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Sankofa: Aprender com o passado para ressignificar o presente na direção da construção de um futuro

Foto: Arquivo pessoal O símbolo Adinkra da Sankofa do sistema linguístico do povo Akan da África ocidental, Costa do Marfim, Gana e Togo. O pássaro que voa para frente, mas que volta seu pescoço para trás levando um ovo no bico. Significa, voltar-se para aprender com o passado para ressignificar o presente na direção da construção de um futuro. Eu sou da quarta geração pós 1888 da minha família. Tenho vontade de saber mais sobre meus antepassados, mas, como qualquer outro afrodescendente no Brasil, chega-se um momento da sua árvore genealógica que se torna difícil saber com exatidão qualquer coisa, como por exemplo, de qual região africana vieram, qual grupo étnico, sua língua, como se organizavam, suas festas, suas expressões do sagrado, etc. Cada informação que você consegue, por mínima que pareça ser, para nós é como um tesouro. Em uma pequena pesquisa que fiz com base em uma fotografia de família que foi tirada por volta de 1940-45, cheguei a calcular que meu bisavô paterno possivelmente pode ser situado na primeira geração de homens livres da minha família. Natural de Minas Gerais sabe-se que ali foi lugar de grande fluxo de escravos por causa do minério.  Outra característica importante é que meu pai é um contador de histórias, lembro que na infância ele nos sentava a beira do fogão de lenha e contava histórias sempre com um ensinamento como conclusão, meu bisavô também tinha esse hábito. É interessante essa constatação porque a oralidade é muito importante na cultura africana na transmissão da sabedoria. Outra característica importante é o fato de tanto do lado paterno quanto materno sempre teve a figura das benzedeiras e rezadores. Retornar ao passado nos ajuda a tomar consciência de quem somos e para onde vamos. Em determinado tempo da história meus antepassados foram vítimas do tráfico de pessoas.  Passaram pelo ritual de esquecimento de etnicidades, que consistia em dar nove voltas em torno da árvore do Baobá, batizados e obrigados a passar pela porta do não retorno e assim transformados em mercadorias na América. Aqueles negros e negras que nunca mais retornavam para sua terra, eram pessoas humanas com sonhos, filhos, mães, pais que cantavam, dançavam, riam e sonhavam. Não há sistema no mundo que impeça o ser humano de voar, de transcender espaços pré-estabelecidos. Meus pensamentos vão às asas da Sankofa   e imagino meus ancestrais passando pela porta do não retorno e me pergunto, quais foram os seus sentimentos naquele momento? De certa forma, eu estava lá, pois sou minha ancestralidade, e essa raiz por mais que tenha sido vítima das mais absurdas formas de atrocidades continuam pulsantes. E meus antepassados juntamente com todos os demais que foram traficados, construíram o povo brasileiro com suor e lágrimas. Dos anciãos aprenderam a contar histórias, a sabedoria popular, rezas, benzimentos, com as babás, essas mulheres angolanas que foram as primeiras pedagogas do país que formularam as bases da sociedade brasileira, com elas o brasileiro aprendeu a dar seus primeiros passos, suas primeiras palavras, as cantigas de ninar, as cantigas de roda. Tudo isso só é possível assumindo uma consciência da sua ancestralidade, não negar suas raízes, fazendo o movimento da Sankofa. Esse pássaro da resistência, que ressignifica o presente, voltando sua cabeça para o passado na construção de um futuro. Michel Carlos da Silva – Seminário São José de Manaus

Encontro Diocesano de Pastoral no Alto Solimões busca novos caminhos na construção do Reino

A Diocese do Alto Solimões realizou de 15 a 18 de novembro de 2021 seu Encontro Diocesano de Pastoral. Setenta e três participantes, padres, religiosos e religiosas, leigos e leigas, além do bispo diocesano, Dom Adolfo Zon, representando as oito paróquias da diocese se reuniram no Centro de Formação Frei Ciro, em Tabatinga. O encontro teve como tema “A fecundidade da Palavra de Deus”, e como lema: “E… a Palavra de Deus crescia e se multiplicava…” (At. 12, 24). Foi um momento de fraternidade, mas também de grande alegria por poder se encontrar novamente como diocese depois do tempo de pandemia, em que as medidas sanitárias, respeitadas pela Igreja, impediram os encontros presenciais. O ponto de partida do encontro foi a lembrança das Prioridades Diocesanas, junto com as Diretrizes Gerais para a Ação Evangelizador da Igreja no Brasil e as Orientações do Regional Norte 1, aprovadas na última Assembleia do Regional Norte, realizada em Manaus no mês de setembro com representantes da Diocese do Alto Solimões. A avaliação dessas prioridades e as propostas das orientações, evidenciou o caminho feito e ajudou a apontar novas metas para a Diocese do Alto Solimões. Dentre elas foi colocado em destaque que a solidariedade generosa nas emergências, à luz de Palavra vivida no amor recíproco, foi experiência de Eucaristia, sobretudo junto aos mais necessitados. Também foi enfatizado durante o Encontro Diocesano de Pastoral da Diocese do Alto Solimões que as Pastorais e os Serviços diocesanos, com a lição da pandemia, adquiriram mais ânimo e determinação e, junto aos povos indígenas, aos ribeirinhos, às comunidades urbanas e rurais, estão buscando novos caminhos para colaborar na construção do Reino de Deus no mundo a partir da Querida Amazônia! A caminhada sinodal vivida no processo do Sínodo para a Amazônia e que continua sendo vivida com o novo Sínodo sobre a Sinodalidade, ajuda a manter viva a Luz do Evangelho nessa região de fronteira, onde os rios não separam os povos nem os países, mas os juntam e criam laços que brotam da fé em um Deus encarnado, que sustenta o trabalho missionário em meio dos povos da Amazônia. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Com informações e fotos da Diocese do Alto Solimões 

Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe: novo jeito de fazer as coisas na Igreja

A poucos dias da Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, que será realizada de 21 a 28 de novembro, podemos dizer que estamos diante de um novo jeito de fazer as coisas na Igreja, de um claro exemplo de sinodalidade. Nunca na história da Igreja aconteceu uma assembleia em nível continental onde leigos e leigas, vida religiosa, sacerdotes e bispos, participem de um momento em que juntos, de igual para igual, possam discernir novos caminhos para a Igreja. Ainda mais, uma assembleia que acontece de modo presencial e virtual, mas que como foi enfatizado várias vezes, todos participam em igualdade de condições na hora de poder se expressar. Serão mais mil os participantes, e a grande novidade é que a maior porcentagem, 40 por cento dos assambleistas, são leigos e leigas. O Concilio Vaticano II insistiu numa Igreja Povo de Deus, constituída a partir do Batismo, e depois de mais de 50 anos nos deparamos com um evento eclesial onde isso quer se concretizar na prática. Sabemos que o desafio é grande, fruto de resistências tradicionalmente presentes na vida da Igreja, mas os caminhos que podem nascer são motivo de grande esperança. A sociedade, também a Igreja, ao longo da história tem se organizado de um modo piramidal. Passar desse modelo social e eclesial a um modelo circular, sinodal, onde a divisão seja substituída pela união, resulta um desafio. O ser humano tem dificuldade para se relacionar de igual para igual com quem é diferente, com quem pensa diferente. Custa entender que as diferenças oferecem possibilidades de enriquecimento pessoal, mas também comunitário. Pensamentos diferentes ajudam a chegar mais longe, a vislumbrar com maior facilidade novas possibilidades. Essa é uma reflexão que todos nós somos chamados a fazer, também como sociedade. Diante de polarizações que não levam a nada, que enfraquecem o tecido social e eclesial, somos chamados a fazer e assumir propostas e modos de fazer as coisas diferentes. Não podemos continuar incentivando divisões e enfrentamentos se queremos fazer realidade um futuro melhor. Essas novas práticas, cada dia mais urgentes e necessárias, se tornam um reto para o futuro da humanidade, para sermos sociedade e Igreja. Ou caminhamos juntos, ou a cada dia vamos sofrer as consequências da divisão e do enfrentamento. Juntos somos mais e podemos gerar perspectivas melhores, que ajudem a incentivar um nós coletivo e deixar para trás os egos que, mesmo pensando que nos fazem ser mais, na verdade nos tornam menores. É tempo de apostar pela unidade, pelo cuidado mutuo, pela felicidade para todos e todas. Superemos aquilo que nos afasta dos outros e reconheçamos tudo o que de positivo existe no outro. É tempo de caminhar juntos, de sinodalidade, de apostar em um novo jeito de fazer as coisas na Igreja e na sociedade. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Editorial Rádio Rio Mar

Articulação Brasileira promove 2º Encontro Nacional pela Economia de Francisco e Clara

  A Articulação Brasileira da Economia de Francisco e Clara realiza nesta sexta-feira e sábado, 19 e 20 de novembro, o 2º Encontro Nacional pela Economia de Francisco e Clara. Até o momento já são mais de 600 pessoas inscritas de todo o Brasil para participar desse momento. Segundo os organizadores, o encontro foi pensado para vivenciar experiências da Economia de Francisco e Clara. Também pretende consolidar que em cada estado e cidade do país haja pessoas organizadas em construir o pacto do Papa Francisco para “realmar” a Economia. As atividades vão começar na noite da sexta-feira, das 20 às 22 horas, no horário de Brasília, momento em que depois da abertura e uma apresentação da memória coletiva, Dom Joaquim Mol, bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG), Eduardo Brasileiro, da Articulação Brasileira da Economia de Francisco e Clara, e um representante dos Movimentos Populares vão refletir sobre a temática do dia, “Coletividade, Memória e Afeto”. Essa primeira jornada vai contar com as falas inspiradoras do jesuíta e economista francês, Pe. Gael Giraud, e de uma das políticas com mais longa carreira política no Brasil, Luiza Erundina. O primeiro dia vai ser encerrado com a Celebração das Luzes em Brumadinho (MG), local de um dos maiores crimes ambientais na história do Brasil, com a presença de Dom Vicente Ferreira, bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG). No sábado 20 de novembro, das 10 às 12 horas, será abordado o tema “Potencializar o Território”, buscando a consolidação das Organizações Territoriais e a consolidação de encontros regionais. Também serão escutadas vozes da Economia de Francisco e Clara em cada região do país e serão apresentados os 10 princípios para se viver a Economia de Francisco e Clara. Na parte da tarde, a reflexão será sobre as práticas econômicas alternativas para a construção da Economia de Francisco e Clara. Dentre outras a Economia Solidária, os Bancos Comunitários e Moedas Sociais, o Cooperativismo auto gestionário, as Empresas recuperadas, o Trabalho dos catadores de material reciclável, a Convivência com o Semiárido, a Agroecologia e Soberania Alimentar, a economia agrourbana e Caritas. As falas inspiradoras contarão com a presença do economista e político equatoriano, Alberto Acosta, e da ex-ministra e ex-senadora, Marina Silva. Nessa sessão será abordada como concretizar as Casas de Francisco e Clara A noite do sábado será momento de esperançar, com as falas inspiradoras da líder indígena Sônia Guajajara e o teólogo Leonardo Boff, que abordarão a questão de como construir uma nova economia até 2030 e a construção brasileira da Economia de Francisco e Clara no mundo da pós pandemia. O encontro será encerrado com uma Celebração Ecumênica e a Carta compromisso da Economia de Francisco e Clara. Segundo a Ir. Michele Silva, da Articulação Brasileira da Economia de Francisco e Clara é motivo de alegria estar construindo desde há dois anos a Economia de Francisco e Clara no Brasil, o que “nos motiva a esperançar”. O encontro quer retomar “o caminho iniciado pelos jovens chamados pelo Papa Francisco a realmar a Economia, e de cada pessoa que acredita numa lógica econômica que esteja ao serviço da vida”. Trata-se, segundo a religiosa de “a partir da realidade pensar, debater e concretizar novas economias”. Ela conta a experiência da Amazônia Legal e do Regional Norte 1 da CNBB, onde “por meio da reflexão, da escuta, de ações para o cuidado da casa comum, o acesso à garantia dos direitos, à terra, trabalho e teto, e de transformação da lógica económica capitalista”. A Ir. Michele afirma que “procuramos construir a Economia de Francisco e Clara com o rosto amazônico, tecido pelas economias alternativas que já existem: solidária, das mulheres, indígena, ribeirinha, dos pescadores, e que precisam ser formatadas, subsidiadas para inspirar um novo estilo de vida e de consumo”. Ela insiste em que “acreditamos numa economia que gera vida, igualdade e sustentabilidade”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Diocese de Coari realiza Assembleia Diocesana da Caritas

A Diocese de Coari realizou de 12 a 14 de novembro de 2021, no Centro de Formação Missionaria, a VI Assembleia da Caritas da Diocese de Coari, com a participação de mais de 40 representantes das paróquias da Diocese. O objetivo geral da VI Assembleia da Caritas foi “aprofundar a missão da Caritas da Diocese de Coari à luz da realidade eclesial atual e seus desafios sociais”. Entre os objetivos específicos destaca avaliar a caminhada dos anos 2020 e 2021, um tempo que foi marcado pela pandemia da Covid-19, onde o papel da Caritas tem sido de grande importância. Também foi momento para planejar as atividades durante o ano de 2022. A VI Assembleia da Caritas da Diocese de Coari contou com a assessoria do diácono Francisco Lima, secretário executivo do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que abordou o tema dos “Desafios sociais e eclesiais da Caritas no contexto da pandemia e na volta ao novo normal”. A articuladora Regional da Caritas Regional Norte 1, Márcia Maria Miranda, mostrou “Alguns pontos sobre as atuais ações da Caritas no contexto da pandemia e da sinodalidade”. Durante três dias os participantes da Assembleia participaram de momentos de oração, reflexão e troca de experiências. Também foi momento para realizar avaliações e elaborar o plano de ação e calendário para o ano 2022. A noite cultural foi realizada pelo Grupo de Idosos do Centro de Convivência de Coari. Nas avaliações os assambleistas viram a importância da Caritas para a Diocese de Coari, considerada um grande bem que realizou muitas ações em favor das pessoas mais necessitadas nesse tempo da pandemia. O bispo diocesano, Dom Marcos Piatek mostrou sua gratidão aos participantes, aos responsáveis pelo Centro de Formação e à diretoria da Caritas da Diocese de Coari. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Com informações da Diocese de Coari

Seminario da 6ª Semana Social Brasileira e Grito dos Excluídos em Itacoatiara

A Prelazia de Itacoatiara realizou de 12 a 14 de 2021 uma formação sobre a 6ª Semana Social Brasileira, “Mutirão pela Vida, por Terra, Teto e Trabalho, a Amazônia que queremos”. Com a participação de mais ou menos 50 representantes das diferentes paróquias da Prelazia, foi o primeiro evento presencial desde o início da pandemia. A formação deve ajudar, segundo Raimundo Assis, da paróquia de Silves, “para que a gente possa a partir deste momento começar a pensar em nos envolver mais nas questões sociais”. Dentro do programa foi abordada a Economia de Francisco e Clara, com a assessoria da Ir. Michele Silva. A religiosa vê a terra, teto e trabalho como “direitos essenciais para todas as pessoas”. A Ir. Michele, que faz parte da Articulação Brasileira da Economia de Francisco e Clara, afirma que “está muito interligada e é um eixo inclusive da 6ª Semana Social Brasileira”. Se trata de “um chamado que o Papa nos faz para re-almar a economia, que foi dirigido como provocação para os jovens de todo o mundo, mas que também cada e cada uma de nós é chamado a assumir hoje um novo estilo de vida, na nova lógica da economia ao serviço da vida”. Segundo Alessandra Miranda, definiu o encontro como “momento de muitas partilhas, muitos estudos, sobretudo para a gente colocar o nosso sonho no patamar de realização”. Segundo a Secretaria Executiva da 6ª Semana Social Brasileira, “até 2023 iremos viver a Semana Social Brasileira em todo o país”, buscando “a construção desse projeto popular que é tão importante para todo o Brasil, e a missão da Igreja para organizar e articular o Brasil que queremos”. Para a Ir. Cleide, das irmãs Negras Agostinianas, que fez parte da organização do encontro, este encontro “foi um momento significativo na história da nossa Prelazia, e desejamos que esta Semana Social possa contribuir no processo de formação de todas as pessoas”. Os participantes serão, segundo a religiosa, “responsáveis de ser multiplicadores e multiplicadoras nas nossas paróquias, falando nas bases, com o objetivo de construir a Amazônia que queremos, uma Amazônia onde todos tenham vida e vida em abundância”. O Grito dos Excluídos, realizado na tarde do dia 13, teve como tema “Não deixem que anestesiem nossa consciência social”. Para Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, bispo da Prelazia de Itacoatiara, destaca que foi um encontro “bastante positivo, bastante produtivo”, destacando que “as cabeças foram pensando juntas e construindo um projeto”. Segundo o bispo foi constituída uma comissão para pensar na integração entre a 6ª Semana Social Brasileira e a Economia de Francisco e Clara. Ele destacou o trabalho da comissão organizadora do encontro. Falando sobre o Grito dos Excluídos, realizado na véspera da V Jornada Mundial dos Pobres, afirmou que foram trabalhados os temas que neste ano fizeram parte do Grito dos Excluídos em nível nacional, que na maioria das dioceses acontece no dia 7 de setembro. O bispo refletia sobre a necessidade de um maior envolvimento da parte dos católicos de Itacoatiara nesses momentos em que pretende se ligar fé e vida. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1  Com informações e fotos do Setor de Comunicação da Prelazia de Itacoatiara

Assembleia São Gabriel da Cachoeira: Partilha da caminhada e desejo de assumir a sinodalidade

A Diocese de São Gabriel da Cachoeira realizou de 9 a 11 de novembro a Assembleia Diocesana de Pastoral, com a presença dos padres, uma irmã de cada comunidade religiosa e o coordenador ou coordenadora do Conselho Paroquial. Mais ou menos 50 participantes representando as 11 paróquias da Diocese. O bispo diocesano destaca o clima de grande alegria e disposição para participar depois deste longo período de isolamento social. A  Assembleia começou avaliando o Plano Diocesano de Pastoral, elaborado a final de 2019, depois do Sínodo para a Amazônia. Segundo Dom Edson Damian, duas atividades mereceram destaque, o inicio da Escola de Formação Teológica para Leigos e Leigas, com 90 participantes, nas duas últimas semanas de julho. Na última quinzena do próximo mês de janeiro será o segundo módulo do curso. Também foi partilhada a maneira como cada paróquia está realizando as itinerância, passando da visita rápida para celebrar os sacramentos para uma presença mais prolongada junto às comunidades, uma ideia presente nas reflexões do Sínodo para a Amazônia. Segundo o bispo, cada paróquia organizou uma pequena equipe itinerante para acompanhar o padre e realizar reuniões e encontros de formação com as comunidades. Os participantes da Assembleia receberam as Orientações para a Ação Evangelizadora para o Regional Norte 1 da CNBB, elaboradas na última assembleia do Regional. Dom Edson destaca a alegria provocada pelas opções que a Igreja da Amazônia vem assumindo, desde o Documento de Santarém até a Querida Amazônia, elementos presentes nas Diretrizes do Regional. A mesma coisa com o Sínodo sobre a Sinodalidade: Comunhão, Participação e Missão, que “representa a mais abrangente consulta de nossa Igreja ao povo santo e fiel de Deus”. Dom Edson destacou a importância de escutar as pessoas que estão às margens, aquelas pessoas que se afastaram das nossas comunidades, e com as diferentes instâncias da sociedade. As comunidades receberam o material para realizar o processo de escuta, algo que foi experimentado durante o Sínodo para a Amazônia, e que faz com que os leigos e leigas se sintam felizes, porque serão ouvidos e poderão dar a sua opinião. Segundo o bispo de São Gabriel da Cachoeira, “o Sínodo é o acontecimento mais importante depois do Concílio Vaticano II. Pela primeira vez, em dois mil anos de história da Igreja, um Sínodo é chamado a envolver todo o Povo de Deus”. Na Assembleia foi refletido sobre os perigos que o Papa Francisco colocou na abertura do Sínodo: o formalismo, que seja um Sínodo de fachada; o intelectualismo, com reflexões fora da realidade; o Sínodo como um grupo de estudo, com reflexões cultas, mas alheias aos problemas da Igreja e os sofrimentos da humanidade; o imobilismo, que nos leva a dizer que sempre se fez assim, buscando soluções velhas para problemas novos. A Missa de encerramento foi a abertura do Sínodo na Diocese de São Gabriel da Cachoeira. O bispo destaca como algo importante a visita na Assembleia de uma das defensoras públicas da Região do Rio Negro, informando sobre as demandas judiciais que são atendidas na defensoria, informando também sobre omissões em outras instituições públicas. Dom Edson destaca a importância do Sínodo como momento de reforma da Igreja, desde a conversão das pessoas, mas também desde a reforma das estruturas para atender as necessidades do povo. Ser uma Igreja em saída, hospital de campanha, que vai ao encontro dos últimos, dos excluídos, daqueles que estão morrendo de fome, dos descartados, dos esquecidos. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Pré-assembleia eclesial: preparativos finais para “uma nova forma eclesial de proceder”

Quase 450 dos mais de 1.000 participantes da Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, que acontecerá de 21 a 28 de novembro próximo, participaram da primeira de duas pré-assembleias na sexta-feira, 12 de novembro, que foi realizada virtualmente através da plataforma zoom e foi transmitida, como será o caso da maior parte da Assembleia, no canal YouTube e na página do Facebook do Celam e da Assembleia Eclesial. Depois de um momento de oração, que recordou o caminho percorrido e mostrou que somos um povo de Deus sinodal, em saída para as periferias existenciais, que dá vida, e que é importante estar muito aberto à novidade do Espírito, Dom Miguel Cabrejos saudou os participantes e agradeceu a Deus por todo o processo, que não termina e não deve terminar. Para o presidente do Celam, o Espírito de Deus é um elemento chave em todo o trabalho realizado. Estamos diante de “uma nova forma eclesial de proceder“, segundo o Arcebispo de Trujillo, seguindo o modelo da Igreja Povo de Deus que nos foi legado pela Lumen Gentium. Essa é a fonte, segundo Dom Miguel Cabrejos, da hermenêutica para uma Igreja como Povo de Deus, lembrando o que está contido na Evangelii Gaudium, que considera que o sujeito da evangelização é um povo a caminho para Deus e transcende todas as instâncias institucionais necessárias. A Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe implica uma ressignificação das identidades eclesiais e de sua forma de participação na Igreja, afirmou o prelado peruano. Segundo ele, “o horizonte permanece aberto para relações que nos levarão a um grande nós eclesial”. Neste sentido, ele enfatizou que na América Latina foi feito um discernimento de colegialidade à luz da sinodalidade, algo único e novo, o que é um desafio. Dom Jorge Lozano lembrou que na Assembleia Geral do Celam realizada em maio de 2019 em Tegucigalpa, foi decidido solicitar uma VI Assembleia Geral do Episcopado da América Latina e Caribe. Quando foi apresentado ao Santo Padre, ele destacou a conveniência de um evento do Povo de Deus, que retomaria as discussões de Aparecida, algo em que ele mesmo insistiu em sua mensagem enviada em 24 de janeiro, por ocasião do lançamento da Assembleia Eclesial. O processo de Assembleia passou por quatro etapas, segundo o Pe. David Jasso: preparação, escuta, síntese narrativa, discernimento comunitário e sinodal. O secretário adjunto do Celam insistiu na necessidade de escuta, diálogo e encontro eclesial, como elementos para descobrir o que Deus nos pede e para podermos responder juntos. Um elemento importante neste momento do processo da Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe é o Documento de Discernimento. Segundo Dom José Luis Azuaje, é fruto de um longo discernimento comunitário, que reúne ideias e reflexões de vários tipos, com o objetivo de perturbar e provocar novas reflexões. O objetivo é evitar a burocracia, insistindo que se trata de um documento para a vida de nosso povo. Segundo o presidente da Conferência Episcopal Venezuelana, é uma questão de discernimento para ver o que Deus pede a seu povo latino-americano, de Aparecida, de uma Igreja sinodal, em saída, em busca de desenvolvimento e de uma ecologia integral. A partir daí, ele destacou alguns elementos importantes no Documento, como a fidelidade à escuta de todo o Povo de Deus, sabendo que é um documento escrito em diferentes contextos e realidades culturais. O valor do documento é que ele é um instrumento para gerar reflexão, um documento eclesial, de todo o Povo de Deus, afirma o Arcebispo de Maracaibo. Por esta razão, ele enfatiza que não se trata de um documento com soluções, mas de um documento para levantar aspectos de nossos povos em busca de orientações e diretrizes pastorais. É um documento no qual todos nós somos participantes do que existe, há a presença da teologia, do sentido pastoral, antropológico e cultural. O prelado insistiu que somos todos membros da assembleia, e enfatizou a necessidade de uma atitude de oração, de confiança em Deus, de reflexão, de discernimento. Trata-se de um discernimento orante de como Deus está tocando nossos corações a partir dos sinais dos tempos, disse a Irmã Birgit Weiler. A religiosa chamou para ler o Documento com uma abertura ao Espírito, a fim de nos perguntarmos como ser discípulos missionários saindo à luz destes sinais. Estes são sinais presentes na sociedade e na Igreja, fruto do processo de escuta, buscando um processo de conversão para poder responder a estes sinais. Ao apresentar o programa, Dom Miguel Cabrejos enfatizou que, acima e além dos diferentes momentos, é fundamental participar sob o Espírito de Deus. Isto é o que nos permitirá deixar-nos surpreender, como salientou o Padre David Jasso, destacando cinco verbos: recordar, escutar, discernir, responder e celebrar. O padre mexicano insistiu, citando Episcopalis Communio, que o processo sinodal tem seu ponto de partida e seu ponto de chegada no Povo de Deus. Ao mesmo tempo, ele lembrou a importância de participar da Assembleia com o Documento de Aparecida e a Palavra de Deus na mente e no coração. Antes da Assembleia Eclesial, o fundamental, segundo Mauricio López, é entrar do “eu”, a fim de passar necessariamente para o “você” e para o “nós” N´ele. Na metodologia, ele enfatizou a importância do método de conversação espiritual. Ao mesmo tempo, ele insistiu que os membros da assembleia são representantes da vida de muitas pessoas, o que deveria fazê-los ter em mente que o sujeito que discerne é a Igreja na América Latina, e a necessidade de criar o sujeito comunitário, que é algo exigente. Sem dúvida, um primeiro passo para um momento sem precedentes na vida da Igreja, que se prepara para se reunir de diferentes maneiras, mas em condições de igualdade, a partir de 21 de novembro. Antes disso, a segunda e última pré-assembleia acontecerá na próxima sexta-feira, 19 de novembro, às 17 horas, horário da Colômbia. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Jornada Mundial dos Pobres: estar com os pobres como modo de evangelizar

A Jornada Mundial dos Pobres, instituída pelo Papa Francisco, tem se tornado um momento de reflexão para a Igreja e para a sociedade. Em 2021 esta Jornada acontece pela quinta vez, e nos desafia a nos questionar: “Sentes Compaixão?”. Dentro das atividades da Semana dos Pobres, a Igreja de Manaus organizou o “Seminário da V Jornada Mundial do Pobre”. Segundo Dom Leonardo Steiner, “o Papa nos dá os meios de como evangelizar, de como viver o Evangelho, um novo método de viver na Igreja”. Nesse novo modo de evangelizar, segundo o arcebispo de Manaus, é fundamental “estar com os pobres, mostrar a razão de ser o Reino de Deus”. Além das palavras, segundo Dom Leonardo, somos chamados a evangelizar a través dos gestos, da acolhida, do caminhar juntos. O arcebispo insistiu em que “nossas palavras estão perdendo sua força e vigor”, sendo desafiados a aprender com Jesus, que “tomava as crianças no colo, ressuscitava mortos, dava comida, caminhava, tocava nos migrantes”. A Igreja de Manaus é desafiada a organizar melhor a caridade, segundo seu arcebispo. Para isso está sendo criado o Vicariato da Caridade. Tudo isso, numa Igreja que tem alma missionária, tem gestos, tem braços, tem pernas, afirmou Dom Leonardo. Esses braços e pernas se concretizam na Igreja de Manaus no trabalho de diferentes pastorais, comunidades, congregações e fraternidades. Algumas delas contaram sua experiência no trabalho com os pobres, especialmente com os moradores de rua e com os migrantes. A Comunidade Nova Aliança, a Fraternidade o Caminho, a Pastoral do Povo de Rua, o Serviço Pastoral do Migrante, a Pastoral Indigenista, ajudou os participantes do Seminário a entender a necessidade de ser sinal da misericórdia, a servir e caminhar com aqueles que mais sofrem. Na Igreja de Manaus, “esta Jornada teve um impulso maior, tentando descentralizar as ações, sensibilizar as paróquias, porque a Jornada Mundial, em primeiro lugar, é para a Igreja, e a Igreja sensibiliza a sociedade”, segundo o padre Alcimar Araújo. O Vice-presidente da Caritas Arquidiocesana de Manaus insistiu em que “o Seminário é extremamente importante para a gente juntar as pessoas que trabalham diretamente com os pobres, os desfavorecidos”. Isso é visto como “um embrião para depois, como é o desejo de Dom Leonardo, fazer o Vicariato da Caridade, para a gente potencializar as nossas ações, formando rede e tendo mais apoio para atender essas pessoas”, segundo o padre Alcimar. Ele destacou a importância do Seminário como espaço onde “cobrar do poder público, porque eles têm sua obrigação, eles têm a gestão do dinheiro, que é público. Esse dinheiro muitas vezes é mal gasto, esse dinheiro muitas vezes vai pelo ralo da corrupção, esse dinheiro não volta, como deveria voltar, para a sociedade civil”.     Para o vice-presidente da Caritas Arquidiocesana de Manaus, “é importante que nós, sociedade civil organizada que trabalha, faz alguma coisa pelos pobres, também cobrássemos para que o governo fizesse sua parte”. Segundo o padre Alcimar, “há muita coisa que pode ser feita, e a gente precisa estar cobrando do governo para que isso seja realmente uma realidade que melhore a vida do nosso povo”. Numa sociedade em que vivemos rodeados pelos nossos problemas e nem sempre olhamos para os outros, a Dra. Alzira Costa Melo, procuradora chefe do Ministério Público do Trabalho no Amazonas e Roraima, chamou a refletir sobre o papel do Ministério Público na sociedade, sobre o papel do procurador, chamado a enxergar o sofrimento que é causado pela violação dos direitos humanos. Diante disso, se faz necessária a cobrança da parte do Ministério Público e dos órgãos de fiscalização. Segundo a procuradora, além das ameaças, que tem aumentado com a pandemia da Covid-19, existem no Brasil as ameaças políticas. Um exemplo disso é a Proposta de Emenda Constitucional conhecida como a “PEC da Mordaça”, que pretende impor limitações ao Ministério Público no seu trabalho fiscalizador em defesa dos direitos humanos. A Dra. Costa Melo insistiu em que “os recursos nunca serão suficientes para a atenção aos pobres”, incentivando a urgência de políticas que pensam em soluções além do emergencial. Estamos diante de um trabalho multidisciplinar, que precisa da colaboração de todos os atores sociais. Nesse sentido, o representante do Conselho de Segurança Alimentar insistiu em que o Conselho está querendo ser um espaço plural, onde possam ser cobrados os direitos dos brasileiros. Por isso, é importante implementar políticas diferenciadas para ajudar a superar as situações de pobreza, buscando superar as causas estruturais dessa pobreza. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Violência Estrutural: “Se a dor do outro não doe em mim, vou me desumanizando”

“Refletir sobre o fenômeno da violência estrutural como processo de construção histórica e ideológica, dentro e a partir do momento histórico em que nosso país se encontra”, foi o objetivo da “Conferência Interdisciplinar sobre Violência Estrutural: Reflexões para uma agenda de processos humanizadores”, organizada pelo Seminário São José de Manaus e o Instituto de Teologia, Pastoral e Ensino Superior da Amazônia (ITEPES). Diante de uma realidade em que “a violência estrutural sacrifica vidas todos os dias em nosso país”, a conferência abordou essa problemática desde a psicologia, a filosofia, a pastoral e a teologia. Em representação do Seminário São José, o padre Jardson Sampáio destacou a importância de os jovens refletir sobre esta temática. O diretor do ITEPES, o padre Ricardo Castro, afirmou que “o conhecimento não é só teórico, mas é um conhecimento para realidades invisibilizadas ao longo da história, que neste momento da história se tornam gritantes”. Elayne Cardoso abordou a questão da violência estrutural, refletindo sobre a relação entre violência e saúde, que segundo a psicóloga se tornou problema de saúde pública. A violência tem se convertido em algo normalizado, parte de nossos atos e modos de nos relacionarmos, segundo Elayne, que citou vários fatores que provocam violência, que considera a violência como algo que funciona em espiral, como algo que tende a crescer. A psicóloga afirmou que a violência nunca é justificável por si mesma e sempre serve alguns interesses. Segundo ela, a violência cria inimigos, o que naturaliza as ações e justifica a violência. A sociedade chegou numa situação em que a violência foi internalizada como padrão de relação social, uma realidade que no Brasil pode ser dito que se tornou violência de Estado. A realidade da violência a partir do existencialismo foi a abordagem do professor Arthur Hidalgo, tendo como referentes Franz Kafka e sua obra “O Processo”, e “A Peste” de Albert Camus, um escrito que cobrou nova relevância com a pandemia da Covid-19. Mostrando elementos da vida de ambos autores, o professor da Faculdade Salesiana Dom Bosco, de Manaus, apresentou o existencialismo como uma corrente filosófica que tem a liberdade como princípio. Em palavras do professor, “o ser humano faz suas escolhas”, insistindo em que “somos livres para escolher, mas também responsáveis por nossas escolhas. Seguindo os postulados do existencialismo, ele afirmou que segundo essa corrente filosófica, “a vida humana não tem sentido, a não ser o sentido que se dê a ela”. A partir daí, o homem é definido como ser humano em projeto, afirmando que a vida humana tem sentido quando ela tem um projeto. Para abordar a violência, se faz necessário ter presente o horizonte da construção da cultura da paz. Segundo a Ir. Rose Bertoldo vivemos numa sociedade que “não nos deixa sentir e pensar a dor do outro”. Segundo a religiosa, “se a dor do outro não doe em mim, vou me desumanizando”. A partir do trabalho na Rede um Grito pela Vida, a Ir. Rose afirmou que “a violência sexual contra crianças e adolescentes é um crime com autor conhecido”. De fato, os números são assustadores, insistindo em que não são números, são vidas, situações que afetam diretamente o desenvolvimento do ser humano. A religiosa se perguntava: “o que fazer para quebrar os ciclos de violência?”. Ela fazia algumas propostas para isso: denunciar, capacitar os profissionais, garantir a presença das crianças na escola, ajudar as crianças a identificar as violências, fortalecer a rede de proteção… Desde a teologia e a religião, o padre Ricardo Castro salientou que somos movidos pela cultura, que é o que nos torna humanos. Segundo ele, é de Deus que emanam as compreensões do ser humano. O diretor do ITEPES insistiu na necessidade de compreender a estrutura da religião para não se converter em instrumento de violência. Ele abougou pela capacidade de fazer uma autocrítica e a necessidade de promover diálogos, seguindo as propostas e atitudes do Papa Francisco, que tem assumido essa disposição para o diálogo como postura vital.