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Autor: Emmanuel Grieco

Bispos do Regional Norte 1 conclamam os fiéis brasileiros para voto consciente nas eleições de 2026

Os bispos do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), Amazonas e Roraima, conclamam os fiéis e todas os brasileiros de boa vontade para voto consciente nas eleições de 2026. Essa atitude é o cumprimento do papel educativo da Igreja Católica na contribuição para a formação da consciência cidadã. A transformação que desejamos começa com as escolhas que fazemos no agora. O Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo é o caminho pelo qual nossas escolhas devem ser tomadas. Para a promoção da verdade, o Evangelho quer que assumamos o cuidado aos mais vulnerabilizados e empobrecidos, a construção da paz, da justiça, do perdão e da reconciliação, a defesa e promoção dos pequeninos, e o cuidado com a Casa Comum. Dignidade Humana O cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus e presidente do Regional Norte 1, nos recorda que na “Carta encíclica Laudato Sí, publicada em 2015, Papa Francisco defende que o cuidado com o meio ambiente é inseparável da justiça social, da dignidade humana e da vida em sociedade. A ecologia integral demonstra que tudo está interligado na Casa Comum: a crise ambiental não está isolada; ela se conecta diretamente à economia, à cultura, aos estilos de vida e à forma como tratamos os seres”. E por isso, o arcebispo afirma que “a ecologia não está associada somente a derrubada de florestas, a extinção de animais e a poluição do ar, mas também às múltiplas consequências do modelo econômico que levou o planeta ao estado atual de degradação social e ambiental”. Analisar a verdade É necessário que não nos deixemos seduzir pela indisposição a analisar a verdade a partir das evidências. A crise climática em Manaus, por exemplo, com a recorrência de secas históricas, a fumaça de queimadas e incêndios florestais que alteram o cotidiano das cidades, e também de nossas populações tradicionais e indígenas. E não esqueçamos da degradação de nossos igarapés, transformados em esgotos a céu aberto e ausência de uma coleta seletiva que incentive a destinação correta dos materiais recicláveis. Considerar a realidade brasileira e regional em conjunto com as propostas oferecidas por cada candidato são instrumentos para a escolha consciente.  Nossa escolha por mulheres e homens, que estejam dispostos a cuidar do bem comum do meio ambiente no Executivo e no Legislativo, do Estado brasileiro e nos estados da federação é fundamental, especialmente para nós que habitamos a Amazônia. Eleger para o legislativo e o executivo mulheres e homens dispostos a eliminar as causas estruturais das disfunções da economia mundial e corrigir os modelos de crescimento para garantir o respeito do meio ambiente. As eleições são expressão da democracia e a reafirmam. Democracia que se manifesta através do voto de cada cidadão, de cada cidadã. Ela expressa pela participação a responsabilidade pelo cuidado para com o Brasil e o estado do Amazonas. Eleger pessoas, mulheres e homens, que governem olhando para o bem de toda a sociedade, de todas as comunidades. Nesse sentido: As eleições sejam uma celebração de cidadania para o bem de todos!

Cardeal Steiner: convidados a buscar Deus que nos busca e deseja nos encontrar

No 25º Domingo do Tempo Comum o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus refletiu que na primeira leitura (Is 55,6-9) somos convidados a buscar a Deus. Já no Evangelho (Mt 20,1-16), é Deus que nos busca e deseja encontrar. Segundo o cardeal, Deus “se aproxima de modo compassivo”, pois diferente da nossa compreensão, o modo de Deus é “dar a todos o mesmo”. A afirmação: “Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti” confirma esse horizonte. Deus não desiste de nos buscar e oferecer “a todos o mesmo: tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence”. “Deus chama a todos para participar do seu Reino; oferece a todos a mesma retribuição: participação de sua bondade, de seu amor. Deus está continuamente saindo, está em busca. Incansavelmente busca a cada pessoa para participar do seu Reino. Que ninguém fique fora de seu amor materno-paterno”, afirmou o cardeal. Reino O arcebispo enfatizou que o Reino dos Céus é feito de serviço, participação e pertencimento. Esse Reino inaugura um novo modo de viver, de conviver, uma antecipação da vida em plenitude. Retomando as palavras do Evangelho, destacou que o vinhateiro “saiu de madrugada, às nove, ao meio-dia, às três da tarde, às cinco da tarde” para chamar todos para o serviço no Reino. Um chamado que revela um Deus sempre em saída e que nos procura a todo momento sem descanso para que “ninguém seja excluído do seu desígnio de amor (cf. Papa Francisco, Angelus, 20/09/2020). “A insistência da parábola em dizer madrugada, às nove, às doze, às quinze e às cinco, quando o sol já está poente, nos faz perceber o quanto somos buscados por Deus. O dia todo, o dia inteiro sai ao encontro de pessoas e oferece o dom, a graça, a benevolência de uma vida cheia razões e realizações: a vida do Reino. A prata oferecida, é a preciosidade da vida que recebe quem aceita o convite, aceita participar, ser receptivo à graça de sua benevolência. Deus que nos busca e nos chama”, ressaltou o cardeal. Em suma, Deus deseja a participação de todos no Reino. Por isso, o cardeal sublinhou que “Jesus não fala do trabalho nem do salário justo, mas da vida do Reino de Deus e da bondade do Pai celeste que continuamente sai para convidar a participar do serviço do Reino de Deus”, oferecendo tudo a todos. Deus revela sua abundância sem olhar “para o tempo, os resultados, mas para a disponibilidade, olha para a generosidade com a qual nos colocamos ao seu serviço”. É desse modo que sua ação “vai além da justiça e manifesta-se na graça“. “Tudo é graça. A nossa salvação é graça. A nossa santidade é graça. Ao conceder-nos a graça, Ele nos dá mais do que merecemos.  E assim, quem raciocina com lógica humana, isto é, a de mérito adquirido com a própria habilidade, de primeiro torna-se último. […] O convite para servir no Reino de Deus é para todos: não há excluídos, indignos, descartados, pecadores ou justos, bons e maus. Para Deus há filhas, filhos a quem ele ama, a quem oferece a salvação e a quem convida para trabalhar na sua vinha. A única coisa realmente decisiva é que aceitemos participar do mistério do seu amor”, afirmou o arcebispo. Oferecer a Palavra Além disso, a segunda leitura “nos oferece com extraordinária beleza aceitar servir na vinha do Senhor”. Quando escreve a carta aos Filipenses, Paulo está preso esperando o julgamento e não sabe se sairá da prisão vivo ou morto. Contudo, o “que é importa para ele é o que dá sentido ao seu viver ou morrer: Cristo”. O pagamento de Paulo é participar na vida de Cristo e do seu reino onde todos estão a servir. Com a morte e ressurreição de Jesus todos tempos a salvação concedida na gratuidade, sem merecimento. O arcebispo retomou as palavras de Papa Francisco no Angelus de 20/09/2020 que nos diz: As nossas comunidades são chamadas a sair para oferecer a todos a palavra de salvação que Jesus veio trazer. É uma questão de abertura a horizontes de vida que ofereçam esperança àqueles que estão estacionados nas periferias existenciais e ainda não experimentaram, ou perderam, a força e a luz do encontro com Cristo. A Igreja deve ser como Deus: sempre em saída; e quando a Igreja não está em saída, adoece com os tantos males que temos na Igreja. E por que há estas doenças na Igreja? Porque não está em saída. É verdade que quando saímos há o perigo de um acidente. Mas é melhor uma Igreja acidentada, por sair, por anunciar o Evangelho, do que uma Igreja que está doente por fechamento. Deus sai sempre, porque é Pai, porque ama. A Igreja deve fazer o mesmo: sempre em saída. “Na graça do reino vive-se da bondade de Deus. Ali não existe comparação de paga, de pagamento; ali tudo é apenas graça de participação, serviço de bondade e redenção; “Os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos” (Mt 20,1-16). Ali, somos um reino eterno e universal”, finalizou o cardeal. Oração Senhor que não cessas de nos chamar para o serviço no vosso Reino, abre os nossos ouvidos para escutar o vosso insistente convite. Com o apóstolo Paulo confessamos que sois nossa vida, a nossa alegria e a nossa vida eterna. Vosso Espírito nos guie na vida nova do Reino e a nossa vida seja um convite para viver e servir e amar. Grande é o Senhor e digno de louvor, insondável em sua grandeza. O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade. O Senhor é bom para com todos e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas. O Senhor e justo em todos os seus caminhos e perfeito em todas as suas obras. O Senhor está perto de quantos o invocam, de quantos o invocam em verdade. Louvemos e bendigamos o Senhor de toda a bondade, todos os dias. Amém.

53º Assembleia Regional Norte 1: uma caminhada construída pela esperança

O segundo dia (15) da 53ª Assembleia Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) reconheceu a dinâmica de esperança da caminhada sinodal que brota de cada uma de nossas Igrejas Locais. A comunhão, a participação e a missão reforçam a necessidade de promover os sinais da esperança que não decepciona diante dos desafios do tempo presente. Pela manhã, a análise de conjuntura destacou uma normalização da violência cotidiana e a dominância do pensamento individualista, pautado na competitividade e não na vida comunitária. Para o Professor Marcelo Seráfico, vivemos um tempo de perplexidade e desorientação. Nas formas de avaliação de indicadores sociais prevalece a perspectiva numérica, e não uma avaliação da qualidade de vida das pessoas. No horizonte eclesial, Dom Joaquim Hudson Ribeiro, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, destacou que vivemos uma transformação no cenário religioso onde cada menos as pessoas se identificam com uma pertença institucional religiosa. Não é um desaparecimento da religião, mas uma nova opção de vivenciar a fé, marcada pelo individualismo. Essa compreensão desvela a comunidade como um desafio, mas também como caminho para superação desse cenário. Opções pastorais Esse contexto deve conduzir nossas opções pastorais por uma Evangelização que alcance as periferias existenciais. Por isso, é preciso reforçar os aspectos comunitários e de comunhão e assim garantirmos um caminho que olha para as nossas partilhas pastorais, mas também para toda a realidade na qual estamos inseridos. É conforme a vontade do Espírito, que assumiremos as posturas sinodais que mexem com as estruturas. Durante a tarde, a Arquidiocese, as Dioceses e Prelazias partilharam suas principais ações evangelizadoras. Caminhos percorridos desde o Encontro dos Bispos em Santarém (1972), pautados pela encarnação e pela libertação, que nos ajudaram solidificar o caminho missionário em todo nosso regional. Os testemunhos de ampliação das experiências dos processos participativos. No processo formativo e de construção de vínculos comunitários, as Igrejas destacaram a importância dos subsídios produzidos para todos do Regional. Como a Novena de natal, os círculos bíblicos para o mês da bíblia e Campanhas da Fraternidade. Além disso, o destacaram a presença da vida religiosa como fundamental para evangelização na Amazônia. Assembleias regionais: caminho de sinodalidade A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é uma conferência episcopal com estatuto e regimento que regulamentam suas atividades, como a Assembleia Anual.  Os bispos são membros natos, mas a assembleia apresenta algumas participações ou presenças. Com a extensão territorial do Brasil, a CNBB se divide em 19 regionais. Os bispos dos regionais formam os Conselhos Episcopais Regionais. Os conselhos regionais seguem a mesma dinâmica de Estatuto e Regimento Nacional. A partir disso, podemos compreender que as Assembleia dos Regionais da CNBB são Assembleias dos Conselhos Episcopais Regionais, portanto, a Assembleia dos Bispos do Regional. Nessas assembleias, os bispos se encontram, para as deliberações que são próprias do episcopado, segundo o estatuto da conferência para aquele regional, sempre relacionado com a conferência nacional. Nos nossos regionais do norte, essas assembleias contam com a participações com outras presenças, dos cristãos leigos e leigas, das religiosas. O nosso Regional Norte 1 é profundamente marcado e atento a essa dinâmica. Participação Nas Assembleias do Norte 1, respeitamos a questão estatutária e regimental. Elas mantêm-se como Assembleias do Episcopado, mas salvaguardamos a nossa caminhada sinodal que envolve a participação de outros sujeitos. Isto é, são um encontro episcopal do episcopado do regional, mas também é um momento em que as igrejas se reúnem. Segundo o regimento, somente os bispos podem votar nas questões específicas de competência do episcopado. No entanto, nosso regimento acolhe as iniciativas e articulações pastorais que não são assuntos reservados de competência exclusiva do episcopado. Então, os bispos, os cristãos leigos e leigas, presbíteros e diáconos, a vida religiosa, são presenças nessa Assembleia com o direito de participação e com o direito de voto, naquilo que diz respeito à caminhada pastoral. “Aquilo que a competência específica do Episcopado, as decisões são tomadas no que nós chamamos de reuniões reservadas, de modo que quando a gente faz esse encontro regional em setembro, nós temos tanto esse momento do Episcopado, do Conselho Episcopal Norte I, o Conselho Episcopal Regional, como também da vitalidade das igrejas locais”, explicou Dom Zenildo Lima. No caminho encontrado pelo nosso regional, salvaguardamos as duas dinâmicas, respeitamos a questão regimental e estatutária, reservamos aquilo que é específico de deliberação do episcopado para o episcopado e compartilhamos as experiências pastorais nesse caminho de sinodalidade.

Sinodalidade marca início da 53º Assembleia Regional Norte 1

A caminhada na Sinodalidade do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) ganha novo impulso com o início da 53ª Assembleia Regional. Os 97 integrantes de nossas Igrejas Locais estão reunidos no Centro de Formação Maromba, em Manaus. No período de 14 a 17 de setembro serão definidas as diretrizes regionais para a ação evangelizadora.  Durante a missa de abertura da assembleia, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, recordou que a cruz é para nós um sinal de esperança. Mesmo com nossos limites e fraquezas, somos convidados a olhar para o crucificado-ressuscitado e sermos sinais da presença amorosa de Deus. Assim, continuaremos a construção de nossas diretrizes a partir da esperança, da libertação e da salvação. Igreja dinâmica Na continuidade da programação do primeiro dia, o cardeal Leonardo Steiner, presidente do Regional Norte 1, apresentou a pauta da Assembleia. Com a aprovação, Dom José Altevir, secretário do regional e Ir. Rose Bertoldo, secretária executiva, trouxeram o relatório das atividades da presidência nos quatro anos de atuação de uma Igreja eminentemente dinâmica. O documento representa um apanhado das atividades de impacto para todo o Regional. Para complementação do material apresentado, Dom Zenildo Lima da Silva, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, destacou dois elementos: a grande presença da vida religiosa, especialmente feminina, atuante em todo o território de nosso regional e relevância das assembleias de cada uma de nossas 9 Igrejas Locais que constroem seus planos pastorais de acordo com a indicações regionais, o que ajuda a moldar a Igreja com rosto amazônico. Dom Joaquim Hudson, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, enfatizou a incluir o percurso de “fazer memória” adotado pelo regional. Esse horizonte inclui trazer os nomes e histórias daqueles e daquelas que ajudaram a construir grande parte de história, como exemplo, o retorno à Santarém. Dom José Altevir reforçou essas iniciativas indicando que cada diocese e prelazia deve anexar esse Relatório em seus Livros Tombos e construir um histórico de todo o caminho percorrido. Comunhão Sinodal Outro ponto de vista levantado, para acréscimo no relatório, foi a importância da dinâmica regional oferecida pelo Seminário Arquidiocesano São José. Dom Evaristo Spengler, bispo da Diocese de Roraima, enfatizou que acolhida dos seminaristas de todas as Igrejas Locais garante uma formação de qualidade ao alcance de todas as Dioceses e Prelazias. Esse modelo eclesial do Regional e a comunhão entre os bispos gera muita proximidade e facilita a comunhão sinodal. De acordo com o bispo da Diocese de Parintins, Dom José Albuquerque, é fundamental apontar a maneira como os serviços, ministérios e vocações são muito valorizadas no Regional, correspondendo às Diretrizes. Ele também destacou o esforço do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) que tem se articulado nas Igrejas Locais, priorizando a formação em missão de comunhão. Essa característica de atuação dos cristãos leigos e leigas é muito significativa em nosso Regional, principalmente a atuação das mulheres. O Coordenador Conselho do Laicato, Francisco Meireles, ressaltou as mobilizações do Grito dos Excluídos e excluídas e os cursos de Fé e Política que estão acontecendo nas Igrejas Locais como fortalecimento dessa mobilização do laicato. A Ir. Sofía Quintáns Bouzada, chanceler da Diocese de Roraima, reforçou a contaste renovação do cuidado da vida como sinal de profecia que permeia as ações e intuições do Regional Norte 1. E por fim, o cardeal Steiner recordou as iniciativas do ponto vista educacional. Como o Mestrado em Direito Canônico – Região Amazônica, promovido pela Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo. O curso é uma oportunidade de formação aos estudantes para atuar em tribunais e câmaras eclesiásticas, cúrias, chancelarias e demais serviços canônicos das dioceses e prelazias da região e contribuírem para o processo de Evangelização no Regional. Além do Programa de Pós-Graduação em Teologia, fundamental para o avanço do conhecimento teológico na região

“Vida em Primeiro Lugar!”, Arquidiocese de Manaus realiza 32ª Edição do Grito Excluídos

No dia em que o Brasil celebra sua Independência a Igreja Católica no Brasil e representantes de movimentos, grupos, entidades, sindicatos e a sociedade civil se reuniram para 32ª Edição do Grito Excluídos e Excluídas. As mobilizações reforçam o tema permanente: “Vida em Primeiro Lugar!”. E o lema da trigésima segunda edição foi “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”. Na capital amazonense, a Arquidiocese de Manaus, por meio das suas Pastorais Sociais e Cáritas Arquidiocesana, propôs uma dinâmica de mobilização diferente das edições anteriores. As atividades aconteceram no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), das 8h às 17h. Uma experiência singular, já que muitos participantes relataram não conhecer o espaço onde são desenvolvidas pesquisas, conhecimentos e tecnologias que ajudam na tomada de decisões, e apresenta alternativas para o desenvolvimento da Amazônia. Durante a coletiva de Imprensa realizada pela manhã, Pe. Alcimar Araújo, assessor eclesiástico das pastorais sociais, destacou que o grito é uma das poucas manifestações populares que se mantém viva em Manaus. E enfatizou que embora seja organizado pela Igreja em Manaus, agrega diversos outros movimentos populares. A coordenadora das pastorais sociais da Arquidiocese de Manaus, Guadalupe Peres, destacou a presença das mulheres que impulsionam o trabalho pastoral e demonstrou preocupação com o aumento dos casos de feminicídio no Brasil e no estado do Amazonas. Além disso, a coordenadora também denunciou a precariedade do sistema de saúde do estado, uma situação que perdura há anos, mesmo com a mudança dos governantes. Programação A programação contou com uma Feira da Economia Popular com estandes regionais, artesanato, comidas e produtos da economia popular. Os movimentos, pastorais, coletivos e organizações envolvidos puderam expor suas ações e experiências. Além disso, tendas temáticas ofereceram aos participantes espaços de diálogo, reflexão e mobilização sobre temas como: Moradia e direito à cidade; Mulheres e seus direitos; Meio ambiente e defesa da Casa Comum; Lutadores e lutadoras do povo.  Pela tarde, aconteceram apresentações artísticas, momentos de imersão, expressão cultural e manifestações das lutas e resistências do nosso povo. As atividades dentro do INPA encerram com a Celebração Eucarística presidida por Dom Frei Samuel Ferreira de Lima, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus. A reflexão enviada por Dom Joaquim Hudson Ribeiro, bispo auxiliar de Manaus, nos recordou que o trecho de Ezequiel (47, 9-12) “trata-se de uma profecia esperançosa e certa: Deus nunca abandona seu povo”. “Que possamos ser em Deus, na consciência ambiental de cuidadoras e cuidadores da obra da criação, rios de vida e de esperança, que com toda a força e superabundância de vida, ao chegar no mar morto (quer dizer, lá onde as estruturas de morte parecerem ter definido o fim de tudo), o milagre transformador possa se confirmar e a vida possa continuar”, escreveu Dom Joaquim Hudson. História de luta Em sua mensagem, Dom Joaquim Hudson recordou que celebramos resistência, conquistas, teimosias e esperanças. Essa história de lutas requer de nós um grito profético que reflete nossa confiança em Deus que faz nova todas as coisas. A escolha da data é contraponto ao Grito da Independência oficial, para que reflitamos nossa consciência política de luta por uma cidadania ativa e de participação, colaborando na construção de uma nova sociedade, justa, solidária, plural e fraterna.   “Gritamos pela Independência de um verdadeiro Brasil onde suas filhas e filhos vivam em um estado democrático, onde todas e todos tenham seus direitos constitucionais garantidos, promovidos, efetivados e assegurados, assim como garantidos os direitos da natureza – sinais concretos da justiça ecossocial, em tempos de forte apelo ambiental onde as mudanças climáticas e suas consequências já nos alertam e nos impactam”, refletiu o bispo. A proposta do Grito dos Excluídos e Excluídas surgiu em 1994, a partir do processo da 2ª Semana Social Brasileira, da CNBB, cujo tema era Brasil, alternativas e protagonistas, inspirada na Campanha da Fraternidade de 1995, e lema: A fraternidade e os excluídos. O primeiro Grito foi realizado em 7 de setembro de 1995, tendo como lema “A vida em primeiro lugar”. A partir de 1996, o Grito foi assumido pela CNBB que o aprovou em sua Assembleia Geral, como parte do PRNM (Projeto Rumo ao Novo Milênio – doc. 56 nº 129). A cada ano, se efetiva como uma imensa construção coletiva, antes, durante e após o 7 de setembro. Após a missa, os participantes caminharam até a rotatória do Complexo Viário Gilberto Mestrinho (bola do Coroado), onde aconteceu o Ato Público, com manifestações e celebração da força da organização.

Festa do Seminário São José: celebrar as vocações e a unidade com as comunidades

O último sábado do mês de agosto tem um significado muito especial para a Arquidiocese de Manaus. Nessa noite, todas as nossas comunidades são convidadas para celebrarmos a beleza e a diversidade das vocações e carismas. O acontecimento da festa do Seminário Arquidiocesano São José, a festa das comunidades, é um momento de unidade, alegria, comunhão e missão. Todos os anos, o grande encontra quer repercutir a temática do mês vocacional, alinhado com as reflexões que acontecem e todo o Brasil. Este ano o tema “Unidos e perseverantes na missão”, permeou todo trabalho e a dedicação daqueles e daquelas que se dispuseram a colocar seus dons na construção de um encontro grandioso. Em sua saudação inicial, Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, recordou “as pessoas das nossas comunidades, dos movimentos, das comunidades de vida, das pastorais, que fazem parceria com essa festa do Seminário Arquidiocesano São José”. Suas palavras reforçaram que nossas comunidades “são lugares de encontro, são lugares de testemunho, são lugares de missão”. Generosidade A festa do seminário arquidiocesano é o espaço da generosidade de nossas comunidades. Seja no empenho de compra e venda dos bingos, sejam nas doações, ou ainda naqueles e naquelas que se voluntariam para que tudo corra da maneira mais agradável possível. Uma história construída e cultivada a mais de trinta anos. Anualmente, os espaços externos do Centro de Formação Maromba e do próprio Seminário São José, em Manaus, recebem centenas de pessoas para uma noite de convivência fraterna. Nos pátios do seminário, vários estandes dão forma à uma magnífica feira vocacional, uma oportunidade de conhecer com a Igreja em Manaus é dinâmica, viva e feita por muitos rostos e vozes. São essas mãos que constroem o cotidiano de nossas paróquias e áreas missionárias. Uma mostra da docilidade da missão. A Feira Vocacional reúne congregações, carismas e movimentos presentes em nossa Arquidiocese, criando um espaço de encontro, partilha e discernimento. Nelas foi possível conhecer diferentes vocações e descobrir como cada pessoa pode responder ao chamado de Deus, seja na vida laical, matrimonial, religiosa ou no Ministério Ordenado. Igrejas Locais Nosso Seminário Arquidiocesano recebe candidatos de nossas 9 Igrejas Locais que compõe o Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1). Os 59 seminaristas, de todas as nossas igrejas locais, se empenham para que aquela casa seja o lugar da hospitalidade. Onde todas e todos se sintam acolhidos e acolhidas. Se sintam participantes da formação de nosso futuro clero. E mais ainda, para que todos se sintam uma única comunidade em Cristo que é o sentido de nossas vocações. A festa também é uma forma de colaborar com o orçamento e manutenção do processo formativo. A venda de bingos, de comidas e bebidas, o espaço para crianças, contribuem na arrecadação de fundos. E todo valor é investido na missão de configurar os jovens seminaristas a pessoa de Jesus, capazes de atuar junto com o Povo de Deus em nossas comunidades nas diversas realidades. Celebração O bispo auxiliar de Manaus, Dom frei Samuel Ferreira, participou pela primeira vez da festa desde sua chegada à Arquidiocese no ano passado. E compartilhou a alegria de “poder estar junto, celebrar com as comunidades, com o seminário”. O bispo recordou que o seminário “é o celeiro de vocações, onde se cultiva a missionariedade, o seguimento de Jesus Cristo, a fidelidade ao Evangelho”. “Queremos celebrar junto com o seminário as vocações ao Ministério Presbiteral, da qual são aqueles que estão sendo preparados para servir e evangelizar as terras amazônicas. E viver esse carisma, essa vivência de seguir o Evangelho na fidelidade da fé e da missão”, destacou bispo durante vídeo para redes sociais do seminário. A festa contou a participação de grupos musicais regionais, apresentações culturais e com a banda do próprio seminário encerrando o evento com grande alegria. Uma noite marcada pelo encontro fraterno de oração e celebração que incentivou a troca de experiências da vocação ao qual cada um e cada uma foi chamado a servir aos irmãos e irmãs, construindo o Reino de Deus e testemunhando a boa notícia do Evangelho.

Cardeal Steiner: a cruz é o caminho amor

Neste 22º Domingo do Tempo Comum (30), o cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nos recorda o convite da liturgia de hoje a descobrir a “loucura da cruz”. O cardeal reflete que “a vida verdadeira e plena que Deus nos oferece, passa pelo caminho do amor e dom da vida: a cruz”. No Domingo passado Pedro recebia a revelação a filiação divina de Jesus, e hoje se escandaliza diante do “anúncio da paixão, do sofrimento, da morte de Jesus”.  Nas palavras do cardeal, “o final na cruz, não fazia sentido. Pedro não consegue entender que na cruz floresce a vida, que a vida é um dom, salvação”. Diante da cruz, Pedro não vislumbra “expressão mais radical e sublime de amor”, mas a condenação e o vilipêndio. “Nós como Pedro, desejamos nos afastar dos sofrimentos, das cruzes e mortes. Temos dificuldade de perceber a presença de Deus no despojamento, nas cruzes cotidianas, na negação de nós mesmos. Pouco ou nada diz a nossa finitude cercada de dor e fraqueza”, refletiu o cardeal. Desvelar-se O arcebispo nos recorda que Jesus Crucificado e o Pai se tornam um na cruz. No entanto, é preciso tempo para o desvelar dessa compreensão. Por isso, ele evocou a figura de São Paulo para explicar que “o cristão vive da cruz, da grandeza da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo”. O santo proclamou “quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz de Nosso, Senhor Jesus. Doravante ninguém me moleste, pois eu trago em meu corpo as marcas de Jesus” (Gl 6,14-17). Para o cardeal Steiner, existe, na meditação da cruz, “um mistério que fala no silêncio e recolhimento da incompreensão”, mas que revela no Crucificado “um amor que salva e redime o universo”. “Quantas vezes nos nossos sofreres acabamos vazios de sentido e, no entanto, acabamos caindo nas mãos amorosas de Deus? Quantas vezes o sofrimento abre um horizonte novo que antes não vislumbrávamos, não intuímos, mas que de repente se torna clarividente? E a vida toma nova cor, novo sabor! Novo viver, já não de nós mesmos, mas de Deus”, considerou o cardeal.  O convite de Jesus, que parte de uma negação de si mesmo, se atualiza pela atratividade do Pai. Nas palavras do cardeal, “é a força do Pai” que desperta um desejo de seguimento “porque atraído, segue porque alcançado por Cristo”.  É um movimento simultâneo “da busca de Deus por nós” que se oferece “para que venhamos à vida e à graça do Evangelho”, e “da nossa parte a tentativa de correspondência ao segredo depositado em nosso coração”. Seduzidos por Deus Ao considerar a experiência de Jeremias na primeira leitura, o cardeal nos lembra que o profeta descobre a experiência de “cruz” ao se contrapor a lógica dos poderosos. Diante do sofrimento, Jeremias descreve a sua experiência de “cruz”. Seduzido por Deus, colocou toda a sua vida ao serviço de Deus e de seu povo. Mesmo na desilusão, “continua a anunciar a beleza do primeiro amor, o amor de Deus pelo seu Povo”, porque “o inusitado da atração de Deus” faz acender a correspondência de amor. “Deus é tão desejoso e dadivoso no seu amor, que nos seduz. Ele é um sedutor amoroso; não desiste jamais de oferecer vida e salvação a todos os filhos e filhas. Ele no amor é sempre irresistível, pois incansável, forte, repleto de um cativante poder de convencimento. A vida cristã tem o sabor da sedução de Deus para conosco, também na cruz”, explicou o arcebispo. E nesse amor despertador, que nos seduz e nos impele o desejo de correspondência e nos oferece a clareza de compreender “que quando iluminados, quando despertados, quando atraídos, somos tomados pelo fogo do amor, pelo desejo de corresponder, pela força que nos permite estar ao lado de quem seduziu, atraiu no amor. Eis a cruz do ser cristão!” Tomar a cruz “Tomar a cruz” de Jesus e segui-lo. A cruz é a expressão de um amor total, radical, que floresce na morte. Significa a entrega da própria vida por amor. “Tomar a cruz” é ser capaz de gastar a vida – de forma total e completa – por amor a Deus e para que os irmãos e as irmãs sejam mais felizes”, explicou o cardeal. O arcebispo esclareceu que existe uma lógica da cruz que é oferecer a vida por amor, não como uma perda, mas como um ganho de plenitude de vida. É a lógica do Reino de Deus que expõe à compreensão de “que a nossa vida neste mundo não é a vida definitiva”. Nessa dinâmica de Deus, a “vida tem sentido quando assumimos os valores do Reino” e vivemos no “amor, na partilha, no serviço, na solidariedade, na humildade, na simplicidade”. Nesse horizonte, o cardeal destacou que o Evangelho de hoje nos recorda que o verdadeiro discipulado a Jesus deveria “superar os ritualismos, as meras fórmulas, as práticas pietistas, as obrigações legalistas”. Para que no seguimento a Jesus construamos um ser cristão pautado em Jesus e na sua proposta de vida que dá sentido a nossa existência. “Um convite a oferecermos a nossa vida cotidiana a Deus através dos irmãos. O verdadeiro sacrifício, vivo, santo e agradável a Deus é uma vida que se assemelha à vida de Jesus que vai até a doação unificadora da cruz”, enfatizou o cardeal.

Cardeal Steiner: como Pedro proclamar que Jesus é o Filho de Deus

O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), nos recorda que o Evangelho do 21º Domingo do tempo Comum é um convite a sermos como “Pedro: proclamarmos que Jesus é o Filho de Deus”. A afirmação nasce espontânea à pergunta de Jesus “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” e revela como Jesus é visto entre povo.  O modo de Jesus nas “palavras, gestos, proximidade, milagres” desperta para “presença de João Batista, de Elias, de algum dos profetas” como “uma pessoa enviada”. “É o dizer, o opinar, o avaliar em geral; a percepção, a intuição de uma pessoa ligada à tradição, à história do povo. Pensar que fosse João Batista, Elias, Jeremias tinha um alto significado. Um profeta em Israel era uma pessoa chamada, escolhida de Deus, o recordador da Aliança, o despertador do Povo para voltar à beleza do primeiro amor. Os discípulos eram bons ouvintes, sabiam o que o povo pensava e sentia”, ressaltou o cardeal. E vós Na continuidade do diálogo, Jesus direciona sua pergunta a cada um dos discípulos para que revelem suas próprias percepções. Nas palavras do cardeal, “Vós que andais comigo, vós que participais da minha vida, vós que a cada dia me ouvis, me conheceis de perto: quem, sou eu para vós?”. O mesmo questionamento se aplica particularmente para cada um de nós nos dias de hoje, quando pensamos no que Jesus significa para nós e não construímos dele por meio de uma “resposta da opinião pública, da opinião corrente, do WhatsApp.” Em seguida, o arcebispo nos recordou que Simeão vem do hebraico Shim’on, de shamá, que significa “ele ouviu”; ele é bom “ouvinte”, afirmou. E como bom ouvinte, Simão olha para Jesus e confessa: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Isto é, como “bom ouvinte sonoriza, verbaliza o que ouviu e viu”. Pedro não vê “um profeta, um Batista reencarnado”, mas “o Messias, o Filho de Deus”. Nessa confissão de Pedro nos reúne como “comunidade dos que creem” fundamentada em Cristo que é a “razão da nossa vida”. “A confissão de Pedro é a nossa confissão. A capela de madeira envelhecida e pendida no alto da colina, tem sua confissão; a pequena igreja fechada junto à estrada de terra, tem a sua confissão. Ali está uma comunidade, uma igreja, ou esteve uma igreja, uma comunidade de fé. É ou era o lugar de encontro porque Cristo é a pedra, o fundamento. Continua a confessar a presença de Cristo. Nós, mesmo nas nossas incapacidades e traições somos uma confissão de Cristo”, refletiu o cardeal. Onde vais? Diante de nossas contradições e contratestemunhos seguimos visibilizando a “confissão de Pedro: ‘Tu és o Filho de Deus’”. Em sua reflexão, o cardeal Steiner nos convidou a “dizer: ‘Tu és o Filho de Deus’”. E desse modo, “o Pai do céu” pode “revelar aos corações distraídos e endurecidos a presença inefável do Filho e a suavidade do Espírito”. É a partir dessa confissão que Jesus muda o nome do discípulo que “de Simão, passa a Pedro; Pedro-pedra; pedra-Pedro!”. “Pedro é pedra, é rocha, e por ser pedra também é pedrisco. Pedrisco, pois é um homem fraco e frágil, trai a Jesus. Às vezes não compreende o que Jesus faz. Diante da prisão de Jesus deixa-se dominar pelo medo e nega a Jesus. Na fraqueza se arrepende e chora amargamente (cf. Lc 22, 54-62). Não tem a coragem de estar aos pés da cruz. Esconde-se com os outros no cenáculo, com medo de ser aprisionado (cf. Jo 20,19). Em Antioquia, tem vergonha de estar com os pagãos convertidos, e Paulo exorta-o à coerência (cf. Gl 2,11-14); e segundo a tradição do Quo vadis, procura fugir diante do martírio, mas ao longo do caminho encontra Jesus e readquire a coragem de voltar atrás”. Pedro edifica a Igreja O arcebispo de Manaus também recordou que Papa Francisco indicou o significado da mudança do nome: “Pedro é uma rocha: em muitos momentos é forte e firme, genuíno e generoso. Deixa tudo para seguir Jesus (cf. Lc 5,11), reconhece-o como Cristo, Filho de Deus vivo (cf. Mt 16,16), mergulha no mar para ir depressa ao encontro do Ressuscitado (cf. Jo 21,7). Além disso, com franqueza e coragem, anuncia Jesus no Templo, antes e depois de ser preso e flagelado (cf. At 3,12-26; 5,25-42). A tradição nos fala também da sua firmeza diante do martírio, que teve lugar precisamente aqui (cf. Clemente Romano, Carta aos Coríntios, V,4). O papa refletiu que Pedro é também uma pedra: é uma rocha e inclusive uma pedra, adequada para oferecer apoio aos outros: uma pedra que, fundamentada em Cristo, serve de sustentáculo para os seus irmãos na edificação da Igreja (cf. 1Pd 2,4-8; Ef 2,19-22). Também isto encontramos na sua vida: responde ao chamamento de Jesus com André, seu irmão, Tiago e João (cf. Mt 4,18-22); confirma a disponibilidade dos Apóstolos a seguir o Senhor (cf. Jo 6,68); cuida de quem sofre (cf. At 3, 6); promove e encoraja o anúncio comum do Evangelho (cf. At 15,7-11). É “pedra”, é ponto de referência fiável para toda a comunidade” (Papa Francisco, Angelus, 29/06/2023). Nossa fraqueza Ao meditar as palavras da segunda leitura, da Carta de São Paulo aos Romanos (11,33-36), o cardeal nos lembra que “Deus na sua sabedoria conta com a fragilidade de Pedro e na sua sabedoria conta a nossa fragilidade para a edificação do Reino de Deus”. Ele afirmou que “Jesus quer continuar a construir a sua Igreja, esta casa com fundamentos sólidos, mas onde não faltam fendas, e que precisa continuamente ser concertada. Sempre”. “A Igreja tem sempre necessidade de ser reformada, concertada. Sem dúvida não nos sentimos rochas, mas apenas pequenas pedras. Contudo, nenhuma pequena pedra é inútil, aliás, nas mãos de Jesus a pedra mais pequenina torna-se preciosa, porque Ele a recolhe, a conserva com grande ternura, a trabalha com o seu Espírito, e a coloca no lugar certo, que Ele desde sempre pensou e onde pode ser mais útil para toda a construção”, explicou o cardeal.  E por isso “cada um de nós é uma pequena pedra, mas nas mãos de Jesus toma parte na construção…
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Atualização Teológica do Clero à luz do Concílio Vaticano II

Nas manhãs dos dias 12, 13 e 14 de agosto aconteceu a Atualização Teológica do Clero no Centro de Formação Maromba, em Manaus. Cerca de 70 presbíteros participaram simultaneamente da atualização e do Encontro Regional dos Presbíteros. As reflexões permearam o tema da “Eclesiologia à luz do Concílio Vaticano II, da sinodalidade, da missão e do compromisso social da fé”. Os presbíteros, na construção da unidade, devem compreender que a Missão e estruturas visíveis não podem estar em contradição. À luz do Evangelho, a conversão supõe um pecado e convida a mudança de rota. Mas é importante ressaltar que o pecado não é só pessoal, mas também estrutural, que nasce do próprio comportamento da pessoa diante das situações em que escolhemos não agir em harmonia com os ensinamentos evangélicos de Jesus. Daí é possível comparar que clericalismo é inseparável do elitismo social, pois assume as relações de poder como subordinação aos interesses particulares. Sinodalidade Do ponto de vista da sinodalidade, a assessoria de Pe. Aquino Jr. apontava para a necessidade de compreender a sinodalidade como a verdadeira diaconia social. Isto quer dizer viver a fraternidade em todas as relações e fermentar o mundo com a “lógica da fraternidade”.  Sem esquecermos que a Igreja está no mundo e interage com ele em todas as suas dimensões, não se desliga da encarnação, sua Missão é plenamente configurada no mundo e à serviço do mundo para que o Reino de Deus aconteça em plenitude. O encontro quer favorecer o entendimento da Evangelização pautada na pessoa de Jesus que não se descola das realidades de cada uma de nossas Igrejas Locais. Os critérios de escolha dos modelos pastorais do clero devem insistir que, como cristãos, devemos nos preocupar com as situações que tocam o cotiano de cada local e da vida das pessoas. Além dos presbíteros da Arquidiocese de Manaus, das Dioceses de Coari, São Gabriel da Cachoeira, Borba e Parintins; e das Prelazias de Tefé e Itacoatiara; o encontro formativo contou com a presença dos bispos auxiliares da Arquidiocese de Manaus, Dom Zenildo Lima, Dom Samuel Ferreira e Dom Joaquim Hudson Ribeiro, bem como de Dom José Albuquerque, bispo da Diocese de Parintins; e Dom Tadeu Canavarros, bispo da Prelazia Itacoatiara. Povo de Deus Compreender a Igreja como Povo de Deus peregrino na história é o caminho mais assertivo para entender o ministério presbiteral. O jeito de viver e entender o dinamismo eclesial pós-Concílio Vaticano II convida a identificar algumas mudanças necessárias. Como por exemplo adotar uma linguagem ministerial, que fuja a tentação de reduzir o ministério presbiteral apenas ao culto, mas o compreenda como construtor de comunidades. Outro horizonte de reflexão é quanto à forma ensinar, santificar e governar. O estilo adotado precisar ser de proximidade com a comunidade, assim os presbíteros não devem alimentar um papel de superioridade ou agir como uma casta separada, que torna o sagrado como uma casca inalcançável. Isto se reflete, por exemplo na ideia equivocada de que os outros ministérios e carismas são submetidos a uma suplência do ministério ordenado. Além da necessidade de romper a autoreferencialidade e estimular a conversão missionária. Ensinar, santificar e governar O resgate do tríplice múnus de ensinar, santificar e governar nos recordo que a “Igreja não é uma elite de consagrados”, nos dizia Papa Francisco. É a compreensão de que os presbíteros são também parte do Povo de Deus e não uma parte separada que conserva a vitalidade do ministério. Essa perspectiva deve tocar também as comunidades cristãs, seminários e ambientes de formação para o ministério ordenado, de modo a superarmos a cultura da clericalização. O que implica em uma Pastoral Vocacional, mas eclesial que individual, isto é, chamada ao serviço eclesial. É preciso assumir uma responsabilidade compartilhada para que as mudanças aconteçam desde as pequenas coisas do cotidiano. Essa mudança de compreensão das relações não se dá pela força, mas se solidifica na caridade e na verdade do seguimento a pessoa de Jesus  em comunhão e unidade com a Igreja, a partir do Concílio Vaticano II. Texto: Emmanuel Grieco Imagens: Emmanuel Grieco, Rose Bertoldo e Arquidiocese de Manaus.

Eleita nova coordenação da Comissão Regional Norte 1 de Presbíteros

Os padres presentes no terceiro dia (13) do Encontro Regional de Presbíteros, reunidos no Centro de Formação Maromba, em Manaus, elegeram a nova coordenação da Comissão Regional do Presbíteros (CRP) do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1). A eleição aconteceu no final da tarde, após a reunião entre os grupos de presbíteros da Arquidiocese, Dioceses e Prelazias. Os nomes escolhidos para a condução e organização das atividades pelos próximos quatro anos foram: Coordenador: Pe. Gilson Pinto, da Arquidiocese de Manaus; Vice-coordenador: Pe. Edinaldo Nascimento dos Santos, da Diocese de Coari; Secretário: Pe Elcivan Alencar, da Diocese de Coari, e Tesoureiro: Pe. Michel Carlos da Silva, da Arquidiocese de Manaus.