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Papa Leão XIV ao cardeal Steiner: “Permaneça na direção da Arquidiocese por mais dois anos”

O arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner comunicou ao clero nesta sexta-feira, 28 de novembro de 2025, que Papa Leão XIV lhe pediu “que permaneça na direção da Arquidiocese por mais dois anos”. Código de Direito Canônico: apresentar a renúncia aos 75 anos O Código de Direito Canônico, no número 401, parágrafo 1, afirma: “Roga-se ao Bispo diocesano, que tiver completado setenta e cinco anos de idade, que apresente a renúncia do ofício ao Sumo Pontífice, o qual providenciará depois de examinadas todas as circunstâncias”. No dia 06 de novembro de 2025 o cardeal Steiner completou 75 anos e apresentou ao Santo Padre sua renúncia. Em resposta ao pedido do arcebispo de Manaus, Papa Leão XIV, através da Nunciatura Apostólica no Brasil, comunicou sua decisão diante desse pedido. Continuar serenamente no governo da Igreja de Manaus Em carta assinada pelo Núncio Apostólico, dom Giambattista Diquattro, com data de 17 de novembro de 2025, lida na reunião do clero, foi comunicado que “o Santo Padre Leão XIV, na Audiência realizada em 15 de novembro de 2025, aceitou a renúncia de Vossa Eminência ao governo pastoral da Arquidiocese de Manaus, e ao mesmo tempo roga a Vossa Eminência que permaneça na direção da Arquidiocese por mais dois anos”. O Núncio Apostólico disse que a decisão Pontifícia “deverá ser comunicada ao clero e aos fiéis da Arquidiocese”. O texto recolhe igualmente que “o Santo Padre Leão XIV pede a Vossa Eminência a generosidade de continuar serenamente no governo da Igreja de Manaus”.

Cardeal Steiner: “A Cruz é a expressão máxima de uma vida feita amor e entrega”

Na Solenidade de Cristo, Rei do Universo, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), cardeal Leonardo Steiner, iniciou sua homilia recordando que “concluímos, hoje o Ano Litúrgico. Na conclusão a liturgia de hoje celebra a Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo. As leituras no despertam para o sentido da Solenidade de hoje”. Unção de Davi NaPrimeira Leitura, ele destacou que “Davi é ungido rei das tribos de Israel (2Sm 5,1-3).O seu reino tornou-se símbolo do reino de paz, de justiça, de liberdade que um dia Deus teria instaurado na terra. E vemos como os Profetas prometeram a chegada de um descendente de Davi, que iria realizar esse sonho, a realização das promessas de um reino livre e libertador. O povo de Israel esperou durante muitos séculos a realização do reino estável e duradouro. Especialmente no tempo de Jesus em que o povo estava dominado pelos romanos, estavam sob o jugo do estrangeiro, esperavam um salvador, um libertador. Um povo que havia recebido a terra prometida, havia conquistado um reino de justiça e liberdade com Davi, agora sob a dominação de estrangeiros. Conhecemos como muitos reis foram traidores da Aliança e levaram o povo à escravidão. Descuidaram, não pastorearam devidamente a promessa, a Aliança de Deus para com os patriarcas, Abraão Isaac, Jacó e sua descendência”. Já na segunda leitura, o cardeal disse que “a Carta de São Paulo aos Colossenses, a nos ensinar porque Jesus se tornou rei, o centro, a possibilidade de realização do existir na nossa humanidade”. Ele citou o texto bíblico: “Ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu Filho amado, porque temos a redenção, o perdão dos pecados. (…) Ele o primogênito de toda a criatura, pois por causa dele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as coisas visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas e todas tem nele a sua consistência. (…) Ele é o Princípio, o Primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo ele tem a primazia, porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz.” (Cl 1,12-20) Segundo o arcebispo de Manaus, “Paulo a nos recordar que Jesus é o centro da história, o fundamento de tudo o que existe. Foi Ele que nos devolveu a graça da filiação divina. Ele que nos salvou, nos ofereceu o perdão dos pecados. Os vivos e os mortos estão referidos a Ele. Ele o início e o fim de todas as coisas. Ele reconciliou todo o universo. E tudo na graça da cruz. Assim, Ele é o rei, pois reina, supera, a divisão, a maldade. O que nos impressiona é que esse rei que a tudo dá sentido e tudo deixa ser, é o Crucificado segundo o Evangelho”. Um Reino de serviço, de amor, de entrega “Na celebração de Cristo Rei do universo, o Evangelho a nos dizer que participamos da sua realeza crucificada. Cristo não aparece sentado num trono de ouro, mas pregado numa cruz, com uma coroa de espinhos, com uma inscrição sobre a cabeça: “Jesus Nazareno, rei dos Judeus”. Rodeado de dois homens que seriam ladrões, insultado, escarnecido pelos soldados. Nada poder, autoridade, realeza terrena. Jesus na cruz, apresenta um Reino de serviço, de amor, de entrega, de dom da vida; um reino de reconciliação”, ressaltou o presidente do Regional Norte 1 da CNBB. O cardeal Steiner mostrou que “nas palavras dos zombadores, vem a palavra de que Jesus é que salva, ele é o Salvador. A recordação da salvação vem como ironia, agressão para que ele salve a si mesmo. E Jesus não salva a si mesmo, morre crucificado, para salvar a todos. E na dor, no sofrimento, na passagem da morte salva toda a humanidade; nele somos salvos e libertos”. “Reino do amor, da vida veio visibilizado no pedido do homem que como ele está no infortúnio. No suplício da cruz, o bom ladrão reconhece a salvação que é Jesus, o seu reinado”, destacou o arcebispo de Manaus. “Por isso, pede a salvação”, disse ele, citando o texto evangélico: “lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado”. Diante disso, “Jesus o acolhe”, disse, recordando as palavras de Jesus: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso“. Segundo ele, “a cruz é o Trono, em que se manifesta plenamente a salvação, a realeza de Jesus. Na cruz acontece a reconciliação, o perdão e a vida plena para todos. A Cruz é a expressão máxima de uma vida feita amor e entrega”. Inaugurar o Reino de Deus “A missão de Jesus foi anunciar e inaugurar o Reino de Deus, a salvação. Missão da Igreja, a nossa missão de discípulos missionários, de discípulas missionárias é continuar o anúncio do Reino de Deus e convocar a todos homens e todas as mulheres para construir aqui na terra, esse Reino da benevolência, do consolo, da misericórdia, do acolhimento, da bondade, da fraternidade universal, da salvação”, refletiu o cardeal Steiner. Ele recordou as palavras do Prefácio da solenidade de hoje, “Reino, eterno e universal, é o Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz”. Isso porque “esse é o Reino anunciado por Jesus, e plenificado na cruz, na sua morte e ressurreição”. “Ao nos ensinar a oração do Pai Nosso Jesus nos disse para pedirmos que seu reino venha”, disse, recordando as palavras da oração dos cristãos: “venha nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terá como no céu”. “Venha a nós o vosso Reino!” Nisso ele vê “Jesus a nos convidar a fazer parte desse Reino e a trabalhar para que esse Reino chegue ao coração de todos. Todos possam participar desse…
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Justiça Climática no Sul Global: “horizonte na busca de uma convivência harmônica”

A justiça climática é uma preocupação para a Igreja católica. Refletir sobre essa temática foi o objetivo do painel realizado no início da segunda semana da COP30, que está acontecendo em Belém (PA), de 10 a 21 de novembro de 2025. Diálogo entre atores sociais e eclesiais No Pavilhão do Banco de Desenvolvimento para Latinoamérica e o Caribe (CAF), na Zona Azul da COP três cardeais debateram sobre o tema “Construir a justiça climática no Sul Global”. O arcebispo de Goa e presidente da Federação das Conferências Episcopais da Ásia, cardeal Felipe Neri Ferrão, o arcebispo de Manaus e presidente do Conselho Indigenista Missionário do Brasil (CIMI), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, e o presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), cardeal Pedro Barreto. Junto com eles, a secretária da Pontifícia Comissão para América Latina (PCAL), Emilce Cuda, o vice-presidente da CAF, Cristian Asinelli, e o vice-presidente da Rede de Universidades para o Cuidado da Casa Comum (RUC), Carlos Greco. Um diálogo entre diversos atores, uma das propostas que tem impulsionado Papa Francisco e Papa Leão XIV, que quer ajudar a avençar na construção da justiça em diversos âmbitos, também na realidade climática. Uma dinâmica que as universidades que fazem parte da RUC têm assumido, segundo seu vice-presidente, ajudando a sensibilizar os jovens através da formação acadêmica, sobre a necessidade da consciência ambiental e o cuidado da Casa Comum. Apoiar o desenvolvimento A CAF reconhece o papel tradicional da Igreja Católica em questões ambientais, que se intensificou com o impulso do Papa Francisco, especialmente com a Laudato Si’. Asanelli destaca sua voz potente e seu chamado para reconhecer que “estamos vivendo uma dupla crise ambiental e social porque os efeitos do ambiente também estão ligados às questões sociais”. Essas crises sociais e ambientais são causas de migrações, algo que preocupa a CAF, que chama a “resolver entre todos e todas”, recordando as palavras de Emilce na introdução do painel.  Asanelli insistiu na importância da presença da Igreja Católica na COP30. O vice-presidente da CAF lembrou que o presidente Lula destacou na Assembleia das Nações Unidas, em setembro, o trabalho do Papa Francisco em favor da ecologia integral e do cuidado da Casa Comum. Igualmente, enalteceu o trabalho pela paz de Francisco e de Leão XIV, mostrando que a América Latina é uma região de paz, onde os problemas se resolvem de forma diplomática. Uma paz que é condição necessária para a justiça climática, o desenvolvimento social e a própria vida. COP30: a esperança posta em ação Para o cardeal Barreto, a COP30 “é a esperança posta em ação!”. O presidente da CEAMA lembrou da importância da Cúpula do Rio 1992, que iniciou a busca por consenso climático por parte da ONU, com avanços que tem sido tímidos e com respostas globais ineficazes, como registra Laudate Deum. Para o cardeal peruano, “chegou o momento de sairmos juntos desta crise socioambiental, pois somos parte de uma única família humana”, como diz Fratelli tutti. Por isso, insiste que a COP30 “é decisiva e urgente”, ainda mais se levarmos em consideração os dados científicos e a grande desigualdade entre os países do Norte e do Sul Global, onde os pobres, que nunca são ouvidos, “enfrentam condições de vida que atentam contra sua dignidade inalienável”. A isso se soma que a pressão financeira sobre as economias mais pobres se intensifica. Entre os sinais de esperança, citou algumas iniciativas de conservação no Peru. Isso evidencia a necessidade de soluções que promovam equidade e bem-estar para todos, especialmente para as comunidades mais vulneráveis. Uma realidade que levou Barreto a dizer: “Esta é a hora da justiça socioambiental!”, citando as palavras do Papa Leão XIII: “no rosto ferido dos pobres encontramos impresso o sofrimento dos inocentes e, portanto, o mesmo sofrimento de Cristo”. Corrigir erros históricos A Ásia é um dos continentes que “se encontra na linha de frente ao sofrer os efeitos desastrosos da crise climática”, em palavras do cardeal Ferrão. Para o purpurado, “a justiça climática no sul global consiste fundamentalmente em corrigir um erro histórico profundamente enraizado”. Isso coloca um desafio, “restaurar nossa relação com nossa casa comum com vistas a proteger as gerações futuras”. A justiça climática exige uma abordagem holística, afirmó. Algo que, em palavras do cardeal Ferrão, demanda cinco mudanças não negociáveis: a distribuição equitativa dos encargos e benefícios da ação climática, em particular o apoio financeiro; financiar as comunidades afetadas pelas mudanças climáticas; reconhecer as vulnerabilidades específicas, o contexto histórico e os conhecimentos ecológicos tradicionais das comunidades do Sul; apoio proativo à resiliência climática e à aplicação da justiça; reconhecer a liderança das mulheres, setor mais vulnerável e protagonistas da construção de uma resposta eficaz de resiliência. Diferença entre direito e justiça Por sua vez, o cardeal Steiner, a partir de sua experiência na Amazônia, abordou três questões. A primeira, a diferença entre direito e justiça, dado que “quase sempre discutimos direitos. Não conseguimos abordar a questão da justiça”. Nesse sentido, destacou que “a justiça é um horizonte onde nos movimentamos”, considerando a justiça ecológica como “o horizonte que nós queremos nos movimentar na busca de uma casa comum, de uma convivência harmônica”. Ele denunciou que “nós temos povos inteiros que são colocados de lado e são ignorados pela sociedade em termos de uma justiça ecológica”, mesmo sabendo que ‘eles vivem a justiça ecológica, sabem conviver, mas são ignorados quando nós discutimos a questão ecológica”. O segundo ponto que o cardeal destacou foi a questão da dívida ecológica dos países do Norte Global, “que não querem ouvir falar de justiça ecológica”, e fazem de tudo para que não seja aprovado aquilo que possa nos ajudar na superação das mudanças. Uma questão abordada por Papa Francisco, que levou o cardeal a insistir na necessidade do debate sobre uma justiça ecológica. Finalmente, estabelecer uma nova relação com as criaturas, seguindo uma compreensão medieval, “onde todas as criaturas são sinais de um mesmo amor. São dimensões diferentes ou manifestações diferentes de um mesmo amor”. Um pensamento esquecido que tem provocado graves consequências na Amazônia,…
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Cardeal Steiner: “a ecologia integral tem que ser expressão da fé daqueles que seguem o Evangelho”

Organizado pelo Movimento Laudato si´, o Pavilhão Balanço Ético, na Zona Azul da COP30, que acontece em Belém (PA), de 10 a 21 de novembro de 2025, foi realizado, na manhã da sexta-feira 14, o painel: “Espalhando a Esperança: 10 anos do Acordo de Paris e da Encíclica Laudato si´”. Laudato Si’: um movimento contracorrente Jean-Pascal van Ypersele, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o órgão das Nações Unidas responsável pela avaliação científica relacionada às mudanças climáticas, Josianne Gauthier, de Cooperação Internacional pelo Desenvolvimento e la Solidariedade (CIDSE), e o cardeal Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), debateram sobre o impacto que o Papa Francisco teve nesta década na agenda climática. O Movimento Laudato Si’ é um dos frutos desse caminho nos últimos 10 anos, e a encíclica pode ser considerada “não apenas como um documento, mas como um catalisador”, que foi decisivo no decorrer da COP21, facilitando o processo político para o Acordo de Paris, segundo o coordenador mundial do Movimento Laudato Si’, Yeb Saño. “Um movimento contracorrente, um movimento tremendamente difícil, porque não é um movimento do lucro, do ganho, não é um movimento econômico, mas é um movimento que nos leva a uma fraternidade universal e cuidado da casa comum”, afirmou o cardeal Steiner. Laudato Si’: uma encíclica além da comunidade católica Jean-Pascal van Ypersele refletiu do ponto de vista científico, incidindo na importância decisiva de preservar a camada de ozônio. Para isso, em palavras do cientista climático, “precisamos da chamada neutralidade de carbono. Isso significa não emitir mais CO2 do que a natureza, incluindo as florestas e os oceanos, pode absorver”. Ele insistiu em que “Laudato Si’ vai além da comunidade católica e da comunidade religiosa. Ela influenciou um público muito mais amplo, são centenas de milhões de pessoas no mundo”. Isso porque, a encíclica “proporcionou uma ponte entre a ciência e os valores”, influenciando nas políticas. Uma encíclica que colocou em palavras coisas que, em nossos corações e em nossa experiência de vida, não tínhamos como expressar, como é a expressão “casa comum”, recordou Josianne Gauthier, fazendo com que “começamos a entender que a crise, a forma como tratamos uns aos outros, era a mesma coisa”, ajudando a ter uma nova visão. Isso criou, reconhece Gauthier, “um movimento de solidariedade, aprendizado e compreensão dentro de nossa fé para ter um papel a desempenhar”. Ela fez um chamado a ser políticos, a ser ativos, a estar unidos. Laudato Si’ influenciou decisivamente o Acordo de Paris O cardeal Leonardo Steiner foi um dos delegados da Santa Sé na COP21, em Paris. Ele testemunhou que “era impressionante ouvir como quase todas as delegações mencionavam Laudato Si’. E talvez se tenha alcançado o resultado que se alcançou em Paris devido ao texto Laudato Si’”. Um texto que, segundo o arcebispo de Manaus, “abre um horizonte de discussão, de reflexão exigente”, um texto que faz um grande aporte para a questão da mudança climática. O fundo da encíclica, afirmou o cardeal Steiner, “é a busca de uma nova relação, do cuidado diante da dominação e da destruição”. Ele insistiu em que “essa relação que precisa mudar porque o horizonte das mudanças climáticas está dentro do lucro, dentro do dinheiro. Não existe o horizonte de uma compreensão fraterna, como o Papa menciona no início, citando Francisco de Assis. Esse horizonte de compreensão que é a fraternidade universal do irmão Sol e irmã Lua”. A ecologia integral expressão da fé Frente aos negacionistas climáticos, o cardeal ressalta que “onde existe respeito pela natureza, que propõe a Laudato Si, existe a harmonia, existe a possibilidade da vida como um todo”. Ele sublinha a importância da educação para uma ecologia integral, uma questão que aparece em Querida Amazônia, onde ao mencionar os quatro sonhos, Papa Francisco aborda uma totalidade das relações, “nada fica fora dos sonhos”. Junto com isso, a Laudato Si e Querida Amazônia mostram que “a questão da ecologia integral tem que ser expressão da fé, daqueles que seguem o Evangelho”, destacou o cardeal. “O meio ambiente tem a ver com o desaparecer de povos. O meio ambiente tem a ver com o desaparecimento de culturas, de línguas. O meio ambiente tem a ver com os povos indígenas, os povos originários. O meio ambiente tem a ver com a nossa humanidade”, refletiu o arcebispo de Manaus. Ele mostrou como Papa Francisco ao abordar a questão do meio ambiente, nos faz pensar que existe um todo. Daí ele deduze que “esse todo é que dá razão de nós, como Igreja, como comunidades de fé, não deixarmos de lado a questão ambiental”. De fato, no Evangelho de Marcos, Jesus disse: “Ide e anunciai a toda criatura”, o que mostra que “a redenção tem a ver com todo o universo. Todo o universo está dentro do mistério da cruz e da ressurreição”. O meio ambiente presente na vida das comunidades Uma reflexão que leva o cardeal a dizer que “o meio ambiente não pode estar excluído da vida das nossas comunidades”, dado que tudo é obra criada. Nessa perspectiva, somos chamados a ser cuidadores da obra criada, não dominadores, seguindo o texto de Gênesis. Uma nova relação, que considera o todo e não só o lucro, “uma relação de cuidado, uma relação de cultivo, mas especialmente uma relação fraterna”, a exemplo de Francisco de Assis, desafiou o cardeal. Daí o chamado a, sustentados na teimosia, “levar adiante todo esse horizonte de compreensão que nos foi dado por Papa Francisco, em vista de que a nossa terra não chegue ao seu colapso, não chegue a sua destruição. E que todos possam se sentir em casa, também os outros seres, até os seres que nós chamamos de inanimados possam se sentir em casa”, dado que cada ser é um modo diferente de manifestação de um mesmo amor. Uma encíclica que nos leva a “continuar firmes nessa luta”, reafirmou o cardeal Steiner. Mesmo diante da pressão que a COP recebe das grandes empresas, que não querem se desfazer do…
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Na COP30, diálogo socioambiental pela Paz: “não mais domínio, mas relação respeitosa com todos os seres”

O diálogo é o instrumento que nos permite avançar na construção social. Daí a importância do Painel “Diálogo socioambiental pela Paz: adaptação e transição justa”, realizado na Zona Azul da COP30 na manhã do dia 13 de novembro de 2025. Diálogo entre diversos atores sociais Um diálogo entre a Igreja católica, representada pelo arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, o diretor do Departamento de Ecologia Integral da Conferência Episcopal Espanhola, padre Eduardo Agosta, e a secretária da Pontifícia Comissão para América Latina, Emilce Cuda, a universidade, com a presença de Juliano Assunção, do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, e os empresários Ana Cabral, presidenta de Sigma Lithium, e José Luis Manzano, presidente de Integral Capital. Se faz necessário reconhecer que as mudanças climáticas são um sinal de que temos perdido relação com a verdadeira essência da humanidade, em palavras do presidente da Fundação para a Equidade nos Mercados Ambientais, Patricio Lombardi, organizador do evento. Ele, que fez um chamado escutar, refletir, nos reconectar, destacou a importância do Acordo de Paris e sua relação com Laudato si´, incidindo no Artigo 12 do acordo, que demanda “cooperar para tomar medidas, conforme apropriado, para ampliar a educação, a formação, a sensibilização do público, a participação do público e o acesso do público a informação sobre as mudanças climáticas, reconhecendo a importância dessas etapas para ampliar as ações previstas”. Um painel, como o realizado, possibilita o diálogo social, fundamento da Doutrina Social da Igreja, segundo salientou Emilce Cuda. A secretária da PCAL. Ela recordou as palavras de Papa Leão XIV, que diz que “para desarmar as palavras, para chegar à paz, temos que dialogar”. Daí a necessidade de desarmar as palavras como única forma de resolver o conflito, que a teóloga argentina considera a base do diálogo social, que “não é um diálogo entre amigos, é um diálogo entre representantes de partes organizadas de uma sociedade para poder chegar a um acordo que sempre é aberto, negociado”, uma necessidade diante da situação social e ambiental atual que “está em risco de chegar a um ponto crítico”. Diálogo sem escuta é imposição O cardeal Steiner partiu da ideia de que “diálogo é sempre uma escuta”, fazendo um chamado a “sermos escutadores, escutadoras, para podermos devagar ir percebendo qual é a razão de fundo que nos move e que nos dá horizonte da compreensão da nossa vida, mas também da nossa fé”. Por isso, “diálogo sem escuta não é diálogo, é imposição de ideologias ou de ideias”, algo que demanda se ouvir, porque “é na escuta que a esperança se faz presente, é no ouvir que a esperança vai devagarinho surgindo no horizonte das nossas compreensões”. O cardeal, inspirado em Romano Guardini, refletiu sobre a dimensão relacional, a necessidade de estar a serviço, se superar a atitude de posse. Ele refletiu sobre as relações com o meio ambiente, apostando na “obrigação de levantar a bandeira da esperança para que essas relações possam ser mais condizentes com o que pede a própria natureza”. Frente a isso, “outra modalidade de saber, que não observa, mas analisa, já não se emerge no objeto, mas o agarra e o destrói”. O cardeal Steiner demanda uma ética “não mais do domínio, mas de uma relação condizente, respeitosa com todos os seres”. O arcebispo de Manaus refletiu sobre a necessidade de levar em consideração os pobres, aqueles que mais estão sofrendo com as mudanças climática, que no Brasil são os povos indígenas. Diante disso, o presidente do Conselho Indigenista Missionário disse que “nós queremos ser para eles um sinal de esperança”, dado que eles são sinal de esperança em consequência do seu modo harmônico de convivência com o meio ambiente. Por isso, a necessidade de levar em conta que “Jesus nos possibilita um outro modo de relação, que é samaritano, que é fraterno, que é consolador, que é de uma fraternidade universal”. Necessidade de conversão O problema climático é algo que goza de convicção científica desde 1987, segundo Eduardo Agosta. Ele mostrou a demora para chegar em decisões políticas, vendo como uma das causas do atual fracasso o fato de não levar em conta o moral e o ético que aparece em Laudato si´. Ele reconhece a existência de soluções técnicas, mas denuncia a falta de vontade política para enfrentar aquilo que não gostamos, dada a necessidade de conversão para alcançar a mudança. Junto com isso, a falta de consciência de pertença a uma fraternidade humana, que habita uma casa comum, com uma dívida climática a pagar. Para isso demanda abraçar a ecologia integral imanente, superando o pensamento fragmentado, ver o clima como a base de tudo o que coloca em risco a dignidade humana e a vida de muitas pessoas; ver o território como lar e não como recurso; fomentar a transição justa; assumir a opção preferencial pelos pobres, que sofrem a maior parte das consequências das mudanças climáticas. Por isso, Agosta demanda mais alma para assumir de verdade o Acordo de Paris. A universidade é espaço de avanços científicos, também em tudo o que tem a ver com as mudanças climáticas, um problema a ser tratado de maneira conjunta, segundo Juliano Assunção, dado que ele afeta a todos nós e que demanda uma ajuda para com aqueles que mais sofrem. Daí a necessidade de justiça climática, sobretudo para com os países mais pobres, com quem o Planeta tem uma maior dívida ecológica. Por isso a necessidade de criar meios para que as pessoas consigam viver melhor, defendeu o professor brasileiro. Todos sentados na mesa do diálogo O grande desafio é estabelecer diálogos com aqueles que participam na tomada de decisões, com os empresários. Isso, porque segundo lembrou Emilce Cuda, recordando as palavras de Papa Francisco, “não haverá justiça social até que todos não estejam sentados à mesma mesa da tomada de decisões, não para contar seus dramas, mas para decidir”, como único caminho para a paz, que é consequência do diálogo social. Daí a importância da presença do mundo da empresa no…
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Cardeal Leonardo Steiner celebra seus 75 anos de vida

Na manhã deste domingo (9), às 10h, o Arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Regional Norte 1) , cardeal Leonardo Steiner, presidiu a missa de comemoração aos seus 75 anos de vida. A celebração Eucarística aconteceu na Catedral Metropolitana de Manaus com a presença dos bispos auxiliares e emérito, padres, vida religiosa, seminaristas e grande número de fiéis. O arcebispo agradeceu o carinho dos participantes e, brevemente, recordou sua trajetória de vida. “Eu queria agradecer essas palavras todas, os gestos de afeto, de carinho, de proximidade. Mas especialmente gostaria de agradecer as orações de cada, de cada uma. Assim nos sentimos mais igreja, sentimos mais igreja. Eu sou muito grato a Deus, sou muito grato a Deus” enfatizou o arcebispo. Semente da vida comunitária O cardeal Steiner recordou que seu crescimento familiar é marcado pela profunda religiosidade de seus pais. Sendo o décimo terceiro de dezesseis irmãos, onde todos foram ensinados desde pequenos a rezar uns pelos outros. Essa característica religiosa também é presente em sua comunidade de origem, que mesmo pequena, gerou muitos frutos vocacionais. “Quando nasci, os mais velhos já estavam fora de casa, mas a nossa mãe todo dia à noite rezava por aqueles que já tinham saído de casa, e também pelos dois que já haviam falecido. Esse senso de família, esse senso de comunidade: nesse ambiente que eu cresci. Venho de uma comunidade pequena, de origem alemã, onde todos os cantos e orações naquele tempo ainda eram em alemão. Uma comunidade muito pequena, mas uma comunidade muito ativa, profundamente religiosa. Dessa comunidade vieram muitas religiosas, muitos padres”, explicou. Confrontar-se com a vida de comunidades Ao comentar sobre o processo formativo, o arcebispo disse que o seu tempo de seminário “foi um tempo muito rico”. E sublinhou que teve “grandes formadores, grandes pensadores, grandes teólogos, filósofos”, que o introduziram “numa vida acadêmica muito profunda”, além da oportunidade de fazer especialização fora do país. Ao retornar, foi nomeado bispo de São Félix do Araguaia, uma experiência que possibilitou um novo olhar sobre a organização comunitária. “Me ajudou demais. Eu que vinha de um ambiente apenas formativo, fui confrontado com a vida de comunidades, comunidades eclesiais de base, que abriu os olhos e me fez perceber quão grande é a igreja que está ali presente nessas pequenas comunidades, nessas expressões religiosas que eu nem sequer conhecia, de gerações e piedades que mantiveram vivas essas comunidades”, explicou. Formar-se um templo bem construído Em sua fala, o cardeal Steiner reforçou sua gratidão a Deus por tudo que recebeu, “recebi e recebi muito, talvez tenha correspondido pouco”. Para enfatizar seu pedido de orações por sua conversão, relembrou que ao passar por dois procedimentos cirúrgicos, os médicos garantiram mais 50 anos de vida, mas que, para ele, “tanto tempo eu não preciso, mas eu ainda preciso um tempo para ver se eu me converto”. E terminou associando essas dinâmicas ao texto do Evangelho do dia. “Esses textos do Evangelho de hoje são tão bonitos. Nós somos casa de Deus, somos templo de Deus. E desses templos é que deveriam jorrar a justiça, a bondade, o consolo, a fraternidade, a vida de comunidade, a experiência de Evangelho. E ainda estou tão longe de tudo isso. Mas com a ajuda de vocês, com as orações de vocês, espero poder me apresentar diante de Deus como um templo bem construído e poder participar da vida do reino definitivamente”, finalizou. Transmitir vida é a missão O arcebispo emérito de Manaus, Dom Luiz Soares Vieira, destacou em sua homilia que “sem o bispo, a igreja perde os caminhos”. E por isso, é preciso compreender-se como “uma igreja que transmite vida. Por onde passa, vai transmitindo a vida. Quem é essa vida? Jesus disse, eu sou o caminho, a verdade e a vida. Jesus é a vida”. É o modo de vida de Jesus que permeia caminho de trabalho da Evangelização. “A igreja de Jesus Cristo é uma igreja que transmite vida, que tem vida e transmite vida. Você vê como é importante no mundo de hoje. Nós estamos num mundo marcado muito por guerras, por mortes, por tantas coisas que estão acontecendo, são mortos, não são de Deus. E nós temos de dizer para o pessoal, olha, minha gente, nós temos uma boa notícia para vocês, uma boa notícia. Nós temos a solução para tudo isso que está acontecendo de desgraça no mundo. É Jesus Cristo”, pontuou Dom Luiz. Em relação a segunda leitura, tirada da primeira carta de Paulo aos Coríntios, Dom Luiz recorda que “cada cristão, cada cristã é um tijolinho nessa construção”. E que “o alicerce é Jesus Cristo, portanto Jesus deve ser realmente a razão do nosso ser, do nosso agir, do nosso pensar. Jesus é, portanto, o fundamento, o alicerce de nós, dessa comunidade, dessa arquidiocese”. Dessa maneira, a igreja permanece em construção até completar sua missão dinâmica quando chegar ao final dos tempos. Quanto ao Evangelho, ele reflete que Jesus é o templo, Jesus é nossa cabeça, nós todos formamos um corpo”. Por isso, é necessário que a comunidade se abra ao Espírito Santo e não perca o estilo de vida ao modo de Jesus de transmitir vida. E quando a natureza humana foge dessa dinâmica, é preciso ter pessoas que chamem atenção e apontem o caminho que conduzam a comunhão, e a figura do bispo luta para que essa comunhão não desapareça. “Então, o bispo é aquele que fica atento, fica atento e mostra caminhos, e mostra, minha gente, é por aqui, Jesus está aqui, olha, vamos atrás dele, vamos atrás de Jesus. Ele que é tudo para nós. Então, Dom Leonardo, a sua missão é muito importante, sabe disso, né?”, recordou Dom Luiz. Caminhar juntos como Igreja O Conselho de Leigos e Leigas da Arquidiocese de Manaus e a Conferência dos Religiosos e Religiosas do Brasil, Regional Amazonas e Roraima estiveram presentes e prestaram homenagens ao arcebispo. Seus representantes destacaram a importância de seu testemunho profético e…
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Cardeal Steiner: “A Igreja nascida de Jesus é hoje o testemunho vivo da presença de Deus na história”

Na comemoração da Dedicação da Igreja do Latrão, a catedral do bispo de Roma, do Papa, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, cardeal Leonardo Steiner, iniciou sua homilia recordando que “construída pelo imperador Constantino, no tempo do Papa Silvestre I, foi consagrada no ano 324. Ela é chamada ‘a igreja-mãe de todas as igrejas da Urbe e do Orbe’. Mãe de todas as igrejas de Roma e do mundo, símbolo das igrejas de todo o mundo, unidas ao sucessor de Pedro. No fontal da Basília pode-se ler: ‘Papa Clemente XII, no quinto ano de seu pontificado, dedicou este edifício a Cristo, o Salvador, em homenagem aos Santos João Batista e João Evangelista’. A Igreja do Latrão foi dedicada inicialmente a Cristo Salvador e somente séculos depois é que foi codedicada aos dois outros santos”. A morada de Deus “A Festa da Dedicação da Basílica de Latrão que se celebra no dia 9 de novembro, convida-nos a perceber que a Igreja nascida de Jesus é hoje, no meio do mundo, a ‘morada de Deus’, o testemunho vivo da presença de Deus na história dos homens. Ao celebrarmos a dedicação, a consagração, dessa igreja, renovamos a unidade, a comunhão e a sinodalidade da Igreja Católica. Na celebração de hoje expressamos a nossa comunhão com todas as comunidades em unidade com o Papa Leão XIV”, disse o cardeal Steiner. Segundo ele, “na Festa de hoje, meditemos as leituras que nos remetem para o templo: Igreja templo; nós como templo”. A experiência de Israel Na primeira leitura, ele enfatizou que “o profeta ‘vê’ brotar um rio de águas correntes, vivas. Símbolo de vida, de fecundidade, de abundância, de felicidade, a água tem sua fonte no templo na morda de Deus. Para o Povo marcado pela experiência do deserto, onde a falta água, a ervas são escassas, as frutas não abundantes, água traz vida, o verdor, a frutificação, a vida em abundância; é a experiência da vida, da terra da promessa.  O ‘rio’ de que o profeta fala brota da casa de Deus, a sua água evoca o poder vivificante e fecundante de Deus que, de Jerusalém, se derrama sobre o seu Povo, uma vez que transforma até as águas do mar morto”. “O profeta nos anuncia a sua visão de vida: rio de água viva e abundante que brota do Templo de Deus desce para a região mais desolada e árida do país até o Mar Morto. A água do templo de Deus que desce caudalosa e viva, fecunda a aridez do deserto, a tudo de vida, faz frutificar. As águas fazem nascer o verdor nas margens, fazem crescer árvores de toda a espécie, carregadas de frutos saborosos e levam vida fazendo submergir a morte. Os seus frutos servem de alimento e suas folhas são remédios. As águas fecundam e transformam a vida em todas as partes”, comentou o arcebispo. Continuando com a reflexão, ele ressaltou que “durante os anos sombrios da deportação, nas terras estrangeiras, esta promessa animou os exilados, despertando a esperança. De olhos postos em Jerusalém, no Monte do Templo, os exilados sonhavam de olhos abertos com esse novo templo prometido a partir do qual a vida de Deus voltaria a derramar-se abundantemente sobre toda a terra e em todo o povo. Do templo que renasce a vida, tudo se transforma, tudo é fecundado, e há abundância de bens, de vida e saúde” inspirado em Dehonianos, Festa da Dedicação. Nós somos templo de Deus São Paulo, na segunda leitura, segundo o cardeal, “a nos recordar que nós somos o templo de Deus, somos a casa do Espírito, Deus habita em nós. ‘Vós sois edifício de Deus… Veja cada um como constrói: ninguém pode colocar outro alicerce além do que está posto, que é Jesus Cristo. Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é santo e vós sois esse templo’ (1Cor 3, 9-17)”. “Somos templos em Cristo! Pela sua morte e ressurreição nos tornamos templos, morada! Fomos atraídos por Cristo, pertencemos à comunidade dos redimidos, dos libertados, dos esperançados. A comunidade que recebe o seu corpo e seu sangue, fonte abundante que conduz sempre à vida.  Fazemos parte de um Corpo do qual Cristo é a cabeça (cf. Rm 12,5; 1 Cor 12,27; Ef 1,22-23), a fonte que tudo transforma e vivifica. Somos templos que podem visibilizar o rosto bondoso e terno de Deus. Na partilha, solidariedade, serviço, reconciliação, consolo, gratuidade, se manifestam as águas que saem do templo e transformam os vales desérticos e secos em fertilidade, verdor, saúde! Fecundam com a justiça, a paz e o amor os desertos existenciais dos homens”, sublinhou o presidente do Regional Norte 1 da CNBB. Lugar de negócio Na passagem do Evangelho, ele destacou que “Jesus encontra os vendedores de bois e ovelhas no templo e os expulsa; convida os vendedores de pomba a retirarem seus animais. Limpa o templo, não deseja que o templo seja um lugar de comércio, de negócios. O templo tornara-se um lugar de compra e venda. O lugar do encontro, da oferta, da oferenda, transformada em negócio, em lucro. A templo de Deus, lugar da doação, do encontro, feito lugar de negociação. O lugar das águas fecundas e abundantes transformado no deserto da compra e venda”. Ele recordou que “Mestre Eckhart comentando a expulsão dos vendilhões do templo ensina”, citando o texto: “Quem eram as pessoas que compravam e vendiam, e quem eram elas? (…) todas elas são pessoas que compram (…) que desejam ser pessoas boas e fazem as suas boas obras como jejuar, dar esmolas e rezar e tudo o mais possível de boas obras (…) para que o Senhor lhes dê algo em troca ou Deus lhes faça alguma coisa que para eles fosse bom: Esses são compradores” (Deutsche Predigten und Traktate). É por isso que “a purificação do templo, a desobstrução do templo, possibilidade ser…
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COP 30: tomar medidas para mitigar as consequências das mudanças climáticas

A Amazônia, uma região fundamental na preservação do Planeta, se torna nos próximos dias o foco da mídia mundial. A COP 30, que será realizada em Belém do Pará, de 10 a 21 de novembro, deveria representar um avanço na toma de consciência sobre a necessidade de adotar medidas que ajudem a mitigar as consequências das mudanças climáticas. Uma urgência diante da atual realidade planetária, que provoca graves catástrofes ambientais, que aumentam cada dia. Fenómenos desconhecidos em muitas regiões do Planeta se tornaram cotidianos, ocasionando situações que geram sofrimento na população, especialmente nos mais pobres. Não podemos esquecer que o grito da Terra e o grito dos pobres é o mesmo. O negacionismo climático é uma atitude presente em algumas pessoas. Essa atitude resulta mais preocupante quando essas pessoas têm poder político, poder de decidir o futuro da humanidade. Nesse sentido, a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, resulta inquietante. Na última Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada na sede dessa organização em setembro de 2025, ele definiu as mudanças climáticas como a maior farsa. No mundo científico se tornou doutrina comum que as mudanças climáticas são reais e que elas são causadas pelos humanos, se agravando a cada ano. Diante disso, todos nós, mas também cada pessoa, você, eu, somos chamados a refletir e nos questionar sobre as atitudes que podemos adotar. Junto com isso, como sociedade, somos desafiados a lutar para que sejam adotadas políticas públicas que exijam a todos os países o cuidado da Casa Comum. A grande questão é se a humanidade está disposta a assumir mudanças estruturais em vista da preservação do Planeta. Em palavras de Papa Francisco em Laudato si´, se faz necessário entrar no caminho da conversão ecológica como único caminho para superar a atual crise, que provoca milhões de mortes mundo afora em consequência da degradação planetária. Que a COP seja realizada na Amazônia tem uma importância decisiva. A preservação das florestas tropicais, que tem na região amazônica seu maior expoente, é um caminho que deve ser assumido por todos os países do mundo. Se faz necessário o incremento de investimentos que ajudem na preservação, mas também é urgente a defesa dos povos originários e das populações tradicionais, verdadeiro exemplo de convivência harmoniosa com o bioma amazônico. O perigo é deixar passar mais uma oportunidade para enfrentar essa problemática. Sabemos que das decisões tomadas, mas sobretudo de sua implementação, depende o futuro do Planeta e da humanidade. Ficar olhando para o outro lado, não se comprometer com a ecologia integral, pode nos levar a um caminho sem retorno, o caminho do sofrimento e da destruição. Editorial Rádio Rio Mar

Cardeal Steiner: “Morte-vida, nossa esperança, pois na morte vislumbramos o mistério do Amor que tudo cria e recria”

Na Comemoração dos Fiéis Defuntos, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando que “Jesus no Evangelho nos convida a viver na prontidão, com lâmpadas acessas. Estar à espera do Senhor que está por vir: ‘vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando o senhor voltar … para lhe abrir, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater.’ (Lc 12,35-36) Viver da espera do inesperado, da chegada do amado, da amada, viver da esperança, estarmos em prontidão, na atenção, pois o Senhor da vida está por chegar. Chega na vida e na morte, na morte-vida. Morte-vida, nossa esperança, pois na morte vislumbramos o mistério do Amor que tudo cria e recria; memória da vida verdadeira!” Despertos como servos que não dormem Inspirado nas palavras de Papa Francisco, ele disse que “estarmos despertos como servos que não dormem, até o Senhor chegar, pois nossa existência é laboriosa, frutuosa, fecunda, ativa, amante. Deixarmos as distrações, a desocupação, a sonolência, o torpor, e estar na atenção para acolher com gratidão e admiração cada novo dia que nos é concedido. Cada manhã é uma página branca que o cristão começa a escrever com obras de bem. Jáfomos salvos pela redenção de Jesus, mas agora estamos à espera da manifestação plena do seu senhorio: quando finalmente Deus será tudo em todos (cf. 1Cor 15,28). Nada é mais certo, na fé dos cristãos, do que este “encontro”, este encontro com o Senhor, quando Ele voltar. E quando este dia chegar, nós cristãos queremos ser como aqueles servos que passaram a noite com os rins cingidos e as lâmpadas acesas: é preciso estar prontos para a salvação que chega, prontos ao encontro. Pensastes como será aquele encontro com Jesus quando Ele vier? Mas será um abraço, uma alegria enorme, uma grande alegria! Devemos viver na expetativa deste encontro!” “Somos convidados a permanecer com as lâmpadas acessas, porque o Senhor da vida sempre está por chegar. Se não mantivermos nossas lâmpadas acessas, será apenas noite e não teremos como abrir as portas da nossa existência quando o Senhor chegar. Nessa atenção benévola e na receptividade amorável a porta permanece aberta e convidativa para que o Senhor entre permaneça conosco. E conosco, ‘Ele mesmo vai cingir-se, faze-nos sentar à mesa e, passando, nos servirá!’ No manter a luz da esperança nos damos conta que é Deus mesmo a nos servir, a cuidar e iluminar nossos dias, a vida e a morte, a morte e a vida”, refletiu o cardeal. Por que temos medo diante da morte? O presidente do Regional Norte 1 da CNBB questionou: “No dia em que fazemos memória dos nossos irmãos e irmãs falecidos também nos perguntamos: por que temos medo diante da morte?” Ele recordou as palavras de Bento XVI: “Diria que as respostas são múltiplas: temos medo diante da morte porque temos medo do nada, deste medo de partir em direção a algo que não conhecemos, que nos é desconhecido. E então existe em nós um sentido de rejeição porque não podemos aceitar que tudo aquilo de belo e de grande que foi realizado durante uma existência inteira, venha de repente apagado, caia no abismo do nada. Sobretudo, nós sentimos que o amor chama e pede eternidade e não é possível aceitar que isto venha destruído pela morte em um só momento. Ainda, temos medo diante da morte porque, quando nos encontramos rumo ao fim da existência, existe a percepção que exista um juízo sobre as nossas ações, sobre como conduzimos a nossa vida, sobretudo sobre estes pontos de sombra, que, com habilidade, sabemos remover e tentamos remover da nossa consciência”. “No dia de Finados, nos movimentamos entre a memória e a esperança. Enquanto caminhamos, caminhamos na esperança, pois redimidos, salvos. Seguimos o que nos ensinava o Evangelho: “vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando o senhor voltar … para lhe abrir, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater” (Lc 12,35-36). Apesar de nossos tropeços, das nossas contradições e mesmo das nossas traições, porque salvos, permanecemos no caminho, no seguimento de Jesus, na superação de nossa fraqueza. Continuamos a plantar, regar, a semear, a oferecer esperança e caridade, pois a vida é generosa, esperançada”, destacou o arcebispo. Vivemos da vida que nos adveio pela morte “A razão maior de caminharmos na esperança e com confiança é o que nos veio ensinado por São Paulo”, disse citando o texto de 1Cor 15,20-22: “Irmãos: Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morreram, assim também em Cristo todos reviverão”. Isso porque “vivemos da vida que nos adveio pela morte. A ressurreição que é florir da morte de cruz. Cristo crucificado-ressuscitado nos dizendo: ‘Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá’ (Jo,11,25-26)”. Diante do texto bíblico, o cardeal questionou: “Como não viver de esperança? Como no dia de Finados não memorar a grandeza de que todos fomos gerados para a vida e a vida eterna?” O arcebispo fez um chamado a “fazemos memória! A memória fortalece um povo porque se sente radicado num caminho, numa história, numa comunidade, numa família. A memória faz com que compreendamos que não estamos sozinhos, somos uma comunidade que tem uma história, um passado, uma vida. Fazemos memória, rememoramos, trazemos à lembrança e nos apercebemos numa relação nova e inusitada que ultrapassa o tocado, o cheirado, o visto e nos conduz ao encontro de uma presença em outro espaço e tempo: o tempo e o espaço do amor, da esperança. A liturgia de Finados é memória das relações, despedidas, dores, solidões que nos advieram com o desaparecer de nossos olhos nossos entes queridos”. Nas nossas orações, refletiu o cardeal Steiner,…
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Leão XIV chama a CEAMA a não ter pressa e buscar caminhos mais sólidos, bem definidos

Na tarde desta quarta-feira, 29 de outubro de 2025, Papa Leão XIV recebeu em audiência a Presidência da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA). O encontro com o Santo Padre aconteceu no final da visita institucional realizada de 23 a 29 de outubro, tempo em que participaram do Jubileu das equipes e organismos sinodais. Conversa acolhedora e fraterna Um encontro sereno, segundo o bispo auxiliar de Manaus e vice-presidente da CEAMA, dom Zenildo Lima. Durante quase uma hora, “o Papa se colocou à disposição em uma conversa bastante acolhedora, fraterna, de interesse pela Conferência Eclesial da Amazônia, os passos vividos até aqui e as perspectivas e caminhos”. Depois de ser apresentados ao Papa os participantes do encontro, o presidente da CEAMA, cardeal Pedro Barreto fez um resumo da visita aos dicastérios da Santa Sé. Leão XIV conheceu o acontecido no encontro dos bispos realizado em Bogotá no último mês de agosto, o alcance deste encontro e a disponibilidade das igrejas da Amazônia para um caminho sinodal. Igualmente, foi compartilhado a construção coletiva que se vem fazendo num processo de escuta em vista da definição de linhas, de horizontes sinodais. a serem definidos na próxima Assembleia de março de 2026. Assembleia que também terá o caráter eletivo quando será escolhida a nova presidência da Conferência Eclesial da Amazônia. Cuidado com a vida e com os povos Papa Leão XIV, a partir de sua experiência missionária, é alguém que conhece a Amazônia, tendo consciência dos desafios ali enfrentados pela população e pela ecologia integral. Segundo dom Zenildo Lima, o Santo Padre “manifestou todo o seu apoio para as iniciativas que são de cuidado com a vida, de cuidado com os povos e com o anúncio do Evangelho”. A Presidência da CEAMA apresentou ao Papa a perspectiva da construção de um fundo patrimonial da Conferência Eclesial da Amazônia, para a qual o Santo Padre se revelou aberto e disponível a apoio dentro das condições que lhe são oportunas. O bispo auxiliar de Manaus destaca como muito interessante “a abertura do Papa ao comentar sobre as necessidades, os passos ministeriais para a Igreja que está na Amazônia. Segundo o bispo, “com muita serenidade, o Papa afirmou que não tem pressa com os processos, mas que prefere caminhos mais sólidos, bem definidos”, exortando à Presidência da CEAMA “a não termos a pressa de tentar estruturar”, dado que “determinadas situações se manifestam bem mais como carismas do Espírito Santo”. As mulheres um dom do Espírito Nessa perspectiva, Leão XIV vê a participação das mulheres como um dom do Espírito, uma realidade profundamente marcada pelo carisma. Ele fez um chamado para que a igreja que está na Amazônia acolhesse esses carismas, mas tivesse o devido cuidado de evitar estruturá-los demasiadamente, evitando se tornar engessados, segundo relatou dom Zenildo Lima. Ele destacou a escuta atenta do Papa às mulheres que faziam parte desta comitiva, duas vice-presidentes, Patrícia Gualinga e Ir. Laura Vicuña Pereira Manso, e uma agente do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, Cecília Barja. Entre os presentes entregues ao Papa Leão XIV estava uma rede de tucum, tecida pelos indígenas warao, originários do Delta do Orinoco, na Venezuela, que atualmente são migrantes em Roraima. Junto com a rede, eles enviaram diversas cartas em que relatam suas vivências e demandas. Por sua vez, o Santo Padre concluiu o encontro abençoando objetos e lembranças religiosas, estendendo a sua bênção às igrejas que estão na Amazônia.