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Chamados a Ser Sinais de Esperança: A reflexão de Dom Altevir no Mês Vocacional

O chamado a ser sinais de esperança é ponto de partida da reflexão do bispo da prelazia de Tefé e secretário do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1). Um tempo sagrado em que “cada comunidade é convocada para um grande mutirão de animação vocacional, respondendo ao chamado que Deus continua a fazer em meio aos desafios do mundo atual”. Dentro do contexto vivencial do Ano Jubilar, “Peregrinos da Esperança”, celebramos o 44º Mês Vocacional com o coração agradecido e os olhos voltados à esperança. Neste tempo sagrado, cada comunidade é convocada para um grande mutirão de animação vocacional, respondendo ao chamado que Deus continua a fazer em meio aos desafios do mundo atual. O querido Papa Francisco recordara que “a esperança não decepciona”, pois, brota do amor derramado em nossos corações. O lema deste ano — “Somos peregrinos porque chamados”, escolhido pelo próprio Papa — une dois elementos essenciais da fé cristã: peregrinação e vocação. Ser peregrino é caminhar com escuta, com “ouvidos de discípulos” e entrega; ser vocacionado é responder livremente ao convite divino com gestos concretos de acolhimento, beleza e paz. Durante o mês de agosto, somos convidados a refletir e celebrar as quatro vocações que sustentam a vida da Igreja. No primeiro domingo, dedicado à vocação presbiteral, contemplamos os padres como pastores segundo o coração de Deus. Homens que, guiados pelo Espírito, entregam-se inteiramente ao povo de Deus, sendo presença sacramental, anunciadores da Palavra e promotores de esperança, especialmente nas comunidades mais distantes da nossa querida Amazônia. O segundo domingo é marcado pela vocação matrimonial, ocasião em que celebramos o dom da família e o amor vivido como missão. Neste dia, em comunhão com o Dia dos Pais, exaltamos a paternidade como expressão concreta do cuidado, da proteção e da transmissão da fé no lar. O terceiro domingo é dedicado à vida religiosa, reconhecendo o testemunho profético dos religiosos e religiosas que consagram sua vida por amor ao Reino. Atuando com ternura e coragem junto aos povos originários, eles promovem educação, saúde e evangelização em regiões muitas vezes esquecidas. Por fim, não menos importante, o quarto domingo celebra a vocação laical, destacando a missão dos catequistas como fermento no mundo e na Igreja. Os leigos vivem sua vocação no cotidiano — no trabalho, nas famílias, na cultura, na política — sendo presença atuante e corajosa da Igreja em saída, especialmente onde o clero não pode estar. O Mês Vocacional de 2025 convida cada fiel a escutar com profundidade e responder com coragem ao chamado divino. Que sejamos, como Igreja, sinais vivos da esperança que sustenta nossa fé e transforma o mundo. Que cada vocação seja reconhecida, valorizada e celebrada com gratidão, e que nossas vidas sejam dom e missão no caminho vocacional. + José Altevir da Silva, CSSp – Bispo da Prelazia de Tefé-AM

Dom Adolfo Zon: “A vocação de vocês é sinal do amor de Deus em nossa Igreja!”

No Mês Vocacional, o bispo da diocese de Alto Solimões e vice-presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), reflete sobre a vocação, que ele define como “sinal do amor de Deus em nossa Igreja!” Queridos irmãos e irmãs, paz e bem! Com alegria e espírito de comunhão, dirijo-me a cada um de vocês — missionários e missionárias, lideranças, agentes de pastoral, religiosos, padres, seminaristas, jovens, famílias e comunidades de nossa querida Diocese do Alto Solimões — para partilhar uma palavra de fé e esperança neste Mês Vocacional 2025, cujo lema nos convida a mergulhar no mistério da vocação: “Chamados porque peregrinos”. A Palavra de Deus nos recorda que “todos estes morreram na fé, sem ter recebido a realização das promessas. Mas as viram de longe e as saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra” (Hb 11,13). Assim também somos nós: povo em caminhada, guiados pela fé, rumo ao Reino definitivo, sustentados pela promessa de Deus. Ser peregrino na fé é aceitar viver em movimento, com os pés no chão da realidade — tantas vezes marcada por desafios, como os que enfrentamos aqui na Amazônia — mas com o coração voltado para o alto, em busca de um sentido maior. E somos chamados justamente porque Deus caminha conosco, e nos chama pelo nome para colaborar com Ele na construção de um mundo mais justo, solidário e fraterno. Em nossa Diocese do Alto Solimões, onde convivem povos indígenas, ribeirinhos, migrantes e tantos rostos amazônicos, a vocação tem rosto missionário. O chamado de Deus ecoa nas trilhas da floresta, nas margens dos rios, nas aldeias, comunidades e cidades. Deus continua chamando homens e mulheres dispostos a gastar sua vida em favor do Evangelho, no serviço ao povo, na defesa da vida e da Casa Comum. Neste mês vocacional, quero agradecer com carinho aos nossos padres, religiosas, religiosos, seminariatas, catequistas, animadores e leigos comprometidos. A vocação de vocês é sinal do amor de Deus em nossa Igreja! E quero convidar especialmente os jovens: escutem o chamado de Deus! Não tenham medo de seguir Jesus, seja no sacerdócio, na vida consagrada, no matrimônio ou no serviço pastoral. Ele caminha com vocês! Aos pais, comunidades e lideranças, peço: sejam terra boa onde brotam vocações. Ajudem nossos jovens a sonhar com os sonhos de Deus. E a todos nós, peço que neste mês intensifiquemos a oração pelas vocações, como nos pede Jesus: “Pedi ao Senhor da messe que envie operários para a sua messe” (Lc 10,2). Que Maria, Nossa Senhora da Assunção e estrela da evangelização na Amazônia, interceda por nossa Igreja em missão, e que o Espírito Santo nos dê coragem para sermos peregrinos da esperança e servidores do Evangelho. Com minha bênção e carinho pastoral, Dom Adolfo Zon Pereira, SX – Bispo da Diocese do Alto Solimões

Tráfico de pessoas: mais uma prova de desumanidade

Estamos nos tornando desumanos. Mais uma prova disso é o tráfico de pessoas, um crime cada vez mais presente em nossa sociedade. Ontem, 30 de julho, Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, foi mais uma oportunidade para refletir sobre uma das violações mais graves dos direitos humanos, uma ferida que machuca tanta gente mundo afora. Um crime lucrativo Um crime dos mais lucrativos, que só perde para o tráfico de drogas e o tráfico de armas. Esse tipo de crime tem aumentado nos últimos anos. Entre 2020 e 2024, o tráfico de pessoas aumentou 60% no Brasil. As redes sociais têm se tornado instrumento para aliciar milhares de pessoas, sobretudo mulheres. As quadrilhas atuam, muitas vezes na impunidade, mas também é verdade que aos poucos as autoridades têm articulado estratégias mais eficazes para combater esse crime. Como nos posicionamos diante dessa realidade, diante desse crime? Fazemos o que está em nossa mão para combatê-lo? Trabalhamos como sociedade para ajudar as pessoas a ter o conhecimento suficiente que lhes permita não cair nas armadilhas do tráfico de pessoas? Acolhemos as vítimas e as ajudamos a se reerguer? Não podemos ser cúmplices As palavras de Papa Francisco: “Se fecharmos nossos olhos e ouvidos, se permanecermos indiferentes, seremos cúmplices”, são um chamado de atenção para a sociedade, mas especialmente para nós católicos. A indiferença diante dos problemas, do sofrimento dos outros, parece ter se instalado no coração da humanidade. Nossos corações vão se endurecendo, se tornando um coração de pedra, sem capacidade de se compadecer, de viver a compaixão diante do sofrimento alheio. Uma atitude que tem que nos levar a refletir, a cada um, cada uma de nós, mas também a todos e todas como humanidade. Denunciar as violações, formar consciências, acolher os feridos tem que se tornar uma exigência se não queremos deixar de lado nossa humanidade. Ficar calados é uma atitude que não pode ser aceita, uma atitude que nos desumaniza. Não podemos esquecer que o ser humano começou ser considerado como tal quando mostrou capacidade de se compadecer diante do sofrimento do outro. Uma postura profética Um sentimento de compaixão que tem que estar presente naqueles que têm fé. Essa fé tem que nos levar a assumir uma postura profética, a perder o medo de nos comprometermos e lutar para acabar com esse crime que tanto atinge a vida de pessoas inocentes. O compromisso de cada um, de cada uma, o compromisso de todos e todas é decisivo para superar aquilo que condiciona a vida de tantas pessoas inocentes: o tráfico de pessoas. Não deixemos passar mais uma oportunidade para refletir, para nos conscientizarmos da necessidade de agir firmemente em defesa das vítimas. Elas têm que ser a prioridade sempre, não podemos renunciar a isso. Cada pessoa que é salva é mais uma vida que é recuperada. Depende de cada um, cada uma de nós, avançar nesse caminho. Editorial Rádio Rio Mar

Cimi lança Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil: “estar ao lado daqueles que mais precisam”

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) lançou nesta segunda-feira, 28 de julho, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília, o Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – dados de 2024, que retrata os diversos tipos de violência e seus responsáveis. O relatório analisa as violências e violações praticadas contra os povos originários no Brasil, divididas em três seções: violência contra o patrimônio indígena, violência contra a pessoa e violência por omissão. O evento iniciou com rituais dos povos Guarani Kaiowá, Patoxó e Tubinambá.   A Igreja ao lado dos que mais precisam O Arcebispo de Manaus e presidente do Cimi, Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou saudando e agradecendo a todos e a todas os presentes no “momento importante do Cimi, mas, especialmente, dos Povos Indígenas que é o lançamento do relatório 2024 e que há muitos anos vem apresentando”. Saudou também os “irmãos e irmãs indígenas, representantes de tantos povos, os missionários e missionárias do Cimi” e agradeceu a Dom Ricardo Hoepers, pela oportunidade de fazer o lançamento na sede da CNBB e explicou que a ligação com a CNBB expõe que “nós somos uma expressão da Igreja do Brasil que deseja viver o Evangelho, estar do lado daqueles que mais precisam”. Antes da apresentação dos dados do relatório, o presidente ressaltou que ele “é a oportunidade visibilizarmos o lento extermínio dos povos indígenas” não tanto em “número de pessoas, mas de culturas, de línguas, da presença dos primeiros habitantes, é uma continuação de 1500, uma continuação até os dias de hoje”. O arcebispo fez um recorte onde analisa que ao “olhar a história do Brasil, nós não vamos encontrar nos nossos manuais, os ataques, as mortes que os povos indígenas sofreram durante a história desde mil e quinhentos. Nós não vamos ouvir dizer que os Goianos não existem mais. Nós não vamos ouvir dizer que os Manaós não existem mais”. Processo contínuo de luta E continuou afirmando que esse processo continua, mesmo com a luta povos indígenas “que lutaram e foram mortos, desapareceram” e a luta hoje permanece “seja nas praças de Brasília, seja nas aldeias. Seja onde for, sempre de novo recordando quem são e recordando os direitos constitucionais que têm.” O Cardeal Steiner esclareceu que “esse relatório nos ajuda a conscientizar a sociedade brasileira, especialmente em relação ao Marco Temporal” e  também que “nos ajude e que nós, como Cimi, possamos continuar a servir para que os nossos irmãos indígenas, os povos originários tenham seus direitos respeitados, direitos constitucionais respeitados e tenham casa, o seu espaço, o seu lugar. Se nós continuarmos como estamos, nós não daremos chance a tantos pequenos povos que existem, eles desaparecerão, o que nós chamamos de povos isolados”. Aproveitou para expressar gratidão pelos relatórios e dados enviados “quantas pessoas nos ajudaram, quanto esforço para a elaboração desse relatório” porque, nas palavras do presidente, “é um registro da história, se torna um documento” e disse que assim como os anteriores, será enviado para o Papa “que tem uma sensibilidade tão grande para a questão indígena, ele fala corretamente a língua do povo Quechua com quem trabalhou, esteve junto” e que ele perceba “as nossas necessidades e vá nos ajudando com as suas orações mais também com o seu testemunho e a sua palavra”. O Marco Temporal e crescimento dos conflitos Um dos destaques do relatório de 2024 são os reflexos do primeiro ano sob vigência da lei 14.701/2023, conhecida como Lei do Marco Temporal, que fragilizou os direitos territoriais indígenas. As restrições impostas pela Lei 14.701 resultaram numa demora ainda maior na demarcação de terras indígenas e, consequentemente, num aumento de conflitos territoriais. Por este motivo, 2024 foi, também, um ano marcado pela violência contra comunidades indígenas em luta pela terra. Outra abordagem contemplada é sobre as ameaças aos povos indígenas em isolamento voluntário no país e artigos com reflexões sobre temas ligados aos dados sistematizados na publicação, como racismo contra povos indígenas, a política indigenista brasileira sob a ótica orçamentária e a luta por justiça, os direitos indígenas no sistema de justiça criminal e a luta por justiça, memória e verdade acerca das violações de direitos dos povos indígenas. A união de vozes pela causa indígena Participaram do lançamento lideranças indígenas, representantes da CNBB, do Cimi e organizações parceiras da causa. Dos quais, o cacique Felipe Mura, do Amazonas, que denunciou com firmeza a atuação da empresa de potássio do Brasil na região de Autazes. O cacique Alvair Pataxó, da Terra Indígena (TI) Barra Velha, na Bahia; Ifigênia Hirto, liderança Guarani Kaiowá da TI Panambi Lagoa Rica, em Mato Grosso do Sul, destacando a resistência das mulheres mesmo diante de constantes embates, ameaças e intimidações ocorridos na retomada; e Roberto Antonio Liebgott, um dos organizadores do relatório. O relatório completo pode ser baixado no site do Cimi: https://cimi.org.br/2025/07/relatorioviolencia2024/

Diocese de Borba celebra o Jubileu da Juventude

Com a temática, “Juventude, peregrinos entre rios, anunciadores da esperança” sob a luz do lema; “Nas margens do Rio Madeira floresce a esperança em Cristo” a diocese de Borba, cumprindo o calendário, realizou o ll Congresso da Juventude Nos dias 25, 26 e 27 de julho de 2025, no município de Nova Olinda do Norte, na Forania São Mateus.  Estiveram presentes cerca de oitocentos jovens das quatro foranias para celebrar o Jubileu da Juventude com o Congresso Diocesano.  O local escolhido para sede foi a Escola Estadual de Tempo Integral Professora Rosária Marinho Paes. A prefeita do município de Nova Olinda do Norte, Professora Aracy, esteve presente e em seu pronunciamento incentivou a juventude para o seguimento do caminho de bondade, sonhos e realizações. “A juventude mora no coração da Igreja e é fonte de renovação da sociedade. Os jovens de todos os tempos e lugares buscam a felicidade” (DOCUMENTO – CNBB, 85), nesta afirmativa, Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva pontuou o propósito da Juventude peregrina. O peregrino está em movimento e segue com o coração cheio de esperança para nunca estagnar. A juventude deve seguir como âncora, fixa em Cristo. O bispo diocesano também acolheu a juventude chamando-a de felizes e amados, pois este é também o ano do jubileu, tem na centralidade o perdão, a alegria e a misericórdia. A origem da prática do jubileu está em Levítico 25, anunciado pelo Papa Francisco. Assim, concomitante ao jubileu da Juventude no Vaticano, também acontece o Congresso da Juventude da Diocese de Borba. Apoiados na temática do jubileu, “Peregrinos da esperança”, o objeto da esperança é a Santíssima Trindade. Assim a juventude deve vencer o pessimismo, que é um dos pecados contra a esperança – nenhum jovem pode ser pessimista, nos exortou Dom Zenildo. Outro pecado contra a esperança é o egoísmo, sendo este a raiz de todo pecado. Apontamentos como, “A Esperança é virtude obrigatória para o Cristão”. “A esperança não decepciona”, “a esperança é a luz que vence as trevas” foram proclamadas para os jovens, bem como a afirmativa do Papa Bento XVI, “Deus é o fundamento da esperança”. Sendo esta a vertente formadora na qual seguiu o ll Congresso da juventude da diocese de Borba. O Documento Christus Vivit diz que “a verdadeira juventude é ter um coração capaz de amar. E a fonte da vida e da fé está na palavra de Deus.” Outro apontamento reflexivo  do evento seguiu para a encíclica Documento Laudato Sí, por conta da crise climática global,  uma vez que “não podemos ignorar que, nos últimos anos, temos assistido a fenómenos extremos, a períodos frequentes de calor anormal, seca e outros gemidos da terra que são apenas algumas expressões palpáveis duma doença silenciosa que nos afeta a todos (LAUDATE DEUM, CAP. 1), bem como o Documento de Aparecida e o “Querida Amazônia” que foram estudados nas oficinas ofertadas pela assessoria do Congresso. Dinâmica esta que dividiu a juventude em grupos nas salas para abordagem das temáticas; Liderança e espiritualidade ecológica; Igreja missionária em saída; Formação do discípulo missionário; Grupos de Jovens; Vocação; Juventude; Espiritualidade e ecologia integral; Sinodalidade e A missão da família no acompanhamento dos jovens na igreja. Outro ponto importante do momento foi a “Caminhada Ecológica” que a juventude realizou, com brados de alegria e louvor, fechando a tarde do dia vinte e seis até a frente da Igreja Matriz Nossa Senhora de Nazaré. O momento cultural ficou com a participação da Banda Ministério Santa Cruz, da arquidiocese de Manaus, que animou e rezou com todos os congressistas. No dia 27 de julho, neste domingo o encerramento do evento se deu com a Santa Missa, presidida por Dom Zenildo, que em sua homilia frisou que na primeira Leitura “Abraão conversa com Deus e sente a sua presença por meio da oração. A oração é o diálogo com Deus, é preciso ter a vivência da oração para discernir, para evangelizar e evangelizar não é ativismo, evangelizar é estar a serviço do reino de Deus, como fez Abraão. Em seguimento na explicação, o bispo diocesano frisou que a segunda leitura coloca você diante do poder da cruz, do amor e da presença de Deus, todo ser humano tem o valor da dignidade. O Evangelho mostrou o amor de Jesus por nós. E um dos ensinamentos de Dom Zenildo para os jovens foi que a juventude não divide, a juventude uni e evangeliza. O jovem cristão não desmata, ele planta! Para isso a Juventude precisa estudar sobre a ecologia que fala da presença de Deus na Laudato Sí. A Juventude é convocada por Cristo ao ministério, os jovens devem fazer, devem executar, devem protagonizar, devem anunciar o caminho da salvação, deixar crescer e brilhar o rosto de Cristo, com característica amazônica, pois temos coisas bonitas para enaltecer, como a nossa identidade. A igreja acredita e tem esperança na força da juventude. A igreja jovem necessita da missão, do SIM, e do entusiasmo. Ainda na celebração de encerramento, o bispo proferiu a oração das Indulgências plenárias para toda juventude congressista.  E o coordenador de pastoral diocesano, Ademir Jackson anunciou a entrada da simbologia que identificaria a forania que sediará o próximo Congresso. No ensejo, o grupo musical tocou o hino do município de Borba e uma jovem adentrou o local com o banner da imagem de Santo Antônio, revelando que a Forania São Marcos – Borba AM, será sede do próximo congresso da juventude, no ano de 2027. E assim encerrou-se o ll Congresso da Juventude da diocese de Borba. Rezemos para que todos sigam com o coração cheio de esperança e entusiasmo, prontos para levar os ensinamentos e a energia adquiridos para nossas comunidades. Que cada jovem saia inspirado a fazer a diferença, vivendo a fé com alegria e compromisso. Juntos, poderemos construir um futuro mais solidário, com espiritualidade ecológica. Agradecemos a todos os envolvidos neste evento e um agradecimento muito especial à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), por seu apoio, inspiração e pela confiança depositada em nossa juventude…
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Catequese indígena: “descobrir Deus e nossa relação com Ele, com os outros, com a natureza”

Mais de 300 catequistas da Amazônia se reuniram de 24 a 27 de julho em Castanhal (PA), para participar do Nortão da Catequese, que teve como tema: “Iniciação à Vida Cristã na Amazônia: Anúncio, Mistagogia e Ecologia Integral.” Tem sido dias de partilha de experiências para oferecer elementos para as igrejas locais em seus processos catequéticos, fortalecendo a pluralidade da identidade amazônica. Catequese indígena no Alto Rio Negro Uma dessas experiências foi partilha pela catequista indígena da paróquia Nossa Senhora Aparecida, diocese de São Gabriel da Cachoeira, Deusimar Uahó, do povo desano. Na Igreja do Alto Rio Negro, com 294 mil quilómetros quadrados, moram 24 povos originários, com uma forte influência das cosmovisões indígenas, entendendo a catequese como “nosso descobrir a Deus e nossa relação com Ele, com os outros, com a natureza”, segundo a catequista indígena. Depois da chegada dos primeiros missionários, e do processo de colonização que se deu naquele momento, a catequese indígena está fazendo um caminho de ressignificação, seguindo um princípio norteador: “a boa nova da cultura dos povos indígenas, acolhe a boa nova de Jesus.” Segundo Deusimar, “nossa relação com Deus, Tupãna, Oãkʉ, O’amʉ, com nossos antepassados, nossos pais e mães primeiros, vem do sagrado de nossas culturas e religiosidades. Nossa catequese nasce, se desenvolve aí, é em casa/nossa aldeia que somos educados ao sagrado e à espiritualidade”. Ressignificar   “Essa ressignificação do sagrado está sendo realizada a partir do conhecimento tradicional dos povos, valorizando e rezando como batizados, fazendo essa relação, para caminhar junto em diálogo intercultural entre a Igreja e o sagrado dos povos indígenas”, ressalta a catequista. Nas comunidades, como parte da espiritualidade indígena, ela destaca “a nossa partilha, a hospitalidade, as nossas orações, os nossos catequistas antigos que ainda têm vivido essa vocação em nossas comunidades, é essa nova geração que vem trazendo também um resgate cultural, inserindo dentro da Igreja os nossos valores, os nossos rituais, as nossas línguas, músicas, trabalhando também os nossos nomes tradicionais”. Um processo devagar, mas que vem tendo cada vez mais visibilidade, ajudando a entender a importância da sua identidade como povo indígena. Durante décadas a Igreja do Rio Negro foi confiada aos Salesianos e Salesianas, sendo a educação, os internatos e as comunidades elementos importantes na missão. Após o Concílio Vaticano II e o encontro e Documento de Santarém, em 1972, os internatos são fechas e a catequese se realiza nas comunidades, sendo criado o ministério do catequista em cada comunidade, com um grande avanço na formação desses catequistas e de outros agentes. Nessa época começam a aparecer as vocações indígenas à Vida Religiosa e o presbiterato, os indígenas do Rio Negro para o mundo. Se realizam assembleias pastorais, se avança no processo de inculturação, recolhendo a proposta do Documento de Aparecida para ser discípulos missionários. Diálogo intercultural Em 2015 acontece uma missão da Catequese: “A boa nova das Culturas acolhe a Boa Nova de Jesus”, incentivando o diálogo intercultural. Também foi de grande importância o Sínodo para a Amazônia, a figura do Papa Francisco e sua valorização dos povos e culturas indígenas e sua exortação pós sinodal Querida Amazônia. Deusimar destaco o impulso que está sendo dado pelo atual bispo, dom Raimundo Vanthuy, que define como bispo pastor e sinodal. Está se avançando numa catequese integral, onde é valorizada a partilha, os encontros comunitários, as convivências, a participação dos catequizandos, o resgate cultural: artes, línguas indígenas, medicina indígena, povo, rios, territórios, nomes tradicionais, grafismos, dentre outros elementos. O novo bispo, com esse olhar sinodal, “ele tem dado essa abertura para que os indígenas tenham esse espaço para manifestar, expressar a sua fé a partir dos seus valores locais. Ele é um bispo que está indo aonde os indígenas estão para conhecer a realidade local e ele tem se mostrado que ele quer aprender, quer partilhar o que ele sabe e aprender também com ele os caminhos que ele pode nos direcionar como bispo”, destacou a catequista indígena. Ela agradeceu o incentivo e apoio do bispo para poder participar do Nortão da Catequese”.

Ordenação de Michel Carlos da Silva: “Ministério Diaconal é Encarnação”

Na manhã desde sábado, 26/07, a Arquidiocese de Manaus acolheu, com muita alegria, pela imposição das mãos do Bispo Auxiliar, Dom Zenildo Lima, seu mais novo diácono, Michel Carlos da Silva, que escolheu como lema “O verbo se fez Carne e habitou entre nós” (Jo,1 14), A celebração aconteceu na Comunidade São Paulo Apóstolo, Área Missionária São João Paulo II, bairro Jorge Teixeira. Dom Zenildo iniciou a celebração dizendo que “a comunidade está em festa,toda a nossa Igreja de Manaus!” e enfatizou que a Igreja de Manaus é “uma Igreja ministerial”. Ele convidou para que a “Eucaristia enriqueça a nossa experiência de Igreja, que se faz carne e arma a sua tenda no meio das pessoas, no meio desta Amazônia, que essa Eucaristia renove a nossa disponibilidade para o serviço, nos diversos ministérios que se reúnem nesta celebração, que essa Eucaristia faça bem a todos nós” reforçando a ideia do lema escolhido. A solicitude do ministério é reflexo da comunidade Em sua homilia, insistiu que a solicitude é uma “ação tão urgente, tão necessária, tão essencial pra esses tempos de referencialidade com o risco de ministérios e ministros que pensam em si mesmo e a partir de si mesmo” e seguiu dizendo que a Igreja pede que “seja um ministério de solicitude, que seja um ministério de mansidão”. E aproveitou para recordar que “vivemos tempos violentos, vivemos tempos intolerantes, tempos de serviços que mais do que amenizar as dores do povo parecem impor pesos maiores e insuportáveis”. E novamente pediu um “ministério de mansidão,e um ministério na constância na intimidade com Jesus”. Dom Zenildo disse também que o pedido para esse ministério a ser “vivenciado, conferido, entregue e exercido pelo Michel é um reflexo da vida da comunidade. A gente não reflete só o ministério da pessoa, do indivíduo, do sujeito, a gente reflete também a vida ministerial da comunidade e a Palavra que vai nos ajudar a gente compreender essa vida, essa identidade comunidade essa identidade do ministério.” A Palavra plenifica a identidade comunitária O presidente da celebração conduziu os presentes a pensar que na Palavra encontramos experiências que ainda permeia nosso tempo “É uma comunidade com uma realidade de diversidade. tem gente de todos os lugares, de todas as origens, de todas as experiências precedentes que agora estão fazendo parte da comunidade como as nossas comunidades que foram frutos de processos de ocupação, de pessoas que vieram de tantos lugares, tantos bairros diferentes, de tantas histórias diferentes.” Destacou que há pessoas de um percurso de experiência religiosa anterior e que se aproximaram “da vida da comunidade: tem gente pequena, tem gente pobre, tem mulheres, tem pessoas estrangeiras na comunidade”, e por isso “nascem conflitos por causa dessa diversidade as pessoas mais pobres, as mulheres, as viúvas”. O sentimento é de que “estão sendo deixadas pra trás porque existe uma ocupação, uma preocupação, uma atenção maior da comunidade”. Um ministério em direção aos pequenos O Dom Zenildo explicou que no texto o “drama e o conflito que se apresenta na comunidade não se resolve com a tentação de tornar todo mundo igual, uniformidade. A comunidade busca respostas diferentes. Recorre a autoridade dos doze” e eles “respondem com os sete, não mais os doze, mais os sete. Essa resposta, segundo o bispo auxiliar, nos aponta que “o ministério se abre na direção dos pequenos dos pobres, dos estrangeiros. A Igreja sempre costuma se afirmar a partir dos doze da sua solidez”, mas também que “se construiu a partir dos sete, da missionariedade, da disponibilidade, do tornasse Igreja em saída” alicerçada sobre a experiência dos doze, mas também na experiência dos sete porque que “vai ao encontro de pessoas”. A Vocação como força e inspiração para as comunidades Dom Zenildo questionou como a comunidade encontra esta inspiração, força e respostas? E respondeu que “a comunidade invoca o Espírito de Deus. Para que o Espírito suscite respostas” e acrescentou que “os ministérios são sempre respostas do Espírito para as necessidades que aparecem no seio da comunidade.” E continuou afirmando que “a ordenação do Michel hoje é fruto de um processo vocacional, pessoal, comunitário. É fruto de uma caminhada de formação presbiteral, que envolve o seminário, casas de formação, mas é também uma resposta do Espírito pra esses tempos que nós estamos vivendo”. Ministério Diaconal é Encarnação Retornado ao lema escolhido, do evangelista São João, o bispo disse que “mostra a realização Deus de modo muito aproximado. O Verbo se fez Carne e habitou entre nós” e essa e a “compreensão do amor de Deus”, que é falar do ministério “como participação desta escolha de Deus, de realização da proximidade de Deus” e completou que o “Ministério Diaconal é Encarnação”. Ele ressaltou que o “Ministério Diaconal faz parte desse processo encarnatório que começou com a palavra de Deus e que é continuado pela Igreja, Igreja também se faz carne, ministério é encarnação da igreja, Michel você se faz carne”. Dom Zenildo desejou que a “palavra amorosa de profecia, de promessa de Deus se transforme no teu serviço na vida das pessoas” e disse também que “a grande inspiração, a grande realização ministerial, de serviço a grande realização desta encarnação é Jesus Cristo”. Explicou que nossa compreensão do Ministério do Diácono passa pelo horizonte dos serviços: da palavra, da pregação, da animação bíblica, da liturgia, do cuidado do altar, da mesa, da promoção humana, da caridade e que isto “é próprio da encarnação”. Retomou o texto da primeira leitura onde os diáconos “tinham diante de si um problema, uma situação de carência do povo, daquelas mulheres, daquelas viúvas” reafimando que o diaconato “é um trabalho, de Palavra, é Trabalho de mesa, é trabalho de compaixão humana, de encarnação e a gente se inspira sempre na pessoa de Jesus, o Verbo que se faz Carne. A vida de Jesus, o ministério de Jesus é um ministério de realização da promessa do Pai, da palavra do Pai. A vida de Jesus é um ministério de serviço à mesa.” Presença na realidade concreta das pessoas No…
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Congresso Missionário de Seminaristas (COMINSE) tem expressiva participação do Norte

Entre os dias 21 e 26 de julho, a capital piauiense acolheu o 5º Congresso Nacional Missionário de Seminaristas (COMINSE). O evento aconteceu no Seminário Maior Sagrado Coração de Jesus, da Arquidiocese de Teresina, e reuniu cerca de 240 participantes entre seminaristas, formadores, reitores e bispos de 79 dioceses e arquidioceses, além de três congregações religiosas. Celebrando 40 anos de caminhada dos COMISEs (Conselhos Missionários de Seminaristas) no Brasil, o congresso teve como tema “Discípulos da Esperança“, com o objetivo de fortalecer a consciência missionária nos seminários, cultivar a comunhão entre os COMISEs regionais e promover uma formação presbiteral mais sensível, pastoral e comprometida com a missão evangelizadora da Igreja. A programação contou com conferências, painéis temáticos, oficinas, momentos de oração e noites culturais. O COMINSE contou com a participação de Dom Maurício da Silva Jardim, Bispo da Diocese de Rondonópolis-Guiratinga e Presidente da Comissão para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB; Dom José Albuquerque, Bispo da Diocese de Parintins e membro da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada; Padre Vagner João Pacheco de Moraes, Presidente da Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB); e Pe. Alessandro Brandi, representante da Obra de São Pedro Apóstolo, de Roma. Norte em destaque A Região Norte teve participação expressiva no evento, em seus respectivos regionais. Entre os representantes do Regional Norte 1 da CNBB destaca-se seminaristas das seguintes Igrejas Particulares: Arquidiocese de Manaus (1), Diocese de Roraima (2), Diocese do Alto Solimões (2), Diocese de São Gabriel da Cachoeira (1), Diocese de Borba (1), Diocese de Coari (1), Diocese de Parintins (1) e Prelazia de Itacoatiara (1). A presença significativa do Norte reafirma o compromisso missionário da Igreja na Amazônia e o protagonismo de seus seminaristas no processo de construção de uma Igreja mais encarnada, dialogante e sinodal. O COMINSE 2025 deixa como legado a renovação do ardor missionário nos corações dos futuros presbíteros do Brasil e uma forte mensagem de esperança diante dos desafios da evangelização contemporânea. Seminarista Lucas Santos Maia (Diocese de Roraima)Assessor de Comunicação do Comise Labontè

Cardeal Steiner no Nortão da Catequese: Na Amazônia, uma catequese inculturada

A diocese de Castanhal (PA), acolhe de 24 a 27 de julho o 1° Nortão da Catequese, com a presença de mais de 300 catequistas dos Regionais Norte 1, Norte 2, Norte 3 e Noroeste da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. O tema do encontro é “Iniciação à Vida Cristã na Amazônia: Anúncio, Mistagogia e Ecologia Integral”. A Igreja deve crescer na Amazônia Em sua reflexão sobre “A Igreja deve crescer na Amazônia (QA 66): Querigma, um anúncio de Esperança”, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da CNBB, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, tentou demonstrar “a relevância, a identidade e as características do anúncio querigmático no território amazônico, iluminado pelas reflexões do Jubileu 2025, tendo em conta que os povos da Amazônia ‘têm direito ao anúncio evangelizador’, (QA, 64); o Evangelho da Esperança”. O Documento Final do Sínodo sobre a Sinodalidade nos leva a dizer, segundo o cardeal Steiner, que “somos todos enviados para anunciar Jesus nossa Esperança.” Ele explicou a origem da palavra catequese, “instruir por viva voz”, insistindo em que “a Catequese é anúncio”. Inspirado na Evangelii Nuntiandi de São Paulo VI, o arcebispo de Manaus falou de “anúncio decisivo para a vida da Igreja, para ser Igreja”, de ser crístico, de “chegarmos, todos juntos, à unidade na fé e conhecimento do Filho de Deus”, segundo ensina São Paulo. Fazer ecoar o novo Reino O cardeal lembrou a importância significativa da catequese, segundo São João Paulo II, uma importância que brota dos Evangelhos, que leva a ver a catequese como “fazer ecoar pelo mundo inteiro o novo Reino, o Reino de amor, a vida da Trindade, a todas as criaturas, como Jesus com sua vida, palavra, gestos, morte e ressurreição”. Se trata, seguindo as palavras do Catecismo da Igreja, de fazer discípulos e discípulas, de aprofundar na fé. O Papa Francisco ressaltava a presença no Novo Testamento de batizados que exerceram o ministério de transmitir o ensinamento dos apóstolos. Nesse sentido, o arcebispo de Manaus vê a catequese como “o ecoar da vida recebida de Jesus Crucificado-Ressuscitado, o Reino de Deus”, uma ideia presente em Lumen Gentium. Mas também, seria “a possibilitação de encontro, um modo de ser que gera relações novas, uma nova fraternidade, leva à pertença a uma nova comunidade”. Um anúncio que “deve ressoar constantemente na Amazônia”, enfatizou o presidente do Regional Norte 1 da CNBB, seguindo Querida Amazônia. Ele mostrou que o Documento Santarém, em 1972, “sinalizou que a evangelização tornaria visível a Jesus crucificado-ressuscitado pela encarnação na realidade e pela libertação dos filhos e filhas de Deus.” Isso porque a catequese “deseja despertar para a presencialização de Deus na realidade de hoje na Amazônia”, que demanda uma “catequese que leve em consideração a realidade concreta das comunidades”, sublinhou o cardeal. Uma catequese que seja “evangelização libertadora”, e “não seja um código de doutrinas, um manual de moral, de regras a serem seguidas”. Cresce na vida em Cristo com rosto amazônico “A catequese possibilita crescer na identidade cristã, na vida em Cristo. A vida em Cristo com rosto amazônico”, segundo o cardeal. Ele refletiu sobre o conceito de identidade, como “um processo existencial de ser”, e afirmou que “identidade cristã tem a ver com o que damos ao nosso ser discípulo missionário, discípula missionária”, e junto com isso, “é a responsabilidade em ser sempre cada vez mais livremente discípula missionária, discípulo missionário.” Por isso, “a catequese deveria ser esse despertar para possibilitar uma participação, um pertencimento a Cristo”. Um iniciar à vida cristã que acontece na comunidade, que cuida para que “haja a catequista, o catequista, que ajude à iniciação à vida cristã, no aprofundamento da vida segundo o Evangelho.” Na Amazônia isso se concretiza nas Comunidades Eclesiais de Base, “primeiro e fundamental núcleo eclesial, que deve, em seu próprio nível, responsabilizar-se pela riqueza e expansão da fé”, seguindo a proposta de Medellín e Santarém. Uma dinâmica que tem a ver com a sinodalidade, tão presente na Amazônia. É por isso que “a catequese numa comunidade de espírito sinodal na Amazônia, desperta a comunidade para a presença estável de responsáveis leigos, maduros e dotados de autoridade”. Um processo necessário de inculturação Para crescer na Amazônia, a Igreja deve, afirmou o arcebispo de Manaus, “moldar a sua própria identidade na escuta e diálogo com as pessoas e realidades e histórias do território, desenvolvendo cada vez mais um processo necessário de inculturação”, com uma catequese que não despreza as culturas amazônicas, nem “a riqueza de sabedoria cristã transmitida ao longo dos séculos pela piedade das comunidades.” Ele lembrou a insistência de Papa Francisco na inculturação, pois “a graça supõe a cultura”, em um movimento duplo, uma dinâmica de fecundação e outro de recepção por parte da Igreja. Nessa perspectiva, “a catequese aberta à receptividade das culturas, por exemplo indígenas, torna-se uma riqueza para a evangelização, para ser e existir da Igreja”, segundo o cardeal, citando exemplos disso. Uma inculturação que “tem a ver em formar catequistas indígenas”, com “ministérios que sejam expressão do estilo de vida, da cultura do povo”, com um acolher as riquezas culturais na catequese, na liturgia, nos Sacramentos, na organização da comunidade eclesial e os ministérios. Diante da realidade amazônica, marcada por diversas dificuldades, “o ministério do catequista recebe nessa realidade uma verdadeira missão: realizar o querigma”, disse o arcebispo de Manaus. Ele insistiu em que “para conseguir uma renovada inculturação do Evangelho na Amazônia, a Igreja precisa escutar a sabedoria ancestral, voltar a dar voz aos idosos, reconhecer os valores presentes no estilo de vida das comunidades nativas, recuperar a tempo as preciosas narrações dos povos”, reconhecendo os valores já recebidos dos povos da Amazônia. Uma catequese chamada a ser hermenêutica da totalidade, presente nos quatro sonhos de Querida Amazônia, que são dimensões do todo. O arcebispo defende “uma sensibilidade para não impor, mais uma vez, a cultura, as expressões religiosas, as devoções.” Nesse sentido, ele insiste em que “as estruturas sociais, as expressões culturais, os seres na sua totalidade, a comunidade de fé, necessitam ser…
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Regional Norte 1 no 5º Congresso Nacional da CPT

A Comissão Pastoral da Terra Regional Amazônia se faz presente no 5º Congresso Nacional da Comissão Pastoral da Terra, que está sendo realizado em São Luís do Maranhão de 21 a 25 de julho de 2025. Uma oportunidade para celebrar o Ano Jubilar e ser presença, resistência e profecia junto aos povos da terra, das águas e da floresta. CPT 50 anos O tema que conduz o congresso é “CPT 50 anos – Presença, Resistência e Profecia” e o lema “Romper Cercas e Tecer Teias: A Terra a Deus Pertence! (cf. Lv 25)”. Numa grande tenda são realizadas as plenárias, as discussões e as celebrações. E em sete tendas, com nomes inspirados em danças culturais e ancestrais dos povos negros e indígenas, são partilhadas as experiências, com momentos de reflexão sobre as diversas lutas camponesas e a contribuição da CPT como presença solidária junto aos povos para o enfrentamento do latifúndio, da exploração e da expropriação pelo grande capital, que historicamente o Brasil tem uma dívida social. Um momento destacado tem sido a Caminhada dos Mártires, com uma celebração e a caminhada no Centro Histórico de São Luís. “Uma caminhada muito marcante, muito forte, para fazer memória a todos os povos que foram tombados pela violência desse grande capital, com os povos que defendem a vida, e defendem a terra, e defendem o bem viver”, segundo os participantes. Nossa voz jamais vai se calar Um momento de aprendizado, segundo Francisco Batista Arcanjo, do município de Tonantins, na diocese de Alto Solimões. Ele insiste na necessidade de mais agentes para realizar o trabalho da CPT na região, “junto do povo ribeirinho, aquele povo que sofre pelas ameaças do narcotráfico da região que assola os ribeirinhos.” O agente da CPT destaca o conhecimento e sabedoria que está descobrindo no congresso, a riqueza de cada cultura e a luta pelos territórios, pela água, pela floresta, pelas reservas, pela preservação dos lagos. É por isso, que ele enfatiza que “nossa voz jamais vai calar e vamos estar juntos nessa luta”. Alberto dos Santos de Oliveira mora no assentamento da Reforma Agrária PA Panelão, no município de Careiro Castanho. Ele vê como grande dificuldade os incêndios: “quando ele vem, ele vem desbastando tudo e acabando com as nossas plantações, nossas criações.” Alberto é criador de abelhas e produtor de mel, e já perdeu 10 caixas de abelha por causa do incêndio. “O incêndio acaba a floresta e acaba a florada, e a abelha não tem como se alimentar e morre”, disse o apicultor. Do congresso, ele destaca sua importância, a busca de conhecimento, as trocas de sementes crioulas. Uma riqueza para ele e para sua comunidade. Ameaças aos ribeirinhos Adilson da Costa Silva, de Parintins, trabalha com os ribeirinhos do Baixo Amazonas, na regularização fundiária e acordos de pesca. Ele disse que “a importância da participação aqui no Congresso da CPT é que nós trazemos também as nossas experiências e a esperança de que esse trabalho continue e ele possa se ampliar para as outras áreas, inclusive não só na nossa região, mas na calha do Rio Amazonas e Solimões, onde os ribeirinhos moram e estão ali entre os pecuaristas”. Segundo Adilson, “é preciso regularizar esse território para que eles tenham território reconhecido. Os ribeirinhos são povos tradicionais, mas não têm território reconhecido. E é isso que nós buscamos junto à CPT”. Da comunidade ribeirinha Centenário, no município de Itacoatiara, participa no 5º Congresso da CPT, Anilson Costa de Oliveira. Em suas lutas, ele denuncia as empresas supranacionais que querem expulsá-los de suas comunidades. Ele vê o congresso como espaço de apoio às comunidades que lutam por um pedaço de terra.