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O rosto da Igreja católica na Amazônia e o seu caminho sinodal

No marco do Encontro de Bispos da Pan-Amazônia, convocado pela Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) de 17 a 20 de agosto de 2025, apresenta-se um panorama atualizado da realidade eclesial nesta região vital para a vida dos povos e a missão da Igreja. A Amazônia, que ocupa 47,5% do território sul-americano (8,47 milhões de km²) e se estende por oito países e a Guiana Francesa, é uma região de vital importância para o planeta. Concentra 20% da água doce mundial, um terço do material genético e vastas florestas primárias. Ali habitam mais de 33 milhões de pessoas, entre elas de 3 a 4 milhões de indígenas pertencentes a cerca de 390 povos, que falam mais de 240 línguas, além de camponeses, afrodescendentes, ribeirinhos e diversas populações urbanas. A região regula as chuvas na América do Sul e os fluxos de ar em nível global, mas também é uma das mais vulneráveis às mudanças climáticas. Sua riqueza natural e cultural está ameaçada pelo desmatamento, mineração, exploração de hidrocarbonetos e práticas econômicas insustentáveis que geram graves consequências ambientais e sociais. A presença da Igreja na Pan-Amazônia Neste vasto território existem 105 jurisdições eclesiásticas distribuídas na Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela, com um total de 2.581 paróquias, zonas pastorais ou áreas missionárias. Segundo o Annuario Pontificio 2023, a missão é realizada por 25.710 leigos agentes pastorais, 5.041 religiosas, 4.206 presbíteros, 2.329 religiosos, 297 diáconos permanentes e 168 bispos. Em pesquisa realizada para o livro “Avancem para águas mais profundas: caminhos sinodais da Igreja na Amazônia”, a ser publicado este mês pela Editora CELAM, dos 168 bispos, 73 são diocesanos e 95 religiosos; 100 nasceram em seus países de missão e 68 provêm de outros países. A presença de 665 congregações femininas e 297 masculinas marcam a riqueza e diversidade da vida consagrada na região. As jurisdições mais antigas da região são Santa Cruz de la Sierra (1605) na Bolívia e São Luís do Maranhão (1614) no Brasil, enquanto as mais recentes são Araguaína (2023) e Xingu-Tucumã (2019) no Brasil. Um caminho sinodal A Igreja amazônica, desde suas origens nos tempos coloniais até o Concílio Vaticano II, percorreu um processo de transformação rumo a uma pastoral mais integral e sinodal. Entre 1971 e 2013 multiplicaram-se os encontros e documentos que lançaram as bases de uma articulação Pan-Amazônica, como os de Iquitos, Santarém, Pucallpa, Manaus, Fusagasugá e Aparecida. Com o pontificado do Papa Francisco, essas sementes floresceram com a criação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) em 2013. Dela brotou o Sínodo Amazônico (2017-2019), um processo de escuta, diálogo e discernimento que culminou em um Documento Final e na exortação apostólica Querida Amazônia, onde o Papa expressou os sonhos sociais, culturais, ecológicos e eclesiais para a região. O fruto mais visível desse processo foi a criação, em 2020, da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), a primeira de caráter “eclesial” e não apenas episcopal na história recente da Igreja. Encontro em Bogotá Neste caminho, a CEAMA convoca, de 17 a 20 de agosto de 2025, em Bogotá, o primeiro grande encontro episcopal amazônico após o Sínodo de 2019. Será um espaço de oração, discernimento e fraternidade, com o propósito de renovar o compromisso com a vida, os povos e a Casa Comum, e impulsionar a prática dos sonhos de Querida Amazônia em um espírito de sinodalidade, missão compartilhada e esperança. Julio Caldeira imc

Família: espaço para cultivar o chamado a sermos gente de Deus

Na Igreja do Brasil, agosto é o Mês Vocacional. Cada semana somos convidados a refletir sobre uma vocação. Mas além de como se concretiza o chamado na vida de cada pessoa, a vocação que recebemos é a ser homens e mulheres de Deus, que os outros possam descobrir em nós a presença de Deus, que nossa vida seja manifestação do Deus que está no meio de nós. Família Na segunda semana somos chamados a refletir sobre a família, um conceito que cada vez gera maior polémica. Segundo a Constituição brasileira, o conceito de família abrange diversas formas de organização fundamentadas na relação afetiva entre seus membros. Mas também é verdade que esse conceito de família tem se tornado bandeira política. Se fala de família como algo cada vez mais etéreo, que responde a outros interesses que nada tem a ver com aquilo que deve fundamentar a vida familiar: o amor. Aqueles que nos dizemos cristãos católicos devemos nos perguntar se nossas famílias são espaço que aproxima seus membros de Deus. Nossas famílias ajudam seus membros a ser homens e mulheres de Deus? Uma pergunta que nos leva a nos questionarmos sobre o que é sermos homens e mulheres de Deus. Em verdade, sermos cristãos, discípulos e discípulas de Cristo, é assumir os mesmos sentimentos de Cristo Jesus, que sendo o primeiro se coloca o último. Não é fácil aceitar um Deus que nos desafia a nos colocarmos no último lugar, no meio aos últimos, aos descartados. Mas esse é o Deus de Jesus Cristo, o Deus que se fez carne, o Deus que se abaixou. Frente a isso, é assumido com maior facilidade um deus que resolve todos os problemas, que nos ajuda a ser mais, inclusive no plano material. Espaço para Deus Nas famílias onde Deus tem um espaço, qual é o Deus que está presente? Na família da gente, qual é o Deus que damos espaço? Não podemos esquecer que a vocação é um caminho para poder avançar no discipulado, de diversos modos, mas sempre com um objetivo comum, sermos homens e mulheres de Deus. Criar as condições para responder ao chamado deveria ser uma preocupação nas famílias que se dizem cristãs. Mas se faz necessário entender quem é esse Deus que nos chama e assumir as consequências de responder à vocação. Caminhar com Deus, nos tornarmos presença D´Ele, ser gente de Deus é caminho de felicidade. Mas não podemos nos deixar enganar com um Deus que não responde àquilo que Ele é. Ainda menos deixar que outros queiram nos colocar em nossa vida um Deus feito a imagem e semelhança deles. Editorial Rádio Rio Mar

Cardeal Steiner: “nos sentirmos felizes por conviver, por servir, desenvolver-se, ser no amor!”

No 19º Domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando que o texto proclamado faz parte do sermão de Jesus a partir dos “lírios do campo e as aves do céu.” Segundo ele, “aquelas palavras de Jesus que despertam em nós confiança no Pai dos céus e nos sentimos na sua proximidade. Expressa o cuidado amoroso e amorável de Deus para com seus filhos e filhas”. Participar da intimidade de Deus O cardeal Steiner recordou a palavra de consolo e esperança que ouvimos: “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o Reino.” Ele enfatizou: “Sim, somos convidados, convidadas à participação da intimidade de Deus, fazer parte de seu Reino. O reino, o seu reinado, o seu amor, a sua cordialidade.” É por isso que “poderíamos viver com pessoas que buscam desfrutar cada momento, cada experiência. Organizando a nossa vida de forma sempre mais guiada pelo prazer. Levar uma vida vivida hedonisticamente. O importante do viver é desfrutar todo e qualquer prazer”. O arcebispo de Manaus ainda acrescentou: “poderíamos viver como pessimistas, onde nada funciona, tudo é mau. Poderíamos fugir dos problemas, buscando como defender-nos da melhor maneira possível, uma espécie de pessimismo existencial: para que viver, para que sofrer. Assim entenderíamos a felicidade como tranquilidade, fugir dos problemas e conflitos, dos compromissos. Há uma fuga para a tranquilidade e não percebemos que as tensões fazem parte da vida e depende de cada um dar sentido às tenções e conflitos”. Frente a isso o cardeal Steiner disse: “Mas poderíamos entender e viver como pessoas que percebem a grandeza da vida como realização, maturação, plenitude de viver. Buscar sempre o melhor, perceber que a vida é inesgotável e pode chegar à plenitude. Entenderíamos a felicidade como crescimento, como transformação, como caminho. Na verdade, não entenderíamos a felicidade como busca, como conquista, mas nos sentirmos felizes por conviver, por servir, desenvolver-se, ser no amor!” Caminhar para a plenitude O presidente do Regional Norte 1 recordou que Teilhard de Chardin afirmava: um “homem feliz é aquele que sem buscar diretamente a felicidade, encontra inevitavelmente a alegria, como acréscimo, no próprio fato de ir caminhando para a sua plenitude, para a sua realização, para frente”, palavras recolhidas por José Antonio Pagola no livro “O caminho aberto por Jesus, Lucas”. “Sim em meio a todos os dissabores e desamores, caminhar, abrir veredas!”, enfatizou o cardeal Steiner. Citando o texto evangélico: “Vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça corrói”, ele fez um chamado a descobrir que “permanecer na cercania do cuidado e benevolência do Pai, é o convite de Jesus. O valor maior, quase único é a preciosidade do cuidado de Deus, do seu amor para conosco. Nenhuma coisa, objetos, substituem o amor de Deus por nós: esse é o tesouro que recebemos! O convite para desfazer-se dos bens e ter um tesouro, pois “onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. Aquele tesouro que ninguém pode roubar, destruir, o tesouro que não se desfaz. Desfazer-se, despir-se, desvestir-se, como possibilidade de participar do tesouro do Reino, do amor de Deus”. De novo, citou o texto do evangelho do dia: “Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater. Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar.” Diante disso, ele disse que “o texto sagrado nos remete para o encontro com o inesperado esperado; o outro que conhecemos e que nos desperta para um encontro de expectativa, de desejo, de reencontro”. Ele recordou as palavras de Antoine de Saint-Exupéry, em “O Pequeno Príncipe”: “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieto e agitado: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração…” Uma citação onde o cardeal vê o chamado a “estar na atenção, na espera do encontro com o amado, a amada”. Uma espera benevolente “A espera sem ânsia, a expectativa sem nervosismo! Uma espera benevolente, desejosa, mas não opressora; inquieta mas não nervosa. A imagem sugestiva do discípulo fiel que está sempre preparado, a qualquer hora e em qualquer circunstância, para acolher o Senhor que vem. Está na expectativa acolhedora e benevolente da vinda de seu Amor”, disse o arcebispo de Manaus. Segundo ele, “essa expectativa, essa espera pelo inesperado, pede ‘vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe’. Esse desprendimento, essa liberdade e liberalidade, essa cordialidade e gratuidade de viver, pede soltura, movimento de pássaros voadores, embelezamento dos lírios: despojamento, pobreza! No dar esmola manifestamos a nossa solidariedade, a nossa irmandade.” Ele citou os ensinamentos do místico Harada, H. em “Domingos com São Francisco de Assis, Ano C”: “Ser solidário com os pobres, promovê-los, significa que nós ‘ricos’, como indigentes do sentido mais profundo do homem, mendigamos da pobreza do pobre a riqueza da vida, para nos convertermos a um princípio mais radical e essencial do homem”. Movidos pela gratuidade “O modo de quem vende tudo, os pobres de espírito, dos misericordiosos, são movidos pela gratuidade. Longe de tornar o homem acomodado, alheio à terra dos homens e aos homens da terra, com suas lutas e labutas, faz dele um homem sempre operoso, fecundo, serviçal, útil, prestimoso para com os outros, especialmente os que estão mais à margem”, enfatizou o cardeal Steiner. Ele disse que é nesse sentido que poderíamos meditar as palavras de Jesus: “que os vossos rins estejam cingidos e…
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Jubileu dos Ministros Ordenados em Manaus: se colocar “a caminho para bem servir às comunidades”

Os ministros ordenados da arquidiocese de Manaus realizaram seu Jubileu no dia 9 de agosto. Uma oportunidade para vislumbrar “não apenas o sentido do nosso ministério, mas o dom da fé”, segundo o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner. Suas palavras deram início a uma celebração penitencial na comunidade São Francisco de Assis, área missionária Cidade de Deus, com a presença dos bispos, padres e diáconos. O caminho da misericórdia e da bondade Segundo o arcebispo, “é o fato de termos sido salvos e redimidos que vivemos a esperança. A esperança de que a redenção acontecida nos ilumina, nos fortalece, nos aquece e sempre de novo nos coloca a caminho. É o caminho da misericórdia e da bondade.”. Nessa perspectiva, a importância da celebração penitencial, pois “reconhecer a fraqueza é reconhecer o amor, reconhecer o amor é reconhecer a fraqueza, é reconhecer que fomos salvos e redimidos”, fazendo um chamado a buscar o perdão e a misericórdia. Juno com isso, que o Ano Santo “fortaleça nosso ministério, ajude a nos colocarmos cada vez mais a caminho para bem servir às comunidades e sermos anúncio do Reino novo, o Reino da Salvação”. A celebração penitencial foi ocasião para descobrir, segundo o cardeal Steiner, que “quem nos faz caminhar não é o pecado, a infidelidade, quem nos faz caminhar é a atração de Deus, o que nos faz caminhar é a atração de ter sido amados até a morte e morte de Cruz. O que nos faz caminhar é justamente podermos perceber a participar do Reino novo que foi restaurado na redenção de Jesus. O que nos faz caminhar é esse novo céu, essa nova terra”, proclamada pelo profeta Isaías. Um pedir perdão com o coração confiante e alegre, “porque recebemos a graça de reconhecer a fraqueza do pecado é a possibilidade de uma participação cada vez maior da redenção, da salvação, da misericórdia”, sublinhou o arcebispo. Esse momento penitencial foi seguido de uma pequena peregrinação, saindo da comunidade São Francisco de Assis até a comunidade São Benedito, onde aconteceu a celebração eucarística. Junto com os ministros ordenados caminhou o povo da área missionária Cidade de Deus. Um momento que recebeu o reconhecimento daqueles que em suas casas, nos comércios, se juntaram com esse momento jubilar dos ministros ordenados. Povo da periferia de Manaus que sente a presença e companhia dos ministros ordenados em seu cotidiano. Deixar-se tocar pela Palavra Na homilia, o cardeal Steiner disse que “tendo ouvido a Palavra, deixando se tocar pela Palavra, Jesus percebe agora qual é a sua missão”, que Ele assume. Essa missão é “cantar eternamente o amor do Pai, era espalhar, esparramar o amor do Pai, se cumprir o amor que Deus havia prometido.” Algo que se concretiza no envio para os pequenos, para os pobres, “é de novo despertar, é iluminar, é abrir olhos, mas especialmente envio para a liberdade. O amor da cruz é a liberdade”, enfatizou o arcebispo de Manaus. Isso porque “o único amor que realmente liberta e libertou toda a humanidade a cada um de nós, do qual vem o nosso ministério, seja diaconal, presbiteral, episcopal, é um amor à vida nova”. Aos ministros ordenados, o cardeal Steiner fez um chamado a se comprometer, a no amor de Deus “assumir ainda melhor o nosso ministério.” Para isso ele pediu que “a nossa participação da vida da Igreja, seja uma participação de disposição, de alegria”. Guiados pelo amor esperançoso Mesmo diante dos momentos difíceis na Igreja, na política, na sociedade, o cardeal disse que “sempre nos deixaremos guiar pelo amor esperançoso.” Junto com isso, ele pediu aos ministros ordenados “ajudar as pessoas a viverem o Evangelho, a remeter sempre de novo, não para as normas, não para o comportamento moral, mas para a alegria de sermos redimidos, termos sido salvos, termos sido inseridos no amor da Trindade, termos sido conquistados elo amor de verdade.” Uma dinâmica que ajude para que “esse nosso ministério possa sempre de novo apontar para essa realidade original, fontal. E nós vivemos o nosso ministério a partir dessa fonte, dessa graça, desse dom”. Isso fará com que os ministros ordenados possam servir com alegria às comunidades, “mas especialmente, ser uma pessoa profundamente realizada, porque tocado por um amor”, afirmou o arcebispo de Manaus. Ele pediu finalmente que “Deus nos dê a graça de vivermos com intensidade do nosso ministério, porque é o ministério da redenção, porque é o ministério da salvação, que assim possamos sempre de novo apontar para a fonte”.

80 anos de Hiroshima e Nagasaki: uma paz desarmada para superar o ódio das bombas

80 anos depois das bombas atómicas ter sido lançadas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em 06 e 09 de agosto de 1945, que provocaram mais de dos centos e dez mil mortos, somos chamados mais uma vez a refletir sobre a necessidade e a urgência da paz. A paz como princípio do novo pontífice Nos três primeiros meses de pontificado o Papa Leão XIV tem insistido na paz. Poderíamos dizer que esse é o tema mais destacado nos discursos e intervenções nos primeiros meses de pontificado. Já na primeira aparição diante da multidão na Praça de São Pedro, pouco depois de ser eleito pelo conclave como sucessor de Pedro, ele pediu “uma paz desarmada e que desarma”. As palavras de Leão XIV devem ser um chamado para refletirmos como humanidade. A polarização tem tomado conta da sociedade, especialmente no Brasil. Cada um usa suas armas para acabar com a convivência em paz, fomentando tudo o que gera divisão, enfrentamento. Os discursos de ódio, incentivados por grupos de poder político, religioso e econômico, estão cada vez mais presentes na sociedade, um fenômeno que encontra nas redes sociais um instrumento de difusão. Promover um clima de paz Em nível planetário, a ameaça nuclear continua presente, segundo mostra a mensagem que o Papa Leão XIV enviou ao arcebispo de Hiroshima, dom Alexis Mitsuru Shirahama. Ele, depois de manifestar seu “respeito e afeto pelos sobreviventes”, se referiu às duas cidades bombardeadas como “um recordatório vivo dos profundos horrores provocados pelas armas nucleares”. Diante disso, o chamado pontifício a “construir um mundo mais seguro e promover um clima de paz”. Cada um, cada uma de nós deveria se perguntar: eu promovo um clima de paz? Minhas palavras, atitudes, postagens, favorecem a paz ou promove o ódio? Gero enfrentamento através do meu comportamento, no meu modo de me relacionar com as pessoas, inclusive com aqueles que podem ser meus inimigos? A paz não se garante com as armas, cujo livre porte é um anseio para muitas pessoas. A paz se alcança quando as pessoas têm a coragem de não andar armados. Isso porque, segundo disse o Papa Francisco: “a guerra é sempre uma derrota para a humanidade”. E a guerra vai além do enfrentamento armado, ela é uma dinâmica instalada na cabeça de muita gente. Justiça, fraternidade, bem comum caminho da paz Papa Leão XIV faz um chamado a vem Hiroshima e Nagasaki como “símbolos de memória”, recordando as palavras de Papa Francisco. Diante disso, o pontífice reflete sobre a falsa segurança que nasce da destruição do outro. Ele defende a justiça, a fraternidade e o bem comum como caminho para a paz. Essas atitudes deveriam ser assumidas por cada um, cada uma de nós. Buscar a paz é algo a ser promovido entre as nações, em nível planetário, mas também entre as pessoas. Do mesmo modo que as bombas atómicas devastaram a vida de tantas pessoas, nossas palavras e atitudes também têm consequências semelhantes. Se faz necessário uma mudança em nosso modo de olhar para os outros, marcada pela justiça e a fraternidade. Só assim a destruição cessará e conseguiremos uma paz duradoura para a humanidade, mas também entre nós. Editorial Rádio Rio Mar

Atualização Teológica do Clero de Manaus: “Abordagem da Cristologia numa linguagem amazônica”

O clero da arquidiocese de Manaus realiza de 06 a 08 de agosto de 2025 seu encontro anual de atualização teológica, com a presença de mais de 70 participantes entre bispos, presbíteros, diáconos e seminaristas. O padre André Luiz Rodrigues da Silva, do clero da arquidiocese do Rio de Janeiro, doutor em Teologia e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio), é a assessor desse tempo de formação. Ajuda nos processos de evangelização Um momento muito importante, segundo padre Matheus Marques, membro da equipe de coordenação da Pastoral Presbiteral da arquidiocese de Manaus. Ele considera que “para nossa Pastoral Presbiteral é muito importante que, como presbíteros, como diáconos da nossa Igreja de Manaus, nós possamos estar nesses dias atualizando a nossa Teologia, a nossa compreensão da pessoa de Jesus, que nos ajuda nos processos de evangelização.” Ele destacou que “a Teologia que a gente estuda nos ajuda a dinamizar ainda mais nosso processo evangelizador, a nossa pastoral”, motivo que levou a Pastoral Presbiteral a promover esse encontro. Diversos interesses com relação a Jesus Cristo A proposta do assessor é “fazer uma abordagem da Cristologia numa linguagem amazônica.” Para isso, ele “separou em primeiro lugar as fontes dos Evangelhos sobre Jesus Cristo, mostrando que tanto na Cruz quanto no Nascimento de Jesus, a gente tem várias percepções. O Evangelho não fala apenas de uma percepção, mas ele fala da visão cristã, fala da visão judaica e fala da visão pagã sobre Jesus Cristo. Jesus Cristo, ele interessa não apenas aos cristãos, aos católicos, mas Jesus é simbólico. Hoje é interessante para os não cristãos, os judeus, por exemplo, para as religiões orientais e no contexto amazônico a gente quer inspirar esse interesse, como que Jesus Cristo é interessante e ao mesmo tempo o contexto amazônico tem autoridade para falar de Jesus”. Ao longo do encontro, o padre André Luiz Rodrigues da Silva, vai falar sobre o Antigo Testamento e o Novo Testamento, as principais características da Cristologia baseada nas Escrituras.” Com relação ao Antigo Testamento ele disse querer voltar para “a ideia do Paraíso, porque o contexto amazônico tem essa linguagem muito próxima: a Árvore da Vida, o rio que surgia do trono, os quatro rios que vão para todos os lugares da Terra.” Uma realidade que mostra, segundo o doutor em Teologia, “a importância da Amazônia para todo mundo, a Amazônia é um berço de salvação para todo mundo, isso é mais do que constatado aqui, e várias outras linguagens próximas do texto do paraíso, do Éden, que podem ser aplicados à ecoteologia”. Outra temática a ser abordada é a questão moral, “falando sobre a salvação para quem é batizado e para quem não é batizado, como no contexto missionário a gente deve olhar para isso”, disse o assessor, tendo como referência a Redemptoris Missio, de São João Paulo II. A partir daí, “como manter a missão em um contexto amazônico, diante da perspectiva da verdade de fé sobre a salvação universal”, buscando que isso ajude no trabalho pastoral dos participantes. 1700 anos do Concílio de Niceia O Concílio de Niceia, que está completado 1700 anos também faz parte da programação, abordando a dicotomia entre a humanidade e a divindade de Jesus. Ele destaca a questão apresentada em Niceia, o relacionamento entre o Pai e o Filho, mostrando as heresias posteriores, especialmente o arianismo. “Ario acreditava que Jesus fosse apenas uma criatura, um anjo poderoso de Deus, mas uma criatura responsável por toda a Criação, porque Deus não pode tocar a Criação. Deus na sua onipotência, na sua onisciência, Ele não pode se contaminar ao mexer com o barro da Criação”, explicou o professor da PUC Rio. Diante disso, o Concílio de Niceia defende que “Cristo é verdadeiramente Deus, verdadeiramente homem”. Isso hoje nos diz que “Ele não se contamina quando Ele toca o barro, Ele não se contamina quando toca as nossas vidas, quando vem e se aproxima de cada um de nós. Esse Deus Todo-Poderoso, ele permanece o que é na sua divindade, na sua humanidade, sem que veja em nós o motivo de contaminação”, disse o assessor. Ele falou sobre a tentativa de “ver o irmão como a possibilidade de que algum mal vai chegar até nós”. Encarnação como fundamento da Igreja Para a Igreja da Amazônia, que em Santarém 1972 insiste na encarnação como fundamento da Igreja, se faz necessário entender que em Jesus “a humanidade e a divindade se unem. O mistério da encarnação, então, ele é vivido no corpo de Cristo, que é a Igreja. Então a dimensão eclesial, a espiritualidade da encarnação na igreja, ela precisa ser vivida de acordo com Cristo cabeça.” Para isso, o padre André Luiz Rodrigues da Silva defende que “a gente não deve perguntar na Igreja quem é membro superior e membro inferior. A gente não deve se perguntar na “Igreja quem é membro santo e membro impuro. A gente não deve se perguntar na Igreja quem é cabrito, quem é ovelha”. “Se um dia no julgamento, em algum momento da vida isso for importante, as Sagradas Escrituras não disseram que isso dependeria de nós. Mas a gente deve sim abraçar a todos como uma única Igreja. Tanto aqueles que estão dentro da Igreja, quanto aqueles que estão fora da Igreja, vistos como um único corpo em Cristo”, enfatizou o assessor. Ele defende que com todo ser humano, independentemente de sua crença, “existe alguma coisa que nos une. E essa única coisa que nos une é Cristo e a Igreja”, segundo aparece em Dominus Iesus. É por isso que “se ele encontrar um caminho de salvação, esse caminho é único, tanto no corpo de Cristo, que é Cristo, quanto no corpo de Cristo, que é a igreja, porque só há um corpo de Cristo”, concluiu.

Seminário São José e COMISE lançam 12ª Experiência Missionária na Prelazia de Itacoatiara

A manhã desta segunda-feira foi marcada pelo lançamento oficial da 12ª Experiência Missionária promovida pelo Seminário São José, em parceria com o COMISE (Conselho Missionário de Seminaristas). O anúncio aconteceu no final da formação conduzida pela Irmã Regina da Costa Pedro, diretora das Pontifícias Obras Missionárias no Brasil. Na Prelazia de Itacoatiara de 19 a 26 de outubro A Ação Missionária, que neste ano será realizada na Prelazia de Itacoatiara, no interior do Amazonas, tem o intuito de despertar nos participantes o ardente desejo de se colocarem sempre disponíveis para a missão da Igreja, visto que a missionariedade é considerada o fio condutor de todo o processo formativo. Durante o lançamento, os seminaristas foram saudados com entusiasmo por Dom Edmilson Tadeu Canavarros, bispo da Prelazia de Itacoatiara, por meio de uma mensagem em vídeo: “Com grande alegria queremos recebê-los em nossa Prelazia de Itacoatiara para a 12ª Experiência Missionária. Nossa expectativa é que vocês nos ajudem para que, cada vez mais, sejamos comunidades missionárias, sejamos discípulos missionários, para cuidar da família humana. Tudo isso sob as bênçãos de Nossa Senhora do Rosário. Estamos de portas abertas!” A 12ª Experiência Missionária será realizada de 19 a 26 de outubro e reunirá seminaristas, padres, leigos e religiosos. Seminarista Lucas Santos Maia (Diocese de Roraima)Assessor de Comunicação do Comise Labontè

Formise Regional reúne seminaristas para refletir sobre missão presbiteral na Amazônia

O Seminário Arquidiocesano São José, em Manaus (AM), acolheu, na segunda-feira, 4 de agosto, o Formise Regional, um encontro promovido pelo Comise Labontè (Conselho Missionário de Seminaristas) com o objetivo de aprofundar a consciência missionária dos futuros presbíteros da Igreja na Amazônia. O evento teve início com um momento oracional, reunindo seminaristas em espírito de oração e comunhão. A programação contou com a presença marcante da Irmã Regina da Costa Pedro, religiosa das Missionárias da Imaculada (PIME) e atual diretora das Pontifícias Obras Missionárias (POM) no Brasil. Igreja em Saída encarnada na realidade Durante sua fala, Irmã Regina provocou os participantes a refletirem sobre o tema: “As provocações do CAM 6 para a vida missionária dos presbíteros da Igreja da Amazônia: como responder aos desafios atuais da missão a partir da vocação presbiteral?” A partir dos apontamentos do 6º Congresso Americano Missionário (CAM 6), ela destacou a urgência de uma Igreja em saída, encarnada nas realidades do povo amazônico e comprometida com a evangelização integral, que una fé e compromisso social. Escuta sensível, proximidade e disposição A religiosa ressaltou que a vocação presbiteral, especialmente no contexto amazônico, exige uma escuta sensível, proximidade com as comunidades e disposição para enfrentar os desafios impostos pelas distâncias geográficas, pelas vulnerabilidades sociais e pela pluralidade cultural da região. O encontro se configurou como um espaço de formação, partilha e fortalecimento do compromisso missionário, reafirmando o papel dos seminaristas como protagonistas de uma Igreja viva e atuante na Amazônia. Ao final da atividade, os participantes expressaram gratidão pela oportunidade de refletir sobre a missão à luz dos apelos contemporâneos da Igreja, renovando o desejo de seguir o chamado presbiteral com ardor missionário e fidelidade ao Evangelho. Seminarista Lucas Santos Maia (Diocese de Roraima) – Assessor de Comunicação do Comise Labontè

Cardeal Steiner: “Toda ganância destrói, separa, divide”

No 18º Domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia lembrando que “não encontrando conciliação com o irmão, um homem busca a Jesus.” Segundo o arcebispo, “diante do litígio dos bens, Jesus recorda: ‘Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens.’” Desabundância de plenitude O cardeal Steiner sublinhou que “pode haver abundância de bens, mas falta de vida, desabundância de plenitude! A equidade, a justiça, o bem, a irmandade não vem de bens, mas do encontro com a abundância da vida. Toda ganância destrói, separa, divide, às vezes leva à morte. A abundância da vida, o bem-querer, a bem, a bondade, a justiça, a equidade, a irmandade, a generosidade, a misericórdia obrativa, concedem a medida que possibilita discernir o que os dois podem receber e depois usufruir. Dividir e ter pouco, mas abundância de vida”. Ao contar a parábola, o cardeal mostrou que “Ele nos propõe um modo de viver que evita a ganância e deixar guiar-se pela abundância da vida. A vida do Homem, a vida de cada um de nós, tem seu valor, tem seu sentido, tem sua grandeza, sua beleza, que provém de outro espaço. Não da abundância dos bens, mas da abundância da vida, da grandeza das relações, dos cuidados, da doação da generosidade, do amor. É da abundância da vida que nasce a realização de nós mesmos e na experiência de seguidoras, seguidores de Jesus. Jesus a vida plena, a abundância da vida, experimentou uma vida de poucos bens e distribuiu a todos os bens do corpo e do espírito aos mais necessitados. Ele era a abundância da vida, do amor!” Apreciar o capital de amor O presidente do Regional Norte 1 recordou as palavras de Santo Agostinho no Sermão 34: “Irmãos, examinai com atenção a vossa morada interior, abri os olhos e apreciai o vosso capital de amor, e depois aumentai a soma que tiverdes encontrado em vós. E guardai esse tesouro, a fim de serdes ricos interiormente. Chamam-se caros os bens que têm um preço elevado, e com razão. […] Mas que coisa há mais cara do que o amor, meus irmãos? Em vossa opinião, que preço tem ele? E como pagá-lo? O preço de uma terra, o preço do trigo, é a prata; o preço de uma pérola é o ouro; mas o preço do amor és tu mesmo. Se queres comprar um campo, uma joia, um animal, procuras em teu redor os fundos necessários para isso. Mas, se desejas possuir o amor, procura apenas em ti mesmo, pois é a ti mesmo que tens de encontrar. Que receias ao dar-te? Receias perder-te? Pelo contrário, é recusando-te a dar-te que te perdes. O próprio Amor exprime-se pela boca da Sabedoria e apazigua com uma palavra a desordem que em ti lançava a expressão: «Dá-te a ti mesmo!»(…) Escuta o que diz o Amor, pela boca da Sabedoria: «Meu filho, dá-me o teu coração» (Pv 23,26). (…) ‘Meu filho, dá-me o teu coração», diz a Sabedoria. Se ele for meu, já não te perderás. […]. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento’ (Mt 22,37). […] Quem te criou quer-te todo para Si”. “Sim, amados irmãos e irmãs, ganância, pode nos deshumanizar e desdivinizar. Corremos o risco de perdermos a nós mesmos, quando perdemos a força de amar, servir, repartir”, enfatizou o cardeal. Ele lembrou como nos dizia Agostinho: “dá-te a ti mesmo!” Isso, porque “oferecer a nós mesmos, está no movimento da doação, isto é, do amor como possibilidade da abundância de vida. No bem que oferecemos, no acolhimento que possibilitamos, no dinheiro que damos, pode ir sempre ‘eu mesmo’. É nesse dar-me a mim mesmo que está a possibilidade de um amor que jamais frustrará, pois é livre e doativo. Eleva, transforma, transfigura!!, pois é nosso coração que oferecemos e não os objetos e as sobras”. Vaidade das vaidades “É da abundância dos bens da vida, do coração que recebemos o ensinamento da primeira leitura do Eclesiastes: Vaidade das vaidades tudo é vaidade!”, afirmou o arcebispo de Manaus. Segundo ele, “o homem religioso, descobriu que fora de Deus nada existe, nada é. Tudo um grande vazio: um nada, pura vaidade, ilusão, fantasia! Todos os empreendimentos, esforços, conquistas, realizações, sonhos aparentemente realizados, tudo o que fizermos a partir de nós mesmos e para nós mesmos, contradizem ao desejo mais profundo de plenitude e de eternidade que habita em cada um de nós. Na intimidade de nós na busca de um lugar, onde repousar nosso coração. E o coração não repousa nas coisas, nos bens”. O cardeal enfatizou que “a última frase do Evangelho que ouvimos é uma verdadeira provocação que Jesus nos faz: ‘Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste? Assim acontece com quem ajunta tesoureiros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus. E para quem ficará o que tu acumulaste?’ Ou seja, para quem acumulei?” Citando o texto evangélico, “Tomai cuidado contra todo tipo de ganância”, ele disse que “a ganância que acumula, acumula e destrói a vida pessoal e, também a vida dos pobres”. O cardeal citou as palavras de Papa Francisco em Evangelii Gaudium 202: “Enquanto não forem radicalmente solucionados os problemas dos pobres, renunciando à autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira e atacando as causas estruturais da desigualdade social, não se resolverão os problemas do mundo e, em definitivo, problema algum.” Segundo ele, “sim amados irmãos e irmãs, hoje o que domina é a especulação financeira. Perdeu-se o horizonte da abundância da vida, caminhamos com rapidez para a acumulação de tudo o que passa”. Nesse sentido, ele lembrou que São Paulo insistia: “aspirai às coisas celestes e não às…
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Dom Zenildo Lima: Encontro dos Bispos da Amazônia, dar continuidade à sinodalidade a partir do território

Seis anos após o Sínodo para a Amazônia, a Igreja amazônica continua sua caminhada com convicção e esperança. Nesse espírito, a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) convoca todos os bispos das jurisdições amazônicas ao Encontro dos Bispos da Amazônia, que acontecerá em Bogotá, Colômbia, de 17 a 20 de agosto de 2025. Este evento tem como objetivo fortalecer a comunhão, avaliar o caminho percorrido e discernir juntos como continuar consolidando uma Igreja com rosto amazônico, sinodal, encarnado nos territórios e comprometido com a Casa Comum. Um momento para verificar o caminho e projetar o futuro Dom Zenildo Lima, Vice-Presidente da CEAMA e Presidente da Comissão Organizadora do Encontro, destaca que este Encontro é fruto de um discernimento coletivo e responde à necessidade de continuar aprofundando o processo sinodal iniciado em 2019: “Mais de cinco anos após o Sínodo da Amazônia, e confirmados pelo Sínodo sobre a Sinodalidade, continuamos nossa vocação de ser uma Igreja com face amazônico, marcada pela sinodalidade, pelo compromisso com a nossa Casa Comum, pela aceitação das experiências dos nossos povos indígenas e pelos muitos desafios que os nossos territórios enfrentam.” Dom Lima lembra que, como fruto direto do Sínodo, a CEAMA foi criada como um organismo eclesial a serviço das Igrejas locais. Agora, o Encontro dos Bispos da Amazônia será uma oportunidade para avaliar este caminho, e, acima de tudo, perguntar-nos: “Qual é a melhor maneira para esta Conferência Eclesial apoiar nossas Igrejas locais?” Participação essencial dos pastores amazônicos O Encontro busca reunir bispos que atuam nas regiões amazônicas dos nove países do bioma. Sua presença é essencial para continuar avançando em um sinodalidade corporificada e territorializada. “Nossa participação como pastores das Igrejas locais na Amazônia é muito importante para consolidar esse caminho”, afirma Dom Zenildo Lima. Por isso, a CEAMA convida com entusiasmo cada bispo a ser parte ativa desta experiência de escuta mútua, reflexão compartilhada e compromisso pastoral. Continuar a sinodalidade a partir do território O Encontro dos Bispos da Amazônia se apresenta como um espaço de diálogo fraterno e discernimento coletivo, que nos permitirá estreitar laços, compartilhar desafios pastorais e projetar juntos novas formas de presença evangelizadora e solidária na Amazônia. “Este encontro é fundamental para garantir que o caminho sinodal inaugurado no Sínodo da Amazônia continue na sinodalidade concreta de nossas Igrejas locais”, conclui Dom Zenildo. Com este passo, a CEAMA continua a reafirmar a sua missão de caminhar ao lado dos povos amazônicos, encorajando uma Igreja que não impõe, mas escuta; que não domina, mas serve; que não teme os desafios, porque é sustentada pela força do Espírito e pela sabedoria do povo. Fonte: CEAMA