Av. Epaminondas, 722, Centro, Manaus, AM, Brazil
+55 (92) 3232-1890
cnbbnorte1@gmail.com

Tag: Arquidiocese de Manaus

Cardeal Steiner: “sem medo aprofundar a comunicação e a Ecologia Integral”

“Desejar que nós não tivéssemos medo de discutir e aprofundar as questões da comunicação e da Ecologia Integral”. Essas foram as palavras do arcebispo de Manaus, Cardeal Leonardo Steiner, durante a mesa de abertura do 14º Mutirão Brasileiro de Comunicação. O evento buscará expandir horizontes para uma comunicação transformadora nas diversas realidades sociais e humanas. O cardeal destacou a exigência desse processo de aprofundamento, justamente por ele considerar diversos “aspectos e dimensões”. Isso para que não o reduza a “um mero cuidado para preservar as coisas”, mesmo que haja uma predominância em colocá-lo sob a lógica de desenvolvimento que destrói o meio ambiente. A poesia como parte do processo de transformação Essa observação é um convite a perceber que existem “outros elementos próprios nossos, do ser humano, que precisam ser refletidos”. E para que essa comunicação ganhe os contornos de transformação desejados o cardeal aponta que o caminho é o de retorno ao “poetar”. Já que a poesia perpassa o itinerário de transformação da vida humana. “Poesia que é a tentativa de colher a realidade na sua dimensão mais profunda. Lá onde nós somos atingidos. Nós somos atingidos por uma dimensão que o sustenta e guarda as nossas relações mais profundas”, explicou o arcebispo. Nessa perspectiva, o arcebispo questionou a dinâmica a ser assumida diante dessas questões, de como “sermos realmente pessoas que conseguem comunicar?”. Para isso, é necessário que haja uma transformação e o caminho é pensar “O que veio Jesus fazer? Transformar as nossas vidas”, explicou o cardeal.Por isso, o anúncio do Reino de Deus é também de “um modo de vida novo, onde tudo se sente em casa, onde tudo realmente possa ser”, e é o que precisa ser anunciado. Aprofundar dimensões exigentes Como anfitrião do evento, o cardeal Steiner reforçou o desejo de que mutirão “não tenha medo de chegar e aprofundar as dimensões mais exigentes”. E lembrou da existência de iniciativas dissonantes da perspectiva da Ecologia Integral, citando a PEC da destruição. Nela há “todo o pensamento, e todo o pensamento através disso” em busca de oportunidades para atingir seus objetivos utilitários, que Heidegger chamava de um pensamento calculante. “Então, desejo que as nossas discussões, os nossos debates sejam sem receio, sem medo, com toda a liberdade, para podermos realmente ser uma presença do Evangelho na nossa realidade. Assim ao menos é o que nós tentamos fazer sempre na Amazônia. Sempre buscarmos as razões mais profundas para podermos assim continuar a caminhar na esperança”, concluiu o cardeal. Ao final de sua colocação pediu ao presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), uma das organizadoras do evento, Dom Valdir José de Castro, que declarasse a abertura oficial do MUTICOM. Ele retomou os agradecimentos aos envolvidos na preparação do evento e aos que ainda seguem trabalhando para realização do evento em todos os setores.

Cardeal Steiner no 14º MUTICOM: “toda obra criada é uma comunicação de Deus”

Uma missa amazônica, presidida pelo arcebispo local, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, deu início na tarde da quinta-feira ao 14º Mutirão Brasileiro de Comunicação, que reúne em Manaus, de 25 a 28 de setembro de 2025, mais de 400 comunicadores chegados dos diversos cantos do país. Um evento para refletir sobre “Comunicação e Ecologia Integral: Transformação e Sustentabilidade Justa”. O grande comunicador nos enviou um comunicador Na homilia, o presidente da celebração, depois de acolher os presentes, “os que vieram de longe, os que vieram de perto”, destacou “Jesus foi enviado para anunciar, o grande comunicador nos enviou um comunicador. Ele o comunicador do reino de Deus, ele o comunicador do amor de Deus, ele que se fez comunicação porque se fez presença. Presença nos sinais, nas palavras, nas curas, ele simplesmente com sua presença mostrou como Deus é, nos mostrou o modo de ser de Deus”. Segundo o cardeal Steiner, “no texto do Evangelho, este modo de ser de Deus, Jesus pede que seja levado adiante. Por isso envia para serem comunicadores os discípulos.” Ele destacou como significativo no texto de Marcos, que no Ide está o envio a toda criatura, dado que “toda obra criada é uma comunicação de Deus. Todos os seres são comunicação de Deus. Tudo é, na expressão de São Boaventura, sinais do amor de Deus, visibilizações do amor de Deus, palpabilidade da presença de Deus”, insistindo em que Deus se comunicou. Algo que levou o cardeal a dizer que “talvez por isso, os medievais pensavam que Deus é comunicação. E nós participamos dessa comunicação de Deus, somos participantes dessa comunicação”. Enviados para anunciarmos que existe um reino novo Como participantes dessa comunicação, o arcebispo de Manaus disse que “o Evangelho de hoje também nos envia. Nos envia para anunciarmos a toda criatura que existe um reino novo. Tudo foi restaurado em Cristo. Tudo agora foi transformado em Cristo. Tudo foi transfigurado em Cristo. Tudo agora é transparência de um amor que se tornou visível, palpável na cruz, vida nova a toda criatura.” Nessa perspectiva, o cardeal Steiner disse que “talvez por isso nosso mutirão deseja justamente refletir, pensar, aprofundar a nossa comunicação e ecologia integral. Porque nós vemos de modo diferente, a partir da comunicação de Deus, vemos de modo diferente a relação nossa com as criaturas”. Uma relação que, segundo o presidente da celebração, “Francisco de Assis percebeu que era uma relação fraternal, irmão e irmã, e é por isso também que toda criatura louva a Deus.” Ele enfatizou que “nós temos essa palpabilidade de Deus em todas as criaturas, e é por isso que fazemos das criaturas também o nosso grande louvor a Deus, a ecologia integral. A ecologia integral que não busca ser uma expressão qualquer, mas busca ser uma nova relação para podermos dizer e perceber que Deus se comunica também através das criaturas”. Nesse sentido, o MUTICOM deve ser, em palavras do cardeal Steiner, uma oportunidade “para de novo nos darmos conta de que Deus é o grande comunicador e que nós participamos dessa comunicação e que nós somos comunicação. E porque somos comunicação, nós nos deixamos tocar pela comunicação das criaturas, mas especialmente pela comunicação de Deus.” Ele enfatizou que “nós somos comunicação, nós não somos mensagem, não, nós somos comunicação, porque somos seres em relação, assim como Deus o é”. Aprofundar na dimensão de Deus comunicador Refletindo sobre a primeira leitura da liturgia do dia, onde mostra que “o profeta fala da comunicação de Deus, ele é o comunicador de Deus, mas ao mesmo tempo também, Deus que se comunica nele, por ele, e ele que se comunica a partir de Deus.” O cardeal encerrou sua homilia, pedindo que o MUTICOM “nos ajude a aprofundar essa dimensão tão profunda de Deus que é comunicador, porque é relação. Nós somos comunicadores, comunicadoras, porque somos relação, mas também as criaturas, para que realmente haja a harmonia, haja a harmonia da casa comum, e possamos nós todos conviver não num sistema econômico dominador, mas possamos viver na fraternidade universal, possamos viver da fraternidade onde todos têm o seu lugar, tem o seu espaço, mas também tem a sua respeitabilidade. Para assim, na nossa reflexão possamos melhor nos darmos conta o quanto Deus se comunica conosco através de cada uma das suas criaturas”. No final da celebração, o arcebispo de Manaus fez um chamado a agradecer “a graça de sermos comunicadores da salvação, da redenção a toda criatura”, mas também agradecer “o sermos enviados a anunciar vida nova, redimida, transfigurada, celestiada”, e junto com isso agradecer “o sermos filhas e filhos de um mesmo Pai, irmãos de um mesmo Irmão maior, e alma da Alma da Trindade.” Mais uma vez, o cardeal Steiner deu as boas-vindas “a Manaus, a nossa Querida Amazônia, a nossa Igreja que está em Manaus.” Ele pediu “que possamos todos juntos fazer uma bela caminhada nesses dias, um bom mutirão para nos apercebermos que fomos comunicados e que somos comunicação de Deus, que cada criatura é comunicação de Deus, porque comunicador maior não existe do que Ele mesmo, que se comunicou em cada um de nós”. Fotos: Emmanuel Grieco Nascimento

Cardeal Steiner: uma ecologia integral, não pode ser no horizonte do mercado, mas da fraternidade

Manaus acolhe de 25 a 28 de setembro de 2025 o 14º Mutirão Brasileiro de Comunicação (MUTICOM), com o tema: “Comunicação e Ecologia Integral: Transformação e Sustentabilidade Justa.” Um evento que conta com mais de 400 participantes e quer ser um espaço de partilha, de reflexão sobre as políticas e práticas de comunicação, um momento para aprender a partir de uma metodologia sinodal, sustentada na escuta. Chegarmos ao cuidado da casa comum O MUTICOM, organizado pela arquidiocese de Manaus, quer “abordar a questão de uma ecologia integral, mas especialmente chegarmos ao cuidado cada vez maior da nossa casa comum”, segundo o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner. Um evento para “trabalhar a comunicação dentro dessas questões ambientais na proteção da casa comum”, em palavras do bispo de Campo Limpo (SP) e presidente da Comissão para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Valdir José de Castro. O MUTICOM tem ido agregando diversos atores ao longo do processo, “que vão interagindo, se integrando e somando forças e ajudando a realizar o evento”, afirmou o bispo de Oeiras (PI) e membro da Comissão para a Comunicação da CNBB, dom Edilson Soares Nobre. Ele destacou a importância, seguindo a temática de encontro, de “pensar a comunicação levando em consideração a ecologia integral, porque diz respeito a nossa sobrevivência, ao nosso presente e ao nosso futuro, ao nosso modo de ser e ao nosso modo de agir, ao nosso comportamento”. Os povos indígenas estão sendo caçados por motivo econômico A questão da falta de cuidado com a casa comum atinge de modo especial aos povos indígenas. Nessa perspectiva o presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), cardeal Steiner, que participou nos últimos da assembleia do CIMI, denunciou “como os povos indígenas estão sendo caçados, mas isso por motivo econômico, isso por motivo de avançar cada vez mais nas terras para o agronegócio, para a mineração.” Diante dessa situação, ele enfatizou a necessidade do “MUTICOM nos ajudar a abrir olhos, na reflexão, nos debates, conseguimos comunicar que existe por detrás desse pensamento nosso hoje em dia no mundo, existe um sistema que está dominando, sistema do mercado, sistema econômico, que está destruindo o meio ambiente.” O arcebispo de Manaus sublinhou que “se trata de uma relação econômica”, o que leva o cardeal Steiner a dizer que “se conseguirmos devagar ir percebendo que no fundo das nossas relações atuais, a destruição do meio ambiente vem de um sistema que está se impondo cada vez mais”, algo que tem a ver também com o meio político. Ecologia integral não no horizonte do mercado, mas da fraternidade Ele fez um chamado a MUTICOM refletir sobre uma questão; “se quisermos uma ecologia integral, quisermos uma casa comum, não pode ser no horizonte do econômico, do mercado, mas no horizonte da fraternidade, no horizonte onde está interligado.” Daí a importância do MUTICOM como “um momento muito importante de despertarmos, ajudarmos a despertar para uma responsabilidade e desmontarmos o esquema que está se impondo.” Um sistema que está se impondo, citando como prova disso as decisões do Congresso Nacional, que por detrás têm todo um horizonte econômico. Frente a isso, “nós como Igreja temos um outro horizonte, o horizonte da fraternidade, o horizonte das relações harmônicas, que é a relação do Reino de Deus”. Um sistema que vem se impondo ao longo dos dois últimos séculos, segundo o arcebispo de Manaus, até o ponto de achá-lo como algo natural. Ele disse que “o Papa Francisco nos acordou, e muitas pessoas estão nos acordando, os povos indígenas têm nos ajudado a acordar para podermos realmente abrir os nossos olhos e começarmos a discutir sem nos agredir.” Nesse sentido, ele vê o MUTICOM como espaço de colaboração, “não só para a questão ambiental, mas para a questão das nossas relações, que elas estão hoje muito fracionadas”. Desde o pensamento teológico, que leva a fazer uma leitura do horizonte da fé, do Reino de Deus, o cardeal Steiner destacou que “o Reino de Deus foi plenificado em Jesus Cristo Crucificado, Ressuscitado”. Nessa perspectiva, “quando nós falamos de fraternidade e não de economia como essencial, estamos colocando um elemento teológico fundamental”, segundo o arcebispo de Manaus. Ele citou o pensamento de São Francisco de Assis, que chama os diversos elementos de irmãos, “devido a uma relação própria”. As criaturas todas precisam ter oportunidade É por isso que “a obra criada, ela tem uma fundamentação teológica para nós que somos Igreja, mas nós queremos atingir as pessoas que não tem essa compreensão teológica.” Uma afirmação que nasce do fato de que “em nosso horizonte de leitura, as criaturas todas precisam ter oportunidade, porque tudo está em relação. E se tudo está em relação, cada um deve ter seu espaço nessa casa comum”, o que demanda fraternidade e uma convivência harmónica. Parafraseando as palavras de Papa Francisco, quando ele disse “tirem as mãos da África”, o cardeal Steiner sua vontade de dizer: “Tirem as mãos da Amazônia.” Isso porque “a compreensão não é do respeito”, algo que ele fundamenta no sentido teológico, que “ajuda a compreender as relações, e nós estamos com as relações muito distorcidas”. Fotos: Ana Paula Gioia Lourenço

MUTICOM 2025: A Ecologia Integral deve nos levar a mudar nosso estilo de vida

10 anos depois da Laudato Si´, a encíclica que popularizou o termo “ecologia integral”, ainda estamos diante de um conceito pouco compreendido pela grande maioria das pessoas. Daí a importância do capítulo IV da primeira encíclica de Papa Francisco, onde ele aborda os diversos elementos que fazem parte dela. O decorrer da história nos mostra a importância desse conceito e nos leva a aprofundar nas palavras do número 225 da Laudato Si´: “Uma ecologia integral exige que se dedique algum tempo para recuperar a harmonia serena com a criação, refletir sobre o nosso estilo de vida e os nossos ideais, contemplar o Criador, que vive entre nós e naquilo que nos rodeia e cuja presença ‘não precisa de ser criada, mas descoberta, desvendada’”. Nessa perspectiva, o 14º Mutirão Brasileiro de Comunicação, o MUTICOM, que inicia hoje, 25 de setembro de 2025, em Manaus, é mais uma oportunidade para refletir sobre essa temática, superando preconceitos mal-intencionados ou alimentados por interesses políticos ou econômicos, que levam a negar as consequências das mudanças climáticas. Uma atitude que mais uma vez mostrou nesta semana, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O evento, que acontece em Manaus de 25 a 28 de setembro, tem como tema: “Comunicação e Ecologia Integral: Transformação e Sustentabilidade Justa”. Uma oportunidade para entender a necessidade de comunicar sobre essa temática, em vista de ajudar o povo a descobrir a necessidade de recuperar essa harmonia com a Criação, que nos chama a Laudato Si´. Uma reflexão que cobra especial importância na Amazônia, ainda mais a menos de dois meses da COP30, que será realizada em Belém do Pará em novembro. Ambos os eventos, mesmo em escalas diferentes, deveriam desencadear processos de reflexão em vista de mudanças inadiáveis, que levem a humanidade a aprender com os povos da Amazônia, especialmente com os povos originários, a importância da ecologia integral como norma de comportamento e de relações com a natureza e com as pessoas. Laudato Si´ afirma no número 156 que “a ecologia integral é inseparável da noção de bem comum”. Podemos dizer que o bem comum, ainda mais o bem viver, é um conceito chave nas cosmovisões e nos modos de vida dos povos originários da Amazônia e de outras regiões do Planeta. Quando nosso comportamento ético está orientado em vista do bem comum avançamos em humanidade, pois superarmos o individualismo que destrói toda tentativa de avanço nesse sentido. Conhecer que a ecologia integral é um modo de vida assumido em algumas comunidades da Amazônia em vista de uma sustentabilidade justa é uma oportunidade para testemunhar que essa dinâmica é possível assumi-la. Na mente das pessoas, as coisas existem quando são conhecidas, quando são comunicadas. É missão dos comunicadores católicos mostrar que a harmonia com a criação é um desafio a ser assumido por aqueles que acreditam no Deus Criador. Editorial Rádio Rio Mar

Conselho de Leigos e Leigas do Regional Norte 1 realiza 10º Assembleia

O Conselho de Leigos e Leigas do Regional Norte 1 realizou, de 19 a 21 de setembro, sua 10ª Assembleia em Manaus, com o tema “Cristãos, leigos e leigas, peregrinos da Esperança, agindo na história a serviço do Reino”. O encontro reuniu cerca de 25 pessoas, acompanhados pelo bispo auxiliar de Manaus e referecial para o laicato, Dom Zenildo Lima, com destaque para a primeira participação de membros da Diocese do Alto Solimões, além de integrantes da Prelazia de Tefé, da Arquidiocese de Manaus e das Dioceses de Borba, Parintins e Roraima. O objetivo do encontro é refletir a caminhada do laicato nas dioceses e prelazias. Além do aprofundamento formativo da temática, foi abordado a experiência do conselho nacional e de pensar o serviço não somente pela dimensão institucional do conselho, mas do cuidado com os cristãos leigos, explicou Francisco Meirelles, presidente do Conselho de Leigos do Regional Norte 1 e da Arquidiocese de Manaus. “Pensando justamente o serviço não só como institucionalização do Conselho de Leigos, como organismo, mas pensar como nós fizemos aqui esses dias, de refletir justamente o cuidado com os cristãos leigos e leigas em cada diocese, prelazia, nas paróquias, nas áreas de missões, nas áreas missionárias. Então esse momento foi um momento muito bonito, que podemos partilhar”, destacou o presidente. O Deus que eleva os pobres Na partilha, os participantes repercutiram o que a Palavra de Deus diz à história de cada um e cada uma. Justamente para fazer memória daqueles cristãos leigos e leigas que, aos domingos, expressam seu comprometimento se dividido entre as atividades das comunidades e de suas famílias. Os recortes falam da prática de injustiças e exploração com os empobrecidos e pedem por novas opções à luz do Evangelho. Ir. Ângela Maria, da Congregação das Franciscanas Missionárias da Mãe do Divino Pastor, da Diocese de Roraima, salientou a postura de Deus. Ele que “nunca mais vai esquecer o que eles fizeram”. Desse modo revela a beleza da “predileção de Deus pelos empobrecidos e empobrecidas”. Nesse cenário, Dom Zenildo recorda que o juramento de Deus confronta a experiência religiosa que anestesia o povo. É o “fazer da religião um grande sábado para que a gente possa adulterar as coisas”, em vez de tornar o povo mais atento. Esse é o contexto onde Deus não se esquece do mal feito. “É uma linguagem humana para falar de Deus com os sentimentos da gente, não é? Mas para dizer, o profeta usa essa linguagem para dizer o quanto isso foi caro para Deus. O quanto fazer mal ao pobre foi caro para Deus. Nunca mais eu vou esquecer. Eu acho que o convite da palavra é um convite para as grandes opções”, destacou. Refazer as nossas opções Val Firmino fez uma ligação entre o Evangelho do dia e a parábola do jovem rico. Nela o jovem pergunta com alcançar a vida eterna e Jesus indica que é necessário deixar tudo para segui-lo. Para dizer que a radicalidade do que foi proclamado é “viver com pouco, mas viver bem. Ser justo com aquilo que é justo”. “Justiça, onde precisa ter justiça, né? Onde estão as injustiças com os outros irmãos e irmãs, né? Não pegar o que não lhe pertence, né? E sim o que te pertence. Então, assim, para mim, eu vejo essas passagens bíblicas muito parecidas” porque o administrador esbanjava os bens de seu patrão. Dom Zenildo Lima destacou que a expressão em que o Senhor elogia o administrador desonesto gera um estranhamento. E levanta o questionamento de “como é que esse sujeito aqui aparece quase como um modelo, né?”. É indicou que esse pode ser “um convite mais profundo”, um convite para “as escolhas fundamentais”. “A partir do que a gente pauta a nossa vida? a partir do dinheiro, das estruturas, ou a partir da vida das pessoas? Esse homem, esse administrador, foi alguém que pautou toda a sua vida a partir do dinheiro, das estruturas. Agora isso vai ser retirado dele e ele percebe que ele não tem relações, que ele não tem pessoas”, salientou o bispo. Perceber as pessoas Ao fazer memória do segundo dia de assembleia, onde se refletiu sobre o trabalho do conselho, Dom Zenildo comparou com as exposições feitas pelo grupo. Isto porque “às vezes a gente se dedica muito às estruturas, às organizações, e não percebemos as pessoas”. Por isso a atividade pautou não como fortalecer estruturas, mas como “proporcionar momentos para as pessoas”. “Isso não nos faz de melhor do que os outros, o fato de nós não estejamos nesse mar de corrupções. Nós podemos estar, talvez, nessa perspectiva de vida. Não envolvidos em corrupções, mas talvez dominados e predominados pela estrutura e também nós não tenhamos feito opção pela vida e pelos outros. Aí olha Jesus, um homem absolutamente livre de estruturas. E absolutamente pautado pela vida dos outros. Por isso que a vida de Jesus é sempre encantadora para nós” sublinhou o referencial. Uma oração que alcance a vida comunitária O último dia de assembleia foi marcado por manifestações democráticas contra movimentações parlamentares opostas aos interesses populares. Por isso, Lima reforçou que rezar pelos governantes “não é submissão”, mas “é rezar pelo povo brasileiro, é rezar por essa harmoniosa convivência”. Principalmente porque Brasil é um país de “tantas diversidades e de tantos povos” e é necessário que a oração alcance essa dimensão da vida comunitária. “para eles refaçam as suas opções. E refazendo as suas opções, escolha as pessoas, escolha o bem-estar, escolha o nosso agente, escolha o nosso povo. E a gente continua aqui. O nosso papel, pessoas batizadas, seguidores de Jesus, que também somos chamados para refazer as opções e as escolhas fundamentais para a vida da vida”, finalizou o bispo. Os participantes definiram que para fortalecer o compromisso do Conselho Regional com a sinodalidade e missionariedade das Igrejas locais, a eleição da nova presidência seria feita no próximo ano. Um ano de preparação e assim, garantir um conselho mais consistente nas dinâmicas da Ação Evangelizadora.

Cardeal Steiner: “A Sinodalidade é o modo de ser Igreja assumido pelo Regional Norte 1”

O Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), finalizou a 52ª Assembleia. Aproximadamente 70 pessoas, das nove Igrejas Locais, estiveram presentes em Manaus, entre os dias 15 e 18 de setembro. O encontro foi um momento de aprofundamento das dinâmicas de Sinodalidade e de construção das diretrizes nacionais e regionais para a Ação Evangelizadora. O arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, cardeal Leonardo Steiner, comentou que a sinodalidade é um modo de ser Igreja assumido pelo regional. E mesmo que já seja uma realidade presente, é possível continuar avançando nessa dinâmica. “O nosso regional se caracteriza já por ser uma igreja sinodal, mas isso não significa que não temos muito a caminhar ainda. Temos muito para caminhar. O próprio modo da Assembleia é um modo muito sinodal, a participação de todos, mas nós desejamos que esse modo sinodal esteja também presente nas comunidades, seja presente nas áreas missionárias, nas paróquias, e assim a igreja toda seja ela sinodal, onde todos participam, onde todos pelo batismo se sentem profundamente integrados na igreja, se sintam realmente povo de Deus”, explicou o arcebispo. A escuta presente na Igreja da Amazônia O cardeal Steiner participou do Sínodo da Sinodalidade. Em suas palavras, destaca que a Igreja da Amazônia possui elementos significativos para oferecer à sinodalidade na Igreja Universal. Mas que esse processo nasce da escuta e é como a igreja “pode contribuir, no sentido de nós buscarmos ouvir as pessoas, ouvir os fiéis, e da escuta, irmos como que planejando as nossas ações”. Essa compreensão levanta questionamentos de “como sermos uma igreja presente? Como anunciarmos o Reino de Deus? Como anunciarmos Jesus Cristo crucificado e ressuscitado nas diversas culturas, nas diferentes situações, nas tensões que muitas vezes existem?”. É nesse contexto “que podemos dar uma grande contribuição no sentido de sermos todos nós pessoas que escutam e porque escutam são capazes de perceber. Assim se pode anunciar o Reino de Deus. Assim se pode anunciar Jesus crucificado e ressuscitado”, reforçou o arcebispo. Prestar contas da Ação Evangelizadora O Documento Final do Sínodo norteou as discussões durante os dias de assembleia. Ele fornece pistas para que as igrejas do Regional Norte 1 identifiquem os caminhos a serem seguidos. O presidente do Regional enfatizou que é importante aprofundar o conhecimento desse documento principalmente quanto à prestação de contas da Evangelização. “Eu penso que aprofundada na nossa região ainda precisa muito a questão de fazermos uma avaliação, uma espécie de prestação de contas, não apenas financeira. Mas de como vai a nossa Ação Evangelizadora? Como estamos anunciando? Como somos presença?”, questionou o cardeal. Daí necessidade de que o caminho a ser percorrido seja de fazer que as comunidades se sintam “cada vez mais corresponsáveis pelo Anúncio, pela Evangelização, ao mesmo tempo também perceberem: não, aqui ainda precisamos caminhar, aqui ainda podemos dar mais, aqui ainda podemos participar mais”. E esse aspecto avaliativo “nos ajuda muito a sermos cada vez uma igreja mais viva, uma igreja mais presente, uma igreja mais consoladora, uma igreja mais samaritana, diante das dificuldades que existem”, destacou Steiner. Um processo coletivo A secretária executiva do regional, Ir. Rose Bertoldo, que coordenou a preparação da assembleia, avaliou o encontro como “um processo construído coletivamente e construído na Sinodalidade. Eu pude perceber que cada diocese, cada prelazia, as pastorais sociais, a vida religiosa que esteve presente, se sentiu construtora dessa Assembleia. Foi uma Assembleia de estudo, uma Assembleia muito leve, mas também com muita responsabilidade, que é a característica do Regional Norte 1”. Além disso, o Regional tem o desafio de continuar criando os processos que posteriormente se desdobrarão nas dioceses e prelazias, juntamente com as pastorais sociais e todos os organismos de participação. “E a gente vem estudando as diretrizes da ação evangelizadora que serão aprovadas em 2026 na Assembleia da CNBB Nacional, mas também já estamos apontando caminhos para a construção do nosso documento, as nossas diretrizes. A gente vai elaborar um documento inicial, já com as proposições que foram tiradas durante essa Assembleia, que depois serão complementados a partir das diretrizes nacionais e também dos encaminhamentos que a próxima Assembleia dará do documento”, explicou Ir. Rose Bertoldo. Conhecer o Documento Final Junto com isso, a expectativa é que as dioceses e prelazias continuarão a estudar o documento final do Sínodo da Sinodalidade. Esse processo continuado vai aos poucos moldando o futuro da Evangelização no Regional. “E essa é a ideia, é de dar a conhecer o documento para as nossas lideranças que estão lá nas comunidades. E também dar a conhecer tudo aquilo que a gente foi construindo como perspectiva de construção das novas diretrizes. Tendo esse olhar para a realidade, para o território do Regional Norte 1, que tem, assim, realidades que são comuns, mas também tem realidades que são específicas, dependendo de cada igreja local”, finalizou a secretária executiva.

Dom Altevir para 52° Assembleia do Regional: “Grande momento de participar”

O Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB NORTE 1) inicia nesta tarde (15), sua 52° Assembleia. Dom José Altevir da Silva, Secretário do Regional, comentou as expectativas para o encontro que visto é como um “grande momento, porque a Assembleia do Regional é a única regional que não é a Assembleia, realmente, dos bispos, mas com a participação de todas as lideranças que são enviadas de Dioceses e Prelazias”. Nessa perspectiva, destaca a importância do Sínodo da Sinodalidade. Tendo em vista que ele “possa contribuir conosco, assim como também as próprias diretrizes que estão realmente a caminho, contribuir para que nós possamos formar também, ir construindo a nossa diretriz do próprio regional”. “Essa é uma grande expectativa que nós temos. E ajuda a participação de todos, a comunhão, a participação, a missão brotada em nossas igrejas locais, é a grande ferramenta para que essa Assembleia, como as demais, traga realmente seus frutos de uma verdadeira sinodalidade”, afirmou. A Igreja na Amazônia é Sinodal O Bispo de Tefé também enfatizou que “A igreja na Amazônia é uma igreja totalmente sinodal, porque ela vive do caminhar juntos.” Isto porque “Ninguém na Amazônia pode sobreviver sozinho. Por isso, nós vivemos da sinodalidade.” A sinodalidade presente nas dioceses e prelazias do Regional “E agora, especialmente com essa reflexão do Sínodo sobre a Sinodalidade, que está, de fato, diretamente presente nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil, que está já na sua fase final para aprovação. Então, a gente percebe que a Igreja na Amazônia confirma cada vez mais a vivência sinodal dentro do seu trabalho, dentro da evangelização, desde os tempos primórdios”, explicou.

“Semeaduras”: a Arquidiocese de Manaus divulga suas Práticas de Ecologia Integral

A ecologia integral e o chamado ao cuidado da Casa Comum pode ser considerado um dos grandes legados de Papa Francisco, um caminho que continua sendo trilhado pelo Papa Leão XIV. Na arquidiocese de Manaus, no coração da maior e mais importante floresta do mundo, a Amazônia, a Assembleia Sinodal Arquidiocesana, no ano 2022, assumiu essa missão como um dos grandes desafios, que está se concretizando de modo transversal em todas as dimensões da missão. O cuidado da Criação em todos os espaços Na frente desse trabalho está a Comissão para a Ecologia Integral, que quer levar esse cuidado com a criação a todos os espaços: doméstico, laboral, comunitário e eclesial. As diversas práticas de ecologia integral na arquidiocese de Manaus estão sendo divulgadas a través de uma publicação, que tem como nome “Semeaduras”. Um pequeno texto que ajuda a conhecer e espalhar práticas que deveriam ser assumidas por todos aqueles que acreditam no Deus Criador, mas também por aqueles que se preocupam com o futuro do Planeta e da humanidade. Na arquidiocese de Manaus, segundo recolhe o texto, diversas paróquias e áreas missionárias realizam gestão de resíduos, um exemplo que leva à Comissão para a Ecologia Integral a lançar o desafio de assumir essa prática por parte daqueles que ainda não a iniciaram. Nesse caminho da ecologia integral se faz necessário impulsionar parcerias institucionais e comunitárias com outras religiões, associações de moradores, universidades, escolas, cooperativas e grupos de diferentes segmentos. Práticas presentes Dentre as práticas cada vez mais presentes, o livreto “Semeaduras” recolhe a coleta de resíduos eletrônicos, de óleo de cozinha para a fabricação de sabão ecológico, de materiais recicláveis, as hortas comunitárias, a coleta de material orgânico para compostagem, ações sociopolíticas em defesa da casa comum, feiras de economia ssolidária, dentre outras práticas. Essas práticas são assumidas a partir de campanhas educativas com foco no cuidado da Casa Comum, especialmente na Catequese, tendo como fundamento a encíclica Laudato si´, em vista de um novo estilo de vida. Nos últimos anos, tem surgido na arquidiocese de Manaus os educadores ambientais. Eles iniciaram sua missão na Festa de Pentecostes, o maior evento religioso da Igreja de Manaus, mas aos poucos estão se fazendo presentes em outros momentos e espaços. Sua missão é orientar com relação à redução dos resíduos e a conservação do ambiente. Junto com isso a formação para as causas indígenas, os projetos de transição energética, com fontes de energia eólica e solar. Iniciativas que são divulgadas no Programa Laudato si´, que toda semana, na Rádio Rio Mar, veículo de comunicação da arquidiocese, aborda temáticas relacionadas à espiritualidade ecológica e questões socioambientais. Projetos arquidiocesanos Em nível arquidiocesano são vários os projetos desenvolvidos: Projeto Educação em Saúde Ambiental, com a participação de crianças e adolescentes; Casa Amazônica de Francisco e Clara, em vista de uma educação e espiritualidade ecológicas a serviço dos povos amazônicos; Associação de Catadores Filhos/as de Guadalupe, que gerencia resíduos sólidos e promove a formação no campo da ecologia integral; Projeto “Papel de cada um na Casa Comum”; Projeto Horta Escola. Dar a conhecer essas práticas é de extrema importância, ainda mais no Tempo de Oração pelo Cuidado da Casa Comum e às portas do 14º Mutirão Brasileiro de Comunicação, que será realizado em Manaus de 25 a 28 de setembro de 2025, com o tema “Comunicação e Ecologia Integral: transformação e sustentabilidade justa”, que reúne estudantes, profissionais e representantes de pastorais e agentes sociais de todo o Brasil.

Cardeal Steiner: “Reconhecendo nossas murmurações e desacertos somos salvos”

“No Ano santo da redenção o Evangelho nos apresenta na liturgia de hoje a salvação que vem da cruz! A Igreja celebra hoje Exaltação da Santa Cruz”, disse o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Steiner. Elevado para ter vida eterna Ele mostrou que “Jesus no Evangelho dirige nossos olhos para o Filho do Homem elevado na cruz: ‘Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna’”. Na primeira leitura, destacou o cardeal, “vimos com o povo murmurava contra Deus e contra Moisés. Então ‘O Senhor enviou serpentes ardentes entre o povo. Elas morderam as pessoas e um grande número de israelitas morreu’ (Nm 21, 4-9). As serpentes da murmuração eram muitas e mortais. Foi necessário levantar a serpente da murmuração sobre uma cruz, torná-la visível, para que o povo visse o pecado da murmuração. Ao ver o pecado da murmuração na serpente erguida os Israelitas percebessem o seu pecado e fossem salvos. Por isso, Deus ordenou a Moisés: ‘Faz para ti uma serpente ardente e coloca-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido, olhando para ela, será salvo’”. O arcebispo de Manaus disse que “Deus não faz morrer as serpentes, poupa-as. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida. A serpente foi elevada para obter a salvação. Jesus foi elevado na Cruz, para que pudéssemos perceber a nossa fraqueza e pecado em contemplando o amor gratuito que dela pende e sejamos salvas. Nele pendente vemos os pecados da murmuração venosa que pode nos matar. Reconhecendo nossas murmurações e desacertos somos salvos. Como lemos em outro passo do Evangelho: ‘Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis quem sou’ (João 8,28). Ele o libertador, o salvador, o que redime!” Jesus tomou a morte e pregou-a na cruz No ensinar de Santo Agostinho, recordou o presidente do Regional Norte 1, “poderíamos dizer que Jesus tomou a morte e pregou-a na cruz. Com a morte levantada e pregada na cruz fomos salvos e libertos; libertos da morte. Jesus no Evangelho recorda o que aconteceu no passado de forma simbólica: “Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto a fim de que todo o que nele crê tenha a vida eterna” (Jo 3,14-15). Mistério profundo!, nos diz Santo Agostinho”. Ele perguntava, disse citando Santo Agostinho no Sermão sobre o evangelho de João, 12: “O que representam as serpentes que mordem? Representam os pecados que provêm da mortalidade da carne. E o que é a serpente que foi elevada? É a morte do Senhor na cruz. Com efeito, como a morte veio pela serpente (Gn 3), foi simbolizada pela efígie de uma serpente. A mordedura da serpente produz a morte; a morte do Senhor dá a vida. O que significa isto? Que, para que a morte deixe de ter poder, temos de olhar para a morte. Mas para a morte de quem? Para a morte da Vida – se é que se pode falar da morte da Vida; e, como se pode, a expressão é maravilhosa. Hesitarei em referir o que o Senhor se dignou fazer por mim? Pois Cristo não é a Vida? E, contudo, Cristo foi crucificado. Cristo não é a Vida? E, contudo, Cristo morreu. Na morte de Cristo, a morte encontrou a morte. […] a plenitude da vida engoliu a morte, a morte foi aniquilada no corpo de Cristo. É isto que diremos à ressurreição quando cantarmos triunfantes: ‘Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?’ (1Cor 15,55)”. A morte não tem poder Segundo o arcebispo, “no Ano Santo da Redenção vislumbramos que a morte foi tragada pela vida; que a morte não tem poder, pois na cruz a vida venceu! Somos hoje convidados a olhar para a cruz como salvação, pois nela pende a vida, Cristo Jesus”. Ele enfatizou que “foi na cruz que se manifestou em plenitude o amor, como nos foi proclamado: ‘Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.’” O cardeal questionou: “E como nos salvou?” Ele disse que “São Paulo, nos ensinava na carta aos Filipenses que Jesus se esvaziou a si mesmo, assumindo a condição humana de escravo e tornando-se igual aos homens… humilhou-se a si mesmo, fazendo obediente até a morte, e morte de cruz.  Humilhou-se, aniquilou-se, fez-se morte, quase ousaríamos dizer ‘pecado’, para que fossemos salvos. Sim, irmãos e irmãs, amor maior não poderíamos merecer. Talvez por isso, São Paulo usou uma expressão fortíssima: ‘Fez-se pecado’. Poderíamos usar o símbolo bíblico do Evangelho: ‘Fez-se serpente’. Como afirmava Papa Francisco: O Filho do homem, como uma serpente, ‘que se fez pecado’, foi elevado para nos salvar”. A serpente alerta para a salvação no deserto “A serpente alerta para a salvação no deserto, no desconforto, na precisão, no conflito que gerou a murmuração, o afastamento da aliança, foi elevada e quem a olhava, ficava curada. Curado, pois viu na serpente a miséria da murmuração, do afastamento de Deus. Para nós esta salvação, não foi realizada com a varinha mágica por um deus que faz coisas; mas com o sofrimento do Filho do homem, com o sofrimento de Jesus Cristo. Um sofrimento tão grande que levou Jesus a pedir ao Pai: ‘Pai, se for possível afasta de mim este cálice’. Na angústia acompanhada pela entrega máxima: ‘Nas tuas mãos entrego o meu espírito’”, refletiu o arcebispo de Manaus. Ele recordou as palavras de Papa Francisco comentando esta passagem: “assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim…
Leia mais

Leão XIV aos novos bispos: “o Bispo é servo, o Bispo é chamado a servir a fé do povo”

Uma audiência com o Papa Leão XIV na Sala do Sínodo encerrou o Curso Anual de Formação para Novos Bispos, realizado em Roma de 3 a 11 de setembro. Organizado pelo Dicastério dos Bispos, o Curso, que teve como tema “Testemunhas e Anunciadores da Esperança fundada em Cristo”, contou com a participação de 192 bispos, dentre eles o bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus, dom Samuel Ferreira de Lima. Um curso “construtivo e rico, de partilhas, de assuntos muito atuais dentro da perspectiva do Jubileu da Esperança”, segundo o bispo auxiliar de Manaus. Ele destacou que os palestrantes “trouxeram problemáticas vivenciadas nas diversas dioceses e países do mundo e que afetam a Igreja como um todo”. O dom do episcopado é para servir Leão XIV iniciou suas palavras com uma brincadeira: “pensei em vir para este curso vestido de preto também, mas…”, dado que o curso é organizado pelo dicastério que ele comandava. O Papa fez uma advertência aos novos bispos: “o dom que vocês receberam não é para vocês mesmos, mas para servir à causa do Evangelho. Vocês foram escolhidos e chamados para serem enviados, como apóstolos do Senhor e como servos da fé”, sublinhando que “o Bispo é servo, o Bispo é chamado a servir a fé do povo”. Algo que faz parte da identidade do bispo, segundo o Santo Padre. Ele afirmou que “o serviço não é uma característica externa ou uma forma de exercer o papel. Pelo contrário, àqueles que Jesus chama como discípulos e anunciadores do Evangelho, em particular aos Doze, é exigida a liberdade interior, a pobreza de espírito e a disponibilidade para o serviço que nasce do amor, para encarnar a mesma escolha de Jesus, que se fez pobre para nos enriquecer (cf. 2Cor 8,9). Ele nos manifestou o estilo de Deus, que não se revela a nós no poder, mas no amor de um Pai que nos chama à comunhão com Ele”. Leão XIV recordou as palavras de Santo Agostinho a respeito da ordenação do bispo: “Em primeiro lugar, quem preside o povo deve compreender que é servo de muitos.” Uma afirmação que leva a refletir sobre “uma certa ânsia de grandeza” presente nos apóstolos. Igualmente, ele recordou as palavras de Papa Francisco: “a única autoridade que temos é o serviço, e um serviço humilde!”, insistindo em meditar e procurar viver essas palavras. Vigilância, humildade e oração Aos novos bispos, o Papa pediu “que estejam sempre vigilantes e caminhem com humildade e oração, para se tornarem servos do povo a quem o Senhor os envia.” Algo que em palavras de Francisco “se expressa em ser sinal da proximidade de Deus.” Junto com isso, Leão XIV convidou os novos bispos a se “perguntar o que significa ser servos da fé do povo”, destacando a necessidade de, além da “consciência de que nosso ministério está enraizado no espírito de serviço, à imagem de Cristo”, deve “se traduzir no estilo do apostolado, nas várias formas de cuidado e governo pastoral, no anseio do anúncio, de maneiras tão diferentes e criativas, dependendo das situações concretas que vocês encontrarão”. Diante da crise de fé, falta de sentido de pertença e de prática eclesial, o Papa pediu paixão e coragem “para um novo anúncio do Evangelho”, e assim as pessoas possam encontrar “linguagens e formas adequadas nas propostas pastorais habituais.” Junto com isso, Leão XIV fez um chamado a não esquecer “o drama da guerra e da violência, os sofrimentos dos pobres, a aspiração de muitos a um mundo mais fraterno e solidário, os desafios éticos que nos interpelam sobre o valor da vida e da liberdade”. O Santo Padre lembrou aos bispos que “a Igreja envia-vos como pastores atenciosos, cuidadosos, que sabem partilhar o caminho, as perguntas, as ansiedades e as esperanças das pessoas; pastores que desejam ser guias, pais e irmãos para os sacerdotes e para as irmãs e irmãos na fé.” Para isso, ele disse rezar por eles, “para que nunca lhes falte o sopro do Espírito e para que a alegria da sua Ordenação, como um perfume suave, possa se espalhar também sobre aqueles a quem vocês irão servir”. Aprofundar, difundir e aprimorar a sinodalidade Dom Samuel destacou no encontro com Leão XIV a “fraternidade e proximidade dele no falar, no responder cada demanda feita de forma muito simples, direta, sem formalidades”, demostrando comunhão, proximidade, paternidade e união. Segundo o bispo auxiliar de Manaus, “se falou muito de sinodalidade, desse processo que tem que ser aprofundado, difundido, aprimorado, intensificado em nossas dioceses e na própria caminhada da Igreja”. Finalmente, o bispo destaca no encontro que “abriu muitos os horizontes para todos nós que estamos iniciando essa missão e esse ministério”, ajudando muito “em nossa caminhada, em nosso pastoreio, na missão que nos foi confiada”.