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Dom Leonardo publica novas orientações pastorais para a Arquidiocese de Manaus

  O arcebispo de Manaus publicou nesta sexta-feira, 30 de julho, um comunicado onde dá a conhecer as novas orientações a serem seguidas na Arquidiocese. Dom Leonardo Steiner agradece “a todas as comunidades que seguiram as orientações e determinações enviadas para o tempo de pandemia”. O arcebispo mostra sua “gratidão aos presbíteros e diáconos pela solicitude nesse tempo; muito obrigado aos consagradas e consagrados pela presença de ânimo e misericórdia. Deus abençoe às irmãs e aos irmãos que serviram e estiveram ao lado dos mais necessitados. Vivemos momentos difíceis, mas de profunda comunhão. Agradecemos a todos os que foram presença de solidariedade e de misericórdia. Como Igreja fomos e somos testemunhas do cuidado e do consolo”. Dom Leonardo afirma que “no mês de agosto retomamos as nossas atividades e nossos encontros, conforme consulta realizada na reunião do clero do mês de junho”, insistindo em que “o pároco com o conselho da Paroquia, com o conselho da Área Missionária, deverá analisar a conveniência do retorno das atividades, levando em consideração a realidade da pandemia local”. Ele lembra que “o tempo ainda é de cuidado, por isso as celebrações, as procissões, as manifestações com grande número de pessoas, necessitarão de uma averiguação oportuna”. Diante disso pede que “permaneçamos atentos quanto às recomendações sanitárias e os devidos cuidados”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Dom Cláudio Hummes: “Que busquemos alcançar uma participação eclesial, caminhar por novos caminhos”

“Estarmos muito atentos à missão muito especial que temos na Amazônia“, uma necessidade que o Cardeal Claudio Hummes insistiu no início da Assembleia Ordinária da Conferência Eclesial da Amazónia (CEAMA), que se realizou virtualmente neste 30 de julho. Um dos representantes do episcopado brasileiro na CEAMA é Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus. Segundo o presidente da CEAMA, o Papa Francisco convida-nos a pôr em prática, e isto depende sobretudo dos bispos, a levar a sério a missão que temos depois do Sínodo para a Amazónia, um processo em busca da grande reforma da Igreja. Foi por isso que pediu a todos para se perguntarem se alguma coisa realmente mudou nas dioceses, vicariatos e prelazias, e se as pessoas estão conscientes desta mudança. Para o presidente da CEAMA, é necessário ser uma rede, e não trabalhar isoladamente, que a rede não fique numa ideia. O Cardeal Hummes salientou a necessidade de estarmos conscientes de que estamos num processo de reforma que o Papa Francisco propôs à Igreja. Neste caminho da CEAMA, a Assembleia Ordinária, que se realiza três vezes por ano, pretendia nesta ocasião ser uma oportunidade para fazer avançar o processo de formulação de um plano pastoral para a Amazônia, de acordo com o Cardeal. Por esta razão, apelou a “não ficar em formalidades, mas também a procurar coisas reais que façam avançar o processo”. A Assembleia foi um momento para informar sobre os passos dados na primeira metade de 2021 e para avançar na construção do Plano Pastoral como um todo, bem como para contribuir para a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe. Segundo o padre Alfredo Ferro, este plano pastoral está dividido em seis pontos, que resumem os objetivos estratégicos da CEAMA: escuta-visibilização-intercâmbio; dinamização da prática pastoral numa chave sinodal; comunicação; formação; diálogo e alianças; e consolidação da CEAMA. O secretário executivo da CEAMA apresentou os principais compromissos, baseados nas conversões e sonhos presentes no Documento Final do Sínodo e em Querida Amazônia, que abordam as dimensões sócio-políticas, culturais, ecológicas, pastorais-eclesiais e sinodais. Os objetivos estratégicos são concretizados em planos pastorais, experiências, que nascem do concreto, do específico, algo a ser realizado pelas diferentes instituições que compõem esta rede: Celam, CEAMA, REPAM, CLAR e Cáritas. Os participantes na Assembleia salientaram a necessidade de elaborar um Plano Pastoral que complemente os planos pastorais de cada Igreja particular, para ajudar a novidade que a CEAMA representa a crescer e contribuir para a Igreja universal no processo de renovação que Laudato Si e Fratelli tutti nos indicam. Neste sentido, há elementos que nasceram da reflexão sinodal e que não podem ser esquecidos, tais como a ministerialidade, o rito amazónico, o acesso à Eucaristia ou o diaconato. A CEAMA representa uma novidade do Espírito, que é tecer caminhos, algo que somos chamados a comunicar ao mundo. É também importante que as diferentes comissões possam avançar, que mais pessoas se envolvam nelas, para que se tornem eclesiais e não sejam reduzidas a um pequeno grupo, que haja uma maior articulação com as conferências episcopais e as dioceses, e que compreendamos que estamos perante uma oportunidade de aprender juntos a sinodalidade, de pensar o geral a partir do local e vice-versa. Neste sentido, foi salientada a importância de incluir pessoas do território na reflexão das comissões e de promover a reflexão teológica, de fazer dela um plano eclesial, e não apenas episcopal, da relação entre as diferentes instituições, de escutar, trocar e tornar visíveis como elementos importantes para chegar a esta Igreja renovada numa chave sinodal, de ser uma Igreja ministerial com a participação de mulheres nos ministérios, de formar agentes pastorais e seminaristas para criar esta Igreja com um rosto amazónico. A Amazónia é um lugar onde se destaca a importância da pedagogia do pequeno, onde é semeada e germina pouco a pouco. Por esta razão, é essencial que não peçamos frutos antes que as sementes germinem. Para isso, é necessário sensibilizar para os conteúdos que estão surgindo, com a nova forma de trabalhar, avançando em ideias que mais tarde podem ser uma contribuição para além da Amazônia, pensando no Sínodo dos Bispos. Os participantes discutiram as contribuições para o Plano Pastoral da Igreja Amazônica, sublinhando que é importante reconhecer as prioridades e responder a elas como Igreja, procurando linhas e ações comuns a partir da comunhão, tendo em conta as tradições comuns. Neste sentido, a CEAMA é chamada a reunir aspectos comuns dos planos pastorais diocesanos e oferecer elementos comuns, linhas e não ações concretas, que possam ser resgatadas localmente, vivendo assim o princípio da subsidiariedade. Dar linhas e não planos estruturados, gerando modelos de ação que podem ser replicados em outras áreas. Na Igreja da Amazônia é necessário promover os leigos, aos quais devem ser oferecidos processos de formação, como uma presença eclesial reconhecida, para preencher o vazio pastoral, especialmente nas periferias. Isto porque é necessário abordar situações que exigem uma resposta, como a celebração dos sacramentos nas comunidades, sem a presença do ministro ordenado, dando maior valor à Palavra de Deus. É uma questão de superar os esquemas clericais. No Plano Pastoral da CEAMA, que deve promover uma estrutura eclesial baseada numa Igreja Povo de Deus, deve procurar-se um critério social que conduza à defesa da Amazónia, do bioma e dos seus povos, do desejo de o apropriar por interesses económicos, resgatando o conhecimento das culturas ancestrais. Sabendo que não é fácil iniciar novos caminhos, a CEAMA não pode esquecer que este Plano Pastoral de Conjunto é fruto do mandato do Papa, que vê a Amazônia como um lugar de novos caminhos, uma ideia que vem de Aparecida. A Igreja amazônica tem diferentes elementos para contribuir para a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, que se realizará de 21 a 28 de novembro e que até 30 de agosto está realizando seu processo de escuta. Entre os elementos destacados estão a promoção do protagonismo dos leigos e das mulheres, através de equipes missionárias; evangelização ligada ao território e à questão da ecologia integral; formação…
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Roda de Conversa da REPAM-Brasil: o desafio de amazonizar o Brasil e o mundo

Refletir sobre um desafio que pode ser considerado de grande importância para os povos e a Igreja da Amazônia: amazonizar-se. Ajudar a assumir essa atitude tem sido o propósito de diferentes organizações eclesiais e sociais ao longo do último ano. Querendo “sensibilizar a opinião pública brasileira e internacional sobre os perigos a que está sendo exposta a Vida na Amazônia, seu território e as populações”, a REPAM-Brasil preparou uma roda de conversa (pode baixar aqui) para ajudar a refletir sobre essa realidade, mostrando “a gravidade da situação enfrentada pelos Povos na Amazônia, agravada pela pandemia da Covid-19”. Amazonizar é uma palavra usada pela primeira vez em 1986, quando o bispo de Rio Branco, no Acre, Dom Moacyr Grechi, usou esse termo em uma carta pastoral. Ele “convocava o povo a assumir a causa da Amazônia e a defesa de seus povos”. O Sínodo para a Amazônia popularizou a palavra, sendo assumida como foco da campanha, fazendo “um chamado para todas as pessoas a se amazonizarem”, algo que continua. O material elaborado pela REPAM-Brasil começa acolhendo as pessoas, convidando para a oração e fazendo a recordação da vida. Lembra o texto que “a Amazônia e seus povos são continuamente alvo de práticas de exploração sem limites que colocam em risco toda a vida daquele território”, algo que a pandemia acrescentou. Daí insiste na urgência de “ações de solidariedade para garantir a existência dos povos originários e das comunidades tradicionais”, relatando ações que estão sendo “desenvolvidas pela Igreja, organizações populares e movimentos sociais”. “Amazonizar” deve levar a “reconhecer as lutas e resistências dos Povos da Amazônia que enfrentam mais de 500 anos de colonização e de projetos desenvolvimentistas pautados na exploração desmedida”, relata o texto. Mas também é “o despertar de todo o povo em defesa da Amazônia, seu bioma e seus povos ameaçados em seus territórios”. “Amazonizar também significa portar o mundo de sentido, sensibilidade, contemplação e comprometimento para com a obra da criação”. Comprometer para reconhecer as violações de direitos dos povos e do meio ambiente é amazonizar, diante de diferentes situações:  Queimadas e desmatamento, um número que só aumenta a cada ano, como mostram os testemunhos que aparecem no texto; Garimpo e mineração em terras indígenas, que aumenta as doenças, levando à morte, como acontece com os Yanomami em Roraima, com os Munduruku no Pará; Conflitos por terra, que em 2020 teve o maior número desde 1985; Criminalização e ameaças de lideranças; Indígenas na cidade, a quem são negados direitos fundamentais. O roteiro aporta uma palavra de vida e luz diante da realidade e “aponta horizontes para vivermos de forma plena e compromissada com a nossa casa comum”. Para isso lembra os sonhos do Papa Francisco em Querida Amazônia, mas também as reflexões que surgem dos povos e culturas da Amazônia, fazendo um apela a se amazonizar e se questionar. Como diz a oração final, “É hora de colocarmos toda essa bagagem em nossa canoa e navegarmos pelas águas desse nosso imenso Brasil. É hora de contribuirmos para que todas e todos tenham consciência da importância da Amazônia e de seus povos. É hora de Amazonizarmos o mundo!” Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Quanto Vale a Vida?: Infelizmente, nem todas as vidas valem a mesma coisa

Quanto Vale a Vida? A partir dessa pergunta, a Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), junto com outras organizações querem que a gente pare e reflita sobre um dos crimes mais macabros que fazem parte da condição humana: o Tráfico de Pessoas. Pessoas vistas como mercadoria, que podem ser compradas e vendidas, que podem ser descartadas quando o lucro já não responde às expectativas. O tráfico de pessoas, algo presente na história da humanidade desde seus primórdios, nos mostra a crueldade que faz parte da condição humana, que se aproveita do outro em benefício próprio, deixando de lado uma atitude que sempre deveria estar presente no meio de nós: a fraternidade. Diante dessa realidade, o 30 de julho, data declarada pela ONU como Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, não pode passar batido. É momento de se mobilizar, de defender a vida, de denunciar. Não podemos esquecer que mais de 2 milhões de pessoas são vítimas do tráfico humano no mundo. São várias as modalidades de tráfico de pessoas, mas a maioria são mulheres, crianças e adolescentes aliciadas para a exploração sexual ou mão de obra escrava. Ser livre é um direito de todas as pessoas, mas que nem todas têm diante do fenómeno do tráfico humano. Quando a gente sabe dessas situações e não denuncia se torna cúmplice, partícipe de algo que pode ser considerado uma ofensa aos direitos humanos, de uma realidade que oprime e escraviza, que fere a dignidade das pessoas, que viola os direitos fundamentais. Na sociedade contemporânea não podemos tolerar que as pessoas sejam traficadas, se tornando vítimas de uma das piores violências. O tráfico humano está próximo da gente e continua estando porque a nossa omissão possibilita que pessoas sem escrúpulos possam praticar esse crime, com impunidade, provocando dor e sofrimento nos mais fracos. O Dia 30 de julho tem que ser uma oportunidade para declarar abertamente e assumir com coragem que a vida não tem preço, que ela não pode ser comprada nem vendida, que ela não pode ser explorada. Esse deve ser um sentimento presente na vida da gente, de cada pessoa, sabendo que a falta dessa atitude nos desumaniza, pois perdemos o respeito por aquilo que é sagrado: a vida em plenitude de toda pessoa. O que fazer para que algo assim seja realmente assumido? Como implicar os governantes para que sejam investidos os recursos que ajudem a fiscalizar essas situações de trafico humano e punir àqueles que se acham donos da vida dos outros? Como visibilizar esse crime e provocar mudanças radicais que acabem com o tráfico de pessoas? São muitos os questionamentos que surgem diante dessa realidade, especialmente naqueles momentos em que o calendário nos lembra que ela existe e deve ser enfrentada e combatida. Muita gente se esforça cada dia no combate do tráfico humano, salvando vidas e se tornando um incentivo para não deixar passar mais uma oportunidade. A resposta depende de cada um e cada uma, mas não esqueça que a Vida vale mais do que aquilo que alguém poderia chegar a pagar, ela é sagrada. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Encerramento da Campanha Amazoniza-te: celebrar conquistas e chamar a atenção para violações de direitos dos povos e da Amazônia

Em julho de 2020, diferentes organizações eclesiais, dentre elas te o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), Mídia Ninja e o Movimento Humanos Direitos (MHuD), lançaram a campanha Amazoniza-te.  A campanha que contou com o apoio da Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (ANEC), as Pontifícias Obras Missionárias (POM), o Observatório Nacional de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida (OLMA) e a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), será encerrada nesta quinta-feira, 29 de julho, às 20 horas de Brasília. A campanha “Amazoniza-te” nasceu do diálogo entre organizações eclesiais e da sociedade civil a partir da necessidade de sensibilizar a opinião pública brasileira e internacional sobre o perigo ao qual está sendo exposta a vida na Amazônia. O desmonte dos órgãos públicos de proteção ambiental, o desrespeito contínuo da legislação, bem como ausência da participação da sociedade civil nos espaços de regulação e controle das políticas públicas também fomentaram a criação da campanha.  Ao longo de um ano, a campanha, através de diferentes ações, tem chamado a atenção para as ameaças na região, querendo dar visibilidade as lutas dos povos da Amazônia e aos perigos que estão expostos. O evento desta quinta-feira, que tem por nome Dia A – Amazoniza-te, e que será realizado virtualmente, pretende celebrar as conquistas da campanha Amazoniza-te e mobilizar toda a sociedade para a tomada de consciência em vista da Amazônia e seus povos. O evento deste dia 29 será momento de celebração, com orações e apresentações de artistas da Amazônia, de relembrar as conquistas da campanha e divulgação de uma série de podcasts e materiais informativos sobre os desafios da realidade amazônica vivenciada por suas populações. Junto com isso, serão divulgados uma série de reportagens que detalha, a partir de casos emblemáticos, o cenário de violência contra os povos amazônicos. Estamos diante de mais uma oportunidade para relembrar e mobilizar toda a sociedade para a tomada de consciência em vista da Amazônia e seus povos. A Campanha tem sido um chamado para que todas as pessoas se amazonizassem, segundo a Ir. Maria Irene Lopes. A diretora executiva da REPAM-Brasil destaca que “essa convocação não se encerra com a campanha, na realidade, ela se estende para todas as nossas lutas e ações em defesa da nossa casa comum”. O coordenador de articulação da REPAM-Brasil, Paulo Martins, também insiste nessa mesma ideia, diante de uma campanha iniciada há um ano e realizada em quatro etapas. A campanha conseguiu mobilizar uma série de organizações sociais e eclesiais buscando dar visibilidade à realidade da Amazônia. De acordo com Martins a campanha chega ao final com um saldo muito positivo e com novas perspectivas. Segundo ele, “encerramos nessa semana apenas a campanha, pois o imperativo ‘Amazoniza-te’, agora, é parte das nossas ações e articulações. Nós, enquanto organizações que atuamos na Amazônia, temos a missão de contribuir para que toda a sociedade aprenda a conjugar e a viver o verbo amazonizar”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Padre Alfredinho: “Graças à Igreja o povo ainda está de pé, porque o governo o abandonou completamente”

Multidão e compaixão tem sido os dois conceitos que alicerçaram a partilha que o padre Alfredinho fazia nesta segunda-feira, 26 de julho com membros do Serviço Pastoral do Migrante chegados de diferentes pontos do Brasil, principalmente da Amazônia. O encontro que aconteceu na paróquia São Geraldo de Manaus pode ser considerado como um passo prévio do Seminário que vai acontecer de 27 a 29 de julho na capital amazonense, um seminário formativo para as equipes pastorais do Serviço Pastoral do Migrante, onde será avaliado o trabalho realizado, haverá formação sobre legislação no campo migratório e serão colocadas perspectivas para os próximos meses. Em sua reflexão, o padre Alfredinho afirmava que “compaixão não é dar coisas, é colocar o próprio tempo ao serviço de, estar com na hora da paixão, estar com na hora do momento limite da vida”. Partindo da passagem do Evangelho em que Jesus vê a multidão cansada e abatida, disse que ele viu os migrantes cansados e abatidos, e teve compaixão. Ele lembrava que em hebraico, os sentimentos nascem das entranhas, afirmando que “estremeceram-se as entranhas de Jesus diante das multidões cansadas e abatidas”, perguntando aos presentes se isso tem acontecido com eles diante do sofrimento dos migrantes. Diante da situação atual que vive o Brasil, o padre Alfredinho afirmou que “graças à Igreja o povo ainda está de pé, porque o governo o abandonou completamente”. Por isso destacava que multidão e compaixão sempre vão de mãos dadas, juntando também a isso a solidão, uma realidade que se faz presente em muitas pessoas. Seguindo o tema da Semana do Migrante deste ano, se perguntava: “Quem bate à nossa porta?” Segundo ele, são “as multidões cansadas, abatidas, solitárias, de quem Jesus tem compaixão, de quem a Igreja tem compaixão, de quem o SPM tem compaixão, de quem os agentes têm compaixão, e se desdobram para oferecer pão, serviços, documentos, emprego, casa provisória, alguma coisa”. “Onde existem multidões cansadas e abatidas, manifesta-se a compaixão de Deus, estremecem as entranhas de Deus”, sublinhava o padre Alfredinho, afirmando que “só a compaixão é capaz de gerar palavras”. As multidões que procuravam Jesus, o procuram hoje, e o encontram nos agentes que cuidam dos migrantes, segundo o padre, mesmo diante das limitações e impotência diante da grandiosidade da tragédia provocada pela pandemia, a migração, o desemprego, que mostra uma tragédia muito grande para nossa pequenez. O que faz a diferença neste momento é a compaixão, insistia o padre Alfredinho, num mundo onde “o tecido social está podre”, algo que está tentando ser revitalizado por aqueles que se empenham em “dar nome, dar rosto, dar história e memória aos números”. Diante disso, ele disse que a tarefa da Igreja é “descobrir que por trás desses números existe um rosto, uma história, uma família, uma memória, uma vida fraturada, ferida, que precisa de cuidado especial”. São números que batem à porta de todas as cidades, de todas as fronteiras, de todas as casas, segundo o padre. São “vidas feridas, vidas que não cicatrizaram, vidas que sangram, vidas que tem os olhos grudados no chão pela vergonha”, afirmava o padre Alfredinho, lembrando daqueles que ficam nas filas pedindo o imprescindível para sobreviver. Estamos diante de “pessoas feridas, fragmentadas, desarrumadas, famílias quebradas”, vidas que se tentam costurar, mesmo no meio das impotências, debilidades, hostilidades e inimizades, rixas, invejas, ciúmes, o que demanda caminhar juntos e superar as diferenças instaladas na sociedade e na Igreja, que gastam nossas energias, que poderiam estar ao serviço dos caídos à beira da estrada, das multidões cansadas e abatidas. Ele insistia em que a postura do Serviço Pastoral do Migrante é evangélica, fazendo um chamado a estabelecer relações interpessoais gratuitas, com os olhos voltados para o horizonte, e não para nossos interesses, que segundo ele, “são muito sutis, eles passam pela vaidade, elas passam pelos ciúmes, eles passam pela inveja”. Ele chamava a trabalhar contra o vírus da pandemia, do negacionismo, da violência, da polarização ideológica… inclusive presente na Igreja, onde existem agentes “levando o vírus para as instâncias da pastoral“. Diante disso, o padre Alfredinho disse que “quem bate à nossa porta quer nos ver, no mínimo, convergindo as forças para o projeto social”, algo não presente diante de tanta desafinação existente. Ele se perguntava: “Diante de quem bate à nossa porta, nós oferecemos uma oportunidade de cidadania ou nós oferecemos um campo de conflitos ou de tensões?”, perguntando também o que cada um tem a oferecer diante das multidões abatidas que batem à nossa porta. O grande desafio da Igreja hoje é conseguir traduzir o rosto da misericórdia de Deus diante das multidões cansadas e abatidas, algo que mais ninguém vai fazer. Trata-se de mostrar aquilo que é a herança da Igreja, que nasce do Evangelho, que é a compaixão, que a herança que vai salvar a Igreja, vai salvar o Povo de Deus. Por isso perguntava aos presentes “até que ponto nós traduzimos essa compaixão, até que ponto nós somos essa compaixão de Jesus, até que ponto nós somos personificação conjunta dessa compaixão de Jesus?”. Segundo o padre Alfredinho, “a melhor pátria, a melhor cidadania que os migrantes têm hoje, é essa compaixão”, que eles vão encontrar nos agentes da Igreja. Por isso, questionava mais uma vez como estamos cuidando dessa herança, cultivando o bem-estar do migrante e o cuidado de uns para com os outros nos pequenos detalhes, “gestos que não custam nada e fazem um bem tremendo”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Dom Fernando Barbosa agradece aos participantes do Encontro de Formação da Prelazia de Tefé

Dom Fernando Barbosa, administrador da Prelazia de Tefé, agradeceu aos Padres, Conselho de Pastoral, Coordenação de Pastoral, Cáritas da Prelazia de Tefé, assessores do encontro, Regional Norte 1, Diáconos, Religiosos/as, Leigos e Leigas, Pastorais e Movimentos desta Igreja Particular de Tefé, pela participação do Encontro de Formação que aconteceu de 21 a 25 de julho. O bispo diz ter estado “inteiramente em comunhão através das minhas orações para que tudo ocorresse bem, e sempre acompanhando também através do contato constante com algumas pessoas”. Dom Fernando espera “que as forças tenham sido renovadas neste encontro de comunhão e partilha, é sempre bom beber da fonte para que possamos revigorar o ânimo e amor pela missão”. A mensagem conclui rogando “a Deus que vos abençoe para que continuem nesta caminhada sinodal, construindo uma Igreja Missionária e Profética”. Finalmente pede orações pela sua missão. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Papa Francisco pede aos comunicadores brasileiros promover “Uma comunicação que constrói pontes, que busca diálogo e supera as aporias ideológicas”

O Papa Francisco, por meio do Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, enviou uma mensagem aos participantes do Mutirão de Comunicação 2021, que nesta sexta-feira e sábado, 23 e 24 de julho, reuniu 5.600 participantes virtualmente. A mensagem do Papa foi lida pelo presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Walmor Oliveira de Azevedo. Após ser informado do Mutirão de Comunicação, o Papa Francisco desejou “transmitir o seu afeto e dirigir uma palavra de encorajamento para todos os participantes deste encontro que pretender encontrar novos caminhos para a promoção da ‘valorização do humano na comunicação’”. O Papa Francisco afirma que “os cristãos estão chamados a ser um sinal de esperança e solidariedade na sociedade brasileira tão atingida pela atual pandemia”. Esse ser sinal de esperança representa ser “instrumento de reconciliação, ser instrumento de unidade”, segundo o Santo Padre, insistindo em que “essa é a missão da igreja no Brasil: hoje mais do que nunca!”. O Papa Francisco fez um chamado a “deixar de lado as divisões, os desentendimentos”. Os comunicadores cristãos, segundo o Santo Padre, “devem estar na linha de frente da promoção de uma comunicação que constrói pontes, que busca diálogo e supera as aporias ideológicas”, recordando suas palavras no Mensagem do LV Dia Mundial das Comunicações Sociais, onde chamava a exercer controle sobre “as notícias falsas, desmascarando-as”. Luis Miguel Modino Martínez, assesor de comunicação CNBB Norte 1

O laicato da Prelazia de Tefé reflete sobre seu ministério enquanto membros da Igreja

A importância do laicato na Igreja da Amazônia é decisiva. São muitos os homens e mulheres que tem se tornado presença eclesial na vida do povo, nas comunidades ribeirinhas, indígenas, nas periferias das cidades, sendo catequistas e assumindo diferentes ministérios e serviços. Na Prelazia de Tefé não é diferente, trata-se de uma Igreja de comunidades, que ao longo dos anos tem se organizado para ser presença evangelizadora na região do Meio Solimões. Nos últimos dias, a Prelazia de Tefé tem realizado o Encontro de Pastoral, dividido em grupos, dada a pandemia da Covid-19 que impede reunir grande número de pessoas. Neste sábado, os leigos e leigas da Prelazia se encontraram para refletir sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Sinodalidade, as CEBs e a Escola de Formação, pontos abordados na quinta-feira pelo clero e a vida religiosa. Junto com isso abordaram questões próprias da organização do laicato em nível de Prelazia. Em referência às Diretrizes Gerais da CNBB, refletindo sobre a imagem da casa, presente no documento dos bispos do Brasil, Jorge Luiz Pinto, diz que “eu considero muito o envolvimento da família”. Segundo ele, “quando se pensa na casa, se pensa na família, pensando na família se pensa no contexto sagrado, e construir as diretrizes da Igreja a partir desse contexto da casa, da família, é construir um caminho levando em conta as vocações familiares”. Ele, que é ministro da Palavra na paróquia de Santo Antônio de e coordenador do Conselho de Leigos, destaca que no seu ponto de vista, “isso para Igreja é o essencial, construir as diretrizes da Igreja de dentro para fora. Essa Igreja em saída que o Papa fala, mas não só em saída para outros lugares, mas buscar de fato outras vocações que estão permeando a vida”. Para viver a sinodalidade, caminhar juntos como Igreja, uma das dificuldades é encontrar lideranças, “pessoas que estejam dispostas ao serviço das pastorais, desde a gratuidade para nossa missão como leigos”, segundo Oneide Lima de Castro. Ela, que faz parte da paróquia de Alvarães fala sobre a realidade das comunidades ribeirinhas, onde “a gente sente muitas vezes as dificuldades financeiras”. Segundo ela, “nossa paróquia não dispõe de recursos financeiros para chegar nessas comunidades, que são longínquas”, dificuldades que aumentam no tempo da seca, em que as despesas são maiores. Ela resume as dificuldades, na zona urbana, na questão das lideranças, “nós temos poucas pessoas para fazer esse trabalho da Igreja em saída, esse caminhar junto, ter mais pessoas dispostas a caminhar junto”. Oneide destaca que mesmo diante das dificuldades a Igreja se empenha em incentivar esse caminho, insistindo na importância do encontro como momento em que “eu posso me aprofundar nos documentos e ir cativando as pessoas para exercer um trabalho que possa ser mais produtivo na comunidade, dentro da paróquia”. Já Antônio Nascimento reflete sobre uma dificuldade presente na Prelazia de Tefé, que segundo ele “é a invisibilidade do papel do leigo. Às vezes a gente não se percebe enquanto leigo dentro da própria Igreja, nos seus serviços ministeriais”. Segundo ele, “é muito mais fácil você se significar como coordenador de pastoral, da catequese, da Pastoral da Saúde ou uma outra pastoral, mas essa identidade do leigo, a gente sente essa dificuldade”. Ele, que faz parte da coordenação do laicato, destaca a necessidade de “um trabalho de formação que o leigo possa perceber seu papel, seu ministério enquanto membro da Igreja laical”. “A Igreja, ela tem um traço muito forte do leigo e da leiga”, segundo Antônio, da comunidade São João Batista, na paróquia de Bom Jesus de Tefé. Ele insiste na necessidade de formação “para melhorar o serviço do laicato, um trabalho de vivência, de caminhada, de convivência em família, a gente não perder nossas raízes como cristãos”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Caritas, comunicação e Economia de Francisco e Clara centram o debate no Encontro de Pastoral da Prelazia de Tefé

O Encontro de Pastoral da Prelazia de Tefé, que acontece de 21 a 25 de julho, celebrou nesta sexta-feira, 23 de julho, a assembleia da Caritas da Prelazia de Tefé com a participação das instituições que fazem parte da Caritas e alguns convidados. Os trabalhos foram conduzidos pela presidenta da Caritas da Prelazia de Tefé, Francisca Andrade e o coordenador de pastoral da prelazia, padre Mellon A. Waïbena. A Caritas Brasileira, fundada em 1956 por Dom Helder Câmara, é uma rede de solidariedade, um compromisso com as causas sociais junto às pessoas em vulnerabilidade. Não podemos esquecer que o Papa Francisco define a Caritas como a caricia de Deus na Igreja. Segundo a presidenta da Caritas da Prelazia de Tefé, todos somos Caritas. Ela lembrava a missão da Caritas: “Testemunhar e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo, defendendo e promovendo toda forma de vida e participando da construção solidária da sociedade do Bem Viver, sinal do Reino de Deus, junto com as pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social”. Junto com isso apresentava as diretrizes e orientações estratégicas. A Caritas Brasileira se faz presente em diferentes níveis, regional, nas dioceses e prelazias e nas paróquias, sempre desde a perspectiva de ser serviço de solidariedade da comunidade. Daí a importância dos encaminhamentos para responder à realidade: organizar, estruturar e dialogar. Para isso se faz necessário trabalhar em rede desde a realidade, na perspectiva da sustentabilidade. A Caritas da Prelazia de Tefé tem realizado um grande trabalho durante a pandemia, principalmente a través do Projeto Ajuri amazônico, que acompanha duas mil famílias em 6 municípios da Prelazia. Trata-se de levar esperança para a população, fazendo aquilo que o poder público não faz. Desde a Caritas da Prelazia de Tefé estão sendo acompanhados diferentes projetos de economia solidária e geração de renda. Durante a Assembleia da Caritas foi apresentado o trabalho que faz a Rede um Grito pela Vida, que acompanha o trabalho que está sendo feito, principalmente pela Vida Religiosa, no combate do Tráfico de pessoas e o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes, uma realidade presente na Amazônia e que o Regional Norte 1 assumiu como uma das suas prioridades. A eleição da nova diretoria, que deveria ter acontecido na assembleia, foi adiada, segundo a orientação de Dom Fernando Barbosa dos Santos, administrador da prelazia, até a chegada do novo bispo, momento em que deve ser convocada uma nova assembleia eletiva. O encontro foi momento para refletir sobre a comunicação na Prelazia. A Pastoral da Comunicação está dando passos na articulação desse trabalho nas paroquias e na Prelazia. Mesmo diante das dificuldades, incrementadas numa região onde o acesso à internet nem sempre é fácil, a reflexão tem ajudado a entender a importância de investir numa pastoral que a pandemia da Covid-19 tem mostrado sua importância na caminhada da Igreja. Aos poucos, vai se tomando consciência disso e descobrindo a necessidade de investir em formação, algo que a Rádio Rural de Tefé, a rádio da Prelazia, que com 58 anos é a mais antiga da região, está programando para os próximos messes. No final do dia, a irmã Michele Silva, que faz parte da Articulação Brasileira de Francisco e Clara, apresentava o que é esta iniciativa do Papa Francisco na tentativa de re-almar a economia. Após apresentar como está sendo realizado o trabalho em nível mundial e brasileiro, a religiosa mostrava os passos que estão sendo dados na articulação na Amazônia Legal e no Regional Norte 1. Experiências que podem ser consideradas expressões da Economia de Francisco e Clara já estão acontecendo, inclusive na Prelazia de Tefé. A irmã Michele relatava algumas experiências nesse sentido dentro da Prelazia, algo que também foi partilhado pelos participantes do encontro, que relatavam algumas experiências que estão sendo desenvolvidas nesse sentido, destacando a importância de valorizar aquilo que a gente tem. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1