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Muticom 2021 reúne 5.600 comunicadores da Igreja do Brasil

A Igreja do Brasil realiza nos dias 23 e 24 de julho o 12º Mutirão de Comunicação. O tema deste ano, que tem mais de 5.600 inscritos, o maior número de participantes até o momento, será “Por uma comunicação integral: o humano nos novos ecossistemas”. O encontro virtual, terá 6 conferências, apresentações culturais, reflexões e diálogos. Trata-se do maior encontro de comunicação eclesial do país. Devido às restrições impostas pela pandemia e as orientações das autoridades sanitárias, visando a segurança dos comunicadores, ele será 100% on-line.  O evento contará com a presença de agentes que desenvolvem diferentes trabalhos na área da comunicação eclesial. Será momento de encontro, mas também de lembrar tantos comunicadores vítimas da Covid-19, segundo Everton Barbosa, assessor de comunicação da Arquidiocese de Maringá (PR). Segundo ele, é um momento de “esperança por uma comunicação renovada, a partir da verdadeira solidariedade. Será um momento marcante, de profunda reflexão por uma comunicação humanizada. O Muticom nos dá esperança“. Não podemos esquecer que comunicar é algo que a Igreja não pode deixar de lado, pois na medida em que comunicamos anunciamos a notícia, e nós como discípulos de Jesus Cristo, somos chamados a anunciar a boa notícia do Evangelho. Fazer uma boa comunicação é fazer uma boa evangelização. Também tomar consciência de que comunicamos em nome da Igreja, da necessidade de viver a comunhão e estabelecer redes que fazem com que aquilo que acontece nos diferentes lugares do Brasil seja espalhado e possa ajudar a construir uma Igreja onde todos sejamos protagonistas, e possa ser vivida a sinodalidade e a comunhão que devem estar presentes em nossa caminhada. O evento, que será transmitido pelas redes sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), terá a assessoria do Prof. Massimo Felice, que vai refletir sobre o tema do Muticom 2021, “Por uma comunicação integral: o humano nos novos ecossistemas”. Na sexta-feira também vai acontecer a palestra da Prof. Magali Cunha, sobre a “Comunicação para a paz em tempos de fake news e ultraconservadorismo”. Junto com as conferências irão acontecer apresentações culturais. Ao longo do sábado os participantes do encontro irão refletir com a assessoria do Prof. Moisés Sbardelotto, quem vai falar sobre “Era do onlife: real e virtual se (com)fundem. Também na Igreja?”. Junto com esse tema serão apresentadas outras 3 palestras: “Retomar as rédeas do mundo: o humano-cristão nos novos ecossistemas à luz da Fratelli Tutti” com o Prof. Dr. Norval Baitello Júnior; “Comunicação para o bem viver em tempo de máxima desigualdade” com a Prof. Viviane Mosé; “”Utopias do mundo integral, com o Prof. Carlos Ferraro; e “Comunicação integral: influenciadores ou influenciados?”, com o aporte da Prof. Elizabeth Saad. O encontro será encerrado com uma missa transmitida pelas TVs e rádios católicas. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1, com informações da CNBB

Catedral de Manaus palco de encontro de prevenção do Tráfico Humano

A Pastoral do Migrante da Arquidiocese de Manaus, com a parceria da Rede um Grito pela Vida, organizou um encontro com 137 mulheres, onde foi abordado a questão da prevenção ao tráfico de mulheres e meninas em relação á questão do abuso e exploração sexual, da servidão doméstica, da retirada de órgãos, tendo em vista todas as explorações dos migrantes. A atividade, que aconteceu na frente da Catedral de Manaus, contou com a participação da Prefeitura de Manaus e a parceria do pároco da catedral, padre Hudson Ribeiro, e a equipe da catedral. Segundo a irmã Rose Bertoldo, coordenadora da Rede um Grito pela Vida, “foi uma atividade em que as mulheres relataram algumas situações e procuraram perguntar sobre essa realidade”. A religiosa destaca a presença de muitas mulheres jovens, a grande maioria com crianças no colo, considerando a atividade como um momento muito importante para o trabalho de prevenção. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Encontro de pastoral da Prelazia de Tefé busca caminhos de sinodalidade

A prelazia de Tefé está reunida para participar do encontro de formação e a assembleia da Caritas. Desde o dia 21 até o dia 25 de julho, em pequenos grupos, a prelazia está refletindo sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a sinodalidade, as CEBs e a Escola de Formação. Dom Fernando Barbosa dos Santos, administrador da prelazia mostrou sua alegria pela retomada das atividades na prelazia, que ele considera “um grande sinal de esperança”. Segundo o bispo, “o momento é preciso para a reflexão sobre a caminhada desta Igreja Particular”. Ele destacou o chamado do Papa Francisco a “caminhar juntos”, pedindo “ser um exemplo deste caminhar sinodal”. O administrador diocesano pedia deixar do lado o comodismo, “diante de um cenário social tomado pelo sofrimento dos mais pobres, pelo massacre dos povos originários, pela ganância dos poderosos e tantos outros males que assolam este Povo de Deus”. Dom Fernando fez um chamado a “ser sinal permanente de esperança na vida do povo”. Os participantes do encontro, que no dia 22 reuniu os padres, diáconos e a vida religiosa, refletiram sobre a necessidade de olhar para a cultura urbana, que se faz presente em todas as realidades, também na Amazônia. Diante disso foi destacado a importância das pequenas comunidades e do cuidado da casa comum, como elementos presentes nas Diretrizes. O tempo atual exige uma renovação missionária e um testemunho de fraternidade, solidariedade e cuidado. Se faz necessário compreender a realidade para discernir caminhos. As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da CNBB usam a imagem da casa, sustentada em 4 pilares: Palavra, Pão, Caridade e Missão, uma casa que acolhe e envia. A prelazia de Tefé está dando os primeiros para o grande encontro das CEBs que acontece a cada quatro anos e reúne um grande número de participantes, previsto para 2024. Diante da pandemia, que interrompeu a maioria das atividades pastorais, a prelazia está querendo retomar sua Escola de Formação das lideranças. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Tráfico Humano e Migração: o sofrimento de quem está longe de casa e sem direitos

O Tráfico Humano é um crime cada vez mais presente no mundo, também na Amazônia. São 40 milhões de pessoas que todos os anos se tornam vítimas do Tráfico de Pessoas. Diante dessa realidade, se faz cada vez mais urgente descobrir os caminhos que possam nos levar a enfrentar e erradicar esse fenômeno, que pode ser considerado como mais uma pandemia. Muitas das vítimas do tráfico de pessoas são migrantes, um fenômeno que tem se incrementado durante a pandemia da Covid-19. A vulnerabilidade que sofrem os migrantes tem se acrescentado neste tempo de pandemia que a gente vive desde há mais de um ano. A falta de direitos, a exploração de todo tipo, são situações cada vez mais presentes na vida dos migrantes. O mês de julho é um tempo em que somos desafiados como sociedade a refletir sobre o fenômeno do trafico humano. No dia 30 de julho, desde 2013, em que foi criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, acontece o Dia do Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Trata-se de uma oportunidade para entender que a grande maioria dos migrantes saem da sua terra para não passar mais fome, viver em um país sem guerra, ter liberdade, ver seus direitos respeitados, entre muitos outros motivos, que tem como denominador comum a procura por uma vida melhor. Muitas vezes, a ilusão e os sonhos iniciais acabam se tornando um pesadelo, caindo nas redes de organizações criminosas que tornam as pessoas escravas de gente sem escrúpulo, um crime que movimenta anualmente mais de 30 bilhões de dólares em todo o mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). A pandemia da Covid-19 e o fechamento das fronteiras entre os países, aumentou o risco dos migrantes, obrigados a se colocar nas mãos de contrabandistas para atravessar as fronteiras, se tornando alvos do tráfico de pessoas e vítimas de abusos e exploração apenas para ter acesso aos serviços oferecidos por eles. Estamos diante de mais uma oportunidade para refletir sobre situações que deveriam ser enfrentadas abertamente na sociedade. Mas será que a gente se preocupa com o sofrimento dos migrantes? A existência do Tráfico de Pessoas, uma realidade que atinge aos migrantes, realmente nos incomoda? O que a gente está disposto fazer para superar um crime que mostra nossa falta de humanidade? Não deixemos passar mais uma oportunidade, sejamos conscientes de que das nossas atitudes e compromisso depende que as condições de vida dos migrantes sejam melhores e que sua própria vida não seja colocada em risco. É tempo de parar, enxergar, denunciar e superar esse crime, e isso também depende da gente. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Editorial Rádio Rio Mar

Escola de Formação de São Gabriel da Cachoeira: construir uma Igreja com rosto amazônico

O Sínodo para a Amazônia deu um impulso definitivo à necessidade de fazer realidade uma Igreja com rosto amazônico e rosto indígena. Aos poucos, a Igreja da Amazônia vai dando passos nesse sentido, ajudando os agentes de pastoral e as lideranças a entender e assumir esse jeito de ser Igreja. Na diocese de São Gabriel da Cachoeira, a circunscrição eclesiástica com maior porcentagem de população indígena do Brasil, está acontecendo a Escola de Formação, que tem como objetivo “formar lideranças testemunhas capazes de dar razão da própria fé e ajudar a construir comunidades eclesiais com rosto amazônico”. A escola vai se prolongar ao longo de três anos, com seis módulos, que acontecerão nos meses de julho e janeiro. No dia 18 de julho começou o primeiro módulo, que vai se prolongar até o dia 31 de julho. A escola pretende capacitar para a liderança e animação bíblica, litúrgico, sacramental, possibilitando formação para lideranças que vivam a palavra e os sacramentos que celebram. Junto com isso, será momento para as lideranças aprofundarem na própria fé e nos princípios e valores da ética cristã e da cidadania. A metodologia prevista para a escola vai ter momentos teóricos e práticos com aprofundamentos dos conteúdos, que depois serão repassados nas paroquias e comunidades. Junto com isso os participantes vão participar de oficinas da leitura orante, do ofício divino e da Celebração da Palavra como método e pratica. O primeiro módulo tem 80 participantes de todas as paróquias da diocese. Dentre eles se fazem presentes 10 povos indígenas: Tukano, Yanomami, Baré, Baniwa, Piratapuia, Werekena, Arapaso, Desano, Tariano e Tuyuka. A temática está sendo Antropologia cultural e Teológica, com a assessoria dos padres Justino Rezende e Sidicley Meireles, indígenas nascidos na diocese de São Gabriel da Cachoeira, eclesiologia, com o padre Zenildo Lima, reitor do Seminário São José de Manaus,e Leitura Orante e celebrações com a assessoria do padre Odílio Gentil dos Santos, também indígena. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Dom Cláudio Hummes convida a Igreja na Amazónia a passar do dever fazer para o fazer

Um dos grandes desafios para a Conferência Eclesial da Amazónia (CEAMA) é passar do dever fazer para o fazer, a fim de aplicar o Sínodo no território. O Papa Francisco na Querida Amazónia, como recordou o Cardeal Hummes num comunicado, apela a que assim seja. O presidente da CEAMA lembra-nos que o Papa nos diz: “Deus queira que toda a Igreja se deixe enriquecer e interpelar por este trabalho [do sínodo], que os pastores, os consagrados, as consagradas e os fiéis leigos da Amazônia se empenhem na sua aplicação“. Segundo o Cardeal Hummes, ficar com o que devemos fazer, mesmo que seja algo bom, “não é suficiente“. Por esta razão, ele vê a necessidade de passar à prática, afirmando que muitas coisas estão sendo feitas, mas que é necessário torná-lo conhecido, procurando trabalhar “em rede e em sinodalidade“. Isto implica, segundo o Cardeal Hummes, continuar “indo às comunidades, expondo-lhes os resultados do sínodo, escutando-as e com elas construindo ‘os novos caminhos’, para depois comunicar a toda a rede ‘o que estamos fazendo’. Todo este processo seja realizado à luz da Palavra de Deus e com muita oração. É o Espírito Santo quem nos deve conduzir”, insiste o cardeal. O texto, baseado no número 15 do Instrumentum Laboris do Sínodo, relara algumas das ameaças à Amazónia: pela criminalização e pelo assassinato de líderes e defensores do território; pela apropriação e privatização de bens da natureza, como a própria água; por concessões madeireiras legais e pela entrada de madeireiras ilegais; pela caça e pesca predatórias, principalmente nos rios; por megaprojetos: hidrelétricas, concessões florestais, desmatamento para produzir monoculturas, estradas e ferrovias, projetos mineiros e petroleiros; pela contaminação ocasionada por todas as indústrias extrativistas que causam problemas e enfermidades, principalmente para as crianças e os jovens; pelo narcotráfico; pelos consequentes problemas sociais associados a tais ameaças, como alcoolismo, a violência contra a mulher, o trabalho sexual, o tráfico de pessoas, a perda de sua cultura originária e de sua identidade (idioma, práticas espirituais e costumes) e todas as condições de pobreza às quais estão condenados os povos da Amazônia (Fr.PM). ] Além disso, aborda questões mais centradas na vida pastoral da Igreja, tais como “que o Papa Francisco solicita com insistência que se multipliquem os diáconos permanentes na região amazônica”, e juntamente com eles, “os ministros leigos e leigas dos vários ministérios instituídos, com destaque dos indígenas”. Para isso propõe algumas medidas, tais como “escolas de diaconato permanente, de catequistas e dirigentes de comunidades, seja mulheres seja homens, agentes missionários com prática sinodal, bem como renovação sinodal do nosso atual clero e dos religiosos/as“. Devem ser escolas que “precisarão inovar e se inculturar seja na metodologia seja no currículo”. Reconhecendo que estes são alguns aspectos entre muitos outros, ele pede que o Espírito Santo “mantenha aceso o fogo sinodal na Igreja Panamazônica!“, convidando a REPAM a juntar-se à CEAMA para assumir este processo sinodal. Finalmente, apelou a cada jurisdição eclesiástica a partilhar o que está fazendo “relativo aos compromissos, que assumimos na documentação final da Assembleia Sinodal”, procurando assim “visibilizar, reconhecer, aprender, socializar e agradecer em espírito sinodal“. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

33º Congresso da SOTER debate sobre a responsabilidade das religiões na defesa da laicidade, democracia e direitos humanos

A Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (SOTER) celebrou de 12 a 16 de julho seu 33º Congresso Internacional, que teve como tema “Religião, Laicidade e Democracia: cenários e perspectivas”. Com cerca de 800 pessoas inscritas, conferencistas nacionais e internacionais e mais de 440 apresentações acadêmicas, o congresso tem sido um momento importante na reflexão sobre uma questão que cada vez cobra maior destaque na realidade brasileira e mundial. Segundo Cesar Kuzma, presidente da SOTER, “tentamos trabalhar as urgências do nosso tempo no âmbito social, no âmbito político-democrático, na responsabilidade que toca às Igrejas cristãs e às religiões em geral da defesa da laicidade, na defesa da democracia, na defesa dos direitos humanos, apontando caminhos, apontando horizontes, apontando novas perspectivas”. O congresso partiu dos diferentes cenários em que a sociedade brasileira se encontra, agora marcados também “pela pandemia, pela destruição do estado democrático de direito, pela fragilidade nas nossas democracias, pela perda de direitos sociais e também humanos, pelo desmonte das políticas públicas e pelo grande desastre que vem ocorrendo também em nível ambiental”, segundo o presidente da SOTER. Dentro dessa pluralidade de cenários, o 33º Congresso da SOTER foi um momento para refletir, que partiu da abordagem de Pedro Ribeiro de Oliveira, que buscou “apresentar-nos uma visão panorâmica no qual nós estamos inseridos”, segundo Kuzma. A palestra de Boaventura de Boaventura de Sousa Santos, que trabalhou a questão da laicidade e da democracia, mostrou a diferença entre os diferentes espaços, valorizando “a importância da Teologia da Libertação na América Latina, na luta histórica que ela teve na defesa da própria democracia”, afirma Kuzma. Na leitura sobre os diferentes momentos, o teólogo fala sobre os aportes de Frei Betto e Jucimeri Isolda Silveira, destacando os direitos humanos, “que se tornam cada vez mais frágeis na atual conjuntura social que nós vivemos”. Ele destaca a celebração que aconteceu pelos 50 anos da Teologia da Libertação, que considera um momento brilhante, afirmando que a SOTER segue essa linha, e “tem na opção pelos pobres o grande enfoque da sua proposta e de seus objetivos”, insistindo em que “a linha libertadora faz parte da natureza da própria SOTER”, algo que foi feito de forma coletiva. Com a presença de diferentes instituições foi, segundo o presidente da SOTER, “um momento marcante, brilhante, que emocionou a todos”.   Esse momento contou com os aportes de 5 teólogos e teólogas que são considerados referentes na reflexão teológica latianoamericana e da Teologia da Libertação: a brasileira Maria Clara Bingemer, o chileno Sergio Torres, o teólogo luterano brasileiro Roberto Zwetsch, Geraldina Céspedes do México, e o também brasileiro Luiz Carlos Susin. A professora italiana Serena Noceti abordou a questão da responsabilidade das Igrejas cristãs na defesa do estado democrático, desde elementos da Fratelli tutti e o Conselho Mundial de Igrejas. Desde os aportes do Papa Francisco, foi refletido sobre a economia, com a presença de Ladislas Dowbor, e a ecologia, com a reflexão de Afonso Murad, perspectivas que segundo Kuzma, “se somam à questão da democracia, da laicidade, do direito, do bem comum, ou da Casa Comum, que é uma expressão que acabou fazendo parte dos nossos discursos”. O Congresso da SOTER foi momento para reconhecer com o prêmio João Batista Libânio, a trajetória da teóloga Ivone Gebara, valorizando, segundo o presidente da SOTER “uma caminhada de luta que não se faz sozinha, se faz de modo coletivo, se faz com outras pessoas”. Seguindo o tema do congresso, Cesar Kuzma insiste em que “dar o prêmio a Ivone, com a história que ela tem, com a dinâmica de espiritualidade com a qual ela vive, e na ternura de sua voz e pelo fato de ser mulher, isso foi algo muito emocionante e muito bonito”. O congresso foi encerrado na sexta-feira com a palestra de Ivone Guevara, onde abordou a questão da responsabilidade das religiões no Estado, para a defesa da laicidade a da democracia. A teóloga colocou a importância de as religiões caminhar em conjunto com a sociedade. Finalmente, Maria Isabel Varanda e Rudolf von Sinner, apontaram pistas, horizontes, fazendo uma releitura do evento e apontando possíveis caminhos, “sem a intenção de nos oferecer, mas convidando a um caminhar continuo, coletivo, em busca de novos horizontes, de novas perguntas, de novos espaços”, segundo o professor Kuzma. Segundo o presidente da SOTER, “o congresso superou todas as expectativas”, inclusive em número de participantes. Ele destaca que o fato de ser virtual permitiu o acesso de pessoas de varias partes do Brasil, da América Latina e de outros países. Mesmo virtualmente, “conseguimos espaços onde a afetividade, a ternura, a humanidade, se fizesse presente”, afirmou Cesar Kuzma. Teve momentos para homenagear as vítimas da Covid-19 e a diretoria da SOTER emitiu uma nota por ocasião do Encerramento do 33º Congresso. A nota manifesta “a nossa preocupação e o nosso repúdio em relação à deterioração da democracia no Brasil, que se traduz não só no ataque contínuo às Instituições Democráticas e ao Estado de Direito, mas também no aumento da repressão e da violência policial, no aprofundamento da desigualdade social e da fome, na destruição ambiental, na agressão aos povos indígenas, seus direitos e vidas, nos atos sistemáticos de racismo que revelam a condição do racismo estrutural presente em nossa sociedade, na afirmação do sexismo e no crescimento do feminicídio”. Desde a SOTER é denunciado que “o negacionismo foi e é responsável por grande parte do número de mortos pela atual pandemia da COVID-19, que já ceifou mais de 530 mil vidas no Brasil”. Ao mesmo tempo, a nota insiste em que “este mesmo negacionismo agravou a crise econômica, levando a um enorme contingente de pessoas desempregadas e ao aumento da fome e da miséria”. O texto condena que “neste contexto, as Religiões, sobretudo certas expressões do Cristianismo, nem sempre têm tido um papel profético, crítico e libertador”, denunciando que “ao contrário, alguns grupos têm instrumentalizado a Religião, negado o caráter laico do Estado e promovido, ou reforçado, a deterioração de nossa democracia em nome de Deus, inclusive afirmando e…
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Dom Fernando Barbosa informa da morte de seu pai, vítima da Covid-19

Faleceu na tarde desta sexta-feira, 16 julho, o pai de Dom Fernando Barbosa dos Santos, vítima da Covid-19. Segundo informou o bispo eleito de Palmares – PE, seu pai tinha dado ingresso no hospital a última semana com Covid-19. A idade avançada e outros problemas de saúde fez com que o quadro se agravasse, sendo necessário fazer intubação, vindo finalmente a óbito. Dom Fernando, atual administrador diocesano da Prelazia de Tefé, informou que sua mãe, também internada a causa da Covid-19, recebeu alta hospitalar na manhã desta sexta-feira. Ele pede orações pela sua família, para que Deus lhes conceda forças neste momento difícil.   Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Diácono Francisco Lima: “Momento de partilha, de reflexão, de apontar caminhos, de olhar para a ação como Igreja”

Todos os anos no mês de julho e no mês de novembro acontece a reunião dos secretários executivos dos regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Desta vez aconteceu na última quarta-feira, 14 de julho, e por causa da pandemia, o encontro aconteceu de forma virtual. Segundo o diácono Francisco Andrade de Lima, secretário executivo do Regional Norte 1 da CNBB, “tratamos de muitos assuntos para a caminhada da Igreja como o novo processo do Sínodo que o Papa Francisco está convocando, um Sínodo que nos chama exatamente para refletir sobre a nossa comunhão, esse nosso jeito de caminhar juntos que o Papa está nos chamando para refletir sobre essa sinodalidade, esse jeito de ser Igreja, esse jeito necessário de caminhar juntos”. Um outro ponto de reflexão durante a reunião foi a Lei de Proteção de Dados. Segundo o diácono Francisco, “nós como Igreja temos muita responsabilidade com isso”. Também foi refletido sobre o novo Documento de Estudo da CNBB, o Documento 114, “E a Palavra habitou entre nós”, aprovado na última assembleia da CNBB, no mês de abril. Além disso foram abordadas questões relativas ao trabalho dos secretários e secretárias nos regionais, dioceses e prelazias. Também foi abordada a questão da Economia de Francisco e Clara, “esse jeito de viver sem explorar, mas com uma vida digna”. Mesmo realizado de forma virtual, isso “não diminui nem um pouco esse espírito de comunhão entre nós, entre os secretários regionais, entre a secretaria geral da CNBB, entre os colaboradores que fazem com que a missão da Igreja no Brasil aconteça”, segundo Francisco Andrade de Lima. O secretário executivo do Regional Norte 1 da CNBB destaca que foi “um momento de partilha, de reflexão, de apontar caminhos, de olhar para a ação como Igreja”. O encontro foi coordenado pelo padre Marcus Barbosa Guimarães, subsecretário adjunto de pastoral da CNBB. Ele destacou “a disponibilidade, alegria e comprometimento desses secretários e secretarias regionais. Essa generosidade dos participantes é que faz o nosso trabalho fluir, com mais leveza e solidariedade”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 Com informações da CNBB

O jogo que o Brasil tem que ganhar

No último sábado aconteceu a final da Copa América, uma competição que muitos questionaram desde antes de começar. O futebol, ou para melhor falar, tudo o que envolve, é considerado por muitos como uma nova expressão do Circo Romano. O famoso “Pão e Circo”, era a forma em que os imperadores desviavam o foco nos momentos críticos do Império. Muitos entenderam a organização da Copa América como uma tentativa do governo brasileiro de desviar o foco diante de uma situação cada vez mais crítica, onde às consequências da Covid-19, que tem provocado muita dor e sofrimento em grande número de famílias brasileiras, se une uma situação econômica cada vez mais precária, com um grande aumento dos preços daquilo que é básico na vida do povo mais simples, e uma corrupção cada vez mais evidente, que atinge o mais alto escalão dos diferentes poderes. Um Brasil-Argentina, mesmo que seja numa Copa América desvirtuada, sempre é um acontecimento para muitos brasileiros, que desperta as paixões de uma das maiores rivalidades mundiais no futebol. Pelo que a gente viu nas redes sociais, muitos brasileiros torceram a favor da Argentina, o que tem provocado o receio daqueles que, seguindo a história, não entendem essa atitude. Na verdade, esse torcer a favor da Argentina é uma forma de manifestar um mal-estar cada vez mais presente entre os brasileiros, cansados de uma realidade social e política que não coloca os melhores jogadores em campo para superar as crescentes dificuldades que o país deveria enfrentar. Muita gente cansou de assistir um jogo em que muitos só pensam em se próprio, sem se importar com o coletivo. Quando todo mundo se une, é mais fácil vencer o adversário e o Brasil tem muitas realidades que podem se tornar invencíveis por falta de estratégia de jogo, por falta de um treinador que coloque os jogadores no lugar certo, que promova a união, o jogo coletivo e não faça com que cada um só procure seu pedaço do bolo. O pior que pode acontecer com um país é perder o prestigio e o respeito diante dos outros. Demora muito para construir isso, mas pode ser perdido em pouco tempo, quase sempre por falta de estratégia e união. Mas ainda pior do que perder o reconhecimento no exterior, é perder o reconhecimento do próprio povo. Essa falta de reconhecimento, quando é denunciado, não quer dizer que ninguém torce contra e sim que as pessoas querem que as coisas mudem para melhor. O Brasil está diante de um jogo que pode definir seu futuro, que se perder pode ser eliminado do panorama internacional, rebaixado de categoria, ficando de fora de muitas coisas decisivas no futuro do povo brasileiro. Esse é o jogo que não pode perder, mas para isso é preciso que o time jogue bonito. Quem pode fazer que isso aconteça é aquele que decide a tática de jogo, e isso parece que cada vez está menos claro. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Editorial Rádio Rio Mar