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Cardeal Steiner inaugura nova sede do Centro dos Direitos Humanos da Arquidiocese de Manaus

Cardeal Steiner inaugura nova sede do Centro dos Direitos Humanos da Arquidiocese de Manaus

Na tarde do dia 28 de maio, o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo Metropolitano de Manaus, inaugurou a nova sede do Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos e da Natureza (CDPDHN) e da Cáritas Arquidiocesana de Manaus. A retomada das atividades no novo espaço reforça o compromisso da Arquidiocese de Manaus com os direitos humanos e da natureza à luz da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da Doutrina Social da Igreja e dos valores do Evangelho.

“Queria agradecer às pessoas que vão dar continuidade ao Centro de Direitos Humanos e da Natureza. Nós já temos um passado de experiência, interrompemos e estamos retomando. Não é novidade, nós estamos retomando. Nossa igreja quer ser cada vez mais essa presença e que cada um de nós que aqui está possa dar a sua ajuda”, enfatizou o cardeal.

A cerimônia contou com a participação de autoridades civis do Estado, de Dom Hudson Ribeiro, bispo auxiliar de Manaus. Dos bispos eméritos Dom Luiz Soares e Dom Gutemberg Régis, emérito da Diocese de Coari. Além de colaboradores, da Vida Religiosa e agentes de pastoral das pastorais sociais. Os serviços funcionarão de segunda a sexta, das 08 às 12h e das 14h às 17h, na Av. 7 de Setembro, 2175, Centro, próximo ao Colégio Santa Terezinha.

“A minha tarefa como arcebispo é agradecer. Eu queria agradecer de modo especial a presença de dois irmãos, Dom Luiz e Dom Gutemberg. São a história da nossa Igreja na Amazônia. Representam a história, a Encarnação, a libertação da nossa Igreja que está na Amazônia”, agradeceu o arcebispo.

Evangelizar pelo testemunho

“Queremos evangelizar através da caridade. Queremos evangelizar através do cuidado. Queremos evangelizar através da presença do testemunho, como lembrou tantas vezes nosso saudoso Papa Paulo VI”. Foram as palavras do cardeal para recordar os presentes que a Igreja na Amazônia trabalha para que a justiça, a ética, o direito e o cuidado com a Casa Comum prevaleçam. A casa inaugurada busca atender as necessidades que a Igreja de Manaus tem no trabalho com os mais necessitados.

Para que os espaço sonhado se concretizasse, a Arquidiocese contou com a ajuda da Dra. Alzira Melo Costa, procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT AM). Parte dos recursos utilizados na readequação do centro veio por uma destinação do MPT no valor de um milhão de reais, em acordo judicial firmado com a empresa Panasonic.

“Significa a possibilidade de revertermos para a sociedade através de telhados, paredes e portas abertas para a dignidade da pessoa humana. Nós ficamos muito felizes porque junto com a igreja somos irmanados a ações que garantam a dignidade das pessoas, principalmente das pessoas mais vulneráveis. E aí estamos falando da população em situação de rua, falando dos migrantes, falando dos catadores, falando dos esquecidos, falando das meninas e meninos violados sexualmente”, destacou a procuradora.

Onde mora a Caridade

Durante a bênção, foi proclamado o Evangelho de João (Jo 1, 35-40) em que os discípulos perguntam onde o Mestre mora. Em sua reflexão, o cardeal apontou que a nova sede será o lugar indicado às pessoas onde se encontrará a morada do “amor, a caridade, o direito, a dignidade”. O “vinde e vede” apresentado por João será também o horizonte que apresentaremos aos irmãos irmãs que convidaremos a ir e ver que naquele lugar:

“Há esperança, que há possibilidade, que há futuro, que há fraternidade, que há igreja, que há sociedade onde ninguém é excluído. Nós sabemos das grandes dificuldades que temos hoje na exclusão dos mais pobres, dos mais necessitados, mas queremos convidar a todos para dizer vinde e vede”, explicou o arcebispo.

O cardeal Steiner insistiu que a inauguração dessa casa é a continuidade do trabalho de acolhimento que Igreja em Manaus já realiza. Ela é também um espaço ampliado para que os trabalhadores, à serviço dos irmãos e irmãs, possam exercer as atividades do cotidiano. Em suas palavras, “de convivialidade, de habitação e de morada” onde “todos possam chegar, mesmo que seja às 5 horas da tarde, para poderem dizer a minha existência tem sentido, a vida humana vale a pena e nós podemos acolher a todos e devolver a esperança”.

Sonho concretizado

O bispo auxiliar de Manaus, Dom Joaquim Hudson Ribeiro, destacou que o centro é um sonho concretizado. A entrega do espaço confirma a continuação das atividades que a Igreja Católica em Manaus, na região metropolitana, com extensão ao estado do Amazonas e a Roraima, que constitui a CNBB Regional Norte 1”. É fruto de um chamado de Deus para a Igreja em Manaus para que seja “cada vez mais sinal profético do amor ao povo”.

“Do povo sofrido, do povo que é deixado de lado, do povo que tem sido negado. E nós sabemos que quem está aqui tem esse compromisso com a vida, se doa em favor da vida. E por isso hoje nós estamos aqui para dar continuidade a esses sonhos, construídos por muitas mãos, por muitos corações”, destacou o bispo.

O espaço do Centro dos Direitos Humanos é destinado para pessoas, famílias, grupos e comunidades em situação de vulnerabilidade social. Além disso, os serviços atendem aos povos indígenas, comunidades tradicionais e as pastorais sociais que enfrentam ameaças junto a outras pessoas, e na violação de direitos humanos e dos direitos da natureza.

64 anos da Cáritas Arquidiocesana

A Cáritas Arquidiocesana de Manaus comemorou 64 anos de sua missão no dia 1º de maio de 2026. A Secretária Executiva, Daniele Rodrigues, destacou a caminhada “construída por muitas mãos, marcada pela solidariedade, pela fé e pelo compromisso inabalável com a defesa da vida humana e da dignidade humana”. E a inauguração da nova sede é símbolo de continuidade, compromisso e renovação da missão de tornar o Evangelho em ação concreta.

“A Cáritas nasce do Evangelho e da ação concreta da Igreja. Somos presença solidária, escuta ativa, acolhida e promoção da dignidade humana. E esta nova casa chega para fortalecer ainda mais o trabalho que já realizamos diariamente nas comunidades, nos territórios e junto às famílias da nossa Amazônia. Aqui vamos seguir impulsionando a economia popular solidária, acreditando que outra economia é possível”, destacou a secretária.

As diversas atividades são desenvolvidas em comunhão com as pastorais sociais: a Pastoral da Saúde, Pastoral Carcerária, Pastoral da Criança, Pastoral da AIDS, Pastoral da Sobriedade e tantos outros movimentos e organizações parceiras. A rede Cáritas conta com 24 Cáritas paroquiais, em momentos difíceis são chamadas a responder às emergências humanitárias. Com solidariedade concreta às famílias atingidas por enchentes, secas e diversas crises sociais e outras situações de vulnerabilidade, como a crise migratória de haitianos e venezuelanos.

“Esta nova sede é, portanto, uma casa de encontro, serviço e missão. Uma casa que queremos aberta ao diálogo, à fraternidade e ao cuidado com a vida, com a dignidade das pessoas. Que Deus abençoe este espaço, todas as pessoas que irão trabalhar aqui, servir e acolher. E que nunca nos falte coragem para continuar fazendo da caridade um compromisso concreto com a justiça socioambiental e a dignidade humana”.

Acompanhamento e presença

Entre as atividades de acompanhamento estão os grupos de mulheres da economia popular solidária. A produção do café Balbina, da Associação dos Produtores Rurais Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Presidente Figueiredo. E ainda a promoção da Feira de Economia Popular Solidária da Amazônia, que este ano chega à sua 15ª edição.

No âmbito da proteção e defesa de crianças e adolescentes, atua por meio do programa Infância, Adolescente e Juventude (PIAG). E na luta por territórios dignos, acompanha a comunidade do Novo Catalão, junto ao Ministério Público Federal. E também como presença da Arquidiocese em relação às pessoas em situação de rua, onde 11 dos acolhidos foram beneficiados com moradias por meio do programa Minha Casa Minha Vida na última terça-feira (26).

Espaço profético

Procurador do Ministério Público Federal (MPF), Fernando Merloto, destacou que deseja que o local seja “um espaço profético” onde “as coisas podem mudar”. Ele recordou que o Estado do Amazonas vive “uma pandemia de depressão, de distúrbios mentais, na juventude”, registrando os maiores índices de suicídio do mundo. Além de reconhecer a omissão do Ministério Público Federal no estado.

“Que a gente tenha essa voz profética, que o desejo cada vez mais que a Cáritas, esse centro, possa aprofundar essa dimensão e esse olhar. E um último recado para cada um de nós, né? Cada um pode fazer a diferença. Comprando da agricultura familiar, orgânica e agroecológica, comprando da economia popular solidária […] E mudando os nossos hábitos, que às vezes estão coniventes com todas essas situações” pontuou o procurador.

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