Av. Epaminondas, 722, Centro, Manaus, AM, Brazil
+55 (92) 3232-1890
cnbbnorte1@gmail.com

Categoria: Uncategorized

Encontro Cultural Local “A Festa da Moça Nova” Fortalece a Tradição e a Espiritualidade do Povo Magüta

Entre  os dias 12 e 14 de setembro, na Comunidade de Yahuma, Vicariato Apostólico de San José del Amazonas-  Peru, aconteceu o encontro cultural intitulado “A Festa da Moça Nova“, uma celebração tradicional do  povo Magüta, também conhecida como a festa da puberdade. O evento, liderado por Robinson, Pedro y Daniel,  líderes Magüta em preparação do encontro internacional da triplice fronteira Brasil, Colombia  e Peru. Um momento sagrado para a comunidade, transmitido pela sabedoria dos ancestrais do povo Magüta. Essa celebração faz parte dos processos de acompanhamento do Projeto Magüta, cujo objetivo é preservar e fortalecer a cultura, a origem, o território e a espiritualidade do povo Magüta.  A “Festa da Moça Nova” resgata elementos culturais fundamentais por meio da história oral e da sabedoria dos abuelos (anciãos), promovendo a valorização da identidade indígena e prevenindo situações de vulnerabilidade social. O ritual se inicia com a pintura dos corpos, simbolizando o nascimento da criança. Daniel explica que a pintura é um elemento protetor, marcando o primeiro momento do ciclo de vida da menina. No segundo dia, a preparação da “tataricaia” — um símbolo de convite à menina nova — marca o início das danças e da perfuração da orelha da jovem, uma parte essencial do rito de passagem. Nesse momento, a árvore sagrada é cortada e sua casca é utilizada para confeccionar as vestes e a bolsa da menina, que será parte do clã Tigre ou Cascavel. Esses elementos, segundo a tradição, foram entregues pelos deuses do povo Magüta e são considerados sagrados, reforçando a conexão espiritual e cultural dessa etnia com seus ancestrais e a madre terra. O terceiro dia foi marcado por um banho coletivo no Rio Amazonas, onde todos os símbolos foram lavados, e os participantes se purificaram, permitindo que o rio levasse os ” maus espíritos” .  Para Daniel, o ritual de purificação é essencial para manter viva a identidade do povo Magüta e a sua conexão com a mãe natureza. “Resgatar esses elementos sagrados é fundamental para não perdermos a nossa identidade e fortalecer nossa tradição“, afirmou Daniel. O Projeto Magüta busca fortalecer essas celebrações como a “Festa da Moça Nova”, pois  elucida de como  a preservação das tradições indígenas é vital para a proteção da cultura e da espiritualidade e dos territórios, contribuindo para a construção de uma sociedade mais inclusiva e consciente da importância de suas raízes culturais.  Esses momentos fortalecem a fé, a cultura e o patrimônio imaterial das comunidades indígenas da Amazônia. Ir. Jackson Luiz Nunes Bentes- Lassalista

Arquidiocese de Manaus agradece e envia dom Tadeu para sua missão na prelazia de Itacoatiara

A catedral Nossa Senhora da Conceição acolheu neste domingo 15 de setembro, a celebração de envio do bispo auxiliar de Manaus, dom Edmilson Tadeu Canavarros dos Santos, que no dia 21 de setembro assume sua nova missão como bispo da prelazia de Itacoatiara. Com a presença do arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, do bispo de Parintins, dom José Albuquerque de Araújo, e de representantes do clero, da Vida Religiosa e das pastorais, comunidades e paróquias da arquidiocese. Dom Tadeu Canavarros, que iniciou sua missão como bispo auxiliar de Manaus oito anos atrás, presidiu uma celebração “para agradecer o ministério dele aqui na arquidiocese, louvar e bendizer por todo o bem que ele fez, por toda ajuda que nos deu na arquidiocese, e pedir também que Deus lhe abençoe na nova missão que ele está para assumir no próximo sábado”, segundo o cardeal Steiner. O cardeal pediu a dom Tadeu que “leve esse seu jeito, esse seu modo de servir, de proximidade”. Na homilia, dom Tadeu Canavarros disse que Marcos, “com um estilo quase que ‘jornalístico’, envolve o leitor no movimento da maravilha sem fim, que surge da revelação progressiva de um deus insuspeito no homem Jesus”, vendo no Evangelho de Marcos que “somos convidados a aprofundar o nosso caminho em direção a Cristo Jesus”. Nessa perspectiva ele questionou: “Quais caminhos temos de andar para que a nossa vida seja plenamente realizada?”. Diante disso, o bispo eleito da Prelazia de Itacoatiara disse que “quem quiser salvar a sua tranquilidade, o seu bem-estar, os seus interesses, os seus bens materiais, destruirá a sua vida para sempre, quem aceitar servir de forma simples e humilde, cuidar dos mais frágeis e necessitados, lutar por um mundo mais justo e humano, alcançara a plenitude da existência, pois a sua vida alimenta-se de amor”. Falando que o Evangelho apresenta Jesus como o Messias, o bispo destacou que “segundo Jesus, o caminho da Vida plena e definitiva é o caminho da cruz, do dom da própria vida, do amor até o extremo”, afirmando que “Jesus vai percorrer esse caminho, e quem quiser ser seu discípulo, tem de aceitar percorrer um caminho semelhante”. Diante da pergunta: “O que é que faz de nós verdadeiros discípulos de Jesus?”, dom Tadeu destacou que além de ritos, fórmulas, práticas de piedade, obrigações legais, “a identidade cristã constrói-se à volta de Jesus, do seu Evangelho, da sua proposta de vida”. O bispo questionou: “Sentimo-nos verdadeiramente discípulos de Jesus? Estamos disponíveis, de alma e coração para ir atrás d´Ele no caminho da doação da vida e do amor até as últimas consequências?” Diante do pedido de Jesus a renunciar a se mesmo, ele perguntou “o que é renunciar a se mesmo?”, afirmando que “o seguidor de Jesus não vive fechado na sua zona de segurança, a olhar para se mesmo, indiferente aos dramas que se passam à sua volta, insensível às necessidades dos irmãos, alheado das lutas e reivindicações dos outros homens, mas vive para Deus na solidariedade, na partilha e no serviço aos irmãos”. Igualmente lembrou o pedido de Jesus a tomar a cruz, “a gastar cada instante da vida a servir, a amar, a cuidar, a fazer o bem. O seguidor de Jesus é aquele que está disposto a dar a vida para que os seus irmãos sejam mais livres e mais felizes. Por isso, o cristão não tem medo de lutar contra a injustiça, a exploração, a miséria, o pecado, mesmo que isso represente enfrentar a morte, a tortura, as represálias dos poderosos”. O bispo falou sobre a missão que cada um carrega, afirmando que “descobrir essa missão não é nada simples, requer sensibilidade para perceber os sinais”, sublinhado que “não são nossas habilidades que revelam verdadeiramente quem somos, mas nossas escolhas”. Ele mostrou seu agradecimento à arquidiocese de Manaus, “na alegria de servir e trabalhar com os nossos sacerdotes companheiros na missão do Reino”, assim como os bispos com que ele trabalhou nos oito anos de ministério episcopal em Manaus, “por me ajudar a ser bispo na arquidiocese com os seus mais variados movimentos, pastorais, serviços e novas comunidades. A todos vocês irmãos e irmãs cuja confiança me permitiu acolher sofrimentos e esperanças”., pedindo as bençãos de Nossa Senhora Imaculada Conceição. O padre Mateus Marques, em representação da Pastoral Presbiteral da arquidiocese de Manaus, agradecu a presença e serviço de dom Tadeu e a proximidade aos padres, lhe definindo como um grande pastor e guia, especialmente na Região Episcopal Nossa Senhora dos Navegantes. Os padres elevam suas orações “para que o Espírito Santo o guie nessa nova etapa da sua missão”, pedindo a companhia e benção da Imacula Conceição. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Fotos Ana Paula Lourenço

De 16 a 19 de setembro, Assembleia do Regional Norte1 debaterá sobre ministerialidade

A Maromba de Manaus será sede de 16 a 19 de setembro de 2024 da Assembleia do Regional Norte1, onde se espera a presença de mais de 80 representantes das nove igrejas locais e das diversas pastorais. Bispos, presbíteros, vida religiosa e laicato, reunidos sinodalmente para debater sobe o tema “Igreja sinodal que caminha na esperança”. A Assembleia do Regional Norte1, que quer ser uma Igreja discípula missionária, tem como lema: “Recomendo-vos Febe, nossa irmã que está como diaconisa da Igreja, a fim de que a acolhais no Senhor, do modo digno dos santos” (Rm.16, 1-2). Uma Assembleia que seguirá o método ver-julgar-agir e tem por objetivo: “Identificar, estudar, consolidar os ministérios dos cristãos e cristãs leigas para contribuir na liderança das comunidades”. A celebração de abertura será presidida pela Presidência do Regional Norte1: o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, presidente do Regional, o vice-presidente, o bispo de Alto Solimões, dom Adolfo Zon, e o bispo de Tefé e secretário do Regional, dom José Altevir da Silva. Uma primeira jornada em que serão apresentados os participantes, a pauta e os trabalhos a serem realizados ao longo da Assembleia. O relatório da Presidência abrirá a pauta do segundo dia, que será iniciado com uma celebração eucarística. A reflexão sobre a Igreja discípula e missionária e a ministerialidade, a partir de três aspectos: o estudo, a experiência e como identificar os ministérios na vida das comunidades, será ponto central dos trabalhos, e contará com a assessoria da Ir. Sônia Matos e os padres Raimundo Gordiano e Elcivan Alencar. A Assembleia Regional será oportunidade para a partilha das pastorais e organismos, buscando identificar os ministérios locais nas pastorais, organismo, igrejas locais, mostrado os ministérios presentes nas comunidades. Igualmente, partilhar os passos significativos, concretos, ministério da diaconia e serviços presentes nas comunidades. Foi pedido às pastorais e organismos ter presente a fundamentação do Documento Final do Sínodo para Amazônia, a Querida Amazônia e o Documento de Santarém 2022. Os participantes da Assembleia conhecerão os passos dados na 6ª Semana Social Brasileira, e no Seminário das Pastorais Sociais. Igualmente, será apresentado como será vivenciado o Jubileu da Esperança. As igrejas locais apresentarão os passos que estão sendo dados em relação à sinodalidade e a ministerialidade, na mesma perspectiva da apresentação das pastorais e organismos. Com o que será partilhado pelas igrejas locais, pastorais e organismos, serão recolhidos os aspectos significativos e luzes. Na Assembleia será partilhado o acontecido no V Encontro da Igreja na Amazônia, realizado no mesmo local da Assembleia no mês de agosto de 2024, e os encaminhamentos para a COP30. Posteriormente, nas reservadas dos bispos, coordenadores de pastoral, coordenadores de pastorais e organismos e vida religiosa, será visto o que se reafirma e assume no caminhar juntos. Na Eucaristia de encerramento será realizada a instituição dos catequistas, sendo abordado no último dia os encaminhamentos dos ministérios para as igrejas locais. Também será apresentado o Protocolo de Proteção de Crianças e Adolescentes e Pessoas Vulneráveis, sendo encerrada a Assembleia, que em diversos momentos terá comunicações de diversas entidades, com uma mística. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

10 anos da REPAM: “Uma ferramenta vital para a Amazônia”

A sede das Pontifícias Obras Missionárias (POM-Brasil), em Brasília, o mesmo local em que foi fundada a Rede Eclesial Pan-Amazônica no dia 12 de setembro de 2014, acolheu no dia 12 de setembro de 2024 a celebração pelos 10 anos de caminhada da REPAM, um momento para “fazer memória agradecida do caminho percorrido” pela REPAM, “comprometida com o cuidado e a defesa da Amazônia”, segundo o secretário executivo da rede, Ir. João Gutemberg Sampaio. Uma rede que, segundo o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Ricardo Hoepers, é “um farol de esperança em meio a tempos desafiadores”. Ele destacou que “a REPAM tornou-se um sinal profético da defesa da vida, dos territórios, dos povos amazônicos, sempre iluminada pelo Evangelho e pelos ensinamentos da Igreja”, tendo um papel essencial e iluminador no cuidado da casa comum”. Dom Ricardo Hoepers fez um chamado a uma renovação da visão ética, que saiba colocar no centro as pessoas, com o objetivo de não deixar ninguém à margem da vida. Isso em um tempo “marcado por grandes desafios que colocam em risco a vida do planeta e das suas populações mais vulneráveis”, especialmente na Amazônia que vive uma crise sem precedentes, que se manifesta na devastação de suas florestas, contaminação das suas águas, violação dos direitos dos seus povos, enfatizou o secretário geral da CNBB. Uma celebração para “visibilizar a história e o caminho sinodal em defesa da Amazônia e da ecologia integral, celebrar os frutos do trabalho das pessoas e organizações que constroem a Rede, desenhar novos caminhos para a articulação da Rede na sinodalidade na Igreja Amazônica”, afirmou a diretora das POM Brasil, Ir. Regina da Costa Pedro. O bispo do Vicariato de Puyo (Equador) e presidente da REPAM, dom Rafael Cob, lembrou que foi naquele vicariato que a rede foi semeada, “uma rede que defende a vida na Pan-Amazônia e é referente para todo o mundo”. Ele definiu os 10 anos como “um caminhar de benção, um caminhar de esperança, um caminhar de justiça e também um caminhar de trabalhar e tecer a paz”. Igualmente, ele destacou a capacidade da REPAM de unir e trabalhar em equipe, sublinhando a importância dessa plataforma que une vontades, ações e pensamentos em defesa da vida na Amazônia e do cuidado da casa comum. Segundo mostrou o vídeo comemorativo, a REPAM é uma resposta diante do pedido que o Papa Francisco fazia: “a obra da Igreja deve ser incentivada e relançada na Amazônia”. Foi por isso que a REPAM surgiu como “uma rede que quer somar forças, uma rede que quer articular, uma rede que quer capacitar e encorajar, sobretudo as populações da Amazônia”, lembrando as palavras do primeiro presidente da REPAM, cardeal Cláudio Hummes. Uma rede que é vista pelo cardeal Pedro Barreto, segundo presidente da REPAM como “a resposta de Deus a todos os grandes desafios que se apresentam como Igreja e como sociedade latino-americana”. Uma rede que, segundo o cardeal peruanoo, “articula todo o esforço que a Igreja realiza na Amazônia”, destacando o impulso dado pelo Papa Francisco. Uma rede que tem suas raízes na Conferência de Aparecida, que chamou a criar uma pastoral de conjunto, lembrou Maurício López, primeiro secretário executivo da REPAM, e que no início teve como maior preocupação, fazer que a rede chegasse aos territórios, destacou a Ir. Irene Lopes, secretária executiva da REPAM-Brasil. Isso, porque era uma estrutura em função de um bioma, numa relação territorial totalmente nova, segundo o padre Dário Bossi. A REPAM foi fundada pelo Conselho Episcopal Latino-americano e Caribenho (CELAM), o Secretariado Latino-americano e Caribenho Cáritas (SELACC), a Conferência Latino-americana e Caribenha de religiosos (CLAR) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A presidenta da CLAR, Ir. Gloria Liliana Franco Echeverri, reafirmando seu compromisso com a promoção e a defesa da vida, com a causa dos pobres e a causa da terra, seu compromisso de abraçar todo empenho de cuidado com a nossa casa comum, definiu a  REPAM como “uma ferramenta vital para a Amazônia”, sublinhando que “os diversos campos de missão da Igreja, a promoção da justiça social, a promoção dos direitos dos povos originários, a proteção do meio ambiente e a evangelização”, como motivos pelos que a CLAR apoio a fundação da REPAM. Representando o SELACC, seu secretário executivo, Nicolás Meyer, disse ver na REPAM “um sinal da Igreja sinodal que estamos querendo construir”, invitando a “renovar esforços, compromissos e a abertura ao Espírito para que sempre nos permita continuar em estado permanente de conversão, de escuta do território e de desenvolvimento de estruturas mais justas”, Finalmente, o arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB e do CELAM, dom Jaime Spengler, falou dos 10 anos de caminhada, 10 anos de história, 10 anos de prece, 10 anos de trabalho, 10 anos promovendo rede, vivenciados pela REPAM. Ele destacou a importância de a celebração acontecer neste momento de grande seca na região amazônica, de queimadas no Pantanal, o que demanda “nos empenharmos ainda mais na promoção e no cuidado da casa comum”. Ele questionou sobre o mundo que desejamos deixar para as novas gerações, pois “o futuro passa por nossas escolhas e o empenho de todos”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Campanha eleitoral: usar o nome de Deus para construir o Reino, e nunca em vão

Os Mandamentos da Lei de Deus orientam nossa vida, e o terceiro mandamento diz: “Não tomar o nome de Deus em vão”. Diante das atitudes de alguns candidatos podemos dizer que o respeito por esse mandamento passa longe daqueles e daquelas que pretendem assumir um lugar nas prefeituras e câmaras de vereadores. Não são poucos os quem em seus discursos e propagandas falam de Deus, mas de que Deus? Muitas vezes um Deus que responde aos seus próprios interesses, se distanciando daqueles que são os preferidos de Deus, os mais pobres e vulneráveis, aqueles a quem a sociedade, inclusive muitos que assumem cargos públicos em diversos níveis, descartam. Quando um político ou um candidato fala de Deus, deveria assumir as atitudes de Deus, atitudes que nos levam a escutar os outros, a defender a vida sempre, a respeitar as diferenças, a cuidar da casa comum, a estar disposto a dialogar e perdoar, a defender a democracia. De fato, acreditar em Deus é bem mais do que falar dele, é viver segundo seus mandamentos. O mau uso da política tem fomentado que aqueles que não tem a mesma opinião sejam vistos como inimigos, quando em verdade eles só são adversários. O debate político enriquece e a diversidade de pensamentos em busca do bem comum, de um mundo melhor para todos e todas, é uma necessidade no exercício da política, do cuidado daquilo que é de todos, daquilo que é comum. O político que fala de Deus deve ser tolerante com as opiniões dos outros, o que deve levar a ser respeitoso e valorar que é possível viver de diversos modos. O desafio é concretizar aquilo que o Papa Francisco, na encíclica Fratelli tutti chama amizade social, a boa política. Ele fala sobre saber reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas, de evitar todo desejo de domínio sobre os outros, de formar uma comunidade feita de irmãos que se acolhem mutuamente e cuidam uns dos outros. São questionamentos que todo cidadão, todos aqueles que votam, deveriam se fazer. Quem não se preocupa com todos, quem não está disposto a olhar os prediletos de Deus, quem responde a interesses pessoais ou de pequenos grupos de poder, nunca deveria assumir um cargo público. O político que diz olhar e escutar a Deus tem que descobrir que para isso tem que dirigir seu ouvido, seu olhar, para baixo, porque o Deus cristão é um Deus que está no meio de nós, que passa fome, sede, necessidade, naqueles em que Ele está encarnado. Digamos com o Papa Francisco: “O amor ao outro por ser quem é impele-nos a procurar o melhor para a sua vida. Só cultivando essa forma de nos relacionarmos é que tornaremos possível aquela amizade social que não exclui ninguém e a fraternidade aberta a todos”. Que aquilo que o Papa nos diz em Fratelli tutti possa ser luz em nossa vida, também quando a gente apertar as teclas da urna eletrônica. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Tráfico de pessoas nas redes sociais, tema do 9º encontro da Rede de Enfrentamento na Fronteira Brasil-Colômbia-Peru

As regiões de fronteira são locais onde os riscos relacionados ao tráfico de pessoas aumentam exponencialmente. Na Tríplice Fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru não é diferente, dada a facilidade de ultrapassar as fronteiras. Nesse contexto, o mundo virtual se tornou um perigo adicional, especialmente as redes sociais, um espaço onde os traficantes realizam o recrutamento de vítimas, enganadas por falsas promessas. Uma luta transfronteiriça da Igreja Católica Para enfrentar essa realidade, existe na região a Rede de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas na Tríplice Fronteira Amazônica (Brasil, Peru e Colômbia), que recentemente realizou seu 9º encontro em Puerto Nariño (Colômbia). Formada por representantes da Vida Religiosa e do Laicato, ela faz parte do projeto “Igreja Sinodal com Rosto Magüta”. Este 9º Encontro foi assessorado pela Ir. Isabel Miguélez, membro da Rede Kawsay, uma rede de Vida Consagrada dedicada à erradicação do tráfico de pessoas, com o tema “Tráfico de pessoas e redes sociais”, que pode ajudar diante do avanço da tecnologia e do uso massivo de plataformas digitais, que aumentaram os riscos e facilitaram o recrutamento de vítimas, particularmente em regiões vulneráveis como essa Tríplice Fronteira. Três dias de trabalho foram dedicados a aprofundar o impacto que as redes sociais estão tendo na exploração de pessoas. O resultado do encontro foi o conhecimento de ferramentas práticas para a prevenção, identificação e combate a esses crimes. Redes sociais e tráfico de pessoas Não podemos ignorar, como apontou a religiosa, que as redes sociais se tornaram um novo campo de captação para as redes de tráfico. Nessa perspectiva, os participantes discutiram o papel das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) como meio de recrutamento e exploração, estudando fatores de risco e comportamentos de risco em crianças e adolescentes, destacando a importância de reconhecer padrões de aliciamento, sexting e outras formas de abuso em ambientes digitais. Os 60 participantes do encontro, incluindo 22 representantes de comunidades indígenas da região, analisaram pesquisas internacionais que fornecem uma visão mais ampla do tráfico de pessoas, permitindo a elaboração de melhores planos de prevenção na região. Eles também discutiram estratégias de incidência pública e política, com o objetivo de entender que a cooperação entre atores locais e internacionais pode fortalecer a proteção das pessoas mais vulneráveis a esse flagelo. Promoção de um papel ativo nas comunidades locais O encontro foi um espaço de troca de experiências e compromissos para avançar na luta contra o tráfico de pessoas. O objetivo é promover um papel ativo entre as comunidades locais na defesa dos direitos humanos na região amazônica, a fim de prevenir o tráfico e proteger as vítimas. A Rede Kawsay desempenha um papel importante nesse sentido, promovendo a articulação entre a Vida Religiosa, a sociedade civil e os líderes das comunidades indígenas. O objetivo é enfatizar a dignidade da pessoa humana e a necessidade de acabar com as redes de tráfico de pessoas que atuam em vários países. Essa é uma dinâmica na qual querem continuar insistindo, aprimorando o uso da tecnologia e estendendo esse aprendizado às comunidades locais. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Ir. Gervis Monteiro, padre Alex Mota e dom José Albuquerque na ampliada da CMOVIC, em Brasília

A Casa dom Luciano Mendes de Almeida, em Brasília, acolhe de 09 a 12 de setembro de 2024 a reunião da ampliada anual da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e da Vida Consagrada (CMOVIC), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em representação do Regional Norte1 da CNBB participam a coordenadora da Conferência dos Religiosos no Regional Norte1 e representante do Serviço de Animação Vocacional (SAV Norte1), Ir. Gervis Monteiro, o formador do Seminário São José de Manaus, representando a Organização dos Seminários e Institutos Filosófico-Teológicos do Brasil (OSIB) do Regional Norte1, padre Alex Mota, e o bispo de Parintins e membro da CMOVIC, dom José Albuquerque de Araújo. Na manhã da segunda-feira 09 de setembro, antes do início da ampliada, onde participam quase 100 representantes dos organismos que fazem parte da comissão e da maioria dos regionais da CNBB, aconteceu a reunião das instituições que fazem parte dessa comissão, segundo lembrou o bispo de Parintins. O encontro seguirá a metodologia da conversação espiritual, tendo como facilitador o padre Miguel Martins Filho, SJ, que é um dos facilitadores da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, que realizará a segunda sessão de 02 a 27 de outubro no Vaticano. Ele explicou os caminhos pelos que pode se desenvolver a conversação espiritual, que pode ser aberta ou orientada. Para desenvolver a conversação espiritual, precisa encorajar a disposição interior, buscando reconnhecer os passos de Deus em nossas vidas, mostrando o que deve ser feito pelo facilitador. O jesuíta falou sobre os benefícios do método da conversação espiritual para o discernimento comunitário, explicando os passos do método e o específico de cada uma das três rodadas, que devem levar a partilhar, refletir e sentir o Espírito. Um outro elemento presente na reflexão tem sido o Jubileu da Esperança, com a assessoria do bispo auxiliar de Vitória (ES), dom Andherson Souza. Ele explicou o que era o Jubileu e o Caminho Sinodal no Primeiro Testamento, sustentado nos conceitos da terra para todos, o perdão e a libertação. O bispo refletiu sobre o fato de ser peregrinos de esperança no caminho sinodal. Falando sobre o Jubileu e o Caminho Sinodal no Segundo Testamento, refletiu sobre o que significa o Ano da Graça do Senhor. A partir daí destacou os elementos do Jubileu 2025 – Peregrinos de Esperança, sua relação com o caminho sinodal, os homens e as mulheres do Caminho e a sinodalidade enquanto resposta ao chamado de Deus. Entre aqueles que partilharão sua caminhada durante o encontro estão a Ordem das Virgens, a Comissão de Comunhão e Partilha, a Comissão Bispos Eméritos, o SAV-PV, a Conferência Nacional dos Institutos Seculares do Brasil (CNISB), a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), a Organização dos Seminários e Institutos Filosófico-Teológicos do Brasil (OSIB), a Comissão Nacional dos Diáconos (CND) e Comissão Nacional dos Presbíteros (CNP). Durante o encontro, o bispo auxiliar de São Paulo e presidente da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e da Vida Consagrada, dom Ângelo Mezzari, e o bispo de Caçador (SC) dom Cleocir Bonetti, abordarão a questão da Saúde Integral. No final do encontro será apresentado o Calendário 2025, e terá a partilha da Assessoria da CMOVIC e os comunicados das Instituições, sendo encerrado com as palavras finais dos bispos membros da Comissão. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

No final do Encontro Regional Norte1, as CEBs assumem compromissos para vivenciar nas comunidades

Foi encerrado neste domingo 8 de setembro, o Encontro das Comunidades Eclesiais de Base do Regional Norte1, que desde sexta-feira dia 6 reuniu quase 200 pessoas das 9 igrejas locais do Regional na diocese de Roraima, que teve como tema “CEBs, Igreja da Amazônia – Casa do Encontro, da Acolhida e da Ministerialidade”, e como lema: “Acolhei a todos no Senhor, de maneira digna, como convém aos santos” (Rom 16, 20). Na Eucaristia final, presidida pelo bispo diocesano de Roraima, dom Evaristo Spengler, o bispo auxiliar de Manaus e referencial das CEBs no Regional Norte1, dom Zenildo Lima ressaltou na homilia a alegria do encontro da vida comunitária cuja principal expressão é o encontro ao redor da Palavra e da mesa da partilha eucarística para fazer memória de Jesus. Segundo dom Zenildo, “esta é a verdadeira alegria a qual se refere a oração da Coleta. Alegria de um Deus que inverte lógicas como nos anuncia o profeta Isaías, de um Deus que rompe com os silêncios como realiza Jesus no Evangelho”. “Jesus inaugura um caminho novo que não vai simplesmente proporcionando as pessoas algum alívio num sistema que esmaga, mas inaugura um modo novo de viver que rompe com estes sistemas”, sublinhou o bispo. É por isso que “a comunidade dos seguidores de Jesus é exortada por São Tiago a não reproduzir estas lógicas que privilegiam e discriminam, mas que seguem o caminho novo de Jesus”. Levando isso para a vida das CEBs, ele enfatizou que “nossas comunidades eclesiais de base são chamadas a este grito que irrompe e rompe com esquemas que silenciam e sufocam: Abre-te!” As CEBs do Regional fizeram propostas de compromissos para serem vivenciadas nas comunidades do Regional Norte1. As propostas têm a ver com círculos bíblicos, vida comunitária-ministerialidade, casa comum, fé e política e juventude. Nos círculos bíblicos foi proposto que sejam permanentes e que sejam um modo de visitar as casas, com subsídios locais, inserindo a vida da juventude, ecologia integral, política, casa comum, mulher, saúde pública, povo de rua, trabalhando em rede e sob a inspiração do CEBI. Na dimensão da vida comunitária-ministerialidade foi destacada a necessidade da animação das comunidades, as visitas com momentos de espiritualidade, formação para desconstruir relações clericais existentes nas comunidades, reconhecer a diaconia da mulher e assumir novos ministérios, dentre eles casa comum, mulher, formadores políticos e coordenação. Com relação à casa comum, foi proposto promover a espiritualidade ambiental nas comunidades, e ações para eliminar descartáveis plásticos nas comunidades, também ações de sensibilização para o cuidado da casa comum em todos os âmbitos da comunidade, a criação da Pastoral da ecologia integral nas comunidades e a conscientização e sensibilização para a Ecologia Integral, criação de hortas comunitárias, plantar árvores, não uso de agrotóxicos, cuidado da água, rodas de conversa com as mulheres ribeirinhas, ações de incidência sobre as políticas públicas e legislações ambientais. No âmbito da fé e política, foi colocado a promoção da espiritualidade política na vida das comunidades, participar e integrar os conselhos estaduais de políticas públicas, assumir o Projeto “Encantar a política”, participação nos conselhos paritários, formação fé e política desde a educação popular, elaboração de cartilhas. Sobre a juventude, as propostas apresentadas foram reforçar o compromisso com a juventude nos círculos bíblicos e construir processos formativos a partir do lugar das juventudes. Finalmente, foi proposto fortalecer pastoral da criança. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Cardeal Steiner: “Existe de fato uma surdez interior, que hoje podemos pedir a Jesus para tocar e curar”

No 23º Domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, cardeal Leonardo Steiner, iniciou sua reflexão dizendo que “Jesus, no Evangelho proclamado, a tocar os ouvidos e a língua e ordenar: abre-te!”, uma imploração já presente na primeira leitura, citando o texto de Isaías. Segundo o arcebispo, “ao abrir os ouvidos se recebe a graça da palavra; palavras inteiras e sedutoras. As palavras nascidas da escuta, desatam a língua. Desata porque recuperamos a escuta, os ouvidos.” Citando o texto do Evangelho, ele disse que “a alma humana no meio da multidão perde o ouvido e a fala, e por isso morre. No meio de tantos rumores, contradições, tormentos, dissabores, notícias falsas, calúnias, perde-se o ouvido, a escuta. Perde-se não só as palavras, mas o rumo, a direção, o horizonte, o sentido do existir. Ao perdermos a escuta, vamos tateando, vagando entre tantos ditos e não ditos, que acabamos perdendo a morada, perdemos as relações, definhamos, morremos”. Em palavras do cardeal Steiner, “razão tinham os habitantes da Decápole de apresentar a Jesus o surdo-mudo para que impusesse as mãos. Estava como que perdido no meio da multidão dos conflitos e dessabores da vida. Jesus em vez de impor as mãos o leva para fora da multidão e, num tu-a-tu, coloca o dedo nos ouvidos, cuspiu e, com a saliva tocou a língua dele. Olhando para o céu, suspirou e disse: ‘Efetá, que quer dizer abre-te!’” Ele lembrou que escutávamos no Evangelho: “Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade”. O cardeal recordou que “Papa Francisco ensina que a condição daquele homem tem um valor simbólico. Ser surdo-mudo é também um símbolo. E este símbolo tem algo a dizer a todos nós. Trata-se da surdez. E Jesus, para curar a causa do seu mal-estar, “coloca primeiro os dedos nos ouvidos, depois na boca; mas antes nos ouvidos! Salienta Papa: “Todos nós temos ouvidos, mas muitas vezes não conseguimos ouvir. Por quê? Irmãos e irmãs, existe de fato uma surdez interior, que hoje podemos pedir a Jesus para tocar e curar. A surdez interior é pior do que aquela física, porque é a surdez do coração. Tomados pela pressa, por mil coisas a dizer e fazer, não encontramos tempo para parar e ouvir quem fala conosco. Corremos o risco de nos tornar impermeáveis ​​a tudo e de não dar espaço a quem tem necessidade de ser ouvido: penso nos filhos, nos jovens, nos idosos, em muitos que não têm tanta necessidade de palavras e de pregações, mas de serem ouvidos”. “Escutar não é a capacidade de ouvir sons, ruídos. Quantos não ouvem e ouvem melhor que nós; quantos não falam e falam melhor que nós”, enfatizou o arcebispo. Segundo ele, “ouvir é próprio do ser humano, é a sua grandeza de percepção de todas as coisas. No ouvir se estabelecem relacionamentos com as pessoas, toda a realidade, com Deus. Ao escutarmos a palavra do outro, escutamos o seu coração, a sua vida, não os seus sons. Por detrás da palavra está a busca de uma vida, de uma existência. Na palavra está cada pessoa com seus anseios, esperanças, dificuldades, sonhos, amores. E no meio do burburinho da multidão escutamos apenas sons e compreendemos apenas sons e não compreendemos e não escutamos o tu, a alma do outro. Temos dificuldades de escutar a Deus!” “Abre-Te! Somos necessitados e pedintes de novos ouvidos e novas palavras! Somos necessitados, necessitadas, de ouvidos que saibam distinguir no meio da multidão das aflições, das acusações, do silêncio, do vagar das palavras, a presença do outro que vem ao nosso encontro com busca de compreensão, de diálogo. Na desatenção, às vezes, apenas ouvimos as acusações, o desabafo e entramos no jogo das palavras, não percebendo o quanto há de necessidade e acolhida naquelas palavras, ou melhor, o outro que se manifesta na palavra. E nós fechados na multidão de nós mesmos, incapazes de sair com alma aberta para escutar o outro que nesse momento vem ao encontro de modo inesperado e inusitado: desabafando”, ressaltou o arcebispo de Manaus.  Segundo ele, “no contínuo escutar, no aprimoramento da escuta, na sensibilidade do ouvido que o tempo concede, que o tempo gratuito propõe, ressoam as realidades, as palavras, os anseios, desejos e amores e, assim, a palavra se torna concatenada e flui. No exercício da escuta e da fala, já não mais a fala vazia e a imitação, mas palavras que expressam sentimentos, preocupações e frustrações, alegrias e realizações, sempre iluminados pela esperança e a transformação. E na vivacidade do dizer, nos é dado pintar o mundo das realizações e meditações. E em ouvindo e deixando de ouvir, na fala e deixando tantas vezes de falar: silenciamos. Mas mesmo no silêncio continuamos a escutar e a falar. Não os sons das palavras, mas as palavras elas mesmas a circular na interioridade”. O cardeal Steiner perguntou: “Nesse sentido, entramos em sintonia com os outros? Pai e mãe, pais e filhos, filhos e pais? Nos dispomos à escutar? Mas escutar o coração do outro. Conseguimos permanecer juntos sem palavras, nos escutando? Deixamo-nos tocar pela vida do outro, das pessoas em necessidade, dando tempo a elas, especialmente as que estão próximas de nós?”, fazendo um chamado a “ajudar, depois de escutar. E todos nós, antes escutar e depois responder”. Na segunda leitura, ele destacou que “a nos acordar para a escuta e a fala justa, apropriada, sem acepção de pessoas. Naquele Efetá, no abre-te tem a força e a graça da escuta daqueles que ninguém quer e que a sociedade rejeita. No ensina o apóstolo Tiago: “Meus queridos irmãos, escutai: não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o ama?” (Tg 2,5) Sim irmãos e irmãs, o Senhor nos concede ouvidos para escutar as necessidades mais prementes, mais sofridas. Essa escuta exige de nós os ouvidos da fé, da Palavra de Deus.…
Leia mais

Ministerialidade, uma realidade presente nas CEBs do Regional Norte1

O Encontro Regional das CEBs, que acontece na diocese de Roraima de 6 a 8 de setembro de 2024, com a presença de quase 200 representantes das 9 igrejas locais do Regional Norte1, continuou seus trabalhos refletindo sobre a ministerialidade, um elemento presente no tema do encontro: “CEBs, Igreja da Amazônia – Casa do Encontro, da Acolhida e da Ministerialidade”, que tem como lema: “Acolhei a todos no Senhor, de maneira digna, como convém aos santos” (Rom 16, 20). Falar de Ministerialidade nas Comunidades Eclesiais de Base na Amazônia é falar de uma realidade presente na Igreja da Amazônia, segundo a Ir. Sônia Matos, assessora do encontro. A religiosa destacou que “não pode pensar em ministérios por causa da falta de ministros ordenados, seria desviá-los de seu significado e fundamento”, insistindo na importância do sacerdócio comum que deriva do batismo. A assessora sublinhou que “para uma Igreja com rosto amazônico é necessário uma ministerialidade amazônida de fato, através de uma vivência eclesial que siga a capilaridade-sinodalidade dos rios”. Nessa perspectiva se faz necessário destacar que “as mulheres são sujeitos nas paróquias e nas dioceses, com múltiplas formas de serviço pastoral e ricas experiências de ministerialidade”, uma realidade muito presente nas CEBs, especialmente no interior e na periferia das cidades, onde a ministerialidade aparece como serviço da vida da comunidade. Isso demanda um reconhecimento explícito que faça com que as mulheres possam sair do papel de suplência pastoral e de exclusão nas instâncias de decisão, para assumir um ministério a partir de sua dignidade ministerial. Para isso é preciso respostas criativas aos desafios que hoje coloca a missão evangelizadora e a necessária transformação social, elementos que historicamente acompanham a vida das CEBs. Uma ministerialidade marcada pela sinodalidade, em que as comunidades possam se tornar comunidades ministeriais, como jeito de viver e testemunhar o Reino. Essa reflexão motivou um trabalho em grupos sobre a ministerialidade na Amazônia, buscando abrir novos caminhos para as CEBs, espaço de evangelização da Igreja que peregrina na região amazônica, que precisa do compromisso de todos os batizados e batizadas para que o Evangelho possa chegar nas comunidades mais distantes e mais carentes. A Juventude presente no encontro, a partir da caminhada dos jovens no Regional Norte1, refletiram sobre a ministerialidade entre os jovens, mostrando algumas experiências nas dioceses. Igualmente, eles apresentaram o trabalho que estão realizando em vista do Jubileu da Esperança do próximo ano. No encontro participa Marilza Schuina, assessora do setor Comunidades Eclesiais de Base na Comissão Episcopal para o Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que partilhou a estrutura das CEBs nos diversos níveis, falando sobre os encontros de CEBs que estão acontecendo nos regionais da CNBB. Os participantes do encontro se fizeram presentes, junto com o povo da diocese de Roraima, no Grito dos Excluídos Excluídas, realizado em Boa Vista, onde foram colocadas diversas questões, como é a hidroelétrica projetada no Rio Branco, a questão da Saúde, a defesa da vida e dos direitos da pessoa idosa, LGBTQIA+, dos povos indígenas, das juventudes e da necessidade de políticas públicas voltadas para a sociedade. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1