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Cardeal Steiner: Advento, “o nascer de Deus em nossa humanidade”

O Cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, presidiu a Celebração do 3° Domingo do Advento na Catedral Metropolitana de Manaus na manhã de 14 de dezembro de 2025. Ele recordou aos presentes que “estamos a caminho de Belém”. Nesse percurso, a liturgia traz o anúncio de diversas manifestações de Deus e que o Advento é a “espera do Filho do Homem o nascer de Deus em nossa humanidade”. Em sua homilia, o cardeal explicou que o 3° Domingo é chamado de Domingo da Alegria, por ser uma “espécie de antecipação litúrgica para podermos celebrar a alegria do Natal”. Em continuidade, recordou o Evangelho do domingo passado, onde “víamos João Batista às margens do Jordão” e hoje o Evangelho anuncia que ele está na prisão e em dúvidas e manda perguntar: “és tu aquele que há de vir ou devemos esperar por um outro?”. “João, o preparador, o anunciador, o aplanador das colinas, o endireitador dos caminhos, não sabe mais. Anunciava e agora já não sabe mais. Ele havia tocado, havia batizado seu Senhor e agora na quase ignorância do saber. Havia dito que não sou digno nem mesmo de carregar suas sandálias, agora já não sabe mais quem ele é”, ilustrou o cardeal. Seria Ele o esperado?  O arcebispo indagou os fiéis presentes a pensar “O que não faz a prisão, queridos irmãos e irmãs? O que pode fazer a solidão?”. Dando seguimento, explicou a perspectiva em que se encontrava João Batista “não mais rodeado pelas multidões, discussões, não mais pregações, nem mesmo o batismo de conversão”. Ele expôs que a solidão de João é um “nada para anunciar, nada para preparar, nada para endireitar” e com ela João se interroga: “é ele ou devemos esperar por um outro?”. “Abandonado, sem o vestido das peles de camelo, sem o cinturão de couro em torno dos rins, sem os gafanhotos e o mel silvestre, se interroga, duvida, espera. E agora no desejo da confirmação de uma presença nova que deve batizar no Espírito. Seria ele o esperado, o desejado das nações, o implorado, o rezado nos séculos o Deus conosco, o Deus da história, o Deus de nossos pais, o Deus de Abrão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó?”, novamente apontando as percepções da dúvida de João Batista.  Em suas palavras o cardeal conduziu os presentes a assumir o questionamento de Batista, “É ele? É ele o nascido em Belém, no quase relento, sem casa, sem lugar, no recolhimento das ovelhas? É Ele? Ele que nascera, Ele cumpridor das escrituras, Ele o esperado, Ele o meu primo, o da minha raça, do meu sangue, da minha parentela, da descendência de Davi. Ele o filho de Maria e José, João não sabe mais”. E outra vez trouxe a passagem do Evangelho “É aquele que devia vir ou devo esperar por um outro?”. O arcebispo prosseguiu com objeção de João “um grande profeta, um grande curador, anunciador”.  E acrescentou “seria demais, impossível que o desejado, implorado, explorado, esperado por tantas gerações fosse justamente ele, o da minha carne, o do meu sangue, da minha parentela, o de Nazaré?”. Isto porque, segundo ele, o precursor se vê “abandonado, solitário, à espera da morte”, e na dúvida envia de seus discípulos a Jesus para questioná-lo. Como resposta, Jesus pede que contem a João o que “os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados”. Feliz aquele que não se separa de Mim Em sua homilia, o cardeal explicou que o que viram e ouviram era “o sinal inconfundível de que era Ele e não o outro”. Em suas palavras “Ele era a vida nova que estava por pulular em todas as partes”, e por isso era “feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim”. Dessa forma, escandalizar assume a compreensão de “não se separa de mim”. Porque, em Jesus, “uma vida nova, pois um reino novo, uma nova convivência. Tudo redimido, tudo transformado”, essas transformações é que tornavam visível a presença de Deus. O arcebispo acentuou que esses sinais não eram os milagres que causam “admiração e estupefação”. E sim “do cuidado e do desvelo de Deus, a aproximação de Deus em dar olhos, em conceder liberdade, em dar corpos limpos”, como explicou o cardeal. A visita de Deus aos pequeninos e necessitados “os enche de vida nova, os renova, os liberta, os coloca de pé, eles caminham com os próprios pés, veem com os próprios olhos, ouvem com os próprios ouvidos, mas todos purificados e limpos”. “É que vivem na purificação não própria. mas na purificação de Deus. Então, não necessitava esperar por o outro. Somente um Deus humanado poderia cuidar assim dos cegos, dos coxos, dos leprosos, dos surdos, dos mortos, dos pobres. Sim, João, sou eu, o da tua parentela, o filho de Maria José que você conheceu. Sou eu, aquele o esperado, implorado, desejado, ansiado por séculos. Sou eu, não precisas esperar por um outro” explicou o cardeal. É a criança de Belém O presidente destacou a beleza do texto apresentado da primeira leitura do Livro do Profeta Isaías “vida nova, parece tudo resplandecer, tudo brilhar, mas cheio de vida e de transformação”. Com a palavras do profeta, refletiu a quantidade daqueles que voltaram para casa curados “Os que o Senhor salvou voltarão para casa. Quantos voltaram para casa curados? Nos textos do Evangelho encontramos”. No retorno iam “a Sião cantando louvores com infinita alegria, brilhando os seus rostos, cheio de gozo e de contentamento, não mais a dor e o pranto. Vida nova, porque presença nova de Deus entre nós”. Essa percepção responde ao questionamento de João a sim mesmo sobre a pessoa de Jesus “Assim era ele, João não precisava esperar por outro”. Hoje, queridos irmãos, queridas irmãs, queridos telespectadores, radiouvintes, Domingo da Alegria. Alegria pré-anunciada pelo profeta, alegre-se a terra que era deserta e intransitável. E não…
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Cardeal Steiner: Advento, tempo “para verificar o nosso desejo de Deus”

No segundo domingo do Advento, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando as palavras da pregação de João Batista no deserto da Judéia: “Convertei-vos, porque o reino dos Céus está próximo.” Ele mostrou que “estamos no tempo de advento, em compasso de espera, estamos na expectativa. Conforme a Palavra de Deus do domingo passado, o Filho do Homem virá! Ele é o Advento. E no anúncio da vinda do Filho do Homem encontrávamos o convite: ficai preparados! O anúncio e o convite da preparação despertaram em nós o desejo de nos encontrarmos com o Filho de Maria e nos colocamos a caminho de Belém”. Memorar a primeira vida e preparar a segunda “Começamos a olhar e a celebrar, mais uma vez, a primeira vinda de Jesus. Ele nossa fonte, nossa raiz, nosso horizonte, raiz da humanidade, sentido de toda a história e de todo o universo. Ao memorarmos a primeira vinda, estamos realizando e preparando a segunda vinda de Jesus”, sublinhou o arcebispo de Manaus. Segundo o cardeal, “o Advento é o tempo que nos é concedido para acolher o Senhor que vem ao nosso encontro, também para verificar o nosso desejo de Deus, para olhar em frente e nos preparar ao regresso de Cristo. Ele voltará a nós na festa do Natal, quando fizermos memória da sua vinda histórica na humildade da condição humana; mas vem dentro de nós todas as vezes que estamos dispostos a recebê-lo, e virá de novo no fim dos tempos para ‘julgar os vivos e os mortos’. Por isso, devemos estar vigilantes e esperar o Senhor com a expetativa de o encontrar”, disse inspirado as palavras de Papa Francisco. “Estamos a caminho de Belém e chegamos ao segundo domingo do Advento. E nesse nosso caminhar ao encontro do Filho de José, aquele que está por vir, no encontramos com João, o filho de Isabel e Zacarias. O encontramos ao lado do rio Jordão com suas roupas de pelos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins. Ele, que se alimenta de gafanhotos e mel do campo. Nos impressiona esse homem com suas vestes e alimento rude e com seu semblante quase suave. Vemos o vir e ir de pessoas: moradores de Jerusalém, de toda a Judéia e de outros lugares”, disse o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1).  “As suas palavras são cheias de força e vigor”, disse citando o texto:“Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo.” O cardeal mostrou que “a sua voz penetrante como um olhar, diz da preparação, da expectativa, da esperança; o seu olhar penitente e iluminador, anunciam um novo Reino. As pessoas ao sorvem as suas palavras, confessam a fraqueza e de deixam purificar nas águas do Jordão”. Preparação e conversão Segundo o arcebispo de Manaus, “o nosso encontro com o Batista fala da preparação, conversão, indicando novos rumos, novos caminhos, novos empenhos; purificação, remissão, libertação, novo encontro.” Ele recordou que “já estamos prontos para partir quando ele olhando para nós proclama”, citando de novo as palavras do Evangelho: “Eu batizo com água para a conversão, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu nem sou digno de carregar as suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo.” Nesse sentido, ele enfatizou que “partimos meditando a Palavra que nas palavras, nos gestos e na figura do Batista, mais decididamente nos anima a subir até Belém”. “O caminho, no nosso caminhar, enquanto caminhantes, as suas palavras continuam a ressoar em nosso coração”, disse citando o texto bíblico:“Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo.” “Conversão porque o Reino dos céus está próximo. O Reino do céu está próximo… está se aproximando; está na proximidade. E se Ele está próximo, porque se aproximou, vivemos sempre próximos a Ele, vivemos d’Ele, nos movemos n’Ele, respiramos a Ele, nós nos direcionamos por Ele no caminho a Belém. Sim, Ele está próximo: Ele o senhor menino, Ele senhor fragilidade, Ele senhor da história humanado. Ele é o Reino que está próximo logo ali em Belém, logo aqui, em mim, Belém; logo ali no desejo de tocar a Deus não diferente de mim. Logo aqui, em mim tão diferente de mim. Esse reino, esse reinado, essa realidade, essa verdade, esse toque de proximidade”, refletiu o cardeal. Veredas que conduzem até Belém Segundo ele, “no caminhar as palavras se tornam vivas, inquietam, alegram, satisfazem, despertam e até apressam nossos passos. E nos lembramos das palavras de Isaías: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas’. Sim preparai o caminho, endireitai as veredas. Os caminhos, as veredas, como as veredas do sertão, como o sertão veredas. Caminhos não trilhados, caminhos não pisados, caminhos não feitos; são os por trilhar, os por pisar, os que estão em preparação, são as veredas que nos conduzem diretamente, acertadamente, certeiramente até Belém”. “O seguidor, a seguidora de Jesus, é aquele, aquela que, ‘através da sua proximidade ao irmão, como João Batista abre caminhos no deserto, isto é, indica perspectivas de esperança até em contextos existenciais impenetráveis, marcados pela falência e pela derrota. Não nos podemos render diante das situações negativas de fechamento e rejeição; não nos devemos deixar submeter pela mentalidade do mundo, porque o centro da nossa vida é Jesus com a sua palavra de luz, amor e consolação. É Ele! O Batista exortava com força, vigor e severidade as pessoas do seu tempo à conversão. Contudo, sabia ouvir e realizar gestos de ternura, gestos de perdão para com a multidão de homens e mulheres que iam ter com ele para confessar os próprios pecados e para receber o batismo de penitência’”, disse citando Papa Francisco. Anunciação da proximidade “Em preparando os caminhos, em buscando Belém, ouvimos a voz do profeta”, disse o cardeal, citando o texto bíblico: “A terra estará tão repleta do saber do Senhor quanto as águas que cobrem o mar” (Is 11,9). Segundo ele, “a proximidade do…
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Arquidiocese de Manaus inicia Assembleia Sinodal da Juventude

Na noite de ontem (5), o Cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus e Presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), presidiu a missa de abertura da Assembleia Sinodal da Juventude, na Catedral Metropolitana de Manaus, às 18h. A celebração marca o caminho de conclusão do Sínodo da Juventude. Nos dias 6 a 8 de dezembro, os Jovens e Adultos Sinodais construirão caminhos pastorais para as Juventudes de todo território arquidiocesano. Durante sua homilia, o Arcebispo de Manaus recordou que o texto do Evangelho nos convida a “um abrir olhos. Sempre um abrir olhos”. Nela o cardeal explicou que “nem sempre nossos olhos atinam para a verdade pela qual poderíamos ser atingidos”. E que o caminho percorrido com o Sínodo da Juventude foi “como que um pedir para abrir olhos”. Olhos sensíveis ao Anúncio do Evangelho Segundo o cardeal, o elo entre o texto evangélico e o Sínodo reflete o desejo da Igreja de Manaus de que os jovens “pudessem falar, os jovens pudessem dizer”. Mas que com ele, os jovens possam também “ver e participar da vida da igreja, da vida eclesial, do reino de Deus, do anúncio do Evangelho. Então a súplica do texto do evangelho de hoje é o desejo de ver”. Ele recorda que a forma como os cegos dos olhos veem no texto, reforça a sensibilidade alcançada por aqueles que sentem a necessidade de “ver”. “Veem pela escuta, pelo timbre da voz, pelas expressões, pelos adjetivos, pela sonoridade agressiva ou acalentadora, veem, mas vem também pelo tato. E apalpando, tocando, veem. Todos veem”, destacou o arcebispo. Essa busca dos cegos pela visão revela a “grandeza e a beleza de podermos viver na dignidade de filhos e filhas de Deus”. E é justamente o que dá alento, coragem e matura as experiências humanas, pois o Evangelho dá sentido à vida. O arcebispo também destacou que o texto apresenta a perspectiva comunitária, onde os dois cegos viram juntos, estabelecendo uma ligação com processo sinodal que carrega as expressões comunitárias de fé dos jovens. “Eram dois. É como se disséssemos, nós vemos mesmo quando vemos juntos. Quando nossos olhos se abrem e juntos vemos. Porque um diz, veja que bonito, e o outro diz, olha mais isso, e veja mais isso, e veja mais aquilo. E nós vamos tendo essa beleza de um mosaico dos veres. Na nossa Assembleia Sinodal, nós não viemos individualmente”, explicou. A concretude dos novos caminhos A dinâmica escolhida para a Assembleia buscará ajudar os jovens a apontar caminhos concretos de como ser jovens na Igreja de Manaus. O “ver” apresentado pelo Evangelho convida a desenvolver uma receptividade construtora de participação autêntica, engajada e comprometida. E, nas palavras do cardeal, “podermos ir trabalhando juntos, servindo juntos, rezando juntos, cantando juntos, dançando juntos. porque somos uma igreja, somos a visibilização do reino de Deus.” E nesse sentido, a clareza de que o processo se constrói de forma comunitária permite que a pergunta de Jesus floresça: “Vós acreditais que eu posso fazer isso?”. E a resposta a essa pergunta é um chamado aos jovens para que apresentem caminhos e propostas para que a igreja possa, como citou o Dom Leonardo, “ir ao encontro de todos”, até os que não participam da vida da igreja. E assim, ver e comunicar a beleza, a profundidade e a verdade extraordinária do Evangelho. “Sim, na medida de crermos que nós, como jovens, somos capazes de responder à beleza do Evangelho. Sim, à medida da fé, à medida de crermos, fomos todos batizados, na medida em que cremos que somos capazes, porque recebemos a filiação divina. Não somos qualquer um, somos todos filhos e filhas de Deus. E como filhos e filhas de Deus, nós dizemos, eu quero ver. Ver sempre mais.”, refletiu o arcebispo. Ao final, o cardeal Steiner reforçou que todos merecem viver e experimentar a beleza do Evangelho. E para isso convidou os presentes a pedirem “Nossa Senhora Imaculada Conceição nos ajude nesses dias”. Principalmente “nós que preparamos os nossos corações para a grande Solenidade da Imaculada Conceição, que nos coloquemos a caminho com os nossos jovens”. Fotos: Arquidiocese de Manaus

Cardeal Steiner: “Não sabemos a hora em que Ele virá, mas gostaríamos de ficar preparados!”

No Primeiro Domingo do Advento, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando que “ingressamos no tempo da vinda do Filho do Homem! Iniciamos o tempo do Advento.” O purpurado disse, se referindo ao tempo que se inicia, que “ele contém duas realidades que nos atraem e despertam: primeiro lugar, vinda do Filho de Deus que manifestou visivelmente na carne, a sua presença, esperada e desejada pelos Patriarcas, a vinda que nos trouxe a salvação. Essa vinda nos faz esperar a manifestação de Jesus na sua glória, o dia do Juízo, quando ele se manifestar no fim dos tempos”, inspirado no  Sermão para o Advento do Senhor de Santo Aelredo de Rievaulx. O filho do homem virá! “Iniciamos o tempo da espera, da expectativa, do nascer da criança de Belém. O tempo que nos é dado como caminho da admiração pelas manifestações de Deus em nossa humanidade. Entramos, novamente, em compasso de espera.” Ele recordou que “a Palavra de Deus a nos anuncia: ‘o Filho do Homem virá’! Ele está por vir, Ele é um Advento. Espera e expectativa; não sabemos a hora em que Ele virá, mas gostaríamos de ficar preparados!” Citando o texto bíblico: “Ficai preparados” e “na hora em que menos pensais”, o arcebispo de Manaus refletiu: “o Filho do Homem virá, porque é um por-vir; é sempre um vir ao encontro. O Senhor veio e se tornou a presença inefável na nossa humanidade e fragilidade. A crença de que o Senhor já chegou, já nos visitou, chegou e fez sua morada em nosso meio, nos dá a disposição de continuarmos nos expondo a esse Senhor que deseja nos visitar mais uma vez. A liturgia celebra a essa visita, visibiliza essa visita. E para que ela possa se tornar audível e visível nós entramos em preparação, exercitamos os nossos olhos, para ver Aquele que nossos olhos não poderiam ver”. Ficai preparados! Segundo o presidente do Regional Norte 1: “Ficai preparados! É o convite do Evangelho deste primeiro domingo do Advento. Estar preparados, permanecer vigilantes, pois pode acontecer que Ele venha, nasça e nós não o vejamos, permanecemos cegos.”  Ele recordou as palavras de Santo Agostinho: “tenho medo que Jesus passe sem me dar conta” (Sermão, 88, 14, 13). Daí que “o Evangelho a nos dizer da necessidade da preparação, da atenção para vermos uma nova presença de Deus em Belém. Às vezes arrastados pelos nossos interesses meramente pessoais, às vezes distraídos por tantas coisas insignificantes, corremos o risco de perder o essencial. Por isso, hoje, o Senhor repete “estai preparados” (Mt 24, 44). Como se dissesse: vigiai, estai atentos, ficar preparados, desejo visitar-vos!” “Vigiar, preparar, é esperar! Estar em vigília! Viver na esperança da vinda transformativa de Deus em nossa humanidade! Como antes de nascer fomos esperados por quem nos amava, assim agora somos esperados pelo Amor que está por nascer em nossa humanidade. Tudo passa, só o amor que nos busca e deseja revelar-se em Belém, não passa. Preparemo-nos!”, disse o arcebispo. Oração para ficar vigilantes Diante disso, o arcebispo questionou: “E como podemos estar preparados, vigilantes?” Sua resposta foi: “Com a oração. Rezar é acender uma luz na noite. A oração desperta da frieza duma vida superficial, ergue o olhar para o alto: um encontro com Deus. A oração permite estarmos na proximidade de Deus; por isso liberta da solidão e devolve esperança. A oração oxigena a vida: tal como não se pode viver sem respirar, assim também não podemos viver sem rezar. Perdemos um pouco o sentido da oração, da adoração: permanecer em silêncio diante do Senhor, adorando, reverenciando, auscultando! A oração nos deixa vigilantes e conduz até Belém. Como estar preparados vigilantes? Com a vigilância da caridade que é amor em movimento. Para não cair no sono da indiferença e estarmos na preparação, estar na vigilância do amor, da caridade. A caridade é o coração pulsante do discípulo, da discipula de Jesus. Como não se pode viver sem a pulsação, assim também não se pode ser cristão sem caridade. Sentir compaixão, ajudar, cuidar, aproximar-se, servir! Tudo e apenas no amor. É com as obras de misericórdia que nos aproximamos do Senhor”, inspirado nas palavras de Papa Francisco. Ele recordou que “São Francisco de Assis desejo de ver o nascer de Deus em Belém, reuniu o povo do vilarejo de Greccio e encenou o nascimento de Deus. Ele desejava ver Aquele que nossos olhos não podem ver: a encarnação de Deus, a aproximação de Deus, a singeleza de Deus, o Deus criança.  Ele compreendeu o que o Evangelho nos dizia com “ficai preparados, na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá”. O Filho do Homem, aquele no colo e nos braços de Maria lhe deu uma alegria incontida, uma admiração poética. Ele compreendeu que a vinda, o nascer de Deus não era coisa do passado, da história, mas encontro cada vez renovado, porque o Filho do Homem era a sua vida. Por isso, ficar preparado era estar todo, por inteiro, à disposição do Filho do Homem. Para ele não existia aquela hora, a melhor hora, a hora decisiva, a hora que não sabemos, o desespero daquela hora. Não saber a hora, é a cada hora, em todas as horas, para além das horas, para quem das horas, meditando, admirando, vivendo, o Deus que se fez Filho do Homem”. A caminho de Belém “Nesse Advento, nos colocamos a caminho de Belém. Uma caminhada de quatro semanas para percorremos com o Povo de Israel os séculos da espera, de súplica, da esperança. É caminhar com Ele, o Deus conosco. Estaremos a caminho de Belém como nesses séculos os homens e a mulheres na confiança da vinda do Salvador. Por isso, o Advento desperta hoje, como no passado, a súplica: ‘Vem Senhor Jesus!’”, disse o cardeal Steiner. Segundo o arcebispo, “a primeira leitura nos serve de alento”, citando o texto bíblico: “Vamos subir ao…
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A Igreja de Manaus ordena 10 diáconos permanentes para assumirem “um serviço de amor”

A Igreja de Manaus viveu na manhã deste sábado, 29 de novembro de 2025, um momento importante, expressão da ministerialidade da Igreja. A ordenação de 10 diáconos permanentes pelas mãos do arcebispo, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, congregou na catedral metropolitana uma boa representação da Igreja local: bispos auxiliares, presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, leigos e leigas, mas especialmente familiares e amigos dos novos diáconos. Um ministério marcado pelo serviço Adailton Miquiles Bechimol, Antônio Mário Ribeiro de Arruda, Jonatas Bentes Picanço, Luzivaldo Nascimento Junior, Magno Fonseca Motta, Maurício Borborena de Medeiros, Osvaldo Tércio Colares de Santana, Raimundo Alves Prestes, Roberto Dantas Prado e Roosevelt Alves dos Santos assumiram um ministério marcado pelo serviço, “um serviço de amor”, segundo o presidente da celebração. Em sua homilia, o arcebispo destacou a importância da diversidade de ministérios, de na sincronia manifestar o desejo de seguir Jesus. Ele recordou a resposta do Salmo lido na celebração: “Ó Senhor, vossas palavras são espírito e vida!”. A partir daí, o cardeal Steiner destacou a missão daqueles que iriam ser ordenados como “anunciadores de Espírito e Vida, porque anunciarão a Palavra, Palavras que concedem vida e novo Espírito, Palavras que são Espírito”. Amor sem limites Uma presença do Espírito que aparece nas palavras do Evangelho, mostrando que “o amor desperta espírito e vida, o amor é espírito e vida, o amor renova o Espírito e concede vida.” Um amor que, seguindo o modo de Jesus é “sem limites, sem porque, sem para que, sem condição, sem condições, sem condicionalmente, livre, libertador, doador, admirador”. “Um amor que encontra, desperta, ilumina”, prosseguiu o cardeal. Ele enfatizou que “fomos e somos escolhidos, prediletos no amor, seja na vida familiar, seja na vida vocacional, é sempre o amor que nos escolhe.” Isso porque “o amor encontra, elege, envia”, e faz isso “para produzir os frutos”, dado que “o amor é frutífero, o amor é abundante”, refletiu o presidente da celebração. Um chamado a serviço do amor O cardeal Steiner recordou aos que iam ser ordenados diáconos que “na Igreja os serviços, os ministérios, as vocações nascem da amorosidade do Espírito Santo.” Junto com isso, ele enfatizou que “o diaconado é uma vocação, um chamado a serviço do amor”, e recordou que o Concílio Vaticano II afirma que os diáconos “servem o Povo de Deus no ministério da Liturgia, da Palavra e da caridade. O arcebispo recordou o chamado de Papa Francisco aos diáconos de Roma a “abaixar-nos, porque Jesus abaixou-se, fez-se servo de todos”. Um chamado a servir aos mais necessitados. Nesse sentido, o arcebispo de Manaus recordou o ensinamento de Papa Leão XIV em Dilexit te: “A condição dos pobres representa um grito que, na história da humanidade, interpela constantemente a nossa vida, as nossas sociedades, os sistemas políticos e económicos e, sobretudo a Igreja. No rosto ferido dos pobres encontramos impresso o sofrimento dos inocentes e, portanto, o próprio sofrimento de Cristo.” Palavras que levaram o cardeal Steiner a pedir aos novos diáconos que “saibam avistar os pobres e distantes”. Sinal de esperança O arcebispo convidou a cada um dos 10 que seriam ordenados a “ser um diácono catequista e profeta, ser um diácono sentinela, que sabe ver e ajudar os outros a ver sempre para além e ver os pobres que estão longe.” No Ano Santo da Esperança, ele lhes convidou a ser expressão da esperança, sinal da esperança. Como Igreja de Manaus, o cardeal Steiner manifestou a gratidão pela ordenação e poder “enviá-los como Palavras de Espírito e Vida”. Uma gratidão que estendeu àqueles que lhes acompanharam no processo formativo e aos familiares e comunidades que ajudaram no discernimento vocacional. O cardeal inovou o Espírito Santo e pediu: concedei a esses irmãos a graça, o dom do serviço, a graça do amor. Sejam no agir e pensar compassivos, deitando o óleo nas feridas do corpo e do espírito”, que eles sejam “consoladores, misericordiosos e anunciadores esperançados da vida e do Espírito.” Que os novos diáconos possam “verem os pobres, amem os desprezados, descartados e esquecidos da nossa sociedade”, e junto com isso “sejam anunciadores do Reino da verdade e da graça, da Justiça, do amor e paz”.

Papa Leão XIV ao cardeal Steiner: “Permaneça na direção da Arquidiocese por mais dois anos”

O arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner comunicou ao clero nesta sexta-feira, 28 de novembro de 2025, que Papa Leão XIV lhe pediu “que permaneça na direção da Arquidiocese por mais dois anos”. Código de Direito Canônico: apresentar a renúncia aos 75 anos O Código de Direito Canônico, no número 401, parágrafo 1, afirma: “Roga-se ao Bispo diocesano, que tiver completado setenta e cinco anos de idade, que apresente a renúncia do ofício ao Sumo Pontífice, o qual providenciará depois de examinadas todas as circunstâncias”. No dia 06 de novembro de 2025 o cardeal Steiner completou 75 anos e apresentou ao Santo Padre sua renúncia. Em resposta ao pedido do arcebispo de Manaus, Papa Leão XIV, através da Nunciatura Apostólica no Brasil, comunicou sua decisão diante desse pedido. Continuar serenamente no governo da Igreja de Manaus Em carta assinada pelo Núncio Apostólico, dom Giambattista Diquattro, com data de 17 de novembro de 2025, lida na reunião do clero, foi comunicado que “o Santo Padre Leão XIV, na Audiência realizada em 15 de novembro de 2025, aceitou a renúncia de Vossa Eminência ao governo pastoral da Arquidiocese de Manaus, e ao mesmo tempo roga a Vossa Eminência que permaneça na direção da Arquidiocese por mais dois anos”. O Núncio Apostólico disse que a decisão Pontifícia “deverá ser comunicada ao clero e aos fiéis da Arquidiocese”. O texto recolhe igualmente que “o Santo Padre Leão XIV pede a Vossa Eminência a generosidade de continuar serenamente no governo da Igreja de Manaus”.

Cardeal Steiner: “A Cruz é a expressão máxima de uma vida feita amor e entrega”

Na Solenidade de Cristo, Rei do Universo, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), cardeal Leonardo Steiner, iniciou sua homilia recordando que “concluímos, hoje o Ano Litúrgico. Na conclusão a liturgia de hoje celebra a Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo. As leituras no despertam para o sentido da Solenidade de hoje”. Unção de Davi NaPrimeira Leitura, ele destacou que “Davi é ungido rei das tribos de Israel (2Sm 5,1-3).O seu reino tornou-se símbolo do reino de paz, de justiça, de liberdade que um dia Deus teria instaurado na terra. E vemos como os Profetas prometeram a chegada de um descendente de Davi, que iria realizar esse sonho, a realização das promessas de um reino livre e libertador. O povo de Israel esperou durante muitos séculos a realização do reino estável e duradouro. Especialmente no tempo de Jesus em que o povo estava dominado pelos romanos, estavam sob o jugo do estrangeiro, esperavam um salvador, um libertador. Um povo que havia recebido a terra prometida, havia conquistado um reino de justiça e liberdade com Davi, agora sob a dominação de estrangeiros. Conhecemos como muitos reis foram traidores da Aliança e levaram o povo à escravidão. Descuidaram, não pastorearam devidamente a promessa, a Aliança de Deus para com os patriarcas, Abraão Isaac, Jacó e sua descendência”. Já na segunda leitura, o cardeal disse que “a Carta de São Paulo aos Colossenses, a nos ensinar porque Jesus se tornou rei, o centro, a possibilidade de realização do existir na nossa humanidade”. Ele citou o texto bíblico: “Ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu Filho amado, porque temos a redenção, o perdão dos pecados. (…) Ele o primogênito de toda a criatura, pois por causa dele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as coisas visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas e todas tem nele a sua consistência. (…) Ele é o Princípio, o Primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo ele tem a primazia, porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz.” (Cl 1,12-20) Segundo o arcebispo de Manaus, “Paulo a nos recordar que Jesus é o centro da história, o fundamento de tudo o que existe. Foi Ele que nos devolveu a graça da filiação divina. Ele que nos salvou, nos ofereceu o perdão dos pecados. Os vivos e os mortos estão referidos a Ele. Ele o início e o fim de todas as coisas. Ele reconciliou todo o universo. E tudo na graça da cruz. Assim, Ele é o rei, pois reina, supera, a divisão, a maldade. O que nos impressiona é que esse rei que a tudo dá sentido e tudo deixa ser, é o Crucificado segundo o Evangelho”. Um Reino de serviço, de amor, de entrega “Na celebração de Cristo Rei do universo, o Evangelho a nos dizer que participamos da sua realeza crucificada. Cristo não aparece sentado num trono de ouro, mas pregado numa cruz, com uma coroa de espinhos, com uma inscrição sobre a cabeça: “Jesus Nazareno, rei dos Judeus”. Rodeado de dois homens que seriam ladrões, insultado, escarnecido pelos soldados. Nada poder, autoridade, realeza terrena. Jesus na cruz, apresenta um Reino de serviço, de amor, de entrega, de dom da vida; um reino de reconciliação”, ressaltou o presidente do Regional Norte 1 da CNBB. O cardeal Steiner mostrou que “nas palavras dos zombadores, vem a palavra de que Jesus é que salva, ele é o Salvador. A recordação da salvação vem como ironia, agressão para que ele salve a si mesmo. E Jesus não salva a si mesmo, morre crucificado, para salvar a todos. E na dor, no sofrimento, na passagem da morte salva toda a humanidade; nele somos salvos e libertos”. “Reino do amor, da vida veio visibilizado no pedido do homem que como ele está no infortúnio. No suplício da cruz, o bom ladrão reconhece a salvação que é Jesus, o seu reinado”, destacou o arcebispo de Manaus. “Por isso, pede a salvação”, disse ele, citando o texto evangélico: “lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado”. Diante disso, “Jesus o acolhe”, disse, recordando as palavras de Jesus: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso“. Segundo ele, “a cruz é o Trono, em que se manifesta plenamente a salvação, a realeza de Jesus. Na cruz acontece a reconciliação, o perdão e a vida plena para todos. A Cruz é a expressão máxima de uma vida feita amor e entrega”. Inaugurar o Reino de Deus “A missão de Jesus foi anunciar e inaugurar o Reino de Deus, a salvação. Missão da Igreja, a nossa missão de discípulos missionários, de discípulas missionárias é continuar o anúncio do Reino de Deus e convocar a todos homens e todas as mulheres para construir aqui na terra, esse Reino da benevolência, do consolo, da misericórdia, do acolhimento, da bondade, da fraternidade universal, da salvação”, refletiu o cardeal Steiner. Ele recordou as palavras do Prefácio da solenidade de hoje, “Reino, eterno e universal, é o Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz”. Isso porque “esse é o Reino anunciado por Jesus, e plenificado na cruz, na sua morte e ressurreição”. “Ao nos ensinar a oração do Pai Nosso Jesus nos disse para pedirmos que seu reino venha”, disse, recordando as palavras da oração dos cristãos: “venha nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terá como no céu”. “Venha a nós o vosso Reino!” Nisso ele vê “Jesus a nos convidar a fazer parte desse Reino e a trabalhar para que esse Reino chegue ao coração de todos. Todos possam participar desse…
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Justiça Climática no Sul Global: “horizonte na busca de uma convivência harmônica”

A justiça climática é uma preocupação para a Igreja católica. Refletir sobre essa temática foi o objetivo do painel realizado no início da segunda semana da COP30, que está acontecendo em Belém (PA), de 10 a 21 de novembro de 2025. Diálogo entre atores sociais e eclesiais No Pavilhão do Banco de Desenvolvimento para Latinoamérica e o Caribe (CAF), na Zona Azul da COP três cardeais debateram sobre o tema “Construir a justiça climática no Sul Global”. O arcebispo de Goa e presidente da Federação das Conferências Episcopais da Ásia, cardeal Felipe Neri Ferrão, o arcebispo de Manaus e presidente do Conselho Indigenista Missionário do Brasil (CIMI), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, e o presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), cardeal Pedro Barreto. Junto com eles, a secretária da Pontifícia Comissão para América Latina (PCAL), Emilce Cuda, o vice-presidente da CAF, Cristian Asinelli, e o vice-presidente da Rede de Universidades para o Cuidado da Casa Comum (RUC), Carlos Greco. Um diálogo entre diversos atores, uma das propostas que tem impulsionado Papa Francisco e Papa Leão XIV, que quer ajudar a avençar na construção da justiça em diversos âmbitos, também na realidade climática. Uma dinâmica que as universidades que fazem parte da RUC têm assumido, segundo seu vice-presidente, ajudando a sensibilizar os jovens através da formação acadêmica, sobre a necessidade da consciência ambiental e o cuidado da Casa Comum. Apoiar o desenvolvimento A CAF reconhece o papel tradicional da Igreja Católica em questões ambientais, que se intensificou com o impulso do Papa Francisco, especialmente com a Laudato Si’. Asanelli destaca sua voz potente e seu chamado para reconhecer que “estamos vivendo uma dupla crise ambiental e social porque os efeitos do ambiente também estão ligados às questões sociais”. Essas crises sociais e ambientais são causas de migrações, algo que preocupa a CAF, que chama a “resolver entre todos e todas”, recordando as palavras de Emilce na introdução do painel.  Asanelli insistiu na importância da presença da Igreja Católica na COP30. O vice-presidente da CAF lembrou que o presidente Lula destacou na Assembleia das Nações Unidas, em setembro, o trabalho do Papa Francisco em favor da ecologia integral e do cuidado da Casa Comum. Igualmente, enalteceu o trabalho pela paz de Francisco e de Leão XIV, mostrando que a América Latina é uma região de paz, onde os problemas se resolvem de forma diplomática. Uma paz que é condição necessária para a justiça climática, o desenvolvimento social e a própria vida. COP30: a esperança posta em ação Para o cardeal Barreto, a COP30 “é a esperança posta em ação!”. O presidente da CEAMA lembrou da importância da Cúpula do Rio 1992, que iniciou a busca por consenso climático por parte da ONU, com avanços que tem sido tímidos e com respostas globais ineficazes, como registra Laudate Deum. Para o cardeal peruano, “chegou o momento de sairmos juntos desta crise socioambiental, pois somos parte de uma única família humana”, como diz Fratelli tutti. Por isso, insiste que a COP30 “é decisiva e urgente”, ainda mais se levarmos em consideração os dados científicos e a grande desigualdade entre os países do Norte e do Sul Global, onde os pobres, que nunca são ouvidos, “enfrentam condições de vida que atentam contra sua dignidade inalienável”. A isso se soma que a pressão financeira sobre as economias mais pobres se intensifica. Entre os sinais de esperança, citou algumas iniciativas de conservação no Peru. Isso evidencia a necessidade de soluções que promovam equidade e bem-estar para todos, especialmente para as comunidades mais vulneráveis. Uma realidade que levou Barreto a dizer: “Esta é a hora da justiça socioambiental!”, citando as palavras do Papa Leão XIII: “no rosto ferido dos pobres encontramos impresso o sofrimento dos inocentes e, portanto, o mesmo sofrimento de Cristo”. Corrigir erros históricos A Ásia é um dos continentes que “se encontra na linha de frente ao sofrer os efeitos desastrosos da crise climática”, em palavras do cardeal Ferrão. Para o purpurado, “a justiça climática no sul global consiste fundamentalmente em corrigir um erro histórico profundamente enraizado”. Isso coloca um desafio, “restaurar nossa relação com nossa casa comum com vistas a proteger as gerações futuras”. A justiça climática exige uma abordagem holística, afirmó. Algo que, em palavras do cardeal Ferrão, demanda cinco mudanças não negociáveis: a distribuição equitativa dos encargos e benefícios da ação climática, em particular o apoio financeiro; financiar as comunidades afetadas pelas mudanças climáticas; reconhecer as vulnerabilidades específicas, o contexto histórico e os conhecimentos ecológicos tradicionais das comunidades do Sul; apoio proativo à resiliência climática e à aplicação da justiça; reconhecer a liderança das mulheres, setor mais vulnerável e protagonistas da construção de uma resposta eficaz de resiliência. Diferença entre direito e justiça Por sua vez, o cardeal Steiner, a partir de sua experiência na Amazônia, abordou três questões. A primeira, a diferença entre direito e justiça, dado que “quase sempre discutimos direitos. Não conseguimos abordar a questão da justiça”. Nesse sentido, destacou que “a justiça é um horizonte onde nos movimentamos”, considerando a justiça ecológica como “o horizonte que nós queremos nos movimentar na busca de uma casa comum, de uma convivência harmônica”. Ele denunciou que “nós temos povos inteiros que são colocados de lado e são ignorados pela sociedade em termos de uma justiça ecológica”, mesmo sabendo que ‘eles vivem a justiça ecológica, sabem conviver, mas são ignorados quando nós discutimos a questão ecológica”. O segundo ponto que o cardeal destacou foi a questão da dívida ecológica dos países do Norte Global, “que não querem ouvir falar de justiça ecológica”, e fazem de tudo para que não seja aprovado aquilo que possa nos ajudar na superação das mudanças. Uma questão abordada por Papa Francisco, que levou o cardeal a insistir na necessidade do debate sobre uma justiça ecológica. Finalmente, estabelecer uma nova relação com as criaturas, seguindo uma compreensão medieval, “onde todas as criaturas são sinais de um mesmo amor. São dimensões diferentes ou manifestações diferentes de um mesmo amor”. Um pensamento esquecido que tem provocado graves consequências na Amazônia,…
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Cardeal Steiner: “a ecologia integral tem que ser expressão da fé daqueles que seguem o Evangelho”

Organizado pelo Movimento Laudato si´, o Pavilhão Balanço Ético, na Zona Azul da COP30, que acontece em Belém (PA), de 10 a 21 de novembro de 2025, foi realizado, na manhã da sexta-feira 14, o painel: “Espalhando a Esperança: 10 anos do Acordo de Paris e da Encíclica Laudato si´”. Laudato Si’: um movimento contracorrente Jean-Pascal van Ypersele, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o órgão das Nações Unidas responsável pela avaliação científica relacionada às mudanças climáticas, Josianne Gauthier, de Cooperação Internacional pelo Desenvolvimento e la Solidariedade (CIDSE), e o cardeal Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), debateram sobre o impacto que o Papa Francisco teve nesta década na agenda climática. O Movimento Laudato Si’ é um dos frutos desse caminho nos últimos 10 anos, e a encíclica pode ser considerada “não apenas como um documento, mas como um catalisador”, que foi decisivo no decorrer da COP21, facilitando o processo político para o Acordo de Paris, segundo o coordenador mundial do Movimento Laudato Si’, Yeb Saño. “Um movimento contracorrente, um movimento tremendamente difícil, porque não é um movimento do lucro, do ganho, não é um movimento econômico, mas é um movimento que nos leva a uma fraternidade universal e cuidado da casa comum”, afirmou o cardeal Steiner. Laudato Si’: uma encíclica além da comunidade católica Jean-Pascal van Ypersele refletiu do ponto de vista científico, incidindo na importância decisiva de preservar a camada de ozônio. Para isso, em palavras do cientista climático, “precisamos da chamada neutralidade de carbono. Isso significa não emitir mais CO2 do que a natureza, incluindo as florestas e os oceanos, pode absorver”. Ele insistiu em que “Laudato Si’ vai além da comunidade católica e da comunidade religiosa. Ela influenciou um público muito mais amplo, são centenas de milhões de pessoas no mundo”. Isso porque, a encíclica “proporcionou uma ponte entre a ciência e os valores”, influenciando nas políticas. Uma encíclica que colocou em palavras coisas que, em nossos corações e em nossa experiência de vida, não tínhamos como expressar, como é a expressão “casa comum”, recordou Josianne Gauthier, fazendo com que “começamos a entender que a crise, a forma como tratamos uns aos outros, era a mesma coisa”, ajudando a ter uma nova visão. Isso criou, reconhece Gauthier, “um movimento de solidariedade, aprendizado e compreensão dentro de nossa fé para ter um papel a desempenhar”. Ela fez um chamado a ser políticos, a ser ativos, a estar unidos. Laudato Si’ influenciou decisivamente o Acordo de Paris O cardeal Leonardo Steiner foi um dos delegados da Santa Sé na COP21, em Paris. Ele testemunhou que “era impressionante ouvir como quase todas as delegações mencionavam Laudato Si’. E talvez se tenha alcançado o resultado que se alcançou em Paris devido ao texto Laudato Si’”. Um texto que, segundo o arcebispo de Manaus, “abre um horizonte de discussão, de reflexão exigente”, um texto que faz um grande aporte para a questão da mudança climática. O fundo da encíclica, afirmou o cardeal Steiner, “é a busca de uma nova relação, do cuidado diante da dominação e da destruição”. Ele insistiu em que “essa relação que precisa mudar porque o horizonte das mudanças climáticas está dentro do lucro, dentro do dinheiro. Não existe o horizonte de uma compreensão fraterna, como o Papa menciona no início, citando Francisco de Assis. Esse horizonte de compreensão que é a fraternidade universal do irmão Sol e irmã Lua”. A ecologia integral expressão da fé Frente aos negacionistas climáticos, o cardeal ressalta que “onde existe respeito pela natureza, que propõe a Laudato Si, existe a harmonia, existe a possibilidade da vida como um todo”. Ele sublinha a importância da educação para uma ecologia integral, uma questão que aparece em Querida Amazônia, onde ao mencionar os quatro sonhos, Papa Francisco aborda uma totalidade das relações, “nada fica fora dos sonhos”. Junto com isso, a Laudato Si e Querida Amazônia mostram que “a questão da ecologia integral tem que ser expressão da fé, daqueles que seguem o Evangelho”, destacou o cardeal. “O meio ambiente tem a ver com o desaparecer de povos. O meio ambiente tem a ver com o desaparecimento de culturas, de línguas. O meio ambiente tem a ver com os povos indígenas, os povos originários. O meio ambiente tem a ver com a nossa humanidade”, refletiu o arcebispo de Manaus. Ele mostrou como Papa Francisco ao abordar a questão do meio ambiente, nos faz pensar que existe um todo. Daí ele deduze que “esse todo é que dá razão de nós, como Igreja, como comunidades de fé, não deixarmos de lado a questão ambiental”. De fato, no Evangelho de Marcos, Jesus disse: “Ide e anunciai a toda criatura”, o que mostra que “a redenção tem a ver com todo o universo. Todo o universo está dentro do mistério da cruz e da ressurreição”. O meio ambiente presente na vida das comunidades Uma reflexão que leva o cardeal a dizer que “o meio ambiente não pode estar excluído da vida das nossas comunidades”, dado que tudo é obra criada. Nessa perspectiva, somos chamados a ser cuidadores da obra criada, não dominadores, seguindo o texto de Gênesis. Uma nova relação, que considera o todo e não só o lucro, “uma relação de cuidado, uma relação de cultivo, mas especialmente uma relação fraterna”, a exemplo de Francisco de Assis, desafiou o cardeal. Daí o chamado a, sustentados na teimosia, “levar adiante todo esse horizonte de compreensão que nos foi dado por Papa Francisco, em vista de que a nossa terra não chegue ao seu colapso, não chegue a sua destruição. E que todos possam se sentir em casa, também os outros seres, até os seres que nós chamamos de inanimados possam se sentir em casa”, dado que cada ser é um modo diferente de manifestação de um mesmo amor. Uma encíclica que nos leva a “continuar firmes nessa luta”, reafirmou o cardeal Steiner. Mesmo diante da pressão que a COP recebe das grandes empresas, que não querem se desfazer do…
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Na COP30, diálogo socioambiental pela Paz: “não mais domínio, mas relação respeitosa com todos os seres”

O diálogo é o instrumento que nos permite avançar na construção social. Daí a importância do Painel “Diálogo socioambiental pela Paz: adaptação e transição justa”, realizado na Zona Azul da COP30 na manhã do dia 13 de novembro de 2025. Diálogo entre diversos atores sociais Um diálogo entre a Igreja católica, representada pelo arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, o diretor do Departamento de Ecologia Integral da Conferência Episcopal Espanhola, padre Eduardo Agosta, e a secretária da Pontifícia Comissão para América Latina, Emilce Cuda, a universidade, com a presença de Juliano Assunção, do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, e os empresários Ana Cabral, presidenta de Sigma Lithium, e José Luis Manzano, presidente de Integral Capital. Se faz necessário reconhecer que as mudanças climáticas são um sinal de que temos perdido relação com a verdadeira essência da humanidade, em palavras do presidente da Fundação para a Equidade nos Mercados Ambientais, Patricio Lombardi, organizador do evento. Ele, que fez um chamado escutar, refletir, nos reconectar, destacou a importância do Acordo de Paris e sua relação com Laudato si´, incidindo no Artigo 12 do acordo, que demanda “cooperar para tomar medidas, conforme apropriado, para ampliar a educação, a formação, a sensibilização do público, a participação do público e o acesso do público a informação sobre as mudanças climáticas, reconhecendo a importância dessas etapas para ampliar as ações previstas”. Um painel, como o realizado, possibilita o diálogo social, fundamento da Doutrina Social da Igreja, segundo salientou Emilce Cuda. A secretária da PCAL. Ela recordou as palavras de Papa Leão XIV, que diz que “para desarmar as palavras, para chegar à paz, temos que dialogar”. Daí a necessidade de desarmar as palavras como única forma de resolver o conflito, que a teóloga argentina considera a base do diálogo social, que “não é um diálogo entre amigos, é um diálogo entre representantes de partes organizadas de uma sociedade para poder chegar a um acordo que sempre é aberto, negociado”, uma necessidade diante da situação social e ambiental atual que “está em risco de chegar a um ponto crítico”. Diálogo sem escuta é imposição O cardeal Steiner partiu da ideia de que “diálogo é sempre uma escuta”, fazendo um chamado a “sermos escutadores, escutadoras, para podermos devagar ir percebendo qual é a razão de fundo que nos move e que nos dá horizonte da compreensão da nossa vida, mas também da nossa fé”. Por isso, “diálogo sem escuta não é diálogo, é imposição de ideologias ou de ideias”, algo que demanda se ouvir, porque “é na escuta que a esperança se faz presente, é no ouvir que a esperança vai devagarinho surgindo no horizonte das nossas compreensões”. O cardeal, inspirado em Romano Guardini, refletiu sobre a dimensão relacional, a necessidade de estar a serviço, se superar a atitude de posse. Ele refletiu sobre as relações com o meio ambiente, apostando na “obrigação de levantar a bandeira da esperança para que essas relações possam ser mais condizentes com o que pede a própria natureza”. Frente a isso, “outra modalidade de saber, que não observa, mas analisa, já não se emerge no objeto, mas o agarra e o destrói”. O cardeal Steiner demanda uma ética “não mais do domínio, mas de uma relação condizente, respeitosa com todos os seres”. O arcebispo de Manaus refletiu sobre a necessidade de levar em consideração os pobres, aqueles que mais estão sofrendo com as mudanças climática, que no Brasil são os povos indígenas. Diante disso, o presidente do Conselho Indigenista Missionário disse que “nós queremos ser para eles um sinal de esperança”, dado que eles são sinal de esperança em consequência do seu modo harmônico de convivência com o meio ambiente. Por isso, a necessidade de levar em conta que “Jesus nos possibilita um outro modo de relação, que é samaritano, que é fraterno, que é consolador, que é de uma fraternidade universal”. Necessidade de conversão O problema climático é algo que goza de convicção científica desde 1987, segundo Eduardo Agosta. Ele mostrou a demora para chegar em decisões políticas, vendo como uma das causas do atual fracasso o fato de não levar em conta o moral e o ético que aparece em Laudato si´. Ele reconhece a existência de soluções técnicas, mas denuncia a falta de vontade política para enfrentar aquilo que não gostamos, dada a necessidade de conversão para alcançar a mudança. Junto com isso, a falta de consciência de pertença a uma fraternidade humana, que habita uma casa comum, com uma dívida climática a pagar. Para isso demanda abraçar a ecologia integral imanente, superando o pensamento fragmentado, ver o clima como a base de tudo o que coloca em risco a dignidade humana e a vida de muitas pessoas; ver o território como lar e não como recurso; fomentar a transição justa; assumir a opção preferencial pelos pobres, que sofrem a maior parte das consequências das mudanças climáticas. Por isso, Agosta demanda mais alma para assumir de verdade o Acordo de Paris. A universidade é espaço de avanços científicos, também em tudo o que tem a ver com as mudanças climáticas, um problema a ser tratado de maneira conjunta, segundo Juliano Assunção, dado que ele afeta a todos nós e que demanda uma ajuda para com aqueles que mais sofrem. Daí a necessidade de justiça climática, sobretudo para com os países mais pobres, com quem o Planeta tem uma maior dívida ecológica. Por isso a necessidade de criar meios para que as pessoas consigam viver melhor, defendeu o professor brasileiro. Todos sentados na mesa do diálogo O grande desafio é estabelecer diálogos com aqueles que participam na tomada de decisões, com os empresários. Isso, porque segundo lembrou Emilce Cuda, recordando as palavras de Papa Francisco, “não haverá justiça social até que todos não estejam sentados à mesma mesa da tomada de decisões, não para contar seus dramas, mas para decidir”, como único caminho para a paz, que é consequência do diálogo social. Daí a importância da presença do mundo da empresa no…
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