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Papa Leão XIV ao cardeal Steiner: “Permaneça na direção da Arquidiocese por mais dois anos”

O arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner comunicou ao clero nesta sexta-feira, 28 de novembro de 2025, que Papa Leão XIV lhe pediu “que permaneça na direção da Arquidiocese por mais dois anos”. Código de Direito Canônico: apresentar a renúncia aos 75 anos O Código de Direito Canônico, no número 401, parágrafo 1, afirma: “Roga-se ao Bispo diocesano, que tiver completado setenta e cinco anos de idade, que apresente a renúncia do ofício ao Sumo Pontífice, o qual providenciará depois de examinadas todas as circunstâncias”. No dia 06 de novembro de 2025 o cardeal Steiner completou 75 anos e apresentou ao Santo Padre sua renúncia. Em resposta ao pedido do arcebispo de Manaus, Papa Leão XIV, através da Nunciatura Apostólica no Brasil, comunicou sua decisão diante desse pedido. Continuar serenamente no governo da Igreja de Manaus Em carta assinada pelo Núncio Apostólico, dom Giambattista Diquattro, com data de 17 de novembro de 2025, lida na reunião do clero, foi comunicado que “o Santo Padre Leão XIV, na Audiência realizada em 15 de novembro de 2025, aceitou a renúncia de Vossa Eminência ao governo pastoral da Arquidiocese de Manaus, e ao mesmo tempo roga a Vossa Eminência que permaneça na direção da Arquidiocese por mais dois anos”. O Núncio Apostólico disse que a decisão Pontifícia “deverá ser comunicada ao clero e aos fiéis da Arquidiocese”. O texto recolhe igualmente que “o Santo Padre Leão XIV pede a Vossa Eminência a generosidade de continuar serenamente no governo da Igreja de Manaus”.

Novas vice-presidências e secretária executiva da REPAM: Continuar construindo o Reino de Deus

A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), inicia uma nova etapa. Um passo concretizado com a apresentação da nova secretária executiva, Clara Ximena Lombana, e dos novos membros da presidência, Carol Jeri Pezo, a Ir. Ana Maria Palomino, dom Evaristo Spengler e padre Júlio Caldeira. O evento foi realizado em Manaus, sede da secretaria executiva desde 2020, anunciando que a partir de 2026 a sede do Conselho Episcopal Latino-americano e Caribenho (CELAM), em Bogotá, sediará a secretaria executiva da rede. Uma Pan-Amazônia mais fraterna e sinodal Em suas palavras de acolhida, o presidente da REPAM, dom Rafael Cob, enfatizou que “o sonho que compartilhamos está se realizando”, recordando a fundação da rede em Brasília, em 2014. Ao longo desses anos, a rede foi se consolidando, ressaltou. Esse caminho compartilhado o levou a expressar sua gratidão a todos que colaboraram ao longo do caminho, especialmente aos membros da secretaria executiva nos últimos cinco anos, que compartilharam brevemente suas experiências durante esse período, bem como à REPAM Brasil e à Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), pela trajetória percorrida em conjunto. Dom Rafael Cob agradeceu à nova secretaria executiva e à nova presidência, que o bispo do Vicariato de Puyo (Equador) continua a liderar. Isso marca uma nova etapa “para continuar construindo o Reino de Deus com os pobres”, buscando criar uma região Pan-Amazônica cada vez mais fraterna e sinodal. Um sentimento de gratidão que foi expressa pela vice-presidente nos últimos anos, Ir. Carmelita Conceição, que acolheu os novos vice-presidentes, lendo a carta de nomeação para os próximos três anos. União para se fortalecer Os membros da nova vice-presidência assumem sua missão como um desafio, segundo expressou a Ir. Ana Maria Palomino, religiosa Laurita. Esta nova experiência é vista como uma oportunidade para renovar seu compromisso com a Amazônia, elemento central do carisma de sua congregação, para dar continuidade ao trabalho iniciado e desenvolvê-lo ainda mais. Palomino enfatizou a necessidade de união para se fortalecer e caminhar em estreita colaboração com os povos indígenas para continuar avançando e fortalecendo a Igreja sinodal. Assumir a vice-presidência da REPAM é uma oportunidade de servir à Igreja junto com os povos amazônicos, caminhar com eles e criar processos em que suas vozes possam ser ouvidas, afirmou Carol Jeri. A integrante da Cáritas Madre de Dios destacou que a REPAM tem realizado um processo de formação com significativa participação leiga, entrelaçando seus compromissos com o território amazônico. Ela lembrou a importância da visita do Papa Francisco a Puerto Maldonado, uma demonstração do compromisso da Igreja com os povos amazônicos. Um sentimento de gratidão presente em Júlio Caldeira. O missionário da Consolata, partícipe de diversos modos da caminhada da REPAM desde sua fundação, disse assumir a vice-presidência com espírito de serviço, como oportunidade para seguir tecendo juntos um caminho que acompanha a vida dos povos amazônicos. Ele destacou que sua vocação missionária é fruto do chamado a entregar a vida na Amazônia. Compromisso, cuidado e gratidão A nova secretária-executiva da REPAM, que assumirá o cargo em 1º de janeiro, resumiu esse novo caminho em três palavras: compromisso, cuidado e gratidão. Um compromisso que começou durante sua participação como aluna na primeira Escola de Direitos Humanos da rede. Esse compromisso, ela renovou, aprofundou e fortaleceu por meio de seu serviço aos povos e comunidades da Amazônia, construindo assim o Reino diariamente em uma região pan-amazônica que representa um tesouro para o mundo. Em um momento marcado pela escuridão, violência, fundamentalismo e desesperança, sua nova secretária-executiva enfatizou que “hoje, mais do que nunca, o planeta precisa de uma REPAM que seja o sal e a luz do mundo, que ofereça abrigo, que se entrelace com as comunidades a partir de seus clamores, suas causas e seus processos”. Diante disso, Ximena Lombana vê como sua responsabilidade nutrir a semente plantada e “fazer com que ela produza uma colheita abundante para o processo e para as circunstâncias em que nos encontramos”. Um caminho a percorrer em fraternidade com a Rede Eclesial Mesoamericana (REMAN) e a Rede Eclesial do Aquífero Guarani e Gran Chaco (REGCHAG), unindo forças para fazer a diferença como redes eclesiais de ecologia integral. Lombana expressou sua gratidão àqueles que estiveram ao seu lado em seu trabalho na Amazônia nos últimos anos e àqueles que lhe confiaram este novo serviço. Diante deste novo desafio, ela enfatizou a importância da “força das organizações eclesiais amazônicas que, unidas, podem fazer a diferença, respondendo de forma mais eficaz ao clamor do povo e da natureza”. Uma união daqueles que “acreditam neste compromisso com uma vida digna, com a justiça e com o bem viver dos povos”. Caminho comum CEAMA-REPAM O presidente da CEAMA, Cardeal Pedro Barreto, expressou sua alegria com este novo passo no caminho conjunto entre a REPAM e a CEAMA. “Consolidar o processo da REPAM nos faz lembrar o passado com muita gratidão”, disse o cardeal peruano, citando várias pessoas que participaram dessa essa experiência inédita que fez da Amazônia uma fonte de vida no coração da Igreja. Essa memória agradecida do passado “nos motiva a caminhar mais juntos nessa continuidade”. Barreto disse que vê a REPAM como “a resposta de Deus às necessidades da Amazônia”. Em sua intervenção, ele destacou a grande responsabilidade com que a REPAM assumiu a preparação do Sínodo para a Amazônia, enfatizando a importância da escuta nesse processo. O cardeal lembrou o último encontro do Papa Francisco com os presidentes da CEAMA e da REPAM, alguns meses antes de sua morte, quando ele pediu que nós “continuássemos caminhando juntos”. Ele também reconheceu que a REPAM o ajudou a entender que existe apenas uma Amazônia. O cardeal, que já foi presidente da REPAM, pediu que se olhasse para o futuro com esperança e que se assumisse um compromisso de serviço por amor a todos os povos da querida Amazônia.

25 anos do Protocolo de Palermo: Servir às vítimas do tráfico de pessoas mandato evangélico

O Protocolo de Palermo, conhecido oficialmente como o Protocolo para Prevenir, Reprimir y Sancionar o Tráfico de Pessoas, Especialmente Mulheres e Crianças, completa 25 anos. Na oportunidade a Comissão Episcopal Especial de Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEETH), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou um seminário virtual no dia 26 de novembro de 2025. O tema foi “Protocolo de Palermo: 25 anos de conquistas e desafios no Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas!“. Servir nos últimos e aos últimos Mais uma oportunidade para sensibilizar a sociedade sobre a gravidade desse crime, que explora a vulnerabilidade e gera lucros bilionários. Nessa perspectiva, o bispo de Tubarão (SC), e presidente da CEETH, dom Adilson Pedro Busin, refletiu sobre a missão da Igreja católica no enfrentamento ao tráfico de pessoas. Uma missão que “procede do próprio Senhor Jesus Cristo e do seu Evangelho”, segundo o bispo. Ele disse ser “um mandato para servir nos últimos e aos últimos”, que leva a Igreja católica a se colocar a caminho junto às vítimas, se tornando voz dos que náo podem gritar. Uma missão que se insere no capítulo 25 de Mateus, ao lado dos rostros sofredores do nosso tempo, segundo recolhe o Documento de Puebla. Uma temática presente no Magistério dos últimos papas, Bento XVI, Francisco, que o bispo definiu como um profeta diante da realidade do tráfico de pessoas, “uma chaga aberta da humanidade”, segundo o pontífice. Ele chamava a não ficar parados e mobilizar todos os recursos na luta contra o tráfico de pessoas. Um compromisso assumido por Leão XIV, que tem se manifestado nesse sentido no início de seu pontificado. Fruto do multilateralismo O protocolo foi fruto de um longo caminho e resultado do multilateralismo entre os países e grupos comprometidos na tutela de migrantes e de mulheres em situação de exploração sexual, segundo a Ir. Gabriela Bottani. A religiosa comboniana mostrou os avanços nesses 25 anos, na visibilizaçao do tráfico de pessoas, a prevenção e os relatórios globais bianuais emitidos pelas Nações Unidas. Esses relatórios permitem identificar as tendências globais e regionais deste crime transnacional e fazem uma análise conjunta dos dados. Nesse tempo, o tráfico de pessoas foi tipificado como crime em muitas legislações nacionais. Isso, afirma a religiosa, que foi coordenadora internacional da Rede Talitha Kum,  “favoreceu não somente a identificação, proteção e inserimento socioeconômico de vítimas e sobreviventes do tráfico, mas também as investigações e os procedimentos penais dos traficantes”. Um compromisso da Vida Religiosa 25 anos que levaram a reconhecer esse crime nos países de recrutamento das vítimas, em particular na África sub-sahariana. Desde 2001, as superioras gerais assumiram como Vida Religiosa dar visibilidade ao tráfico de pessoas e à cura e proteção das vítimas. Nesse caminho, em 2008 foi criada a Rede Talitha Kum, formada por 64 redes, presentes em 108 países, com 841 congregações religiosas envolvidas, 91 por cento femininas. A Rede um Grito pela Vida, no Brasil faz parte dessa rede internacional. Um caminho que contou com o grande apoio de Papa Francisco, que em 2015 insitituiu, no dia 8 de fevereiro, festa de Santa Josephina Bakhita, o dia de oração e sensibilização sobre o tráfico de pessoas. Os países assinentes do protocolo se comprometeram na prevençao, cuidado com as vítimas e sobreviventes, repressão-responsabilização e colaboraçao. Junto com isso foi assumido como parte das políticas públicas, através de ações de sensibilização, informação, fortalecimento e empoderamento de comunidades e grupos em situação de vulnerabilidade. Um crime em aumento Entre os desafios, Gabriela Bottani mostrou que estamos diante de um crime em aumento, segundo dados apresentados. Junto com isso a crescente vulnerabilização dos migrantes, consequência do pouco investimento guvernamental no enfrentamento ao tráfico de pessoas, da externalização das fronteiras e da criminalização dos migrantes, que dificulta a obtençao de vistos. Finalmente, as crises múltiplas vividas na sociedade atual. Essa realidade demanda “fortalecer a colaboração dos diferentes grupos para enfrentar as causas sistêmicas que direta ou indiretamente contribuem para o crescimento do tráfico de pessoas”, sublinhou a religiosa. Ela propõe promover e sustentar a conversão ecológica; apoiar ações de incidência política a partir dos territórios, com o protagonismo das comunidades; tutela dos direitos dos migrantes internacionais e a promoção de leis migratórias que permitam a entrada legal; compromisso conjunto contra cada forma de discriminaçao. Um processo sustentado na espiritualidade, “que nos fortalece em não desistir do compromisso”, afirmou a religiosa. Ela chamou a ressitir, proteger e cuidar, como atitudes decisivas. Um protocolodo ratificado pelo Brasil em 2004 No Brasil, a ratificação do Protocolo de Palermo em 2004 fez avançar de forma significativa no reconhecimento e no combate ao tráfico de pessoas, segundo a Ir. Eurides Alves de Oliveira. A religiosa mostrou que “o país consolidou uma política nacional voltada à prevenção, repressão e atendimento às vítimas, com a criação de planos nacionais de enfrentamento, comitês interinstitucionais, postos de atendimento em fronteiras e campanhas de conscientização”. Avanços que não escondem os desafios diante da impunidade dos aliciadores, a falta de integração entre os estados, a escassez de recursos e a subnotificação dos casos, que ainda limitam a efetividade das ações. Isso se concretiza na exploração sexual, o trabalho escravo, o tráfico de migrantes e a remoção de órgãos e outras formas de exploração, consideradas pela religiosa do Imaculado Coração de Maria graves violações de direitos humanos. Demandas para enfrentar o tráfico de pessoas A Ir. Eurides demanda, para enfrentar o tráfico de pessoas, cooperação internacional, formação continuada de agentes públicos, articulação entre governo e sociedade civil e políticas centradas na dignidade e proteção integral das vítimas. Ela insiste em que “mais que reprimir crimes, é necessário promover justiça social e oportunidades, enfrentando as desigualdades estruturais que alimentam o tráfico humano”. A religiosa fez uma análise crítica do protocolo diante da atual realidade. Ela demanda maior atenção às causas estruturais e às vítimas, maior efetivade prática, uma abordagem mais humanitária, integral e centrada nos direitos humanos, e tornar o prrotocolo um instrumento vivo de libertação e justiça. Caminhos a seguir Um desafio hoje são as conexões entre…
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Regional Norte 1 participa no encontro de secretários e secretárias na CNBB Nacional

A sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasília acolhe de 25 a 27 de novembro de 2025 o encontro dos bispos secretários e secretários e secretárias executivos dos 19 regionais da CNBB. Representando o Regional Norte 1 participam o bispo da prelazia de Tefé, dom José Altevir da Silva, e a secretária executiva, Ir. Rose Bertoldo. Conhecimento e partilha O encontro foi precedido por um encontro com os colaboradores realizado na segunda-feira (24), com o objetivo de também conhecer a estrutura da sede da CNBB, bem como todo o funcionamento da instituição em nível nacional. Depois da partilha da realidade dos regionais, os participantes do encontro celebraram a Eucaristia e visitaram as Edições CNBB. Igualmente, foi apresentada pela assessoria de comunicação a Campanha da Evangelização 2025. O encontro dos secretários iniciou, depois da celebração eucarística, com a saudação do bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers. Posteriormente, o bispo de Petrópolis, dom Joel Portela Amada, apresentou uma análise de conjuntura eclesial, que trouxe os grandes desafios da igreja frente à evangelização hoje. No encontro foi refletido sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, tema da Assembleia Geral da CNBB em 2026. Além disso, foi abordado o tema “Evangelização e organização pastoral na Igreja do Brasil”, e os secretários e secretárias executivos partilharam com os assessores da CNBB Nacional. Na programação do encontro aparece a COP 30, a reflexão sobre “A Consolidação da cultura do cuidado na Igreja”, questões administrativas, as Pontifícias Obras Missionárias, o calendário de grandes eventos nacionais e regionais, dentre outras questões. Colegialidade no Regional Norte 1 O encontro acostuma acontecer todo mês de novembro, lembrou a Ir. Rose Bertoldo. A secretária executiva destaca a partilha sobre os passos que estão sendo dados nos regionais com relação às Diretrizes Gerais para a Ação Evangelizadora. A religiosa sublinha a importância de abordar a temática da proteção de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis. “Uma realidade cada vez mais presente nas igrejas com o intuito de trabalhar sempre mais a prevenção, as violências a partir dos espaços eclesiais”, salientou a Ir. Rose Bertoldo. Segundo a secretária executiva, no Regional Norte 1 da CNBB, “a gente também traz nessa caminhada, muito na dimensão da colegialidade que é feita entre as nove igrejas, também o trabalho que a gente fez na última assembleia, tendo presente as Diretrizes da Ação Evangelizadora e esse caminho da sinodalidade, de colocar em prática também o Sínodo sobre a Sinodalidade.” Ela define o encontro como “um momento bonito de confraternização, celebração”. Ação evangelizadora é algo dinâmico O bispo da prelazia de Tefé enfatizou a importância do encontro com os colaboradores da CNBB, que, além de propiciar o conhecimento, pode facilitar o trabalho. O secretário do Regional Norte 1 refletiu sobre a apresentação das diretrizes e a partilha em volta dessa questão, assim como alegrias, esperanças e desafios apresentados na análise de conjuntura. Com relação à organização da ação evangelizadora da Igreja no Brasil, dom Altevir disse que foi feita uma retrospectiva desde o Concilio Vaticano II e os passos dados pela Igreja do Brasil a partir disso em vista de “um plano de trabalho, um plano pastoral, um plano de conjunto para a aplicabilidade do Concílio Vaticano II”, que se concretizou, segundo o bispo, em linhas de evangelização e posteriormente em diretrizes. Um caminho que mostra que “a ação evangelizadora é realmente algo dinâmico que vai mudando de acordo com a realidade também”, segundo o bispo de Tefé. Dom José Altevir da Silva disse que o trabalho conjunto entre os secretários, os secretários e secretárias executivos e os assessores da CNBB, segundo a dinâmica sinodal da conversa espiritual foi uma novidade. Isso é visto como um instrumento que ajuda a “afinar nossos passos entre os regionais e os assessores nesse processo de evangelização”.

Coordenação Regional da Pastoral da Juventude realiza reunião em Manaus

A Pastoral da Juventude (PJ) do Regional Norte da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB – Regional Norte 1) realizou a 73° reunião da Coordenação Regional. De 21 a 23 de novembro, os coordenadores se reuniram no Centro Magis Amazônia, em Manaus. Um momento de construção coletiva das atividades regionais, de partilha e de compromisso com a juventude e a Igreja da Amazônia. Além dos coordenadores regionais, participaram Marcelo Pereira, da Prelazia de Tefé, Coordenador Nacional da Pastoral da Juventude pela Regional Norte 1; Ir. Jerusa (ASC) e Pe. José Roberto (OMI), da Comissão de Assessoria da Pastoral da Juventude, e Ir. Rosiene Gomes, Articuladora Regional das Pastorais Sociais. Na programação da noite de sexta-feira (21), os participantes vivenciaram um momento de encontro, escuta e espiritualidade. O sábado iniciou com uma mística, inspirada no lema do Ano Jubilar “A esperança não confunde” (Rm 5,5), aprofundada nos versículos de 1-5. A partir disso, iniciaram o puxirum para a construção do plano de ação do próximo triênio. Segundo Marcelo Pereira, os integrantes refletiram seis eixos que orientam a caminhada da Pastoral da Juventude: formação e relação, espiritualidade, comunicação, cultura, ação transformadora e sustentabilidade. E dentro de cada eixo, abordaram pistas, atividades e os passos que “queremos dar até o fim deste triênio da nova coordenação” (2025 a 2028). A programação encerrou no domingo. Informações e fotos: Pastoral da Juventude Regional Norte 1

Cardeal Steiner: “A Cruz é a expressão máxima de uma vida feita amor e entrega”

Na Solenidade de Cristo, Rei do Universo, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), cardeal Leonardo Steiner, iniciou sua homilia recordando que “concluímos, hoje o Ano Litúrgico. Na conclusão a liturgia de hoje celebra a Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo. As leituras no despertam para o sentido da Solenidade de hoje”. Unção de Davi NaPrimeira Leitura, ele destacou que “Davi é ungido rei das tribos de Israel (2Sm 5,1-3).O seu reino tornou-se símbolo do reino de paz, de justiça, de liberdade que um dia Deus teria instaurado na terra. E vemos como os Profetas prometeram a chegada de um descendente de Davi, que iria realizar esse sonho, a realização das promessas de um reino livre e libertador. O povo de Israel esperou durante muitos séculos a realização do reino estável e duradouro. Especialmente no tempo de Jesus em que o povo estava dominado pelos romanos, estavam sob o jugo do estrangeiro, esperavam um salvador, um libertador. Um povo que havia recebido a terra prometida, havia conquistado um reino de justiça e liberdade com Davi, agora sob a dominação de estrangeiros. Conhecemos como muitos reis foram traidores da Aliança e levaram o povo à escravidão. Descuidaram, não pastorearam devidamente a promessa, a Aliança de Deus para com os patriarcas, Abraão Isaac, Jacó e sua descendência”. Já na segunda leitura, o cardeal disse que “a Carta de São Paulo aos Colossenses, a nos ensinar porque Jesus se tornou rei, o centro, a possibilidade de realização do existir na nossa humanidade”. Ele citou o texto bíblico: “Ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu Filho amado, porque temos a redenção, o perdão dos pecados. (…) Ele o primogênito de toda a criatura, pois por causa dele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as coisas visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas e todas tem nele a sua consistência. (…) Ele é o Princípio, o Primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo ele tem a primazia, porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz.” (Cl 1,12-20) Segundo o arcebispo de Manaus, “Paulo a nos recordar que Jesus é o centro da história, o fundamento de tudo o que existe. Foi Ele que nos devolveu a graça da filiação divina. Ele que nos salvou, nos ofereceu o perdão dos pecados. Os vivos e os mortos estão referidos a Ele. Ele o início e o fim de todas as coisas. Ele reconciliou todo o universo. E tudo na graça da cruz. Assim, Ele é o rei, pois reina, supera, a divisão, a maldade. O que nos impressiona é que esse rei que a tudo dá sentido e tudo deixa ser, é o Crucificado segundo o Evangelho”. Um Reino de serviço, de amor, de entrega “Na celebração de Cristo Rei do universo, o Evangelho a nos dizer que participamos da sua realeza crucificada. Cristo não aparece sentado num trono de ouro, mas pregado numa cruz, com uma coroa de espinhos, com uma inscrição sobre a cabeça: “Jesus Nazareno, rei dos Judeus”. Rodeado de dois homens que seriam ladrões, insultado, escarnecido pelos soldados. Nada poder, autoridade, realeza terrena. Jesus na cruz, apresenta um Reino de serviço, de amor, de entrega, de dom da vida; um reino de reconciliação”, ressaltou o presidente do Regional Norte 1 da CNBB. O cardeal Steiner mostrou que “nas palavras dos zombadores, vem a palavra de que Jesus é que salva, ele é o Salvador. A recordação da salvação vem como ironia, agressão para que ele salve a si mesmo. E Jesus não salva a si mesmo, morre crucificado, para salvar a todos. E na dor, no sofrimento, na passagem da morte salva toda a humanidade; nele somos salvos e libertos”. “Reino do amor, da vida veio visibilizado no pedido do homem que como ele está no infortúnio. No suplício da cruz, o bom ladrão reconhece a salvação que é Jesus, o seu reinado”, destacou o arcebispo de Manaus. “Por isso, pede a salvação”, disse ele, citando o texto evangélico: “lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado”. Diante disso, “Jesus o acolhe”, disse, recordando as palavras de Jesus: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso“. Segundo ele, “a cruz é o Trono, em que se manifesta plenamente a salvação, a realeza de Jesus. Na cruz acontece a reconciliação, o perdão e a vida plena para todos. A Cruz é a expressão máxima de uma vida feita amor e entrega”. Inaugurar o Reino de Deus “A missão de Jesus foi anunciar e inaugurar o Reino de Deus, a salvação. Missão da Igreja, a nossa missão de discípulos missionários, de discípulas missionárias é continuar o anúncio do Reino de Deus e convocar a todos homens e todas as mulheres para construir aqui na terra, esse Reino da benevolência, do consolo, da misericórdia, do acolhimento, da bondade, da fraternidade universal, da salvação”, refletiu o cardeal Steiner. Ele recordou as palavras do Prefácio da solenidade de hoje, “Reino, eterno e universal, é o Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz”. Isso porque “esse é o Reino anunciado por Jesus, e plenificado na cruz, na sua morte e ressurreição”. “Ao nos ensinar a oração do Pai Nosso Jesus nos disse para pedirmos que seu reino venha”, disse, recordando as palavras da oração dos cristãos: “venha nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terá como no céu”. “Venha a nós o vosso Reino!” Nisso ele vê “Jesus a nos convidar a fazer parte desse Reino e a trabalhar para que esse Reino chegue ao coração de todos. Todos possam participar desse…
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Diocese de Parintins encerra Jubileu de 70 anos

A diocese de Parintins encerra neste domingo, 23 de novembro de 2025, Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, o Jubileu de 70 anos. Em carta assinada pelo bispo diocesano, dom José Araújo de Albuquerque, lembra que a diocese, criada em 1980, nasceu como prelazia em 1955. Ação de graças pelo vivido Uma celebração em que “elevaremos nossa ação de graças por tudo o que foi vivido e compartilhado neste Ano Santo”, afirma o texto. Junto com isso, “com todos os cristãos leigos e leigas, renovamos a fé na Trindade Santa e a pertença à nossa Igreja Local, trilhando um caminho sinodal e peregrinando na Esperança”. Na carta, a diocese agradece “o empenho e dedicação de todos os irmãos e irmãs que nos ajudaram a concretizar os objetivos deste ano, que certamente marcará nossas vidas e nos impulsionará na missão de testemunhar o Reino de Deus, que já está entre nós”. Alegria e entusiasmo O bispo diocesano pede celebrar “com alegria e entusiasmo esta bela página da história da Igreja em nossa Querida Amazônia e desde já, nos preparemos para iniciar o Ano Novo, com o coração renovado afim de sermos testemunhas do Evangelho, para que o mundo conheça Aquele que nos amou e seja salvo por Ele”. Finalmente, pede ser imitadores de Jesus Cristo “sob as bênçãos da Mãe do Povo Fiel, a Senhora do Carmelo”, e “que a vontade de Deus prevaleça e que no nosso cotidiano continuemos a dizer: ‘O Senhor fez maravilhas e Santo é o seu Nome’”.

Declaração Católica COP30: “Uma Igreja ao lado das pessoas e do planeta”

Que os católicos e pessoas de boa vontade “se juntem a nós em um compromisso e em ações renovados para cuidar de nossa casa comum”. Esse é o propósito da “Declaração dos cardeais, bispos e organizações católicas reunidos na COP30 e na Cúpula dos Povos em Belém.” O texto foi dado a conhecer no final da Conferência das Partes realizada em Belém (PA), de 10 a 21 de novembro de 2025. Fortalecer a esperança A declaração, que recebeu assinaturas online, denuncia que “dez anos após o Acordo de Paris e o apelo do Papa Francisco para proteger nossa casa comum, o mundo enfrenta piores condições climáticas e degradação ambiental.” O texto ressalta que a defesa da vida no Brasil é um caminho que tem sido trilhado junto pela Igreja, os povos indígenas e os movimentos sociais, uma dinâmica que “fortaleceu ainda mais a esperança sentida por toda a comunidade católica”. Junto com isso, se destaca o envolvimento do mundo católico nos meses prévios à COP30, sublinhando a declaração publicada pelas Conferências Episcopais Católicas da Ásia, África, América Latina e Caribe: “Um Apelo à Justiça Climática e à Casa Comum.” Essa declaração é vista como “um forte apelo por ações concretas e corajosas daqueles mais afetados pela crise climática.” As perspectivas que lá aparecem foram compartilhadas por movimentos e organizações católicas. Amor de Deus pelos pobres e pela criação A presença dos católicos na COP30 foi “para descobrir um espírito de verdadeira sinodalidade, caminhando juntos, unidos no amor de Deus pelos pobres e pela criação.” Uma atitude manifestada de diversos modos, testemunho de “uma Igreja pronta para se manifestar ao lado das pessoas e do planeta”, e motivo de uma esperança renovada. Tudo em vista de “conversão ecológica”, segundo pediu Papa Francisco e reforço o Papa Leão XIV. Uma declaração que pede cuidar da criação, promover a solidariedade, coragem para responder fielmente aos desafios urgentes do nosso tempo, os quais afetam todos, “mas especialmente as mulheres, os jovens, os migrantes, os povos indígenas e os mais marginalizados.” Tudo isso, seguindo o pedido de Leão XIV: “Somos guardiões da criação, não rivais por seus bens”. Eis a íntegra da Declaração dos cardeais, bispos e organizações católicas reunidos na COP30 e na Cúpula dos Povos, em Belém De 10 a 21 de novembro, lideranças mundiais, negociadores, movimentos populares e outros viajaram para Belém, no Brasil, para a COP30 e a Cúpula dos Povos. Entre eles, há uma diversidade sem precedentes de vozes da nossa Igreja — leigos, religiosas e religiosos, cardeais, bispos, clérigos, movimentos pastorais, organizações juvenis, ONGs e muitos outros — que procuraram amplificar o que o Papa Francisco, em Laudato Si’, chamou de “o grito da terra e o grito dos pobres”. Comovidos com o que vivemos nesta COP, oferecemos esta declaração a todos os católicos e pessoas de boa vontade para que se juntem a nós em um compromisso e em ações renovados para cuidar de nossa casa comum. Dez anos após o Acordo de Paris e o apelo do Papa Francisco para proteger nossa casa comum, o mundo enfrenta piores condições climáticas e degradação ambiental. A realização da COP30 no Brasil, um país onde a Igreja, os povos indígenas e os movimentos sociais há muito caminham juntos em defesa da vida, fortaleceu ainda mais a esperança sentida por toda a comunidade católica. Meses antes da COP30, católicos começaram a expressar suas esperanças, preocupações e orações relacionadas a esta importante conferência. Em 12 de junho, as Conferências Episcopais Católicas da Ásia, África, América Latina e Caribe publicaram uma declaração conjunta intitulada Um Apelo à Justiça Climática e à Casa Comum, um forte apelo por ações concretas e corajosas daqueles mais afetados pela crise climática. Da mesma forma, movimentos e organizações católicas dialogaram entre si, compartilhando perspectivas e apoiando-se mutuamente.

Família Comboniana na COP30: “Em Belém, sentimos fortemente o cheiro da missão!”

39 representantes da Família Comboniana, incluindo representantes das Irmãs Missionárias Combonianas, dos Leigos e Leigas Missionárias Combonianas, dos Missionários Seculares Combonianos e dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus, reuniram-se em Belém (PA), de 11 a 18 de novembro de 2025, por ocasião da COP30, que ocorre nesta cidade amazônica de 10 a 21 de novembro. Representantes de 15 países O Fórum da Família Comboniana sobre Ecologia Integral – COP30, contou com a participação de mulheres e homens de 15 países, incluindo Congo, Moçambique, Quênia, Uganda, Filipinas, Costa Rica, Equador, Colômbia, Guatemala, México, Brasil, Peru, Espanha e Itália, participaram. Entre os presentes estavam o Bispo Auxiliar Léonard Ndjadi Ndjate, da Arquidiocese de Kisangani (Congo), o Padre Dario Bossi, Presidente da Rede Igreja e Mineração, e a Irmã Gabriela Bottani, Coordenadora da Rede Talitha Kum, rede da Vida Religiosa que coordena o enfrentamento ao tráfico de pessoas. A Mensagem Final afirma que “estes foram dias de encontro e escuta do Espírito presente na luta dos povos amazônicos e do mundo inteiro”. Este encontro foi motivado pela “convicção de que, neste momento decisivo, importantes páginas da história estão sendo escritas ao lado das demandas e propostas das comunidades em defesa do multilateralismo entre os povos, contra todas as formas de negacionismo e contra os interesses daqueles que defendem o lucro acima da vida”. A Família Comboniana exalta o papel da Amazônia, “um território de resistência e inspiração, fundamentado na sabedoria ancestral e no misticismo de seus povos”. O texto denuncia “a grave crise socioambiental que estamos vivenciando: uma crise civilizacional que exige uma profunda conversão de nossos estilos de vida individuais e coletivos, desta economia que mata, e de uma espiritualidade cristã que separou o Criador de suas criaturas”. Membros de uma Igreja em saída Uma COP com liderança indígena, cujas vidas e sonhos levaram os participantes do encontro a dizer que “em Belém sentimos fortemente o cheiro da missão!”. Eles se sentiram como “uma Igreja em saída, em busca de transformação, aliada ao saber ancestral e científico, em um diálogo ecumênico e inter-religioso que abre mentes e corações”. A Família Comboniana participou da COP30 de diversas maneiras e, com base em seu carisma, propôs várias diretrizes de ação, que têm a ver com conversão ecológica, formação em ecologia integral, união às diversas iniciativas para o cuidado de nossa Casa Comum, advocacia política, entre outros aspectos. FÓRUM DA FAMÍLIA COMBONIANA SOBRE ECOLOGIA INTEGRAL – COP30 “Respondendo ao Clamor da Terra e dos Empobrecidos” Mensagem Final “Sabemos que toda a criação geme até agora, sofrendo as dores de parto. E não só a criação, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, gememos interiormente, aguardando ansiosamente a nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo” (Romanos 8:22). “Não há duas crises separadas, uma ambiental e outra social, mas uma única e complexa crise socioambiental” (LS, 139). Convocados pelo clamor dos pobres e da terra, trinta e nove representantes da Família Comboniana reuniram-se em Belém (Brasil) por ocasião da COP30 para participar do Fórum sobre Ecologia Integral. De 11 a 18 de novembro, participamos de todos os espaços de encontro e debate organizados em torno da COP30 e dedicamos tempo ao trabalho conjunto, compartilhando momentos de espiritualidade e refletindo sobre o que nos tocou no que ouvimos e vimos na COP30. Foram dias de encontro e escuta do Espírito presente na luta dos povos amazônicos e do mundo inteiro. Reunimo-nos em Belém com a convicção de que, neste momento decisivo, importantes páginas da história estão sendo escritas ao lado das demandas e propostas das comunidades em apoio ao multilateralismo entre os povos, contra todas as formas de negacionismo e contra os interesses daqueles que defendem o lucro acima da vida. A Amazônia, que sedia a COP30, é um território de resistência e inspiração, baseado na sabedoria ancestral e no misticismo de seus povos. Ouvir seus povos confirma nossa percepção da grave crise socioambiental que estamos vivenciando: uma crise civilizacional que exige uma profunda conversão de nossos estilos de vida individuais e coletivos, desta economia que mata e de uma espiritualidade cristã que separou o Criador de suas criaturas. A confluência das águas na foz do Rio Amazonas reuniu povos de todo o mundo, com uma presença indígena proeminente e cada vez mais consciente e organizada. Dá-nos esperança partilhar as vidas e os sonhos desses povos: em Belém, sentimos fortemente o cheiro da missão! Sentimo-nos parte de uma Igreja que avança, buscando a transformação, aliada ao conhecimento ancestral e científico, num diálogo ecuménico e inter-religioso que abre mentes e corações. Celebramos a vida de muitos mártires, que fizeram e continuam a fazer causa comum com o clamor da Terra e das comunidades empobrecidas. Participamos em muitos debates, nas áreas institucionais da COP, na Cúpula dos Povos e no Tapiri Inter-religioso, e aprofundámos uma visão sistémica da emergência ambiental e climática que estamos a viver. As comunidades de fé, as igrejas e a vida consagrada têm um potencial e uma responsabilidade únicos para oferecer um caminho de esperança neste contexto, e este caminho chama-se espiritualidade da Ecologia Integral. Como pessoas convencidas e motivadas pelo tesouro do carisma Comboniano e pelo legado da doutrina social da Igreja, que relança a evangelização como promoção da dignidade da pessoa em todas as suas dimensões, renovamos o nosso compromisso como Família Comboniana e propomos as seguintes diretrizes de ação: • Promover e sustentar a conversão ecológica a nível pessoal e comunitário, a fim de transformar todas as relações baseadas em desigualdades e injustiças (colonialidade, racismo, género); • Desenvolver processos de formação inicial e permanente em Ecologia Integral e cultivar uma espiritualidade encarnada, libertadora e fundada na colaboração em rede, valorizando a vida litúrgica nas nossas comunidades; • Caminhar juntos como Igreja, valorizando iniciativas em curso como a Plataforma de Iniciativas Laudato Si’, Semeando Esperança para o Planeta, o Tempo da Criação e a Semana Laudato Si’, aprofundando a nossa compreensão dos ensinamentos da Igreja e, em particular, do Apelo das Igrejas do Sul Global à Justiça Climática…
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Patrícia Gualinga à COP30: “Pensem nas respostas urgentes que esta crise climática exige”

Patrícia Gualinga é uma das vice-presidentes da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), considerada no Sínodo sobre Sinodalidade como um exemplo dessa forma de ser Igreja. A líder indígena do povo Kichwa de Sarayaku, na Amazônia equatoriana, pede aos líderes da COP30 que “não pensem apenas em negócios, mas na resposta urgente que biomas como a Amazônia exigem, as respostas urgentes que esta crise climática exige”. A vice-presidente da CEAMA denuncia a situação climática na Amazônia e pede que se ouçam as vozes das mulheres e dos povos indígenas. Ela também pede respeito aos saberes tradicionais, aos direitos e ao cumprimento dos acordos. “Para os povos indígenas, o Papa Francisco foi uma surpresa muito positiva porque ele sentiu a Amazônia apesar de não ser da Amazônia, e a defendeu”, afirma Gualinga. Ela enfatiza a importância do Sínodo para a Amazônia, do qual participou. A líder indígena clama por “a resposta urgente que biomas como a Amazônia exigem, as respostas urgentes que esta crise climática demanda”. Dez anos após o Acordo de Paris e a Laudato Si’, dois marcos na luta contra as mudanças climáticas, o que significa realizar a COP na Amazônia? É altamente simbólico que ela aconteça aqui na Amazônia, pois já se fala em um ponto de não retorno na região, e acredito que seja urgente. Mesmo simbolicamente, a presença de povos indígenas neste bioma confere a ele um significado especial. No entanto, desde o Acordo de Paris, houve pouco progresso ou implementação das decisões tomadas, e isso nos levou a uma crise ainda maior. Esperamos que esta COP, realizada aqui no Brasil, realmente contemple a perspectiva do progresso necessário na proteção da Amazônia, com as vozes das mulheres, mas também com uma voz forte dos povos indígenas, para que eles possam estar no centro da tomada de decisões. Não podemos mais falar apenas sobre o meio ambiente, mas também sobre o aspecto social. E esperamos sinceramente que as negociações incluam pontos que ajudem a combater a crise que estamos vivenciando. E o que os povos indígenas exigem das Nações Unidas e dos diversos países em relação ao cuidado com nossa casa comum, ao cuidado com o planeta? Eles exigem algo que já existe: respeito aos seus direitos. Esse respeito existe, mas não tem sido cumprido. O primeiro ponto, e é muito importante, apesar de estar consagrado no direito internacional, não está sendo respeitado. Requer consentimento, não apenas consulta. Consentimento livre, prévio e informado, dado de boa-fé, com forte participação dos povos indígenas. Devem também considerar os impactos sociais que ocorrem na Amazônia. Deve haver um reconhecimento e uma valorização genuínos do conhecimento dos povos indígenas. Eles também precisam de acesso a financiamento para que possam implementar seus próprios planos de acordo com sua própria visão. Esses são alguns dos pontos que eles levantaram e que estão sendo discutidos atualmente. Deve haver inclusão; nós também devemos estar no centro da tomada de decisões. As negociações devem incluir a linguagem completa dos direitos e dos direitos coletivos. A partir das cosmovisões tradicionais, dos processos de pensamento dos povos indígenas, o que os povos indígenas querem enfatizar e o que precisa ser ouvido especificamente? Respeito ao conhecimento tradicional, sua não apropriação e sua valoração equitativa. Mas, ao mesmo tempo, esse conhecimento deve ser tratado com igualdade pela ciência, e não como mero conhecimento empírico. E isso é muito claro, porque o conhecimento ancestral contém muitas soluções que poderiam ser aplicadas se realmente quiséssemos combater a crise climática. Outro ponto que reivindicamos é: chega de combustíveis fósseis, chega de exploração de petróleo na Amazônia, chega de destruição causada pela mineração, chega de construção de estradas, porque isso acarreta muita destruição. Há uma demanda pelo reconhecimento do conhecimento ancestral, mas também pela proteção de nossos territórios. Muitos falam sobre a titulação e demarcação de terras, e isso precisa acontecer agora. Dez anos se passaram desde a publicação da Laudato Si’, escrita pelo Papa Francisco. O que o Papa Francisco representou para os povos indígenas, especialmente por meio da encíclica Laudato Si’ e do impulso que deu à necessidade de cuidar de nossa Casa Comum, sobretudo dos territórios indígenas? Para os povos indígenas, o Papa Francisco foi uma surpresa muito positiva, pois ele sentiu uma profunda conexão com a Amazônia, mesmo sem ter sido amazônico, e a defendeu. Ele promoveu o Sínodo da Amazônia, motivando um diálogo territorial abrangente que levou ao Sínodo, uma resposta ao território. A encíclica Laudato Si’ captura a visão e a perspectiva de muitos povos indígenas, não de todos, pois não tem os meios para alcançá-los a todos, mas captura sua essência. O belo disso é que conecta a fé, a espiritualidade, de uma forma bíblica. Isso é algo que não se perderá da noite para o dia. Há um movimento crescendo paralelamente a isso, e ele deve, de alguma forma, envolver aqueles que realmente sentiram o impacto da Laudato Si’ em suas próprias vidas. Você fala de envolvimento. Você é uma representante dos povos indígenas como vice-presidente da Conferência Eclesial da Amazônia. O que significa para os povos indígenas que a Igreja Católica, ao acompanhar a vida na Amazônia e tomar decisões sobre a própria Igreja na região amazônica, leve em consideração as vozes dos povos indígenas? É muito importante. O contexto eclesial não é o nosso mundo, mas é muito importante porque nos permite acompanhar e apoiar esse processo, que é inteiramente novo e muito complexo, pois envolve espiritualidade, mas também meio ambiente, questões sociais e os bispos, e não apenas os povos indígenas, mas também comunidades ribeirinhas, caboclos, agricultores e o povo das cidades como Belém. É sempre importante que essa visão holística e primordial dos povos indígenas, que vem da natureza, proporcione esse acompanhamento. Como indígena, como alguém que valoriza o legado do Papa Francisco, o que você diria à COP30 para ajudar a orientar decisões concretas? Eles não devem pensar apenas no aspecto comercial, mas na resposta urgente exigida por biomas como a Amazônia, as respostas urgentes exigidas por esta crise climática. E…
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