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Proteção contra Abusos no Regional Norte 1: Ser uma Igreja que cuida, que sabe consolar

O Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) tem como causa permanente em suas Diretrizes para a Ação Evangelizadora o enfrentamento ao abuso sexual e a exploração de crianças e adolescentes. Uma urgência que tem avançado com passos concretos que ajudam a ir adiante no caminho percorrido pelo Regional e pelas nove igrejas locais que fazem parte dele. Formação e partilha dos passos dados Nesse caminho, o encontro da Comissão Ampliada de Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis do Regional Norte1, que está acontecendo em Manaus de 4 a 6 de abril de 2025, está sendo um momento de grande importância. Um espaço de formação, mas também um momento de partilha dos passos que estão sendo dados como Regional Norte 1 e como igrejas locais. Esse caminho comum como Regional Norte 1 é algo muito presente no trabalho da comissão ampliada. Diante das dificuldades que existem na região, o trabalho como comissão é um modo de “nós como Igreja ajudar”, segundo o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, cardeal Leonardo Ulrich Steiner. Ele insistiu em que é “uma verdadeira pastoral, porque se trata do cuidado”, mostrando o grande esforço dos bispos das nove igrejas locais, dado que “nós queremos como Igreja trabalhar juntos.” Aprender a cuidar, estar presentes, consolar Com relação ao encontro, o presidente do Regional Norte 1 ressaltou sus importância, “para irmos devagarinho entrando na dinâmica que a Igreja pede e para trocar ideias que permitam ajudar às famílias.” Daí a necessidade de “aprender para podermos ser uma Igreja que cuida, uma Igreja que esteja presente, uma Igreja que sabe consolar”, e faz isso como Regional. Um aprendizado mútuo, dado que “às vezes a gente não sabe”, afirmou. É por isso que “todos queremos aprender como podemos melhor servir, um serviço evangelizador porque é um serviço de escuta, é um serviço de cura”, seguindo o exemplo de Jesus, que cura primeiro o coração, a alma. O cardeal Steiner enfatiza que “podemos dar uma grande colaboração como Igreja, aos poucos isso vai entrando nas comunidades.” Nesse sentido, o arcebispo de Manaus relata situações de pessoas adultas que foram abusadas sendo crianças, “mas a ferida está aí”, o que demanda, segundo ele, “ver como dar uma resposta a essas pessoas.” O presidente do Regional Norte 1 agradeceu explicitamente a participação de cada um e cada uma que faz parte da comissão ampliada, “numa iniciativa da Igreja do Regional para o cuidado”, que ele define como “disponibilidade de irmos aprendendo para melhor servir.” Essa é uma experiência única no Brasil, o trabalho conjunto como Regional no enfrentamento ao abuso e exploração de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis. Um caminho que vai se concretizando Um caminho que vai se concretizando de diversos modos nas igrejas locais do Regional Norte 1, que estão realizando formação em diversos níveis, algo que ajuda a perceber a seriedade dessa temática e dessa prática do combate ao abuso e exploração de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis. Um caminho que ajuda a aprender novos conceitos, daí a importância do “Decreto, Regulamento e Manual de Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis”, elaborado pelo Regional Norte 1, e que é visto pelos membros da comissão ampliada como um norte no trabalho, não só para a Igreja católica como para a sociedade para trabalhar na linha da prevenção. Nessa perspectiva, se faz necessário, como foi partilhado no encontro, a necessidade de cuidar e deixar se cuidar. Para isso, está sendo apresentado o Manual nas assembleias diocesanas, o que ajuda o povo a tomar consciência. Um trabalho que também está sendo realizado com os catequistas e outras pastorais e espaços eclesiais. Isso ajuda a, diante de um tema muito delicado, o povo ter esperança de que a Igreja está tendo cuidado, a Igreja está se interessando na prevenção, está aprendendo a caminhar. Uma temática a ser conhecida pelas lideranças Algo presente na realidade do Regional Norte 1, que também condiciona o trabalho da comissão, são as grandes distancias dentro das igrejas locais. Não pode ser esquecido que esse é um tema que precisa de conscientização, ainda mais diante da rejeição de algumas pessoas ao trabalho de prevenção. Se faz necessário aprofundar cada vez mais no conhecimento do Manual, que seu conteúdo seja levado ao conhecimento do povo. Um trabalho, que dada a realidade de algumas igrejas do Regional Norte 1 ultrapassa as fronteiras do Brasil. Um encontro que pretende ajudar a perceber em que nível está cada Igreja local para diante da diversidade poder articular o trabalho em rede. Para isso, se pretende avançar na construção da Rede de Proteção, de um sistema de garantia de direito, a partir daquilo que já se tem no Regional e cada uma das nove igrejas locais, em vista de um melhor atendimento e acompanhamento, sempre em conexão, em rede.

Diocese de Coari realiza encontro do clero e Missa dos Santos Óleos em Anori

A paróquia da Imaculada, em Anori, acolheu, de 01 a 04 de abril de 2025, o encontro do clero da diocese de Coari, que foi encerrado com a celebração da Missa dos Santos Óleos. A abertura aconteceu com a celebração da Eucaristia na Igreja Matriz, presidida por dom Marcos Piatek e concelebrada pelos padres e diáconos, que atualmente trabalham pastoralmente nas 11 paróquias da diocese. Encontro, troca de experiências e partilha da missão Durante o encontro, coordenado pelo Pe. Edinaldo dos Santos, coordenador da Pastoral Presbiteral da diocese de Coari, além dos momentos de oração, aconteceu a reflexão sobre o ministério presbiteral, troca de experiencias e a partilha de vida e missão presbiteral. Ao lado dos temas ligados à vida presbiteral, foram abordadas também as pautas pastorais, tendo momentos de convivência presbiteral e lazer. Na quinta-feira, dia 03 de abril, na Matriz da Paroquia Imaculada Conceição, em Anori, foi celebrada com muita alegria e fé a renovação das promessas sacerdotais e a Missa dos Santos Óleos, presidida pelo bispo diocesano, dom Marcos Piatek, e concelebrada por seus presbíteros e diáconos. Esta liturgia é celebrada normalmente na Quinta-feira Santa pela manhã na catedral. Ali, reúnem-se o bispo local com os seus sacerdotes para uma belíssima e solene celebração eucarística. Na diocese de Coari, por causa das distancias muito grandes, se realiza esta liturgia com antecedência. Uma celebração em que os presbíteros da diocese de Coari mostraram sua gratidão a Deus pelo dom do sacerdócio. Presbíteros e diáconos que doam a sua vida servindo o povo de Deus da diocese de Coari. Também foi oportunidade para rezar pelas boas e santas vocações e pela perseverança do clero e dos seminaristas. Perguntas do bispo Dom Marcos, diante de Jesus no Tabernáculo, diante do povo de Deus, perguntava aos presbíteros: “Filhos caríssimos, quereis renovar as promessas que um dia fizestes perante o vosso bispo e o Povo de Deus? Quereis unir-vos e conformar-vos mais estreitamente ao Senhor Jesus, renunciando a vós mesmos e confirmando os compromissos do Sagrado Ministério, que levados pelo amor de Cristo, assumistes com alegria em relação à Igreja, no dia da vossa ordenação sacerdotal? Quereis ser fiéis distribuidores dos mistérios de Deus, pela missão de ensinar, pela Sagrada Eucaristia e demais celebrações litúrgicas, seguindo Cristo, Cabeça e Pastor, não levados pela ambição dos bens materiais, mas apenas pelo amor aos seres humanos?” Após cada pergunta do bispo os padres responderam: “Quero!” Em seguida, o bispo diocesano presidiu a benção dos Santos Óleos, que foram levados um por um pelos presbíteros e apresentados ao povo de Deus. Dom Marcos abençoou os óleos dos Catecúmenos, dos Enfermos e consagrou o Santo Crisma. Ele lembrou que o Óleo dos Catecúmenos é destinado aos catecúmenos, aqueles que se preparam para receber o Batismo, independentemente de sua idade. Esse óleo é aplicado antes do rito da água batismal, simboliza a libertação do mal e a força divina que penetra na vida do catecúmeno. O Óleo dos Enfermos é utilizado no sacramento da Unção dos Enfermos, esse óleo representa a força do Espírito Santo para enfrentar a provação da doença e fortalecer o enfermo em sua jornada. O enfermo é ungido na testa e nas mãos, como gesto de consolo e fortalecimento espiritual. Finalmente, o Óleo do Crisma é uma mistura de óleo e bálsamo que representa a plenitude do Espírito Santo, indicando que os cristãos devem espalhar o “bom perfume de Cristo”. É utilizado nos sacramentos do Batismo, da Crisma, da Ordem e na consagração das igrejas. Antes da benção final o bispo entregou aos párocos das 11 paroquias os novos Óleos Santos e parabenizou-lhes pela evangelização na diocese. Com informações e fotos da diocese de Coari

No final do Retiro do clero, diocese de São Gabriel da Cachoeira celebra Missa dos Santos Óleos

Sob a orientação do bispo emérito da diocese de Araçuaí (MG), dom Esmeraldo Barreto de Farias, o clero da diocese de São Gabriel da Cachoeira realizou de 31 de março a 3 de abril seu retiro anual, que encerrou com a celebração da Missa dos Santos Óleos. Centralidade da Palavra Na homilia, o bispo diocesano, dom Raimundo Vanthuy Neto, destacou três imagens de Jesus no texto do capítulo 4 do Evangelho de Lucas. A primeira, Jesus voltando a Nazaré, onde experimenta fortemente ser acolhido na sua comunidade com um papel bonito de leitor da Palavra de Deus. Segundo o bispo, “a centralidade da Palavra na vida de Jesus é a Palavra que se torna central na vida do discípulo, o discípulo presbítero”, recordando que, segundo o Beato Antônio Chevrier, a primeira tarefa do presbítero, daquele que quer ser discípulo verdadeiro, é estudar nosso Senhor Jesus Cristo, é mergulhar na Palavra. Dom Vanthuy sublinhou que “a Palavra transforma, a Palavra converte, a Palavra nos faz parecidos com a Palavra, o Verbo”, o que “nos faz lembrar que toda a vida discipular e toda a vida da Igreja é um ao redor da Palavra.” Junto com isso, disse que Jesus que foi educado a uma escuta, a uma compreensão e a uma prática da Palavra.” A escuta da Palavra nos torna sensíveis Uma segunda imagem que destacou o bispo é que é dado o livro do profeta, e nesse momento “Jesus acolhe um programa dado pela profecia”, vendo nas Palavras do profeta Isaias que “a escuta da Palavra torna os homens sensíveis às experiências humanas frágeis, de opressão, de cegueira, de cativeiro, e aponta para caminhos. A Palavra conduz o homem à liberdade, conduz o homem a enxergar de verdade, a ver a partir do olhar de Deus e com o olhar também dos outros, e a enfrentar todo tipo de opressão. O bispo lembrou que “Jesus se torna sensível às fragilidades humanas, aos limites humanos, aos pobres, à pobreza, à escravidão, à cegueira e à opressão”, como um dos sinais de sua vida. É por isso que “Jesus, depois de ler o Evangelho, descobre que não tem como ler o Evangelho e ficar insensível aos sofredores, aos pequenos.” O bispo também destacou que “a Palavra nos conduz a uma missão, é um chamado à missão”, afirmando que a vida presbiteral se encontra aí. Ele lembrou aos padres a beleza da caridade pastoral, que a escuta da Palavra atenta torna o discípulo, o presbítero, um homem sensível às realidades humanas. O presbítero, como diz o Papa Paulo VI, “ele é convidado a ajudar as pessoas que estão em condições menos humanas para a passagem para condições mais humanas”. Nesse sentido, ele disse que “o Evangelho conduz a erguer os outros na sua dignidade.” Fazemos a evangelização com os outros Recordando que o texto do Evangelho diz que “ele fecha o livro e entrega ao ajudante”, dom Vanthuy disse que isso, “nos faz descobrir que Jesus também necessitou de ajuda para compreender a Palavra do Pai, para descobrir a vontade do Pai”, vendo nos pobres aqueles que ajudam a descobrir a verdadeira Palavra do Pai. Junto com isso, o bispo enfatizou que “nós somos necessitados uns dos outros”, que “nós não fazemos evangelização sozinhos, fazemos com os outros”. Isso lembra as Palavras de Papa Francisco, uma Igreja que caminha junto, em sinodalidade. Por isso, o bispo recordou aos padres que “os presbíteros precisam de uma grande ajuda do povo de Deus, das lideranças, para que a missão aconteça. Não se pode fazer missão solitária”. Dom Vanthuy destacou que “nós vivemos em um processo de que somos dependentes uns dos outros na missão”, o que pode ajudar a poder enfrentar as forças que oprimem o Rio Negro, como a bebida e o suicídio. No centenário da Igreja do Rio Negro, o bispo lembrou que “tantos homens e mulheres vieram de fora para nos educar a olhar a Jesus”. Um olhar que “aponta para as nossas reais necessidades e nos socorre.” Dom Vanthuy destacou e agradeceu a presença de Dom Esmeraldo e sua participação ativa na celebração, refletindo sobre o sentido dos óleos abençoados: batismo, para compreender melhor a Palavra; dos enfermos, para ser solidários na hora do sofrimento e dar coragem; e do Crisma, que leva os presbíteros a assumir a missão de Cristo.

Proteção de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis: “Que em qualquer suposto abuso, ele não deixe de encontrar um espaço de escuta”

Recordar a própria infância e adolescência é uma atitude que ajuda a se colocar no lugar dos outros, sobretudo no lugar daqueles que sofrem em consequência do abuso e exploração de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis. Essa recordação foi o ponto de partida do encontro da Comissão Ampliada de Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que acontece em Manaus de 4 a 6 de abril de 2025, com a participação de quase 30 representantes das nove igrejas locais do Regional. Capacitar para atuar de maneira eficaz Um encontro para contribuir na capacitação da comissão ampliada, proporcionando-lhes o conhecimento e as habilidades necessárias para atuar de maneira eficaz e sensível na prevenção ao abuso, exploração sexual de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis. O Papa Francisco insiste em que “cuidar é compartilhar paixão eclesial e competências com o compromisso de formar o maior número possível de agentes pastorais. Desta forma promove-se uma verdadeira mudança cultural que coloca os mais pequenos e mais vulneráveis no centro da Igreja e da sociedade”, um pano de fundo presente no encontro. Cuidar para que exista uma cultura de proteção A dívida com as crianças, adolescentes e adultos vulneráveis é muito grande, segundo o bispo auxiliar de Manaus e assessor da comissão dom Hudson Ribeiro, que insiste no apelo do Papa Francisco no Motu Próprio Vos Estis Lux Mundi de cuidar para exista uma cultura de proteção, algo que passa por uma consciência, por uma conversão ao respeito às crianças e adolescentes, que leve a promover os seus direitos. O bispo auxiliar de Manaus lembrou o pedido de Jesus no Evangelho para se fazer criança como condição para entrar no Reino dos Céus. Nessa perspectiva, dom Hudson disse que “tudo isso nos leva a acreditar que a gente encontra nas palavras de Jesus, a força para que a gente possa contagiar pessoas pela causa da criança e do adolescente”, algo que as igrejas do Regional Norte 1 da CNBB estão assumindo por meio da comissão ampliada e das comissões nas dioceses e prelazias. O objetivo é fazer com que as comissões tenham condições de receber informações, de refletir sobre a temática, de poder partilhar as experiências que já estão acontecendo nas dioceses e prelazias, lembra o bispo. Uma construção que ele define como sinodal, de escuta, de partilha de experiências, em vista de construir o que dom Hudson chama de mosaico da esperança, especialmente neste ano do Jubileu da Esperança, um tempo em que “a gente encontra pessoas disponíveis” para assumir essa causa, algo que ninguém pode abrir mão e que faz com que a cultura do cuidado passe do desejo, do sonho, para a realização. Um olhar de sensibilidade Para isso, o bispo ressalta que “o nosso olhar tem que ser um olhar de muita sensibilidade para ajudar a identificar quem já faz, quem já cuida, para poder otimizar essas ações, ajudar a dar uma forma mais organizada”, algo que tem criado um pouco mais de consistência, de continuidade, de construção de processos em continuidade. Igualmente, dom Hudson destaca o envolvimento cada vez maior de crianças na rede de proteção, que deve ajudar a criar uma nova cultura que surge a partir das crianças e adolescentes, que começam a se envolver nessas ações, o que ele define como maravilhoso. Entre os passos concretos dados pela comissão, o bispo auxiliar destaca que as comissões foram instaladas em todas as dioceses e prelazias do Regional Norte 1. Isso tem ajudado, pois os casos de suposto abuso estão chegando, e existe uma comissão metropolitana que recebe esses casos para serem analisados e procura estudar os casos e dar resposta às pessoas. Existem canais onde as pessoas já podem acessar, existe um protocolo de proteção, que ele é parâmetro norteador para todas as comissões, sublinha o bispo. Ele destaca que tem sido um trabalho realizado por muitas mãos, onde tem participado os bispos do Regional e muitas outras pessoas, seguindo a metodologia sinodal de escuta, de participação, de construção, de revisão, de se colocar humildemente, em um processo que não é concluído, mas que já vem dando frutos, que possibilitam avançar nesta dinâmica do cuidado com a vida, do cuidado com os mais vulneráveis. Tudo em vista de que “em qualquer suposto abuso, ele não deixe de encontrar um espaço de escuta. Criar espaço de acolhida e de escuta é um desafio, mas graças a Deus é uma realidade que está acontecendo”, concluiu dom Hudson.

A ministerialidade das mulheres chanceleres no Regional Norte 1

Na Igreja da Amazônia, a ministerialidade especifica-se de modos poucos comuns em outras realidades eclesiais. São expressões ministeriais que tem a ver com uma Igreja Sinodal com rosto amazônico, uma Igreja sustentada no Batismo, uma Igreja em que as mulheres assumem espaços de responsabilidade, que historicamente não tinham um rosto feminino à sua frente. Mulheres chanceler: uma novidade na práxis Na diocese de Roraima, a chancelaria é assumida pela Ir. Sofia Quintans Bouzada, enquanto na prelazia de Tefé é uma leiga, Juliana de Souza Martins, que desempenha esse serviço. Isso é uma novidade na práxis, que de modo nenhum contradiz o Direito Canônico, mas que tem que ser visto como um processo de mudança neste momento histórico que a Igreja universal e a Igreja da Amazônia estão vivendo. As reformas que o Papa Francisco vai introduzindo na Cúria Vaticana, com nomeação de mulheres para postos de responsabilidade, aos poucos também vão se fazendo presentes em algumas igrejas locais. O serviço da chancelaria, tradicionalmente assumido por padres, agora exercido por mulheres, é um exemplo disso. Segundo a chanceler da prelazia de Tefé, “com todo esse convite do Papa, a gente percebe também que os nossos bispos também se abrem a esse novo.” É uma aposta dos bispos para as mulheres estar nesses espaços, como é a chancelaria, que mostra que “nossos bispos também estão neste caminho de abertura da Igreja, para esse momento novo com a inserção das mulheres nessas funções”, sublinha Juliana de Souza Martins. As mulheres maioria nas comunidades Ninguém pode esquecer que “as mulheres fazemos parte das comunidades de base, somos a maioria nas comunidades, somos as que alentamos os processos, acompanhamos as pastorais, estamos como verdadeiras diaconisas nas igrejas locais”, segundo a Ir. Sofia Quintans. A religiosa afirma que assumir esses serviços “é simplesmente reconhecer aquilo que já fazemos no dia a dia na igreja local, nas comunidades de base.” A chanceler da diocese de Roraima, afirma que “com nossa competência e nosso modo de ser e estar, ajudamos também para que esta Igreja seja inclusiva, integre a todos, todos, todos, como disse o Papa Francisco, e haja processos novos de relação, processos de inclusão e outra nova sensibilidade incorporada nos processos eclesiais, nas tomadas de decisão, na formação, em tudo.” A Ir. Sofia insiste em que “a mulher faz parte da Igreja, fazemos parte da Igreja faz muito tempo, e nos reconhecermos como chanceleres é algo que é possível na Igreja faz muito tempo. Só que temos inércias incorporadas e se faz necessário quebrar essas inércias.” De fato, as mulheres na chancelaria enfrentam diversos desafios, que em primeiro lugar surgem da grande responsabilidade assumida, da confiança depositada nelas para vivenciar um processo que é uma corresponsabilidade com o Ministério Pastoral do bispo. A chanceler da diocese de Roraima destaca a necessidade do respeito muito profundo à caminhada histórica da Igreja local, “e tentar fazer de ponte com as comunidades, as paróquias, áreas missionárias, áreas indígenas, com a caminhada pastoral da Igreja, com a realidade local e os novos desafios da realidade migratória, dos povos indígenas e também com os desafios dos missionários”, sublinhando que a importância da Cúria ser um lugar de hospitalidade, de encontro e de Igreja em saída, de fazer uma caminhada em conjunto, sinodal. A capacidade e o papel das mulheres Olhando para a Igreja da Amazônia, Juliana de Souza Martins reflete sobre o desafio de reconhecer que o papel da chanceler e do chanceler é um papel importantíssimo, fundamental, dentro da cúria, dar visibilidade. No plano da ministerialidade feminina, uma dinâmica que teve um grande impulso no atual pontificado, se faz necessário da parte das mulheres, “nos dar conta da capacidade e do papel que nós temos dentro da Igreja. Às vezes, com o desafio, por sermos ainda uma Igreja muito masculina, muito paternal.” Ela reconhece o sofrimento das mulheres, mas também os passos já dados, os avanços, afirmando que “é algo muito presente, muito enraizado ainda dentro da nossa Igreja e às vezes isso acaba nos limitando no nosso pensar e no nosso agir. Mas eu acredito que se nós permanecermos firmes enquanto mulheres, nos reconhecermos como figuras transformadoras, importantíssimas para a evangelização da nossa Igreja, eu acredito que é nesse caminho que a gente deve continuar e persistir.” Reconhecer os serviços das mulheres A Ir. Sofia faz um chamado às mulheres para um reconhecimento mútuo, um apoio mútuo, para assumir que “temos qualidades e competências, além de uma experiência espiritual muito forte que sustenta a Igreja toda.” Ela também insiste em “reconhecer os nossos serviços que já estamos a vivenciar na Igreja, dentro das comunidades, dentro das pastorais, de lideranças, com ministérios reconhecidos.” Trata-se de “abrir caminho para outros ministérios que podem ser mesmo reconhecidos, ocupando os espaços, sem ter que pedir licença, dando-nos confiança mútua, mulheres e homens, homens e mulheres, tentando vivenciar essa experiência de missão conjunta, de missão em equipe”, com “conhecimento, responsabilidade, visibilidade, confiança mútua, vivenciando tudo juntos e juntas, em igualdade, com a mesma dignidade, mas em igualdade”, concluiu a religiosa.

Encontro de chanceleres do Regional Norte 1: “Se a Igreja não é encarnada, a chancelaria é uma alfândega”

Os e as chanceleres das igrejas locais que fazem parte do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil estão reunidos nos dias 3 e 4 de abril de 2025 na Casa de Espiritualidade Crostarosa de Manaus. Um encontro que pretende refletir sobre a “Missão do/a chanceler numa Igreja Sinodal com rosto amazônico”. Chancelaria numa Igreja sinodal Uma missão assumida por padres, diáconos permanentes, religiosas e leigas, que tiveram como ponto de partida uma reflexão sobre o conceito de chanceler na dimensão eclesiológica sinodal, seu perfil e sua função, buscando criar sensibilidade de Regional, interajuda, numa mentalidade não clerical, com a assessoria do bispo auxiliar de Manaus, dom Zenildo Lima. O encontro é uma novidade, sendo uma oportunidade para conhecer, aprofundar, esclarecer, receber orientações desde a ajuda mútua, e assim responder às necessidades da Igreja e acompanhar a vida das dioceses e prelazias, o que faz com que o encontro seja de grande valia para os participantes, pudendo superar as dificuldades e desafios. Chancelaria como expressão de comunicação da Igreja O bispo auxiliar de Manaus refletiu sobre como a chancelaria pode ser expressão de comunicação da Igreja, sobre a lógica e dinâmicas de comunicação da Igreja, ajudando a encontrar as pessoas em suas individualidades. Dom Zenildo Lima insistiu em que o chanceler lida com pessoas que chegam com seus pedidos e exigências, não chegam com problemas. A chancelaria é mais do que um trabalho com papeis, com documentos, é evangelizar. “O objeto do nosso trabalho são pessoas, não são documentos”, enfatizou dom Zenildo Lima, colocando diversos exemplos concretos de quem são essas pessoas, mas sublinhando que são sempre pessoas. Na Igreja da Amazônia isso tem se concretizado a partir do conceito de encarnação, um conceito que aparece em Santarém 1972, sendo retomado 50 anos depois, buscando assim ser hospital de campanha e não alfândega, segundo diz o Papa Francisco. Necessidade da encarnação “Se a Igreja não é encarnada, a cúria é burocrática, a chancelaria é uma alfândega”, disse o bispo auxiliar de Manaus. Não se trata de eficiência e sim de evangelização, segundo dom Zenildo. Ele lembrou que a chancelaria não pode ser uma estrutura pesada, refletindo sobre a Constituição Apostólica “Praedicate Evangelium” do Papa Francisco, que trata sobre a Cúria Romana e seu serviço à Igreja no mundo, e suas repercussões nas igrejas locais. O bispo auxiliar apresentou alguns elementos presentes no Magistério em relação à Cúria, no Concílio Vaticano I, Vaticano II e os Códigos de Direito Canônico. Na perspectiva do Concílio Vaticano II, da Pastores Gregis, as características dos colaboradores da Cúria têm a ver com a competência, zelo pastoral e integridade da vida cristã, preparação teológica e técnica, fazendo um chamado aos bispos a escutá-los, a realizar trabalhos evangelizadores e evitar uma mentalidade burocrática. Chancelaria na estrutura da Igreja Na perspectiva do Sínodo sobre a Sinodalidade, a partir do Documento Final do Sínodo, dom Zenildo destacou o coração da sinodalidade e refletiu sobre as motivações que sustentam a sinodalidade e suas concreções, do ser, estruturar e fazer da Igreja. Nessa perspectiva, a chancelaria tem a ver com a estrutura da Igreja, sendo instrumento que ajuda o bispo a governar a Igreja. Nesse sentido, o bispo refletiu sobre as novas relações em torno à chancelaria, sobre o fato de no Regional Norte 1 a chancelaria seja exercida por mulheres, por diáconos permanentes. Igualmente, sobre os processos, sobre o jeito de fazer os discernimentos, tomar as decisões e acompanhar essas decisões. Mas também sobre os vínculos, que leva a entender a chancelaria como um serviço à Igreja local no horizonte da evangelização, do serviço às pessoas, como expressão e salvaguarda da sinodalidade na Igreja local. Chancelaria a serviço da memória O serviço da chancelaria em chave sinodal tem a ver com a redação dos documentos, que deve ter presente o conjunto da Igreja local, não se reduzindo a um ato isolado, também com o registro, em vista da própria memória da Igreja particular, como ferramenta a serviço da memória, bem como um testemunho da encarnação eclesial em determinado período da história. Um encontro que aborda as atribuições, competências e responsabilidades do/a chanceler em vista da corresponsabilidade e a missão dentro e fora da Igreja sinodal. Uma temática que está em relação com a dimensão pastoral e sinodal da missão da Igreja com rosto amazônico e as prioridades para Ação Evangelizadora no Regional Norte 1 da CNBB. Tudo isso numa dinâmica de partilha de experiências da missão de chanceler nas igrejas locais, igrejas com fragilidade estrutural, mas que quer avançar nesse caminho em vista de um serviço organizado. Chancelaria que conhece a Pastoral Tudo isso, segundo insistiu dom Zenildo Lima, desde uma visão ampla, conhecendo e assumindo os planos de evangelização da Igreja local, do Regional, da Igreja do Brasil e da Igreja universal. Ninguém pode esquecer que o Direito Canónico está ao serviço do serviço pastoral, pois “aplicar o Direito exige conhecer a pastoral e exige conhecer a evangelização”, segundo o bispo auxiliar de Manaus. Nesse sentido, ele refletiu sobre as implicações das Diretrizes para a Ação Evangelizadora na chancelaria, numa Igreja Discípula Missionária, que assume e vivencia a ministerialidade de forma dinâmica. Uma Igreja discípula da Palavra, se questionando até que ponto a Palavra inspira a estrutura da Igreja, dado que a Palavra inspira e permite o diálogo e a escuta, permite a interculturalidade. Uma Igreja servidora e defensora da vida, com causas comuns, que atende os vulneráveis e articula o serviço de fé e cidadania.

Viver de mentira

O dia 1º de abril é conhecido no Brasil como “o Dia da Mentira”, mas além das possíveis brincadeiras relacionadas com esse dia, somos chamados a refletir sobre a atual sociedade, empenhada em viver de mentira, inclusive naquilo que tem a ver com elementos fundamentais na vida do ser humano: na política e na religião. A política, segundo o filósofo grego Aristóteles, é a ciência que se preocupa com a felicidade coletiva, que cuida do bem comum. Mas nos deparamos com políticos que mentem para cuidar do próprio interesse ou dos interesses dos grupos que representam. Políticos que se elegeram espalhando mentiras, hoje chamadas fake news, até chegar a assumir os cargos de maior responsabilidade no Poder Legislativo e no Poder Executivo. Políticos mentirosos que contam com o apoio de uma grande camada da população, que acredita ser verdade mentiras repetidas muitas vezes, aumentando a divisão dentro de uma sociedade cada vez mais enfrentada em consequência de mentiras, que, além de faltar à verdade, sustentam no poder pessoas sem escrúpulos, perpetuando os privilégios decorrentes de ocupar os lugares que assumem em seus cargos públicos. Isso faz com que atitudes como a honestidade sejam colocadas em segundo plano, possibilitando que pessoas sem nenhum tipo de moralidade se aproveitem para, em base a mentiras, se beneficiar, prejudicando claramente o conjunto da sociedade. Sustentados na mentira, personagens sem escrúpulos condicionam gravemente o convívio social e fazem com que a vida das pessoas seja cada vez pior. São atitudes que também aparecem no campo da religião, sendo propagadas mentiras, muitas vezes com interesses politiqueiros, pois isso nunca pode ter o qualificativo de político. Independentemente das religiões ou das confissões cristãs, das diversas igrejas, nos deparamos com pessoas que mentem em nome da religião. Um exemplo disso é o que está acontecendo com a doença do Papa Francisco, nos deparando com mentiras que não respondem ao que em verdade está acontecendo. Personagens religiosos, freis, freiras, padres, pastores, bispos, que se aproveitando da boa fé das pessoas, constroem discursos que não respondem à verdade, ou lucram às costas do povo, muitas vezes dos mais pobres, que são enganados em nome daquele que é fonte de Verdade, em nome de Deus. Discursos religiosos que manipulam, que abusam espiritualmente das pessoas, que mentem, e em consequência pecam, pois a mentira é um pecado, segundo os mandamentos da Lei de Deus, mesmo se apresentando como referentes religiosos, quando em verdade são lobos com pele de cordeiro, manipuladores do povo sem escrúpulos. Não podemos deixar que o momento histórico que estamos vivendo seja definido como o Tempo da Mentira, pois isso irá danando a estrutura social e condicionando gravemente o presente e o futuro da humanidade. Isso depende de todos, mas também de cada um e cada uma de nós, que às vezes nos tornamos cumplices passando adiante mentiras que só beneficiam pessoas sem escrúpulo e sem moralidade. Editorial Rádio Rio Mar

Cardeal Steiner: “O amor, não interroga, não tira satisfação, não cobra”

“Um dos textos mais tocantes e extraordinariamente amorosos que acabamos de escutar. Na quaresma, tempo de conversão, volta à casa do Amor, São Lucas a nos encantar com o Pai de dois filhos”, disse no início da homilia do quarto domingo da quaresma o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner. Ele lembrou que “ao ver o filho ao longe vindo para casa o pai, ‘correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijo’. Beija efusivamente o filho, esquecido do estado de impureza em que ele se encontra. Ouvíamos como viveu sem poder alimentar-se do que comiam os porcos. O amor não espera, corre, abre os braços, cobre de beijos, mais que o amado à sua amada, a amada ao seu amado. São beijos, conforme o Evangelho, de ternura paterno-materna, pura compaixão. Seus gestos são mais de uma mãe do que de um pai. E os beijos e abraços maternos, nascidos das entranhas, são, diante de todo o povoado, sinais de acolhimento, perdão e, ao mesmo tempo, proteção e defesa.” O arcebispo de Manaus destacou que “ao voltarmos nossos olhos para a cena, vemos o filho colocando a sua vida aos pés do pai. Ali, na nudez de si mesmo, coberta pelos abraços e beijos paternos, sente-se novamente um homem livre. Diante de tanto afeto, abraços e beijos, diante do acolhimento e da paternidade recebida, está nu diante do pai: ‘pequei contra Deus e contra ti, trata-me somente como um empregado teu’. Sente-se coberto, recoberto pelo manto do amor paterno.” “Não ouve da parte do pai nenhuma afirmação como: finalmente você reconheceu, finalmente você voltou! Não. Nada. Nenhuma palavra de interrogação, nenhum por quê, nenhuma satisfação, nenhuma cobrança, nenhum sinal de desgosto, nenhuma repreensão, nenhuma expressão de desapontamento, nenhuma interjeição, nem mesmo qualquer coisa que pudesse insinuar: por que fizeste isso?… Também não: como é bom vê-lo!… Nada. Nem mesmo diz: eu aceito você, que bom que você voltou, eu te perdoo…. Nenhuma palavra, mas silêncio acolhedor. Aquela espacialidade de um encontro de amor. É que o amor, não interroga, não sabe do porquê, não tira satisfação, não cobra, não repreende, não expressa desapontamento. O amor é gratuidade, não tem tempo para a interrogação”, segundo o cardeal Steiner. Ele insistiu em que “todas as palavras seriam superficiais demais para dizer, expressar, proclamar, cantar o transbordamento do coração do pai saudoso. O coração cheio de misericórdia, o coração que era só paternidade. Ele, o velho ancião, nada diz ao filho. No amor, na gratuidade do amar a presença, a proximidade é tudo: aquece, reconcilia, transforma, liberta, cobre a nudez.” “A palavra vem depois do silêncio, do encontro, depois do face a face, depois de olhos nos olhos. Só então, depois de tudo acolhido, recolhido, tudo abraçado, tudo beijado, tudo reconciliado, tudo acarinhado, tudo ser amor-liberdade, ser gratuidade amorosa, rompe-se o silêncio”, sublinhou o arcebispo, que citou o texto evangélico: “trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. Colocai-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei um novilho gordo e matai-o, para comermos e festejarmos. Pois este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado.” Em suas palavras reparou em que “faltava o filho mais velho. Chegou à casa, depois de um dia cumprindo fielmente seu trabalho. Ao ouvir a música e as danças e saber da volta do irmão, fica desconcertado. A volta do irmão não lhe traz alegria como a seu pai, mas ressentimento. Nunca tinha saído de casa como o irmão, mas agora se sente um estranho diante da família e dos vizinhos reunidos para acolher o irmão que voltara. Não havia se perdido num país distante, mas se encontra perdido na sua filiação.” Nessa tessitura, mostrou que “incomodado com a medida sem limites do pai em relação ao irmão, rejeita o convívio amoroso e livre. Rejeita o amor do próprio pai e começa a reivindicar. Mora com o pai, mas não tem magnanimidade do pai. Todos os anos passados na intimidade do pai não foram suficientes para torná-lo como o pai, na pulsação, na vibração de um amor-liberdade, na gratuidade, na cordialidade, que enche e pervade todas as coisas, todos os seres e todos os momentos de encontro e desencontro.” “O pai, mais uma vez, deixa a casa, corre ao encontro e convida o filho para que entre em casa, participe da festa da família e da aldeia.  Não grita, não dá ordens. Como uma mãe, mais uma vez, abraça e o cobre de beijos, suplicando para que entre e participe da festa. Abraça e beija a estreiteza, a não-liberdade do filho mais velho”, disse o cardeal. Diante disso, “o filho, no entanto, não se deixa tomar pela medida do amor, da gratuidade, da misericórdia paterna. Rejeita, reclama, acusa”, enfatizou o arcebispo, citando as palavras do filho: “Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. Mas, quando chegou esse teu filho que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho gordo”. Ele insistiu em que “espanta-nos a explosão de rancor, a dureza, o fechamento, a mesquinhez do mais velho, apesar de trabalhar e participar cotidianamente da vida do pai. Passou a vida cumprindo ordens do pai como um escravo, não sabendo, como filho, admirar a beleza do amor paterno. A vida de trabalho sacrificado, a dedicação cotidiana endureceu o coração. Denuncia e rejeita o irmão, ao lançar no rosto do pai a vida do irmão que acabara de chegar”, citando o texto de Lucas: “esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas”. Não o reconhece como irmão, pois insiste com o pai: “teu filho”…, “teus bens”…. É por isso, que segundo o arcebispo de Manaus, “não o aceita mais como irmão. Humilha o pai e descredencia o irmão, denunciando sua vida libertina com prostitutas. Apesar de tão certinho em tudo fazer, carece da alma paterna. Não entende o amor do pai em relação ao irmão desaparecido e morto. Ele…
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Diocese de Borba realiza Congresso Bíblico Catequético 2025

“Viver a mistagogia da catequese identifica o cristão missionário católico” (Ir. V. Cristiane R. de Melo) Nos dias 28 e 29 deste mês de março de 2025, a diocese de Borba vivenciou, na dimensão da mistagogia catequética, a versão 2025 do Congresso bíblico catequético. Sendo este um evento realizado nas quatro foranias da Diocese. Concomitante ao Congresso bíblico, deu-se também a abertura dos trabalhos para o Congresso da Juventude, na paróquia de Nossa Senhora de Nazaré e São José, forania São Mateus, Nova Olinda do Norte – AM. Com a temática Catequese mistagógica que forma discípulos missionários na comunidade. e o lema rezado foi; “Senhor, dá-me dessa água que jorra para a vida eterna” (Jo 4, 15), a dinâmica do Congresso forânico se fez em quatro eventos acontecendo simultaneamente. Assim, em cada forania esteve presente um assessor que palestrou nos dois dias de congresso. Na forania São Marcos, a assessora foi a Irmã Cristiane R. de Melo, comunicadora e consagrada da Congregação das irmãs Paulinas. As narrativas bíblicas foram pontos que verberaram nas reflexões, bem como os Documentos da Igreja Católica. Pontos fortes foram colocados para os congressistas; Jesus é o sacramento do Pai e a Igreja é o sacramento de Cristo; A Igreja é sacramento por sua própria realidade de esposa de Cristo; Quem ministra o sacramento é a igreja. A forania São João,  no município de Autazes, foi assessorada pelo padre Cleiton Silva, pároco da Paróquia de São Pedro, Mogi das Cruzes. Que afirmou “Que o coração deve estar onde os pés estão pisando” (Pe. Cleiton) Ensinamentos como “Falar com segurança sobre cristo é ser mistagogo; Os estudo dos sacramentos, que nos traz a arte sermos iniciados no mistério da páscoa de Cristo foram pontos de reflexão nas quatro foranias. Logo, Ser mistagogo é conduzir o outro para a vivencia do mistério de Deus. Nós somos o corpo de cristo, o que é ofertado a Deus não é só o corpo e sangue de Cristo, mas também toda assembleia. Na forania São Mateus, o assessor foi o padre James Batista, da Congregação do Santíssimo Redentor,  que partilhou que “o mistério da missa é a catequese do Cristão”. A irmã Cristiane R de Melo, na forania São Marcos afirmou que “no primeiro testamento tempos leis, histórias, crônicas, poesias de amor nos Cânticos, temos novelas e algumas fábulas” Eis a necessidade de compreender cada texto narrativo presente na Bíblia. Portanto, este congresso bíblico objetivou estimular o estudo bíblico, em suma, na vivência da catequese e nas diversas pastorais, bem como fomentar a reestruturação e fortalecimento da Pastoral da Catequese nas foranias, nas  paróquias e áreas missionárias. A palavra Catequese se origina do verbo grego “Katechein”, que significa ensinar, educar, assim, catequese é a ação de ensinar e instruir os batizados na fé cristã (CNBB – 2008) ela tem como fonte básica o evangelho e como meta a fé e a conversão dos seus ouvintes praticantes, com a aceitação de Cristo morto e ressuscitado. Fazer catequese é fazer ecoar. Assim o catequisando é aquele que está fazendo ecoar a palavra de Deus em sua vida. A missão do batizado é tríplice, sendo profética, real e sacerdotal.  O catequista-mistagogo deve compreender que a igreja não espera mais nenhuma revelação, porque em Jesus toda revelação já foi dada. O momento reflexivo nas foranias foi único, fortalecedor e de renovação espiritual para toda diocese de Borba. “Para uma vivência verdadeira  e mistagógica  devemos priorizar a Palavra, a Catequese e a Comunidade”,  assim Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva pontuou na abertura do Congresso Bíblico Forânico, em missa celebrada na Paróquia de Nossa senhora de Nazaré e São José, forania São Mateus, no município de Nova Olinda do Norte – AM. O encerramento do Congresso Bíblico foi com a Santa Missa em cada forania desta Diocese de Borba. Francelina L. de Souza, Coordenadora da Pastoral da Comunicação da Diocese de Borba 

Retiro do Clero da Prelazia de Itacoatiara aprofunda a espiritualidade do padre diocesano

O clero da Prelazia de Itacoatiara realizou seu retiro anual de 24 a 28 de março. O retiro, que aconteceu no mosteiro Água Viva, no território da prelazia, contou com 16 participantes, incluído o bispo, dom Edmilson Tadeu Canavarros dos Santos, que foi o pregador. O tema do retiro tem sido “Ele está no meio de nós”, tendo como lema: “Cinco pães e dois peixes” (cf. Mt 14,13-21). Segundo dom Tadeu, “tem sido dias de bastante espiritualidade, sobretudo refletindo e aprofundando a espiritualidade do padre diocesano.” O bispo da prelazia de Itacoatiara destacou que “sem dúvida, o espaço do Mosteiro Água Viva tem facilitado os momentos de oração, de silêncio e de meditação.” Ele ressaltou que “contamos com as orações de todos, sobretudo porque pelas mídias sociais, o povo da prelazia tem acompanhado de perto nossos padres nesse momento.”