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Cardeal Steiner chama a “Uma mudança na economia que se tornou reguladora, dominadora da vida”

O sonho ecológico em uma perspectiva econômica foi o ponto de reflexão no quarto dia do II Encontro Sinodal de Reitores de Universidades para o Cuidado da Casa Comum, que acontece de 20 a 24 de maio de 2025 na Pontifícia Universidade Católica de Rio de Janeiro (PUC-Rio). Um congresso em torno a Laudato si´, que “depois da Pacem in Terris de São João XXIII, talvez, tenha sido o documento da Igreja com maior repercussão e de valor para o espaço e tempo em que vivemos”, segundo o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, que refletiu sobre “A caminho de uma Possível Remissão da Dívida”. Vivemos numa Casa Comum Um texto pontifício que representa “um horizonte que se abriu, mas que ainda necessita de provocações, debates, para perceber que vivemos numa Casa Comum”, segundo o arcebispo. Ele agradece a Papa Francisco “por nos ter ofertado essa pérola preciosa”, um documento que “foi decisivo nas discussões da COP de Paris”. O cardeal fez quatro provocações: Hermenêutica da totalidade; pensar calculante e poético; o movimento da palavra economia; e Eco-nomia como esperança. Segundo o arcebispo, em Querida Amazônia, “os quatro sonhos, as quatro dimensões, oferecem a totalidade do modo de ser, de viver, uma hermenêutica da totalidade”. Uma encíclica que “é essencialmente o cuidado com o todo!”, abordando a questão econômica como “dinâmica da convivência, desestruturando a Casa comum”. Ele lembrou as palavras dos bispos da Amazônia em Santarém 1972: “para uma verdadeira encarnação e libertação!” Segundo o arcebispo de Manaus, a hermenêutica da totalidade “possibilita uma outra hermenêutica da narração do Génesis, que convida a ‘dominar’ a terra”, fazendo um chamado a “cultivar e guardar”, abrindo assim “a uma conversão de relação de reciprocidade responsável entre o ser humano e a natureza (LS 67)”. Um cuidado que nessa hermenêutica é individual e comunitário, que faz necessário “considerar as interações dos sistemas naturais entre si e com os sistemas sociais”, entender que a crise é socioambiental, que “a conversão ecológica afina a relação entre a natureza e a sociedade”, que “despertar a sensibilidade de que participamos da natureza e que a recebemos como casa comum, possibilita uma relação nova de acolhida, respeito, reverência, irmandade”. Nessa hermenêutica da totalidade somos chamados a “reaprender a habitar”, com novas relações. Essa hermenêutica desafia a “uma mudança na economia que se tornou reguladora, dominadora da vida”, que se abre à admiração. A essência do ser revelada através da linguagem O cardeal Steiner refletiu sobre a Eco-nomia a partir do pensamento de Martin Heidegger, para quem “a essência do ser é revelada através da linguagem, e a linguagem é o lugar onde o ser se manifesta e se expressa”. Isso nos leva a entender que “estamos sendo movidos pela palavra, vamos percebendo uma totalidade que se desfaz, uma totalidade que se mantém pela teimosia da esperança, com palavras”. Uma casa que no mundo indígena é “onde se vive”, que leva a entender a Casa Comum, termo acunhado por Francisco, como “a espacialidade para servir”. O segundo modo de conhecer, segundo o cardeal, seguindo o pensamento de Romano Guardini “fazem as energias e as substâncias convergirem para um único fim: a máquina, desenvolvendo uma tecnologia da submissão do ser vivo, mas também para o econômico, o lucro. A tecnologia permite viver melhor, comunicar e ter muitas vantagens, mas alerta para o risco de ela se tornar reguladora, se não dominadora, da vida, se torne um modo de pensar que domine as relações humanas”. O grande perigo é que “o homem perde todos os laços interiores que lhe conferem um sentido orgânico da medida e das formas de expressão em harmonia com a natureza”. E junto com isso, o perigo de entrar na lógica do “se pode ser feito, é lícito”, de entrar no pensar da máquina, do “pensar calculante”, como afirmava Heidegger, algo que tem muito a ver com a Inteligência Artificial. Perigos da economia imediatista Nessa perspectiva, o cardeal falou sobre a economia como esperança, que leva a refletir sobre o fato de que “os recursos da terra estão a ser depredados também por causa de formas imediatistas de entender a economia”. Algo que tem a ver com a maximização do lucro, que entende a relação com o meio ambiente desde os interesses particulares, “o interesse econômico, chega a prevalecer sobre o bem comum e manipula a informação para não ver afetados os seus projetos”. Uma dinâmica que faz com que “os grupos econômicos tomaram conta do poder político e impõe retrocessos em relação ao meio ambiente”, segundo o arcebispo de Manaus. A Encíclica, afirma o cardeal, “demonstra a relação doentia entre tecnologia-economia e meio ambiente”, dado que “o que conta é o lucro, o ganho financeiro”. Uma economia que mata que destrói o meio ambiente e assassina os defensores ambientais, como aconteceu com Dom e Bruno no Vale do Javari, que está atrás do Marco Temporal, do garimpo ilegal. Só existe um interesse: o dinheiro. Diante disso, aprender com os povos originários, de sua capacidade para fazer economia em harmonia com o meio ambiente. Nesse sentido, “a Laudato si´é um convite a procurar outras maneiras de entender a economia e o progresso, o valor próprio de cada criatura”. Restabelecer a Justiça de Deus A esperança, presente no Ano Jubilar, é devolver, perdoar dívidas como uma questão de justiça, como caminho da Paz, buscando restabelecer a justiça de Deus nos diferentes âmbitos da vida. Daí o chamado que ele faz a ver o Jubileu como “um acontecimento que impele a procurar a justiça libertadora de Deus em toda a terra e sentimo-nos chamados denunciar tantas situações de exploração da terra e de opressão dos pobres”. Algo que tem que se traduzir em gestos concretos. Provocações que são “um chamamento inicial para sinodalmente deixar ecoar o meio ambiente numa economia servidora, não exploradora”, com uma mudança cultural, que nos leve a descobrir que “somos todos devedores, mas também todos necessários uns aos outros”. Isso porque “Deus confiou aos nosso cuidado da obra criada, deu a vocação de…
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Dom Hudson Ribeiro: Maior incidência política das universidades para obter resultados na COP 30

O II Encontro Sinodal de Reitores de Universidades para o Cuidado da Casa Comum que acontece na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), conta com a presença de representantes de universidades de toda América, da Espanha, Portugal e Reino Unido. Entre os participantes está o diretor da Faculdade Católica do Amazonas, dom Hudson Ribeiro. O melhor somos nós Na reflexão em torno ao sonho cultural, o bispo auxiliar de Manaus, em vista da COP 30, contava que durante o mestrado na Universidade Católica de Milão, ele teve uma experiência no Benin, que tem como símbolo um pássaro chamado sankofa, que no desenho olha para trás e tem um ovo na boca. Sem saber o que significava, diante dos poucos recursos da comunidade, ele murmurou que lá não tinham nada. Diante disso, uma senhora irritada disse assim para ele: “você não vê, aqui nós temos o melhor e o melhor desse lugar somos nós”. Um ensinamento que lhe levou a aprender a trabalhar com o que nós temos, o melhor somos nós. Uma realidade que o bispo auxiliar de Manaus disse ter encontrado também na Amazônia, “escutando as comunidades indígenas, escutando as comunidades ribeirinhas, que o elemento chave para facilitar o diálogo, preservar a cultura, seria a memória”. Segundo ele, “a memória está no centro daquilo que a gente professa como fé, como cristãos católicos”. Algo presente na Eucaristia e na Bíblia, dado que “quando o povo perdia a memória, a memória se retomava”. Nesse sentido, “a retomada da memória ela persegue a história da salvação”. Ir se encontrando Diante da mudança cultural que leva a olhar para frente, de progredir, isso faz com que “essa mudança epistemológica cultural tem os destroços, porque a gente não olha para trás”, segundo o bispo. Ele relatou o que acontece em Manaus com o encontro das águas do Rio Negro com o Rio Solimões. Rios que vem de longe, mas que ajudam a entender encontros como este, onde “a gente faz parte dos afluentes desses rios que vão se encontrando”. O encontro das águas, onde os dois rios caminham juntos por 14 quilómetros, é visto como expressão de um diálogo tão grande, que os leva a se juntar em um rio, a Amazonas, que se alarga. Falando da tecnologia social, ele disse que aí, “nós trazemos presente a temática do fazer memória. E fazer memória é o que tem ajudado as nossas comunidades ribeirinhas, os povos indígenas, de fato, a sobreviver e a saber tirar da floresta, de fato, a preservação”. Dom Hudson Ribeiro referiu-se a diversos elementos que ajudam a resgatar a memória, questionando “quanto nós estamos valorizando a memória, ao nos aproximarmos das nossas pesquisas, do nosso ensino, estamos olhando para frente, quanto olhamos para trás, para aprendermos do que não é possível mais fazer, para manter aquilo que já era possível e viável para que a gente continue de fato caminhando lado a lado como dois rios até se encontrar e desaguar no mar ou no oceano, dando sequência à vida. Necessidade de incidência política nas universidades Ele também se posicionou sobre o cada vez menor espaço das mulheres. Diante disso, ele reclamou das universidades maior incidência política como caminho para obter resultados na COP 30, porque quem vai debater lá na COP são chefes de Estado. “Então, nós podemos pensar nessas provocações a partir de ocupações de espaços políticos de agenda pública”, ressaltou dom Hudson Ribeiro. Nesse sentido, ele disse que “sem isso, os nossos avanços serão bastante limitados”, mostrando que a Faculdade Católica do Amazonas começou a investir nas escolas de formação. O bispo auxiliar de Manaus recordou, seguindo o pensamento de Papa Francisco, no Pacto Global pela Educação, a importância de “escutar as crianças, os adolescentes e os jovens, torná-los protagonistas. Não falar sobre, mas eles estarem conosco dizendo o que eles pensam, o que eles querem”. Nessa perspectiva, “essa nova formação de uma geração que possa ser escutada com possibilidade de incidência política, a gente precisa responder nas nossas instituições. Não dá para fazer isso dizendo que isso não é nosso. Isso é nosso. A gente precisa ocupar, voltar a ocupar os espaços que eram e que nós fomos perdendo”.

Seminário São José celebra 177 anos formando padres para a Amazônia

No dia 14 de maio, o Seminário Arquidiocesano São José celebrou, solenemente e com profundo espírito de gratidão, seus 177 anos de existência. A celebração eucarística foi presidida por Dom Hudson Ribeiro, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, e reuniu seminaristas, formadores e bispos convidados Dom Raimundo Vanthuy Neto, bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira e Dom Adolfo Zon Pereira, bispo da Diocese do Alto solimões. Todos unidos para render graças a Deus por quase dois séculos de história vocacional na Amazônia. É significativo celebrar 177 anos de história Para o reitor do Seminário São José, Pe. Pedro Cavalcante, este foi momento importante para celebrar e recordar a trajetória de formação de padres para a Amazônia. Segundo ele, “hoje afirmamos quanto é significativo celebrar os 177 anos da fundação do Seminário São José. É bom recordar e identificar quem foi que no início acreditou e abriu no coração da Amazônia essa bela aventura pelas vocações sacerdotais diocesanas autóctones . Foi com Dom José Morais Torres , bispo da imensa Diocese do Pará que no dia 14 de maio de 1848 , na antiga Barra do Rio Negro começa a história deste seminário. Ele dizia : ‘será destinado à instrução e educação da mocidade…’ Palavras que conotam a esperança em se ter agentes formados, mas sobretudo um clero próprio e preparado para esta realidade amazônica”. Pe. Pedro pontuou que o seminário percorreu inúmeros desafios que não impediram as graças de Deus sobre a Igreja na Amazônia, formando padres que chegaram ao episcopado e hoje são bispos no Regional Norte 1, como Dom Hudson Ribeiro e Dom Zenildo Lima, que são bispos auxiliares de Manaus; e Dom José Albuquerque, que ée bispo de Parintins. Desafios e avanços “Ao longo desta história, o Seminário enfrentou diversos períodos marcados por dificuldades e desafios , avanços e retrocessos, alegrias e incertezas, chegando a fechar duas vezes suas portas. Fatos estes que não foram capazes de impedir a graça de Deus em realizar os seus desígnios suscitando novos tempos e novos epíscopos e reitores, os quais retomaram com entusiasmo e determinação a abertura do processo formativo a partir de lugar e sede própria […] Olhando essa História com a lente da fé, podemos testemunhar que, o Seminário São José, nossa Casa de Formação, se consolida, torna-se uma realidade fundamental para a Evangelização da Amazônia. Aqui nossas Igrejas locais depositam a confiança. Esperam ver seus jovens seminaristas crescerem, maturarem e contribuírem para que O Evangelho , a Boa Nova seja transmitida e anunciada a partir de uma práxis autêntica e viva no meio das comunidades eclesiais , fruto da experiência com o Cristo Bom Pastor, que nos torna seus discípulos configurados a Ele como o enviado do Pai”, enfatizou Pe. Pedro. Também pediu aos atuais seminaristas, que se preparam para trilhar a vocação do sacerdócio, que compreendam a importância do seminário e contribuam com esta história de evangelização e pastoreio nas igrejas que estão na Amazônia. “Cabe a esta geração, a vocês, peregrinos da Esperança, escrever as novas páginas da história deste Seminário. Espero que este conhecimento histórico não seja estranho às vossas vidas. Ao contrário, que todos os anos, por volta desta data a celebremos e a façamos memória dentro não de um eterno retorno, mas de uma crescente e dinâmica espiral cheia da força transformadora do Espírito, pois somos protagonistas dessa nova etapa do Seminário São José”. Seminarista Francisco Jr

Cardeal Steiner em sua paróquia em Roma pede orações pelo Conclave

No III Domingo da Páscoa, dia em que o Colégio Cardinalício não realizou congregação geral, os cardeais celebraram a eucaristia em suas paróquias de Roma. O Papa confia uma igreja romana a cada um dos cardeais. O arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), celebrou na paróquia de São Leonardo da Porto Maurizio. Pedro, tu me amas? Na homilia, o cardeal Steiner destacou três pensamentos. No Evangelho, ele se referiu à pergunta de Jesus a Pedro por três vezes: “Pedro, tu me amas?” Uma pergunta que leva a estabelecer uma relação profunda, refletiu o arcebispo de Manaus. “Podemos entender como cada vez mais Deus pergunta se nós o amamos, não porque duvida do nosso amor, mas para nos lembrarmos e aprofundarmos, correspondermos a este amor que veio da Cruz. É um amor tão grande, que é tudo”, disse o arcebispo. Ele lembrou que “estamos no tempo da Páscoa e esse é o primeiro pensamento, cada vez que perguntamos a Deus, Deus nos ama, eu te amo, como Ele me ama, com a mesma liberdade, com a mesma intensidade, com a mesma profundidade”, sublinhando que “Deus nos faz a nossa vida, quando Ele nos chama a amar”. O segundo pensamento que o cardeal destacou “é da segunda leitura da Bíblia, é belíssimo. Quando fechamos os olhos e vemos a multidão, todos ali, a glória, o poder. Todos os crentes que disseram, confessaram o amor de Deus. Quantas vezes Deus não perguntou a esses homens, a essas mulheres, que estão agora na eternidade, participando intensamente da vida de Deus, mas eles peregrinaram neste mundo, como fazemos nós. Deus também nos pergunta, tu me amas?”. Para isso, se faz necessário nos abaixar diante dos outros. Segundo o cardeal Steiner, “nós fazemos parte dessa multitude, a Igreja sempre falou da comunhão dos santos”, o que significa que não estamos sozinhos. Ele vê essa experiência de amar Deus e amar os outros como uma participação da Trindade”. O terceiro pensamento que ele destacou foi que toda Jerusalém percebia o anúncio da morte e da ressurreição de Jesus. Lembrando um pensador do Medioevo que diz que “Jerusalém não é uma cidade. Jerusalém é toda a vida do mundo, a nossa vida, o mundo é Jerusalém”. Ele destacou que todo o mundo sentia o anúncio da morte, afirmando que o amor é a morte ressuscitada pelo amor. Daí surge a pergunta “Tu me amas?”, dizendo que esse amor é uma participação do amor de Deus. A arquidiocese de Manaus A leitura do Livro dos Atos, levou o cardeal Steiner a pensar na arquidiocese de Manaus, com suas 1.300 comunidades, em uma diocese de 94.000 quilômetros quadrados. Uma realidade que lhe leva a se perguntar como poder levar essa bela notícia a todos, para que todos possam dizer amo a Deus. Isso lhe levou a pedir que nossa vida seja uma correspondência de amor. No final da celebração, o cardeal Steiner, um dos 133 que na tarde da quarta-feira entrarão na Capela Sistina para eleger o sucessor de Francisco, pediu orações pelo Conclave. Ele lembrou Papa Francisco, que “nos ensinou a viver o evangelho com alegria”. Um Papa que ele definiu como um homem de paz, um homem de esperança, um homem de Deus.

Cardeal Steiner pede a inspiração do Espírito Santo para dar à Igreja um Papa da paz, da esperança e da misericórdia

Um homem da paz, um homem da esperança, um homem da misericórdia. Esse é o Papa que o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner gostaria fosse eleito no Conclave que inicia na quarta-feira 7 de maio. Uma eleição que está sendo preparada nas congregações gerais que acontecem até dia 6 de maio e onde participam os membros do Colégio Cardinalício. Um Papa para este tempo São 134 eleitores, depois da renúncia a participar do cardeal Antônio Cañizares, arcebispo emérito de Valência (Espanha), por motivos de saúde, e da renúncia definitiva do cardeal Ângelo Becciu, segundo foi confirmado por fonte vaticanas. Para eles, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) pede a inspiração do Espírito Santo, para que “possamos dar à Igreja um Papa nesse tempo em que nós vivemos”. O cardeal Steiner disse que “as reuniões que antecedem ao Conclave estão caminhando muito bem”. Aos poucos os cardeais, tanto os eleitores, como os cardeais que já completaram 80 anos, que participam das congregações gerais, mas não entrarão na Capela Sistina na tarde de 7 de maio, vão partilhando suas reflexões em torno à situação atual da Igreja e à figura do futuro Papa. Amor de Papa Francisco pela Amazônia O arcebispo de Manaus participou das exéquias de Papa Francisco, realizadas na manhã do sábado 26 de abril, com a participação de 250 mil pessoas, além das mais de 150 mil que acompanharam o cortejo fúnebre no caminho da Praça de São Pedro até a Basílica de Santa Maria Maior, onde foi sepultado. Sobre a figura do último pontífice, o cardeal Steiner enfatizou mais uma vez, como ele vem fazendo desde o falecimento do Santo Padre que “Papa Francisco demostrou sempre um amor tão grande pela nossa querida Amazônia”. Igualmente, o cardeal brasileiro, um dos sete eleitores brasileiros do próximo Papa, disse que “no momento da celebração lembrei de todos e todos os queridos irmãos no episcopado, de todas nossas comunidades, que tanto receberam do Papa Francisco”. Finalmente, o arcebispo de Manaus pediu “que ele do céu nos acompanhe e que Deus abençoe a todos nós”.

Cardeal Steiner agradece no velório do Papa por “nos despertar para com o cuidado para com a Amazônia”

Uma mistura de sentimentos está presente no coração passando diante do corpo daquele que tem sido uma luz para a humanidade e para a grande maioria dos 1,4 bilhão de católicos do mundo nos últimos 12 anos, embora a multidão de pessoas presentes exija que isso seja feito rapidamente. Reconhecimento de todo o mundo O velório de Papa Francisco, que será sepultado neste sábado na Basílica de Santa Maria Maggiore, após o funeral na Praça de São Pedro, é um sinal de reconhecimento por parte das pessoas de todo o mundo. Mas também pelas mais de 200 delegações oficiais que viajaram a Roma para mostrar suas condolências. De uma dessas periferias veio o arcebispo de Manaus, o cardeal Leonardo Ulrich Steiner. A Amazônia sempre ocupou um lugar especial no coração do último pontífice. Lembro-me da última vez que tive a oportunidade de cumprimentá-lo brevemente, quando lhe contei que minha missão era ser pároco na Área Missionária de San José do Rio Negro, na arquidiocese de Manaus, composta por 26 comunidades indígenas e ribeirinhas. Francisco respondeu: “Que missão linda!” Muito a agradecer a Papa Francisco Um carinho que também está presente naqueles que vivem nessas e em tantas outras comunidades Amazônia afora, que pediram nesses dias que eu também levasse suas vidas para o velório do Papa. Um sentimento de gratidão que o Cardeal Steiner trouxe para Roma. Logo após rezar diante do caixão de Francisco, instalado na Basílica de São Pedro, o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) ressaltou que “nós da Amazônia temos muito a agradecer a Papa Francisco por de novo trazer a Amazônia para a discussão, mas especialmente nos despertar para com o cuidado para com a Amazônia”. O arcebispo de Manaus ressaltou que “não só a região amazônica, mas os povos que ali vivem, as culturas”. Segundo o Cardeal Steiner, “tudo isso nós somos muito gratos ao Papa Francisco por nos ter ajudado a repensar e ajudar a incentivar as nossas comunidades a viverem a sua fé nessa realidade da Amazônia”, concluindo suas breves palavras com um “muito obrigado, Papa Francisco”. O Cardeal Steiner é alguém profundamente alinhado com o Magistério do Papa Francisco, tendo promovido de várias maneiras a sinodalidade, o cuidado com os pobres, especialmente a população em situação de rua, o cuidado com a casa comum, o protagonismo das mulheres e a defesa dos povos indígenas. Soma-se a isso sua grande devoção, como franciscano, a Francisco de Assis, incentivando constantemente a descoberta da presença de Deus em todas as criaturas, sentimento presente no conceito de ecologia integral, promovido pelo Papa argentino. Gratidão do povo brasileiro Esse sentimento de gratidão a Francisco também está muito presente nos dias de hoje entre o povo brasileiro. Ele é um Papa muito querido no Brasil, a ponto de, em uma ocasião, um cardeal brasileiro ter dito a Papa Francisco que ele havia conseguido realizar um milagre durante sua vida, que os brasileiros gostassem de um argentino, fazendo o Papa dar uma gargalhada. Uma grande delegação do governo brasileiro prestou suas condolências diante do caixão do Papa, encabeçada pelo presidente Lula, um admirador declarado do pontífice, sua esposa Janja, os presidentes do Congresso, do Senado, do Supremo Tribunal Federal, ministros, parlamentares e a ex-presidente Dilma, que admitiu, como também era visível em Lula, que estava abalada com a morte de Francisco.

Celebração de gratidão da Igreja de Manaus a Francisco, o Papa da Amazônia

A Igreja de Manaus se reuniu no início da noite da Terça-feira da Oitava da Páscoa, na catedral de Nossa Senhora da Conceição para “uma celebração de gratidão”, segundo explicitou seu arcebispo, o cardeal Leonardo Steiner. Ele disse que “nós devemos tanto ao ministério de Papa Francisco, o Papa da Amazônia.” Ele enfatizou que Papa Francisco “viu na Amazônia a necessidade de um cuidado com toda a ecologia integral.” Junto com isso, o Papa da Misericórdia, mostrando que “misericórdia quer dizer dos desvestidos, dos sedentos, dos famintos, dos sem casa, dos aprisionados, de todos.” É por isso que o arcebispo de Manaus fez um chamado a “louvar e bendizer a Deus por esse ministério. Esse ministério que sempre nos devolveu o desejo de sermos cada vez mais seguidores e seguidoras de Jesus. Queremos louvar e bendizer por esse ministério de 12 anos”, equiparando os 12 anos, com as 12 tribos de Israel, os 12 apóstolos. Um Papa com quem “nós aprendemos a apreciar a esperança e levar esperança. E nunca jamais nos esquecermos dos mais pequeninos, dos mais pobres.” Francisco, uma vida impactante Na homilia, o bispo auxiliar, dom Zenildo Lima, refletiu sobre a fecundidade do acontecimento pascal, afirmando que “vamos nos maravilhando com o alcance da ressurreição de Jesus e, com a força contagiante que a vida doada de Jesus vai atraindo, vai reunindo, vai congregando a vida dos homens e mulheres”, pelo fascínio de uma vida bem vivida. Nesse contexto, o bispo retomou a história de Papa Francisco, sublinhando que seu legado “já é experimentado, mas não porque nós fazemos uma síntese dos seus discursos, das suas palavras, mas porque a vida dele está nos impactando diretamente. O legado do Papa Francisco para nós não é uma lembrança, não é um conteúdo, não é um conceito, é uma experiência que nós vivenciamos e estamos vivendo sim aqui nesta noite na nossa igreja catedral.” Segundo dom Zenildo Lima, “somos tomados por um sentimento, somos que contagiados por uma força, somos como que impelidos e atraídos para um jeito novo de viver nossa experiência de fé, nossa experiência eclesial.” A partir de seu Magistério pontifício, ele destacou que “os nossos horizontes pela alegria do Evangelho são alargados. Nós não somente queremos o bem, a vida plena para os homens e mulheres, mas se não para toda a realidade criada a partir do agir de Deus.” Ele falou de Laudato Si´ e Laudate Deum como documentos que “nos abriram novos horizontes para compreender os alcances do Reino de Deus.” O bispo auxiliar referiu-se à fraternidade, ao chamado a sermos peregrinos da esperança. Ensinou a viver a comunhão, a sinodalidade Ele lembrou elementos presentes na Carta da Igreja de Manaus publicada poucas horas depois da morte de Papa Francisco, onde aparece que “nós aprendemos tanto deste Papa sobre a comunhão, que ele chamou tão insistentemente de sinodalidade.” O bispo refletiu sobre aqueles que, quebrando a comunhão, se sentem donos da verdade, que promovem guetos mais do que abertura. Igualmente, na carta se reconhece a figura de “um pastor próximo de quem é pequeno e de quem é descartado” e de uma Igreja pobre para os pobres. Um Papa que “se faz grande por estar com os pequenos.” Igualmente, recordou em Francisco, “o incansável grito pela paz, por uma nova ordem mundial”, um Papa que “nunca teve receio, nunca teve medos, nunca teve censuras que não lhe permitissem dizer a verdade com afeição, mas uma verdade que nos convidava a um novo jeito de viver a partir das relações entre as nações e a partir da relação entre cada homem e cada mulher”. Um Papa que apelava a todos aqueles que no mundo têm responsabilidades políticas, “para que não cedam a lógica do medo, uma lógica que nos fecha, mas usem todos os recursos disponíveis para ajudar os necessitados, para combater a fome, para promover iniciativas que favoreçam o desenvolvimento.” Peregrino nas periferias Um Papa da esperança, “o pastor com cheiro das ovelhas, que peregrinou nas periferias do mundo, nos precede agora como o grande peregrino da esperança”, que quase incapacitado de caminhar, abriu as portas santas, definindo seu pontificado como de abertura de portas, de acolhida. Dom Zenildo Lima refletiu sobre a esperança, “uma esperança de quem se compromete. Não se trata de uma esperança alienante, alienada, mas uma esperança responsável, estabilizadora.” Igualmente se referiu à misericórdia, lembrando essa presença em seu brasão: Miserando atque eligendo (Com misericórdia o elegeu). No Papa Francisco, o bispo auxiliar sublinhou sua simplicidade e sua cosmovisão extraordinária, que se especifica em sua compreensão da ecologia integral, algo que “o aproximou tanto de nós e das nossas terras”, colocando como principal exemplo disso o Sínodo para a Amazônia e a Querida Amazônia, afirmando que “nós, de certo modo, fomos acolhidos nos sonhos do Papa. Ele sonhou conosco, com a nossa vida, com a nossa terra, com a nossa gente, com uma Amazônia capaz de cuidados. Ele sonhou conosco, com a nossa cultura, com as nossas diversidades. Ele sonhou conosco, com a riqueza deste chão, com seus biomas, fauna, flora, seus recursos hídricos, seus povos, suas populações originárias. Sonhou conosco, Igreja da Amazônia, Igreja com rosto amazônico, e se a gente costuma dizer que na morte as pessoas vivem a experiência do sono eterno.” Francisco uma inspiração Daí, o bispo fez um chamado a que nós continuemos nos sonhos do Papa Francisco, a encontrar nele uma inspiração e com ele querer a vida para todos, todos, todos. Ideias que dom Zenildo Lima vê nas últimas alocuções do Papa Francisco, que chamava a derrubar as barreiras que criam divisões, que acarretam consequências políticas e econômicas nefastas, a cuidar uns dos outros, aumentar a solidariedade, a trabalhar em prol do desenvolvimento humano integral de cada pessoa humana. Um Papa que iniciou seu pontificado com um novo modo de se comunicar, a quem a Igreja de Manaus agradece por seu pontificado. Dele recordaremos, mais do que os seus gestos, as suas palavras, o seu sorriso, o seu humor, “o seu…
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Cardeal Steiner: “Cristo ressuscitou! Esse anúncio chegue a todos, a cada casa, a cada família”

“Amados irmãos e irmãs, Feliz Páscoa, Cristo ressuscitou!” Com essas palavras iniciou o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, sua homilia no Domingo da Páscoa. Ele recordou que “a Igreja hoje canta, clama: Jesus ressuscitou! Louvemos a Deus, Aleluia! Louvemos a Deus que fez por nós maravilhas. Louvemos a Deus que nos livrou da morte e devolveu-nos a vida. Aleluia!” Venceu a misericórdia Junto com isso, o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), pediu que “esse anúncio chegue a todos, a cada casa, a cada família, especialmente aos que sofrem com a guerra, com os conflitos, o desemprego, a fome, onde há mais sofrimento, dor, desespero. Jesus ressuscitou, há esperança! Venceu o amor, venceu a misericórdia! A morte já não tem poder, o mal foi vencido pelo amor e pela bondade!” No relato do evangelho do dia, ele destacou que “Maria Madalena vai na madrugada escura ao encontro de Jesus no túmulo e o encontra vazio. Pedro e João correm ao sepulcro e, no vazio, encontram os sinais da presença. Nos sinais de sua presença passada, agora a sua ausência. Ausência, maior sinal de sua presença. Nova presença, a superação da morte! Esperança!” “Tiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o colocaram. Sim o tiraram do túmulo. Não permaneceu no túmulo da morte, saiu da morte para vida! A vida venceu a morte! A morte já não tem poder sobre ele, por isso o túmulo vazio. No túmulo depositamos os mortos, para dar-lhes um lugar digno, como fizeram com o descido da Cruz. Ele agora verdadeiramente transfigurado, humano-divinizado, rompe a sepultura, abre o túmulo”, disse o arcebispo. O túmulo não guarda mais o corpo Segundo ele, “o túmulo guardava o corpo, já não guarda mais. O túmulo era ainda uma referência de presença, já não é mais. O túmulo era última recordação da presença do mestre, já não mais. Uma alma vazia, uma alma livre (Mestre Eckhart), está pronta para o encontro com o Amor que não é amado; uma alma livre, esvaziada, despojada, onde foi removida a pedra da entrada, que não guarda mais as exterioridades, que não mais vive dos sinais aparentes de faixa e panos, se apressa, corre na espera de que o amado venha, bata à porta e entre. A alma livre desejosa, amante, corre o risco do encontro.” O cardeal recordou que “na sua homilia da Páscoa Santo Agostinho diz a seus irmãos e irmãs: ‘amados, vamos celebrar cada dia da Páscoa e meditar assiduamente todas estas coisas. A importância que atribuímos a estes dias não deve ser tal que nos levará a negligenciar, senão a lembrança da paixão e ressurreição do Senhor, quando todos os dias sejamos nutridos com seu corpo e sangue; No entanto, nestas festividades a lembrança de Cristo é mais brilhante, mais intensa, e a renovação, mais alegre, porque a cada ano nos traz, diante dos olhos, a memória desses eventos. Celebrem, portanto, esta festa como uma transição e pensem que o reino futuro deve permanecer para sempre. Se nós, cheios de alegria nestes dias passageiros, nos lembramos com devoção da solene paixão e ressurreição de Cristo, – quão feliz nos fará o dia eterno quando vamos vê-lo e permanecer com Ele? Dia cujo desejo somente gera uma grande expectativa e nos dá alegria’” Diante da ressurreição, o cardeal questionou: “Mas se o Senhor ressuscitou, como existem essas situações deprimentes, esses desertos, essas violências, as mortes? Tantas desgraças, doenças, tráfico de pessoas, guerras, destruições, mutilações, vinganças, ódio? Onde está o Senhor? Vemos alastrar-se o deserto da guerra, da morte. Quantos desertos tem o ser humano de atravessar ainda hoje! Ao celebrarmos o Ressuscitado, cremos que Ele pode ‘fazer florir mesmo a terra mais árida, pode devolver a vida aos ossos ressequidos’ (cf. Ez 37, 1-14).” O amor de Deus é mais forte Em palavras do cardeal Steiner, “Jesus ressuscitou, significa que o amor de Deus é mais forte que o mal e a própria morte; significa que o amor de Deus pode transformar a nossa vida, fazer florir o deserto. O deserto dos corações, o deserto que se alastra na destruição da terra. Sim, o universo recebeu a graça da vida nova, pois o amor é transformativo, purificador. O amor de Deus que se fez nossa humanidade e percorreu o caminho da humildade, da dor, do sofrer, do dom de si mesmo, até a morada dos mortos, ao abismo da separação de Deus. O amor misericordioso inundou de luz e vida o corpo morto de Jesus e transfigurou-o, ressuscitando-o de entre os mortos. Jesus agora ilumina a nossa humanidade, abrindo-nos um futuro de esperança”, disse inspirado na primeira homilia do dia da Páscoa de Papa Francisco. Seguindo com a homilia do Papa na Vigília da Páscoa de 2020, o arcebispo de Manaus disse que “com a sua morte e Ressurreição “conquistamos um direito fundamental, que não nos será tirado: o direito à esperança. É uma esperança nova, viva, que vem de Deus. Não é mero otimismo (…). É um dom do Céu, que não podíamos obter por nós mesmos. Tudo correrá bem: repetimos com tenacidade nestas semanas, agarrando-nos à beleza da nossa humanidade e fazendo subir do coração palavras de encorajamento. Mas, à medida que os dias passam e os medos crescem, até a esperança mais audaz pode desvanecer. A esperança de Jesus é diferente. Coloca no coração a certeza de que Deus sabe transformar tudo em bem, pois até do túmulo faz sair a vida.” Deus é vida, somente vida Talvez, por isso Santo Irineu a nos dizer: “Eis o que é a Páscoa: é o êxodo, a passagem do homem da escravidão do pecado, do mal, à liberdade do amor, do bem. Porque Deus é vida, somente vida, e a sua glória somos nós: o homem vivo”, recordou o cardeal. Ele lembrou que “São Pedro memorava nos Atos dos Apóstolos (At 10,40-43) como Jesus se manifestou a ele e aos outros discípulos que conviveram com ele. Depois…
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Via Sacra com a população em situação de rua: A Igreja de Manaus caminha com os crucificados de hoje

Estar com os crucificados de hoje, ajudar carregar sua cruz, é o melhor modo de celebrar a Sexta-feira Santa. Em Manaus, um dos coletivos mais vulneráveis é a população em situação de rua. Foi com eles que a Igreja de Manaus, realizou a Via Sacra na manhã deste 18 de abril, uma celebração, organizada pela Comunidade Nova e Eterna Aliança e a Pastoral do Povo de Rua, que contou com a participação do arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner. “Acompanhar Jesus que deu a vida por nós” Uma presença que é um bálsamo para aqueles que deambulam cada dia nas ruas da capital do Amazonas. Os últimos, como se fez visível mais uma vez na visita do Papa Francisco aos presos da prisão romana Regina Coeli, reconhecem que Deus se faz próximo naqueles que chegam perto sem preconceito, sem vontade condenar. Uma Via Sacra que quis ser um modo de nesta Sexta-feira Santa, “acompanhar Jesus que deu a vida por nós”, segundo salientou o cardeal Steiner no início da caminhada. Uma caminhada que, segundo acontece na vida cotidiana, não carrega multidões, igual outras celebrações, procissões, caminhadas, vias sacras, durante a Semana Santa. Mas é aí, no meio dos últimos, que Jesus aparece hoje de forma clara e evidente. Ele sempre fez escolhas e nunca duvidou em ficar no meio dos últimos. Somos presença dele quando acompanhamos a vida dos encarcerados, a vida da população em situação de rua, a vida dos doentes. Em definitiva, a vida dos vulneráveis, a vida dos descartados, a vida dos crucificados. Acompanhamos Jesus em suas dores, em seu sofrimento caminho do Calvário, quando acompanhamos àqueles que hoje continuam sendo crucificados. Um sofrimento que também padece nossa casa comum, segundo tem sido lembrado neste ano pela Igreja do Brasil na Campanha da Fraternidade, que tem nos levando a refletir sobre a Ecologia Integral, sobre a necessidade da conversão ecológica. Adesão ao cuidado de toda vida É por isso, que somos chamados, afirmava o arcebispo de Manaus, para que “neste Ano Jubilar, como peregrinos da esperança, renovemos a nossa fé, esperança e nossa adesão ao cuidado de toda vida, em especial em defesa da vida da população em situação de rua”. Com eles, que ao longo do percurso foram encenando diversas cenas do caminho de Jesus até o Calvário, foram percorridas as ruas do centro da cidade. É nessas ruas que eles vivem seu dia a dia, que sofrem o desprezo e a indiferença das pessoas, que muitas vezes fazem de conta que eles não existem ou inclusive perseguem. Esses rostos carregam muitas histórias de vida, de sofrimento. Lhes acompanhando continuamos fazendo vida o evangelho, mostrando que não são os ritos e sim estar ao lado do crucificado-ressuscitado, que nos torna testemunhas no meio da sociedade. Ser discípulos e discípulas representa um constante desafio a percorrer os caminhos da vida do lado daqueles que vivem pela metade, daqueles que sua dignidade é negada pela maioria das pessoas, pela maioria de nós.

Missa Crismal em Manaus: “Somos ordenados para fazermos memória de Deus”

A arquidiocese de Manaus celebrou na manhã da Quinta Feira Santa a Missa Crismal, com a presença de grande parte do clero que trabalha nessa Igreja local, da Vida Religiosa e de numerosos fiéis que se uniram para participar de um momento importante na vida da Igreja. Enviado para animar, resgatar Uma celebração presidida pelo arcebispo local, cardeal Leonardo Steiner, que iniciou sua homilia lembrando as palavras do texto de Lucas lido no evangelho: “Jesus foi à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado e levantou-se para fazer a leitura.” Segundo o arcebispo, “voltou à espacialidade onde fora concebido, gerado, crescido, criado, e na Palavra de hoje, onde leu a sua missão: ‘hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir’. Sente-se enviado pelo Espírito para animar, resgatar, reanimar no corpo e no espírito: o Reino da verdade, da justiça e da graça!” O cardeal Steiner lembrou aos presentes que “aqui estamos como igreja particular, como Arquidiocese: nossas comunidades, nosso presbitério, ministros e ministras não ordenados, vida consagrada, seminaristas; expressões do Povo de Deus em nossa igreja particular, para celebra o Santo Crisma.” Nazaré, lugar de criação de Jesus Analisando o texto, ele sublinhou que “Nazaré, pode significar ‘consagrar-se a Deus’, mas também ‘ramo’ ou ‘rebento’. Nazaré onde brotou o ramo do tronco de Jessé, pois o lugar do anúncio, da presencialização do Filho de Deus no ventre da Virgem. O lugar do sim da Virgem que abre a finitude humana para a presença humanada de Deus. Lugar da criação de Jesus, da maturação, do trabalho corpo a corpo com o pai operário. Nazaré onde cresceu em ‘sabedoria, idade, e graça diante de Deus e dos homens’ (Lc 2,52). Conforme o Evangelho proclamado, o lugar da escuta dos profetas, do encontro do Povo do Deus com a sua história. Nazaré a iluminação do Espírito que repousa unge e envia em missão: ‘hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir’!” Diante desse significado, o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), disse que “somos convidados a voltar a Nazaré, o lugar do nascer da vida em Cristo Jesus. Voltarmos a Nazaré estarmos em casa com Jesus, Maria e José e participarmos do mistério amoroso, gracioso e salvífico que renova a face da terra, pois o Espírito a repousar, ungir e enviar. Voltamos a Nazaré e na escuta, deixar ressoar a vocação e a missão de discípulos missionários, discípulas missionárias. E de Nazaré somos enviados para anunciar o Reino da verdade, do amor e da salvação.” Voltar a Nazaré Nazaré, disse o cardeal, se dirigindo aos irmãos presbíteros e diáconos, “o ressoar da Palavra e da prece que ilumina a nossa vida e missão de ordenados. Voltamos a Nazaré e escutamos que o Espírito repousa sobre nós, pois O invocaram sobre nós, impuseram as mãos, fomos ungidos e enviados em Missão. Voltamos à Nazaré com o desejo de sermos continuamente gerados e crescermos, plenificarmos a nossa vida, missão, o nosso ministério. As nossas mãos, queridos padres, foram ungidas depois do Espírito repousar sobre nós, para abençoar, bendizer, ungir, jamais amaldiçoar! A ungir com o Espírito que concede rebento novo onde a vida parece ter secado, a esperança onde o sofrimento, a morte, parece destruir a nossa humanidade, a participação na redenção onde há sangue derramado e não recolhido; ungir a cegueira que não quer ver o cuidado amoroso de Deus, ungir os prisioneiros para que possam inspirar o desejo de liberdade, pois tantos encarcerados pelo mercado que sufoca, destrói as relações, o desejo de eternidade. O Espírito que unge para desestruturar a religião que não liberta, não oferece a verdade, a transparência da fé.” Em palavras do cardeal Steiner, “voltar a Nazaré, à espacialidade de nossa vida, missão e ministério, para escutarmos mais uma vez que o Espírito do Senhor está sobre nós, porque nos consagrou com a unção para sermos anunciadores, proclamadores da Boa-Nova transformante e redentora que traz esperança para os pobres; proclamar a boa-Nova que liberta os encarcerados, ensimesmados, presos no eu. Voltar a Nazaré e escutar a Boa-nova que abre horizonte e deixa ver, contemplar, admirar. Aquela boa-Nova que tomou conta do nosso ser presbítero e que liberta os oprimidos, os destruídos, os presos por espíritos mudos e desencaminhados. Voltar e escutar a palavra que o Espírito nos faz presença de graça, pois um verdadeiro jubileu de esperança.” Fazer memória “Em Nazaré nos encontramos para renovar as nossas promessas sacerdotais, pois celebramos o memorial de uma pertença”, afirmou o arcebispo, citando as palavras da celebração da Eucaristia: “Fazei isto em memória de mim”! Segundo ele, “o memorial que antecede à cruz salvadora: ‘fazei memória de mim’. Na participação do memorial, somos ordenados para memorar, para fazermos memória de Deus.” “O memorial que fazemos com as comunidades, é ao mesmo tempo memória da história da salvação, história do Povo de Deus, mas também pessoal, pois benevolência de Deus para conosco. A memória do encontro com Deus que toma a iniciativa, que cria e salva, que nos transforma; a memória da Palavra que inflama o coração, salva, dá vida, purifica, cuida e alimenta. Na nossa vida e ministério fazemos memória no serviço, proclamando Deus no seu amor, na sua fidelidade, na sua compaixão. A nossa vida e missão e ministério como expressão do memorial na conformidade do Reino plenificado na Cruz”, refletiu o arcebispo de Manaus. O cardeal Steiner ressaltou: “irmãs e irmãos, somos os seguidores e seguidoras de Jesus que fazem memória, deixando-nos guiar pelo Memorial em a nossa vida, e buscamos despertar para esse memorial do amor o coração dos irmãos e irmãs”. Diante disso, ele questionou: “Somos nós memória de Deus? Procedemos verdadeiramente como animadores esperançados que despertam nos outros a memória de Deus, que inflama o coração? Ou está Ele esquecido porque preocupados demais com uma religião de normas e preceitos?”, respondendo que “Jesus, memória da Trindade é caminho, verdade e vida!” Isso porque, “todo discípulo…
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