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Pobreza: uma pandemia que se supera desde a compaixão

A pobreza é uma realidade com presença secular na vida da humanidade. Podemos dizer que a pobreza tem diferentes causas, mas também somos desafiados a assumir que superar a pobreza é possível. Para isso se faz necessário estarmos dispostos olhar os outros com sentimentos diferentes, deixando para trás o egoísmo, que pode ser considerada como uma das causas da pobreza, e assumindo a partilha. A gente partilha quando sente compaixão pelos outros, uma pergunta que coloca na nossa frente a Jornada Mundial dos Pobres deste ano. Instituída pelo Papa Francisco, neste próximo domingo, 14 de novembro, acontece a quinta edição. Na sua mensagem para esta Jornada, o Papa Francisco nos lembra que “toda a obra de Jesus afirma que a pobreza não é fruto duma fatalidade, mas sinal concreto da sua presença no nosso meio”. O Santo Padre insiste em que “os pobres são verdadeiros evangelizadores”. Isso acontece, nos lembra a mensagem pontifícia, “porque permitem descobrir de modo sempre novo os traços mais genuínos do rosto do Pai”. Além das ações, o Papa pede atenção para com os pobres, se preocupar com eles, partilhar a sua sorte, a exemplo de Jesus. Nos envolvermos diante do sofrimento dos outros, especialmente dos vulneráveis e descartados, pode ser considerado como um termómetro que mede nossa capacidade de viver a compaixão, que pode ser considerada atitude indispensável na vida dos discípulos. A partilha é uma atitude que deve ser assumida, como algo que gera fraternidade, reforça a solidariedade e cria as premissas necessárias para se alcançar a justiça, segundo a mensagem do Papa Francisco. Num momento histórico em que a pobreza no Brasil está aumentando, devemos nos questionar sobre o que fazer para superar essa realidade que cada dia mais atinge a pessoas próximas da gente. A pandemia pode ser considerada como uma das causas do aumento da pobreza, mas não podemos negar que as decisões políticas também contribuem para o aumento da pobreza. A falta de políticas públicas, o recorte dos direitos trabalhistas, o aumento da inflação, sobretudo dos produtos de primeira necessidade, está fazendo com que a vida dos mais pobres fique cada dia mais difícil. A fome, a população de rua, o desemprego, e outros indicativos da pobreza aumentam a cada dia, e isso faz com que seja urgente a toma de medidas para superar uma realidade cada vez mais cruel. Ver pessoas procurando comida num caminhão de lixo não pode nos deixar indiferentes. Fazemos parte de uma sociedade que cria guetos, que considera os pobres como pessoas aparte. Na verdade, é a própria estrutura social que produz a pobreza, e isso demanda respostas concretas, fomentando a solidariedade social e a generosidade. Mas somos capazes de fazer isso? Desde a fé nossa resposta tem que ser clara: a compaixão nos faz felizes e nos ajuda a entender que salvar o outro, especialmente aquele que sofre, é nos salvarmos a nós mesmos. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Editorial Rádio Rio Mar

Mensagem dos Bispos pela COP26: “Ações urgentes, audaciosas e eficazes”

Os bispos brasileiros, o país com o maior território amazônico, considerado um dos pulmões do Planeta e com uma importância decisiva no futuro das mudanças climáticas, tem lançado uma mensagem por ocasião da COP26 (ver aqui). Assinada pelo presidente da CNBB, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, também conta com a assinatura do Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia – CNBB, o Cardeal Dom Cláudio Hummes, de Dom Sebastião Lima Duarte, Presidente da Comissão Episcopal Especial para a Ecologia Integral e Mineração – CNBB, do Presidente da Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora – CNBB e do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), Dom José Valdeci Santos Mendes, de Dom Erwin Kräutler, Presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), do Presidente da Cáritas Brasileira, Dom Mário Antônio da Silva, de Dom Roque Paloschi, Presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), e de Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, Presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT). A mensagem mostra a atenção do episcopado brasileiro “aos debates, acordos e deliberações da Conferência da ONU (COP26)”, que segundo eles “se apresenta ao mundo como esperança”. Diante do “atual contexto socioambiental que demanda ações urgentes, audaciosas e eficazes”, esperam ações que “combatam as mudanças climáticas e garantam a continuidade de todas as formas de vida”. Os bispos pedem interpelações por parte da Conferência do Clima, relatando a situação do Brasil, “que tem territórios e biomas ameaçados”, e sofre em diferentes regiões os efeitos do aumento da emissão de gases de efeito estufa. Eles também denunciam as queimadas no país, algo que contribui com o aquecimento do planeta e vai mudar as condições climáticas em algumas regiões do país, aumentando as “desigualdades sociais, degradação de territórios, fazendo desaparecer espécies animais e vegetais”. A mensagem insiste em que “a Igreja Católica no Brasil, no horizonte da Doutrina Social da Igreja e em comunhão como Papa Francisco, reafirma o seu compromisso com a justiça socioambiental, na perspectiva da Ecologia Integral”. Junto com isso, os bispos mostram sua preocupação “diante das ameaças aos povos tradicionais e seus territórios”. Afirmando que só tecnologias não conseguirão solucionar a catástrofe ambiental em curso, os bispos consideram a COP26 como “decisiva, pelo dever ético de oferecer aos governos inspirações para suas políticas locais no enfrentamento das mudanças do clima, bem como o fortalecimento da solidariedade internacional”. Também são pedidas medidas fortes para quem não promover o cuidado da Casa Comum. Finalmente, mostram seu compromisso em continuar “acompanhando as agendas socioambientais no Brasil, promovendo a dignidade da pessoa humana, o cuidado com a Casa Comum, no horizonte de uma Ecologia Integral”, assim como a exigência do cumprimento das deliberações da COP26. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Núcleo Lux Mundi promove curso de proteção de crianças, adolescente e vulneráveis

A proteção das crianças, adolescente e vulneráveis é uma das prioridades da Igreja, uma das grandes insistências do Papa Francisco. A Igreja do Brasil criou em dezembro de 2020 o Núcleo Lux Mundi, uma parceria entre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB). Para a Igreja brasileira é fundamental enfrentar todos os casos de violências sexuais em crianças, adolescentes e vulneráveis, cometidos por presbíteros, religiosos (as), formandos (as), seminaristas e leigos. O propósito do Núcleo Lux Mundi é buscar auxiliar as dioceses na aplicação de políticas para prevenção e encaminhamentos relacionados à chaga dos casos de abusos sexuais na Igreja. Também formar e educar os conselhos diocesanos e religiosos, por meio de capacitações e itinerários orientativos personalizados. Para avançar nesse caminho, promoverá o curso de capacitação regional “O Serviço de proteção: as constituições e atribuições”. A Igreja católica no Brasil, segundo Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte e presidente da CNBB, avança no fortalecimento de mecanismos e ações para proteger ainda mais os pequeninos. O agir se inspira na palavra de ordem ‘Tolerância Zero’ em relação a violência! O curso, dividido em cinco sessões, acontecerá em modalidade online de 29 de novembro a 14 de dezembro e está destinado aos membros dos Conselhos Diocesanos de Proteção à Crianças e Adolescentes, como também para delegados das respectivas dioceses. O Brasil será dividido em dois grupos, o primeiro vai atingir a Região Norte e Nordeste do país, e o segundo o restante das regiões. Segundo Dom José Negri, bispo de Santo Amaro (SP) e presidente da Comissão Especial de Proteção da Criança e do Adolescente da CNBB, “será uma excelente oportunidade de encontro com diversos especialistas que aliados à Igreja contribuem educativamente nas mais variadas frentes e dimensões do indivíduo. Desde os últimos papas até o Papa Francisco, sempre tivemos essa ideia clara: Que as nossas Igrejas, nossos ambientes eclesiais precisam estar preparados para terem realmente uma segurança e as crianças, adolescentes e vulneráveis possam se sentir protegidos”. Durante oito horas e meia, que é a carga horária do curso, serão apresentados procedimentos para implementação de serviços de prevenção e combate ao abuso sexual nas estruturas pastorais da Igreja Católica, Dioceses e Congregações Religiosas com a função de cuidado e proteção empenhando-se em duas frentes: prevenção e Centro de Escuta. Entre os assessores do curso, o consultor jurídico da CNBB, dr. Hugo Sarubi Cysneiros, o bispo auxiliar de Brasília (DF), dom José Aparecido, a doutora em Bioética Daiane Priscila, a doutora em Direito Danielle Espezim, e o doutor em Teologia Moral padre Celito Moro. Com informações da CNBB e CRB Nacional

Coordenadores de Pastorais e Organismos recebem Diretrizes aprovadas na Assembleia Regional

Os coordenadores das pastorais e dos organismos do Regional Norte 1 se reuniram nesta terça-feira, 9 de outubro, na sede do Regional em Manaus. O encontro foi momento para apresentar e entregar as Diretrizes da Ação Evangelizadora do Regional Norte 1 da CNBB 2022-2024 (aqui pode baixar em PDF) , e planificar os seminários sobre a Campanha da Fraternidade e o Sínodo da Sinodalidade, que serão realizados de 22 a 25 de novembro na Maromba, com a participação de 4 representantes de cada uma das dioceses e prelazias. As Diretrizes, segundo o diácono Francisco Lima, secretário executivo do Regional Norte 1, são fruto de uma caminhada, e foram aprovadas pelos participantes da 48ª Assembleia do Regional Norte 1 da CNBB, que foi realizada de 20 a 23 de setembro. Na evangelização da Amazônia, as diretrizes colocam a centralidade da comunidade eclesial missionária, segundo afirma Dom Edson Damian, bispo de São Gabriel da Cachoeira e presidente do Regional Norte 1, na apresentação das diretrizes. Segundo Dom Edson, nas comunidades eclesiais missionárias “deve acontecer a dinamização da ministerialidade, com destaque à figura do catequista, ao protagonismo exercido por mulheres, à formação sociotransformadora”. As Diretrizes estão “em profunda comunhão com as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, atentos as indicações do Sínodo para a Amazônia e considerando a caminhada de nosso Regional”. Nelas aparecem 5 dimensões: missionariedade, Palavra, Igreja servidora e defensora da vida, Igreja irmã da Criação e Igreja Celebrante e Contemplativa. Em cada uma das dimensões são relatados elementos do caminho percorrido desde às últimas Diretrizes, onde aparecem os passos dados em diferentes níveis. Junto com isso são colocadas as propostas de novos passos, que em cada uma das dimensões respondem a um dos sonhos da Querida Amazônia. Segundo descrito na conclusão, os sonhos da Querida Amazônia, “os trouxemos para mais próximo de nós e a estes demos uma feição mais local com indicações de operacionalidade segundo as exigências dos clamores do nosso chão”.

Cáritas inicia cadastros de famílias amazônidas para receberem kits de prevenção à Covid-19

O projeto Ajuri pela Vida na Amazônia iniciou, nesta primeira semana de novembro, o cadastro de 1.400 novas famílias localizadas em comunidades rurais, urbanas, periurbanas, ribeirinhas, quilombolas e indígenas no interior do estado do Amazonas, para receberem orientações sobre saúde e higiene, bem como kits para prevenção e combate à Covid-19. Nesta segunda fase, o projeto chegará a mais de 100 comunidades que se encontram no contexto de vulnerabilidade social de nove municípios amazônicos: Coari, Tefé, Maraã, Alvarães, Fonte Boa, Juruá, Uarini, Itacoatiara e Parintins. Serão 4.500 famílias diretamente beneficiadas pelas ações do projeto, totalizando 22.500 pessoas atendidas. A consultora técnica da CRS para resposta de emergência, Anna Hrybyk, ressalta que essa etapa irá possibilitar a geração de resultados qualitativos para os comunitários. “Nesse momento de emergência, o projeto pretende alcançar os lugares mais longínquos, onde até mesmo as políticas públicas não estejam conseguindo chegar. Portanto, o cadastramento das famílias é de fundamental importância para todos os demais processos de desenvolvimento do projeto, pois é a partir desse primeiro contato com as comunidades que será possível fazer um diagnóstico rápido para levar esperança de qualidade de vida para essas pessoas”, explicou Anna.  Os cadastros são realizados por educadores sociais do projeto, que se deslocam até as comunidades para conhecer a realidade de cada família. Programação Após a etapa de realização dos cadastros, a previsão é de que, no início de dezembro, aconteça a primeira entrega dos kits de higiene para as famílias cadastradas, bem como elas possam participar de encontros a fim de receber as orientações dos educadores sociais, que irão implementar a ferramenta de WASH (água, saneamento e higiene) em cada comunidade. Além da entrega dos kits, os educadores sociais também irão fazer demonstração do uso correto da máscara, orientações de higiene e lavagem correta das mãos, baseadas nos cinco momentos críticos para lavar as mãos, assim como sobre o distanciamento social e a sensibilização quanto à necessidade de se  tomar as duas doses da vacina contra a Covid-19.  Os kits que serão distribuídos nas regiões de abrangência do projeto contém álcool em gel, máscara facial de pano reutilizável, água sanitária e sabão antibacteriano, para incentivar a lavagem das mãos. Ajuri Pela Vida na Amazônia A segunda fase do projeto Ajuri Pela Vida na Amazônia tem como objetivo permitir o acesso de famílias em situação de vulnerabilidade e alto risco de transmissão de Covid-19 a insumos relacionados a WASH (água, saneamento e higiene), para que possam manter comportamentos de prevenção, bem como seja possível melhorar a retenção de conhecimento dessas famílias. Essas práticas serão desenvolvidas em comunidades amazônidas de 9 municípios (Coari, Tefé, Maraã, Alvarães, Fonte Boa, Juruá, Uarini, Itacoatiara e Parintins), por meio  da orientação popular para promoção de higiene, distribuição de kits de higiene e prevenção, conscientização sobre a importância de adesão à vacina. O trabalho também inclui  a sensibilização para a adoção à lavagem adequada das mãos como principal fator de prevenção eficaz contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2), causador da Covid-19, assim como pode evitar outras doenças infecciosas, transmitidas por vírus ou bactérias.   Ao total, além das 4 mil famílias cadastradas na primeira edição do projeto, nesta segunda edição 1400 novos núcleos familiares serão beneficiados, correspondendo um quantitativo de 22.500 pessoas atendidas diretamente pelas ações aplicadas por uma equipe multidisciplinar, como educadores, assistentes sociais, psicólogos e comunicadores. O projeto Ajuri pela Vida na Amazônia é desenvolvido pela Cáritas Brasileira e Cáritas Articulação Norte 1, com financiamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), e apoio da Catholic Relief Services (CRS). Atualmente, o projeto segue em sua segunda fase de realização, continuando com as ações de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus nos territórios do interior do estado do Amazonas. Hanne Assimen Projeto Ajuri pela Vida na Amazônia – Cáritas Regional Norte 1

Dom Leonardo pede aos políticos ler a Fratelli tutti para “abrir horizontes importantes para a ação política”

O primeiro aniversário da encíclica Fratelli tutti, publicada pelo Papa Francisco em 3 outubro de 2020, fez com que as comissões de Direitos Humanos e Minorias, Educação, Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa e de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados realizaram, nesta segunda-feira, 8 de novembro, um seminário sobre fraternidade e amizade social. Os participantes foram o secretário-executivo da Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB, Daniel Seidel, que destacou na encíclica seu empenho em buscar recolocar a melhor política acima da economia; a representante do grupo de trabalho da Economia de Clara e Francisco da PUC Minas, Maria Oliveira, que vê a encíclica como “um caminho de conversão política para abrir os olhos”; Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que pediu aos parlamentares que a Fratelli Tutti seja inspiração para projetos de reformulação do poder e das instituições do país. Também participaram do seminário o vigário da Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo, padre Júlio Lancelotti; a representante do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), Romi Benke; a presidente do Conselho Nacional de Leigos do Brasil, Sônia Oliveira; o bispo da prelazia do Alto Xingu-Tucumã no Estado do Pará, dom Jesus Maria López Mauleón; e Dom Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo metropolitano de Manaus. Segundo Dom Leonardo, a Fratelli tutti “é um texto eminentemente político, texto que nos ajuda a compreender o que significa a política, mas também o que significa a nossa missão como políticos, como pessoas dadas à política”. O arcebispo identificou a político com o cuidado das relações da nossa convivência humana como um todo, definindo a encíclica como “um texto que ajuda a compreender as relações mais profundas, mais necessárias”. Falando sobre o número 241, que fala das lutas legítimas e do perdão, Dom Leonardo disse que “as relações, elas são feitas de confrontos, elas são feitas de embates, mas elas são feitas também do perdão. Senão, não existe fraternidade, não existe cidade, isto é não existe convivência humana”. Segundo ele, “não se trata de propor um perdão, renunciando aos próprios direitos perante um poderoso, corrupto, um criminoso, ou alguém que degrada a nossa dignidade”. Dom Leonardo afirmou que “somos chamados a amar a todos, sem exceção, mas amar um opressor não significa consentir que continue a ser tal, nem leva-lo a pensar que é aceitável o que faz. Pelo contrário, ama-lo corretamente, procurar de várias maneiras que deixe de oprimir, de tirar o poder, de não saber usar o que desfigura como ser humano”. Para o Arcebispo de Manaus, “perdoar não significa permitir que continuem a espezinhar a própria dignidade e a dignidade do outro, ou deixar que um criminoso continue a fazer o mal”. Dom Leonardo insistiu em que “quem sofre injustiça tem de defender vigorosamente seus direitos, precisamente porque deve guardar a dignidade que lhes foi dada, uma dignidade que Deus dá”. Na política, Dom Leonardo disse que “nós temos necessidade de termos pessoas que compreendam as relações mais profundas da nossa sociedade”. Aos políticos, que estão envolvidos diretamente com decisões políticas a respeito da nossa sociedade, “poderiam ler o texto, compreender a profundidade e perceber como o político, a política deve procurar estabelecer diálogos de profundidade”, insistiu. Em palavras de Dom Leonardo, se faz necessário insistir nas decisões “que fazem emergir aquilo que é próprio da dignidade, da justiça, da fraternidade e da liberdade”. Finalmente, o arcebispo de Manaus insistiu em ler a Fratelli tutti, pois “isso poderá abrir horizontes importantes para a ação política de cada um, de cada uma, ou de todos nós”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Frutos da presença da Igreja no meio do Povo Indígena

O Sínodo para Amazônia veio a impulsar e confirmar a presença missionária junto aos povos indígenas, estar com eles, viver em suas comunidades, abraçar suas lutas, celebrar suas festas, ser presença que acompanha, que encoraja, que fortalece pelo fato de estar no meio deles. “Uma Igreja de rostos amazónicos requer a presença estável de responsáveis leigos, maduros e dotados de autoridade… Os desafios da Amazónia exigem da Igreja um esforço especial para conseguir uma presença capilar que só é possível com um incisivo protagonismo dos leigos” (QA 94). Quando os leigos e leigas conhecem, vivem e testemunham o Evangelho, o Reino se faz presente. Cada um se reconhece amado e chamado por Deus, descobre seu dom dentro da Comunidade e com disponibilidade participa responsavelmente assumindo os serviços que são necessários em função dos irmãos.  Faz um ano, que começou uma nova experiência de missão, com a presença missionária estável na Comunidade Indígena Ticuna de Umariaçú I, na Diocese do Alto Solimões. Nunca antes tinha havido missionários morando com eles, foi necessário construir uma casa, numa terra que o cacique e seu conselho doaram. Passar da pastoral da visita à pastoral da presença foi um desejo gestado lentamente, rezado, conversado e especialmente sustentado na relação de carinho e respeito estabelecida entre a Igreja e o Povo Ticuna. Viver com eles na comunidade tem o presente da cotidianidade, como oportunidade para conhecer e amar sua realidade, seus ritos, suas formas de comportamento frente à vida, a doença, as dificuldades e a morte. É outra cultura, por isso, como missionários estamos chamados a tirar nossas sandálias para acompanhar cuidadosamente a vida do povo, reconhecendo as sementes do Verbo presentes no meio deles.    Em quanto à vida da Igreja, é gratificante perceber que quanto mais conhecem Jesus, seus ensinamentos e as verdades de nossa fé, mais cresce neles o desejo de participação na vida da Comunidade Cristã e seus diversos serviços.  O tempo de pandemia, no qual foi solicitado para eles permanecer na comunidade, foi propicio para formar os Celebrantes da Palavra e assim eles presidirem as celebrações dominicais. Também se formaram quatro coros, dois de jovens, um de mães e outro de pais, que são escalados por cada domingo para animar a celebração litúrgica. Neste último domingo 7 de novembro, com a presença de Dom Adolfo Zon Pereira, bispo diocesano, na Comunidade de Umariaçú I, foram enviados um grupo de seis coroinhas para o serviço do altar e apresentados dez novos catequistas para crianças, os quais trabalharão todos os sábados com mais de cem crianças. “É necessário aceitar corajosamente a novidade do Espírito capaz de criar sempre algo de novo com o tesouro inesgotável de Jesus Cristo, porque a inculturação empenha a Igreja num caminho difícil, mas necessário… Não tenhamos medo, não cortemos as assas ao Espírito Santo” (QA 69). Meu nome é Verônica Rubí, sou missionária leiga ad gentes, argentina de nacionalidade, da Diocese de Mar del Plata, Licenciada em Serviço Social de profissão e Marista de espiritualidade. Há mais de 7 anos que partilho a vida e a fé no coração da Amazônia, na tríplice fronteira Brasil- Peru- Colômbia, aqui conheci o Povo Indígena Ticuna, eles me evangelizam.   Verónica Rubí, Missionária leiga na Diocese do Alto Solimões

Diocese de Coari, uma Igreja Sinodal, marca novos caminhos para a Evangelização

A Diocese de Coari realizou de 5 a 7 de novembro sua 6ª Assembleia Diocesana de Pastoral, que aconteceu na Casa de Retiro Santo Afonso, na sede da diocese. Tanto a abertura como o encerramento foram com uma Eucaristia presidida pelo bispo diocesano, Dom Marcos Piatek. A 6ª Assembleia Diocesana da Diocese de Coari teve como tema: “Numa Igreja Sinodal, construindo juntos novos caminhos para a Evangelização“, segundo explicou o bispo diocesano na abertura dos trabalhos, refletindo sobre o papel missionário da Igreja, que está centrado na evangelização. Nas suas palavras foi explicando o propósito da assembleia, onde no primeiro dia foi momento para as paróquias partilhar sua caminhada pastoral. A assembleia, que contou com a assessoria do padre Zenildo Lima, reitor do Seminário São José de Manaus, onde são formados os seminaristas do Regional Norte 1 da CNBB, dentre eles os seminaristas da Diocese de Coari, foi explanando o tema central, questionando a Caminhada da Igreja a partir da proposta sinodal, uma dimensão importante na Igreja da Amazônia, especialmente depois do Sínodo para a Amazônia, onde o padre Zenildo foi auditor. Se referindo ao Sínodo sobre a Sinodalidade, que o Papa Francisco deu inicio no dia 10 de outubro deste ano no Vaticano e posteriormente foi realizada a abertura em todas as igrejas particulares do mundo no dia 17 de outubro, abordou as palavras chave que devem nortear o processo de escuta, que está dando os primeiros passos: Comunhão, Participação e Missão. A Diocese de Coari, num contexto de pandemia, que tem provocado numerosos desafios, mas também grandes criatividades, procurou durante a 6ª Assembleia Diocesana novos caminhos para a Evangelização a partir de Jesus Cristo e em comunhão com as Diretrizes da Ação Evangelizadora do Regional Norte 1 e da Igreja do Brasil. Partindo desse contexto foi construído o projeto de Evangelização diocesano. Para isso foi questionado sobre os caminhos ou diretrizes que precisam ser incorporados à atuação da Igreja para que a mesma possa promover uma participação real de todo povo de Deus. Tendo como horizonte o Sínodo sobre a Sinodalidade, os participantes da Assembleia foram expressando seus sentimentos e ideias para esse processo de consulta. A partir desse debate foram sendo elaboradas as propostas que têm sido recolhidas no Plano de Pastoral da Diocese, aprovado na 6ª Assembleia Diocesana de Pastoral. Tudo isso, que tem sido fruto de uma construção sinodal, que busca novos caminhos para a evangelização, será o fundamento da caminhada das paroquias, comunidades, pastorais e movimentos que fazem parte da Diocese de Coari. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Assembleia Prelazia de Borba: “Retomar o caminho a partir da esperança”

“Deus chama a gente para um momento novo”. Com a música de Zé Vicente, Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva iniciava a Assembleia avaliativa e celebrativa da Prelazia de Borba, que tem acontecido nos dias 5 e 6 de novembro de na sede da Prelazia. O bispo definia o encontro como “um acontecimento eclesial que nos chama para um encontro de irmãos”. Nas palavras de abertura, Dom Zenildo falou de sonhos, sinodalidad e perspectivas, lembrando os estragos provocados pela pandemia e insistindo em “buscar a vacina e não cair no negacionismo”. Segundo o bispo tem sido um momento para “retomar o caminho a partir da esperança”, um momento de celebração, de acolhida, de confraternização, de partilha da vida das paróquias. As novas perspectivas a partir da sinodalidade foi ponto de reflexão dos participantes da assembleia. Segundo o bispo, “esta assembleia tem sido um novo ardor, um novo aquecimento para nossas lideranças, para nossas comunidades”. A Prelazia de Borba foi dividida em quatro foranias, que receberam o nome dos evangelistas, querendo assim descentralizar para melhor servir, acompanhar e formar o povo. A Prelazia de Borba abriu o Ano da Palavra, que tem como tema “A Palavra habitou entre nós” e seguirá o Documento 114 da CNBB. O Ano da Palavra “vem para dar um impulso em nossas prioridades e motivações”, tendo como objetivo “animar, reforçar e formar para a Evangelização”. O Ano da Palavra pretende ajudar a “conhecer a Deus, tomar consciência de sua vontade”. Ao longo do próximo ano serão celebrados congressos bíblicos em cada umas da foranias, multiplicados os grupos de reflexão, formar ministros e catequistas… As lideranças vítimas da Covid-19 foram lembradas na Assembleia, realizando uma carreata da esperança com faixas pelas ruas da cidade. A Assembleia foi encerrada com uma Eucaristia na Catedral de Santo Antônio, que segundo Dom Zenildo foi um momento de gratidão, de renovação da Aliança com Deus, com a sinodalidad, com a nossa missão na Prelazia”. O bispo insistiu em que “a pandemia, os problemas, os desafios não nos devem nos afastar de Deus, do plano, da vontade de Deus, da evangelização”. Ele pediu a intercessão de Nossa Senhora para continuarmos servindo, animando, dinamizando o Reino de Deus”. Dom Zenildo agradeceu o empenho dos padres, das irmãs, do laicato, por esta assembleia tão dinâmica e tão comprometida com a causa do Reino de Deus”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

CEAMA e REPAM à COP26: “Mudanças de rumo de uma vez por todas”

Não permanecer em silêncio diante da COP26. Esse é o propósito da Carta da Conferência Eclesial da Amazônia – CEAMA e da Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM, aos líderes participantes do evento, que está sendo realizado em Glasgow, de 31 de outubro a 12 de novembro. A carta quer expressar “nosso sentimento de desconcerto e, ao mesmo tempo, de impotência ao contemplar e experimentar o caos que vive nosso Planeta, entre outras coisas, por causa da mudança climática e suas consequências catastróficas para a humanidade e para a casa comum”. Depois de ouvir “o grito dos pobres e também o grito da Terra”, eles advertem sobre “as atuais condições em que vive nosso Planeta ameaçado e atormentado“, o que foi retomado no Documento Final do Sínodo para a Amazônia, onde se diz que a floresta “se encontra numa corrida desenfreada para a morte “. Por esta razão, eles veem a Amazônia como “um lugar estratégico para a humanidade e para nosso Planeta”, que está deteriorado. Em vista disso, advertem que “precisamos urgentemente lutar contra toda essa degradação numa região que ‘se mostra diante do mundo com todo seu esplendor, seu drama e seu mistério’”, como foi dito no início da Querida Amazônia. A carta reconta algumas dessas ameaças, lembrando que “os pobres são os primeiros a pagar a conta de toda essa problemática ecológica e climática“. Diante desta realidade, advertem os líderes reunidos na COP26 que “necessitamos cuidar de nossa casa comum e tomar medidas de extrema urgência diante da violência que os territórios e os povos amazônicos e suas culturas sofrem”. Em um mundo quebrado, onde medidas radicais são necessárias, eles dizem aos líderes que “vocês têm em suas mãos a oportunidade de tomar providências transcendentais que revertam a grande catástrofe que se avizinha“. Insistindo que “não podemos esperar mais”, eles pedem ” resultados palpáveis e que conduzam a mudanças de rumo de uma vez por todas”. Isto deve ser traduzido, declara a carta, em “honestidade, coragem e responsabilidade, sobretudo dos países mais poderosos e contaminantes“. O bem comum deve ter precedência sobre o privilégio, para o qual “não existe o direito de manter certa comodidade diante da dor e da pobreza dos outros”. Fazendo um chamado a não perder a esperança, CEAMA e REPAM dizem recorrer “ao bom Deus para que ilumine vocês, a fim de que estejam à altura das atuais circunstâncias”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1