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Dom Walmor: “A indiferença em relação aos pobres é um veneno que adoece a alma humana”

A V Jornada Mundial dos Pobres, que será celebrada no dia 14 de novembro, tem sido o tema de reflexão do Seminário da Jornada Mundial dos Pobres, organizado pela Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A Igreja do Brasil escolheu como tema da Jornada, “Sentes Compaixão?”, e como lema “Sempre tereis pobres entre vós”, fazendo um chamado a entender a urgência de diminuir a desigualdade. O presidente da CNBB se referiu à Jornada Mundial dos Pobres como “oportunidade para capacitar o nosso coração, reconhecendo a presença dos pobres entre nós, em cenários que nos envergonham e nos apontam um longo caminho para fazer valer a fraternidade universal”. Segundo Dom Walmor Oliveira de Azevedo, “a indiferença em relação aos pobres é um veneno que adoece a alma humana”. O arcebispo de Belo Horizonte (MG) fez um chamado a reconhecer nos pobres a presença do irmão, a contribuir com políticas públicas que favoreçam a superação com urgência de tantos e vergonhosos cenários de exclusão e desigualdade social, a buscar respostas para a construção de uma sociedade mais justa e solidária, a partilhar o sofrimento de cada pobre, com muita empatia e solidariedade, a partilhar e não se conformar com dar esmolas. Frei Luiz Carlos Susin refletiu sobre a pobreza desde a constatação da pobreza real e a resposta adequada para isso. Segundo o religioso, diante da naturalização da pobreza, se faz necessário entender a pobreza como produção de uma sociedade, como algo social, que forma parte da história da sociedade. Diante disso a sociedade é desafiada a resolver os desequilíbrios que provocam a pobreza, algo que algumas sociedades faziam, colocando como exemplo o Ano Jubilar em Israel. Segundo o frade capuchinho, “precisamos de sentimentos, precisamos acessar o sofrimento dos pobres, expondo-nos a nós mesmos a este sofrimento”. Esse sentimento, conhecido como compaixão, ele se perguntou se é um sentimento realmente universal, uma questão que surge diante da “indiferença cruel que não se sensibiliza”, presente nas pessoas. A compaixão, segundo o religioso, “a gente aprende não com a racionalidade e sim com a sensibilidade, a gente aprende não com a cabeça, a gente aprende se expondo aos outros, em exercícios que são um processo de iniciação”. De fato, “a compaixão, a hospitalidade, a generosidade, são a alma de toda religião. Uma religião que não tivesse essa alma, seria vã, e seria possivelmente uma ideologia de tipo escapatória”. O religioso refletia sobre a capacidade de fazer renúncias, de entender a compaixão como sentimento que nos une, como ato de liberdade. A Irmã Maria Inês Ribeiro viu o Seminário como oportunidade para “fazer crescer em nós essa sensibilidade e essa compaixão”. A presidenta da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), refletia sobre Evangelii Gaudium, onde aparece o esforço do Papa Francisco para “retomar o Vaticano II e dar um novo rumo à Igreja, mostrar o caminho para nós, cristãos e cristãs, do Evangelho”. A religiosa refletiu sobre a importância da economia solidária, da agroecologia, da união das pessoas, a sensibilidade e a partilha, da acolhida. Ela mostrou sua alegria diante da solidariedade e trabalho concreto em favor dos pobres, experiências que foram apresentadas ao longo do Seminário. Nessas realidades, a palavra mais forte, segundo a presidenta da CRB, é o acolhimento, destacando cinco verbos que o Papa Francisco coloca na Evangelii Gaudium: primerear, envolver-se, acompanhar, frutificar e celebrar. Finalmente, a irmã Maria Inês abençoava o Papa Francisco porque proclamou a Jornada Mundial dos Pobres, “para nos sensibilizar cada vez mais, para que cresçamos na compaixão, e possamos não só celebrarmos, mas partilharmos concretamente com os nossos irmãos, porque não é só dar, mas é solidarizar-se, escutar e envolver-se”.   Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Alternativas a uma economia que mata: uma urgente mudança de paradigma

A economia é uma questão constantemente abordada pelo Papa Francisco em seu Magistério, fazendo uma proposta que aos poucos está sendo assumida, sobretudo pelos mais jovens, como caminho de futuro: “A economia de Francisco”, que no Brasil recebe o nome de “Economia de Francisco e Clara”. Refletir sobre esse tema foi a proposta de um convite que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), faz toda primeira quinta-feira de cada mês na live “Igreja no Brasil Painel”, um espaço conduzido por Dom Joaquim Mol Guimarães, bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB. Desta vez o tema foi: “Cristãos, esta economia mata!”, e contou com a presença da presidenta do Instituto Casa Comum, Silvana Bragatto, e seu esposo, o historiador, escritor e consultor em políticas públicas Célio Turino. Segundo Dom Mol, “o Papa Francisco é contundente contra tudo o que fere a dignidade humana e o que fere o meio ambiente, a nossa casa comum”, insistindo em que “ele é forte e implacável contra o sistema econômico que globalizou a miséria de grande parte da população mundial e favoreceu a riqueza de uma pequena parte da população mundial”. Como proposta alternativa o Papa fez a proposta da Economia de Francisco, “pacto intergeracional que visa mudar a economia atual e dar uma alma à economia do amanhã, para que esta seja justa, inclusiva e sustentável”, segundo o bispo auxiliar de Belo Horizonte. Comentando as propostas do Papa Francisco, Dom Mol refletia sobre a necessidade de uma mudança de paradigma, um aspecto presenta na reflexão do Papa Francisco diante de um sistema econômico que é injusto em sua raiz, onde o mercado por si só não resolve tudo. Daí nasce o dever moral de fazer a justa distribuição dos frutos da terra e do trabalho humano, devolver aos pobres o que lhes pertence. Em sua reflexão, Silvana Bragatto partia da ideia de que o mundo atualmente está cada vez mais desigual, mostrando a necessidade de uma economia que proporcione qualidade de vida para as pessoas. Nos deparamos com uma economia baseada no egoísmo, na competitividade, no lucro, com crianças educadas para a competitividade. Frente a isso, ela propõe uma economia de confiança, de afeto, de respeito. A professora destaca a necessidade de realmar a economia, de conhecer experiências de novas economias, algo que quer mostrar a Articulação Brasileira de Francisco e Clara.   Segundo Célio Turino, “o sistema mais ilógico que a humanidade já produziu é o sistema chamado capitalista, porque ele é baseado na acumulação e no crescimento continuo”. Ele se questiona “Como apostar nesse sistema num planeta que é finito?”. Frente à globalização atual, Turino diz pensar numa globalização poliédrica, que mantem a especificidade de cada um. Junto com isso uma economia do Cuidado, da dádiva, da festa, do bem viver, do suficiente, que promove a harmonia do individuo com ele mesmo, a harmonia do individuo com a comunidade, a harmonia da comunidade humana com a coletividade da vida, com os outros seres. O historiador vê a Economia de Francisco como “o grande guarda-chuva para essas outras práticas econômicas que existem, que muitas vezes são invisibilizadas, desrespeitadas e desprezadas”. Ele relatava experiências de economia circular, destacando a importância de mostrar realidades e possibilidades diferentes. Para Silvana, a Economia proposta pelo Papa Francisco é uma economia do cuidado, do afetivo, do respeito, da vizinhança. São realidades que querem ser trabalhadas nas Casas de Francisco e Clara, definidas por Célio Turino como “incubadoras dessas novas economias, espaços de discussão de vida comunitária”. Tudo isso para combater uma realidade histórica presente no Brasil e na América Latina, que tem como fundamento, segundo Turino, a desumanização dos povos que viviam no continente, o desrespeito aos conhecimentos desses povos. Isso criou uma mentalidade, sustentada pela elite, que gerou racismo e uma mentalidade de tudo voltado para fora, uma elite que sempre viveu de costas para o povo, que criou um ódio aos pobres, algo presente em toda América Latina. Existem propostas alternativas, segundo Silvana Bragatto, sustentadas numa economia circular, que favorece o acordo entre vizinhança, a partilha, o aproveitar o que já se tem, um novo conceito de produção que abaixa o preço e contribui com o meio ambiente, o reparo dos produtos. Nesse ponto, ela refletia sobre a renda básica universal, proposta pelo Papa Francisco, que definia como “combustível para fazer a criatividade aflorar e criar economias circulares”. Tudo isso, em vista de “estimular o desenvolvimento da economia que protege a vida, que estimula a vida, ao contrário daquela que mata”, segundo refletia Dom Mol no final de um encontro virtual que colocou em foco, mais uma vez, elementos muito presentes na vida do povo, que sofre as consequências dessa economia que mata e favorece exclusivamente às elites.

Comunhão: caminho e necessidade

Nunca podemos esquecer que juntos somos mais, que o individualismo não pode tomar conta da vida da gente. Diante daqueles que querem colocar na cabeça da gente que somos mais do que os outros, que podemos nos virar sozinhos, temos que mostrar que devemos nos preocupar em caminhar junto com os outros. Na Igreja católica a gente fala de comunhão, um elemento indispensável para ser Igreja. Podemos dizer que quando quebramos a comunhão, a gente deixa de ser Igreja. Nossa Arquidiocese de Manaus vivenciava no último domingo, 31 de outubro, um momento de comunhão com a entrega do Pálio ao Arcebispo Metropolitano. Tanto Dom Giambattista Diquattro, Núncio Apostólico no Brasil, quanto Dom Leonardo Steiner, insistiam na importância da comunhão. O representante do Papa Francisco no Brasil insistiu em que “o Pálio significa também comunhão com Pedro, com o Santo Padre, o Papa Francisco, e significa ser pastores pela unidade e na unidade”. Dom Leonardo também ressaltou que o Pálio é “sinal e símbolo da comunhão com o Santo Padre, o Papa Francisco”. Mas também uma comunhão que se vive na colegialidade, segundo Dom Giambattista: “o Pálio também expressa a colegialidade dos bispos, a sinodalidade da Igreja. Ninguém é pastor sozinho, somos pastores na sucessão dos apóstolos, pastores na comunhão da colegialidade, na comunhão diacrónica e sincrónica, no kairós da comunhão unitária e eclesial”. No mesmo sentido, o Arcebispo de Manaus disse ver o Pálio como “sinal e símbolo de unidade entre as nossas igrejas particulares que formam nossa província eclesiástica de Manaus”. Uma atitude presente na história da Igreja na região, “uma unidade que na história sempre esteve presente como caminho de evangelização, como cuidado mutuo, como pertença à Igreja na Amazônia. Unidade entre os bispos e por isso unidade entre as nossas igrejas nas diferenças necessárias”. Infelizmente, essa não é uma atitude assumida por todos na Igreja, onde a falta de comunhão, especialmente com o Papa Francisco, mas também com uma Igreja sinodal, em saída, que se faz presente nas periferias geográficas e existências, está se tornando uma realidade. Nos deparamos com cardeais, bispos, padres, religiosos e religiosas, leigos e leigas que fazem questão de quebrar a comunhão, que se posicionam claramente contra aquilo que é fundamental para ser Igreja, se colocando como modelo de católico, quando na verdade são exemplos do contrário. É hora de parar e pensar, de encontrar caminhos de comunhão, também numa sociedade e num país onde muitos se empenham em gerar divisão e enfrentamento. Reflitamos juntos para encontrar caminhos que nos ajudem a assumir atitudes diferentes, mais humanas, mais cristãs, mais de Deus, pois Ele é comunhão de pessoas. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Editorial Radio Rio Mar

Dom Leonardo: “É urgente uma mudança de cultura ambiental, no mundo, mas especialmente no Brasil”

Um caminho sofrido e alentador, assim define Dom Leonardo Steiner o percurso das Conferências climáticas. Nestes dias em que acontece a COP26, o arcebispo de Manaus, que participou na COP21 de Paris, marcada pela Encíclica Laudato Si´, reflete sobre “as necessidades urgentes de mudança no modo de viver e do conviver com a terra”. Tudo está ligado ao lucro, e “nesse sentido é urgente uma mudança de cultura ambiental, no mundo, mas especialmente no Brasil”, afirma o arcebispo. Segundo ele, mesmo diante de alguns retrocessos, “as COP são oportunidades de manter a discussão, o diálogo, a reflexão, aprofundando sempre mais a questão das mudanças climáticas”. No Brasil, o panorama mostra “o descaso em relação ao meio ambiente, especialmente em relação a Amazônia”, denuncia o arcebispo de Manaus. Diante disso, se faz importante “a insistência da Igreja na Amazônia”, que “deve ser capaz de suscitar novos caminhos, renovar as estruturas, organizações sociais, incentivar ordenamentos jurídicos que preservem o meio ambiente, mostrar a beleza, a poesia, a arte da Amazônia”. O Papa Francisco pede uma mudança de rumo para alcançar os objetivos do Acordo de Paris e para assegurar que decisões concretas sejam tomadas na COP26. O que os países – especialmente o Brasil – precisam fazer na COP26 para minimizar os impactos climáticos que já vivemos? O caminho das Conferências climáticas tem sido sofrido e alentador. Os diálogos têm demonstrado as realidades gritantes e as necessidades urgentes de mudança no modo de viver e do conviver com a terra. A dificuldade maior é sempre econômica; é dinheiro. A poluição do ar, das águas, a devastação das florestas, a destruição pelo garimpo está ligada ao lucro, ao dinheiro. Não interessa o futuro, a vida dos povos, dos pobres, o desaparecer de culturas, a beleza, a poesia, a harmonia. Nesse sentido é urgente uma mudança de cultura ambiental, no mundo, mas especialmente no Brasil. Na COP, há necessidade de metas mais ambiciosas a curto prazo, um fundo ecológico que ajude na preservação das florestas e na recomposição das mesmas, na urgente despoluição do ar e das águas (saneamento básico). Mas talvez, se os países todos buscassem educar para a ecologia, despertar para o cuidado da casa comum, teríamos mais chance de uma terra também habitável no futuro. A ecologia está ligada a uma compreensão de dominação e lucro ou compreensão de cuidado e cultivo. Em 2015, o senhor fez parte da delegação enviada pelo Vaticano para a 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP21), que aprovou o maior acordo climático do mundo. A cada cúpula, as previsões são mais catastróficas e muitas das metas estabelecidas pelos países não são cumpridas. Como o senhor avalia o efeito prático das Conferências do Clima até agora? A COP21 foi marcada pela Encíclica Laudato Sì de Papa Francisco. Presente nos debates, fundamentando a necessidade de metas. Os encontros, os debates entre delegações foram decisivos para chegar a um acordo que fosse aceito pelos países participantes. É sempre difícil negociar quando existem realidades nos diversos países que exige mudança em relação ao cuidado do meio ambiente. A França desempenhou uma liderança frutuosa e a Delegação brasileira foi muito atuante. Apesar dos retrocessos depois da COP21, essas Conferência são importantes por manterem viva a discussão e a busca de soluções em relação às mudanças climáticas. Se formos analisar as conferências, veremos um caminho onde se vai construindo consensos e buscando metas. Temos governos que negam a necessidade de uma responsabilização em relação à casa comum, por negarem a ciência. As COP são oportunidades de manter a discussão, o diálogo, a reflexão, aprofundando sempre mais a questão das mudanças climáticas. As ações não caminham como desejamos, nem mesmo conforme a necessidade, apesar do perigo que estamos a correr. Mas não poderão dizer que não buscamos, não tentamos superar a crise em que nos encontramos. O governo brasileiro vem sendo criticado por sua política ambiental, principalmente pelo aumento do desmatamento nos últimos dois anos, o enfraquecimento das políticas e órgãos ambientais e a defesa da exploração de recursos naturais em terras indígenas. Em uma mudança de discurso, o governo prometeu que o Brasil eliminará o desmatamento ilegal até 2030. O senhor acredita numa atuação mais efetiva do Brasil na defesa da Amazônia? Soa como um bom propósito. O que temos ouvido, visto e sentido é o descaso em relação ao meio ambiente, especialmente em relação a Amazônia. Não que o Cerrado esteja protegido e a Mata Atlântica, o Pantanal e outros estejam a salvo. O descaso é grave. O que nos mantém na atenção, na discussão, na reflexão é a própria sociedade através dos povos indígenas e ribeirinhos, das igrejas, de entidades que cuidam do meio ambiente, dos meios de comunicação que percebem a necessidade de mudança de rumo. O garimpo tem sido uma destruição, não apenas das matas, mas também das águas. As populações indígenas e ribeirinhas acabarão eliminadas pelo alto índice de mercúrio no organismo devido as águas contaminadas dos rios. As políticas, o desmonte dos órgãos ambientais, como também do órgão de relação com os povos indígenas, saltam aos olhos e demonstram que os pobres e o meio ambiente podem ser menosprezados e descartados.   O Papa Francisco defende um mundo “interconectado” e afirma que “não se pode agir sozinho, é fundamental o empenho de cada um para a tutela dos outros e do meio ambiente”. Como a Igreja da Amazônia pode contribuir com o debate e a construção de caminhos diante da crise ecológica? No Compêndio da Doutrina Social da Igreja encontramos uma sabedoria que nos ajuda iluminar a pergunta: “A caridade social leva-nos a amar o bem comum e a buscar efetivamente o bem de todas as pessoas, consideradas não só individualmente, mas também na dimensão social que as une”. Está em jogo toda a obra criada e toda a humanidade. Somos chamados a caminhar juntos. O isolamento, a ideologia fechada leva à morte e pode levar à destruição do planeta terra. A insistência da Igreja na Amazônia,…
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Dom Walmor reza “pelas famílias enlutadas deste tempo de pandemia”

As palavras do Mestre, onde diz: “Eu sou a Ressurreição e a Vida, quem crê, ainda que tenha morrido, viverá”, é “uma palavra forte que devolve a alegria aos corações desesperançados”. Dom Walmor Oliveira de Azevedo quer no Dia dos Finados mostrar ao povo brasileiro que “a presença de Jesus entre nós ensina que não há razão para temer a morte”. O arcebispo de Belo Horizonte (MG), afirma que “trata-se de uma passagem que faz parte do caminho de todos indistintamente, e no fim, conforme a vida de Jesus nos revela, a dor e a morte serão superadas, a vida resplandecerá”. O dia 2 de novembro é momento em que “a saudade aperta o coração, com especial reverência aos nossos”, segundo Dom Walmor. Ele lembrou “particularmente às vítimas da Covid-19”, que no Brasil já tirou, oficialmente, a vida de 607.922 brasileiros e brasileiras. Segundo o arcebispo, “por vezes experimentamos a angustia e a tristeza, esse sofrimento faz parte da nossa travessia e da nossa condição humana, devemos reconhece-lo e acolhe-lo, mas nunca desistir de seguir adiante”, uma atitude mais do que necessária diante da atual realidade brasileira. O arcebispo de Belo Horizonte refletiu que “a cada dia damos passos novos, na direção do momento em que estaremos todos juntos na plena comunhão com os que nos precederam e já estão na Casa do Pai”. Diante disso, “nesse caminho temos a missão de edificar desde já o Reino de Deus, fazendo da nossa vida uma oferta para o bem do mundo”. Dom Walmor vê como “um bom sentido do Dia de Finados, lembrar que cada dia é oferta, um dom que se desdobra em serviço à sociedade”. Movido por um sentimento de finitude, que nos lembra que “o nosso tempo neste mundo corre veloz, e ninguém sabe quando a sua hora chegará”, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), convida a que cada pessoa “cuide de fazer o bem agora, para que a sua vida reflita a Luz de Cristo, iluminando sempre o caminho de outras pessoas”. Ele também convidou neste Dia de Finados, a rezar “por todos os que já se encontram junto de Deus”. Mas também, “visitando as boas lembranças guardadas em nosso coração, agradecidos pela oportunidade da convivência dos laços de amor construídos”. Segundo o arcebispo, “a saudade é sinal forte que nos une aos que já não estão mais entre nós”. Finalmente rezou por todos, “pelas famílias enlutadas deste tempo de pandemia”, pedindo que “Cristo Rei, que venceu a dor e a morte, e ressuscitou, guie os seus passos, sustente sempre uma esperançosa alegria no seu coração”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Acolitato de candidato ao diaconato permanente no Alto Solimões

No encerramento do Mês Missionário, no dia 31 de outubro, Dom Adolfo Zon Pereira presidiu a Eucaristia, na Igreja Co-Catedral São Paulo Apóstolo, em São Paulo de Olivença, diocese do Alto Solimões. Na celebração o candidato ao diaconato permanente, o Sr. Alpelino Ferreira Flores recebeu o Ministério do Acolitato. A ordenação diaconal, na mesma Igreja onde hoje recebeu seu novo ministério, está marcada para o dia 19 de dezembro deste ano de 2021. A Diocese do Alto Solimões, especialmente depois da celebração do Sínodo para a Amazônia, tendo em conta as propostas que surgiram, especialmente no Documento Final do Sínodo, tem incentivado em grande medida o diaconato permanente. Já são vários os diáconos permanentes ordenados e também os candidatos que devem ser ordenados nos próximos anos. A celebração também foi momento em que foi recebido e renovado o oficio de 5 Ministras e um Ministro da Eucaristia. Este último dia do Mês Missionário também foi oportunidade para que o pároco local, padre Marcelo Gualberto, assina-se a renovação do convênio missionário entre a Diocese de Uruaçu – GO e a Diocese do Alto Solimões – AM, que lhe permite permanecer na missão no Alto Solimões por mais 3 anos. O padre Marcelo agradecia ao Bispo da Diocese de Uruaçu, Dom Giovani Caldas, e ao Bispo Do Alto Solimões, Dom Adolfo Zon Pereira pela confiança depositada, mesmo na minha pequenez e limitações confiar em estar junto ao povo de São Paulo de Olivença”. Na celebração, os presentes rezarem pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Leonardo Ulrich Steiner, que neste domingo tem recebido o Pálio das mãos do Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giambatistta Diquattro. Dom Adolfo Zon agradeceu ao arcebispo de Manaus, “pelo seu serviço à unidade da Igreja na Amazônia, por uma igreja ministerial e inculturada”. A celebração é mais uma mostra de uma Igreja que quer caminhar em comunhão com o Papa Francisco e seus sonhos expressados na Querida Amazônia, a exortação pós sinodal do Sínodo para a Amazônia, em comunhão com o Regional Norte 1 e a província eclesiástica de Manaus, que hoje viu como seu Arcebispo Metropolitano recebia o Pálio. Mas também uma Igreja ministerial, onde as mulheres, como acontece em tantas paróquias e comunidades do Regional, assumem diferentes ministérios e serviços, uma Igreja diaconal, servidora, presente na vida do povo, que vai ao encontro daqueles que vivenciam sua fé nos rios e igarapés, nas estradas e ramais da Amazônia. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1  Com informações e fotos da Paróquia de São Paulo de Olivença

Dom Leonardo recebe Pálio: sinal de “comunhão com Pedro, com o Santo Padre”

A Catedral Metropolitana de Manaus acolheu neste domingo, 31 de outubro, a entrega do Pálio ao arcebispo metropolitano, Dom Leonardo Ulrich Steiner. Abençoado e enviado pelo Papa Francisco, o Pálio foi entregue pelo Núncio no Brasil, Dom Giambattista Diquattro. Segundo lembrou no início da celebração, “o Pálio nos lembra do jugo sagrado de Cristo que é colocado em cada batizado”, afirmando que se trata de “um jugo de amizade e como tal um jugo suave, mas também um jugo exigente, é um jugo que forma para a sua escola, a sua vontade, a sua verdade, o seu amor”. O Pálio é feito da lã do cordeiro, abençoada na festa de Santa Inês, e nos lembra, segundo Dom Giambattista, “o pastor que se tornou um cordeiro por amor a nós”. Se dirigindo a Dom Leonardo, o Núncio disse: “recorde que somos sempre chamados a ser pastores do seu rebanho que permanece sempre seu e não se torna nosso”. Igualmente, o Pálio, lembrou o representante pontifício no Brasil, “torna-se o símbolo da vocação, do chamado de Cristo, o Bom Pastor”. Ele destacou que “o Pálio significa também comunhão com Pedro, com o Santo Padre, o Papa Francisco, e significa ser pastores pela unidade e na unidade”. Finalmente, disse que “o Pálio também expressa a colegialidade dos bispos, a sinodalidade da Igreja. Ninguém é pastor sozinho, somos pastores na sucessão dos apóstolos, pastores na comunhão da colegialidade, na comunhão diacrónica e sincrónica, no kairós da comunhão unitária e eclesial”. Depois de Dom Leonardo Steiner renovar sua fé e o seu juramento de fidelidade e comunhão com o Papa, com a missão e com o povo de Deus, Dom Giambattista Diquattro colocou sobre os ombros do arcebispo de Manaus o distintivo com que a Igreja reconhece aqueles a quem confia a missão de arcebispos. Na sua homilia, o arcebispo de Manaus, comentou as leituras do 31º domingo do tempo comum, refletindo sobre o amor, para o qual despertamos quando somos amados. Lembrando um pensamento de Santo Agostinho, afirmou que “Deus não te pede muitas coisas, porque por si mesmo, o amor é o pleno cumprimento da lei”. Também lembrou as palavras do Papa Francisco, que nos lembram que “o amor a Deus e o amor ao próximo são inseparáveis, se sustentam um ao outro”. O arcebispo fez um chamado a “colocar-se à escuta, aproximar-se, estar ao lado dos carentes e deserdados, descartados e famintos, esses irmãos e irmãs estão a aumentar na nossa Arquidiocese”. Por isso, fez ver às comunidades cristãs a necessidade de viver relações transformativas, ser comunidades que acompanham. Dom Leonardo vê o Pálio como “sinal e símbolo da comunhão com o Santo Padre, o Papa Francisco”. Segundo ele lembrou, “depositado junto ao túmulo de São Pedro antes de ser benzido e enviado pelo Santo Padre, e sinal da nossa comunhão com o sucessor de Pedro, como também de comunhão entre as nossas igrejas da metropolia”. “Sinal e símbolo de unidade entre as nossas igrejas particulares que formam nossa província eclesiástica de Manaus”, algo expressado na presença de Dom José Albuquerque e Dom Tadeu Canavarros, bispos auxiliares de Manaus, Dom Mário Pasqualotto, bispo auxiliar emérito de Manaus, e Dom Gutemberg Freire Régis, bispo emérito de Coari, Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, bispo de Itacoatiara, e o padre Waïbena Atama Mahoba Mellon, administrador prelatício de Tefé. Segundo o metropolita, estamos diante de uma “unidade que na história sempre esteve presente como caminho de evangelização, como cuidado mutuo, como pertença à Igreja na Amazônia. Unidade entre os bispos e por isso unidade entre as nossas igrejas nas diferenças necessárias”. Ele assumiu o compromisso de zelar pela comunhão e pela unidade, “uma comunhão entre as nossas igrejas tornará presente a comunhão com o ministério petrino, e na unidade que entre as nossas igrejas se tornem assim presentes os sonhos de Querida Amazônia”. Finalmente, o arcebispo lembrou que “o Pálio deseja rememorar, recordar que nos pertencemos como Igreja, que estamos sempre em comunhão e que temos um compromisso e uma responsabilidade entre nós igrejas da Amazônia. Mas é também um convite à fortaleza diante dos grandes desafios que devastam a Amazônia, fortaleza para ser sinal de esperança, de transformação, edificação e vida fecunda”. Por isso, em nome da Igreja de Manaus e da província eclesiástica, agradeceu “ao Santo Padre o envio e a entrega do Pálio a traves de seu Núncio Apostólico”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

John Omondi, novo padre para a Arquidiocese de Manaus

A Arquidiocese de Manaus tem mais um novo padre. Neste sábado, 30 de outubro, Dom Leonardo Steiner ordenava presbítero o diácono John Omondi Omungi. Nascido no Quênia, após ter iniciado sua formação com os Missionários da Consolata, concluiu sua formação na Arquidiocese de Manaus. Para o novo presbítero, “ser padre na Amazônia significa servir o povo que se encontra na região amazônica, servir com amor e carinho”. Segundo o padre John, “sabemos que são povos diferentes, culturas diferentes, mas estando aqui por mais de 7 anos, aprendi algo da cultura da Amazônia. É justamente servir esse povo, sabendo que é algo bem diferenciado”. Na sua homilia, o arcebispo de Manaus, começou sua reflexão falando sobre “a disponibilidade de quem se sente tocado por Deus”, insistindo em que se trata de “disponibilidade pessoal, prontidão de quem serve a Jesus no serviço à Igreja, na Igreja”. Essa disponibilidade é a resposta a um chamado que não é nosso, segundo Dom Leonardo. É uma “disponibilidade sem trocas, sem exigências, apenas na gratuidade e na liberdade”. Se dirigindo àquele que ia ser ordenado, o arcebispo de Manaus disse que “o teu eis-me aqui, indica o caminho da prontidão em todos os dias da tua vida presbiteral: livre, incondicionado, em todos os instantes, em todos os momentos, em todas as situações”, insistindo em que “é o Senhor que chama e envia”. Deus envia para anunciar a paz, “ao modo de Jesus: de tal forma que Ele seja visível, presente”, afirmou Dom Leonardo. Ele definiu o presbítero, o padre, como aquele que “é sempre um profeta”, mas também como “um plantador de esperança, um edificador da paz, um anunciador de um amor único e salvador”. Lembrando lema sacerdotal do novo presbítero; “Procurai e acareis! Pedi e recebereis”, Dom Leonardo chamou John a “procurar como Ele te procurou ao te amar”. Por isso convidou o novo padre com estas palavras: “procura, suplica, busca, implora e verás como Ele te será uma benção e tu serás a benção para o povo de Deus”. “O amor só pensa no bem, o amor só sabe amar”, segundo o arcebispo, um amor que “transpira gratuidade”, que é “transparência de doação, busca ilimitada de recondução”. Ele lembrou que pela ordenação, o sacerdote se faz servo e profeta, convidando os padres presentes a fazer memória do dia da sua ordenação sacerdotal, a renovar seu eis-me aqui, envia-me. Também a rezar pelas vocações, agradecendo a todos os que fizeram possível com seu cuidado que o novo padre chegasse a ser ordenado. Um sentimento de gratidão que também se fez presente no novo padre no final da celebração. Ele, chegado da África, mostrou-se disponível para servir com amor ao povo da Arquidiocese de Manaus, ao povo da Amazônia, neste novo serviço que a Igreja lhe encomenda. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 

Experiência missionária na comunidade Três Unidos – Rio Cuieiras

Jesus Cristo é missão! Jesus Cristo é Vida Plena para todos os povos! Nos dias de 22 a 24 de outubro do corrente ano, nós do seminário São José – Arquidiocese de Manaus – fizemos uma especial vivência missionária junto à comunidade Três Unidos – Comunidade da etnia Kambeba – que vive na boca do Rio Cuieiras (Amazonas). Missão é colocar-se a caminho. Em nosso contexto, os caminhos são os rios amazônicos, com seus afluentes, lagos e igarapés, onde vivem povos indígenas e muitos ribeirinhos. Navegamos umas seis horas no Rio Negro até chegarmos à boca do Rio Cuieiras, na Comunidade Kambeba. Missão é encontro. No barco, uma criança bem espontânea me indaga: – Você também é missionário?  Alegre respondi: – Sim! Me falou entusiasmada de sua alegria de ter sido batizada e recebido a 1º Eucaristia na comunidade Bom Pastor, na vila Pagodão, beira do Rio Negro. Uma menina bem esperta já havia percebido que éramos um grupo missionário. Depois de um tempo me perguntou: – Tem algum padre entre vocês? Só fiz levantar o dedo indicador e sorri para ela. Ela logo falou para sua avó: – Eu sabia que ele era padre! Sua avó, dona Nadí, partilhou um pouco de sua história de vida, desde suas peripécias do tempo de infância, as lembranças das missões de padre João em anos idos em Itamarati-AM, até de sua mãe já bem idosa que havia trabalhado com os missionários. Missão é escuta. Muito interessante o caminho que as histórias nos fazem percorrer. Obrigado a dona Nadí e a pequena Ana. “Não podemos deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos” (Atos 4, 20). Não podemos deixar de escutar a quem vimos e encontramos. Dos caminhos geográficos aos caminhos do coração. Após uma tranquila viagem contemplando as margens do Rio Negro, chegamos à boca do Rio Cuieiras onde se localiza Três Unidos. Ao desembarcar na praia de areia branca, subimos o barranco e fomos encontrados pelo Tuxaua Valdemir que nos deu as boas-vindas e nos levou ao alojamento. Ficamos alojados no Polo de saúde indígena N. Sra. Da Saúde, onde médico e enfermeiros fazem seus atendimentos ao povo local. O jovem professor Tomé nos mostrou, orgulhoso, a organização da sua comunidade: duas belas escolas, municipal e estadual, os belos trabalhos artesanais, as práticas de esporte “canoagem e arco e frecha”, e como cultivavam a identidade indígena Kambeba, pelo ensino da língua materna na escola, a transmissão da história e valores de seus antepassados para as crianças e jovens. À noite, nos reunimos no pátio da casa do Tuxaua Valdemir e da mãe da comunidade, carinhosamente chamada Babá. Após alguns minutos para combinarmos nossa estada na comunidade, passamos horas ouvindo a memória de sua vida, de seus antepassados, seu nascimento, suas aventuras, suas lutas, suas conquistas. Fatos que concatenados formam a história da comunidade. Babá, que estava ao lado, escutava tudo com muita atenção como viajando pela história que também era sua. “Quando um Tuxaua morre, dá vida para cem outras pessoas”, disse o Tuxaua ao falar sobre um acontecimento que marcou sua vida: a morte de uma filha de apenas 4 anos. Contou que após ingerir uma moeda, não tinham assistência médica no longínquo interior de Alvarães, região de várzea amazônica. A pequena não resistiu. Muito simbólico que, por causa desse metal, foram mortos centenas de indígenas. Mas o Tuxaua enxergou nesse acontecimento a vida de outras cem pessoas, conforme ensinamento ancestral. No interior de Alvarães havia vivido preso a um sistema de aviamento, uma forma de comércio que internamente escravizava. Conta que num só dia fez uma pesca de 10 pirarucus – grande peixe amazônico, que foi suficiente para mudar sua vida. O entendeu como a “pesca milagrosa”. Pagou sua dívida com o comerciante e mudou-se para o Rio Cuieiras, onde fundaria uma comunidade Kambeba e seria o pai de um povo. A noite terminou com uma bela caldeirada que as jovens indígenas Tainara, Tailane e Tauana, filhas do professor Tomé, haviam preparado. Ficamos encantados que as mesmas jovens pescaram no rio, trataram os peixes e prepararam a deliciosa caldeirada de jaraqui. Sentar-se à mesa foi ocasião para escutarmos mais belas histórias, trajetórias do professor Tomé, de sua esposa Tatiane e suas famílias. Assim, cada encontro eram histórias partilhadas. Partilha de lutas e esperanças, caminhos percorridos e histórias cheias de riquezas culturais e espirituais transmitidas pelas gerações. Os povos indígenas, com sua sabedoria ancestral, nos ensinam a arte do bem viver, viver em harmonia com a natureza e busca de um bem viver coletivo. A celebração eucarística foi cheia de simbolismo e alegria. Com cantos e palmas, crianças, jovens e adultos seguiam como uma coreografia bem orquestrada. Ao final, o Tuxaua agradeceu e o jovem professor se emocionou ao notar a presença de seus símbolos na liturgia: uma peneira feita por eles, os colares e pulseiras que o padre usou. Criou-se uma ligação muito familiar, através de seus símbolos. Ao final daqueles dias, ficaram a gratidão, o abraço, o canto, a festa, o encanto, a alegria, a amizade, o sorriso, e o sentimento: “voltem outra vez, desejamos reencontrá-los”. Ao final, a missão continua. Não poderemos deixar de lembrar o que vimos e ouvimos! Gratidão! Pe. Jardson Sampaio e equipe Michel Carlos e Genilson Morais Fonte: https://www.pom.org.br/experiencia-missionaria-na-comunidade-tres-unidos-rio-cuieiras-am/ 

Relatório de Violência contra os povos indígenas: “Coragem para continuar a missão de denunciar”

Unidos em comunhão corajosa e profética em defesa dos povos indígenas. Assim se sente a Igreja do Brasil segundo o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em suas palavras no lançamento do “Relatório Violência contra os povos indígenas no Brasil” (pode abaixar aqui), acontecido neste 28 de outubro, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, insistia em que a perseguição aos povos acontece porque “não são fruto da produção de dinheiro, de lucro, mas da defesa da terra, do meio ambiente e de uma cultura que tem sempre muito a nos ensinar”. O arcebispo de Belo Horizonte chamou a criar uma sensibilidade “para que não se perpetrem tantos crimes contra os povos indígenas”. Ele mostrou o apoio explícito da CNBB ao Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e todos os que estão a favor das causas indígenas, afirmando que “nós juntamos corajosamente, profeticamente, nossa voz para denunciar tudo aquilo que é crime contra os povos indígenas”. Segundo o presidente da CNBB, o respeito aos povos indígenas é um capítulo fundamental na reconstrução da sociedade brasileira, algo fundamental, pois “o Brasil, lamentavelmente é uma sociedade da impunidade”. “A CNNB permanece ao lado dos indígenas como parte do compromisso pela vida, especial essa vida mais vulnerabilizada”, segundo Dom Joel Portella Amado. Ele destacava o papel do Cimi ao longo de cinco décadas, “de resistência, de denúncia, de persistência, de coragem e solidariedade”. Segundo o bispo auxiliar do Rio de Janeiro não há como não sentir perplexidade diante dos rumos do país, afirmando que “um país é medido, entre outros aspectos, pelo modo como trata sua gente”. Ele reclamou proteção à vida, respeito e verdade nas informações como caminho para consolidar a democracia no Brasil. O Papa Francisco em Puerto Maldonado, algo que Dom Roque Paloschi considera uma visita histórica, e onde ele mesmo estava presente, disse: “Nunca os povos originários estiveram tão ameaçados como estão agora”. O presidente do Cimi destacou que “é com essa voz de denúncia e de indignação que trazemos mais uma vez os dados de violência e de violação de direitos contra os povos indígenas”. O “Relatório Violência contra os povos indígenas no Brasil”, desde 1996, é um importante instrumento de denúncia da violência e das violações que acometem os povos originários até hoje no país. Os dados do ano 2020, “refletem a realidade dos povos indígenas no segundo ano do Governo Bolsonaro”, segundo o arcebispo de Porto Velho. Ele insistiu em que “enquanto no mundo havia um momento de atenção e cuidado, no Brasil, lideranças do executivo propagavam discursos de ódio, negacionismo, violando a Constituição Federal e abrindo os territórios indígenas para a grilagem, a soja, o garimpo, o desmatamento, e inúmeras outras violências contra os líderes indígenas que se opõem à mercantilização da vida e da terra”. O bispo relatou como “comunidades foram expulsas das suas terras, lideranças foram assassinadas, e com as políticas anti indígenas incentivou-se o divisionismo no interior dos povos indígenas”. Dom Roque Paloschi vê isso como “uma vergonha para o país, que trata os primeiros habitantes com tanta violência, descaso e preconceito”. Movido pela esperança pede que “os povos originários, povos de antigos perfumes, continuem a perfumar o continente contra todo desespero”. O presidente do Cimi destacou a teimosia dos povos indígenas na defesa de seus direitos, lembrando as mobilizações Levante pela Vida e das Mulheres Indígenas, guardiãs e cuidadoras da vida e da terra, como algo que “nos enche de coragem para continuar a missão de denunciar mais uma vez as violências e violações contra os povos originários”. Daí, Dom Roque convida à solidariedade, “a escutar o grito dos pobres e o grito da terra, que já não aguentam mais tanta exploração e tantas mortes”. Finalmente se pergunta: “o que ficará para as gerações futuras se continuarmos com tanta exploração e morte?”. Diante disso insiste em que “a Igreja continua sendo aliada dos povos originários, das suas lutas por mais vida, terra e direito, e reafirma seu compromisso na denúncia de todas as situações de morte que atentam contra os povos originários, que atentam contra a dignidade das pessoas, atentam contra a causa indígena, porque a causa indígena é de todos nós”. O Brasil está diante de “um retrato trágico para os povos originários no país”, segundo secretário executivo do Cimi, consequência da grave crise sanitária provocada pela pandemia. Antônio Eduardo Cerqueira, falando sobre a apresentação, que “não é um prazer, mas sim uma necessidade”, chamou a refletir sobre a postura do atual governo com relação aos povos indígenas, relatando diferentes exemplos sobre essa situação. O Relatório, com mais de 240 páginas, recolhendo os dados enviados pelos regionais e os missionários, foi apresentado por Lucia Rangel, afirmando que “mostra uma sociedade com ganas de eliminar os povos indígenas”, que são considerados como não cidadãos. O relatório traz um retrato significativo das diversas formas de violências praticadas contra os povos indígenas em todo o país. Um exemplo disso foi relatado por Ernestina Afonso de Souza, liderança do povo Macuxi, da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Ela mostrou sua tristeza diante da situação que estão passando os povos indígenas do Brasil, o aumento da violência e dos crimes contra os povos indígenas e a Mãe Terra. Ela denunciava a falta de assistência do governo federal aos povos indígenas. Esses problemas sérios estão presentes na Terra Indígena Yanomami, também em Roraima, segundo denunciava Dário Vitório Kopenawa Yanomami. O vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami denunciou a presença de mais de 20 mil garimpeiros ilegais e as graves consequências que provocam. Junto com isso as ameaças de morte que sofrem, o aumento do alcoolismo, das drogas e as ameaças aos povos isolados. Também o aumento de doenças em consequência do mercúrio que polui a água. O Relatório quer, segundo Roberto Liebgott, “chamar a atenção dos poderes públicos para que as invasões, para que esse processo genocida seja paralisado e os povos indígenas tenham efetivamente seus direitos garantidos”. Segundo ele, “o governo brasileiro adotou uma espécie de tática de guerra contra os povos indígenas,…
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