Av. Epaminondas, 722, Centro, Manaus, AM, Brazil
+55 (92) 3232-1890
cnbbnorte1@gmail.com

Blog

Aliança Interinstitucional em vista da despoluição e saneamento dos igarapés de Manaus

O cuidado da casa comum é uma urgência, especialmente na Amazônia. Um chamado que em 2025 está sendo redobrado pela COP30 e pela Campanha da Fraternidade, que teve como tema “Fraternidade e Ecologia Integral”. Na arquidiocese de Manaus, um gesto concreto dessa Campanha foi a despoluição e saneamento dos igarapés de Manaus. Uma proposta ousada, mas necessária “Uma proposta ousada, mas necessária”, segundo salientou o vice-presidente da Cáritas Arquidiocesana da Manaus, padre Alcimar Araujo, na Abertura do 31º Grito dos Excluídos e Excluídas 2025 de Manaus, realizada no Parque Municipal do Mindu, na tarde do dia 29 de agosto, onde foi lançada a “Carta Compromisso, Água e Lixo não combinam”. Uma iniciativa interdisciplinar, que quer ser o início de um processo de mudança com a participação de mais de 40 entidades, segundo enfatizou o vice-presidente da Cáritas Manaus. Entre os assinantes da Carta, além do arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, representantes do poder público, instituições ligadas à defesa do meio ambiente, ONGs, igrejas cristãs, povos indígenas, associações ambientais e partidos políticos. Mais do que uma soma de estrategias Uma iniciativa que “não é só uma soma de estratégias”, segundo o bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus, dom Zenildo Lima. Ele enfatizou o que chamou de antropológico, “um dado de relação”, lembrando suas vivências infantis como manauara. O bispo disse que “a história da urbis em Manaus é uma história de relação com os igarapés”, que foram vistos como “empecilho para um projeto arquitetônico urbano”, o que levou a “soterrar, canalizar, fazer sumir os igarapés”. Segundo dom Zenildo Lima, “isso entrou na vida da gente”, que lembrou que ele tomou banho ou seu pai pescou no Igarapé do 40, que atravessava sob uma ponte para ir para a aula. Na aula ele disse ter aprendido que “a água é um líquido sem cor, sem cheiro e sem sabor”, algo que no igarapé do 40 não era bem assim, em um tempo em que o lixo era despejado em qualquer lugar ou queimado no fundo do quintal. Superar a visão negativa do igarapé Uma realidade que fez com que fosse construído “um ethos, sempre criando polos e sempre criando relações, ora equilibradas, ora desequilibradas”, disse o bispo. Ele recordou que “a gente foi aprendendo a ter medo do igarapé, foi aprendendo a interpretar o igarapé como uma realidade negativa.” A partir dessa relação histórica entre os igarapés e a população de Manaus, o bispo auxiliar advertiu sobre a necessidade de tomar cuidado “para não criar novos inimigos”, recordando o lema da campanha “Lixo e igarapé não combinam”, dado que os resíduos devem ser vistos como matéria que pode ser aproveitada. Nessa perspectiva, dom Zenildo Lima se situou como parte “dessa grande massa de manauaras comuns que tem que ser envolvidos neste processo.” Isso porque “se esta fosse uma luta apenas da sociedade organizada, a gente vai atingir alguns intelectos. Mas se tornar uma luta de um povo, a gente vai ter que atingir corações também.” Daí a importância da linguagem nessa iniciativa, disse o bispo, que afirmou que “nós estamos lidando com realidades sagradas”, recordando as palavras de louvação da Criação nos Salmos ou as palavras de São Francisco no Cântico das Criaturas. Uma aliança interinstitucional A Carta pretende “promover uma visão holística do meio ambiente e da justiça social, inspirada na Encíclica Laudato Sí do Papa Francisco”, e se tornar “uma aliança interinstitucional pela despoluição e saneamento dos igarapés de Manaus”, com objetivos e planos de trabalho coletivos. Parte de uma introdução, que explica o sentido do texto e relata a realidade social e ambiental, especialmente em Manaus, “localizada no coração da maior floresta tropical do mundo”, e quer ser “um documento que busca o compromisso de toda a sociedade juntamente com seus poderes constituídos, para a preservação e recuperação dos igarapés da cidade”. Nessa perspectiva são propostas 11 ações, pedindo promover a educação ambiental; criar a Aliança Global Pela Despoluição e Saneamento dos Igarapés de Manaus; exigir o cumprimento da Lei sobre os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em Manaus; reta aplicação de recursos públicos em políticas sociais e ambientais; acompanhar o cumprimento do Plano Municipal de Saneamento Básico; colaborar com a criação de um Programa Integrado de Saneamento e Despoluição de Igarapés construído de forma interinstitucional; políticas urbanas capazes de reduzir gradativamente a poluição dos igarapés; realizar a 1ª Conferência Municipal sobre os Igarapés de Manaus; fortalecer o Fórum das Águas; Projeto de Lei de Iniciativa Popular para aplicação de políticas públicas ambientais; fomentar a participação cidadã e a fiscalização. Um caminho longo, segundo reconhece a Carta, mas que não hesita no total compromisso os assinantes.

Diocese de Roraima é homenageada pela Assembleia Legislativa pelos 300 anos de evangelização

A Diocese de Roraima recebeu, nesta sexta-feira (29), uma das maiores homenagens institucionais de sua história. Em Sessão Especial realizada no Plenário Noêmia Bastos Amazonas, a Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) reconheceu publicamente o papel da Igreja Católica na formação do Estado e na vida do povo roraimense ao longo de três séculos de evangelização. A cerimônia marcou a celebração do Jubileu dos 300 anos de evangelização em Roraima e reuniu autoridades, fiéis, missionários e missionárias. A homenagem foi aprovada em plenário por meio dos Projetos de Decreto Legislativo nº 51 e nº 52 de 2025, de autoria do presidente da Casa, deputado Soldado Sampaio (Republicanos), que concederam a Comenda Orgulho de Roraima a personalidades e instituições ligadas à Diocese. Na abertura da solenidade, o bispo de Roraima, Dom Evaristo Pascoal Spengler, lembrou que a presença da Igreja precede a própria criação do Estado e destacou a importância histórica desse reconhecimento. “A Igreja de Roraima chegou antes do território federal, antes da Constituição do Estado. Contribuiu muito no início com a saúde, construindo hospitais, com a educação, formando técnicos e professores. Esse papel histórico é hoje reconhecido e nós agradecemos a Deus por tudo o que foi construído com o povo ao longo desses 300 anos”, declarou. Por meio de vídeo, o bispo de São Gabriel da Cachoeira (AM), Dom Raimundo Vanthuy Neto, que fez uma retrospectiva da presença missionária na Amazônia desde 1725, com os carmelitas, jesuítas, franciscanos e beneditinos, até a chegada dos missionários da Consolata. “Celebrar os 300 anos é lembrar que a presença da Igreja está ligada à história da Amazônia, ao cuidado com os povos indígenas, à educação e à defesa da vida. Cada missionário e missionária deixou uma marca que precisa ser lembrada. Hoje celebramos não só a memória, mas também o compromisso de seguir evangelizando”, destacou. Voz dos missionários de hoje O pároco de Pacaraima, Pe. Jesus Esteban Lopes Fernández Bobadilla, um dos homenageados, dedicou a honraria a todos que trabalham no acolhimento de migrantes. “A homenagem não é só para mim. É para toda a Diocese, para as instituições e para o povo brasileiro que acolhe os imigrantes. Nossa missão é viver o espírito do bom samaritano e aliviar o sofrimento de quem chega até nós”, disse. Quem recebeu a Comenda Orgulho de Roraima A Comenda foi entregue a diversas personalidades religiosas e leigas, além de instituições e pastorais que representam a presença missionária e social da Igreja. Personalidades religiosas e leigas Leiga, Ângela Maria Shardong, catequista, Deolinda Melquior da Silva, irmã, Elizabeth Sales de Lucena Vida, Luzinete Gomes Lima Maria Joselha Lima, Irmão Carlo Zacquini – presente, Jacir José de Souza – representado por Júlio José de Sousa (filho), Pe. Antônio Jerffeson de Almeida Resende, Pe. Jesus Esteban Lopes Fernández Bobadilla, Pe. Josimar Lobo, Pe. Mauro Sérgio Maia da Silva – representado por Pe. Jeferson Homenagens In Memoriam Irmã Telma Cristina Lage dos Santos – representada pelas irmãs Marineis Xavier de Oliveira e Lúcia Souza e Silva, Dom Aldo Mongiano – representado por Pablo Sérgio. Dom José Aparecido Dias – representado por Irmã Ivani Krenchinski (Missionária Serva do Espírito Santo de Alto Alegre). E Pe. Francisco Mário Ribeiro Castro – representado pela Vereadora, Valquiria Ribeiro. Bispo atual e os que já passaram pela Diocese Dom Evaristo Pascoal Spengler, Bispo da Diocese de Roraima, Dom Mário Antônio da Silva é Arcebispo de Cuiabá – representado por Pe. Josimar Lobo, Dom Raimundo Vanthuy Neto, bispo de são Gabriel da Cachoeira– representado por dona Vaneide e seus irmãos Instituições e pastorais reconhecidas Apostolado da Oração, Colégio Claretiano, Articulação dos Serviços Eclesiais aos Migrantes e Refugiados (ASEMIR), Cáritas Diocesana, Conferência dos Religiosos do Brasil Regional Roraima (CRB-RR), Fazenda da Esperança,  Instituto Missões da Consolata, e Padres Fidei Donum.  Pastoral da Criança, Pastoral da Juventude, Pastoral Familiar  e a Rádio Monte Roraima FM 107,9 – Pe. Luiz Botteon (diretor-geral) e Cléo Silva Rocha (diretora comercial). Reconhecimento histórico Para o deputado Soldado Sampaio, autor da homenagem, a entrega da comenda simboliza o reconhecimento do povo de Roraima à Igreja. “A Igreja Católica teve papel fundamental na história, na cultura e no desenvolvimento de Roraima. Reconhecer isso publicamente é valorizar não só o passado, mas também o presente e o futuro do serviço que ela presta à nossa população”, afirmou. Na ocasião foi assinado o termo de Cooperação Técnica que tem como objetivo preservar, digitalizar e divulgar o acervo histórico documental da Diocese de Roraima. Além disso, de 01 até 05 de agosto ficará disponível para visitação no rol da Assembleia Legislativa, estandes com memórias dos 300 anos da Diocese de Roraima. O Jubileu dos 300 anos segue sendo celebrado com missas, encontros culturais e atividades sociais em todo o Estado, consolidando o legado histórico da Diocese de Roraima e reafirmando sua missão evangelizadora junto ao povo.  FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Costa – Monte Roraima fm

VII Nortão de Presbíteros em Tocantinópolis: “Presbíteros Comunicadores da Esperança”

A diocese de Tocantinópolis (TO) acolheu de 25 a 29 de agosto de 2025 o VII Nortão de Presbíteros, com representantes dos Regionais Norte I, Norte II, Norte III e Noroeste da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Inteligência humana e inteligência artificial O tema a refletir tem sido: “Presbíteros Comunicadores da Esperança“, com a assessoria do bispo da diocese de Leopoldina (MG), dom Edson Oriolo, que brindou uma reflexão a respeito da inteligência humana, e a inteligência artificial, mas especificamente sobre esse mundo virtual do multiverso, essa nova ferramenta que está surgindo entre nós. Diante dessa nova realidade, o assessor ofereceu aos participantes caminhos e instrumentos para aproveitar isso ao nosso favor, para trabalho pastoral, para o dia a dia, para a evangelização que os presbíteros desenvolvem nas igrejas locais, nas paróquias, comunidades, pastorais. Junto com isso, dom Edison Oriolo fez um chamado a descobrir os riscos que essa nova realidade traz se não for usada de forma adequada. Do Regional Norte 1 participaram cinco padres, quatro da diocese de Parintins e um da diocese de Coari. O encontro tem sido muito gratificante, dado que ele fortalece cada vez mais o ministério e a colegialidade entre os irmãos presbíteros e com a Igreja. Pe. Luiz Carlos – Presidente da Comissão Regional de Presbiteros Norte 1 – diocese de Parintins

Uma profecia cada vez mais escassa e necessária

27 de agosto é uma data marcante na história da Igreja do Brasil. Foi nessa data que faleceram três bispos com grande destaque na vida do povo católico brasileiro: dom Hélder Câmara, em 1999, dom Luciano Mendes de Almeida, em 2006, e dom José Maria Pires, em 2017. Três homens de fé, esperança e caridade Três homens de fé, esperança e caridade, virtudes que sustentaram sua profecia, expressada em suas palavras, mas sobretudo em seu compromisso de vida, em suas causas, em seu compromisso por um Brasil mais justo, menos desigual. Mas também na concretização de uma Igreja mais missionária, mais próxima dos pobres, uma Igreja de todos. Eles acreditaram na Igreja católica como instrumento para ajudar a superar situações sociais que levam as pessoas ao sofrimento, para superar a pobreza, a desigualdade, o racismo, a luta pela terra, a exclusão social, as violações de direitos. Bispos companheiros de caminho do povo, que sabiam ir na frente, no meio ou atrás do povo, dependendo de cada momento e situação. Bispos que não duvidaram em incomodar os poderosos para defender os pequenos. Bispos que ajudaram a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, a ser uma voz respeitada na sociedade brasileira. Com sua sabedoria, inteligência, capacidade de raciocínio, experiência de Deus, eles se tornaram anunciadores do Reino de Deus. E faziam isso com gestos concretos, onde mostravam às claras aquilo que define o próprio Deus: sua capacidade de amar aos pequenos, aos descartados, àqueles que não tem lugar. Comprometidos com o Concílio Vaticano II Comprometidos com os ensinamentos do Concílio Vaticano II, encontraram em sua doutrina elementos para denunciar tudo aquilo que na sociedade brasileira contradiz o Evangelho. Bispos que chamavam as coisas pelo nome, apostando no cristianismo encarnado, comprometido com a justiça de Deus em defesa daqueles que ninguém defende, que a sociedade condena. Seguindo o Ano Jubilar que estamos vivenciando em 2025 podemos dizer que os três bispos falecidos na mesma data, 27 de agosto, foram peregrinos de esperança. As pessoas encontraram e continuam enxergando sementes de esperança em suas vidas. Seu exemplo tem que nos levar a nos questionarmos como sociedade e como Igreja, ainda mais diante de tantas pessoas que perderam a esperança em nosso tempo atual. Um espelho para o Brasil atual Homens que devem ser um espelho para o Brasil atual, para a Igreja católica que hoje peregrina no país. Somos desafiados a assumir que o Evangelho tem que ser vivenciado fora dos templos, que acreditar em Deus tem que nos levar a um compromisso de vida com as pessoas, especialmente na defesa dos descartados, daqueles que não contam. Bispos que colocaram seu ministério ao serviço de todos, que entenderam que ser bispo é um serviço e um compromisso com um mundo melhor. Falecer no mesmo dia não pode ser visto simplesmente como uma coincidência, mas como um sinal de Deus, que se faz presente nas pessoas. Eles são presença de Deus no meio de nós e sua vida é um chamado a sermos cada vez mais profetas, a não ficar indiferentes com a vida dos outros, especialmente com a vida dos pequenos. Editorial Rádio Rio Mar

Dom Zenildo Lima: CEAMA, “um novo modelo de articulação das forças eclesiais”

De 17 a 20 de agosto de 2025 quase 90 bispos da Pan-amazônia, representando 70 por cento das circunscrições eclesiásticas da região, se reuniram na sede do Conselho Episcopal Latino-americano e Caribenho (CELAM), em Bogotá. O primeiro encontro depois do Sínodo para a Amazônia, realizado em outubro de 2019. Eles foram convocados pela Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), um dos frutos desse sínodo. Uma experiência de encontro O vice-presidente da CEAMA, dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus avalia o momento vivido dizendo que “para alguns de nós foi uma experiência de reencontro, para boa parte foi experiência de um primeiro encontro”, dado que em todos os bispos atuais participaram do Sínodo para a Amazônia. Um encontro que teve como eixos principais a sinodalidade e a Conferência Eclesial da Amazônia como ferramenta para o exercício desta sinodalidade, segundo o bispo. Ele insiste em que “o objetivo muito específico era aproximar as igrejas locais, dioceses, prelazias, os vicariatos apostólicos da nossa Pan-Amazônia, desta realidade que é a Conferência Eclesial da Amazônia”. O vice-presidente da CEAMA destaca o desejo de “alcançar a compreensão e alcançar o coração do episcopado”, uma iniciativa que ele disse ter se alcançado com êxito. Até o ponto de afirmar que “o envolvimento dos bispos foi surpreendente, a adesão dos bispos ao encontro foi muito positiva. E, sobretudo, a gente perceber, a partir de dinâmicas de escuta nos processos de trabalho de grupo, o quanto as igrejas locais da Amazônia têm se esforçado para implementar processos de sinodalidade, seja a partir do Sínodo da Amazônia e seja a partir do recente Sínodo sobre a Sinodalidade”. A sinodalidade está viva Dom Zenildo Lima sublinha que “a sinodalidade está viva, é uma realidade nas nossas igrejas, e perceber que o Sínodo da Amazônia está vivo, é uma realidade nas nossas igrejas também.” Nessa perspectiva, ele destaca que “os bispos apresentaram algumas pautas que consideram muito importantes para que a gente possa enfrentá-las como comunhão do episcopado, mas sobretudo como comunhão das igrejas da Pan-Amazônia, capitaneadas por uma conferência eclesial”. Seu vice-presidente reconhece que “evidentemente ainda teremos que ter cada vez mais lucidez sobre a identidade desta conferência eclesial, sobre a estruturação, a composição desta conferência eclesial, sobre a regulamentação desta conferência e sobre o modo como ela consegue sustentar e apresentar a proposta de caminho de sinodalidade para as nossas igrejas.” Mas em geral, ele afirma que “a avaliação é muito positiva. Acho que alcançamos este objetivo de propor ao episcopado da Pan-Amazônia a proposta, o modelo de uma conferência eclesial como um caminho de desdobramento, seja para o Sínodo da Amazônia, como também para o Sínodo da Sinodalidade”. Os aportes da CEAMA Sobre os aportes da CEAMA, que o Relatório de Síntese da Primeira Sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade reconhece como exemplo de sinodalidade, o bispo mostra sua surpresa dado que no aparece na Fase de Implementação do Sínodo. Isso porque “o Sínodo sobre a Sinodalidade está buscando aquelas conversões das relações, dos processos. dos vínculos e das dinâmicas de formação em torno da sinodalidade”, afirma. Nesse sentido, ele enfatiza que “no que diz respeito a esta conversão dos processos e ao apresentar a conversão dos processos e do modo como nós tomamos as decisões, como nós agimos com transparência em relação à realização destas decisões, a CEAMA se apresenta como uma grande oportunidade de um novo modelo de articulação das forças eclesiais”. Mesmo com os diversos organismos de participação existentes, desde as conferências episcopais até os diversos conselhos de participação, em âmbito das igrejas locais ou mesmo das paróquias ou das comunidades eclesiais, o bispo afirma que “agora pensar um modelo novo que considera novos sujeitos, o que não compromete toda a estrutura hierárquica da Igreja, é uma possibilidade iluminadora.” Nessa perspectiva, a CEAMA aponta que “a nível de Igreja, nossas decisões, nossos processos missionários, nossos processos de consolidação da evangelização, podem ser feitos a partir de diferentes sujeitos, inclusive com tomada de decisões”. Reticências a processos de sinodalidade Diante das reticências e questionamentos com relação à CEAMA e sua estrutura, seu vice-presidente vê isso como “uma reticência ou um questionamento a processos de sinodalidade, uma insegurança diante dos processos de sinodalidade e das mudanças que esses processos implicam na vida da Igreja.” Um receio à sinodalidade que segundo dom Zenildo Lima “pode ter a ver com o receio de perda de poder”, refletindo que “a questão do poder é a questão da anomalia que atrofia a identidade da estrutura hierárquica da Igreja. Ou seja, o que sustenta a estrutura hierárquica da Igreja não é uma concepção de poder. O que sustenta esse dinamismo necessário e hierárquico da Igreja é como ela articula melhor os seus serviços evangelizadores”. Uma realidade que mostra que “uma conferência eclesial acaba sendo uma experiência subsidiária para o Ministério Episcopal, uma experiência subsidiária para o dinamismo hierárquico da Igreja, porque oferece condições de discernimento, que por si só, o dinamismo, a estrutura hierárquica não teria condições de fazê-lo”, enfatiza o bispo. É por isso, que em palavras de dom Zenildo Lima, “a Conferência Eclesial da Amazônia oferece suporte para as conferências episcopais. Assim como a sinodalidade oferece suporte, elementos e ferramentas para a estrutura hierárquica da Igreja”. As igrejas crescem em caminhos de sinodalidade Com relação à mensagem final do encontro, que valoriza “os passos dados na escuta, na articulação das dioceses, na revitalização dos conselhos, no planejamento pastoral, na formação teológica, espiritual, ministerial e pastoral, que busca responder aos sinais dos tempos”, o bispo vê essa mensagem não como perspectivas e ideais, mas como “resultados de partilhas do que as igrejas locais trouxeram.” Ele vê esses elementos compartilhados como prova de que “as igrejas estão crescendo em caminho de sinodalidade, a partir das assembleias diocesanas, dos sínodos diocesanos. As igrejas da Amazônia estão revitalizando esses conselhos de participação, como já são previstos no Código do Direito Canônico, mas que também podem ganhar novos dinamismos com essa perspectiva sinodal”. Um caminho que é fruto do fato de que “as…
Leia mais

31° Grito dos Excluídos e Excluídas: “Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”

O Cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus e Presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participou da coletiva de imprensa do 31° Grito dos Excluídos e Excluídas 2025 que acontecerá no dia 05 de setembro com o tema “Vida em primeiro lugar” e o lema “Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”. O arcebispo reforçou que o Grito quer “refletir, discutir e proclamar o cuidado da Casa Comum e da Democracia, porque sempre tem um fundo, um horizonte que guia essas expressões que é a vida em primeiro lugar” e também que “é um privilégio morarmos aqui, é um privilégio morarmos numa região aonde nós ainda podemos apreciar a natureza no seu nascer.” Imposição de grupos de interesse Mas essa perspectiva se contrapõe já que “vemos e nos preocupamos porque a natureza cada vez mais é destruída e com projetos que estão no Congresso Nacional, nós veremos que a destruição acontecerá ainda mais, especialmente se for aprovada a mineração em Terras Indígenas”, como destacou o cardeal, principalmente pela dificuldade em demarcações das Terras Indígenas. Steiner também questionou se “os deputados e senadores, deputadas e senadoras permitiriam a mineração nas próprias terras, mas como a terra dos outros, como se trata de terras indígenas, então pode” o que situa a democracia em um espaço de “imposição de um determinado grupo de pessoas, com interesse, especialmente as empresas mineradores”. Ele enfatizou que o desejo desse grito é “trazer a vida em primeiro lugar, sempre a vida em primeiro lugar”, destacou que hoje “é possível perceber a nossa visão é mais larga quando falamos da vida” e dessa maneira falamos “da vida humana, da vida da natureza, da vida das nossas relações por isso também falamos da vida democrática” que também “corre perigo” ainda que nossas “instituições tenham funcionado, mas nós temos diversas dificuldades em relação à democracia” Cuidado da Casa Comum é fundamento da dignidade “A vida com seu valor, com a sua dignidade, com seus direitos e a necessidade do cuidado e a casa comum é fundamental para que a vida tenha dignidade, por isso a gente grita” foi o destaque feito por Pe. Alcimar Araújo, Vice-Presidente da Cáritas Arquidiocesana de Manaus, justamente para que no “processo democrático garantir aquilo que é o direito da natureza, o direito dos povos” e “a democracia nos possibilita isso: manifestar as nossas opiniões, nos organizarmos e com o coletivo, com força organizado podermos pressionar os governos” Ele insistiu que “na democracia se não há participação popular, há controle dos grupos de interesse do congresso” e que “a representação massiva do congresso não é uma representação Popular, mas a representação de grupos organizados do agronegócio, mineradoras, bancos, dos empresários, assim por diante.” Esses mesmos grupos “financiam campanhas para defender os seus direitos e nós muitas vezes como população os elegemos”, explicou. Disse também que “precisamos fazer a nossa parte porque a democracia não é só votar e deixar que eles trabalhem, a gente precisa participar, é preciso caminhar para uma democracia participativa em que a sociedade tenha consciência do seu papel, da sua responsabilidade para com as questões sociais” principalmente “porque uma vez que a gente não cuida daquilo que é o comum, algumas pessoas vão sofrer bastante”. Um Grito sobretudo de Esperança O coordenador de pastoral da Arquidiocese de Manaus, Pe. Geraldo Bendaham, comentou que “se nós gritamos, se tem um grito é porque tem dor, a gente pode gritar de alegria, mas fazer esse grito dos excluídos é por causa da dor, a dor é pessoal, é comunidade, mas é também social, sobretudo a dor é ecológica. O grito é para mostrar a sociedade, para o mundo que estamos muito preocupados, temos que demonstrar a nossa indignação com tudo que tá acontecendo”.  Em sua fala conduziu os presentes a se perguntarem se “está tudo bem com a nossa sociedade? com o nosso mundo?” e respondeu com a negativa “não tá bem, não tá bem economicamente, não tá socialmente, não tá bem ecologicamente” e convidou a “não ficar nesse pessimismo, em catástrofe” e que se faz necessário “manter a esperança, por isso que o grito é também de Esperança, nós temos a esperança no agora, no presente, de que esse grito também nos ajude para que as presente e futuras gerações possam ter um mundo melhor, sem lixo nos igarapés, por exemplo.” Na coletiva foram apresentadas as seguintes datas: no dia 29/08 será o lançamento da campanha “Água e lixo não combinam” em favor da despoluição e saneamento dos igarapés de Manaus, com a participação de 40 entidades públicas e privadas que serão convidadas para assinatura de uma Carta Compromisso, Parque do Mindú, às 15h. E no dia 05/09, às 15h, na rotatória do Novo Aleixo, Alameda Alphaville, e segue em direção ao Parque dos Gigantes.

Diocese de Coari realiza Congresso Diocesano Missionário

O Congresso Diocesano Missionário da Diocese de Coari, realizado de 22 a 24 de agosto, marcou um momento de profunda reflexão e partilha na Paróquia Nossa Senhora das Graças. Com o tema “Família missionária, esperança e cuidado com a casa comum”, o evento reuniu cerca de 50 participantes, que se dedicaram a debater e planejar o futuro da evangelização na diocese. Rostro missionário de nossa esperança Os participantes foram divididos em cinco grupos, baseados nas cores missionárias, para aprofundar as discussões. Desde a missa de abertura, eles trabalharam para identificar o “rosto missionário de nossa esperança”, destacando os sinais de vitalidade e fé que, muitas vezes, são ofuscados pelo desânimo. O evento contou com uma participação diversificada, com representantes de pastorais importantes como a Pastoral da Criança, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral da Juventude e Pastoral do Dízimo, além de Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão e membros da Infância e Adolescência Missionária (IAM), da Juventude Missionária e dos Conselhos Missionários Paroquiais (COMIPAS). O encontro serviu como um impulso para a ação e como resultado a diocese de coari vai investir na Semana de Animação Missionária e na implantação dos COMIPAS em toda a diocese. Cabe ressaltar a importância de ampliar a atenção evangelizadora para crianças atípicas, incluindo aquelas com TEA (Transtorno do Espectro Autista), Síndrome de Down e outras deficiências. Peregrinos de esperança Em um gesto concreto de missão, os participantes realizaram uma visita a aproximadamente 50 casas na comunidade de São Raimundo Nonato, reforçando o lema de serem “peregrinos de esperança”. A realização do congresso foi possível graças ao apoio de diversas pessoas e instituições. A organização agradeceu especialmente ao padre Felipe Jorge, pároco, e à irmã Graça Rodrigues PddM. A generosa acolhida das famílias locais, que hospedaram a maioria dos participantes, e o apoio do Hotel Amazonas também foram fundamentais para o sucesso do evento. O congresso celebrou o crescimento missionário na diocese, com a criação de novos grupos da IAM e quatro novos COMIPAS em Içana-Anori, Nossa Senhora do Beruri, São Francisco de Anamã e Santo Afonso de Manacapuru. O encontro reafirmou o compromisso de seguir em frente, como “peregrinos da esperança entre os povos”. Pe. Raimundo Gordiano Gordiano – articulador do COMIDI, Diocese de Coari

Lideranças das paróquias de Manacapuru e Caapiranga preparam Mês da Bíblia

No mês de setembro, Mês da Bíblia, a Igreja do Brasil faz a proposta de aprofundar no conhecimento de um dos livros que fazem parte do texto Sagrado. Em 2025 será estudada a Carta aos Romanos. Encontro de formação Em preparação para o Mês da Bíblia, a Paróquia Cristo Libertador de Manacapuru, na diocese de Coari, sediou neste domingo, 24 de agosto, das 8h às 16h, no auditório paroquial, a formação bíblica para catequistas e ministros extraordinários da Palavra e da Eucaristia. O encontro, assessorado pelo professor Dr. Mattias Grenzer, da Pontifícia Universidade católica de São Paulo, contou com a participação de representantes das paróquias Cristo Libertador, Nossa Senhora de Nazaré e Santo Afonso, de Manacapuru, e São Sebastião de Caapiranga. O escrito mais exigente em toda a Bíblia O assessor ressaltou que “em muitas comunidades, em muitas famílias, vamos ler esta Carta”. Para isso, segundo o professor Grenzer, que agradeceu a oportunidade de participar desse momento, tem sido importante o momento de formação vivido na diocese de Coari com um grupo bem numeroso e assim preparar bem o Mês da Bíblia. O professor da PUC São Paulo disse que “a Carta aos Romanos talvez seja o escrito mais exigente em toda a Bíblia, uma reflexão ampla”. Uma realidade que levou os participantes do encontro de formação a se esforçar e estudar os fundamentos, para assim animar a fé como pessoas e como Igreja.

Cardeal Steiner: “A medida da porta é Jesus e o seu Evangelho”

No 21º Domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando as palavras do Evangelho: “Procurai entrar pela porta estreita” (Lc 13,24). Ele enfatizou: “a porta, a porta estreita!” Segundo o cardeal: “No Evangelho de São João, Jesus se apresenta como a porta: ‘Eu sou a porta: se alguém entrar por mim, será salvo’ (Jo 10,9). Para entrar na vida, na salvação, deixar-se tomar por Deus, passamos, entrarmos por Ele, e não por outro. Acolhe a sua palavra, o Evangelho, somos convidados a passar pela porta estreita”. Participar da vida do Reino O arcebispo de Manaus enfatizou que “A porta estreita é uma imagem muito significativa, um modo de participar da vida do Reino.  Jesus apresenta a imagem da época, provavelmente referindo-se ao anoitecer, quando as portas da cidade eram fechadas e apenas uma, mais estreita e pequena, permanecia aberta. Para entrar na cidade, voltar para casa, no anoitecer se oferecida a segurança da porta estreita. Para regressar a casa, só se podia passar por essa porta estreita, pequenina”. Ele lembrou que “assim como para entrar na cidade era preciso ‘medir-se’ com a única porta estreita deixada aberta, também o nós entramos na morada, na casa do Reino pela porta estreita. Porta estreita, à medida de Jesus Cristo. Significa que a medida da porta é Jesus e o seu Evangelho: não o que pensamos, mas o que Ele nos ensina. E assim trata-se de uma porta estreita não porque se destina a poucos, mas porque ser como Jesus, segui-lo, comprometer a vida no amor, no serviço e no dom de si como Ele fez, passando pela porta estreita da cruz. A porta estreita da cruz é larga em generosidade, em amor, em cordialidade, em gratuidade. Entrar no com Jesus na vida do Reino, é superar o egoísmo, diminuir a presunção de autossuficiência, baixar as alturas da soberba e do orgulho”. Segundo o presidente do Regional Norte 1, “quando anoitece na nossa vida, quando se faz noite, sempre existe uma passagem para encontrar a verdadeira morada, participar da graça salvífica. Talvez, quando se faz noite, surge a possibilidade de encontrar a morada verdadeira, o Reino de Deus. Será sempre uma porta estreita que abre a porta larga da redenção, do amor, da misericórdia”. Jesus propõe a porta estreita Ele recordou a pergunta feita a Jesus na passagem do Evangelho do dia: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” O cardeal respondeu que “diante da inquietação pela salvação, Jesus propõe a porta estreita.” Ainda mais, ele sublinhou: “Sim queridos irmãos e irmãs, a salvação é pela simplicidade, pela humildade, pela pequenez. Nada de ostentação, de grandiosidade, de poder, de força. A salvação, o Reino de Deus tem uma passagem que conduz à morada, à plenitude, à eternidade.” “A porta estreita indicada por Jesus, nos despertar para viver de forma responsável, agarrar a vida. compromete-se, recusar a mediocridade, a acomodação, a alienação; não ceder à tentação do bem-estar, mas desejar os valores que transformam a vida; viver para os outros, a serviço, buscando animar, transformar a vida dos irmãos e das irmãs em dificuldade.  A porta estreita é um convite a sermos pequenos, simples, humildes, servos e servas, estar na dinâmica do amor doativo!”, disse o arcebispo de Manaus. Isso porque “se apalparmos a nossa cotidianidade, veremos, que tudo é pequeno, simples, sem ostentação, sem dominação. São relações, quase imperceptíveis, que nos deixam ser família, ser irmão, ser irmã, ser pai, ser mãe”, afirmou o arcebispo de Manaus. Gestos diários de amor que realizamos com esforço Ele recordou que Papa Francisco ao comentar o Evangelho de hoje nos ensina: “Pensemos, para sermos concretos, nos gestos diários de amor que realizamos com esforço: pensemos nos pais que se dedicam aos filhos fazendo sacrifícios e renunciando ao tempo para si mesmos; naqueles que cuidam dos outros e não apenas dos próprios interesses: quantas pessoas são assim, boas; pensemos em quantos se dedicam ao serviço dos idosos, dos mais pobres e mais frágeis; pensemos naquelas que continuam a trabalhar com empenho, suportando dificuldades e talvez incompreensões; pensemos em quantos sofrem por causa da fé, mas continuam a rezar e a amar; pensemos naqueles que, em vez de seguirem os próprios instintos, respondem ao mal com o bem, encontram a força para perdoar e a coragem para recomeçar. Estes são apenas alguns exemplos de pessoas que não escolhem a porta larga do próprio conforto, mas a porta estreita de Jesus, de uma vida vivida no amor. Estes, diz o Senhor hoje, serão reconhecidos pelo Pai muito mais do que aqueles que se consideram já salvos e, na realidade, na vida são ‘iníquos’ (Lc 13,27).” “O Evangelho nos indicava o caminho da porta, ao nos propor a porta do banquete que se fechou, impedindo a entrada daqueles que chegaram tarde. A porta estreita indica uma atenção própria de quem não adormece, se acomoda, negligenciando as oportunidades que a porta oferece. É uma passagem! A vida é uma passagem; passa rapidamente. Sem nos darmos conta, o tempo que temos à nossa disposição se esvai, esvazia, e a porta se fecha e acabamos por não entrar na morada, não participarmos da plenitude do Reino de Deus. Somos convidados a buscar as ‘coisas do alto’, as relações que edificam e realizam”, disse o cardeal Steiner. Ele recordou que “na parábola contada por Jesus há pessoas, vindas ‘do oriente e do ocidente, do norte e do sul’ que têm acesso ao banquete; e há outras pessoas que pensavam ter acesso garantido ao banquete, talvez até em lugar de destaque, mas que não conseguem entrar na sala onde o banquete se realiza. Entrar pela porta estreita e sentar-se à mesa do Reino de Deus não depende de direitos adquiridos por nascimento, ou de um ato formal de adesão a uma instituição, mas depende de seguir a Jesus, o Crucificado-ressuscitado”. Lei como sinalizações para o caminho da Aliança Na primeira leitura, o…
Leia mais

Bispos da Pan-Amazônia enviam ao Papa Leão XIV a “cruz amazônica” e a “pombinha da paz”

Gesto simbólico desde o encontro de Bogotá reafirma o compromisso com a defesa da vida, dos povos e da Casa Comum No marco do Encontro de Bispos da Pan-Amazônia, realizado em Bogotá de 17 a 20 de agosto, os participantes enviaram ao Papa Leão XIV dois significativos presentes: a cruz amazônica e a pombinha mensageira da paz, símbolos de comunhão, esperança e compromisso com a defesa da Casa Comum e da paz. A cruz amazônica: vida que brota da dor Os bispos receberam durante o encontro cruzes amazônicas elaboradas pelo artesão boliviano José Dorado, de San Miguel de Velasco. São 130 peças confeccionadas com madeira proveniente de árvores queimadas na Chiquitania, região boliviana duramente atingida pelos incêndios florestais. Abençoadas por Dom Robert Flock, bispo de San Ignacio de Velasco, as cruzes representam a dor da terra ferida e, ao mesmo tempo, a esperança de que do sofrimento possa renascer a vida. Este gesto busca manter viva a memória dos 2,8 milhões de hectares devastados em 2024, o pior ano de incêndios em duas décadas na Amazônia. A pombinha mensageira da paz O segundo presente, a “pombinha da paz”, foi trazido do Peru por Carmen de los Ríos e está envolto em tecido da comunidade nativa amazônica Ashaninka. Confeccionada por povos andinos, simboliza o desejo de que “da Amazônia rezamos pela paz”. Símbolo universal da paz, a pombinha, na tradição católica, representa o Espírito Santo, sinal de pureza, paz e presença divina. O cardeal Pedro Barreto, presidente da CEAMA, destacou que este sinal nos convida a ser instrumentos do Espírito Santo, a fortalecer o serviço missionário e a reconhecer os povos originários como guardiões da Casa Comum. Envio ao Papa Leão XIV Ambos os presentes foram entregues ao cardeal Michael Czerny, prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral e representante do Vaticano no encontro. Durante a Eucaristia de encerramento, na Catedral Primaz de Bogotá, em 20 de agosto, Czerny recebeu a cruz e a pombinha em nome dos bispos, comprometendo-se a levá-los pessoalmente ao Papa Leão XIV. Com este gesto, os bispos da Pan-Amazônia reafirmam sua missão de ser construtores da paz e guardiões da criação, em comunhão com toda a Igreja universal. Encontro de bispos da Amazônia Durante quatro dias, 90 bispos de 75 jurisdições amazônicas, convocados pela Conferência Eclesial da Amazônia – CEAMA, juntamente com representantes de organismos como o CELAM, a CLAR, a Cáritas ALC, a REPAM, o Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral e várias conferências episcopais, participaram do encontro realizado em Bogotá, na sede do Conselho Episcopal Latino-americano – CELAM. As jornadas foram marcadas por espaços de escuta, oração e diálogo, nos quais foram compartilhados avanços, desafios e resistências do processo sinodal. Segundo os organizadores, o objetivo foi apresentar propostas concretas que permitissem consolidar a missão da CEAMA como organismo eclesial capaz de acompanhar de maneira mais próxima as comunidades da região. Nesse contexto, o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, ofereceu uma mensagem que animou os participantes a redescobrirem a força do seguimento de Jesus como motor do compromisso pastoral e da missão da Igreja na Amazônia. “Não se tratou de uma nova organização, mas de um espírito que renova e dá sentido à nossa forma de ser Igreja”, afirmou, sublinhando a dimensão espiritual que deu identidade ao encontro. Julio Caldeira imc