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Solidariedade dos Capuchinhos da Alemanha realiza o sonho de uma escola em comunidade ticuna

A educação sempre tem sido uma prioridade da Igreja na Amazônia, muitas vezes fazendo aquilo que o poder público não consegue ou não quer fazer. Não podemos esquecer que a educação é instrumento de empoderamento, especialmente para os mais pobres. Na diocese do Alto Solimões a presença dos frades capuchinhos ao longo de décadas tem ajudado no crescimento dos povos indígenas no campo da educação. Na paróquia São Francisco, de Belém do Solimões, os frades têm se empenhado em fazer realidade uma Igreja inculturada, com rosto amazônico e indígena. Mais uma prova disso é o acontecido em Nova Jutaí, a última comunidade do igarapé de Belém, um local de difícil acesso, onde recentemente tem sido inaugurada a nova escola realizada pelos Frades Menores Capuchinhos do Amazonas e Roraima. Na missa, presidida por Frei Paolo Maria Braghini, foi abençoado o projeto “Escola, futuro das crianças ticuna“. A escola, que tem sido motivo de grande alegria e gratidão para toda a comunidade, como mostram os testemunhos recolhidos, é fruto do projeto apoiado pela MZF – Missionszentrale der Franziskaner e. V. da Alemanha. Os vídeos recolhidos no blog da paróquia de Belém doSolimões mostram o agradecimento das crianças, dos jovens, dos pais e das mães, dos professores e das lideranças da comunidade. São gratos aos capuchinhos da Alemanha, mas também a Deus que suscitou a solidariedade que faz possível ter aquilo que, pelo descaso do poder público, está faltando em tantas comunidades da Amazônia. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1, com informações da paróquia de Belém do Solimões

Todos somos chamados, e o chamado requer uma resposta. Qual é a minha resposta?

A Igreja do Brasil celebra em agosto o Mês Vocacional, algo que nos leva a entender a nossa vida como resposta a um chamado. Nossa vida é consequência de nossas respostas, que nos levam a fazer escolhas, mas também nos comprometem a perpetuar no tempo as opções que um dia tomamos livremente. Quem é que chama? Como reconhecer esse chamado? Como superar os medos que nos paralisam e nos impedem responder diante de tantos chamados que a gente recebe ao longo da vida? A vida tem muitas mais perguntas do que respostas e as respostas que um dia a gente deu provocam novas e numerosas perguntas ao longo da nossa vida. No final das contas, o que todo mundo procura é ser feliz, sabendo que essa felicidade tem múltiplas faces e que o que é caminho de felicidade para uma pessoa é motivo de frustração para outra. O decisivo é saber responder do modo certo, sem esquecer que as circunstâncias se tornam diferentes e que isso pode provocar mudanças futuras, pois não podemos esquecer que “o homem é o homem e a sua circunstância”, segundo disse o filósofo espanhol José Ortega y Gasset. A gente não pode controlar os chamados, pois não somos nós que escolhemos as perguntas, nem o momento em que elas acontecem. Com a gente ficam as respostas ou a falta delas, e isso a gente sabe tem consequências. Aprender a responder e confirmar as respostas ao longo do tempo representa um desafio na hora em que a gente pensa em vocação. Na sociedade e na Igreja nos deparamos com pensamentos que levam as pessoas a acreditar que tem vocações mais ou menos importantes, respondendo a parâmetros sociais e eclesiais fruto de estereótipos. A melhor vocação é aquela que ajuda a nos realizarmos pessoalmente e nos tornarmos instrumentos que ajudam a melhorar a realidade e a vida das pessoas que temos em volta. Vocação tem a ver com realização e não com posição, e ela é boa quando a gente disfruta com as escolhas que um dia fez, quando a gente vai crescendo e ajudando os outros a crescer. Vocação é caminho de felicidade e isso é algo que a gente sempre procura, de diferentes modos, cada um do seu jeito, mas que sempre vai estar presente em nosso pensamento. Não tenhamos medo de responder, tenhamos a coragem de assumir os chamados que a gente vai respondendo. Fazer isso com convicção vai nos ajudar a sermos mais felizes, mas também a fazer realidade um mundo melhor para todos e todas. Nunca esqueçamos que o chamado não é por acaso e que a coragem sempre é necessária para que possamos continuar olhando para frente e avançando no caminho da felicidade. Será que a gente topa? Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Editorial Rádio Rio Mar

Arquidiocese de Manaus comemora 25 anos de vida sacerdotal de Dom Jóse, padre Zenildo e padre Geraldo

A Catedral Metropolitana de Manaus acolheu na festa de São João Maria Vianney a celebração dos 25 anos de vida sacerdotal de Dom José Albuquerque, bispo auxiliar de Manaus, e seus condiscípulos, padre Zenildo Lima, reitor do Seminário São José, onde são formados os seminaristas do Regional Norte 1, e o padre Geraldo Bendaham, coordenador de pastoral arquidiocesano. A celebração contou com a participação do arcebispo metropolitano, Dom Leonardo Steiner, o bispo auxiliar, Dom Tadeu Canavarros, o bispo auxiliar emérito Dom Mário Pasqualotto, o bispo da prelazia de Itacoatiara, Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, e Dom Gutemberg Freire, bispo emérito de Coari. Junto com eles se fizeram presentes uma representação do clero, da vida religiosa e do laicato da arquidiocese, junto com familiares e amigos dos homenageados. Na homilia, partilhada pelos três, o padre Geraldo Bendaham destacou “a alegria de celebrar 25 anos de vida sacerdotal, esse ministério tão bonito, mas também tão exigente”.  Ele destacava a graça de Deus para poder viver este ministério, e também a colaboração das pessoas para viver seu sacerdócio. O coordenador de pastoral apelava as comunidades a cuidar da vida e da vocação dos padres para poder continuar sua missão com ardor e com alegria. O padre Zenildo Lima lembrava dois discursos proferidos 25 anos atrás, um de Dom Luiz Vieira, o arcebispo que os ordenou, e que os exortava a que fossem padres de verdade, e um outro dele próprio, em que falou “como é bom sermos portadores de uma boa notícia”, insistindo em que o mundo nunca é um ambiente hostil para o ministério sacerdotal. O reitor do Seminário São José destacava a necessidade de atualizar o ministério do padre, “para que o povo não deixe de acreditar, para que o povo não deixe de sonhar com a terra prometida, para que o povo não deixe de ter esperança, para que o povo não abandone a Aliança”. Os 25 anos de vida sacerdotal tem sido um tempo, segundo o padre Zenildo, de ampliar horizontes, de alargar a missão, a exemplo da missão de Jesus. Ele destacava como ao longo desses 25 anos a missão da Arquidiocese de Manaus cresceu, lembrando do cuidado dos moradores de rua, do trabalho que realiza a Fazenda da Esperança, a quem mostrava como novos interlocutores e destinatários da missão. “25 anos depois a alegria que a gente experimenta é de uma vocação com um talho eminentemente eclesial”, lembrava o padre. Ele insistiu em que a sua “é uma vocação de Igreja, quanto mais cresce a missão da Igreja, mais cresce os horizontes do nosso ministério”. Finalmente Dom José Albuquerque disse que “é uma graça, é um presente do céu, poder celebrar este aniversário de ordenação no dia de São João Maria Vianney”.  Segundo o bispo auxiliar, “celebrar 25 anos é reafirmar o desejo de querer continuar” insistindo em que “se nós somos apaixonados por esta Igreja particular de Manaus é porque um dia Cristo se tornou tão próximo, tão presente, que a gente quis ser como aquele padre, como aquela religiosa, como aquele agente de pastoral”, destacando a acolhida das comunidades por onde eles passaram. Segundo o bispo, sua vocação é fruto de um trabalho missionário, de homens e mulheres que foram grandes profetas e profetizas. Para Dom José, “o amor a Cristo, o amor à Igreja, o amor ao povo, fez e faz com que a gente se torne irmãos de verdade”.  Ele pedia que “Cristo nos ajude a sermos suas testemunhas e que possamos, mesmo com as nossas fraquezas, com as nossas infidelidades, com os nossos defeitos, ser um sinal, ser um incentivo para que outros jovens acreditem na vocação”. Após renovar as promessas sacerdotais na frente de Dom Leonardo Steiner, o arcebispo de Manaus destacou que os homenageados “exercem na arquidiocese ministérios importantes, serviços importantes”. Segundo ele, “há 25 anos atrás não poderiam imaginar que poderiam dar essa grande contribuição à Igreja de Manaus”, algo que o levou a agradecer pelo seu ministério e serviços. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

“Reiteramos apoio incondicional ao sistema eletrônico de votação”, afirma CNBB e entidades do Pacto pela Vida

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), junto com outras cinco entidades da sociedade civil, emitiram uma nota de solidariedade ao Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ministro Luís Roberto Barroso. A nota lembra a postura das entidades, que fazem parte do Pacto pela Vida, que já em março de 2020, “reagiram publicamente a ameaças feitas pela autoridade máxima da Nação, contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal”, conclamando “a sociedade brasileira a zelar pelas instituições”. As entidades afirmam que “lamentavelmente, o processo de erosão democrática prossegue, atingindo contornos incompatíveis com o equilíbrio entre os Poderes e a manutenção do clima de paz e concórdia entre os cidadãos”. Por isso, criticam abertamente as tentativas a de “demolir o edifício democrático”, deixando de cuidar da pandemia, que já se cobrou mais de 550 mil vidas. O escrito denuncia as “tentativas de ruptura da ordem institucional, hoje tratadas abertamente”, afirmando não tolerar as ameaças da “não realização de eleições em 2022, caso o resultado das urnas possa vir a contrariar os interesses daquele que detém o poder”, insistindo em que “não são os políticos de plantão, nem grupos civis ou militares ligados a eles, que determinarão a integridade do processo eleitoral”, defendo o papel da Constituição. Diante da grave situação reiteram “apoio incondicional ao sistema eletrônico de votação”, apelando ao Congresso Nacional para que o proteja, dado que se trata de uma “grande conquista da sociedade e prova da eficiência da Justiça eleitoral brasileira”.

Um ano do Massacre do Abacaxis: “Nós não podemos deixar morrer essa questão”, afirma Dom Leonardo

Os conflitos envolvendo terra e as comunidades tradicionais e povos originários se tornaram uma constante na Amazônia. Neste 4 de agosto completa um ano do Massacre do Abacaxis, em que indígenas e ribeirinhos na região do Rio Abacaxis e Rio Marimari, entre os municípios de Nova Olinda do Norte e Borba, no Estado do Amazonas, foram assassinados. Ao se completar um ano, para combater a impunidade, tem acontecido o seminário “Um ano do massacre do Abacaxis: Haverá justiça?”, em que a Arquidiocese de Manaus, o Conselho Indigenista Missionário, Comissão Pastoral da Terra e outras entidades civis tem promovido uma reflexão com a participação de indígenas e ribeirinhos e representantes de diferentes entidades sociais e eclesiais. O Seminário tem sido momento para cobrar justiça, mas também para relatar as consequências de um conflito que permanece latente. A principal consequência é que “perdemos essa liberdade dentro do nosso próprio território”, segundo Jair Reis, liderança do povo Maraguá. Ele denunciava “as invasões de caça, de pesca, de madeireiro, de garimpeiro”, e junto com isso, a instauração no meio do povo do terror, o medo e as ameaças, denunciando que “não podemos fazer nada”, se perguntando se “haverá justiça para isso”, pois “passou um ano e nada foi resolvido”. Esse é um relato que também tem sido partilhado pelas lideranças das comunidades ribeirinhas da região e do povo Munduruku, relembrando o acontecido um ano atrás. Do Seminário participaram a deputada Joenia Wapichana, que pediu a apuração das ilegalidades, denunciando as violações de direitos indígenas que estão acontecendo no Brasil, e o deputado José Ricardo, mostrando a vontade do poder público de promover leis para revogar os direitos indígenas reconhecidos pela Constituição Federal, e o fato de que o Brasil tem “um governo que de forma deliberada age contra os povos indígenas, desmontando as estruturas públicas”. Em representação do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Yuri Costa, que definiu o Seminário como “um ato para continuar na luta por justuça”. Desde o Ministério Público no Estado do Amazonas, Fernando Merloto Soave falava sobre as omissões do poder público, algo muito presente nas comunidades amazônicas, sendo o caso abordado uma referência nesse sentido. Também desde o Ministério Público Federal em Brasília, Felício Pontes chamava a analisar a atividades que estão colocando em risco as populações tradicionais na Amazônia, afirmando que o desejo das comunidades de viver em harmonia com a natureza foi a causa do massacre do Rio Abacaxis. A Igreja tem estado junto desde o início, segundo Dom Leonardo Steiner, citando o acompanhamento do CIMI, CPT, SARES e Arquidiocese de Manaus. O arcebispo de Manaus definiu a situação do Rio Abacaxis como “um momento extremamente difícil, difícil porque o Estado que deveria proteger, viola, destrói, mata”, denunciando que “a Polícia Militar, ela existe para proteger, não para matar”, afirmando que todos sabemos “o que aconteceu e quem são os culpados”, esperando o agir da justiça, que definiu “não como direito, mas como a equidade necessária para a tranquilidade social, para haver relações sociais equânimes”. Dom Leonardo pediu que o Seminário possa ajudar a acordar a sociedade, destacando o esforço dos organismos da Igreja “para não deixar silenciar essa tragédia que aconteceu”. O arcebispo espera que “permaneçamos ativos, acordados e recordando sempre de novo a necessidade de que as pessoas sejam responsabilizadas e os corpos sejam encontrados”. Por isso, ele insistiu em que “nós não podemos deixar morrer essa questão, não podemos deixar desaparecer”. O Seminário foi momento para numa celebração ecumênica fazer memória das vítimas, que além de contar com representantes de diferentes igrejas, congregou lideranças indígenas e familiares das vítimas, recordadas na celebração. Foi momento para denunciar o sofrimento do povo e os abusos de autoridade tão presentes na Amazônia, de mostrar solidariedade e que as comunidades e familiares das vítimas não estão sozinhos. No ato ecumênico, conduzido pelo padre Paulo Tadeu Barausse, o pastor Marcos Antônio Rodrigues, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana de Manaus, afirmava que o Rio Abacaxis poderia ser lembrado como lugar do sofrimento dos pobres. Segundo o pastor, “as águas do Rio Abacaxis se mancharam porque nós não soubemos cuidar daqueles e daquelas entre nós que precisam que a justiça se faça presença e vida na vida deles”. A voz trémula dos familiares foi mais um testemunho de uma dor ainda presente na vida dos moradores de uma região e de um povo que pediu justiça em nome de Deus. Numa carta pública, lida no final da celebração, onde foi lembrado que “o Massacre Abacaxis é um exemplo emblemático da violência das forças policiais no Estado, e também de impunidade quando a violência ocorre contra as pessoas mais vulneráveis”, denunciando abertamente “um Estado que mata, tortura, que vinga sob a mesma justificativa dissimulada de reprimir o tráfico de drogas”. A carta tem denunciado as marcas ainda gravadas na alma do povo, da falta de respostas diante da perda dos entes queridos, da falta de respeito pelos direitos fundamentais, da tortura e humilhação por parte da polícia, do aumento da violência e das invasões. Diante de tudo isso, as organizações que assinam a carta têm mostrado seu repúdio e insistido em que “não há polícia, não há governo e não há descaso que possam derrubar quem está unido na luta por justiça”. Por isso, mais uma vez pediram o esclarecimento do acontecido e a devolução dos corpos desaparecidos. Por isso, refirmaram o afastamento de toda a cúpula da segurança pública do Amazonas diretamente envolvida nas violações.  Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Padre Zenildo Lima: “A missão é o maior paradigma vocacional que a gente tem”

O Seminário São José de Manaus forma os seminaristas das nove Igrejas particulares que fazem parte do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Seu reitor é o padre Zenildo Lima, que no dia 4 de agosto, na festa de São João Maria Vianney, completa 25 anos de padre. Ele entende o ministério em função da missão, desde a abertura, desde uma perspectiva de encontro, numa Igreja que conversa e sabe escutar, começando pelos seus dinamismos internos, uma Igreja dialogal, sinodal. Os seminaristas de hoje fazem parte de uma juventude “muito mais massacrada desde o ponto de vista humano, das suas esperanças, dos seus sonhos”, mas também “na sua interioridade, nas suas perspectivas, nas suas esperanças, nos seus sonhos do que a juventude do nosso tempo”, afirma o reitor do Seminário São José. Numa Igreja sinodal, os padres, para serem sinodais, têm que ser envolvidos em processos sinodais, algo que segundo o padre Zenildo Lima não acontece no seminário, onde os jovens vivem restringidos ao ambiente de seminário, sem ter em conta “outros sujeitos também fazem parte do processo formativo diretamente”. O reitor do Seminário São José fala da necessidade de “pautar uma pastoral vocacional na perspectiva da missão, e consequentemente o engajamento ministerial, engajamento de eclesialidade, de serviço à missão, menos pautado nesta realização pessoal, subjetivista do indivíduo, mais a gente vai ter uma pastoral vocacional mais eficaz”. Depois de 25 anos de sacerdote, qual a leitura que faz? Nesses dias eu estou pensando muito nisso, porque estou fazendo de fato esta releitura, qual era a concepção do ministério que eu tinha, há 25 anos atrás, e qual é a concepção do ministério que eu tenho hoje. E essa concepção está sendo muito iluminada por aquele que vai ser o Evangelho dessa missa que a gente vai celebrar para comemorar os 25 anos: Jesus que se abre aos novos horizontes da missão. Sinteticamente, se poderia dizer numa chave de releitura, que eu compreendo hoje o ministério como uma realidade como uma realidade muito mais aberta, muito mais dirigida a outras pessoas do que aquelas categorias que eu pensava há 25 anos atrás. Eu pensava em ser padre para a Arquidiocese de Manaus, para as comunidades da Arquidiocese de Manaus, e para os católicos dessa comunidade. Hoje, eu compreendo o ministério para a Igreja que está na Amazônia, para a categoria de pessoas que não estão necessariamente nas comunidades eclesiais. Tem uma abrangência, uma abertura. Como ser padre hoje numa realidade que 25 anos atrás estava presente na vida da Igreja, mas digamos que estava congelada, e que hoje marca a vida da Igreja, que é uma Igreja sinodal? Esta pergunta parece muito com a homilia que o bispo fez no domingo da nossa ordenação. Ele perguntava qual a atualidade do ministério do padre. A gente estava beirando o ano 2000, era 96, qual a atualidade do ministério do padre para tempos tão diferentes. E me dei conta que se achamos que a nossa perspectiva é de enfrentamento, cada vez mais a realidade parece desafiadora para o ministério do padre. Se a perspectiva é de encontro, cada vez mais, ela é interpeladora para o ministério do padre. Nesse sentido, a Igreja sinodal é uma Igreja muito mais de encontro do que de enfrentamento, é uma Igreja que conversa, a partir de si mesma, sabe escutar os seus dinamismos internos. Mas também uma Igreja que é dialogal, que conversa com essa realidade, que ela é desafiadora, mas não é ameaçadora. Aquilo que vale para a Igreja, vale para o ministério, uma Igreja sinodal, uma Igreja que deixa de ser uma Igreja de enfrentamento, no sentido de se confrontar, de enfrentar tudo aquilo que a realidade está trazendo, para ser uma Igreja de encontro. Agora, essa experiência do encontro vai exigir dela outros tipos de enfrentamentos, mas não aqueles que ameacem a institucionalidade da Igreja, nem que ameacem a institucionalidade do ministério, enfrentamentos em relação a toda a realidade que ameaça a vida. De novo nessa linha da abrangência, sinodalidade hoje é sinal de encontro, encontro dentro da realidade da dinâmica da Igreja, encontro da Igreja com o mundo, Gaudium et Spes. Ao longo dos 25 anos, a Igreja lhe confiou diferentes serviços, já foi pároco, foi secretário executivo do Regional Norte 1 da CNBB, e agora é reitor do seminário. Antes de ser padre, foi seminarista e hoje acompanha a vida dos seminaristas. Qual a diferença entre os seminaristas de hoje e os seminaristas de 25 anos atrás, entre a formação presbiteral de hoje e aquela que vivenciou 25 anos atrás? É uma diferença que vai na linha da diferença das juventudes de 25 anos atrás das juventudes de hoje, do contexto de 25 anos atrás do contexto de hoje. Não é possível que a gente faça nenhum tipo de analogia ou de comparação valorativa, o que exige de nós é mais uma capacidade de leitura. Há 25 anos atrás a gente vivia um contexto com uma seria de exigências sobre nossa geração. A gente tinha que entrar mais em situações de enfrentamentos, a gente tinha uma realidade social de bastante dureza, falo de 1989, que foi o ano em que eu ingressei no seminário. Hoje nós temos uma juventude que enfrenta outros dramas. Na nossa época havia uma latência muito grande dos desafios sociais, de conjuntura que nos rodeavam. Hoje eu vejo a juventude muito mais massacrada desde o ponto de vista humano, das suas esperanças, dos seus sonhos. Nós somos tentados a perceber na geração dos seminaristas de hoje uma fragilidade maior do que a nossa, mas eu acho que seria precipitado fazer uma afirmação assim. Talvez eu posso dizer que é uma juventude mais massacrada, na sua interioridade, nas suas perspectivas, nas suas esperanças, nos seus sonhos do que a juventude do nosso tempo. Então, a formação presbiteral tem que levar em conta isso. Uma das dificuldades que eu tive no início desse serviço como reitor do seminário, era porque todas as minhas…
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REPAM lança a campanha #VacinaAmazonia apelando a mais vacinas e maior sensibilização

A lentidão do processo de vacinação na região amazónica e o fato de terem morrido mais de 100.000 pessoas levou a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) a publicar uma nota na segunda-feira, 2 de Agosto, assinada pelo seu presidente, Cardeal Pedro Barreto, e pelo seu secretário executivo, Irmão João Gutemberg Sampaio, lançando a campanha #VacinaAmazonia. O texto recorda as palavras do Papa Francisco nas quais ele afirma: “Todos devem tomar a vacina. Não é uma opção, é uma ação ética, porque está em risco a sua saúde, a sua vida, mas também a vida dos outros”. As causas desta situação, segundo a REPAM, residem na “falta de vacinas suficientes para imunizar a população amazônica e a desinformação em diversas partes do território”. Muitas pessoas tem se negado a receber a vacina. Tendo isto em conta, o texto recorda “o surgimento de novas ‘variantes’ do vírus, que são cada vez mais perigosas e mortais“, o que põe em risco a vida das pessoas. A REPAM lança um duplo clamor aos governos de cada um dos países para “que não meçam esforços para a compra e destinação das vacinas para a região amazônica. Que não se omitam diante das dificuldades e clamores, em especial dos mais pobres e fragilizados”; e às pessoas, pedindo-lhes “para que se vacinem e não se deixem levar pela desinformação. Que motivem e animem suas comunidades para este ato em favor do bem comum”. Finalmente, insistindo mais uma vez na necessidade de se vacinar, apela a permanecer “unidos na solidariedade e firmes na esperança de dias melhores“. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Jovens kokama participam da formação da Cáritas na Diocese do Alto Solimões

17 jovens do povo kokama participaram nos dias 29 e 30 de julho da formação da Cáritas na paróquia São Francisco de Belém de Solimões, diocese do Alto Solimões. Ao longo dos dias de formação, eles foram conhecendo o que é a Caritas, começando pelo significado da mesma palavra, como expressão coletiva do amor da Igreja, “a prática do amor organizado”. Partindo de texto do Evangelho, os jovens indígenas foram analisando Como é o amor de Deus? Desde a Caritas da diocese, que deu a formação, foi lembrado que “as ações da Cáritas devem estar iluminadas pela Palavra de Deus e devem ser reflexo do modo de amar de Jesus”. Depois foram apresentadas a missão da Cáritas brasileira e as três linhas de ação da Cáritas diocesana: Emergência, Políticas Públicas e Promoção humana. Isso foi levado para a realidade local, tentando descobrir situações de emergência presentes na vida do povo (picada de cobra, incêndio de casas com a perda de todos os bens das famílias, enchentes…), situações que demandam uma resposta rápida e organizada. Ao falar das políticas públicas, foi explicada a importância da participação cidadã, todos temos direitos e responsabilidades para com a sociedade. Foi falado que “a Caritas tem que dar a conhecer os direitos e deveres da população e promover ações que procurem o bem comum para todos, os mais vulneráveis”.   No encontro foram apresentadas as vidas do padroeiro da Cáritas, Dom Oscar Romero, e de alguns mártires que lutaram e entregaram sua vida em defesa dos direitos dos mais pobres: Ir Josefina Bakhita, Chico Mendes, Ir Dorothy Stang. Junto com isso, ao falar sobre a Promoção Humana, foram trabalhadas algumas situações: jovem em situação de dependência química, tráfico de pessoas, família em situação de risco de exclusão social e cuidado com a natureza (promoção da roça sem queima). Finalmente, se trabalharam as atitudes ideais dos agentes da pastoral caritativa, os passos para iniciar os grupos da Cáritas em suas comunidades, como organizar as reuniões e o trabalho da pastoral. Tentando responder à realidade que faz parte da vida dos participantes, se destacaram três ações a realizar de regresso nas aldeias: convocar pessoas novas, jovens e adultos, para Cáritas; repassar a formação a toda a comunidade; e montar o grupo Cáritas. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Com informações da Cáritas do Alto Solimões

Projeto Ajuri: Caricia da Igreja nas comunidades mais distantes e vulneráveis da Amazônia em tempo de Covid-19

  O Projeto Ajuri pela Vida na Amazônia, que está sendo encerrado em sua primeira etapa, foi criado pela Caritas Brasileira para reduzir os riscos de infecção da Covid-19 em comunidades vulneráveis no estado do Amazonas, Brasil. Tem sido 129 comunidades de 11 municípios, nas dioceses de Parintins e Coari e as prelazias de Tefé e Itacoatira, beneficiando 5 mil famílias, o que representa umas 25 mil pessoas. O projeto tem ajudado na construção de cisternas de captação de água, Kits de Higiene Pessoal, Kits de Desinfecção para Uso Doméstico, Materiais de Promoção da Higiene, e Impressão de Adesivos para Estações de Lavagem das Mãos. Também fazia parte do projeto a aquisição de Kit EPI para Cuidadores Domésticos, Materiais de RCCE, Spots de Rádio/TV, Publicações nas Redes Sociais e Carros de som. Valquíria Lima, da Articulação da Caritas Brasileira, insistiu em “valorizar o papel de todos os que participam do projeto, todos e todas são importantes, todos os trabalhos desenvolvidos precisam ser valorizados, o trabalho de cada pessoa permitiu a gente chegar até aqui”. Ela destacou que “se a gente está indo para a etapa 2 é fruto do trabalho coletivo”. Desde o Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, seu secretário executivo Francisco Lima, agradeceu a todos os colaboradores do Projeto Ajuri, em nome dos bispos, mas sobretudo em nome daqueles que receberam o Ajuri. Ele destacava que o projeto fez presente a Igreja do Regional nas comunidades mais distantes e que não tem assistência, destacando que foi uma oportunidade para ter acesso aos cuidados e às informações. Por isso, seu agradecimento aos agentes que estiveram na ponta. Finalmente, ele fez um chamado a refletir sobre os protocolos que muitas vezes inviabilizam desenvolver o trabalho. São muitas as famílias beneficiadas que agradecem pelo apoio do Projeto Ajuri, que tem ajudado a ser mais conscientes sobre os cuidados preventivos com a Covid-19, sendo realizadas ações com reconhecimento, valorização e respeito aos diferentes costumes e culturas locais com medidas para promoção da autoestima e o acolhimento, em momentos críticos de isolamento, distanciamento social e de muitas vidas ceifadas. Estamos falando de comunidades onde as ações do poder público não chega. O projeto enfrentou diferentes desafios, alguns educadores foram contagiados pela Covid-19 e diferentes motivos atrasaram o início e desenvolvimento do projeto, dentre eles o fechamento dos portos por conta de decretos municipais proibindo atracar as embarcações, e também o aumento dos casos de Covid-19. Junto com isso, também foi um desafio os deslocamentos de famílias inteiras, deixando suas comunidades temporariamente, devido às mudanças climáticas que provocam secas e estiagens prolongadas nas regiões gerando situações de miséria e fome. Não pode ser esquecido o desafio da logística, uma realidade muito presente na Amazônia, que dificulto os acessos, comunicação e a devolutiva de informações com maior agilidade e em menor espaço de tempo, pela não cobertura de internet. Também foi uma realidade muito presente a falta de assistência pelo poder público local às famílias infectadas. O projeto Ajuri tem sido uma oportunidade de fortalecimento da Caritas nas dioceses e prelazias que participaram do projeto, “ajudando a se fazer presente como Igreja em lugares onde a Igreja não chega”, segundo Márcia Maria de Souza Miranda. A articuladora da Caritas Regional Norte 1 relata o desafio financeiro da Igreja da Amazônia. Segundo ela, “a Igreja é presença de esperança na vida do povo que vive muito distante”, relatando as experiências vividas pelos educadores, que chegaram a viajar por 24 horas para chegar em algumas comunidades. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Aos 4 anos de Bispo de Itacoatiara, Dom Ionilton expressa “Um canto de ação de graças a Deus Trindade”

No dia 30 de julho, Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira completava 4 anos como bispo na Prelazia de Itacoatiara. Diante disso, ele escreveu um texto (ver aqui) onde diz que “do meu coração brota sempre um canto de ação de graças a Deus Trindade”. Dom Ionilton agradece pela sua família e pela família Religiosa Vocacionista; pelo chamado a ser bispo e pelos Bispos do Regional Norte 1 da CNBB; pelo acolhimento, carinho, amizade e comunhão do povo da prelazia; pelas pessoas com quem partilha a alegria de servir aos excluídos e marginalizados; pelas muitas atividades realizadas; pelos benfeitores econômicos. Nas suas palavras, o bispo de Itacoatiara, “reafirmo e peço a Deus a graça de viver o lema de meu ministério como bispo da Igreja: ‘Estou no meio de vós como aquele que serve’ (Lc 22, 27b)”. Ele diz ter consciência “de que fui chamado a servir a todas as pessoas que fazem parte da Igreja, mas, também, sou consciente que devo servir especialmente aos pobres, aos abandonados, aos que vivem nas periferias geográficas e existenciais, como fez Jesus e como fez a Igreja primitiva”. Junto com isso mostra seu compromisso com a Amazônia, com seu bioma e seus povos. O bispo pede perdão pelos seus pecados e que não esqueçam de rezar por ele, “para que eu possa servir sempre mais e melhor a vocês, pois tenho consciência de que sem a graça de Deus não posso ser fiel à missão recebida”. Finalmente, pede também pela Prelazia de Itacoatiara, colocando as características que ele espera tenha. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1