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Categoria: Artigos

Destruir, uma atitude cada vez mais presente na humanidade

O empenho em destruir está cada vez mais presente e essa atitude deve nos levar a refletir como humanidade. A destruição do meio ambiente, da economia, da vida das pessoas, tem que provocar uma análise que nos leve a encontrar caminhos alternativos que favoreçam o cuidado da casa comum, modelos econômicos que favoreçam os mais pobres e uma paz duradoura que evite a morte de inocentes em tantas guerras espalhadas pelo mundo. Economia, guerra, meio ambiente A guerra económica empreendida pelo presidente estadunidense contra diversos países é algo inaceitável, dado que, além da mesquinhez que encerra, isso prejudica os mais pobres. Suas atitudes autoritárias e arbitrárias, aprovadas inclusive por aqueles que serão prejudicados pelas medidas tomadas, é um caminho que só beneficia pequenos grupos de poder, que se enriquecem ilicitamente com o sofrimento de muitos. Uma situação que também se repete nas guerras espalhadas pelo mundo, especialmente em Gaza, onde nos deparamos cada dia com cenas dantescas, que mostram a falta de humanidade daqueles que matam de fome a população, também muitas crianças, e assassinam àqueles que esperam receber pequenas migalhas que não dá nem para matar a fome. Não pode ser tolerado o bombardeio à população civil ou que alguém morra tiroteado enquanto espera na fila para receber um pouco de comida. A fome tem se tornado uma arma de guerra, que vai matando silenciosamente milhares de pessoas. Junto com isso, nos últimos dias o poder legislativo brasileiro aprovou o chamado PL da Devastação, que abre a possibilidade de destruir o meio ambiente no país de forma impune. Se garante a possibilidade de acabar com a vida em benefício de uma economia que mata e que só favorece os interesses desmedidos de pequenos grupos de poder econômico. Cuidar daquilo que é de todos São situações em que as decisões são tomadas por aqueles que lhes foi confiado o cuidado daquilo que é de todos, mas que só cuidam dos interesses de poucos. Junto com isso, nos deparamos com uma manipulação da informação, que leva a uma polarização cada vez maior, enfrentando a população, que não se une para combater aquilo que prejudica a todos ou a uma grande maioria do povo. Uma realidade que demanda posicionamento, toma de atitudes decididas, que superem a passividade que tem tomado conta da maioria das pessoas. Parece que nada nos atinge, que não nos importamos com o sofrimento. Um desinteresse que nos desumaniza, que nos isola, que nos encerra em bolhas que nos distanciam cada vez mais dos outros, mas também de nós mesmos. O bem comum vai deixando de ser uma preocupação comum, os interesses particulares colocam em risco o bem-estar de muitos. Os ditadores, aqueles que se preocupam única e exclusivamente por eles mesmos, acusam dessa atitude àqueles que pretendem garantir o bem comum e o respeito pela lei.

As taxas de Trump: Uma conta que sempre pagam os mais pobres

Uma das notícias que acaparam as manchetes nos últimos dias é a taxação que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem imposto sobre o Brasil. Aumentar em 50 por cento o preço dos produtos brasileiros no território estadunidense, uma prática que, com diversas porcentagens, também atinge outros países, tem consequências graves, que irão pagar os mais pobres, tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos. Intromissão na política interna Ainda mais surpreendente do que a medida são as motivações que estão atrás dessa decisão. Uma disposição que é uma intromissão na política interna do Brasil e que pretende defender interesses pessoais de um réu, para assim reverter as decisões da justiça brasileira. Uma atitude inaceitável para um país democrático, um sistema político que seria claramente prejudicado se o governo brasileiro aceitasse pressões externas. A Igreja católica, através de documentos como Populorum Progressio, uma encíclica do Papa Paulo VI, e Caritas in Veritate, encíclica do Papa Bento XVI, oferece uma perspectiva sobre o uso de taxas e seu impacto nos países em desenvolvimento e as populações. Taxas que também têm um forte impacto nas bolsas e no comercio internacional, provocando uma guerra comercial a grande escala que irá atingir a economia mundial, existindo a clara possibilidade de uma recessão econômica e de aumento dos preços dos produtos. Desenvolvimento das economias locais Paulo VI, em 1967, insistia em Populorum Progressio na importância de umas relações comerciais justas. De fato, a doutrina católica promove os preços justos nas relações comerciais para garantir que os países recebam ingressos suficientes para respeitar sua dignidade. Por sua vez, o Papa Bento XVI escrevia em 2009 na encíclica Caritas in Veritate, que as taxas são um problema que obstaculiza o desenvolvimento econômico dos países pobres. Ele defendia o desenvolvimento das economias locais, algo que se consegue na medida em que os produtos podem ser comercializados nos mercados do mundo, o que dificulta claramente a imposição de taxas. As atitudes colonialistas dos Estados Unidos com relação a América Central e América do Sul é algo evidente nos últimos cem anos. O país tem se intrometido militarmente, economicamente, religiosamente e culturalmente. A tentativa de dominação tem sido uma constante na política estadunidense, uma atitude que não pode ser aceita do ponto de vista moral. Defender interesses pessoais O cuidado daquilo que é comum a todos é uma dinâmica que não pode ser deixada de lado no exercício da política. Quando aqueles que exercem o poder executivo se deixam levar por interesses pessoais ou de grupos de poder, nos deparamos com personagens que estão traindo sua função primeira como governantes. Uma atitude que aparece como pano de fundo nas medidas adotadas pelo presidente estadunidense. No final das contas, a conta das decisões erradas dos que mandam é paga pelos mais pobres, que sofrem as consequências no bolso e no recorte dos direitos trabalhistas. Para quem tem muito, o sofrimento sempre é menor do que para aqueles que dependem do pouco que eles têm para garantir seu sustento e suas condições de vida. Mais um capítulo de uma história que se repete ao longo dos anos. Editorial Rádio Rio Mar

Brasil: um país onde ser diferente coloca a vida em risco

17 anos. Essa era a idade de Fernando Vilaça da Silva, que faleceu nesta segunda-feira, 7 de julho, depois de ser espancado no bairro Gilberto Mestrinho, em Manaus, na madrugada do sábado dia 5. Ele sofreu traumatismo craniano, hemorragia intracraniana e edema cerebral após ser espancado ao reagir a ofensas homofóbicas proferidas por um grupo de pessoas durante uma confraternização na rua. Crimes que ficam impunes Mais um episódio que mostra que no Brasil ser diferente é perigoso, muito perigoso, colocando em risco a vida das pessoas. O problema é que a sociedade assiste impassível a esses episódios, que muitas vezes ficam impunes. Inclusive as pessoas que dizem, dizemos ter consciência da gravidade dessas situações, fazemos pouco ou nada para mudar essa realidade. Não é a primeira vez que esses episódios se repetem, inclusive muitas vezes não são nem revelados. São situações que aumentam o clima de violência presente na sociedade brasileira, onde a intolerância para com aqueles que são ou pensam diferente se tornou motivo para acabar com eles. A convivência entre diferentes é sinal de que a sociedade é sadia, e essa convivência está se tornando cada vez mais difícil. A orientação sexual, as opções políticas ou religiosas, e tantas outras situações que fazem parte da vida das pessoas têm se tornado motivos de enfrentamento que gera violência, que provoca a morte das pessoas. O acontecido com o adolescente Fernando é um exemplo disso, mas provavelmente não será o último episódio semelhante. Gerar atitudes de respeito Se faz necessário parar e refletir, procurar espaços que gerem atitudes de respeito para com os outros, especialmente para com aqueles que não são iguais à gente. A família, a escola, as igrejas, e tantas outras instituições presentes na sociedade, devem ser espaços que gerem nas pessoas atitudes que favoreçam a convivência com todos, superando preconceitos que destroem o convívio social e acabam com a vida de pessoas inocentes. Junto com isso, se faz necessário a aplicação das leis que regulam a vida do país. A impunidade faz com que situações similares possam se repetir. Todos aqueles que desrespeitam a lei devem ser julgados, como único caminho para superar a violência cada vez mais institucionalizada. Uma tarefa de todos Superar essa realidade é uma tarefa comum, que deve implicar o conjunto da sociedade, que tem que ser assumida por cada um, cada uma de nós. Devemos superar as palavras, as atitudes que geram violência, que provocam o enfrentamento com o diferente, que não permitem descobrir a riqueza da diversidade. Somos nós, eu e você, que vamos fazer com que a realidade possa mudar. Aqueles que morrem são bem mais do que nomes, são pessoas concretas, muitas vezes com toda a vida por diante, como foi o caso de Fernando. Qual o sentimento que sua morte provoca em cada um, cada uma de nós? O que estamos dispostos fazer, o que vamos fazer para que essas situações não se repitam? É hora de refletir, mas também de nos envolvermos para que ninguém morra por ser diferente. Editorial Rádio Rio Mar

Cardeal Steiner: “Jesus sem esperar que os discípulos estejam prontos, os envia em missão”

No XIV Domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando que “nos foi anunciado no Evangelho: ‘O Reino de Deus está próximo’. Próximo, permanece como que velado, não revelado plenamente, mas em revelação, em manifestação. Velado, por isso próximo de nós. Próximo, pois Deus sempre está próximo, está na proximidade. Jesus é a proximidade de Deus”. Somos amados e nunca abandonados Segundo o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), “o Reino da proximidade está plenificado com a morte e ressurreição de Jesus. Nele participamos da proximidade de Deus, pois partícipes de um novo modo de ser, de viver, de conviver. Somos participes em Jesus do mistério do Reino de Deus, pois salvos e viventes da vida da Trindade. Ele a fonte da nossa esperança e alegria: somos amados e nunca abandonados. Ele, o ressuscitado, permanece entre nós e em nós”. “Jesus envia os discípulos em missão com uma saudação e uma mensagem”, disse o cardeal. Ele lembrou a saudação: “Que a paz esteja nesta casa”! É por isso que “em toda e qualquer casa que entrarem desejar a paz, saudar com a paz, oferecer a paz!” Isso porque “Jesus envia como embaixadores da paz. E uma mensagem: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’”. “Como é admirável no Evangelho que Jesus sem esperar que os discípulos estejam prontos e bem-preparados, os envia em missão. Para ir em missão, anunciar a vida nova, o novo modo de viver e conviver, para lugares desconhecidos, entre pessoas desconhecidas, Jesus não diz o que levar, mas o que não levar: ‘Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias’”, refletiu o cardeal. Ele insistiu em que “o mínimo do mínimo, como se propusesse: sem bagagem, sem segurança, sem grandes projetos, sem estruturas, sem seguranças, sem apoios. Os envia na riqueza da pobreza, da força da beleza e riqueza do anúncio do Reino de Deus. Quanto mais livres e simples, pequeninos e humildes, tanto mais o Espírito Santo poderá inspirar, iluminar o caminho da missão. O envio em missão faz dos apóstolos mensageiros da riqueza do Reino, e arautos da paz, guiados pelo Espírito Santo, na força da pobreza”. Enviados como portadores de paz Citando as palavras de Jesus: “Que a paz esteja nesta casa”! o cardeal refletiu: “como os discípulos, também nós como seguidores e seguidoras de Jesus, somos enviados com a saudação da paz, portadores de paz; a paz que é o próprio Jesus. Somos mensageiros da paz e seremos reconhecidos como pertencentes a Jesus, como discípulos missionários, discípulas missionárias como mulheres e homens que vivem do Reino se saudarmos com a paz. A paz do Ressuscitado!” Analisando a realidade atual, o arcebispo de Manaus disse que “no tempo de tanta violência, guerra, morte, Jesus nos envia como mulheres e homens de paz, a paz da vida nova.” O cardeal recordou as palavras de Papa Francisco: “Irmão, irmã, a paz começa por nós; começa por mim e por ti, por cada um de nós, pelo coração de cada um de nós. Se viveres a sua paz, Jesus vem e a tua família, a tua sociedade, mudará. Mudarão se primeiro o teu coração não estiver em guerra, não estiver armado de ressentimento e raiva, não estiver dividido, não for ambíguo, não for falso. Pôr paz e ordem no coração, desativar a ganância, extinguir o ódio e o rancor, evitar a corrupção, evitar a trapaça e a astúcia: é aqui que começa a paz. Gostaríamos de encontrar sempre pessoas mansas, bondosas e pacíficas, a começar pelos nossos familiares e vizinhos. Mas Jesus diz: «Leva tu a paz à tua casa, começa por honrar a tua esposa e amá-la com o coração, respeitando e cuidando dos filhos, dos idosos e dos vizinhos. Irmão e irmã, por favor, vivam em paz, acende a paz e a paz habitará na tua casa, na tua Igreja, no teu país”. Nas palavras de Jesus, o cardeal Steiner vê “saudação e anúncio! Envia com a mensagem: ‘O reino de Deus está próximo! […] O reino de Deus está próximo’”. Segundo ele, “Jesus envia os discípulos dois a dois. A alegria que brota da proximidade de Deus, do Reino de Deus, concede a paz, mas não nos deixa em paz. Dá paz e não nos deixa em paz, pois provoca uma mudança esperançosa: enche de admiração, surpreende, transforma a vida, encanta, realiza, leva a vida à sua plenitude!” O Senhor transforma sempre a nossa vida Citando novamente as palavras de Papa Francisco, o arcebispo de Manaus disse: “E o encontro com o Senhor é um começo constante, um contínuo dar um passo em frente. O Senhor transforma sempre a nossa vida. É o que acontece com os discípulos no Evangelho: para anunciar a proximidade de Deus, partem para longe, vão em missão. Porque quem recebe Jesus sente que deve imitá-lo, fazer como Ele fez, que deixou o céu para nos servir na terra, e sai de si mesmo. Portanto, se nos perguntarmos qual é a nossa tarefa no mundo, o que devemos fazer como Igreja na história, a resposta do Evangelho é clara: a missão. Ir em missão, levar o Anúncio, dar a saber que Jesus veio do Pai”. Igualmente, o cardeal lembrou que “o anúncio, a evangelização, dizia São Paulo VI, não é um ato individual e isolado, mas dois a dois, pois missão da Igreja! Eclesial e em comunhão. A evangelização em nome da Igreja, acontece em comunhão. Nenhuma pessoa anuncia segundo critérios e perspectivas individualistas, mas sempre em comunhão, com a comunidade, a igreja particular. A Igreja é ela toda inteiramente evangelizadora. Onde ela se encontra, a Igreja, diríamos as comunidades, se sente responsável pela missão de difundir o Evangelho, o Reino de Deus”, citando Evangelii Nuntiandi 60. O arcebispo recordou que “Papa Francisco ao falar da evangelização, ensina que a comunidade dos discípulos de Jesus nasce apostólica, nasce missionária, não proselitista. Evangelizar não é o mesmo que fazer proselitismo, mas propor um outro…
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Politicagem que impede praticar a melhor política

O desencanto com a Política é uma atitude cada vez mais presente na sociedade atual. Essa realidade tem que nos levar a refletir e encontrar caminhos que possam ajudar a encantar a Política. O filósofo grego Aristóteles definiu a política como “um meio para alcançar a felicidade dos cidadãos”, mas o exercício da política nos mostra que muitas vezes se busca a felicidade de pequenos grupos e não do conjunto da cidadania. Falência do modelo comunitário A última análise de conjuntura do Grupo de Análise de Conjuntura da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – Padre Thierry Linard, apresentada nesta semana, fala de “crise humanista e a falência do modelo comunitário”. Segundo o texto “essa crise é marcada por um profundo esvaziamento dos princípios de solidariedade, corresponsabilidade e cuidado coletivo”, elementos que tem a ver com a tradição cristã. A consequência é “a vulnerabilidade em que vivem milhões de brasileiros”, uma situação que deve piorar diante das pressões de grupos de poder político e econômico que pretendem recortar os gastos sociais para perpetuar privilégios de pequenos grupos e aumentar a brecha social em um país secularmente marcado pela desigualdade. Eles não se importam com a falta de moradia, as condições precárias do Sistema Único de Saúde, da educação pública, do sistema de mobilidade urbana. A lógica do Estado mínimo “Essa conjuntura reflete os efeitos acumulados das políticas de exclusão, que, ao longo de décadas, operaram por meio da fragmentação social e da negação de direitos”, afirma o texto, que mostra que “a lógica do Estado mínimo, a desresponsabilização do poder público e a crescente influência de interesses privados nos espaços de decisão corroem a capacidade de resposta coletiva aos problemas comuns”. Nos deparamos com instâncias de poder político que não buscam a melhor política. Uma expressão acunhada por Papa Francisco na encíclica Fratelli tutti, onde ele mostra que a política é um elemento crucial para alcançar a fraternidade universal e promover a amizade social, tendo como objetivo o verdadeiro bem comum e a caridade social. Uma política que valorize a geração de trabalho e renda, a inclusão social, a diversidade e a caridade social como elementos fundamentais na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e voltada para o bem de todos. Política que se tornou politicagem Uma proposta que atualmente é ignorada na política brasileira, que se tornou politicagem, que de forma mesquinha responde a pressões e inércias viciosas, a interesses imediatos que nunca favorecem os mais pobres, que não são expressão de amor para com os outros, que ignora o sofrimento de tantas pessoas que se esforçam em sobreviver. A polémica em torno ao Imposto sobre Operações Financeiras, às emendas parlamentares e tantas outras situações presentes no atual panorama político brasileiro, são claros exemplos dessa politicagem que pretende acabar com a melhor política, deixando de lado sua função transformadora, seu cuidado com o que é público, a busca da felicidade de todos. Editorial Rádio Rio Mar

Festa de São Pedro, a festa do Papa

As festas juninas são momentos importantes na cultura popular no Brasil. Mas também os santos juninos, Santo Antônio, São João e São Pedro, têm grande devoção na Igreja católica. São muitas as paróquias e comunidades que têm esses santos como padroeiros, despertando uma forte devoção entre o catolicismo brasileiro. A figura de Pedro sempre está unida à figura do papa, atualmente o Papa Leão XIV, eleito sucessor de Pedro no dia 8 de maio de 2025. O bispo de Roma é aquele a quem a Igreja lhe confia ser seu guia e conduzi-la em cada momento histórico, que vai mudando o modo de ser Igreja. Em uma Igreja sinodal, em que o batismo é o sacramento fundamental, é interessante refletir sobre as palavras do Papa aos bispos participantes do Jubileu nesta quarta-feira 25 de junho de 2025: “cada um de vós, como eu, antes de ser Pastor, é uma ovelha do rebanho do Senhor!” Em uma sociedade onde muitas pessoas querem aparecer, o Papa faz um chamado a assumir aquilo que nos faz iguais, que nos aproxima de todos. Ninguém pode esquecer que antes de tudo somos gente, pessoas, e que, como cristãos católicos, além do ministério, do serviço que a Igreja confia a cada um, somos batizados. É no meio dos pequenos que nos tornamos testemunhas da presença de Deus no meio de nós. É por isso que o Papa fazia o convite aos bispos em seu jubileu a estar “verdadeiramente próximos, solidários com aqueles que sofrem”, e assim serem testemunhas de esperança através do exemplo de vida. A festa de São Pedro é a festa do Papa, a festa da unidade com seu sucessor. Em um mundo dividido, polarizado, as tentativas de levar essas atitudes para dentro da Igreja católica são cada vez mais evidentes. Frente a isso, a unidade, fundamentada na comunhão, é uma dinâmica que nos fortalece. Caminhar juntos na diversidade é um desafio, mas ao mesmo tempo é o caminho a seguir. A mudança de Papa é algo que abre interrogantes, que desperta expectativas diversas, dentro e fora da Igreja católica. Para aqueles que professamos a fé católica, o Papa, o sucessor de Pedro, deve ser visto com um olhar de fé, que nos leve a contemplar sua figura como aquele que nos guia como Igreja, como aquele que ajuda a responder aos desafios do mundo atual. Que a festa de São Pedro seja uma oportunidade para rezar pelo Papa, para ajudá-lo em suas necessidades com nossas ofertas, para viver em comunhão com a Igreja, para descobrir em Leão XIV àquele que, seguindo a estela de seus predecessores, conduz a barca de Pedro. Nunca esqueçamos que juntos somos mais e que nosso melhor testemunho é aquele que nasce da comunhão. Editorial Rádio Rio Mar

Na Festa da Eucaristia, buscar respostas para as comunidades que não podem celebrá-la

No dia em que a Igreja celebra a Solenidade de Corpus Christi, a festa da Eucaristia, que na arquidiocese de Manaus tem como tema “Eucaristia: Pão da Esperança”, somos chamados a refletir sobre a impossibilidade que muitas comunidades da Amazônia, do Brasil e do mundo têm para celebrar a Eucaristia cada domingo. O primeiro mandamento da Igreja diz: “Participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho”. Diante disso surge uma pergunta: Aqueles que não participam da missa aos domingos estão pecando? O que acontece com os católicos que moram em comunidades onde a celebração da Eucaristia acontece uma vez por mês ou uma vez por ano? Como possibilitar que cada comunidade católica possa celebrar a Eucaristia, que segundo o Concílio Vaticano II é fonte e cume da vida cristã? No dia 15 de outubro de 2024, na Sala de Imprensa do Vaticano, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, durante a Segunda Sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade, disse que lhe preocupa o atendimento às comunidades na arquidiocese de Manaus, uma arquidiocese com mais de mil comunidades e pouco mais de 170 presbíteros, “pois não se consegue acompanhar a vida sacramental das comunidades”. Diante dessa realidade, ele afirmou que “para determinadas realidades não seria uma dificuldade admitir homens casados à ordenação”, reconhecendo que “para outras realidades na Igreja, é uma grande dificuldade”. Junto com isso, o cardeal, seguindo as reflexões de Papa Francisco, pedia continuar dialogando, olhando a comunidade, que é o motivo da existência da Igreja. A escuta e o diálogo, pilares de uma Igreja sinodal, um caminho assumido pelo Papa Leão XIV, deve ser uma atitude cada vez mais presente na vida da Igreja católica. Não adianta impor modos de viver a fé, nem mudanças que não são fruto do discernimento comum. Mas diante da realidade de muitas comunidades, onde a Eucaristia é um sacramento raramente celebrado, se faz necessário encontrar novos caminhos, de acordo com a Doutrina e a Tradição, mas sem esquecer que a realidade atual demanda respostas concretas. Um caminho que não pode estar fechado às mulheres, que durante muitos anos “levaram adiante as comunidades e hoje estão levando a frente as nossas comunidades”, segundo disse o arcebispo de Manaus nesse 15 de outubro de 2024. O cardeal Steiner ainda ia além, sublinhado que “várias das nossas mulheres são verdadeiras diaconisas, sem terem recebido a imposição das mãos”. Segundo o arcebispo, “é admirável, admirável, o quanto as mulheres são responsáveis pela nossa Igreja, é admirável”, até o ponto de dizer que “a nossa Igreja, não seria a Igreja que é sem a presença das mulheres”. Mais uma vez, a festa da Eucaristia é uma oportunidade para refletir sobre a vida da Igreja, sem medo de dialogar abertamente, sem medo de pensar na vida de fé de tantas pessoas que hoje não tem a possibilidade de celebrar assiduamente a Eucaristia, que não podemos esquecer que é fonte e cume da vida cristã. Editorial Rádio Rio Mar

Sermos testemunhas de esperança num mundo quebrado pela guerra

Um dos grandes desafios no atual momento histórico é sermos testemunhas de esperança. Em um mundo quebrado pela guerra, pela violência, pela polarização, a grande questão a enfrentar é como ajudar as pessoas a não perder a esperança. A situação vivida na Ucrania, em Gaza, em tantos lugares do mundo, inclusive em muitas cidades do Brasil, onde as guerras e a violência se cobram grande número de vítimas inocentes, tem que nos levar a refletir. O grande perigo diante disso é nos acostumarmos com essa realidade e fazer de conta que não pode ser feito nada para reverter essa situação. Ainda mais, muitas pessoas se posicionam contra aqueles que tentam mudar a realidade. O acontecido nesta semana em águas interacionais, quando Israel prendeu ativistas que queriam denunciar a fome extrema e falta de remédios que provoca a morte diária de muitos inocentes, inclusive crianças, deveria nos levar a nos envolvermos para mudar essa realidade e acabar com o genocídio que ameaça com exterminar o povo palestino. O desrespeito das leis internacionais é algo que não pode ser permitido a nenhum governo, ainda mais quando a pretensão é defender àqueles que ninguém defende. Não podemos ficar impassíveis diante do sofrimento alheio, diante de situações que ferem a dignidade humana. Quando as pessoas perdem a esperança, aos poucos vão perdendo a vida. O Papa Leão XIV, seguindo a postura de Papa Francisco, em seu primeiro mês de pontificado, está insistindo na necessidade da paz. Já foram várias as tentativas de estabelecer diálogos entre os governos dos países enfrentados pela guerra. Guerras que especialmente prejudicam os inocentes, vítimas de decisões que só procuram interesses pessoais, económicos e políticos que dão as costas aos interesses comuns do povo. Até que ponto me atinge o que está acontecendo nas diversas guerras presentes no mundo? Como me posiciono diante de tanta violência e polarização que faz parte do nosso cotidiano? O que eu estou fazendo para gerar esperança para tantas pessoas que por diversos motivos foram perdendo-a? Como me envolvo para resolver os diversos conflitos presentes no mundo hoje, inclusive perto de cada um, cada uma de nós? São muitas as perguntas que deveríamos responder para avançar em uma dinâmica decisiva para o futuro da humanidade. Uma humanidade sem esperança está abocada ao fim, aos poucos irá perdendo as motivações para continuar lutando pela vida. O caminho é aprender com aqueles que se comprometem com a utopia de um mundo melhor. Eles nos mostram que a esperança é a última que morre, uma atitude que deveria nos contagiarmos até fazer de nós homens e mulheres que entendem a vida movidos pela esperança. Editorial Rádio Rio Mar

Dom Altevir: “O Espírito Santo nos pede um coração aberto, simples e terno”

Mensagem de Pentecostes do Bispo da Prelazia de Tefé Queridos padres, diáconos, religiosos e religiosas, cristãos leigos e leigas da nossa amada Prelazia de Tefé, Neste dia sublime de Pentecostes, celebramos a presença viva e transformadora do Espírito Santo na Igreja nascente. Ela, filha da Missão, e a Missão que tem sua origem no coração da Santíssima Trindade. Assim como outrora os apóstolos, reunidos em oração, receberam o fogo divino que os encheu de coragem para anunciar o Evangelho, hoje também somos chamados a acolher essa mesma graça, permitindo que ela nos conduza sem reservas. O Espírito Santo nos pede um coração aberto, simples e terno. Não há espaço para resistências, para medos ou hesitações quando se trata de permitir que Ele atue em nós. Cada padre, diácono, religioso e religiosa, cada leigo e leiga são instrumentos preciosos nas mãos de Deus. Somos convocados a ser sinais vivos de amor, esperança e fé, especialmente em nossa querida Amazônia, onde a beleza da criação e os desafios da missão exigem de nós um testemunho vibrante e autêntico. A Prelazia de Tefé, com suas 14 paróquias, duas Áreas Missionárias e mais de 500 comunidades espalhadas entre cidades, rios e igarapés, é um espaço fecundo para a ação do Espírito Santo. Que Ele nos fortaleça, nos impulsione e nos conceda a mesma coragem que tomou conta dos apóstolos naquele dia abençoado. Que possamos anunciar o Evangelho com palavras, com vida e com entrega sincera. Feliz dia de Pentecostes! Que o fogo do Espírito Santo aqueça nossos corações e ilumine nossos caminhos. Com minha bênção e oração, Dom Altevir, CSSp, Bispo da Prelazia de Tefé

Um Papa a medida de cada um

Parece que já passou muito tempo, mas ainda não tem 30 dias que o Papa Leão XIV foi eleito sucessor de Pedro. Mesmo com quatro semanas de pontificado, já foram muitas as opiniões que aparecem constantemente em torno à pessoa daquele que até 8 de maio de 2025 era o cardeal Robert Prevost. Nem sempre tem se falado do novo pontífice de modo objetivo, pois cada um quer um Papa a sua medida. Em consequência disso nos deparamos com imagens ou frases fora de contexto que pretendem responder a interesses particulares, sejam religiosos, sejam políticos, que às vezes são mentiras e que outras vezes não falam toda a verdade. Em uma sociedade cada vez mais egocêntrica e autorreferencial, uma atitude que também tomou conta do universo religioso, as pessoas querem tudo à medida deles. Seu predecessor, o Papa Francisco, é alguém com quem muitas pessoas comparam o Papa Leão XIV. O fato de não ser igual é motivo para muita gente querer opinar, ignorando que cada pessoa é única e irrepetível. As pessoas esquecem que o que foi pedido pelo Colégio Cardinalício ao novo pontífice é que ele desse continuidade aos processos iniciados por seu predecessor. Temos que ser conscientes que a Igreja tem quase dois mil anos e que ela cresce na medida em que entende a necessidade de perpetuar aquilo que é constitutivo, mas assumindo que cada momento histórico precisa de respostas diferentes que são desenvolvidas por pessoas diferentes. Nesse sentido, a fidelidade do Papa Leão XIV a seu predecessor é algo evidente, mas também que ele é diferente. O Papa é um construtor de pontes, alguém que garante a comunhão na Igreja e essa comunhão se fez presente no Conclave em que o Papa Leão XIV foi eleito. O fato de ter sido eleito no quarto escrutínio manifesta que essa comunhão se fez presente entre os cardeais eleitores, querendo dar continuidade ao horizonte que a Igreja católica vem procurando nos últimos anos. Quando cada um pretende que as coisas sejam do seu jeito, que o Papa responda ao desejo de uma pessoa ou de pequenos grupos de interesse a comunhão vai se debilitando e o futuro da Igreja é colocado em risco. A grandeza da Igreja estriba em sua catolicidade, em sua diversidade, em fazer presente o mesmo Evangelho, de modos diversos, em diferentes culturas e realidades, no meio de povos distantes. Que este momento histórico que estamos vivenciando como Igreja seja uma oportunidade para entender a riqueza que nasce da comunhão. Que sejamos conscientes que aquele que hoje guia a barca de Pedro precisa de nossa oração, de nossa cercania, para assim poder responder a uma missão que Deus e a Igreja lhe confiaram, de modo supressivo, mas que com a força do Espírito vai concretizar neste momento da história da humanidade e da Igreja católica.