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Seminaristas vivenciam 12º Experiência Missionária na Prelazia de Itacoatiara

Os seminaristas do Regional Norte 1 estão reunidos na Prelazia de Itacoatiara para a 12° Experiência Missionária, organizada pelo Conselho Missionário de Seminaristas (COMISE Labontè). A experiência integra o processo formativo dos futuros presbíteros do regional, oportunizando a vivência com as realidades pastorais das igrejas locais. A programação iniciou no sábado (18) e se estende até o próximo domingo (26). A Missa de envio, na Catedral da Prelazia, marcou o início das atividades e contou com presença de agentes de pastoral e fiéis. Depois, os seminaristas seguiram para comunidades ribeirinhas e urbanas, onde fizeram visitas, celebrações, momentos de oração, encontros e rodas de conversa para fortalecer a “comunhão e a corresponsabilidade missionária”, segundo Lucas Santos, seminarista da Diocese de Roraima. Para ele, a experiência missionária é “um momento formativo para os futuros presbíteros, que vivenciam a realidade amazônica e são convidados a cultivar um olhar sempre mais próximo, fraterno e comprometido com a vida do povo”, explicou. O caminho comunitário As atividades da experiência missionário estão alinhadas ao Jubileu da Esperança, com o tema “Missionários da esperança entre os povos”, escolhido pelo Papa Francisco, e o lema “A esperança não decepciona” (Rm 5,5). E buscam responder, como sinal de Esperança, ao grito urgente das pessoas que ecoa de diversas partes do mundo. O encontro com as realidades da igreja na Amazônia é fundamental para que os jovens seminaristas aprimorem seu modo de atuação. Na Exortação Apostólica Querida Amazônia, Papa Francisco recorda, ao citar o Instrumentum Laboris do Sínodo para a Amazônia, que a “vida é um caminho comunitário onde as tarefas e as responsabilidades se dividem e compartilham em função do bem comum. Não há espaço para a ideia de indivíduo separado da comunidade ou de seu território”. Essa dinâmica corresponde às aspirações evangélicas de caridade, e é um “estímulo à cultura do encontro”, onde as relações são novamente restabelecidas. É uma possibilidade para que os seminaristas recordem a vocação evangelizadora presente em cada cristão e cristã batizado. Ou seja, para que desde agora sejam capazes de reconhecer as necessidades dos povos amazônicos, exercendo seus trabalhos com a força profética do Evangelho encarnado na realidade. Aprofundar a fé Dessa forma, a experiência missionária é o espaço para que os jovens missionários aprofundem sua fé. O encontro com os povos permite que haja um reconhecimento mútuo como anunciadores do Evangelho. E o vínculo, nascido nos caminhos, nos diálogos e nos encontros, é a manifestação da Esperança oferecida por Jesus, convida à uma abertura de coração para tocar, compreender e transformar o modo de ver o mundo. Nesse aspecto, o seminarista Jainer Reina, da Diocese do Alto Solimões, comentou que a experiência na Paróquia de Nazaré, em Itapiranga, “está sendo maravilhoso, visitando as famílias, os idosos, os necessitados”. Ele enfatiza que esses momentos motivam “a nossa fé, a minha vocação para ser um sacerdote”. E espera que os frutos dessa missão “possa amadurecer mais e mais na minha vocação”, terminou. Fotos: Lucas Santos.

CEAMA, com a participação de Dom Zenildo Lima, visita a Santa Sé

A presidência da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), com a participação do bispo auxiliar de Manaus e vice-presidente da instituição, dom Zenildo Lima, realiza de 23 a 29 de outubro de 2025 uma visita institucional à Santa Sé. O propósito é fortalecer os vínculos de comunhão com Papa Leão XIV, que irá receber em audiência os participantes da visita, e colaborar com os dicastérios da Santa Sé envolvidos na missão da CEAMA no marco do processo sinodal que anima a vida eclesial da Pan-Amazônia. Exemplo de Igreja Sinodal Os membros da presidência da CEAMA, que o Documento de Síntese da Primeira Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade coloca como exemplo de Igreja sinodal, irão participar do Jubileu dos organismos sinodais, que está sendo realizado de 24 a 26 de outubro no Vaticano. A visita iniciou com uma missa no Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, dicastério que a pedido de Papa Leão XIV acompanha mais diretamente a CEAMA. Depois da Eucaristia foi realizada uma primeira reunião com o cardeal Michael Czerny, prefeito do dicastério, e alguns agentes ligados ao dicastério, para uma primeira discussão em vista de alinhar um caminho de captação de recursos em vista da criação de um fundo patrimonial e da autossustentabilidade da Conferência Eclesial da Amazônia. Uma comunicação do território Posteriormente, foi realizado um encontro com o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, o secretário, Lucio Ruiz, e a diretora do departamento teológico-pastoral, Natašia  Goverkar, onde foram apresentados, segundo dom Zenildo Lima, “alguns caminhos de comunicação da CEAMA e a necessidade de darmos mais visibilidade, não somente comunicando fatos, mas construindo processos de intercâmbio, a fim de que toda a estrutura do Dicastério para a Comunicação possa nos ajudar a fazer ecoar vozes da Amazônia”. No encontro foi destacado a importância da CEAMA para o dicastério, dada sua presença no território, assim como divulgar os passos dados pela CEAMA. Ruffini enfatizou que a comunicação é importante porque promove a comunhão e a faz crescer, considerando a CEAMA como um exemplo para o continente e para toda a Igreja, mostrando o valor da Amazônia para a humanidade. Daí a necessidade de ajudar a conhecer e socializar os desafios e as lutas do território. Para isso é importante a presença no território daqueles que podem contar de primeira mão o que acontece, contribuindo ao crescimento da comunicação da Igreja ao mundo, gerando pequenas luzes de esperança. Na reflexão apareceu a necessidade de estruturar a comunicação em vista da incidência. Uma comunicação direta, que dá a conhecer o testemunho vivo que relata histórias de vida. Junto com isso, a importância de estruturar e fortalecer a comunicação amazônica, que deve ser veloz, ágil e constante. Nesse sentido, o encontro da CEAMA realizado em Bogotá em agosto de 2025, aportou pautas para reconhecer a prioridade da comunicação e a necessidade de construir narrativas. Desafios da educação na Amazônia No final da tarde, a presidência da CEAMA visitou o Dicastério para a Educação e Cultura, se encontrando com o prefeito, cardeal José Tolentino de Mendonça. Na ocasião, foi discutido o estado dos processos de educação na Pan-Amazônia. Dom Zenildo Lima destaca que em relação à Amazônia brasileira, “falamos dos desafios do ensino religioso, do processo de ocupação de espaços estratégicos da educação por parte dos segmentos evangélicos, embora a Igreja ainda goze de algum respaldo por causa do Acordo Brasil-Santa Sé. Apresentamos também o fato que as escolas católicas vêm sendo preteridas nas escolas militares. E também falamos a respeito do ensino superior presente na Pan-Amazônia e a possibilidade real de incluir nessa dinâmica dos saberes uma nova epistemologia a partir dos saberes das populações originárias presentes na Pan-Amazônia”. Ao longo dos próximos dias será realizado um encontro no Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, com a presença do prefeito, cardeal Kevin Josehp Farrel, em vista de uma reflexão sobre a corresponsabilidade laical e vida comunitária na Amazônia, assim como a colaboração da CEAMA com a JMJ e o Encontro Mundial das Famílias. Depois da participação do Jubileu dos organismos sinodais a presidência da CEAMA terá um novo encontro no Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, realizarão uma visita e momento de oração ao túmulo de Papa Francisco, na Basílica de Santa Maria Maior. Além disso, está prevista uma reunião com o cardeal Luiz Antônio Tagle, pro-prefeito do Dicastério para a Evangelização, onde será realizado um intercâmbio sobre processos missionários e acompanhamento pastoral na Amazônia. Igualmente, a presidência da CEAMA visitará a Secretaria Geral do Sínodo, onde será partilhado com o secretário, cardeal Mario Grech, a experiência sinodal na Amazônia. Na dinâmica sinodal, será realizado um encontro com padre Giacomo Costa, secretário especial da Assembleia Sinodal do Sínodo da Sinodalidade, onde será refletido sobre os horizontes apostólicos sinodais. Audiência com Papa Leão XIV Em encontro com a prefeita do Dicastério para a Vida Consagrada, Ir. Simona Brambilla, será debatido sobre a presença da Vida Religiosa na Amazônia e a contribuição da CEAMA junto com a CLAR. No Instituto para as Obras da Religião (IOR) será realizada uma reunião para abordar o seguimento administrativo financeiro. No Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, com a presença do prefeito, cardeal Arthur Roche, será realizado um diálogo sobre liturgia inculturada e experiências celebrativas na Amazônia. A presidência da CEAMA participará de um encontro no Dicastério dos Bispos, onde será recebida pelo prefeito, dom Filippo Iannone, e o secretário, dom Ilson de Jesus Montanari, onde será refletido sobre comunhão episcopal e acompanhamento pastoral.  Finalmente, a visita será encerrada com a audiência com Papa Leão XIV, na tarde de 29 de outubro, no Palácio Apostólico. Fotos: CEAMA

Das crianças e adolescentes cuidar juntos é o caminho

A violência contra as crianças e adolescentes é um crime presente no Brasil, que demanda a colaboração de todos para ser erradicado. Um passo a mais, que mostra que cuidar juntos das crianças e dos adolescentes é o caminho, foi dado nesta semana em Manaus com a inauguração do Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente (CIACA), um dos nove centros especializados existentes no Brasil. Um acompanhamento mais eficiente e mais humanizado Um espaço para centralizar o acolhimento das crianças e adolescentes vítimas da violência, que é fruto da luta de mais de dez anos e que desde o início contou com o envolvimento da Igreja católica. Se busca que as crianças tenham um acompanhamento mais eficiente e mais humanizado. Isso se tornou realidade com o apoio do Ministério Público do Trabalho, que financiou o investimento. Diante desse crime todos devemos tomar consciência e fazer o que estiver em nossa mão para erradicá-lo. Defender a vida em plenitude, especialmente das crianças e adolescentes, é uma exigência para todo ser humano. Ninguém pode ficar de fora, pois o envolvimento de todos faz a diferença e ajuda as vítimas a superar os traumas que carregam em consequências dos abusos sofridos. Políticas públicas que cuidem das crianças e dos adolescentes O poder público tem a exigência de se comprometer com políticas públicas que cuidem das crianças e dos adolescentes, providenciando os instrumentos que façam possível a implementação dessas políticas públicas. Junto com isso a denúncia tem que ser assumida como um costume que ajude a erradicar esse crime. A defesa das vítimas tem que ser sempre o caminho a seguir. A falta de cuidado das crianças e dos adolescentes condiciona gravemente a vida social. Uma sociedade que não cuida dos vulneráveis deve se questionar sobre seu comportamento. Um olhar atento para com as vítimas da violência, especialmente quando a curta idade dificulta a autoproteção, tem que ser assumido como atitude presente em cada coletivo social e em cada indivíduo. Desafiados a entrar nesse caminho Quando as pessoas olham para o outro lado, quando ignoramos o sofrimento das vítimas nos tornamos cumplices. O cuidado tem que ser uma atitude comum e constante. Só assim os crimes são resolvidos e superados. Só assim as vítimas recuperam sua vida em plenitude. Daí a importância de espaços como o Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente para entender e assumir que das crianças e adolescentes cuidar juntos é o caminho. Todos nós, eu e você, somos desafiados em cada momento a entrar nesse caminho, a assumir essa luta. A sociedade vai ganhar com isso, mas especialmente as vítimas, as crianças e os adolescentes, vão se sentir protegidos. Que possam contar com a gente é uma necessidade. Ninguém está dispensado desse compromisso de cuidado comum. Será que podem contar comigo? Será que podem contar contigo? Editorial Rádio Rio Mar

Cardeal Steiner: o juiz mostra “o desprezo pela justiça, a injustiça para com os pobres e desvalidos”

No 29º Domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia dizendo que “o Evangelho nos despertar para ‘a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir’. Não se trata de rezar de vez enquanto, quando temos vontade. O convite de Jesus é permanecermos, de estarmos em oração. Em um estado de oração. Um modo de viver ‘de rezar sempre, e nunca desistir’”. A injustiça para com os pobres Em suas palavras, o arcebispo de Manaus disse que “Jesus se refere a um juiz”, recordando que “o livro do Êxodo recomenda que os juízes sejam pessoas tementes a Deus, dignas de fé, imparciais e incorruptíveis (cf. Êx 18,21). Moisés instituiu juízes imparciais e inimigos do suborno, que julgassem segundo a Lei. Assim, as palavras do juiz, diante da pobre viúva, nos espantam”. Segundo o cardeal “aquele que tem a justiça como guia, como orientação de vida afirma: ‘Eu não temo a Deus e não respeito homem algum’. Linguagem que expressa a dureza de coração, a autossuficiência, o desprezo pela justiça, a injustiça para com os pobres e desvalidos, os quase sem ninguém”. O presidente do Regional Norte 1 explicou que “a viúva era, em geral, a mais pobre dos pobres. O juiz no texto usa uma linguagem de quem se julgam acima de todos, intocável e único intérprete da verdade. O Evangelho a nos apresentar uma pessoa que, diante da responsabilidade da justiça colocar-se na distância, na irresponsabilidade da justiça, no desprezo pela viúva, necessitada, desamparada. Sem escrúpulos, sem consideração à Lei, fazia o que queria, é um surdo, um insensível; vive como que a parte da justiça”. Ele citou o texto do Evangelho: “Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: Faz-me justiça contra o meu adversário”. Diante disso, o cardeal Steiner citou as palavras de Papa Francisco em 25 de maio de 2016: “as viúvas, os órfãos e os estrangeiros, eram as pessoas mais frágeis da sociedade. Os direitos assegurados pela Lei podiam ser espezinhados com facilidade, pois eram pessoas sós e indefesas: uma pobre viúva, ali sozinha, ninguém a defendia, podiam ignorá-la, sem lhe fazer justiça. Do mesmo modo também o órfão, o estrangeiro, o migrante: naquela época esta problemática era muito acentuada”. Apenas guiada pela justiça “Ela sem guarida, sem valia, pobre, normalmente perdia até os filhos, uma vez viúva”, enfatizou o cardeal. Segundo ele, “o que nos encanta é a mulher que vive no desamparo, na desvalia, na não escuta, permanecer fiel na busca de receber justiça, ser justiça. A confiança, o destemor, a perseverança, a crença na justiça. Apenas guiada pela justiça permanece dia a dia na sua busca. Injustiçada e lesada em seus direitos, sente-se incapaz de ser ouvida, mas persevera. Sem poder fazer pressão por influências, muito menos dar presentes, sem dar compensação, àquele juiz insensível e descrente, retorna pacientemente, insiste, apresenta-se à presença do juiz. A surdez da justiça foi um confronto de liberdade, busca de encontro de amor e de doação de si mesma. Humilde, perseverante, sem gritos, sem desesperos, continua a apresentar-se ao juiz, guiada pela justiça e necessidade de vida. Como não lhe restava ninguém permaneceu fiel ao desejo de receber o dom da vida na justiça”. Depois de citar o texto do Evangelho: “Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha a agredir-me”, o presidente do Regional Norte 1 destacou que “a perseverança, a ousadia, o comprometimento, desperta o surdo da insensibilidade, se não pela justiça, pela insistência da presença. A perseverança, a insistência, o destemor, foi tal que infundiu temor. O que desperta o homem de sua insensibilidade é o permanecer na busca, de apresentar-se quase cotidianamente, de oferecer as mesmas palavras, a mesma necessidade, sem desfalecer. Havia nela um ânimo e uma disposição que amedrontou o juiz. O apresentar-se na sua viuvez, temperada, fortalecida, acordou o juiz injusto para a justiça, a verdade. A fortaleza, a segurança, a determinação, a constância, fez descer a justiça!” O exercício da justiça é mais que direito De novo partindo do texto bíblico: “Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha a agredir-me”, o cardeal disso que “sentiu-se agredido! Agredido na sua percepção de juiz, no cumprimento do seu dever, na aplicação da Lei, do seu dever de cuidar dos fracos, pequenos, desvalidos, estrangeiros, viúvas e órgãos. A presença da viúva na sua persistência e constância, acorda este homem para o exercício da justiça que é mais que direito”. O arcebispo de Manaus recordou que “Santo Agostinho ensinando a partir da oração nos diz: ‘Será mesmo necessário pedir-te em oração? Ora, quem nos diz: ‘Não useis de vãs repetições’ declara-nos noutro passo: ‘Pedi e recebereis’; e, para que não pensemos que o diz com leveza, acrescenta: ‘Procurai e encontrareis’; e, para que não pensemos que se trata de uma simples maneira de falar, vede como termina: ‘Batei, e vos será aberto’ (Mt 7,7). Ele quer, portanto que, para que possas receber, comeces por pedir, para que possas encontrar, te ponhas a procurar, para que possas entrar, não deixes, enfim, de bater à porta. […] Por que pedir em oração? Por que procurar? Por que bater? Porque cansarmo-nos a pedir, a procurar, a bater, como se estivéssemos a instruir Aquele que tudo sabe já? E lemos inclusive, noutra passagem: ‘Disse-lhes uma parábola sobre a obrigação de orar sempre, sem desfalecer’ (Lc 18,2). […] Pois bem, para esclareceres este mistério, pede em oração, procura e bate à porta! Se Ele cobre com véus este mistério, é porque quer animar-te e levar-te a que procures e encontres tu próprio a explicação. Todos nós, todos, devemos animar-nos a orar’” (Santo Agostinho, Sermão 80). A prece em favor do povo Na primeira leitura, o cardeal Steiner ressaltou que “ouvíamos a prece de Moisés em favor de seu povo, diante da luta desigual, desconfortável, sem possibilidade de vitória. Confiança, determinação, permanência em prece diante de Deus, de abraços estendidos. No…
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Dom Luiz Soares: “Não estão nos dando a possibilidade de pensar”

O Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas acolheu no dia 18 de outubro de 2025 o lançamento da reedição de dois livros que tem a ver com a história da Amazônia e da Igreja na capital amazonense. “Centenário da Igreja de São Sebastião de Manaus 1888-1988”, de autoria de Aristóteles Alencar, e “Já é Tempo de Pensar”, de dom Luiz Soares Vieira, arcebispo emérito de Manaus. Estão nos roubando a interioridade O escrito do arcebispo emérito pode ser visto como foi relatado na apresentação como uma voz harmônica com a realidade social de seu tempo, um instrumento para edificar com o bem, ensinar com o exemplo e com a caridade, para fortalecer a fé dos amazonenses, considerando a palavra de dom Luiz Soares Vieira como uma permanente benção de amor para melhor construirmos o futuro. Em suas palavras, dom Luiz iniciou sua reflexão falando sobre o fenómeno de Maio de 1968 e suas consequências em diversos países. O arcebispo emérito citou Marcuse, que disse “estão nos roubando a interioridade”, um fenômeno que hoje continua presente, inclusive está se incrementando, e que levou dom Luiz a dizer que “não estão nos dando a possibilidade de pensar”. Uma realidade que se manifesta na vida corrida, as muitas informações, a perdida do hábito de leitura, o auge da Inteligência Artificial, que coloca em nossa frente o perigo de sermos dominados pela máquina. Mesmo reconhecendo as ajudas da Inteligência Artificial, ele advertiu sobre o perigo de sermos escravizados e perder a possibilidade de pensar. Não perdermos a interioridade Por sua vez, Aristóteles Alencar destacou a importância da obra como instrumento para preservar a história de Manaus e do Amazonas, relatando diversos fatos históricos que provam essa importância. Muitos desses fatos têm a ver com a caminhada da Igreja católica na capital do Amazonas. O arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, destacou a importância dos livros na vida e na cultura. Segundo ele, os livros sempre vão dizendo o caminhar da humanidade, nos ajudam a permanecermos lúcidos, a não perdermos a interioridade, que nos faz ser quem somos. Ele destacou a necessidade de sermos pessoas mais completas e mais maduras, de ajudar a ler, a pensar. Isso porque não podemos viver das informações, precisamos reaprender a pensar e os livros nos ajudam muito, encerrou o cardeal.

Leão XIV e Lula: os pobres no centro

Segunda-feira, 13 de outubro de 2025, o Papa Leão XIV recebeu em audiência privada Lula, o presidente do Brasil. Podemos dizer que tanto o pontífice como o presidente brasileiro colocam os pobres no centro. Robert Prevost, o agostiniano nascido nos Estados Unidos, escolheu viver como religioso no Peru, no meio dos pobres, e Luiz Inácio Lula da Silva, que experimentou a pobreza em sua infância, assumiu desde seu primeiro mandato a defesa e promoção dos pobres. O amor aos pobres Leão XIV publicou na semana passada sua primeira exortação apostólica, “Dilexi te” (Eu te amei), que pode ser vista como um chamado a viver o Evangelho a partir dos pobres e nos faz a proposta de refletir sobre o amor aos pobres. Na mesma linha, Lula disse depois do encontro com o Santo Padre que “não podemos separar a fé do amor aos pobres”. Durante o encontro o presidente brasileiro manifestou ao Papa a necessidade de “criar um amplo movimento de indignação contra a desigualdade”, fazendo um chamado a ler o documento pontifício e colocá-lo em prática por parte de todos. Nesse sentido, as políticas promovidas pelo governo Lula têm feito com que o Brasil saísse do Mapa da Fome, um grande desafio em um país onde a desigualdade social tem acompanhado a história do país, atingindo especialmente as mulheres, os afrodescendentes, os povos indígenas, os moradores das favelas e do Nordeste e o Norte do país. Transformar estruturas Diante da pobreza somos chamados a superar os preconceitos e a ideia de meritocracia, segundo nos mostra o texto pontifício. Um texto que nos faz entender que somos desafiados como humanidade e como cristãos a transformar as estruturas que geram pobreza, que excluem uma boa parte da humanidade, que é descartada por grupos de poder político e económico. A pobreza é bem mais do que uma ideia, ela tem rosto e nos mostra que o mundo tem perdido a alma na medida em que deixou tomar conta da vida da humanidade a uma economia que mata. Combater a pobreza não é uma ideologia, é uma questão de justiça, é uma atitude necessária naqueles que dizemos ter fé, naqueles que temos o Evangelho como norma de vida. Os cristãos acreditamos em um Deus que não é alheio ao que acontece no mundo, ao sofrimento dos descartados. Os pobres, lugar privilegiado de encontro com Cristo O cristão é obrigado a entender que os pobres são “o lugar privilegiado no encontro com Cristo”. Isso faz com que não possamos ficar indiferentes diante das vítimas da pobreza, mas também é um chamado a assumir a simplicidade evangélica como modo de vida. Uma atitude que nos identifica com Jesus, aquele que quebrou o esquema social estabelecido, que mostrou a compaixão como atitude básica na vida de todos aqueles que acreditam em Deus. Independentemente das motivações que cada um de nós tem o grande desafio é enxergar a presença de Cristo nos pobres e viver o Evangelho não só com palavras, mas também com obras, com atitudes. Isso porque a fé cristã não pode ser separada do amor concreto, da justiça social e da transformação das estruturas que geram miséria e exclusão. Editorial Rádio Rio Mar

Cardeal Steiner aborda contribuições para COP30

O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), concedeu uma entrevista ao Centro para a Comunicação do Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho). O diálogo, publicado ontem (14), abordou a participação e as contribuições da Igreja Católica na 30ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) que acontecerá em novembro de 2025, na cidade de Belém (PA). Ao ser questionado sobre realidade da Amazônia às vésperas da COP 30, o arcebispo aponta que ela exige discussão, reflexão e debate. O avanço do garimpo, mesmo com esforços de combate do governo federal, a mineração, onde o Congresso Nacional busca criar leis para exploração na região, a desflorestação, principalmente no sul do Amazonas, e migração do interior para a cidade, são os grandes desafios que permeiam a dinâmica da região. “O sul do Amazonas hoje já não tem mais a mata amazônica e isso está trazendo cada vez mais dificuldades. Mas também nós vemos devagarinho, nós que moramos nas cidades maiores, que há um peregrinar do interior para a cidade. A cidade de Manaus não cresceu, ela inchou”, declarou Por outro lado, o cardeal destacou que Amazônia carrega beleza, criatividade, poesia e, principalmente, “uma religiosidade muito profunda”. Essas características compõem as inúmeras culturas presentes nos territórios. E, segundo ele, são elas que “nos ajuda, nos anima e nos traz esperança” para enfrentar as questões que “dizem respeito a uma Ecologia Integral”. Caminhar para a fraternidade e o cuidado O entrevistador, Óscar Elizalde Prada, diretor do centro para a Comunicação do Celam destaca que é a primeira vez que uma COP acontece em território amazônico, uma oportunidade que reflexão sobre as realidades da região. E perguntou ao arcebispo quais os apelos manifestados pelos povos, através da escuta, a igreja levará para a conferência. O cardeal explicou que a grande movimentação da igreja em torno da COP30 é pelo “cuidado da nossa casa comum na Amazônia”, ampliando as vozes das comunidades mais vulneráveis.  A criação da comissão “Igreja Rumo à COP30”, composta de bispos e leigos, expressa o compromisso com a justiça climática e a ecologia integral. Além disso, o apoio ao Cimi (Conselho Indigenista Missionário) , a CPT (Comissão Pastoral da Terra) e outros organismos da CNBB. A participação da igreja será através de representantes da Santa Sé e da CNBB. E também, “apoiando os povos indígenas, apoiando diversos grupos que têm realmente preocupação com a questão do meio ambiente”, no Brasil e no mundo. Esse espaço fortalece a presença da igreja nos debates, e influencia na tomada de decisões visto que “nos preocuparmos com a igreja, nos preocuparmos porque cremos e temos esperança, queremos cuidar da nossa casa comum, queremos propor”.  “nós queremos estar sinodalmente presentes. porque queremos caminhar juntos, queremos que a humanidade caminhe, mas caminhe com esperança e caminhe com cuidado, não caminhe para a destruição e a dominação, mas caminhe para a fraternidade, para usar uma expressão de Francisco de Assis”, enfatizou o arcebispo. A Sinodalidade como caminho para um mundo melhor O arcebispo de Manaus recorda que “a sinodalidade é a preciosidade que Papa Francisco nos devolveu”, já que possibilita “caminhar juntos na casa comum”. Esse horizonte, permite que se construam processos de escuta mútua, fundamentais para reverter a organização social atual onde “os estados não se escutam em relação à ecologia integral”. Ele acrescenta que isto inclui também ‘escutar o grito da Terra’, como pedia Francisco. “Esses gritos, esses movimentos que existem na terra, existem entre a sociedade ou as sociedades, precisam ser ouvidos”, sublinhou. Além disso, depois do processo de escuta, a sinodalidade favorece a busca de soluções conjuntas. Ou seja, construir propostas que ajudem no cuidado da casa comum, da terra e diminuam a destruição tanto na Amazônia, como em outras regiões do mundo. A expectativa do cardeal Steiner é de que o caminho sinodal permita que as proposições assumidas na COP 21, descritas no acordo de Paris, sejam executadas. “Talvez a grande dificuldade será realmente nos ouvirmos e nos escutarmos, porque tenho a impressão que tem alguns que não desejam participar da escuta, mas impor determinadas compreensões que acabam destruindo ainda mais a nossa Terra”, explicou o cardeal. Laudato Si’ é a grande herança de Francisco Papa Francisco insistiu na necessidade de conversão dos modos vida adotados pela sociedade para ajudar a cuidar da Casa Comum, não apenas para igreja, mas para o mundo. Nessa perspectiva, o caminho trilhado pela igreja nos últimos anos é fortalecido pela publicação da encíclica Laudato Si’. O cardeal comentou a importância do documento para a COP 21.  “A COP de Paris chegou às conclusões que chegou, eu creio que se deve muito ao texto de Papa Francisco. Eu estive lá participando da delegação da Santa Sé e testemunho isso da importância que teve Laudato Si’”, explicou o cardeal. Além disso, o arcebispo insiste que o documento “ainda não chegou em todas as comunidades”. Ele oferece uma nova dinâmica para as relações, “de cultivo e de cuidado, baseado numa hermenêutica do Gênesis” ainda ausente na coletividade. O cardeal explica que essa compreensão precisa se proliferar e todos os âmbitos, mas a relação ainda é “muito comercial. A relação ainda é muito financeira, a relação ainda é muito econômica”. Novas relações sem ganância O arcebispo reforçou a necessidade de novas relações com o ambiente porque a “Terra não suportará no futuro toda essa devastação”. Essa afirmação parte da insistência de cientistas nos efeitos da devastação, mesmo com “elementos muito concretos” apresentados, existe uma “teimosia” em assumir “caminhos possíveis de preservação” e cuidado. Ele vê essa dificuldade em “abrirmos os olhos” para a realidade do planeta está relacionado “à ganância que existe” em relação ao território amazônico e recordou a fala de Francisco na África ‘tirem as mãos da África’.  “Eu às vezes tenho vontade de repetir, até numa ocasião já repeti, tirem as mãos da Amazônia. Tirem as mãos da Amazônia. Quer dizer, esse modo ganancioso, dominador, destruidor, que fere…
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Cardeal Steiner: “Jesus é o vinho novo na celebração das Bodas entre Deus e a humanidade”

“Celebramos neste domingo, na Igreja no Brasil, a Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil”, disse o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, no início de sua homilia. Segundo ele, “o Evangelho nos ensinava que Jesus iniciou a sua presença de salvação com um sinal. As Bodas de Caná na Galileia foi o primeiro sinal de Jesus realizado, indicando o encontro entre Deus e a nossa humanidade. Os sinais sinalizam, indicam realidades que no dia a dia não percebemos. Sinais despertam para a razão, verdades e grandezas desapercebidas e, no entanto, nos deixam participar da festa, do encontro”. Maria percebe a dificuldade O primeiro sinal, recordou o cardeal, “expressa a celebração do amor de dois recém-casados que se encontram em dificuldade no dia mais importante da vida. No meio da festa falta um elemento essencial, o vinho, e a alegria corre o risco de desaparecer entre os convivas. Maria, a Mãe de Jesus, percebeu a dificuldade e diz a Jesus: ‘Eles não têm mais vinho’. As palavras e o gesto de Nossa Senhora é o sinal da participação e do cuidado dela para com a festa de casamento. Nas palavras de Jesus, Nossa Senhora diz aos serventes: ‘Fazei tudo o que ele vos disser!’” Segundo o cardeal, “o mandato, o mandamento, da transformação, a mudança, a alegre continuidade das bodas, pede serviço, trabalho: encher as talhas com águas. O servir é que transforma o encontro das núpcias em sabor, em degustação da preciosidade do amor. As talhas que guardavam a água para a purificação estavam vazias. Jesus pede que sejam enchidas e transforma a água das talhas em vinho. A festa de casamento, sinal da comunidade humana que não tem mais vinho e, por isso, perdeu a alegria de viver, indicando que a humanidade perdeu a esperança”. “Na transformação da água em vinho vemos que Jesus é o vinho novo na celebração das Bodas entre Deus e a humanidade”, sublinhou o arcebispo de Manaus. Isso porque “Ele é o vinho novo da celebração do amor que concede a alegria do encontro e a esperança do caminho. Sinal de que a purificação exterior, não possibilita a alegria, não devolve a esperança. A Mãe de Jesus percebeu que havia necessidade de um vinho novo, um vinho melhor para experimentar a alegria de conviver, experimentar a esperança. O ‘Fazei o que ele vos disser’, acende a esperança, possibilita a alegria de quem vislumbra a beleza e a ternura da celebração do amor”. Falta-lhes o essencial “Irmãs e irmãos encanta o milagre do Evangelho de hoje!”, disse o cardeal. Segundo ele, “a delicadeza da percepção de Maria, o cuidado de Jesus em encher novamente de água as talhas da purificação, o trabalho generoso dos servos, o servir a água transformada em vinho. Toda narrativa Joanea indicando a transformação da nossa vida, da existência humana. Nossa Senhora participando das núpcias, dos encontros de amor, de nossas vidas, percebendo a falta, a penúria, a necessidade, a quase mendicância da nossa vida, atenta à nossa pobreza, fraqueza, dizendo: ‘Eles não têm mais vinho!’ Como que dizendo: falta-lhes o essencial, falta-lhes o vital, o mais importante, falta o que dê sentido ao encontro, falta o vinho… sem o essencial, sem o vital, não acontece mais a festa, vem a morte, desaparece o encanto de viver, a força de viver. E ela, então, nos repete hoje a palavra: ‘Fazei tudo o que ele voz disser!’” “E nós aceitamos o convite de encher as talhas da purificação. As talhas, a nossa vida, tanta capacidade, com tanto de possibilidade de purificação, de transformação na medida em que caminhamos entre a nossa casa, o nosso coração, e a fonte, Deus fonte de nossas vidas. E depois de pensarmos que fizemos tudo o que deveríamos fazer, talhas cheias, repletas da generosidade de nossa pobreza, transbordantes das possibilidades das nossas deficiências, somos, mais uma vez convidados: ‘Agora tirai e levai ao mestre-sala’. Depois de termos feito tudo o que poderíamos fazer vem o convite da transformação: servir! No servir às necessidades dos que desejam celebrar a bodas da vida que somos purificados, transformados, plenificados”, afirmou o cardeal Steiner. Isso porque “o Evangelho na Bodas de Caná nos revela o amor transformativo de Deus; o amor próximo, terno e compassivo, consolador!”, recordou. A vida do seu povo Na primeira leitura, ele destacou que “Rainha Ester vê as necessidades do povo e vai em socorro. Se apresenta ao rei correndo o risco de morte e implora: ‘A vida do meu povo, eis o meu desejo’! Não pensou em si mesma, mas na vida de seu povo. O rei acolheu o pedido de Ester e salvou o povo. O sinal de Ester é o sinal dos pequenos, dos humilhados, que não temem o poder frente a liberdade do conviver. Ester pôs toda a sua vida a serviço da vida do seu povo. Tornou-se sinal de beleza, de inteligência, da esperança, da libertação do povo”. Na segunda leitura, o arcebispo referiu-se a outro sinal: “apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”. Segundo ele, “uma mulher e um dragão, a fragilidade e a pequenez da mulher, que acabara de dar à luz e a força e a violência do dragão, que destrói e persegue. O Apocalipse a indicar a realidade de conflito e perseguição que as primeiras comunidades cristãs da Ásia Menor estavam sofrendo. Os cristãos eram perseguidos, aniquilados, destruídos pelo Império Romano. O dragão é o símbolo desse mal, da força destruidora. A mulher vestida de sol é o sinal de que o mal é vencido. O sinal, Deus gerado menino, não pode ser dominado pelo mal. A Mulher, força das pequenas comunidades, vence a tentação do medo e confia que Deus veio para permanecer junto ao seu povo”. Aparecida, a Mãe atenta O cardeal Steiner relatou que “em 1717,…
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Jubileu do Povos Originários: Cardeal Steiner convida a converter as relações

Na manhã deste domingo (5), o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, participou do Jubileu dos Povos Originários. O evento reuniu lideranças e entidades indígenas no Parque do Mindú, espaço simbólico de biodiversidade e ancestralidade. O objetivo era celebrar a resistência, a cultura e a espiritualidade dos povos em comunhão com o Jubileu da Esperança. Ao saudar os presentes, o cardeal ressaltou que “estamos aqui reunidos na busca de celebrarmos ou participarmos do ano santo da redenção, o ano da esperança”. Por isso, ele recorda a quantidade de “elementos importantes da nossa vida” e “elementos culturais” que foram apresentados. Mas destaca, especialmente, o elemento “das nossas relações mais próximas” como fundamento do júbilo. “Nós que vivemos da Terra, com a Terra, que participamos da vida da Terra. E ao celebrarmos o Jubileu, nós estamos lembrando que Jesus nos redimiu, Jesus nos salvou”, disse o arcebispo. Recordar a dignidade de todas as criaturas Essa perspectiva da salvação é apresentada no Evangelho de São Marcos, onde Jesus “envia os apóstolos e diz: anunciar isso a todas as criaturas”. Dessa maneira, o cardeal explica que “todas as criaturas participam da Salvação, todas as criaturas participam da Redenção, nenhuma criatura ficou de fora”. Por causa disso, a forma de relacionamento dos povos indígenas com a natureza expressa a dignidade de toda a Criação. “Quando nós temos, como povos indígenas, uma relação toda especial com o Meio Ambiente, com todas as criaturas, nós estamos recordando a dignidade de cada criatura, que cada criatura tem, porque participa da vida de Jesus, participa da vida de Jesus que ressuscitou por nós, participa da vida nova”, disse o arcebispo. Converter as relações Cardeal Steiner pediu aos povos indígenas que “nós ajudem a serem esse sinal de esperança”, já que, ao participar do ano santo, “nós somos guiados pela esperança” de que “haja uma outra relação com o Meio Ambiente”. E essa esperança recai sobre a necessidade de que “o nosso mundo se converta, a esperança de que a sociedade branca se converta”. E assim, “nós possamos realmente nos relacionar com as criaturas, não para dominar e destruir, para ganhar dinheiro, mas podermos viver juntos na Casa Comum”. O arcebispo de Manaus trouxe à memória o empenho que a Igreja no Brasil assume em torno da temática ambiental. Essa importância se destaca em muitas atividades realizadas, mas especialmente nas Campanhas da Fraternidade. Mas mesmo com esse esforço, segundo o cardeal, “parece que a sociedade está surda. Parece que os corações estão fechados e não percebem como todas as criaturas, são importantes para podermos viver, conviver”. Assim, cardeal Steiner reforça que celebrar o ano santo é dizer “ainda estamos buscando a salvação”. E mesmo com a destruição do meio ambiente existente, permanece a palavra que diz “não, ainda existe salvação” porque “nós acreditamos na necessidade de uma conversão”.  Ao final, motivou os participantes para que a celebração vivida seja um ânimo e possam permanecer como presença de esperança, de salvação e de harmonia. “Nós vivemos como irmãos e irmãs, nós usamos uma expressão tão bonita e significativa dizendo, somos parentes. Que nós todos possamos nos sentir parentes, irmãos e irmãs, mas também, como dizia São Francisco de Assis, irmão e irmã de todas as criaturas. Que Deus nos ajude e que vocês nos ajudem a sermos cada vez mais motivo de esperança, motivo de transformação e não de destruição”, finalizou o cardeal.

Cardeal Steiner: “Jesus nos pede que percorramos, com coragem e empenho, o caminho da fé”

No vigésimo sétimo domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando que “aumenta a fé é a súplica dos discípulos a Jesus. O pedido, a súplica, que nasce depois de ouvirem a parábola do pobre Lázaro que nos foi proclamado no domingo passado e depois de ouvirem o ensinamento do perdão”, citando o texto do Evangelho: “Se pecar contra ti sete vezes num só dia, e sete vezes vier a ti dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe”. Os apóstolos pedem a graça da fé Ele sublinhou que “diante das revelações de Jesus que não cabem na compreensão dos apóstolos, eles pedem a graça da fé. A fé que permite ultrapassar o que é incompreensível, impensável; uma fé que acolhe e oferece horizonte extraordinariamente sem limites. Diante da dificuldade em acolher os ensinamentos de Jesus os discípulos são despertados para a necessidade de uma fé mais robusta, mais aberta, que leva à liberdade diante das contradições e cruzes da vida. A fé que supera a adesão a dogmas ou a um conjunto de verdades abstratas sobre Deus. Fé que é fé, é adesão a Jesus, à sua proposta de vida, à vida do ‘Reino’”. O arcebispo recordou que Santo Ambrósio, nos diz Comentário sobre o Evangelho de Lucas VII, 176-180: “Lembro-me de outra passagem que evoca o grão de mostarda, e onde ele é comparado com a fé; diz o Senhor: «Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: “Muda-te daqui para acolá”, e ele há-de mudar-se» (Mt 17,19). […] Se, portanto, o Reino dos Céus é como um grão de mostarda e a fé também é como um grão de mostarda, a fé é seguramente o Reino dos Céus e o Reino dos Céus é a fé. Ter fé é ter o Reino dos Céus. […] Foi por isso que Pedro, que tinha fé, recebeu as chaves do Reino dos Céus: para poder abri-lo aos outros (Mt 16,19). Apreciemos agora o alcance da comparação. Este grão é certamente uma coisa comum e simples; mas, se o trituramos, faz irradiar a sua força. Do mesmo modo, à primeira vista, a fé é simples; mas, tocada pela adversidade, faz irradiar a sua força”. Adesão a Jesus Segundo o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos de Brasil: “a adesão a Jesus e ao seu modo de viver, ao seu Reino, é um caminho incômodo, às vezes difícil, pois é um caminho na fragilidade, nas incertezas, na nossa finitude. Um estar a caminho que devagar vai abrindo horizontes, iluminando as incompreensões, os não saberes, possibilitando novas relações e uma percepção sempre mais profunda e real da vida com Deus”. “Nesse caminhar na fé existe um exercício de abandono. Um abandonar-se na fé, abandonar que é próprio da fé ‘é a máxima ousadia do homem’!”, disse citando Karl Rahner. Isso porque “uma partícula ínfima do cosmos se atreve a relacionar-se com a ‘totalidade incompreensível e fundante do universo” e, além disso, o faz confiando absolutamente com seu poder e em seu amor. Perceber a audácia inaudita que implicada atrever-nos a confiar no mistério de Deus’”, disse seguindo José Antônio Pagola, no “Caminho aberto por Jesus, S. Lucas”. Confiar incondicionalmente no Mistério Em palavras do arcebispo de Manaus, “a mensagem central e original de Jesus consiste precisamente em convidar a cada um de nós a confiar incondicionalmente no Mistério insondável que está na origem de tudo. A confiança que ressoa no anúncio: Não tenhas medo, confiai em Deus, chamai-o de Abbá, pai querido, papai. Ele cuida de vós, até os cabelos de vossa cabeça estão contados. Tende fé em Deus. Não vos preocupes.” Ele recordou o texto de Lucas 12,22-28: “Não fiqueis preocupados quanto a vossa vida, pelo que haveis de comer, nem, quanto aos vosso corpo, pelo que haveis de vestir. A vida vale mais quem o alimento, e o corpo mais que o vestuário. Observai os pássaros não semeiam, nem colhem, não tem dispensa, nem celeiro, e Deus os alimenta. Vós valeis mais que os pássaros do céu. Observai os lírios do campo, como crescem. Não trabalham, nem fiam, no entanto, eu vos digo que nem Salomão em toda a sua glória, jamais se vestiu como um só dentre eles. Ora se Deus veste assim a erva do campo que hoje está aí e amanhã é lançada ao forno, quanto mais a vós fracos na fé.” O cardeal prosseguiu: “Sim, a fé como confiança, como experimentar o cuidado de Deus para conosco”. O arcebispo referiu-se “à confiança proclamada pelo profeta na primeira leitura. Uma confiança que se torna em determinadas situações um clamor, um confronto: Senhor, até quando clamarei, sem me atenderdes, sem me socorres? Destruição e prepotência estão à minha frente; reina a discussão, surge a discórdia”. Ele considera que “as palavras tão atuais, ressoam os nossos dias, a nossas aflições, e e desilusões. E, no entanto, Habacuc a nos despertar para uma confiança: ‘se demorar, espera, pois ela virá com certeza, e não tardará. (…) o justo viverá por sua fé’ (Hab 1,3; 2,3-4)”. Igualmente, ele recordou as palavras de Paulo a Timóteo que nos ilumina ao ensinar: “Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e sobriedade. Não te envergonhes do testemunho de Nosso Senhor, nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus. Usa um compêndio de palavras sadias que de mim ouviste em matéria de fé e de amor em Cristo Jesus. Guarda o precioso depósito, com a ajuda do Espírito Santo que habita em nós” (2Tm 1,6;8.13-14). É a fé que tem a nós “O Espírito Santo que nos concede o dom da fé, nos concede a gentileza que percebermos que na dinâmica da fé nós não temos fé, é a fé que tem a nós. Mesmo a possibilidade, a disposição de nos abrimos à fé, é doação da fé. A fé é simples: una, inteiriça, coerente. Simples não quer dizer nem…
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