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Cardeal Leonardo Steiner celebra seus 75 anos de vida

Na manhã deste domingo (9), às 10h, o Arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Regional Norte 1) , cardeal Leonardo Steiner, presidiu a missa de comemoração aos seus 75 anos de vida. A celebração Eucarística aconteceu na Catedral Metropolitana de Manaus com a presença dos bispos auxiliares e emérito, padres, vida religiosa, seminaristas e grande número de fiéis. O arcebispo agradeceu o carinho dos participantes e, brevemente, recordou sua trajetória de vida. “Eu queria agradecer essas palavras todas, os gestos de afeto, de carinho, de proximidade. Mas especialmente gostaria de agradecer as orações de cada, de cada uma. Assim nos sentimos mais igreja, sentimos mais igreja. Eu sou muito grato a Deus, sou muito grato a Deus” enfatizou o arcebispo. Semente da vida comunitária O cardeal Steiner recordou que seu crescimento familiar é marcado pela profunda religiosidade de seus pais. Sendo o décimo terceiro de dezesseis irmãos, onde todos foram ensinados desde pequenos a rezar uns pelos outros. Essa característica religiosa também é presente em sua comunidade de origem, que mesmo pequena, gerou muitos frutos vocacionais. “Quando nasci, os mais velhos já estavam fora de casa, mas a nossa mãe todo dia à noite rezava por aqueles que já tinham saído de casa, e também pelos dois que já haviam falecido. Esse senso de família, esse senso de comunidade: nesse ambiente que eu cresci. Venho de uma comunidade pequena, de origem alemã, onde todos os cantos e orações naquele tempo ainda eram em alemão. Uma comunidade muito pequena, mas uma comunidade muito ativa, profundamente religiosa. Dessa comunidade vieram muitas religiosas, muitos padres”, explicou. Confrontar-se com a vida de comunidades Ao comentar sobre o processo formativo, o arcebispo disse que o seu tempo de seminário “foi um tempo muito rico”. E sublinhou que teve “grandes formadores, grandes pensadores, grandes teólogos, filósofos”, que o introduziram “numa vida acadêmica muito profunda”, além da oportunidade de fazer especialização fora do país. Ao retornar, foi nomeado bispo de São Félix do Araguaia, uma experiência que possibilitou um novo olhar sobre a organização comunitária. “Me ajudou demais. Eu que vinha de um ambiente apenas formativo, fui confrontado com a vida de comunidades, comunidades eclesiais de base, que abriu os olhos e me fez perceber quão grande é a igreja que está ali presente nessas pequenas comunidades, nessas expressões religiosas que eu nem sequer conhecia, de gerações e piedades que mantiveram vivas essas comunidades”, explicou. Formar-se um templo bem construído Em sua fala, o cardeal Steiner reforçou sua gratidão a Deus por tudo que recebeu, “recebi e recebi muito, talvez tenha correspondido pouco”. Para enfatizar seu pedido de orações por sua conversão, relembrou que ao passar por dois procedimentos cirúrgicos, os médicos garantiram mais 50 anos de vida, mas que, para ele, “tanto tempo eu não preciso, mas eu ainda preciso um tempo para ver se eu me converto”. E terminou associando essas dinâmicas ao texto do Evangelho do dia. “Esses textos do Evangelho de hoje são tão bonitos. Nós somos casa de Deus, somos templo de Deus. E desses templos é que deveriam jorrar a justiça, a bondade, o consolo, a fraternidade, a vida de comunidade, a experiência de Evangelho. E ainda estou tão longe de tudo isso. Mas com a ajuda de vocês, com as orações de vocês, espero poder me apresentar diante de Deus como um templo bem construído e poder participar da vida do reino definitivamente”, finalizou. Transmitir vida é a missão O arcebispo emérito de Manaus, Dom Luiz Soares Vieira, destacou em sua homilia que “sem o bispo, a igreja perde os caminhos”. E por isso, é preciso compreender-se como “uma igreja que transmite vida. Por onde passa, vai transmitindo a vida. Quem é essa vida? Jesus disse, eu sou o caminho, a verdade e a vida. Jesus é a vida”. É o modo de vida de Jesus que permeia caminho de trabalho da Evangelização. “A igreja de Jesus Cristo é uma igreja que transmite vida, que tem vida e transmite vida. Você vê como é importante no mundo de hoje. Nós estamos num mundo marcado muito por guerras, por mortes, por tantas coisas que estão acontecendo, são mortos, não são de Deus. E nós temos de dizer para o pessoal, olha, minha gente, nós temos uma boa notícia para vocês, uma boa notícia. Nós temos a solução para tudo isso que está acontecendo de desgraça no mundo. É Jesus Cristo”, pontuou Dom Luiz. Em relação a segunda leitura, tirada da primeira carta de Paulo aos Coríntios, Dom Luiz recorda que “cada cristão, cada cristã é um tijolinho nessa construção”. E que “o alicerce é Jesus Cristo, portanto Jesus deve ser realmente a razão do nosso ser, do nosso agir, do nosso pensar. Jesus é, portanto, o fundamento, o alicerce de nós, dessa comunidade, dessa arquidiocese”. Dessa maneira, a igreja permanece em construção até completar sua missão dinâmica quando chegar ao final dos tempos. Quanto ao Evangelho, ele reflete que Jesus é o templo, Jesus é nossa cabeça, nós todos formamos um corpo”. Por isso, é necessário que a comunidade se abra ao Espírito Santo e não perca o estilo de vida ao modo de Jesus de transmitir vida. E quando a natureza humana foge dessa dinâmica, é preciso ter pessoas que chamem atenção e apontem o caminho que conduzam a comunhão, e a figura do bispo luta para que essa comunhão não desapareça. “Então, o bispo é aquele que fica atento, fica atento e mostra caminhos, e mostra, minha gente, é por aqui, Jesus está aqui, olha, vamos atrás dele, vamos atrás de Jesus. Ele que é tudo para nós. Então, Dom Leonardo, a sua missão é muito importante, sabe disso, né?”, recordou Dom Luiz. Caminhar juntos como Igreja O Conselho de Leigos e Leigas da Arquidiocese de Manaus e a Conferência dos Religiosos e Religiosas do Brasil, Regional Amazonas e Roraima estiveram presentes e prestaram homenagens ao arcebispo. Seus representantes destacaram a importância de seu testemunho profético e…
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Cardeal Steiner: “A Igreja nascida de Jesus é hoje o testemunho vivo da presença de Deus na história”

Na comemoração da Dedicação da Igreja do Latrão, a catedral do bispo de Roma, do Papa, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, cardeal Leonardo Steiner, iniciou sua homilia recordando que “construída pelo imperador Constantino, no tempo do Papa Silvestre I, foi consagrada no ano 324. Ela é chamada ‘a igreja-mãe de todas as igrejas da Urbe e do Orbe’. Mãe de todas as igrejas de Roma e do mundo, símbolo das igrejas de todo o mundo, unidas ao sucessor de Pedro. No fontal da Basília pode-se ler: ‘Papa Clemente XII, no quinto ano de seu pontificado, dedicou este edifício a Cristo, o Salvador, em homenagem aos Santos João Batista e João Evangelista’. A Igreja do Latrão foi dedicada inicialmente a Cristo Salvador e somente séculos depois é que foi codedicada aos dois outros santos”. A morada de Deus “A Festa da Dedicação da Basílica de Latrão que se celebra no dia 9 de novembro, convida-nos a perceber que a Igreja nascida de Jesus é hoje, no meio do mundo, a ‘morada de Deus’, o testemunho vivo da presença de Deus na história dos homens. Ao celebrarmos a dedicação, a consagração, dessa igreja, renovamos a unidade, a comunhão e a sinodalidade da Igreja Católica. Na celebração de hoje expressamos a nossa comunhão com todas as comunidades em unidade com o Papa Leão XIV”, disse o cardeal Steiner. Segundo ele, “na Festa de hoje, meditemos as leituras que nos remetem para o templo: Igreja templo; nós como templo”. A experiência de Israel Na primeira leitura, ele enfatizou que “o profeta ‘vê’ brotar um rio de águas correntes, vivas. Símbolo de vida, de fecundidade, de abundância, de felicidade, a água tem sua fonte no templo na morda de Deus. Para o Povo marcado pela experiência do deserto, onde a falta água, a ervas são escassas, as frutas não abundantes, água traz vida, o verdor, a frutificação, a vida em abundância; é a experiência da vida, da terra da promessa.  O ‘rio’ de que o profeta fala brota da casa de Deus, a sua água evoca o poder vivificante e fecundante de Deus que, de Jerusalém, se derrama sobre o seu Povo, uma vez que transforma até as águas do mar morto”. “O profeta nos anuncia a sua visão de vida: rio de água viva e abundante que brota do Templo de Deus desce para a região mais desolada e árida do país até o Mar Morto. A água do templo de Deus que desce caudalosa e viva, fecunda a aridez do deserto, a tudo de vida, faz frutificar. As águas fazem nascer o verdor nas margens, fazem crescer árvores de toda a espécie, carregadas de frutos saborosos e levam vida fazendo submergir a morte. Os seus frutos servem de alimento e suas folhas são remédios. As águas fecundam e transformam a vida em todas as partes”, comentou o arcebispo. Continuando com a reflexão, ele ressaltou que “durante os anos sombrios da deportação, nas terras estrangeiras, esta promessa animou os exilados, despertando a esperança. De olhos postos em Jerusalém, no Monte do Templo, os exilados sonhavam de olhos abertos com esse novo templo prometido a partir do qual a vida de Deus voltaria a derramar-se abundantemente sobre toda a terra e em todo o povo. Do templo que renasce a vida, tudo se transforma, tudo é fecundado, e há abundância de bens, de vida e saúde” inspirado em Dehonianos, Festa da Dedicação. Nós somos templo de Deus São Paulo, na segunda leitura, segundo o cardeal, “a nos recordar que nós somos o templo de Deus, somos a casa do Espírito, Deus habita em nós. ‘Vós sois edifício de Deus… Veja cada um como constrói: ninguém pode colocar outro alicerce além do que está posto, que é Jesus Cristo. Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é santo e vós sois esse templo’ (1Cor 3, 9-17)”. “Somos templos em Cristo! Pela sua morte e ressurreição nos tornamos templos, morada! Fomos atraídos por Cristo, pertencemos à comunidade dos redimidos, dos libertados, dos esperançados. A comunidade que recebe o seu corpo e seu sangue, fonte abundante que conduz sempre à vida.  Fazemos parte de um Corpo do qual Cristo é a cabeça (cf. Rm 12,5; 1 Cor 12,27; Ef 1,22-23), a fonte que tudo transforma e vivifica. Somos templos que podem visibilizar o rosto bondoso e terno de Deus. Na partilha, solidariedade, serviço, reconciliação, consolo, gratuidade, se manifestam as águas que saem do templo e transformam os vales desérticos e secos em fertilidade, verdor, saúde! Fecundam com a justiça, a paz e o amor os desertos existenciais dos homens”, sublinhou o presidente do Regional Norte 1 da CNBB. Lugar de negócio Na passagem do Evangelho, ele destacou que “Jesus encontra os vendedores de bois e ovelhas no templo e os expulsa; convida os vendedores de pomba a retirarem seus animais. Limpa o templo, não deseja que o templo seja um lugar de comércio, de negócios. O templo tornara-se um lugar de compra e venda. O lugar do encontro, da oferta, da oferenda, transformada em negócio, em lucro. A templo de Deus, lugar da doação, do encontro, feito lugar de negociação. O lugar das águas fecundas e abundantes transformado no deserto da compra e venda”. Ele recordou que “Mestre Eckhart comentando a expulsão dos vendilhões do templo ensina”, citando o texto: “Quem eram as pessoas que compravam e vendiam, e quem eram elas? (…) todas elas são pessoas que compram (…) que desejam ser pessoas boas e fazem as suas boas obras como jejuar, dar esmolas e rezar e tudo o mais possível de boas obras (…) para que o Senhor lhes dê algo em troca ou Deus lhes faça alguma coisa que para eles fosse bom: Esses são compradores” (Deutsche Predigten und Traktate). É por isso que “a purificação do templo, a desobstrução do templo, possibilidade ser…
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COP 30: tomar medidas para mitigar as consequências das mudanças climáticas

A Amazônia, uma região fundamental na preservação do Planeta, se torna nos próximos dias o foco da mídia mundial. A COP 30, que será realizada em Belém do Pará, de 10 a 21 de novembro, deveria representar um avanço na toma de consciência sobre a necessidade de adotar medidas que ajudem a mitigar as consequências das mudanças climáticas. Uma urgência diante da atual realidade planetária, que provoca graves catástrofes ambientais, que aumentam cada dia. Fenómenos desconhecidos em muitas regiões do Planeta se tornaram cotidianos, ocasionando situações que geram sofrimento na população, especialmente nos mais pobres. Não podemos esquecer que o grito da Terra e o grito dos pobres é o mesmo. O negacionismo climático é uma atitude presente em algumas pessoas. Essa atitude resulta mais preocupante quando essas pessoas têm poder político, poder de decidir o futuro da humanidade. Nesse sentido, a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, resulta inquietante. Na última Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada na sede dessa organização em setembro de 2025, ele definiu as mudanças climáticas como a maior farsa. No mundo científico se tornou doutrina comum que as mudanças climáticas são reais e que elas são causadas pelos humanos, se agravando a cada ano. Diante disso, todos nós, mas também cada pessoa, você, eu, somos chamados a refletir e nos questionar sobre as atitudes que podemos adotar. Junto com isso, como sociedade, somos desafiados a lutar para que sejam adotadas políticas públicas que exijam a todos os países o cuidado da Casa Comum. A grande questão é se a humanidade está disposta a assumir mudanças estruturais em vista da preservação do Planeta. Em palavras de Papa Francisco em Laudato si´, se faz necessário entrar no caminho da conversão ecológica como único caminho para superar a atual crise, que provoca milhões de mortes mundo afora em consequência da degradação planetária. Que a COP seja realizada na Amazônia tem uma importância decisiva. A preservação das florestas tropicais, que tem na região amazônica seu maior expoente, é um caminho que deve ser assumido por todos os países do mundo. Se faz necessário o incremento de investimentos que ajudem na preservação, mas também é urgente a defesa dos povos originários e das populações tradicionais, verdadeiro exemplo de convivência harmoniosa com o bioma amazônico. O perigo é deixar passar mais uma oportunidade para enfrentar essa problemática. Sabemos que das decisões tomadas, mas sobretudo de sua implementação, depende o futuro do Planeta e da humanidade. Ficar olhando para o outro lado, não se comprometer com a ecologia integral, pode nos levar a um caminho sem retorno, o caminho do sofrimento e da destruição. Editorial Rádio Rio Mar

Cardeal Steiner: “Morte-vida, nossa esperança, pois na morte vislumbramos o mistério do Amor que tudo cria e recria”

Na Comemoração dos Fiéis Defuntos, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando que “Jesus no Evangelho nos convida a viver na prontidão, com lâmpadas acessas. Estar à espera do Senhor que está por vir: ‘vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando o senhor voltar … para lhe abrir, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater.’ (Lc 12,35-36) Viver da espera do inesperado, da chegada do amado, da amada, viver da esperança, estarmos em prontidão, na atenção, pois o Senhor da vida está por chegar. Chega na vida e na morte, na morte-vida. Morte-vida, nossa esperança, pois na morte vislumbramos o mistério do Amor que tudo cria e recria; memória da vida verdadeira!” Despertos como servos que não dormem Inspirado nas palavras de Papa Francisco, ele disse que “estarmos despertos como servos que não dormem, até o Senhor chegar, pois nossa existência é laboriosa, frutuosa, fecunda, ativa, amante. Deixarmos as distrações, a desocupação, a sonolência, o torpor, e estar na atenção para acolher com gratidão e admiração cada novo dia que nos é concedido. Cada manhã é uma página branca que o cristão começa a escrever com obras de bem. Jáfomos salvos pela redenção de Jesus, mas agora estamos à espera da manifestação plena do seu senhorio: quando finalmente Deus será tudo em todos (cf. 1Cor 15,28). Nada é mais certo, na fé dos cristãos, do que este “encontro”, este encontro com o Senhor, quando Ele voltar. E quando este dia chegar, nós cristãos queremos ser como aqueles servos que passaram a noite com os rins cingidos e as lâmpadas acesas: é preciso estar prontos para a salvação que chega, prontos ao encontro. Pensastes como será aquele encontro com Jesus quando Ele vier? Mas será um abraço, uma alegria enorme, uma grande alegria! Devemos viver na expetativa deste encontro!” “Somos convidados a permanecer com as lâmpadas acessas, porque o Senhor da vida sempre está por chegar. Se não mantivermos nossas lâmpadas acessas, será apenas noite e não teremos como abrir as portas da nossa existência quando o Senhor chegar. Nessa atenção benévola e na receptividade amorável a porta permanece aberta e convidativa para que o Senhor entre permaneça conosco. E conosco, ‘Ele mesmo vai cingir-se, faze-nos sentar à mesa e, passando, nos servirá!’ No manter a luz da esperança nos damos conta que é Deus mesmo a nos servir, a cuidar e iluminar nossos dias, a vida e a morte, a morte e a vida”, refletiu o cardeal. Por que temos medo diante da morte? O presidente do Regional Norte 1 da CNBB questionou: “No dia em que fazemos memória dos nossos irmãos e irmãs falecidos também nos perguntamos: por que temos medo diante da morte?” Ele recordou as palavras de Bento XVI: “Diria que as respostas são múltiplas: temos medo diante da morte porque temos medo do nada, deste medo de partir em direção a algo que não conhecemos, que nos é desconhecido. E então existe em nós um sentido de rejeição porque não podemos aceitar que tudo aquilo de belo e de grande que foi realizado durante uma existência inteira, venha de repente apagado, caia no abismo do nada. Sobretudo, nós sentimos que o amor chama e pede eternidade e não é possível aceitar que isto venha destruído pela morte em um só momento. Ainda, temos medo diante da morte porque, quando nos encontramos rumo ao fim da existência, existe a percepção que exista um juízo sobre as nossas ações, sobre como conduzimos a nossa vida, sobretudo sobre estes pontos de sombra, que, com habilidade, sabemos remover e tentamos remover da nossa consciência”. “No dia de Finados, nos movimentamos entre a memória e a esperança. Enquanto caminhamos, caminhamos na esperança, pois redimidos, salvos. Seguimos o que nos ensinava o Evangelho: “vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando o senhor voltar … para lhe abrir, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater” (Lc 12,35-36). Apesar de nossos tropeços, das nossas contradições e mesmo das nossas traições, porque salvos, permanecemos no caminho, no seguimento de Jesus, na superação de nossa fraqueza. Continuamos a plantar, regar, a semear, a oferecer esperança e caridade, pois a vida é generosa, esperançada”, destacou o arcebispo. Vivemos da vida que nos adveio pela morte “A razão maior de caminharmos na esperança e com confiança é o que nos veio ensinado por São Paulo”, disse citando o texto de 1Cor 15,20-22: “Irmãos: Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morreram, assim também em Cristo todos reviverão”. Isso porque “vivemos da vida que nos adveio pela morte. A ressurreição que é florir da morte de cruz. Cristo crucificado-ressuscitado nos dizendo: ‘Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá’ (Jo,11,25-26)”. Diante do texto bíblico, o cardeal questionou: “Como não viver de esperança? Como no dia de Finados não memorar a grandeza de que todos fomos gerados para a vida e a vida eterna?” O arcebispo fez um chamado a “fazemos memória! A memória fortalece um povo porque se sente radicado num caminho, numa história, numa comunidade, numa família. A memória faz com que compreendamos que não estamos sozinhos, somos uma comunidade que tem uma história, um passado, uma vida. Fazemos memória, rememoramos, trazemos à lembrança e nos apercebemos numa relação nova e inusitada que ultrapassa o tocado, o cheirado, o visto e nos conduz ao encontro de uma presença em outro espaço e tempo: o tempo e o espaço do amor, da esperança. A liturgia de Finados é memória das relações, despedidas, dores, solidões que nos advieram com o desaparecer de nossos olhos nossos entes queridos”. Nas nossas orações, refletiu o cardeal Steiner,…
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Leão XIV chama a CEAMA a não ter pressa e buscar caminhos mais sólidos, bem definidos

Na tarde desta quarta-feira, 29 de outubro de 2025, Papa Leão XIV recebeu em audiência a Presidência da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA). O encontro com o Santo Padre aconteceu no final da visita institucional realizada de 23 a 29 de outubro, tempo em que participaram do Jubileu das equipes e organismos sinodais. Conversa acolhedora e fraterna Um encontro sereno, segundo o bispo auxiliar de Manaus e vice-presidente da CEAMA, dom Zenildo Lima. Durante quase uma hora, “o Papa se colocou à disposição em uma conversa bastante acolhedora, fraterna, de interesse pela Conferência Eclesial da Amazônia, os passos vividos até aqui e as perspectivas e caminhos”. Depois de ser apresentados ao Papa os participantes do encontro, o presidente da CEAMA, cardeal Pedro Barreto fez um resumo da visita aos dicastérios da Santa Sé. Leão XIV conheceu o acontecido no encontro dos bispos realizado em Bogotá no último mês de agosto, o alcance deste encontro e a disponibilidade das igrejas da Amazônia para um caminho sinodal. Igualmente, foi compartilhado a construção coletiva que se vem fazendo num processo de escuta em vista da definição de linhas, de horizontes sinodais. a serem definidos na próxima Assembleia de março de 2026. Assembleia que também terá o caráter eletivo quando será escolhida a nova presidência da Conferência Eclesial da Amazônia. Cuidado com a vida e com os povos Papa Leão XIV, a partir de sua experiência missionária, é alguém que conhece a Amazônia, tendo consciência dos desafios ali enfrentados pela população e pela ecologia integral. Segundo dom Zenildo Lima, o Santo Padre “manifestou todo o seu apoio para as iniciativas que são de cuidado com a vida, de cuidado com os povos e com o anúncio do Evangelho”. A Presidência da CEAMA apresentou ao Papa a perspectiva da construção de um fundo patrimonial da Conferência Eclesial da Amazônia, para a qual o Santo Padre se revelou aberto e disponível a apoio dentro das condições que lhe são oportunas. O bispo auxiliar de Manaus destaca como muito interessante “a abertura do Papa ao comentar sobre as necessidades, os passos ministeriais para a Igreja que está na Amazônia. Segundo o bispo, “com muita serenidade, o Papa afirmou que não tem pressa com os processos, mas que prefere caminhos mais sólidos, bem definidos”, exortando à Presidência da CEAMA “a não termos a pressa de tentar estruturar”, dado que “determinadas situações se manifestam bem mais como carismas do Espírito Santo”. As mulheres um dom do Espírito Nessa perspectiva, Leão XIV vê a participação das mulheres como um dom do Espírito, uma realidade profundamente marcada pelo carisma. Ele fez um chamado para que a igreja que está na Amazônia acolhesse esses carismas, mas tivesse o devido cuidado de evitar estruturá-los demasiadamente, evitando se tornar engessados, segundo relatou dom Zenildo Lima. Ele destacou a escuta atenta do Papa às mulheres que faziam parte desta comitiva, duas vice-presidentes, Patrícia Gualinga e Ir. Laura Vicuña Pereira Manso, e uma agente do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, Cecília Barja. Entre os presentes entregues ao Papa Leão XIV estava uma rede de tucum, tecida pelos indígenas warao, originários do Delta do Orinoco, na Venezuela, que atualmente são migrantes em Roraima. Junto com a rede, eles enviaram diversas cartas em que relatam suas vivências e demandas. Por sua vez, o Santo Padre concluiu o encontro abençoando objetos e lembranças religiosas, estendendo a sua bênção às igrejas que estão na Amazônia.

Seminaristas vivenciam 12º Experiência Missionária na Prelazia de Itacoatiara

Os seminaristas do Regional Norte 1 estão reunidos na Prelazia de Itacoatiara para a 12° Experiência Missionária, organizada pelo Conselho Missionário de Seminaristas (COMISE Labontè). A experiência integra o processo formativo dos futuros presbíteros do regional, oportunizando a vivência com as realidades pastorais das igrejas locais. A programação iniciou no sábado (18) e se estende até o próximo domingo (26). A Missa de envio, na Catedral da Prelazia, marcou o início das atividades e contou com presença de agentes de pastoral e fiéis. Depois, os seminaristas seguiram para comunidades ribeirinhas e urbanas, onde fizeram visitas, celebrações, momentos de oração, encontros e rodas de conversa para fortalecer a “comunhão e a corresponsabilidade missionária”, segundo Lucas Santos, seminarista da Diocese de Roraima. Para ele, a experiência missionária é “um momento formativo para os futuros presbíteros, que vivenciam a realidade amazônica e são convidados a cultivar um olhar sempre mais próximo, fraterno e comprometido com a vida do povo”, explicou. O caminho comunitário As atividades da experiência missionário estão alinhadas ao Jubileu da Esperança, com o tema “Missionários da esperança entre os povos”, escolhido pelo Papa Francisco, e o lema “A esperança não decepciona” (Rm 5,5). E buscam responder, como sinal de Esperança, ao grito urgente das pessoas que ecoa de diversas partes do mundo. O encontro com as realidades da igreja na Amazônia é fundamental para que os jovens seminaristas aprimorem seu modo de atuação. Na Exortação Apostólica Querida Amazônia, Papa Francisco recorda, ao citar o Instrumentum Laboris do Sínodo para a Amazônia, que a “vida é um caminho comunitário onde as tarefas e as responsabilidades se dividem e compartilham em função do bem comum. Não há espaço para a ideia de indivíduo separado da comunidade ou de seu território”. Essa dinâmica corresponde às aspirações evangélicas de caridade, e é um “estímulo à cultura do encontro”, onde as relações são novamente restabelecidas. É uma possibilidade para que os seminaristas recordem a vocação evangelizadora presente em cada cristão e cristã batizado. Ou seja, para que desde agora sejam capazes de reconhecer as necessidades dos povos amazônicos, exercendo seus trabalhos com a força profética do Evangelho encarnado na realidade. Aprofundar a fé Dessa forma, a experiência missionária é o espaço para que os jovens missionários aprofundem sua fé. O encontro com os povos permite que haja um reconhecimento mútuo como anunciadores do Evangelho. E o vínculo, nascido nos caminhos, nos diálogos e nos encontros, é a manifestação da Esperança oferecida por Jesus, convida à uma abertura de coração para tocar, compreender e transformar o modo de ver o mundo. Nesse aspecto, o seminarista Jainer Reina, da Diocese do Alto Solimões, comentou que a experiência na Paróquia de Nazaré, em Itapiranga, “está sendo maravilhoso, visitando as famílias, os idosos, os necessitados”. Ele enfatiza que esses momentos motivam “a nossa fé, a minha vocação para ser um sacerdote”. E espera que os frutos dessa missão “possa amadurecer mais e mais na minha vocação”, terminou. Fotos: Lucas Santos.

CEAMA, com a participação de Dom Zenildo Lima, visita a Santa Sé

A presidência da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), com a participação do bispo auxiliar de Manaus e vice-presidente da instituição, dom Zenildo Lima, realiza de 23 a 29 de outubro de 2025 uma visita institucional à Santa Sé. O propósito é fortalecer os vínculos de comunhão com Papa Leão XIV, que irá receber em audiência os participantes da visita, e colaborar com os dicastérios da Santa Sé envolvidos na missão da CEAMA no marco do processo sinodal que anima a vida eclesial da Pan-Amazônia. Exemplo de Igreja Sinodal Os membros da presidência da CEAMA, que o Documento de Síntese da Primeira Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade coloca como exemplo de Igreja sinodal, irão participar do Jubileu dos organismos sinodais, que está sendo realizado de 24 a 26 de outubro no Vaticano. A visita iniciou com uma missa no Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, dicastério que a pedido de Papa Leão XIV acompanha mais diretamente a CEAMA. Depois da Eucaristia foi realizada uma primeira reunião com o cardeal Michael Czerny, prefeito do dicastério, e alguns agentes ligados ao dicastério, para uma primeira discussão em vista de alinhar um caminho de captação de recursos em vista da criação de um fundo patrimonial e da autossustentabilidade da Conferência Eclesial da Amazônia. Uma comunicação do território Posteriormente, foi realizado um encontro com o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, o secretário, Lucio Ruiz, e a diretora do departamento teológico-pastoral, Natašia  Goverkar, onde foram apresentados, segundo dom Zenildo Lima, “alguns caminhos de comunicação da CEAMA e a necessidade de darmos mais visibilidade, não somente comunicando fatos, mas construindo processos de intercâmbio, a fim de que toda a estrutura do Dicastério para a Comunicação possa nos ajudar a fazer ecoar vozes da Amazônia”. No encontro foi destacado a importância da CEAMA para o dicastério, dada sua presença no território, assim como divulgar os passos dados pela CEAMA. Ruffini enfatizou que a comunicação é importante porque promove a comunhão e a faz crescer, considerando a CEAMA como um exemplo para o continente e para toda a Igreja, mostrando o valor da Amazônia para a humanidade. Daí a necessidade de ajudar a conhecer e socializar os desafios e as lutas do território. Para isso é importante a presença no território daqueles que podem contar de primeira mão o que acontece, contribuindo ao crescimento da comunicação da Igreja ao mundo, gerando pequenas luzes de esperança. Na reflexão apareceu a necessidade de estruturar a comunicação em vista da incidência. Uma comunicação direta, que dá a conhecer o testemunho vivo que relata histórias de vida. Junto com isso, a importância de estruturar e fortalecer a comunicação amazônica, que deve ser veloz, ágil e constante. Nesse sentido, o encontro da CEAMA realizado em Bogotá em agosto de 2025, aportou pautas para reconhecer a prioridade da comunicação e a necessidade de construir narrativas. Desafios da educação na Amazônia No final da tarde, a presidência da CEAMA visitou o Dicastério para a Educação e Cultura, se encontrando com o prefeito, cardeal José Tolentino de Mendonça. Na ocasião, foi discutido o estado dos processos de educação na Pan-Amazônia. Dom Zenildo Lima destaca que em relação à Amazônia brasileira, “falamos dos desafios do ensino religioso, do processo de ocupação de espaços estratégicos da educação por parte dos segmentos evangélicos, embora a Igreja ainda goze de algum respaldo por causa do Acordo Brasil-Santa Sé. Apresentamos também o fato que as escolas católicas vêm sendo preteridas nas escolas militares. E também falamos a respeito do ensino superior presente na Pan-Amazônia e a possibilidade real de incluir nessa dinâmica dos saberes uma nova epistemologia a partir dos saberes das populações originárias presentes na Pan-Amazônia”. Ao longo dos próximos dias será realizado um encontro no Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, com a presença do prefeito, cardeal Kevin Josehp Farrel, em vista de uma reflexão sobre a corresponsabilidade laical e vida comunitária na Amazônia, assim como a colaboração da CEAMA com a JMJ e o Encontro Mundial das Famílias. Depois da participação do Jubileu dos organismos sinodais a presidência da CEAMA terá um novo encontro no Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, realizarão uma visita e momento de oração ao túmulo de Papa Francisco, na Basílica de Santa Maria Maior. Além disso, está prevista uma reunião com o cardeal Luiz Antônio Tagle, pro-prefeito do Dicastério para a Evangelização, onde será realizado um intercâmbio sobre processos missionários e acompanhamento pastoral na Amazônia. Igualmente, a presidência da CEAMA visitará a Secretaria Geral do Sínodo, onde será partilhado com o secretário, cardeal Mario Grech, a experiência sinodal na Amazônia. Na dinâmica sinodal, será realizado um encontro com padre Giacomo Costa, secretário especial da Assembleia Sinodal do Sínodo da Sinodalidade, onde será refletido sobre os horizontes apostólicos sinodais. Audiência com Papa Leão XIV Em encontro com a prefeita do Dicastério para a Vida Consagrada, Ir. Simona Brambilla, será debatido sobre a presença da Vida Religiosa na Amazônia e a contribuição da CEAMA junto com a CLAR. No Instituto para as Obras da Religião (IOR) será realizada uma reunião para abordar o seguimento administrativo financeiro. No Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, com a presença do prefeito, cardeal Arthur Roche, será realizado um diálogo sobre liturgia inculturada e experiências celebrativas na Amazônia. A presidência da CEAMA participará de um encontro no Dicastério dos Bispos, onde será recebida pelo prefeito, dom Filippo Iannone, e o secretário, dom Ilson de Jesus Montanari, onde será refletido sobre comunhão episcopal e acompanhamento pastoral.  Finalmente, a visita será encerrada com a audiência com Papa Leão XIV, na tarde de 29 de outubro, no Palácio Apostólico. Fotos: CEAMA

Das crianças e adolescentes cuidar juntos é o caminho

A violência contra as crianças e adolescentes é um crime presente no Brasil, que demanda a colaboração de todos para ser erradicado. Um passo a mais, que mostra que cuidar juntos das crianças e dos adolescentes é o caminho, foi dado nesta semana em Manaus com a inauguração do Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente (CIACA), um dos nove centros especializados existentes no Brasil. Um acompanhamento mais eficiente e mais humanizado Um espaço para centralizar o acolhimento das crianças e adolescentes vítimas da violência, que é fruto da luta de mais de dez anos e que desde o início contou com o envolvimento da Igreja católica. Se busca que as crianças tenham um acompanhamento mais eficiente e mais humanizado. Isso se tornou realidade com o apoio do Ministério Público do Trabalho, que financiou o investimento. Diante desse crime todos devemos tomar consciência e fazer o que estiver em nossa mão para erradicá-lo. Defender a vida em plenitude, especialmente das crianças e adolescentes, é uma exigência para todo ser humano. Ninguém pode ficar de fora, pois o envolvimento de todos faz a diferença e ajuda as vítimas a superar os traumas que carregam em consequências dos abusos sofridos. Políticas públicas que cuidem das crianças e dos adolescentes O poder público tem a exigência de se comprometer com políticas públicas que cuidem das crianças e dos adolescentes, providenciando os instrumentos que façam possível a implementação dessas políticas públicas. Junto com isso a denúncia tem que ser assumida como um costume que ajude a erradicar esse crime. A defesa das vítimas tem que ser sempre o caminho a seguir. A falta de cuidado das crianças e dos adolescentes condiciona gravemente a vida social. Uma sociedade que não cuida dos vulneráveis deve se questionar sobre seu comportamento. Um olhar atento para com as vítimas da violência, especialmente quando a curta idade dificulta a autoproteção, tem que ser assumido como atitude presente em cada coletivo social e em cada indivíduo. Desafiados a entrar nesse caminho Quando as pessoas olham para o outro lado, quando ignoramos o sofrimento das vítimas nos tornamos cumplices. O cuidado tem que ser uma atitude comum e constante. Só assim os crimes são resolvidos e superados. Só assim as vítimas recuperam sua vida em plenitude. Daí a importância de espaços como o Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente para entender e assumir que das crianças e adolescentes cuidar juntos é o caminho. Todos nós, eu e você, somos desafiados em cada momento a entrar nesse caminho, a assumir essa luta. A sociedade vai ganhar com isso, mas especialmente as vítimas, as crianças e os adolescentes, vão se sentir protegidos. Que possam contar com a gente é uma necessidade. Ninguém está dispensado desse compromisso de cuidado comum. Será que podem contar comigo? Será que podem contar contigo? Editorial Rádio Rio Mar

Cardeal Steiner: o juiz mostra “o desprezo pela justiça, a injustiça para com os pobres e desvalidos”

No 29º Domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia dizendo que “o Evangelho nos despertar para ‘a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir’. Não se trata de rezar de vez enquanto, quando temos vontade. O convite de Jesus é permanecermos, de estarmos em oração. Em um estado de oração. Um modo de viver ‘de rezar sempre, e nunca desistir’”. A injustiça para com os pobres Em suas palavras, o arcebispo de Manaus disse que “Jesus se refere a um juiz”, recordando que “o livro do Êxodo recomenda que os juízes sejam pessoas tementes a Deus, dignas de fé, imparciais e incorruptíveis (cf. Êx 18,21). Moisés instituiu juízes imparciais e inimigos do suborno, que julgassem segundo a Lei. Assim, as palavras do juiz, diante da pobre viúva, nos espantam”. Segundo o cardeal “aquele que tem a justiça como guia, como orientação de vida afirma: ‘Eu não temo a Deus e não respeito homem algum’. Linguagem que expressa a dureza de coração, a autossuficiência, o desprezo pela justiça, a injustiça para com os pobres e desvalidos, os quase sem ninguém”. O presidente do Regional Norte 1 explicou que “a viúva era, em geral, a mais pobre dos pobres. O juiz no texto usa uma linguagem de quem se julgam acima de todos, intocável e único intérprete da verdade. O Evangelho a nos apresentar uma pessoa que, diante da responsabilidade da justiça colocar-se na distância, na irresponsabilidade da justiça, no desprezo pela viúva, necessitada, desamparada. Sem escrúpulos, sem consideração à Lei, fazia o que queria, é um surdo, um insensível; vive como que a parte da justiça”. Ele citou o texto do Evangelho: “Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: Faz-me justiça contra o meu adversário”. Diante disso, o cardeal Steiner citou as palavras de Papa Francisco em 25 de maio de 2016: “as viúvas, os órfãos e os estrangeiros, eram as pessoas mais frágeis da sociedade. Os direitos assegurados pela Lei podiam ser espezinhados com facilidade, pois eram pessoas sós e indefesas: uma pobre viúva, ali sozinha, ninguém a defendia, podiam ignorá-la, sem lhe fazer justiça. Do mesmo modo também o órfão, o estrangeiro, o migrante: naquela época esta problemática era muito acentuada”. Apenas guiada pela justiça “Ela sem guarida, sem valia, pobre, normalmente perdia até os filhos, uma vez viúva”, enfatizou o cardeal. Segundo ele, “o que nos encanta é a mulher que vive no desamparo, na desvalia, na não escuta, permanecer fiel na busca de receber justiça, ser justiça. A confiança, o destemor, a perseverança, a crença na justiça. Apenas guiada pela justiça permanece dia a dia na sua busca. Injustiçada e lesada em seus direitos, sente-se incapaz de ser ouvida, mas persevera. Sem poder fazer pressão por influências, muito menos dar presentes, sem dar compensação, àquele juiz insensível e descrente, retorna pacientemente, insiste, apresenta-se à presença do juiz. A surdez da justiça foi um confronto de liberdade, busca de encontro de amor e de doação de si mesma. Humilde, perseverante, sem gritos, sem desesperos, continua a apresentar-se ao juiz, guiada pela justiça e necessidade de vida. Como não lhe restava ninguém permaneceu fiel ao desejo de receber o dom da vida na justiça”. Depois de citar o texto do Evangelho: “Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha a agredir-me”, o presidente do Regional Norte 1 destacou que “a perseverança, a ousadia, o comprometimento, desperta o surdo da insensibilidade, se não pela justiça, pela insistência da presença. A perseverança, a insistência, o destemor, foi tal que infundiu temor. O que desperta o homem de sua insensibilidade é o permanecer na busca, de apresentar-se quase cotidianamente, de oferecer as mesmas palavras, a mesma necessidade, sem desfalecer. Havia nela um ânimo e uma disposição que amedrontou o juiz. O apresentar-se na sua viuvez, temperada, fortalecida, acordou o juiz injusto para a justiça, a verdade. A fortaleza, a segurança, a determinação, a constância, fez descer a justiça!” O exercício da justiça é mais que direito De novo partindo do texto bíblico: “Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha a agredir-me”, o cardeal disso que “sentiu-se agredido! Agredido na sua percepção de juiz, no cumprimento do seu dever, na aplicação da Lei, do seu dever de cuidar dos fracos, pequenos, desvalidos, estrangeiros, viúvas e órgãos. A presença da viúva na sua persistência e constância, acorda este homem para o exercício da justiça que é mais que direito”. O arcebispo de Manaus recordou que “Santo Agostinho ensinando a partir da oração nos diz: ‘Será mesmo necessário pedir-te em oração? Ora, quem nos diz: ‘Não useis de vãs repetições’ declara-nos noutro passo: ‘Pedi e recebereis’; e, para que não pensemos que o diz com leveza, acrescenta: ‘Procurai e encontrareis’; e, para que não pensemos que se trata de uma simples maneira de falar, vede como termina: ‘Batei, e vos será aberto’ (Mt 7,7). Ele quer, portanto que, para que possas receber, comeces por pedir, para que possas encontrar, te ponhas a procurar, para que possas entrar, não deixes, enfim, de bater à porta. […] Por que pedir em oração? Por que procurar? Por que bater? Porque cansarmo-nos a pedir, a procurar, a bater, como se estivéssemos a instruir Aquele que tudo sabe já? E lemos inclusive, noutra passagem: ‘Disse-lhes uma parábola sobre a obrigação de orar sempre, sem desfalecer’ (Lc 18,2). […] Pois bem, para esclareceres este mistério, pede em oração, procura e bate à porta! Se Ele cobre com véus este mistério, é porque quer animar-te e levar-te a que procures e encontres tu próprio a explicação. Todos nós, todos, devemos animar-nos a orar’” (Santo Agostinho, Sermão 80). A prece em favor do povo Na primeira leitura, o cardeal Steiner ressaltou que “ouvíamos a prece de Moisés em favor de seu povo, diante da luta desigual, desconfortável, sem possibilidade de vitória. Confiança, determinação, permanência em prece diante de Deus, de abraços estendidos. No…
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Dom Luiz Soares: “Não estão nos dando a possibilidade de pensar”

O Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas acolheu no dia 18 de outubro de 2025 o lançamento da reedição de dois livros que tem a ver com a história da Amazônia e da Igreja na capital amazonense. “Centenário da Igreja de São Sebastião de Manaus 1888-1988”, de autoria de Aristóteles Alencar, e “Já é Tempo de Pensar”, de dom Luiz Soares Vieira, arcebispo emérito de Manaus. Estão nos roubando a interioridade O escrito do arcebispo emérito pode ser visto como foi relatado na apresentação como uma voz harmônica com a realidade social de seu tempo, um instrumento para edificar com o bem, ensinar com o exemplo e com a caridade, para fortalecer a fé dos amazonenses, considerando a palavra de dom Luiz Soares Vieira como uma permanente benção de amor para melhor construirmos o futuro. Em suas palavras, dom Luiz iniciou sua reflexão falando sobre o fenómeno de Maio de 1968 e suas consequências em diversos países. O arcebispo emérito citou Marcuse, que disse “estão nos roubando a interioridade”, um fenômeno que hoje continua presente, inclusive está se incrementando, e que levou dom Luiz a dizer que “não estão nos dando a possibilidade de pensar”. Uma realidade que se manifesta na vida corrida, as muitas informações, a perdida do hábito de leitura, o auge da Inteligência Artificial, que coloca em nossa frente o perigo de sermos dominados pela máquina. Mesmo reconhecendo as ajudas da Inteligência Artificial, ele advertiu sobre o perigo de sermos escravizados e perder a possibilidade de pensar. Não perdermos a interioridade Por sua vez, Aristóteles Alencar destacou a importância da obra como instrumento para preservar a história de Manaus e do Amazonas, relatando diversos fatos históricos que provam essa importância. Muitos desses fatos têm a ver com a caminhada da Igreja católica na capital do Amazonas. O arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, destacou a importância dos livros na vida e na cultura. Segundo ele, os livros sempre vão dizendo o caminhar da humanidade, nos ajudam a permanecermos lúcidos, a não perdermos a interioridade, que nos faz ser quem somos. Ele destacou a necessidade de sermos pessoas mais completas e mais maduras, de ajudar a ler, a pensar. Isso porque não podemos viver das informações, precisamos reaprender a pensar e os livros nos ajudam muito, encerrou o cardeal.