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COP-30: Uma oportunidade para ser cientes das ameaças e exigir uma política do cuidado

Belém do Pará, que nesta terça e quarta-feira, 25 e 26 de março, sediou a Pré-COP, um evento organizado pela Igreja católica e que contou com a presenças dos seis regionais que fazem parte da Amazônia brasileira, será sede em novembro da COP-30, a Conferência da ONU sobre as Mudanças Climáticas. Mesmo que algumas pessoas neguem isso, a atual crise climática é mais do que evidente, mas se faz necessário aprofundar no conhecimento dos dados científicos para rebater aqueles que negam as consequências do aquecimento global, que prejudica gravemente às pessoas mais vulneráveis e provoca um grave impacto sobre o território amazônico. A COP-30 é uma oportunidade para pensar em caminhos concretos que ajudem a mitigar as graves consequências das mudanças climáticas em todos os níveis, tanto localmente, como em cada país e no mundo todo. Essa realidade tem que estar cada vez mais presente na agenda global, tem que fazer parte das discussões nos parlamentos, que não podem ignorar o clamor do povo, especialmente dos mais pobres e vulneráveis, constantemente atingidos pelos impactos do aquecimento global. Todos os grandes atores em nível mundial, também a Igreja católica, deveriam ser uma voz firme em defesa do Planeta e da humanidade. De fato, a Igreja católica, uma dinâmica acrescentada no pontificado do Papa Francisco, sempre foi uma voz profética em defesa do Planeta, da Criação de Deus, defendendo os povos originários, aqueles que ensinam, mesmo que muitas pessoas não queiram aprender, o que significa o cuidado da Mãe Terra. Não podemos negar, pois isso nos distancia de Deus, que nossa fé tem que se expressar nas obras, no compromisso com o reino de Deus, com um mundo melhor para todos e todas, com um desdobramento da nossa fé no campo social. Se temos fé, não podemos ficar calados diante da exploração desmedida e irracional que sofre o Planeta, sobretudo na região amazônica, onde a conversão ecológica é uma urgência inadiável, ainda mais diante das denúncias que os povos originários e as comunidades fazem, cada vez mais forte, mas infelizmente, cada vez mais ignoradas. Se a sociedade e a Igreja católica no Brasil deixar passar a oportunidade de incentivar a população a tomar consciência da realidade climática, vai ser dado um passo a mais na destruição do Planeta. Só superando visões superficiais vamos entender a verdadeira problemática climática. Se faz mais do que urgente atuar, juntos, assumindo nosso compromisso com a vida, e para aqueles que temos fé, nosso compromisso com Deus.

Regional Sul 1 envia padre Eduardo Alves de Lima como missionário para a diocese de Parintins

Na manhã de hoje, dia 26, a celebração da Missa na sede do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em São Paulo, marcou o envio missionário do Pe. Eduardo Alves de Lima para o Regional Norte 1. Do clero de Jales, até então o sacerdote era coordenador diocesano de pastoral e, nos próximos dias parte para o território amazônico para exercer o ministério como missionário na Diocese de Parintins. O arcebispo de Sorocaba e presidente do Regional Sul 1, Dom Júlio Endi Akamine, recentemente nomeado pelo Papa Francisco arcebispo coadjutor Arquidiocese de Belém (PA), fez o envio missionário do Pe. Eduardo juntamente com os membros da presidência da entidade e dos bispos que integram o Conselho Episcopal do Regional (CONSER Sul 1). “Deus é o destino de felicidade e de vida plena a todos”, indicou Dom Júlio sobre a Liturgia da Palavra da 3ª Semana da Quaresma ao afirmar que a liberdade verdadeira consiste em viver o amor, obedecer a Deus e exercer a “memória agradecida pelo chamado”. Ao enviar o Pe. Eduardo, Dom Júlio enfatizou que “ser missionário é colocar a vontade do Pai como o mais valioso da vida”. O bispo diocesano de Jales, Dom José Reginaldo Andrietta, que marcou presença no envio e, sobre o ato missionário e o apoio do Regional Sul 1, disse que “quem proporciona ao outro daquilo que tem de riqueza, em sua pobreza, se enriquece! Essa riqueza de entusiasmos pastoral que é o Pe. Eduardo, o qual enviamos com gratidão”, concluiu. “Anseio por este envio há muito anos e sempre tive este esse ardor missionário para o trabalho no território amazônico”, destacou o sacerdote que exercerá o ministério na diocese que integra o Regional Norte 1 da CNBB. Feliz nova missão No final da celebração, Dom Moacir Silva, vice-presidente da entidade, também agradeceu Dom Júlio que, em breve irá para Belém, no Regional Norte 2, como arcebispo coadjutor: “muito obrigado pelo tempo que o senhor esteve conosco no Regional e na presidência! Seja feliz na nova missão. Confiamos seu ministério nas mãos da Virgem de Nazaré!”, concluiu. Fonte: CNBB Regional Sul 1 – Fotos: Edite Neves I Pascom Regional Sul 1

Pré-COP da Região Norte: Ajuda coletiva para descobrir os desafios e crescer em incidência

A sede do Regional Norte 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em Belém do Pará, acolheu nos dias 25 e 26 de março de 2025, a Pré-COP Norte, com a participação de quase 50 representantes dos Regionais Norte 1, Norte 2, Norte 3, Noroeste, Nordeste 5 e Oeste 2, dentro do programa Igreja rumo à COP-30, organizado pela CNBB Nacional e que quer provocar uma reflexão em torno ao cuidado da casa comum, tema da Campanha da Fraternidade 2025. O encontro conta com a participação de cinco representantes do Regional Norte 1, o bispo auxiliar de Manaus, dom Hudson Ribeiro, a secretária executiva do Regional, Ir. Rose Bertoldo, a articuladora das Pastorais Sociais, Ir. Rosiene Gomes, a coordenadora de pastoral da arquidiocese de Manaus, Ir. Rosana Marchetti, e o coordenador do laicato no Regional Norte 1, Francisco Meireles.   Uma celebração eucarística, presidida pelo bispo auxiliar de Belém e membro da comissão da CNBB em preparação à COP-30, dom Paolo Andreolli, iniciou o encontro. No dia da Anunciação do Senhor, o bispo destacou a importância dos sinais, de ser um sinal, de esperançar, de “fazer acontecer o que a gente espera e deseja.” Ele ressaltou que “o filho de Isabel se torna para Maria um sinal de que nada é impossível para Deus”, fazendo um chamado aos participantes do encontro a ser um sinal, a entrar no caminho da conversão ecológica, a passar da lógica extrativista à lógica do cuidado. Um encontro, o primeiro dos cinco que serão realizados em cada uma das grandes regiões do Brasil, que pretende facilitar processos de convergência, “tentar compreender qual é o nosso papel com respeito ao desafio da ecologia integral”, segundo o assessor da Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora, padre Dário Bossi. Ele destacou a importância do Magistério do Papa Francisco e do trabalho ecuménico e a interação com outros processos populares como a cultura dos povos e outras iniciativas. O objetivo é buscar a ajuda coletiva para descobrir os desafios da COP-30 como igrejas locais e na incidência nacional e internacional. Se trata de compreender como a COP-30 interpela nos diversos níveis da presença como Igreja, em vista de fortalecer a ação das igrejas nos territórios, dado que é a partir dos territórios que acontecem as mudanças e se faz a diferença, tecendo redes. Junto com isso, ser multiplicadores nos espaços onde cada um habita. Um encontro que “independente da questão do foco, que são as questões climáticas que atingem todo o planeta, mas que tem um impacto, sobretudo, sobre nós que vivemos na Amazônia”, afirma o bispo auxiliar de Manaus, dom Hudson Ribeiro. Segundo ele, a Pré-COP “é um encontro que nos provoca bastante a pensar que a crise que estamos vivendo. Ela é pior do que aquilo que a gente imaginava, e aí a gente está tendo essa oportunidade de aprofundar esses conhecimentos com pessoas convidadas, que partilham dessas experiências nas nossas comunidades, nos nossos grupos, nos territórios onde a Igreja está atuante, mas também está tendo a oportunidade de escutar cientistas que pesquisam na área, que estão aqui na região amazônica, que têm isso atualizado com o resultado dessas pesquisas sobre o impacto do aquecimento global sobre os territórios, e isso tem nos alertado para pensar em alternativas mais concretas.” O bispo insiste na necessidade de que “isso esteja na agenda global, passe pelas discussões nos parlamentos, passe por uma questão de governança, e não apenas pelos estados, pelos municípios, que se valorizem as iniciativas que estão ali presentes, mas que de fato o grito do povo, o grito dos pobres, o grito daqueles que são os mais vulnerabilizados e são atingidos por esses impactos do aquecimento global, eles encontrem eco no nosso coração de Igreja.” Diante dessa realidade, ele pede “que sejamos voz, que sejamos mãos, que sejamos também braços. Esse grito de alerta do cuidado para com o Planeta, sem perder a esperança, mas sendo bastante objetivo diante dos dados que nós temos recebido, que são os impactos do aquecimento global sobre o Planeta, com impacto sobretudo sobre aqueles que vivem na Amazônia.” A Igreja católica sempre teve um papel histórico de profetismo diante da crise socioambiental, segundo mostrou em sua reflexão o bispo emérito da diocese do Xingú, dom Erwin Kräutler. Ele fez um chamado à responsabilidade em vista das futuras gerações, a denunciar como Igreja que “a Amazônia não é para o lucro, a Amazônia é para viver e para sobreviver”, a pensar de modo especial nos povos originários. Nesse sentido, como mostrou a análise do professor Mário Tito sobre as conferências do Clima em tempos de crise, que abordou o contexto geral e temas centrais, se faz necessário assumir que “a nossa fé tem que ter um desdobramento no campo social”, especialmente na Amazônia, uma região que tem sido explorada de maneira irracional e que tem que levar a pensar nas pessoas e seu desenvolvimento na perspectiva da ecologia integral, cuidando da vida e ao mesmo tempo no meio ambiente. Os participantes do encontro conheceram os Eixos Temáticos da Conferência do Clima e refletiram, com a assessoria de Ima Vieira, sobre “Crise climática e eventos extremos no bioma amazônico e área litorânea da macrorregião Norte”. Junto com isso foram apresentadas vivencias nos territórios: indígena, pescador, quilombola e agricultor, com depoimentos muito fortes, denunciando os grandes projetos, sobretudo as mineradoras, destacando o papel da Igreja para que eles possam continuar existindo. Os participantes conheceram os passos da Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), junto com a Cúpula dos Povos, sendo realizadas rodas de Conversa por regional, que apresentaram seus compromissos em vista dos acordos da macrorregião. Diante da COP-30 “a Igreja do Brasil está se mobilizando para que haja uma conscientização maior da população em si, da sociedade, para tomar ciência de tudo o que está acontecendo no mundo, principalmente aqui na nossa realidade, aqui na Amazônia”, segundo a Ir. Rosiene Gomes. A articuladora das Pastorais Sociais no Regional Norte 1 da CNBB destaca a importância da Pré-COP, porque nos faz…
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Regional Norte 1 da CNBB comemora 18 anos da Rede um Grito pela Vida: grande sinal de profecia e cuidado com a vida

A Rede um Grito pela Vida, criada em 2007, é uma iniciativa intercongregacional, que faz parte da Conferência dos Religiosos e Religiosas do Brasil, composta por religiosas e religiosos de diversas congregações, além de leigas e leigos comprometidos com a erradicação do tráfico de pessoas. Aos poucos, a rede foi se espalhando por todos os cantos do Brasil, chegando em Manaus, onde será celebrada uma eucaristia de ação de graças no domingo 30 de março, e se tornando “um sinal de esperança para todas essas pessoas que eram traficadas”, segundo a Ir. Rosana Marchetti, naquele tempo superiora provincial das Missionárias da Imaculada e hoje coordenadora de Pastoral na arquidiocese de Manaus. No Regional Norte 1 o enfrentamento ao abuso sexual e a exploração de crianças e adolescentes é algo de grande importância. Desde 2016 foi incluído nas Diretrizes para a Ação Evangelizadora do Regional esse trabalho de enfrentamento, e em 2019 foi adotado como causa permanente nas diretrizes, sendo assumido como Regional fortalecer os núcleos da Rede um Grito Pela Vida, para assim contribuir nessa temática de prevenção ao tráfico de pessoas e o abuso e exploração sexual em todas as igrejas locais. A Ir. Rosana lembra do impulso dado pela coordenadora do Núcleo da CRB Regional Norte 1, Ir. Guaracema Tupinambá, que convocou algumas religiosas que tivessem a possibilidade de abraçar esta causa junto com a CRB, sendo constituído um pequeno grupo de sete ou oito religiosas, que começaram a estudar e aprofundar os documentos que falavam do tráfico de pessoas, a entender essa realidade, entrando em contato com os organismos governamentais que se ocupavam desta problemática. “Um processo lento, mas muito bonito“, segundo a Ir. Rosana, para poder articular e iniciar esta atividade de proteção a estas pessoas. O passo seguinte foi fazer visitas nos portos, em algumas comunidades do interior e depois foi realizada uma formação. Ela lembra que foi em Salvador (BA) com esse objetivo, aprofundando na realidade do tráfico de pessoas, do trabalho escravo e todas as situações que não respeitam a dignidade da pessoa. Tudo isso fez com que, aos poucos se tomasse consciência que em Manaus a problemática, seja na cidade que nas comunidades ribeirinhas, estava muito presente, começando a sensibilizar nas escolas. Um trabalho de cuidado com a vida que aos poucos foi aumentando com a chegada de outras irmãs. Os 18 anos da Rede Um Grito pela Vida é uma oportunidade para “fazer memória de todo um caminho percorrido, todos os processos que foram realizados desde o início da criação da rede”, segundo a secretária executiva do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) e integrante da Rede desde sua fundação, Ir. Rose Bertoldo, que lembra como foram tecidos tantos outros fios ao longo desses anos, “tantas histórias de vida, tantos rostos que nós nos tornamos próximos e que também fomos ajudando essas pessoas a saírem dos processos de escravidão, dos processos de violência.” A Ir. Rose Bertoldo sublinha que “isso é muito importante, porque a gente vai aprendendo a fazer esse caminho junto.” Ela lembra que “o trabalho da Rede Um Grito Pela Vida é um trabalho permanente de prevenção e, sobretudo, de dar visibilidade e mostrar que essa realidade, mesmo que seja tão invisibilizada e que tenha os dados tão subnotificados, é de fundamental importância continuar dizendo e fazendo esse trabalho de prevenção. Sobretudo, na formação, na capacitação de novas lideranças e também na incidência política para a formulação de políticas públicas que ajudam também as pessoas a sair da sua situação de vulnerabilidade, que possam ter um trabalho decente, uma vida digna.” 18 anos de caminho que ajudam a lembrar da fragilidade com que tem sido tecida a rede, que está sempre em construção, mas sobretudo da fortaleza que cada pessoa que integra a rede, algo que aparece na doação da sua vida e no compromisso do cuidado da vida. Uma rede que “tem que ser sempre tecida por mãos de mulheres e homens que cuidam da vida e sonham uma sociedade sem violência, sem o tráfico de pessoas”, segundo a Ir. Rose. Ela recorda que “a Vida Religiosa abraçou essa causa do enfrentamento ao tráfico de pessoas, que nesses tempos tão difíceis é um grande sinal de profecia e continua a tecer essa rede do cuidado com fios que se entrelaçam as tantas realidades dos mais diversos núcleos.” Uma rede tecida por pessoas que “doam a sua vida e ajudam a construir um mundo sem violência, acreditando que é possível viver uma vida onde todos sejam livres, e sobretudo trabalhar também essa dimensão da consciência, denunciar as estruturas que acabam criando as possibilidades para o tráfico de pessoas, sobretudo de mulheres, de jovens e de pessoas que migram em busca de uma vida melhor e que acabam caindo nas redes dos traficantes.” Uma realidade que leva a religiosa a insistir na importância e necessidade da rede e de sua interligação com as outras redes em nível de América Latina e mundial, especialmente a Rede Talitha Kum, que é a rede que articula todas as redes de enfrentamento ao tráfico de pessoas da Vida Religiosa consagrada. Daí que seja “um momento de gratidão, gratidão por todas aquelas pessoas que ao longo desses 18 anos doaram sua vida, não estão mais presentes, mas deixaram sua marca. Gratidão por todos aqueles e aquelas que agora abraçam e as que virão, que abraçarão e continuarão fazendo esse trabalho de cuidado da vida em todos os espaços onde a Vida Religiosa consagrada, leigos e leigos, entregam sua vida pelas causas que acreditam”, afirmou a secretária executiva do Regional Norte 1. O nascimento da Rede um Grito pela Vida no Regional Norte 1 foi “uma pequena semente plantada e regada com muito cuidado, com muita paciência, e que cresceu e produz frutos e esse fruto permanece”, lembra a Ir. Guaracema Tupinambá. Nesse caminho destaca a importância da chegada das irmãs do Imaculado Coração de Maria: Ir. Santina Perin e Ir. Celina Loo, que em 2011 fizeram…
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Pastoral da Saúde Regional Norte 1 realiza Formação na diocese de Borba

Nos dias 21 e 22 de março de 2025, a diocese de Borba realizou um encontro formativo da Pastoral da Saúde, com a assessoria da coordenadora regional, Guadalupe Peres, com o tema: “Pastoral da Saúde: o que é?”. A Pastoral da Saúde é uma das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos de Brasil, que tem como missão, priorizar a vida e testemunhar o Evangelho no mundo da saúde. O objetivo dessa Pastoral é “Promover, educar, preservar, cuidar, defender, recuperar e celebrar a vida, realizando também ações em prol de uma vida saudável e plena de todo povo de Deus, tornando presente, no mundo de hoje, a ação libertadora de Cristo na área da saúde.” O encontro formativo teve como ponto de partida as perguntas por aquilo que é saúde e o que é a Pastoral da Saúde, sendo explicitados os aspectos organizacionais da Pastoral e os objetivos e missão que ela tem, tentando assim responder às dúvidas dos participantes, que representavam as paróquias de Santo Antônio, Cristo Rei e Nossa Senhora Aparecida da diocese de Borba. Durante a formação foram trabalhadas as três dimensões da Pastoral da Pastoral da Saúde: dimensão solidária, dimensão comunitária e dimensão sociotransformadora. Posteriormente foi abordada a questão do controle social, refletindo sobre o que é o Sistema Único de Saúde (SUS) y os princípios doutrinários e éticos que fazem parte do SUS. Foi uma oportunidade para descobrir a riqueza da Saúde Pública no Brasil, que vive sob constantes ameaças nos últimos anos. Igualmente, foram apresentados os princípios organizacionais e operativos ou diretrizes do SUS, para posteriormente abordar o que é o Conselho de Saúde, como funciona, a função do Conselho de Saúde e a importância de ser conselheiro. Uma reflexão que foi encerrada com a Oração do Agente da Pastoral da Saúde. A abertura do encontro contou com a presença do pároco da paróquia de Santo Antônio, de Borba, padre Joseph Raj, que acolheu os participantes e incentivou os agentes da Pastoral da Saúde sobre a importância da formação. No final da Formação, o bispo diocesano, dom Zenildo Luiz Pereira da Silva, fez o envio dos agentes na Catedral de Santo Antônio. Os agentes da Pastoral da Saúde que participaram do encontro assumiram a missão de serem multiplicadores para implantar essa Pastoral nos municípios que fazem parte da diocese. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Dom Edson Damian: “Ou mudamos nossos hábitos destrutivos na relação com a nossa casa comum, ou provocaremos um colapso planetário sem retorno”

Durante a Quaresma, a Comissão para Ecologia Integral e Mineração da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), uma das promotoras da Campanha da Fraternidade 2025, oferece a todos os irmãos e irmãs de caminhada na fé um itinerário espiritual a partir da reflexão do Evangelho do domingo. No terceiro domingo a reflexão foi por conta de dom Edson Damian, bispo emérito da diocese de São Gabriel da Cachoeira e membro da Comissão Especial para a Ecologia Integral e Mineração da CNBB. Ele iniciou sua fala lembrando que “Jesus nos conta a parábola da figueira estéril. A figueira estéril simboliza o povo de Deus da primeira aliança, principalmente as autoridades, que não acolheram a boa nova de Jesus. Apesar de não oferecer frutos de conversão, a figueira recebe mais uma oportunidade. Deus tem paciência, insiste, mas é preciso mudar, converter-se, antes que seja tarde. Mais tarde, tarde demais.” O bispo atualizou “este convite à conversão dentro do tema da Campanha da Fraternidade deste ano, dedicada à ecologia integral, ao cuidado de nossa casa comum, que está sofrendo inúmeras agressões que colocam em risco a nossa própria sobrevivência.” Segundo ele, “o modelo capitalista, baseado na exploração insaciável dos recursos naturais, na queima de combustíveis, o consumo de combustíveis fósseis, como os derivados do petróleo, a expansão desenfreada do consumo, está gerando uma série de problemas ambientais: a degradação do solo, a destruição das florestas, os incêndios criminosos, o extrativismo predatório, a escassez da água, a extinção de muitas espécies e as mudanças climáticas.” Dom Edson Damian sublinhou que “estamos assistindo a cada dia eventos climáticos extremos. Ondas de calor, enchentes e furacões estão se tornando mais frequentes e destrutivos, ceifando vidas, provocando migrações forçadas e empurrando milhões de pessoas para a pobreza.” O bispo emérito de São Gabriel da Cachoeira recordou que “o Papa Francisco, desde 2015, com a encíclica Laudato Si´, sobre o cuidado da casa comum e, em 2023, com a exortação Laudate Deum, afirma, que não estamos reagindo de forma satisfatória diante dos efeitos climáticos. O mundo que nos acolhe está se desfazendo e quase nos aproximando de um ponto de ruptura, isto é, sem volta.” Portanto, ressaltou o bispo, “estamos num momento decisivo para nós e para o nosso planeta. Ou mudamos nossos hábitos destrutivos na relação com a nossa casa comum, ou provocaremos um colapso planetário sem retorno. Já estamos experimentando seu prenúncio nas grandes catástrofes que assolam o nosso planeta, em todas as regiões. E não existe planeta de reserva, só temos este. E embora a Terra sobreviva sem nós, nós não viveremos sem ela.” Ele insiste em que “ainda é tempo, mas o tempo é agora. Mais tarde, tarde demais.” “Nessa conversão ecológica, passar da lógica extrativista e predatória, que contempla a terra como um reservatório inesgotável de recursos, para uma lógica do cuidado, através da proteção das florestas e dos rios, combatendo os incêndios, o uso abusivo de venenos e agrotóxicos, o consumismo insaciável”, é o chamado de dom Edson Damian. Diante disso, ele disse que “precisamos aprender a viver com sobriedade, lutando pela justa distribuição dos frutos da terra, para que os bens essenciais à nossa sobrevivência e os alimentos cheguem às mãos de todos e de todas. Vivendo assim, estaremos colaborando com nosso bondoso Pai Criador, que ao contemplar esse planeta tão grande e tão bonito, viu que tudo era muito bom.” Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Pastoral da Juventude Regional Norte 1 realiza 1ª Etapa da Assembleia

Nos dias 22 e 23 de março de 2025, aconteceu de forma online a 1° Etapa da Assembleia Regional da Pastoral da Juventude do Regional Norte 1 – Amazonas e Roraima. Os participantes da assembleia realizaram o primeiro passo metodológico: o Ver. Durante o encontro, aconteceu um momento de escuta da realidade do Regional durante o triênio e escuta das realidades das igrejas locais que compõem o Regional.  Igualmente, foi refletido sobre o tema, lema e iluminação bíblica da assembleia que irão nortear nossos passos até a conclusão da Assembleia. Para finalizar, foi realizado o envio dos delegados para a 2° Etapa da assembleia, que acontecerá de forma presencial de 6 a 8 de junho, em Manaus. Entre a etapa online e presencial, serão formados subgrupos do delegados, que terão como missão responder o instrumental de trabalho. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1, com informações da PJ

Dom Evaristo Spengler: “É importante que se vivencie e que se anuncie a fé a partir da vivência em comunidade”

As coordenações da dimensão bíblico-catequética das igrejas locais que fazem parte do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1) se reuniram de 21 a 23 de março de 2025 na Maromba de Manaus. O tema de reflexão foi em volta da Iniciação à Vida Cristã com inspiração catecumenal. A importância dessa temática, segundo o bispo de Roraima e referencial dessa dimensão no Regional, dom Evaristo Spengler, destaca que “a importância reside em que, como disse Tertuliano, ninguém nasce cristão, torna-se cristão, faz-se cristão através do testemunho. Então, quando nós falamos de iniciação à vida cristã, também estamos falando da transmissão da fé.” Segundo o bispo, “Jesus é o mesmo, o Evangelho é o mesmo, mas o destinatário dessa fé está dentro de um mundo diferente do que no passado. Então é necessário um retorno às origens do início das comunidades cristãs.” Analisando a história da Igreja, dom Evaristo Spengler sublinhou que “durante muito tempo, na Idade Média, abandonou-se um método que foi muito importante, o método da iniciação à vida cristã com inspiração catecumenal. É importante ter uma comunidade que testemunhe a fé, que se vivencie e que se anuncie essa fé a partir da vivência em comunidade. Nós estamos aqui refletindo a importância de que cada diocese tenha a sua coordenação diocesana da Iniciação à Vida Cristã, o fortalecimento dessas comissões, o envolvimento de todas as pastorais, dos padres, do bispo, o envolvimento da Liturgia, o envolvimento das pastorais todas, para que não seja apenas um pequeno grupo que faça uma catequese isolada, mas essa transmissão da fé seja feita em comunidade.” Ele insistiu em que “temos que ter um projeto de Iniciação à Vida Cristã em cada uma das dioceses. E aí, a importância de envolver o padre, envolver a Vida Religiosa e os leigos que estão à frente das nossas comunidades.” Tudo isso porque “nós estamos num mundo hoje que se relativiza muitas coisas. E nós queremos mostrar a importância de um Deus que se revela através do seu filho Jesus Cristo e a necessidade de que nós o conheçamos para poder segui-lo e amá-lo. A igreja é discípula de Jesus Cristo, todos nós cristãos somos esses discípulos. Então ser introduzidos na fé, caminhar durante toda a nossa vida nessa fé, essa é a nossa tarefa como igreja.” Nessa perspectiva, Dom Evaristo Spengler advertiu que “senão nós seríamos uma igreja que apenas apresenta uma doutrina ou uma moral cristã, mas que não entra no coração.” É por isso que “o objetivo da iniciação da vida cristã nessa inspiração catecumenal é transformar a vida daquele que quer seguir a Jesus Cristo e que ele naturalmente em toda a sua vida seja um discípulo. Não apenas que vá na missa, não apenas que siga algumas leis que a igreja propõe, mas que ele seja de fato um seguidor de Jesus e tenha essa consciência ao longo de toda a sua vida.” Com relação aos desafios que estão enfrentando as comunidades, as paróquias, as igrejas locais, os catequistas para poder avançar nesse caminho, o bispo disse que “o primeiro desafio é de fato conhecer a realidade no nosso regional. Nosso regional é muito amplo, tem comunidades ribeirinhas, tem comunidades quilombolas, tem comunidades urbanas. Então ter uma boa coordenação, em cada diocese, depois em cada paróquia, em cada comunidade.” Ele lembrou que “nós estamos fazendo todo um levantamento do número de catequistas que temos nesse regional, o número de catequizandos que nós temos nas várias fases, os itinerários que estão sendo seguidos.” O objetivo de uma coordenação bem-organizada é, segundo o bispo de Roraima que nós possamos trabalhar mais em comunhão, mais em conjunto, que o caminho seja sinodal, um caminho que caminhe na mesma direção.” Daí a importância de uma reunião que tem ajudado a “estreitarmos os laços entre as nossas dioceses, as nossas prelazias, a arquidiocese e o Manaus.” De cara ao futuro, ele espera que “a partir dessa reunião, nós possamos trabalhar muito em sinodalidade, muito em união, muito em conjunto nessa proposta da Iniciativa da Vida Cristã em estilo catecumenal.”  Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Cardeal Steiner: “Não se trata de procurar culpas, pecados, mas de abrir todo o nosso ser à graça da cruz e da ressurreição de Jesus”

No terceiro domingo da quaresma, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia dizendo que “na caminhada quaresmal o Evangelho a indicar uma vida cheia frutos, uma vida frutuosa; evitar a esterilidade, a inutilidade de existir. É o movimento de conversão que leva à libertação, à salvação. A transformação da escravidão do egoísmo e do pecado, em mulheres e homens novos, livres para que em nós se manifeste a vida em plenitude, a vida do Reino de Deus. O convite a uma transformação da existência, a uma mudança de mentalidade, viver a graça do Evangelho, a Boa Nova. O caminho da vida e não da morte, o caminho da conversão, da frutificação. No tempo da quaresma, quando meditamos fraternidade e ecologia integral, a conversão ecológica.” Ele lembrou que “o assassinato de alguns judeus no templo por Pilatos e a queda de uma torre perto da piscina de Siloé, é o início do ensinamento de Jesus neste terceiro domingo da quaresma. Jesus a dizer que aqueles que morreram nestes desastres não eram piores do que os que sobreviveram. Afasta o ensinamento de que a pessoa atingida por alguma desgraça, era consequência por pecado grave cometido. O justo, a pessoa justa, estava livre morte violenta.” “Após cada uma das mencionadas circunstâncias de morte, Jesus a ensinar”, disse o cardeal, citando o texto evangélico: “se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”. Segundo ele, “nos leva compreender que todos estamos necessitados de conversão, de mudança de vida. Sim, ‘se não vos arrependerdes perecereis todos do mesmo modo’. Perecer, não chegar à plenitude da vida, à realização plena, permanecer no caminho que conduz à morte. Jesus a convidar redirecionar os nossos passos no caminho da salvação. A mudança de vida, a conversão que conduz à existência maturada e plenificada. Permanecer no caminho do descuido, conduz à morte.” “Diante de tantas situações dramáticas que atingem o ser humano, somos convidados a uma maior vigilância sobre nós mesmos. Meditarmos, confrontarmos a nossa condição humana que um dia chegará ao fim, mas que, naturalmente, busca a plenitude. Sondar, descobrir a nossa fragilidade, despertar-nos e voltar para Aquele que concede sentido à nossa própria fragilidade e infertilidade. Não se trata de procurar culpas, pecados, mas de abrir todo o nosso ser à graça da cruz e da ressurreição de Jesus. Ele a nos indicar o caminho da conversão como uma vida aberta, liberta, pascoal. Ele a suscitar em nós o desejo da vida, não a morte. Deseja a frutificação não a esterilidade”, afirmou o arcebispo de Manaus. “Tão como o Evangelho nos ensinar como pode acontecer a mudança de vida, a conversão”, disse o cardeal Steiner. Citando o texto: “Disse ao vinhateiro: Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra? Ele, porém, respondeu: Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás”, ele deduz que “somos gerados, destinados a frutificar, a dar frutos! Uma vida frutífera, cheia de frutos! A esterilidade de uma vida, conduz à morte.” Uma realidade que o leva a dizer que “a conversão como percepção de que a fraqueza pode transformar-se em frutos quando houver cuidado, disponibilidade, receptividade à vida que tem sua fonte na cruz e ressurreição.” Ele lembrou as palavras de Santo Agostinho falando da fraqueza como tristeza e que a tristeza pode tornar-se motivo de alegria: “Por isso, diz o Apóstolo: quem mais me dará alegria se não aquele que por mim é entristecido? E em outra passagem: a tristeza que é segundo Deus produz um arrependimento salutar incapaz de voltar atrás. A pessoa que se entristece segundo Deus se entristece dos seus pecados com a penitência, por causa da tristeza causada da própria culpa que produz a justificação. Então te arrependes de ser o que és, para ser o que ainda não és.” (Santo Agostinho, Sermão 254, 2-3) “Quaresma a pedir conversão, cavar e adubar nossos dias com a esmola, o jejum e a oração, para frutificar, superar a inutilidade de viver. Quaresma tempo de floração, despertação dos frutos que podem surgir da cruz e da ressurreição do Senhor. Quaresma tempo de graça e maturação na fé. Tempo para sondar a dimensão da dor e do sofrimento, da própria morte, como caminho de vida nova, com frutos abundantes. Quaresma convite à conversão, a mudar mentalidade, de tal modo que a vida encontre a sua verdade e beleza mais em dar que possuir, mais em semear o bem e partilhar que o acumular. Esse tempo pleno de graça quando deixamos fecundar e transformar a nossa fraqueza em vida pascal”, destacou o arcebispo de Manaus. Ele recordou o ensinamento de São João Crisóstomo: “Cristo deixou-nos na terra a fim de que nos tornássemos faróis que iluminam, doutores que ensinam; a fim de que cumpríssemos o nosso dever de fermento; a fim de que nos comportássemos como anjos, como anunciadores entre os homens; a fim de que fôssemos adultos entre os menores, homens espirituais entre os carnais a fim de os ganharmos; a fim de que fôssemos semente e déssemos frutos numerosos. Nem sequer seria necessário expor a doutrina, se a nossa vida fosse irradiante a esse ponto; não seria necessário recorrer às palavras, se as nossas obras dessem um tal testemunho. Não haveria mais nenhum pagão, se nos comportássemos como verdadeiros cristãos” (Sermão 10, in 1Tm.). Isso porque “uma vida fecunda, frutuosa, cheia de frutos; graciosa a espargir bondade e semear o bem. Aqueles frutos que nascem da graça e do amor da cruz e da ressurreição.” O cardeal recordou que a Campanha da Fraternidade, ‘Deus viu que tudo era muito bom’, “nos envia para a conversão ecológica, na busca de uma fraternidade também com as criaturas. A ecologia integral ensina que a casa em que habitamos não pode ser compreendida de maneira fragmentada, compartimentada. Ela nos indica o caminho da contemplação para uma…
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Formação para prevenção de abusos no Regional Norte1 da CNBB: Ter no coração o cuidado com as pessoas

Cuidar da vida é um dos elementos fundamentais da missão da Igreja, uma dinâmica capital quando se fala de abusos, uma realidade que tem que ser enfrentada sem evasivas. Nesse enfrentamento, uma exigência do Papa Francisco, como expressa o Motu Próprio “Vox Estis Lux Mundi”, que determinou as regras que estabelecem novos mecanismos para a proteção de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis, é fundamental uma formação que permita conhecer em detalhes os passos a serem dados para enfrentar e denunciar essas situações. O Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1) elaborou um “Manual para a Proteção de Crianças, Adolescentes e Pessoas Vulneráveis da Metropolia de Manaus”, com a participação dos bispos e da Comissão Metropolitana, que agora está sendo dado a conhecer em diversos encontros de formação on-line e presenciais, realizados nas igrejas locais. Encontros que pretendem ajudar o clero, a Vida Religiosa, as comunidades de vida, os funcionários e colaboradores, aqueles que assumem um trabalho voluntário ou as diversas pastorais, a entender e assumir que os ambientes eclesiais têm que “oferecer relações sadias”, segundo explicita o bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus, dom Zenildo Lima. Ele define os encontros formativos como momento para que “nós sintamos que nós fazemos parte de um ambiente de cuidado”, algo que, segundo o bispo, tem a ver com a ecologia integral, tema da Campanha da Fraternidade em 2025, dado que “homem e mulher também fazem parte da Criação, e quando eu cuido de homem, de mulher, quando eu cuido de crianças, adolescentes e adultos mais fragilizados, eu estou cuidando de um dom, de uma vida, de uma Criação do nosso Deus.” A formação é ocasião para aprofundar num texto elaborado a partir de muitas mãos, que inclusive pode ser enriquecido e transformado, a partir da realidade das igrejas do Regional Norte 1. Mas o grande desafio, sublinha o bispo auxiliar de Manaus, é fazer com que o texto um dia possa “estar no coração da gente”, que faça com que não precise recorrer constantemente ao texto do protocolo, “porque teremos no coração da gente, o cuidado com as pessoas.” O Manual é mais um instrumento que ajuda a consolidar o trabalho feito no Regional Norte 1 ao longo de muitos anos por diversas instituições e organismos, dentre eles a Rede um Grito pela Vida, que nos próximos dias completa 18 anos de presença na arquidiocese de Manaus, tendo espalhado seu trabalho aos poucos pelas outras igrejas locais do Regional Norte 1, segundo lembrava a secretária executiva do Regional Norte1, Ir. Rose Bertoldo, que também é membro dessa rede que trabalha a prevenção ao abuso e exploração sexual e o tráfico de pessoas, tendo abordado muitas vezes essa temática em momentos formativos. A religiosa destaca a importância de trabalhar agora dentro dos espaços eclesiais essa questão, segundo pede o Papa Francisco em “Vox Estis Lux Mundi”, algo que tem marcado a construção do documento que está sendo apresentado nas diversas formações, em vista de um trabalho de prevenção com as lideranças das igrejas locais. Um processo de formação que “vai ser contínuo, permanente”, destaca a secretária executiva do Regional Norte 1, que insistiu na necessidade daqueles que participam dos encontros formativos trabalhar essa temática nas comunidades. De fato, as igrejas locais e as conferências episcopais deverão enviar um relatório anual à Cúria Vaticana sobre aquilo que está sendo feito no âmbito da prevenção dos abusos. O objetivo é claro: “tornar os nossos espaços eclesiais, espaços seguros, sem violência”, afirma a religiosa. Segundo ela “a grande missão é esse cuidado que a gente tem com a vida em todos os nossos espaços.” É por isso que o Manual elaborado, “não é só um documento que fez e vai ficar lá na prateleira, é uma implementação de como a gente está trabalhando para a gente zerar essa questão dos abusos nos espaços eclesiais”, algo que fere a dignidade, além de ferir o corpo. Uma questão continuamente recordada pelo Papa Francisco, que afirma que “crimes de abuso sexual ofendem Nosso Senhor, causam danos físicos, psicológicos e espirituais as vítimas e prejudicam a comunidade dos fiéis que e, para que esses casos em todas as suas formas não ocorram mais, é necessária uma conversão continua e profunda dos corações, acompanhadas de ações concretas e eficazes que envolvam todos na Igreja.” É por isso, que todos aqueles que fazem parte da Igreja devem lembrar que com a nossa ingenuidade nos tornamos cúmplices. Daí a importância da formação que está sendo realizada, algo urgente, inadiável e que deve se tornar uma constante no futuro.   Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1