Av. Epaminondas, 722, Centro, Manaus, AM, Brazil
+55 (92) 3232-1890
cnbbnorte1@gmail.com

Tag: Arquidiocese de Manaus

Diretores espirituais refletem sobre inteligência artificial em encontro nacional da OSIB

Entre os dias 9 e 12 de março, aconteceu o Encontro Nacional de Atualização para Diretores Espirituais, na Casa Mãe Acolhedora, em Belo Horizonte (MG). O encontro promovido pela Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB) abordou o tema “Inteligência artificial, ferramenta ou obstáculo? O papel da tecnologia na direção espiritual”. Entre os presentes estavam Dom José Albuquerque, bispo da Diocese de Parintins, e Pe. Manoel Rubson Vilhena, da Arquidiocese de Manaus. No encontro, direcionado à Diretores Espirituais, Reitores e Formadores de Seminários, o Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), contou com a participação de Pe. Rubson Vilhena, que acompanha os seminaristas da etapa da Configuração do Seminário Arquidiocesano São José, em Manaus. Além de 65 Diretores/as Espirituais de 17 regionais da CNBB com uma religiosa que atua no acompanhamento de seminaristas. Mudanças antropológicas e uso das redes A programação contou com assessorias de Pe. Danilo Pinto, Mestre em História (UnB) e Secretário-executivo do Instituto Nacional de Pastoral Padre Alberto Antoniazzi (INAPAZ/CNBB), um organismo técnico de assessoria teológico-pastoral vinculado ao secretariado geral da CNBB e do professor Everthon Oliveira, de Belo Horizonte. O INAPAZ foi recriado com a perspectiva de que se torne um serviço de inteligência pastoral para a Igreja no Brasil. Para o presidente da OSIB, Pe. Vagner João Pacheco de Moraes, as contribuições ajudaram os participantes a compreender melhor as mudanças antropológicas provocadas pelo uso crescente das tecnologias digitais e das redes sociais. Em suas palavras “Foi uma oportunidade muito rica para refletir sobre as dificuldades e desafios que surgem a partir dessas transformações culturais e tecnológicas”. Tecnologia e formação Segundo a CNBB, o presidente da OSIB destacou que os inscritos vivenciaram dias de convivência fraterna, estudo e partilha. O foco principal das reflexões foi o impacto da inteligência artificial na formação e no acompanhamento espiritual. De acordo com o sacerdote, o momento foi importante para aprofundar conceitos e compreender melhor o cenário contemporâneo e trabalhá-lo nas casas de formção e comunidades formativas. O encontro buscou oferecer subsídios para que os diretores espirituais possam responder, de forma mais consciente e pastoral, às novas realidades vividas pelas gerações que crescem em um ambiente cada vez mais marcado pela cultura digital e pela inteligência artificial. Com informações e fotos de CNBB Nacional.

Steiner para o 3º Domingo da Quaresma: saciemo-nos dos dons da redenção

“Em nossa caminhada, na busca da água que eleva para a vida eterna, bebamos, saciemo-nos dos dons da nossa redenção”. Foi o convite feito pelo cardeal Leonardo Steiner para o 3º Domingo da Quaresma (8). A liturgia do dia apresenta a cena do encontro entre Jesus e a mulher samaritana, onde Jesus diz à Samaritana: Dá-me de beber!. A celebração aconteceu às 7h30, na Catedral Metropolitana de Manaus. “Lá estava Jesus sentado junto ao poço de Jacó à espera de que alguém viesse e lhe desse de beber. Depois de longa caminhada, cansado da viagem, enquanto os discípulos vão em busca de alimento, Jesus está à espera de alguém que lhe mate a sede. Ele ali sentado, só, ao lado do poço, com sede, à espera de alguém que tire água e lhe dê de beber. E somente por volta do meio-dia uma samaritana se aproxima”, explicou o cardeal.  O desconhecido O arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), reforçou a narrativa da aproximação da mulher “à busca de água”. Ela, mulher samaritana, é surpreendida pelo homem judeu “ali sentado a dirigir-lhe a palavra: Dá-me de beber”. Ele destaca que a visão dela se limitou a vê-lo como “o não do meu povo, aquele que adora em Jerusalém. Ele homem, ele desconhecido, ele quase atrevido, falando, mendigando água”. “Ela viu o judeu, o homem, o estrangeiro, o atrevido; não vira nele o seu Senhor e Deus. Ela não via, não sabia, não percebia que seu Senhor e Deus ali estava à sua espera e lhe pedia. Pedia água. “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: Dá-me de beber, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”. Não sabia e não via e não se apercebia que seu Senhor e Deus ali estava à sua espera e lhe pedia para saciar a sua sede. Pedia água, para oferecer-lhe a água viva que jorra para a eternidade”, destacou. Tocar a alma No encontro, Jesus “sentado à beira do poço” parecia “apenas um pedinte” e, ao mesmo tempo, oferece “uma fonte de água que jorra para vida eterna”. A samaritana, movida pela dúvida, não consegue perceber “a força e a graça daquele que lhe pede água”. E para que ela acordasse, disse o cardeal, “Jesus toca no desejo de sua alma, na sua intimidade, nos seus amores. Disse-lhe Jesus:“vai chamar o teu marido e volta aqui. A mulher respondeu: eu não tenho marido. Jesus disse: Disseste bem, que não tens marido, pois tiveste cinco maridos e o que tens agora não é o teu marido”. “Ela era uma mulher quase solitária. Ela tinha um homem, mas não tinha marido. Perdera cinco e não tinha nenhum. Talvez, perdida em si mesma, mas sedenta, pois busca água, talvez a razão da vida. Ela mulher, mas não esposa, mas buscadora. Ela aquela que não se deixa amar e não consegue amar. Ela aquela que vem à fonte na busca de água. Ela a sedenta, necessitada, ela que agora é buscada”, enfatizou o cardeal. Terás a quem amar A samaritana não notara que “o seu Senhor e Deus estava à sua espera” e que ao pedir “dá-me de beber”, pedia “para “ser por ela amado”. O arcebispo enfatizou que ao perceber que aquele judeu era “fonte de água viva que jorra para a vida eterna”, ela encontra “um marido, isto é, a quem amar” porque Ele a ama. E transbordando diz “acho que Ele é o Cristo, o Deus. Sai a anunciar que encontrou o Messias”. “E nós nesse tempo da quaresma desejosos e desejosas de sermos visitados pelo nosso Senhor e Deus” frisou o cardeal, o vemos “sentado à beira do poço de nossa existência, a nossa espera”. Ele diante nós “tão perto, tão desejo de nós, dando a vida por nós, nos oferecendo a água que jorra do peito aberto, salva e redime”. “O convite de Jesus é para que “estabeleçamos uma relação amorosa, íntima, mais intensa e mais vigorosa que o amor entre o homem e a mulher. Ele aqui na força da palavra, na força do pão. “Como a samaritana anunciando, saltitando, proclamando: o Filho de Deus, o Cristo está aqui e me pede água. Deus aqui pedindo água, Deus aqui pedindo cuidado. É por isso que nós faremos de tudo para armar nossas realidades e estabelecermos relações em que podemos servir a água da vida e fazer as existências destruídas pela violência. Aproximemo-nos do poço da água da eternidade. Aceitemos o convite que ele nos faz: dá-me de beber. Deixemos que transforme a nossa, recupera nossa interioridade e nos ajude a sair de nós mesmo e o anunciemos. Ele o nosso salvador e redentor”. Quaresma: sair ao encontro de Jesus O arcebispo destacou que o tempo da Quaresma é tempo “de sair e encontrar Jesus” e deixar-se encontrar por ele, como a mulher samaritana. Esse percurso quaresmal conduz “a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte”. Ele também pontuou o incessante convite à conversão, “o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Joel 2,12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor”. Ele também expressou que este é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. E, nas palavras de Papa Francisco, nos recordou que “na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo”. Degustar as águas da salvação O jejum nos ajuda a degustar melhor as águas da salvação, observou o cardeal. Ele pediu as palavras de Papa Leão quanto ao jejum não sejam esquecidas durante esse período: “abster-se de palavras que atingem e ferem o nosso próximo”. O cardeal indica que o ponto de partida seja “desarmar a linguagem, renunciando às palavras…
Leia mais

Conselho Missionário de Seminaristas do Regional Norte 1 celebra seus 14 anos

Na manhã do dia 03 de março de 2026, o Seminário Arquidiocesano São José, em Manaus, celebrou os 14 anos do Conselho Missionário de Seminaristas do Regional Norte 1 – COMISE Labonté. A celebração em Ação de Graças reuniu seminaristas, formadores, padres, religiosas e representantes de diversos organismos eclesiais, todos unidos em memória e gratidão pela caminhada iniciada em 2012. Em sinal de comunhão e fortalecimento da missão, participaram representantes de importantes organismos eclesiais. Dentre os quais, o COMIRE (Conselho Missionário Regional); COMIDI (Conselho Missionário Diocesano); CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil); SAV (Serviço de Animação Vocacional); CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil); Faculdade Católica do Amazonas (FCA) e Seminário São José. A presença de cada um reafirmou que a missão não se faz sozinha, mas no corpo eclesial, onde todos colaboram para que o Evangelho chegue a todos os povos. “Vamos começar de baixo, uma coisa bem pequena, para depois chegar aonde queremos”, foram as palavras de Pe. Guido Labonté, missionário canadense da Sociedade Missionária Estrangeira de Quibéc (SME). No ano de 2012, um grupo de seminaristas, movidos pelo sonho de uma Igreja mais missionária, acolheu o desafio lançado pelo Pe. Guido. Com olhar acolhedor e coração incansável, ele nos ensinou que a missão se constrói na humildade, começando de baixo, com paciência e confiança. Hoje, sua semente frutifica em tantas vidas e vocações espalhadas pelas igrejas de nosso regional. Um chamado à humildade e à missão encarnada A celebração foi presidida pelo Pe. Gutemberg Gonçalves, coordenador do COMIRE Norte 1. Ele recordou figuras marcantes da caminhada do COMISE, como Dom Sérgio Castriani, “homem próximo, que amava os seminaristas e caminhava conosco”. Fez memória também de Pe. Marciney Marques, da Diocese de Parintins, cujo testemunho de vida simples e entrega generosa inspira tantos jovens a dizerem “sim” à vocação sacerdotal.À luz da liturgia do dia, ele fez um forte apelo à autenticidade: “Nós também queremos colocar fardos nos outros. Queremos nos exibir, usar roupas para chamar atenção. Precisamos ter os pés no chão. Na pastoral, ser seminaristas que visitam, que se aproximam, que servem. Vivamos o que pregamos e professamos”. Em sua reflexão, Pe. Gutemberg também evocou a memória das convivências com muitos seminaristas. Dentre estes, citou Rolisson Afonso, seminarista da Arquidiocese de Manaus, que nos trabalhos simples do seminário, testemunha que a missão se faz no cotidiano, na discrição, no serviço escondido, mas fecundo. “Tudo na humildade”, reiterou, “porque ser missionário é ser humilde“. “A missão é daquele que se coloca como servidor. Hoje celebramos 14 anos de história, de partilha, de cuidado, de memórias. Que sigamos humildes, como aprendemos com o Pe. Guido e com tantos que construíram essa caminhada”, finalizou o padre. Palavra da coordenação Ao final da celebração, o seminarista Leonan Barros, da Diocese do Alto Solimões, coordenador do COMISE Labonté, dirigiu-se aos presentes com palavras de gratidão e esperança. Ele destacou a beleza desse caminho memorável construído ao longo de 14 anos, lembrando quantos se dedicaram a esse processo, muitas vezes na discrição, mas sempre com amor, como o papel essencial da missionária Esther Chaco que colaborou no início deste processo. Em suas palavras, Leonan enfatizou que “a missão deste conselho se concretiza em caminhar juntos, em comunhão com o Seminário São José e com os demais organismos missionários, mantendo-nos unidos à Igreja e ao nosso Regional”. O coordenador também apresentou a equipe de coordenação regional para o triênio 2026-2029, composta por seminaristas das diferentes dioceses. Na vice-coordenação – Gilson Ribeiro (São Gabriel da Cachoeira); 1º secretário – Jocimar Marinho (Arquidiocese de Manaus); 2º secretário – Adalberto Peres (Diocese do Alto Solimões); Assessor financeiro – Hilton Silva (Diocese de Coari). A equipe conta com o a Assessoria Eclesiástica de Pe. Odílio Gentil (Membro da Equipe Formativa) e Irmã Rosanna Marchetti (Missionária da Imaculada) e concluiu com um convite fraterno a caminhar juntos “pois só não somos capazes. Que sigamos unidos, com os pés no chão e o coração na missão.” A semente continua a germinar Para a coordenação, a celebração dos 14 anos do COMISE Labonté “não foi apenas um olhar para o passado, mas uma renovação do compromisso missionário para o futuro”. Em cada canto da igreja deste regional, onde um padre formado nesta casa formativa e missionária – Seminário São José, e exerce seu ministério, ali está presente a semente plantada por Pe. Guido e regada por tantos seminaristas, formadores e agentes de pastoral. Que São José, patrono do seminário, continue a nos ensinar a ser pequenos, a começar de baixo e a confiar: a missão, quando vivida com amor, sempre dá frutos. Informações e imagens: Coordenação do COMISE Labonté

Conselho de Leigos e Leigas refletem participação do laicato na Igreja e na sociedade e elegem nova coordenação para 2026-2029

No último sábado de fevereiro (28) aconteceu nas dependências da Cúria Metropolitana a Assembleia Formativa e Eletiva do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) da Arquidiocese de Manaus. O encontro iniciou com um momento de acolhida e mística conduzida por Francisco Meireles e Mercy Soares, seguido da exposição da Cartilha da CNLB assessorado por Diego Aguiar, da comissão de Formação para o Laicato no Regional Norte 1 e pela Irmã Sônia Matos, religiosa da Congregação das Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo (ASC). Participaram da assembleia os leigos das coordenações das pastorais, comunidades, movimentos, dos setores e das regiões episcopais da Arquidiocese de Manaus, ou seja, todos aqueles que estão dentro da nossa igreja a serviço e nos diversos carismas. Sujeito eclesial Para Francisco Meireles, que esteve à frente da presidência do Laicato na Arquidiocese de Manaus nos últimos três anos, foi um importante momento de comunhão, formação e discernimento, com escuta, partilha e renovação do compromisso dos cristãos leigos de serem uma Igreja em saída, testemunhando o Evangelho com esperança. “Foi um dia de formação, estudo e aprofundamento sobre a identidade, a vocação, a missão e a espiritualidade do cristão leigo, com a assessoria do Diego Aguiar, e a tarde com a irmã Sônia, falou do papel do(a) cristão(ã) leigo(a) como sujeito eclesial, falando do sínodo para a sinodalidade, a partir dodocumento final da XVI Assembleia Geral Ordinária dos Sínodo dos Bispos ‘Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação, missão’, trabalhando o cristão leigo como sujeito eclesial. Cristãos leigos e leigas, sal da terra e luz do mundo, a serviço da nossa igreja de Manaus”, explicou Francisco Meireles. Sal da terra e luz do mundo Diego Aguiar conduziu reflexões a partir da Cartilha Vocação, identidade, espiritualidade e missão, “elaborada com o objetivo principal de ajudar as arqui/dioceses a criarem seu Conselho de Leigos”, contribuindo para um “laicato consciente de sua identidade, vocação e missão, vivendo a espiritualidade do seguimento de Jesus, para continuar sendo sal da terra e luz do mundo nas diversas realidades”. Para Diego, é importante conhecer a história da caminhada dos cristãos leigos e entender o papel que têm assumido na Igreja e na Sociedade. “Trabalhamos a questão do Leigo dentro do contexto da história da Igreja, a sua participação e missão enquanto sujeito eclesial, como vê sua participação dimensão da Igreja e para além, também na sociedade. Trouxe o Conselho do Laicato, desde a dimensão nacional e a dimensão arquidiocesana, como o CNLB consegue atingir as bases, fazendo o processo de fortalecer em cada leigo e leiga a sua identidade, a sua missão, dentro da dinâmica da cartilha trabalhada que está disponível no site da CNLB, alinhando a perspectiva do que é ser um cristão leigo e leiga, e pra que, no processo de planejamento, de elaboração de calendário, podemos ter de forma clara a visão da igreja e as escrituras vão norteando o caminho do laicato”, destacou. Durante a assembleia ocorreu a eleição da nova presidência local do Conselho de Leigos, sendo escolhidos: • Presidente: Josiel Coelho• Vice-Presidente: Ivanir Jacaúna• 1ª. Secretaria: Helen Prestes• 2ª. Secretaria: Adenira Sousa• 1º. Tesoureiro: Humberto Souza• 2ª. Tesoureira: Lucia Cleide Ao final, houve um momento de agradecimento ao trabalho realizado pelos leigos que estiveram à frente do CNLB/Manaus no último triênio. Por: Ana Paula G. Lourenço

Dom Mário Antônio da Silva é nomeado Arcebispo de Aparecida (SP)

O Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) se alegra com a nomeação de Dom Mário Antonio da Silva como Arcebispo de Aparecida. Dom Mário Antônio estava a frente da Arquidiocese de Cuiabá. Seu governo pastoral é marcado pela dedicação, simplicidade e compromisso com as causas sociais. Em 2010, foi nomeado bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus, no Amazonas, onde desempenhou um papel significativo no fortalecimento das comunidades eclesiais de base e na defesa dos direitos das populações do bioma. Sua atuação foi marcada pela proximidade com o povo, especialmente com os mais pobres e marginalizados. De 2015 a 2019, foi eleito presidente do regional Norte 1 da CNBB, que compreende os estados de Amazonas e Roraima. De 2013 a 2015, foi professor de Teologia Moral e Bioética no Instituto de Teologia, Pastoral e Ensino Superior da Amazônia  (ITEPES), atual Faculdade Católica do Amazonas, em  Manaus (AM). No ano de 2015, Dom Mário Antonio foi nomeado bispo diocesano de Roraima, onde enfrentou grandes desafios, como a crise migratória decorrente do fluxo de refugiados venezuelanos. Sua liderança pastoral foi essencial na organização de uma resposta humanitária da Igreja, articulando esforços para acolher e assistir milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade. Caminho Vocacional Nascido em 17 de outubro de 1966, em Itararé, no estado de São Paulo, ele cresceu em uma família católica, onde desde cedo despertou sua vocação religiosa. Iniciou sua formação no seminário maior Divino Mestre, na diocese de Jacarezinho (PR), possui mestrado em Teologia Moral, pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, na Itália. Após sua ordenação sacerdotal em 1991, ele se dedicou intensamente ao trabalho pastoral, ocupando a função de formador e reitor de seminário. Na diocese de Jacarezinho, dom Mário foi diretor espiritual do Seminário Maior “Divino Mestre” – 1999 – 2006;  Pároco da Paróquia Sagrado Coração de Jesus – Jacarezinho (desde 03/12/2006); Chanceler da Cúria Diocesana (2006);  Orientador Geral da Comunidade Feminina de Assistência à Dependentes de Drogas – COFADD – 2003 – 2006;  Professor de Ética Filosófica no Seminário Maior “Rainha da Paz” – 2003 – 2006; Coordenador da Pastoral Vocacional – 1999 – 2001;  Coordenador Diocesano da Ação Evangelizadora (2004);   Professor de Teologia Moral no Seminário Maior “Divino Mestre” – 1999; Diretor Espiritual da Comunidade de Assistência aos Dependentes de Drogas – CADD – 1999;  Reitor do Seminário Menor “Nossa Senhora da Assunção” – 1994 – 1996; Coordenador da Pastoral Vocacional – 1994 – 1996; e Diretor Espiritual do Seminário Menor “Nossa Senhora da Assunção” – 1992 – 1993. Testemunhar e servir Nomeado pelo Papa Francisco em fevereiro de 2022, o arcebispo metropolitano de Cuiabá, dom Mário Antonio, assumiu a arquidiocese, com traços que marcaram sua trajetória: um espírito missionário e uma visão pastoral voltada para a sinodalidade e para a construção de uma Igreja em saída. Seu lema episcopal, “Testemunhar e Servir” reflete sua entrega confiante à vontade de Deus. Dom Mário foi eleito segundo vice presidente da CNBB no quadriênio 2019 – 2023. É membro do Conselho do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida e Presidente da Cáritas Brasileira, que atua diretamente nas ações de solidariedade as comunidades e pessoas afetadas por situações socioambientais ou em situação de vulnerabilidade. O arcebispo de Cuiabá têm se destacado por sua habilidade em dialogar com diversos setores da sociedade, promovendo a paz, a justiça e o bem comum. Sob sua liderança, a arquidiocese de Cuiabá tem reforçado seu compromisso com a Evangelização, a formação de lideranças leigas e a ação social, sempre inspirada pelo Evangelho e pela Doutrina Social da Igreja.

Construir pontes no diálogo: Regional Norte 1 inicia Encontro Regional de Coordenadores de Pastoral

Entre os dias 24 e 25 de fevereiro de 2026, com o tema “unidos construímos pontes, no diálogo”, acontece o encontro anual dos coordenadores e coordenadoras de Pastoral do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, no Seminário Arquidiocesano São José, em Manaus. Um momento de encontro e partilha da caminhada de cada uma das Igrejas Locais. Durante dois dias os participantes realizarão estudo, socialização e encaminhamento das questões práticas das atividades em comum. Na manhã do primeiro dia, Pe. Valdivino Araújo, da Diocese de Coari, conduziu a oração inicial. Em seguida, o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, expressou que esse encontro é “desejo do regional de fazer uma caminhada” em conjunto, por isso é incentivado pelos bispos como um modo de fortalecer um caminho comum dentro de cada realidade. Essa perspectiva, contribui para a concretização do Sínodo sobre a Sinodalidade e na iluminação das novas diretrizes da ação evangelizadora da CNBB Nacional. Avanços e dificuldades Em seguida, os coordenadores dispuseram de um tempo para apresentar os avanços e dificuldades nos processos pastorais que estão em construção. A criação, organização ou ampliação de conselhos e organismos pastorais tem favorecido as dinâmicas de Evangelização, principalmente pela adesão de leigos e leigas com o apoio dos bispos. Embora haja pequena resistência em alguns pontos, o caminho do diálogo sinodal tem prevalecida e oportunizado novos horizontes. Na Diocese de Roraima, o apelo a unidade por meio da organização dos conselhos diocesanos corresponde ao caminho proposto pelo regional. A formação de novos missionários e missionárias também tem um papel fundamental pela alta rotatividade que acontece na diocese. Além de formações para fortalecimento da pastoral presbiteral, das missões nas áreas indígenas e nas áreas missionárias, alinhadas com as prioridades da diocese: iniciação a vida cristã, o decreto de proteção, e os conselhos pastorais e econômicos em todas as paróquias e a finalização do diretório sacramental. O caminho coletivo na Diocese de Coari, composta por 7 cidades, é marcado pela Assembleia Diocesana Anual. Uma das dificuldades apontadas pelo coordenador de Pastoral, Pe. Valdivino Araújo, é de realizar atividades do programa de formação a nível diocesano, que agora se dividirá nos polos de Coari e Manacapuru. Ele também destacou a força vocacional ao longo da história da diocese, mas que nos últimos anos tem enfrentado um declínio, o que ocasiona uma sobrecarga do clero. Ministerialidade O coordenador de Pastoral da Diocese de Borba, Ademir Jackson Lima, apontou a descentralização das atividades como um caminho para o desenvolvimento das atividades pastorais. Essa iniciativa, permite que mais pessoas acompanhem as formações e vivenciem as propostas pastorais trabalhadas ao longo do ano. Outro destaque feito pelo coordenador, é da importância da presença das lideranças de leigos e leigas que sustentam e colaboram com a concretização da missão. O representante da Diocese do Alto Solimões, o seminarista Leonan Barros, ressaltou que mesmo sem uma equipe de coordenação definida, o foco do trabalho pastoral diocesano é o fortalecimento da iniciação a vida cristã, a reestruturação das comunidades eclesiais de base trabalhando a ministerialidade. Além do aprofundamento do protocolo de proteção de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis e da questão vocacional. Dinamismo A realidade amazônica impõe aos discípulos e discípulas missionários um intenso dinamismo. Durante o encontro, a palavra dinamismo foi muito utilizada, o que reverbera no comportamento pastoral assumido por cada igreja local. Os planos pastorais têm auxiliado nos desafios de articulação das bases, principalmente pelas distâncias geográficas. Pe. Geraldo Bendaham, coordenador de pastoral da Arquidiocese Manaus, apontou o forte dinamismo presente na arquidiocese, como característica que fortalece o caminho sinodal abraçado pela Igreja na Amazônia. Ele apresentou que a grande participação de leigos e leigas nas lideranças colabora para o alcance pastoral efetivo. Essa realidade é comum, e presente nas nove Igrejas, o que possibilita a articulação das atividades regionais com forte anúncio profético, missionário e eclesial sempre no horizonte da plenitude do Reino de Deus.

Steiner para 1º Domingo da Quaresma: Purificar a experiência da fé

“A tentação pode ser a purificação da experiência da fé acontecendo em nossa limitação. Ao mesmo tempo, é a experiência de, na limitação, nos abrirmos para a graça da vida nova oferecida por Jesus e que o Evangelho sempre nos aponta: a liberdade, o amor do Pai”. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner para o 1º Domingo da Quaresma. A celebração aconteceu na Catedral Metropolitana de Manaus, às 7h30 da manhã. O arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispo do Brasil (CNBB Norte 1), explicou em sua homilia que o Evangelho desse domingo nos ensina que Jesus é conduzindo pelo Espírito ao deserto e “jejua quarenta dias”. O desejo do Espírito, é “prepará-lo para iniciar a missão de anunciador do Reino dos céus”. No deserto, Jesus é tentado pelo diabo, e depois dos “quarenta dias e quarenta noites” de jejum “teve fome”. A experiência da fé na condição humana Em sua reflexão, o cardeal Steiner apontou que “a tentação é a experiência da fé em nossa condição humana, na nossa situação finita, da finitude”. Para ele, essa “experiência da realidade humana”, “confrontada com a decisão da busca da vida eterna”, é “onde podemos nos deixar iluminar pela verdade do Evangelho, pela vida morte e ressurreição de Jesus”. O arcebispo enfatizou que o texto proclamado “nos fala da tentação como experiência da transparência de Jesus na relação com o Pai”. Na narrativa do Evangelho, Jesus é confrontado com três tentações. “Com a fome, com o poder e com o abandono de Deus. A tentação da fome de transformar a pedra em pão; a tentação do domínio de assumir o poder dos reinos; a tentação de não ser abandonado por Deus, sendo servido e acolhido pelos próprios anjos”. Transparência de Deus Segundo o cardeal Steiner, os 40 dias de jejum de Jesus no deserto nos ensinam que “somos sempre de novo confrontados com o que deveríamos ser: transparência de Deus”. Ele recordou que nas tentações Jesus “é asto, continente, transparência de Deus”. E que em cada uma das tentações, “Jesus vai aclarando o sentido de todas as coisas e de si mesmo com a Palavra de Deus”. “A cada tentação Jesus deixa mais evidente a sua pertença ao Pai; em cada tentação Jesus se torna mais límpido e transparente na sua relação com o Pai. Assim, Jesus sai das tentações do deserto mais forte, mais lúcido, pronto para iniciar o Reino de Deus, a Vida Nova. O Filho do Pai não é tentado pelo Pai, não tenta o Pai, mas é tentado por aquele que divide: diabo. É tentado e na tentação se reencontra como Filho no Pai”, explicou. Confronto e decisão: caminho do seguimento de Jesus Quotidianamente somos colocados diante “de tentação ou expressões de tentação”. O arcebispo explicou que essas experiências da tentação levam ao confronto e à decisão. Em suas palavras, exemplificou “O doce enfeitado que enche os olhos desperta o desejo de experimentar. A poça de água atrai a criança e suscita o impulso de tocar e ser tocada pela água. A beleza e a simpatia do homem e da mulher podem suscitar desejos”. O cardeal destacou que a “tentação pode levar ao pecado, mas não é pecado”, e que Jesus é “a medida grandiosa” da capacidade de ultrapassá-la a partir de Deus. Ele citou Santo Agostinho, que diz “que a tentação pode nos fortificar no caminho do seguimento de Jesus”. Isto é, sublinhou o arcebispo, “essa é a experiência da tentação apresentada no Evangelho de hoje: à luz da Palavra de Deus, sermos fiéis no seguimento de Jesus”. “Na aridez, no confronto com a nossa temporalidade, no deserto, nos 40 dias de nossa vida, não estamos sempre na tentação do fechamento e do enclausuramento em nossa realidade e na tentação contínua de querermos ultrapassar, transcender a nós mesmos as nossas dificuldades e tensões? Não estamos na tentação de fugir do deserto, isto é, do confronto com nossa realidade nua e crua, dura, ofegante, pesada e tentarmos, num passe de mágica, querer ultrapassar, ir para além, a partir de nós e não enfrentarmos na raiz as limitações?”, questionou o arcebispo. Optar pela vida amorosa com o Pai Neste início da Quaresma, o presidente explicou que a palavra de Deus indica o caminho da tentação “como a experiência da nitidez de sermos filhas e filhos do Pai Celeste”. Essa tentação, vivenciada “com nossa realidade desértica, e no jejum, na oração, na esmola”, não seria a possibilidade de “abrir toda a nossa pessoa à verdade do Pai?”, questionou. Ou ainda a experiência “de aprofundar nossa relação com o Pai e sermos conduzidos pelo Espírito?”. “E como Jesus no deserto, tentado por 40 dias, se aproxima limpidamente do Pai, não seria a tentação no deserto de nosso peregrinar, nos 40 dias de nosso tempo, a nossa possibilidade de entramos com maior nitidez, guiados pelo Espírito, no mistério da dor, da cruz, da morte de Jesus e nossa?” Para o cardeal, o tempo da Quaresma possibilita a percepção, na experiência concreta do Evangelho, da “beleza e a razão da nossa vida cristã”. E que na tentação, guiados pelo Espírito à luz da Palavra de Deus, abrir e limpar os olhos para “vermos melhor as coisas do alto”. Assim, “a tentação nos aponta para a grandeza da nossa fé cristã que não foge e despreza a tentação, mas em cada tentação elucida e opta pela grandeza sem igual da vida amorosa com o Pai”.  “Então para os seguidores e seguidoras de Jesus a tentação é a possibilidade, sempre renovada, de confronto, deixarmo-nos guiar pelo Espírito. Tentação é fazer a experiência de quem apreendeu a amar como Jesus ama e é amado pelo Pai. Por isso, rezamos em cada Pai nosso: não nos deixeis cair da tentação”, destacou o cardeal. Sondar o mistério de Deus O arcebispo recordou as cinzas recebidas na Quarta-Feira de Cinzas marcam o início do caminho quaresmal. Ao recebê-las, assumimos o compromisso de “sondar com mais disposição e alegria a nossa…
Leia mais

Regional Norte 1 inicia mobilizações para 5º Congresso Vocacional do Brasil

O Regional Norte 1 iniciou o processo de mobilização para a realização do Pré-Congresso Vocacional, que acontecerá em Manaus, no Centro de Formação Maromba, de 10 a 12 de julho de 2026. O encontro está em sintonia com o 5º Congresso Vocacional do Brasil, com o tema “Comunidades Vocacionais: Encontro, Testemunho e Missão”, e o lema: “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas (At 2,46)”. Aprovado pelos Bispos do Brasil, reunidos em Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o congresso ocorrerá de 4 a 6 de setembro de 2026, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida (SP). Um importante momento eclesial nos convida a refletir, fortalecer e animar a cultura vocacional em nossas comunidades, à luz do encontro, do testemunho e da missão que brotam do seguimento de Jesus Cristo. Participação das dioceses e prelazias A Coordenação do Serviço de Animação Vocacional (SAV) do Regional Norte 1 informou que serão disponibilizadas 10 vagas para cada diocese/prelazia. A coordenação conta com a participação dos animadores vocacionais de todas as dioceses prelazias do nosso regional, a fim de garantir a comunhão, a partilha e a articulação pastoral em todo o Regional. Além disso, o SAV espera o empenho, apoio e a colaboração, principalmente dos párocos, diáconos, coordenadores de pastorais, religiosos (as), para que leigos e leigas possam participar; certos de que este momento contribuirá significativamente para o amadurecimento e a renovação do Serviço de Animação Vocacional em nossa Igreja particular. Que Maria, Mãe de Jesus e nossa, interceda por nós!

Steiner: Quaresma é tempo de perceber a beleza da Salvação

“Somos convidados nesta quaresma a nos voltarmos para Deus, a nos voltarmos a Jesus e percebermos a graça, a beleza de termos sido salvos, redimidos na sua Cruz e Ressurreição”. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner na Missa da Quarta-feira de Cinzas (18), realizada na Catedral Metropolitana de Manaus. A celebração marca o início do período quaresmal, tempo em que a Igreja nos convida para prepararmos a Páscoa do Senhor. O arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), enfatizou a característica do tempo quaresmal como tempo favorável de mudança. Nesse tempo de mudança, “somos desalojados de nós mesmos”, impelidos a sair de nós mesmo e ir ao encontro com nossos familiares. A celebração foi concelebrada por Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar de Manaus, Pe. Flávio Gomes, pároco da catedral, e Pe. Marcos Aurélio, vigário da catedral. Tempo favorável para voltarmos A liturgia da Quarta-feira de Cinzas pede que o caminho para a presença de Deus seja retomado. Segundo o arcebispo, o “voltai-vos”, presente na primeira leitura, é a expressão de “um convite belíssimo, um convite adorativo” para perceber essa presença. Nesse sentido, o texto da segunda leitura aponta o “tempo propício da quaresma” como “tempo de nos apercebermos cada vez mais amados na cruz”. Essa percepção do amor de Deus por nós, impulsiona-nos a “sempre distribuirmos, darmos, doarmos o que recebemos de mais precioso, o dom de podermos amar”. “De sermos cada vez mais em Jesus, filhos e filhas de Deus, de nos apercebermos cada vez mais irmãos e irmãs. É o tempo favorável de fazermos um caminho de aprofundamento da fé, de percebermos que como seguidoras e seguidores de Jesus, são sempre atraídos pelo seu amor. Mas um amor que se distribui, um amor que vai ao encontro dos irmãos, das irmãs. O encontro que vai especialmente ao encontro dos mais necessitados”, explicou o cardeal. Redimidos e salvos O arcebispo destacou que durante todo o percurso de 40 dias da Quaresma as leituras da Palavra mostraram que “fomos redimidos e salvos”. Essa compreensão se revela pelo modo de ser e agir de Jesus: “sua palavra, a sua vida, os seus milagres, os seus gestos, os seus olhares, os seus toques”. Esse horizonte do “dia da Salvação”, redime, salva, restaura, recoloca a pessoa na vida. “Mas no alto da Cruz, queridos irmãos e irmãs, é que realmente mostrou quanto nos ama e quanto nos quer salvos e redimidos. Viemos do ano da esperança. Viemos do ano da redenção, que esse tempo favorável, esse dia da salvação, nos traga realmente essa percepção de termos sido redimidos e salvos. E redimidos e salvos significa de nos sentirmos profundamente amados, amadas por Deus”. Receptividade, gratuidade e familiaridade O texto do Evangelho recorda os três exercícios quaresmais pelos quais a Igreja caminha.  O arcebispo explica que jejuar, dar esmola e rezar não são uma troca, mas um acolhimento de “uma graça que Deus despertou em nós”. Compreender essas três dimensões, nos coloca “abertos ao mistério da Salvação”, e “o teu Pai que vê o que está em segredo, te recompensará”. Ao jejuar, dar esmola e rezar estabelecemos uma relação com Deus e com os irmãos e irmãs que necessitam. Esse horizonte nos torna receptivos à graça de Deus, revela a gratuidade de nossas ações e aprofunda a nossa familiaridade com Deus.  Por isso a Igreja insiste que sejam aprofundados e vividos durante o percurso quaresmal. “Que esse tempo favorável, que esse dia da salvação, o tempo da quaresma, nos leve cada vez mais ao encontro de Deus e apreciemos cada vez mais a beleza, o dom da fé que nós recebemos, porque Deus nos quer todos juntos de si, por isso nos salvou, nos redimiu”, finalizou o cardeal.

Arquidiocese de Manaus abre Campanha da Fraternidade 2026

A Arquidiocese de Manaus abriu oficialmente, nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, a Campanha da Fraternidade 2026. A celebração aconteceu às 9h, na Alameda Pico das Águas, bairro São Geraldo, com a presença de lideranças das comunidades, diáconos, presbíteros e da vida religiosa. O local simbólico escolhido, representa o convite à Igreja e a sociedade de refletir a moradia como direito fundamental e como horizonte da dignidade humana. O arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, cardeal Leonardo Steiner, agradeceu pela escolha do local, onde famílias aguardam pela construção de um conjunto habitacional. O tempo chuvoso, que acompanhou a celebração, tornou o momento ainda mais significativo. Um reflexo da necessidade de uma moradia digna para todos e todas. Os bispos auxiliares de Manaus, Dom Zenildo Lima, Dom Joaquim Hudson e Dom Samuel Ferreira, também estavam presentes. Tempo de mudanças O arcebispo recordou que a campanha acontece no período da Quaresma, um tempo de “mudanças estruturais, sociais, ecológicas, para termos, assim, realmente uma fraternidade entre nós”.  Essa realidade da moradia não é uma preocupação nova. E por isso, a Igreja no Brasil propõe que, ao rezar e refletir sobre o tema, se possa contribuir as “as nossas famílias tenham uma moradia digna, e um espaço digno junto das suas casas, das suas moradias, uma dignidade cultural, uma dignidade social, uma dignidade educacional e também uma dignidade de lazer”. “Não seja só uma casa, como se tem feito até agora, mas se busque também ter o espaço do lazer não apenas numa casa, mas numa espécie de aglomerado. A preocupação em relação à moradia é longa no Brasil. Se a igreja no Brasil este ano toma como realidade ser refletida e rezada, é porque sabe e conhece e vê a necessidade de abordarmos, refletirmos essa realidade, para assim termos políticas públicas que nos ajudem a dar dignidade às nossas moradias”, explicou o cardeal. Fome de Justiça Durante a celebração, o bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, Dom Zenildo Lima, conduziu a reflexão sobre a Campanha da Fraternidade, enfatizando a temporalidade litúrgica da Quaresma em que ela acontece: “o tempo do jejum”. Segundo o bispo, essa dimensão do jejum é aprofundada pelo profeta Isaías, que revela não se tratar de um jejum qualquer, mas de “uma iniciativa humana e divina que dá qualidade à nossa existência”. Para ele, essa realidade quaresmal evoca um desejo fruto do jejum. Esse desejo é explicado pelo próprio Papa Leão em sua carta por ocasião da Quaresma, na qual explica que o jejum “vai nos conduzindo a uma experiência de fome de justiça”. “Então o jejum bem vivido, bem experimentado, bem realizado, nos torna homens e mulheres mais desejosos de justiça. Quem pratica o jejum e não se torna desejoso da justiça, não realiza, não vive um jejum verdadeiro e autêntico. Hoje é dia de jejum. Ao longo desta quaresma, nós iremos jejuar às sextas-feiras. Jejuaremos na Sexta-Feira Santa. Esta caminhada quaresmal faz de nós, homens e mulheres, mais desejosos e mais comprometidos com a justiça”. O lugar da morada de Deus Dom Zenildo sublinhou que a justiça desejada por todos “tem como horizonte o reino de Deus” e a “plenitude de vida de homens e mulheres”. É nesse cenário que a campanha da fraternidade desse ano se apresenta como oportunidade de um caminho de justiça em que “as pessoas vivam bem em espaços de realização”. Ele explicou que o Antigo Testamento traduz a peregrinação do povo de Deus “atrás de um espaço de realização”, diferente do Novo Testamento que traz a escolha de Deus de morar entre nós, como aponta o lema da CF. “O povo vislumbra que talvez o espaço de realização por excelência é onde Deus habita, é a morada de Deus. O salmista canta a sua contemplação da beleza da morada de Deus, o seu encanto pela morada de Deus. Mas o Novo Testamento nos surpreende que a morada de Deus, a escolha de Deus para a sua morada, o lugar de beleza e de encanto da morada de Deus, é onde estão homens e mulheres. Ele veio morar entre nós, repete o lema dessa campanha da fraternidade”. Onde moras? Em 1993, a Igreja abordou a temática de moradia e fraternidade com o lema “onde moras?”, esse recorte histórico ressalta a opção de Deus por estabelecer sua morada “onde estão homens e mulheres, seus filhos e filhas, as suas criaturas, esta realidade que ele criou”. Essa pergunta propõe uma resposta complexa que ultrapassa uma simples localização geográfica.  “É a pergunta de como nós vivemos. É a pergunta de como nós nos realizamos. É a pergunta se o espaço onde nós nos encontramos, vivemos e convivemos se torna um espaço realizador para nós. É claro que nesta campanha da fraternidade, ao rezar esta realidade, nós também queremos discutir, refletir, conversar sobre políticas públicas, sobre políticas habitacionais”, explicou o bispo. O fracasso da política habitacional O evento de abertura aconteceu em uma localidade que espera a muitos anos a construção de moradias populares. A região está à margem do Igarapé e faz parte do programa de requalificação urbana e ambiental PROSAMIM. A demora para o início das obras é apontada por Dom Zenildo como um retrato “desastrosa e desencontrada política habitacional” da cidade de Manaus. “Uma cidade que foi crescendo, crescendo sem a capacidade de se harmonizar com uma beleza natural que lhe era característica uma cidade que aterrou os seus igarapés uma cidade que derrubou suas áreas verdes uma cidade que vai avançando com aglomerados. O cenário que esse lugar nos faz, nos permite perceber, nos coloca entre igarapés que foram perdendo sua vida, nos coloca entre justa posição de moradias, nos coloca no horizonte a verticalização da cidade, que permite qualidades de moradia diferentes”, destacou o bispo. Experiências de encontro O desenvolvimento da campanha no tempo quaresmal é um convite a ver a realidade das pessoas e o exercício da esmola nos colocará “frente a frente com quem não tem moradia”. No caminho, é necessário se aproximar dos irmãos e irmãs ao…
Leia mais