêm da boa nova da Ressurreição do Senhor, saúdo cordialmente a todos vós”, escreveu o Papa. Leão XIV retomou também a saudação “A paz esteja convosco”, dirigida aos fiéis na Praça São Pedro após sua eleição como Sucessor de Pedro. Segundo ele, a atual realidade internacional, marcada por guerras e tensões, exige uma oração insistente pela paz. “Num mundo marcado por violentos conflitos armados, devemos com urgente insistência suplicar ao Príncipe da Paz que ilumine os corações e as mentes dos líderes das nações envolvidas nas guerras atuais”, afirmou. O Papa destacou ainda que a verdadeira paz não se resume à ausência de conflitos, mas nasce do reconhecimento da dignidade de cada pessoa e da fraternidade entre os povos.Na mensagem, Leão XIV recordou o ensinamento da Encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco, ao afirmar que todos são “iguais nos direitos, nos deveres e na dignidade”. A 62ª Assembleia Geral da CNBB reúne bispos de todo o Brasil para momentos de oração, reflexão e deliberação sobre temas importantes para a vida da Igreja no país. Entre os assuntos debatidos estão as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, além de temas pastorais e sociais.A mensagem do Papa foi recebida com gratidão pelos participantes da Assembleia, reforçando a comunhão entre a Igreja no Brasil e a Santa Sé. Confira (aqui) a mensagem na íntegra. Por Larissa Carvalho, CNBB NACIONAL.

Cardeal Steiner: Deus se manifesta sempre como misericórdia

“Esse Deus Crucificado-Ressuscitado, se manifesta sempre como misericórdia, como benevolência, como aconchego, como proximidade”. Foram a as palavras do cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, na Catedral Metropolitana de Manaus, durante a celebração do 2° Domingo da Páscoa, em que a Igreja recorda a misericórdia divina. Anunciar a verdadeira paz O Evangelho do dia retrata dois encontros do Ressuscitado com os discípulos reunidos sem a presença de Tomé. Eles estavam “fechados, trancados, angustiado, deprimidos, assustados”, disse o cardeal, significando seu remorso por terem abandona e renegado a Jesus. Na mesma cena, Jesus aparece e proclama aos presentes: “A paz esteja convosco”. “A paz do alento, irmãos e irmãs, da confiança, da esperança, uma paz interior que não lhes será tirada, roubada, nem pela guerra, nem pela desilusão, nem pela calúnia, uma paz que ninguém pode tirar. Não traz uma paz que de fora elimina os problemas, uma paz que infunde confiança, uma confiança interior. A paz de dentro que envia serem agora anunciadores e construtores da paz. Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. Os discípulos desanimados recuperam a paz, mas na paz recebem uma missão” explicou o arcebispo. Esse desejo da paz e envio em missão expressam que para Deus não considera ninguém como inútil ou excluído. A paz dada por Jesus é um convite de “de anunciar a verdadeira paz”. Segundo o cardeal, o desejo de paz explícita que somos importantes, temos uma missão onde “ninguém pode realizá-la em teu lugar. És insubstituível. E Jesus poderia nos dizer, eu creio em ti. Por isso, a paz esteja contigo”. Meu Senhor e meu Deus No segundo encontro, Tomé está presente, deseja encontrar-se com Jesus e tocar as chagas do lado e das mãos para acreditar na presença Dele, pois não acreditava na palavra dos outros discípulos. Ao ver o lado e a marca dos cravos Tomé exclama: “meu Senhor e meu Deus”. O arcebispo refletiu que essa afirmação de fé, é apontada por Santo Agostinho como o despertar de Tomé: “via e tocava o homem, mas confessava a Deus que não via, nem tocava. Por meio do que via e tocava, venceu toda dúvida, acreditou no que não via”. “Não dizemos: escuta e vê que suave melodia, aspira e vê que perfume, degusta e vê o sabor, toca e vê como está quente, Sempre se diz ver, mesmo se ver é próprio dos nossos olhos. É assim que Jesus mesmo disse a Tomé, põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos. Lhe disse, toca e vê, mesmo se Tomé não tinha olhos no dedo. Dizendo, acreditaste porque me viste, Jesus refere seja ao ver que ao tocar. Se poderia também dizer que o discípulo não ousou tocá-lo, se bem que o Senhor o convidasse a fazer”, apontou o arcebispo. O evangelista não afirma se Tomé tocou as mãos e os lados, mas é possível intuir a sinestesia da cena. E por isso, destacou o arcebispo, “Jesus exalta e louva de preferência a fé dos povos”, ao citar aqueles que creram sem ver. Uma realidade da qual nós participamos ao vermos “a presença de Jesus no pão, nos irmãos, nos necessitados, na Palavra, na vida da comunidade” porque “somos tocados por Jesus”. “Não houve necessidade de tocar como desejara e impusera aos outros discípulos. Ao ver a Chagas é tocado e atingido em toda a sua pessoa, e é por isso que exclama: “meu Senhor e meu Deus”. E antes de tocar, é tocado. Antes de ver, Tomé é visto. Ele tinha razão no desejo de tocar e não apenas de receber notícias. Desejar um encontro e eis que o Senhor se apresenta e se apresenta com o amor que o amara até o fim, visível, tocável, visível, tocável, no lado aberto e nas chagas. E na admiração, na simpatia, na afeição, na cordialidade, numa profunda reverência exclama: ‘meu Senhor e meu Deus’”. A ousadia de Tomé  “E que ousadia, queridos irmãos e irmãs, a de Tomé. Na sua confissão deseja como que tomar posse de Deus e diz, meu Senhor e meu Deus. Em si, não que Tomé o desejasse a possasse, mas desejou expressar a sua disposição e disponibilidade para Jesus. É admiração, não posse. o desejo de ser todo de Jesus, uma nova pertença à pessoa de Jesus. Senhor, se assim me amaste, sou todo teu. Faz de mim o que quiseres, o que de mim fizeres, eu te agradeço. É como se confessasse, nada mais meu, sou todo teu. Por isso, meu Senhor e meu Deus”, refletiu Dom Leonardo. Essa atitude de Tomé ao dizer “meu Deus” e a nossa, de dizermos “nosso” refletem a exigência de “familiaridade” do amor e a exigência da “confiança” na misericórdia retomando o pensamento de Papa Francisco. Nas palavras do arcebispo, o pontífice apresenta um Deus “amante, zeloso, que se apresenta como teu, isto é, como meu, como teu”. Diante dessa compreensão, é possível entender a misericórdia como “o modo palpitar do coração de Deus em nossa relação”. “Então, como Tomé, não vivemos mais como discípulos vacilantes, devotos, mas hesitantes. Nós também nos tornamos verdadeiros enamorados de Deus. Não devemos ter medo desta palavra, enamorados do Senhor. Meu Senhor e meu Deus significa encantados, atraídos por Deus”, esclareceu o cardeal. Enviados como misericórdia Ao comentar o texto do Evangelho em que Jesus concede o Espírito Santo para perdoar os pecados, “depois de libertar, transformar, colocar de pé aqueles homens escondidos”, o cardeal explicou que Jesus “os envia como misericórdia”. E este envio como misericórdia, capacita “perdoar porque foram perdoados”. “É tão difícil sermos misericordiosos se primeiro não nos damos conta de que Deus é misericórdia para conosco. É próprio de Deus usar de misericórdia e nisso se manifesta de modo especial a sua grandeza, a sua força. A misericórdia divina não é de modo algum um sinal da fraqueza de Deus, pelo contrário, um sinal da benevolência de Deus. É por isso que a liturgia, numa das orações antigas, convida a rezar, Senhor, que…
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Cardeal Steiner na Páscoa: perceber e anuciar a vida nova

O cardeal Leonardo Steiner presidiu a Missa do Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor na manhã de 5 de abril, na Catedral Metropolitana de Manaus. A celebração marca o ínicio do Tempo Pascal no qual somos convidados a perceber e anunciar a vida nova oferecida por Jesus ressuscitado. O arcebispo de Manaus dedicou sua homilia a figura de Maria Madalena que, no texto evangélico, se dirige cedo ao túmulo e não encontra o corpo de Jesus. Filha amada A reflexão feita pelo arcebispo conduziu os presentes a vivenciar a cena: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram” pela perspectiva de Maria Madalena. Ela percorre a si mesma no espaço de tempo entre o túmulo vazio, o encontro com Pedro e João, e a certeza da ressurreição. Nesse caminho, percebe que seu “desconsolo” era pela sensação de perda do Mestre “como a um Filho amado, era do meu agrado, me agradava, me era agradável, o perdi na cruz e agora o perdi no túmulo vazio”. Maria Madalena sente a perda Dele “razão de minha vida, Ele amor de minha, Ele minha vida, vida da minha vida”. Ela que “dele ouvi, mas a Ele não via, tão ocupada estava com os homens da minha vida. Apenas ouvia falar do Homem de Nazaré”. Recordou do encontro em que  o viu e despertou o desejo de ouvi-lo. E ao ouvir as palavras dele que “penetravam as entranhas” de sua alma ao falar do Pai se sentia filha amada. “E quando Ele comigo se encontrou, nada de mais forte e suave, nada de mais suave e violento, nada de mais puro e transparente! Me senti completamente despida, mas não envergonhada. Não me cobiçava, não me desejava, apenas me amava. Nenhum homem havia me despido assim. Tão despida, tão desvestida, tão eu, eu mesma, como se estivesse só diante de Deus. Foi então que vi meu coração, tão desejoso, tão amoroso, tão sedento de liberdade, de verdade, de amor”, refletiu o cardeal. Vida nova Pelo caminho da memória de Maria Madalena, o arcebispo recordou sua entrada na casa do fariseu para lavar os pés de Jesus com suas lágrimas de arrependimento e “ele sem desprezo nem constrangimento se deixava tocar, se deixava lavar os pés”.  O toque onde se sentiu perto de Deus e “amada como uma Filha, quase como uma esposa. E em mim vida nova, pessoa nova, nova mulher, mulher inteira; tudo novo, novo mundo, nova terra um novo céu. Mas ainda não sabia que eu tocara e acariciara o próprio Deus”. O cardeal Steiner sublinhou que o convívio e o serviço transmitiam a ela liberdade e força. E com a perda de Jesus, restava a Madalena “o túmulo onde guardamos seu corpo frio e inerte” depositando o seu conforto. O desconforto com a ausência do Senhor que revelou a necessidade de perdê-lo para cresse no seu Senhor e Deus. “Foi preciso perder-te, foi preciso esvaziar o túmulo das minhas seguranças, foi preciso o vazio completo de tudo, foi preciso a liberdade onde meu nome ressoava para que cresse em ti meu Senhor e Deus. Somente agora creio, quando tudo perdi e te ouvi, razão do meu viver, vida de todo ser que vive”. O nosso peregrinar Não distante do momento histórico em que vivemos, o arcebispo considerou que o nosso peregrinar também busca consolo e encontra túmulos “abertos e vazios”. E como “Igreja feita da experiência da ressurreição”, é necessário “retirar a pedra e deixar que a esperança do Ressuscitado nos encontre e nos devolva vida em meio a tantas incertezas, sofrimentos, mortes”. Por isso, o cardeal reforçou a importância da Igreja de sair “como Maria Madalena a procura” do Mestre, mas de deixar-se “encontrar pelo Ressuscitado” e anunciar a sua ressurreição. E na experiência do Ressuscitado, “levar a todos a alegria do Evangelho”. Daí a necessidade de libertar o ressuscitado das “formalidades onde frequentemente o enclausuramos”. E levá-lo, como gesto de paz, para vida cotidiana marcada pela guerra, pela violência e por palavras violentas e ofensivas. “E, sobretudo, com obras de amor e fraternidade, familiaridade”, disse o cardeal. Como Igreja, somos o corpo de Deus, afirmou o Steiner, e por isso não devemos nos esquecer que louvar ao Senhor é o horizonte da Nova Vida apresentado pela morte e ressurreição de Jesus. De maneira que esse louvor não seja “só com a língua e a voz, mas também com a vossa consciência, vossa vida, vossas ações”, relembrando as palavras de Santo Agostinho. Por fim, o cardeal convidou a levar a todos a alegria do Senhor ressuscitado presente na comunidade dos discípulos missionários e das discípulas missionárias.

Cardeal Steiner na Vígilia Pascal: Ressuscitou! Procuremos o Vivo, que está no meio de nós, que nos dá vida!

Ressuscitou! Procuremos o Vivo, que está no meio de nós, que nos dá vida!. O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, presidiu a Celebração da Vígilia Pascal na Noite Santa do dia 4 de abril, na Catedral Metropolitana de Manaus. A Vígilia iniciou na área externa, com a bênção do fogo novo e acendimento do Círio Pascal, que representa de Cristo, Luz do mundo, vitorioso sobre a morte. O arcebispo emérito de Manaus, Dom Luiz Soares Vieira, participou das preparação do Círio Pascal inserindo o cravos. A cruz central: símbolo da redenção. A letra grega alfa (Α): Cristo é o Princípio. A letra grega ômega (Ω): Cristo é o fim. O ano atual representa Deus no presente e como Mestre e Senhor de toda a eternidade. O Χ e o P, letras gregas, que são o anagrama de Cristo (Χριστός). Gratuidade de um amor libertador Em sua homilia, o cardeal Steiner destacou que as leituras proclamadas na vigília são a memória de toda a história da Salvação. Na primeira leitura, foi apresentado o cuidado criador de Deus como uma “ação amorosa” que se expande e revela “seu amor trinitário”. Essa fonte criadora do Amor gera o homem e a mulher, como imagem e semelhança do Deus gerador. No horizonte da libertação do povo da escravidão do Egito, o cardeal sublinhou que essa atitude de Deus nos “para o seu amor libertador, a sua presença que abre mares, atravessa desertos para conduzir os escolhidos à terra da Salvação”. De maneira que “cantávamos com o povo de Israel liberto: ‘cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória; o Senhor é minha força, é a razão do meu cantar, pois foi para mim libertação’” Nesse amor libertador, Isaias a nos convidava: “Ó vós todos que estais com sede, vinda às águas; vós que não tendes dinheiro, apressai-vos, vinde e comei, vinde comprar sem dinheiro, tomar vinho e leite sem nenhuma paga” (Is 55,1). Uma “gratuidade do amor de Deus que “alimenta e dessedenta os seus amados, as suas amadas, na gratuidade de seu amor”. Pois, nas palavras do cardeal, Deus “envia a palavra para orientar, iluminar, fecundar, alimentar, consolar: Deus nunca abandona seu povo, está na cercania, cuidando dos seus amados”. Mulheres do cuidado e do anúncio Outro elemento no Evangelho da noite é a presença das mulheres: “No primeiro dia da semana, bem de madrugada, as mulheres foram ao túmulo de Jesus, levando os perfumes que haviam preparado. Elas encontraram a pedra do túmulo removida” (Lc 24,1-2). Sua presença revela um amor que prepara, cuida e deseja corresponder ao amor recebido.  O Evangelho comunicando a ausência “do depositado e agora não mais encontrado” na sepultura, mas também “a presença anunciadora da ressurreição percutiu nos corações das mulheres anunciadoras, proclamadoras da ressureição”. O encontro das mulheres com o anúncio da vida e não mais “túmulo vazio” é o convite não temer a realidade da Salvação oferecida por Deus. Por isso, como diz o Evangelho, aquelas mulheres «estavam cheias de medo e maravilha» (Mc 16,8). Este maravilhar-se, segundo Steiner “é uma mistura de medo e alegria que se apodera dos seus corações, ao verem a grande pedra do túmulo rolada para o lado e, dentro, um jovem de túnica branca” dizendo que sigam para a Galileia pois lá estará o Ressuscitado. “As mulheres do cuidado, dos perfumes, do amor perdido, recebem o anúncio da Ressurreição. A Boa Nova de um amor que vence a morte e as guarda. Ele ressuscitou e segue à frente até a Galileia. Ele agora seguirá sempre à frente. Ele agora é a terra da promessa, Ele a realização, a completude das promessas, Ele o principiar de uma nova criação, de um novo céu e uma nova terra”, explicou. O cardeal enfatizou ainda que Pedro recebe o anúncio das mulheres como “um desvario, uma ilusão”. E mesmo “a remexer os lençóis onde estava envolvo o Senhor”,  ele “volta admirado, mas ainda não acreditado”. Essa atitude de Pedro revela a dificuldade de “entrar na dinâmica de um amor que se faz gratuidade”. Galileia como lugar de recomeço Compreender a ida à Galileia como um “recomeçar” é o convite de Jesus “para voltar ao lugar do encontro, do chamado, da vocação, da missão recebida, do amor primeiro”. Um convite que nos impele a recomeçar anunciando o Reino, a vida nova, e as novas relações. O encontro do Ressuscitado na Galileia inicia o Reino da verdade e da graça, o reino da justiça, do amor de paz. “Na Galileia, os encontros com o Ressuscitado, o maravilhar-se com o amor infinito do Deus, que traça novas sendas nos caminhos nas derrotas e contradições”. O arcebispo recordou que na noite da Vigília Pascal “recebemos novos irmãos e irmãs na nossa Igreja que está em Manaus em muitas comunidades pelo batismo”. E fez memória das meditações de Papa Francisco onde nos colocava diante da Galileia como lugar de “recomeçar sempre”, porque a vida nova de Deus é capaz, independentemente de todos os nossos falimentos, de reiniciar encontros e caminhos, explicou. Nessa perspectiva, Dom Leonardo enfatiza que Deus “sempre nos precede: na cruz do sofrimento, da desolação e da morte, bem como na glória duma vida que ressurge, duma história que muda, duma esperança que renasce”. E, parafraseando São Paulo na Carta aos romanos, “se fomos identificados com Jesus Cristo por uma morte semelhante à sua, seremos semelhantes a ele também na ressurreição. Se morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele. Considerai-vos vivos para Deus, em Jesus Cristo (cf. Rm 6,5.8.11)”. E por isso, os novos membros da Igreja de Manaus tem parte na vida do Ressuscitado: “Farão parte da história da salvação, serão recriados, re-gerados, revestidos de Cristo ressuscitado. Será o Ressuscitado a lavar as culpas, a restituir a inocência, a conceder alegria, a derrubar o orgulho, a dissolver o ódio, a oferecer a concórdia, a fraternidade, a paz. O Ressuscitado de entre os mortos, há de iluminar com a sua luz e a sua paz. Que possam viver e seguir o…
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Cardeal Steiner na Sexta-feira Santa: celebrar a radicalidade da nossa vida

“É a celebração da radicalidade da nossa vida. Porque Jesus foi ao mais radical da nossa existência humana, que é a morte”. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner ao meditar as leituras da Celebração da Paixão do Senhor nesta Sexta-Feira Santa (3). O arcebispo de Manaus reforçou que o sentido dessa celebração é compreender que Jesus, ao vencer a morte, inaugura um “horizonte novo”, da morte como um processo de completude da vida. A celebração aconteceu no Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora de Fátima, no bairro Praça 14. Desejados por Deus Em sua reflexão, o cardeal destacou que a Sexta-Feira Santa é um privilégio para nós cristãos católicos. Nela, é possível perceber “o quanto fomos amados desejados por Deus” e como Ele “se entregou por cada um de nós” em sacrifício. Isto porque “o sumo sacerdote agora é Jesus”, explicou o cardeal, “que se oferece como sacrifício por todos nós, por toda a humanidade. Nós até poderíamos dizer para todo o universo”. O arcebispo sublinhou que na Sexta-Feira Santa “recordamos o silêncio do mundo diante da morte”. Esse silêncio permite que ouçamos “mais facilmente o choro, o soluço”, mas também “repercute dentro de cada um de nós, especialmente quando se trata dos entes queridos mais próximos”. Essa repercussão, transfigura a sensação de perda dentro de nós no horizonte “extraordinário da ressurreição”, tornando-nos participantes na morte de Jesus. “Vivemos desta certeza, de que Jesus morrendo na cruz, Nos trouxe a vida. Que Jesus crucificado nos indica a vida maior. Aquele que morreu na cruz, indica que a morte é incapaz de vencer a vida. Que a morte jamais pode vencer a vida. Porque Cristo morreu. Deu a vida por nós. E ressuscitou como celebraremos amanhã na vigília” explicou o cardeal. Participar no sofrimento de Jesus Para ilustrar “os nossos sofrimentos” e “as mortes” como participações no sofrimento de Jesus”, o cardeal Steiner recordou que ao encontrar um enfermo o convida a “pedir a Jesus que ele deixe você participar do seu sofrimento para a salvação do mundo”. Essa sugestão provoca um estranhamento inicial, mas, em seguida, a pessoa “é capaz de dizer: ‘eu gostaria de participar dos sofrimentos de Jesus’”. Pois, segundo ele, “os nossos sofreres são participações no sofrimento de Jesus”. “Eu fico imaginando, por exemplo, tantas guerras que temos tido ultimamente só por cobiça de dinheiro. Quantas mães sofrendo? Quantas crianças sofrendo? Quantas crianças se tornaram órfãs? No mundo, eu fico olhando, meditando e pensando, todas elas participam da cruz de Jesus. E mesmo que elas não queiram, participam da nossa salvação”, enfatizou o arcebispo. Olhar para Jesus crucificado Evocando a memória de Papa Francisco, o arcebispo salientou que inúmeros santos e santas meditavam olhando para Jesus crucificado e a conversão de São Francisco de Assis aconteceu diante de uma cruz. Nessa perspectiva, o santo de Assis se tornou o amante da cruz, compreendendo que “era preciso reconstruir os corações”. Também em São Paulo, ao dizer “eu não anuncio, eu anuncio o Cristo crucificado, se encontra a radicalidade da fé cristã. “Aqui está a grandeza da nossa fé. Devagarinho irmos tentando sondar, compreender, meditar, contemplar a morte, mas como vida, como eternidade, como participação na vida de Deus”, disse o cardeal. Essa compreensão da grandeza de nossa fé perpassa as palavras de Jesus lidas no texto do Domingo de Ramos: “nas suas mãos eu entrego o meu espírito”. Porque nela está contida a participação na vida de Deus. Como disse o cardeal “sem nada mais. Tudo perdido. Tudo sofrido”, e no abandono “até o Pai” diz antes de expirar: “olha, o que eu tenho ainda te dou: o meu espírito”. No recolhimento que antecede o Sábado Santo, os presentes retornaram à Catedral em procissão com a imagem do Senhor morto para veneração.