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Leão XIV e Lula: os pobres no centro

Segunda-feira, 13 de outubro de 2025, o Papa Leão XIV recebeu em audiência privada Lula, o presidente do Brasil. Podemos dizer que tanto o pontífice como o presidente brasileiro colocam os pobres no centro. Robert Prevost, o agostiniano nascido nos Estados Unidos, escolheu viver como religioso no Peru, no meio dos pobres, e Luiz Inácio Lula da Silva, que experimentou a pobreza em sua infância, assumiu desde seu primeiro mandato a defesa e promoção dos pobres. O amor aos pobres Leão XIV publicou na semana passada sua primeira exortação apostólica, “Dilexi te” (Eu te amei), que pode ser vista como um chamado a viver o Evangelho a partir dos pobres e nos faz a proposta de refletir sobre o amor aos pobres. Na mesma linha, Lula disse depois do encontro com o Santo Padre que “não podemos separar a fé do amor aos pobres”. Durante o encontro o presidente brasileiro manifestou ao Papa a necessidade de “criar um amplo movimento de indignação contra a desigualdade”, fazendo um chamado a ler o documento pontifício e colocá-lo em prática por parte de todos. Nesse sentido, as políticas promovidas pelo governo Lula têm feito com que o Brasil saísse do Mapa da Fome, um grande desafio em um país onde a desigualdade social tem acompanhado a história do país, atingindo especialmente as mulheres, os afrodescendentes, os povos indígenas, os moradores das favelas e do Nordeste e o Norte do país. Transformar estruturas Diante da pobreza somos chamados a superar os preconceitos e a ideia de meritocracia, segundo nos mostra o texto pontifício. Um texto que nos faz entender que somos desafiados como humanidade e como cristãos a transformar as estruturas que geram pobreza, que excluem uma boa parte da humanidade, que é descartada por grupos de poder político e económico. A pobreza é bem mais do que uma ideia, ela tem rosto e nos mostra que o mundo tem perdido a alma na medida em que deixou tomar conta da vida da humanidade a uma economia que mata. Combater a pobreza não é uma ideologia, é uma questão de justiça, é uma atitude necessária naqueles que dizemos ter fé, naqueles que temos o Evangelho como norma de vida. Os cristãos acreditamos em um Deus que não é alheio ao que acontece no mundo, ao sofrimento dos descartados. Os pobres, lugar privilegiado de encontro com Cristo O cristão é obrigado a entender que os pobres são “o lugar privilegiado no encontro com Cristo”. Isso faz com que não possamos ficar indiferentes diante das vítimas da pobreza, mas também é um chamado a assumir a simplicidade evangélica como modo de vida. Uma atitude que nos identifica com Jesus, aquele que quebrou o esquema social estabelecido, que mostrou a compaixão como atitude básica na vida de todos aqueles que acreditam em Deus. Independentemente das motivações que cada um de nós tem o grande desafio é enxergar a presença de Cristo nos pobres e viver o Evangelho não só com palavras, mas também com obras, com atitudes. Isso porque a fé cristã não pode ser separada do amor concreto, da justiça social e da transformação das estruturas que geram miséria e exclusão. Editorial Rádio Rio Mar

Cardeal Steiner aborda contribuições para COP30

O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), concedeu uma entrevista ao Centro para a Comunicação do Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho). O diálogo, publicado ontem (14), abordou a participação e as contribuições da Igreja Católica na 30ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) que acontecerá em novembro de 2025, na cidade de Belém (PA). Ao ser questionado sobre realidade da Amazônia às vésperas da COP 30, o arcebispo aponta que ela exige discussão, reflexão e debate. O avanço do garimpo, mesmo com esforços de combate do governo federal, a mineração, onde o Congresso Nacional busca criar leis para exploração na região, a desflorestação, principalmente no sul do Amazonas, e migração do interior para a cidade, são os grandes desafios que permeiam a dinâmica da região. “O sul do Amazonas hoje já não tem mais a mata amazônica e isso está trazendo cada vez mais dificuldades. Mas também nós vemos devagarinho, nós que moramos nas cidades maiores, que há um peregrinar do interior para a cidade. A cidade de Manaus não cresceu, ela inchou”, declarou Por outro lado, o cardeal destacou que Amazônia carrega beleza, criatividade, poesia e, principalmente, “uma religiosidade muito profunda”. Essas características compõem as inúmeras culturas presentes nos territórios. E, segundo ele, são elas que “nos ajuda, nos anima e nos traz esperança” para enfrentar as questões que “dizem respeito a uma Ecologia Integral”. Caminhar para a fraternidade e o cuidado O entrevistador, Óscar Elizalde Prada, diretor do centro para a Comunicação do Celam destaca que é a primeira vez que uma COP acontece em território amazônico, uma oportunidade que reflexão sobre as realidades da região. E perguntou ao arcebispo quais os apelos manifestados pelos povos, através da escuta, a igreja levará para a conferência. O cardeal explicou que a grande movimentação da igreja em torno da COP30 é pelo “cuidado da nossa casa comum na Amazônia”, ampliando as vozes das comunidades mais vulneráveis.  A criação da comissão “Igreja Rumo à COP30”, composta de bispos e leigos, expressa o compromisso com a justiça climática e a ecologia integral. Além disso, o apoio ao Cimi (Conselho Indigenista Missionário) , a CPT (Comissão Pastoral da Terra) e outros organismos da CNBB. A participação da igreja será através de representantes da Santa Sé e da CNBB. E também, “apoiando os povos indígenas, apoiando diversos grupos que têm realmente preocupação com a questão do meio ambiente”, no Brasil e no mundo. Esse espaço fortalece a presença da igreja nos debates, e influencia na tomada de decisões visto que “nos preocuparmos com a igreja, nos preocuparmos porque cremos e temos esperança, queremos cuidar da nossa casa comum, queremos propor”.  “nós queremos estar sinodalmente presentes. porque queremos caminhar juntos, queremos que a humanidade caminhe, mas caminhe com esperança e caminhe com cuidado, não caminhe para a destruição e a dominação, mas caminhe para a fraternidade, para usar uma expressão de Francisco de Assis”, enfatizou o arcebispo. A Sinodalidade como caminho para um mundo melhor O arcebispo de Manaus recorda que “a sinodalidade é a preciosidade que Papa Francisco nos devolveu”, já que possibilita “caminhar juntos na casa comum”. Esse horizonte, permite que se construam processos de escuta mútua, fundamentais para reverter a organização social atual onde “os estados não se escutam em relação à ecologia integral”. Ele acrescenta que isto inclui também ‘escutar o grito da Terra’, como pedia Francisco. “Esses gritos, esses movimentos que existem na terra, existem entre a sociedade ou as sociedades, precisam ser ouvidos”, sublinhou. Além disso, depois do processo de escuta, a sinodalidade favorece a busca de soluções conjuntas. Ou seja, construir propostas que ajudem no cuidado da casa comum, da terra e diminuam a destruição tanto na Amazônia, como em outras regiões do mundo. A expectativa do cardeal Steiner é de que o caminho sinodal permita que as proposições assumidas na COP 21, descritas no acordo de Paris, sejam executadas. “Talvez a grande dificuldade será realmente nos ouvirmos e nos escutarmos, porque tenho a impressão que tem alguns que não desejam participar da escuta, mas impor determinadas compreensões que acabam destruindo ainda mais a nossa Terra”, explicou o cardeal. Laudato Si’ é a grande herança de Francisco Papa Francisco insistiu na necessidade de conversão dos modos vida adotados pela sociedade para ajudar a cuidar da Casa Comum, não apenas para igreja, mas para o mundo. Nessa perspectiva, o caminho trilhado pela igreja nos últimos anos é fortalecido pela publicação da encíclica Laudato Si’. O cardeal comentou a importância do documento para a COP 21.  “A COP de Paris chegou às conclusões que chegou, eu creio que se deve muito ao texto de Papa Francisco. Eu estive lá participando da delegação da Santa Sé e testemunho isso da importância que teve Laudato Si’”, explicou o cardeal. Além disso, o arcebispo insiste que o documento “ainda não chegou em todas as comunidades”. Ele oferece uma nova dinâmica para as relações, “de cultivo e de cuidado, baseado numa hermenêutica do Gênesis” ainda ausente na coletividade. O cardeal explica que essa compreensão precisa se proliferar e todos os âmbitos, mas a relação ainda é “muito comercial. A relação ainda é muito financeira, a relação ainda é muito econômica”. Novas relações sem ganância O arcebispo reforçou a necessidade de novas relações com o ambiente porque a “Terra não suportará no futuro toda essa devastação”. Essa afirmação parte da insistência de cientistas nos efeitos da devastação, mesmo com “elementos muito concretos” apresentados, existe uma “teimosia” em assumir “caminhos possíveis de preservação” e cuidado. Ele vê essa dificuldade em “abrirmos os olhos” para a realidade do planeta está relacionado “à ganância que existe” em relação ao território amazônico e recordou a fala de Francisco na África ‘tirem as mãos da África’.  “Eu às vezes tenho vontade de repetir, até numa ocasião já repeti, tirem as mãos da Amazônia. Tirem as mãos da Amazônia. Quer dizer, esse modo ganancioso, dominador, destruidor, que fere…
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Cardeal Steiner: “Jesus é o vinho novo na celebração das Bodas entre Deus e a humanidade”

“Celebramos neste domingo, na Igreja no Brasil, a Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil”, disse o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, no início de sua homilia. Segundo ele, “o Evangelho nos ensinava que Jesus iniciou a sua presença de salvação com um sinal. As Bodas de Caná na Galileia foi o primeiro sinal de Jesus realizado, indicando o encontro entre Deus e a nossa humanidade. Os sinais sinalizam, indicam realidades que no dia a dia não percebemos. Sinais despertam para a razão, verdades e grandezas desapercebidas e, no entanto, nos deixam participar da festa, do encontro”. Maria percebe a dificuldade O primeiro sinal, recordou o cardeal, “expressa a celebração do amor de dois recém-casados que se encontram em dificuldade no dia mais importante da vida. No meio da festa falta um elemento essencial, o vinho, e a alegria corre o risco de desaparecer entre os convivas. Maria, a Mãe de Jesus, percebeu a dificuldade e diz a Jesus: ‘Eles não têm mais vinho’. As palavras e o gesto de Nossa Senhora é o sinal da participação e do cuidado dela para com a festa de casamento. Nas palavras de Jesus, Nossa Senhora diz aos serventes: ‘Fazei tudo o que ele vos disser!’” Segundo o cardeal, “o mandato, o mandamento, da transformação, a mudança, a alegre continuidade das bodas, pede serviço, trabalho: encher as talhas com águas. O servir é que transforma o encontro das núpcias em sabor, em degustação da preciosidade do amor. As talhas que guardavam a água para a purificação estavam vazias. Jesus pede que sejam enchidas e transforma a água das talhas em vinho. A festa de casamento, sinal da comunidade humana que não tem mais vinho e, por isso, perdeu a alegria de viver, indicando que a humanidade perdeu a esperança”. “Na transformação da água em vinho vemos que Jesus é o vinho novo na celebração das Bodas entre Deus e a humanidade”, sublinhou o arcebispo de Manaus. Isso porque “Ele é o vinho novo da celebração do amor que concede a alegria do encontro e a esperança do caminho. Sinal de que a purificação exterior, não possibilita a alegria, não devolve a esperança. A Mãe de Jesus percebeu que havia necessidade de um vinho novo, um vinho melhor para experimentar a alegria de conviver, experimentar a esperança. O ‘Fazei o que ele vos disser’, acende a esperança, possibilita a alegria de quem vislumbra a beleza e a ternura da celebração do amor”. Falta-lhes o essencial “Irmãs e irmãos encanta o milagre do Evangelho de hoje!”, disse o cardeal. Segundo ele, “a delicadeza da percepção de Maria, o cuidado de Jesus em encher novamente de água as talhas da purificação, o trabalho generoso dos servos, o servir a água transformada em vinho. Toda narrativa Joanea indicando a transformação da nossa vida, da existência humana. Nossa Senhora participando das núpcias, dos encontros de amor, de nossas vidas, percebendo a falta, a penúria, a necessidade, a quase mendicância da nossa vida, atenta à nossa pobreza, fraqueza, dizendo: ‘Eles não têm mais vinho!’ Como que dizendo: falta-lhes o essencial, falta-lhes o vital, o mais importante, falta o que dê sentido ao encontro, falta o vinho… sem o essencial, sem o vital, não acontece mais a festa, vem a morte, desaparece o encanto de viver, a força de viver. E ela, então, nos repete hoje a palavra: ‘Fazei tudo o que ele voz disser!’” “E nós aceitamos o convite de encher as talhas da purificação. As talhas, a nossa vida, tanta capacidade, com tanto de possibilidade de purificação, de transformação na medida em que caminhamos entre a nossa casa, o nosso coração, e a fonte, Deus fonte de nossas vidas. E depois de pensarmos que fizemos tudo o que deveríamos fazer, talhas cheias, repletas da generosidade de nossa pobreza, transbordantes das possibilidades das nossas deficiências, somos, mais uma vez convidados: ‘Agora tirai e levai ao mestre-sala’. Depois de termos feito tudo o que poderíamos fazer vem o convite da transformação: servir! No servir às necessidades dos que desejam celebrar a bodas da vida que somos purificados, transformados, plenificados”, afirmou o cardeal Steiner. Isso porque “o Evangelho na Bodas de Caná nos revela o amor transformativo de Deus; o amor próximo, terno e compassivo, consolador!”, recordou. A vida do seu povo Na primeira leitura, ele destacou que “Rainha Ester vê as necessidades do povo e vai em socorro. Se apresenta ao rei correndo o risco de morte e implora: ‘A vida do meu povo, eis o meu desejo’! Não pensou em si mesma, mas na vida de seu povo. O rei acolheu o pedido de Ester e salvou o povo. O sinal de Ester é o sinal dos pequenos, dos humilhados, que não temem o poder frente a liberdade do conviver. Ester pôs toda a sua vida a serviço da vida do seu povo. Tornou-se sinal de beleza, de inteligência, da esperança, da libertação do povo”. Na segunda leitura, o arcebispo referiu-se a outro sinal: “apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”. Segundo ele, “uma mulher e um dragão, a fragilidade e a pequenez da mulher, que acabara de dar à luz e a força e a violência do dragão, que destrói e persegue. O Apocalipse a indicar a realidade de conflito e perseguição que as primeiras comunidades cristãs da Ásia Menor estavam sofrendo. Os cristãos eram perseguidos, aniquilados, destruídos pelo Império Romano. O dragão é o símbolo desse mal, da força destruidora. A mulher vestida de sol é o sinal de que o mal é vencido. O sinal, Deus gerado menino, não pode ser dominado pelo mal. A Mulher, força das pequenas comunidades, vence a tentação do medo e confia que Deus veio para permanecer junto ao seu povo”. Aparecida, a Mãe atenta O cardeal Steiner relatou que “em 1717,…
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Jubileu do Povos Originários: Cardeal Steiner convida a converter as relações

Na manhã deste domingo (5), o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, participou do Jubileu dos Povos Originários. O evento reuniu lideranças e entidades indígenas no Parque do Mindú, espaço simbólico de biodiversidade e ancestralidade. O objetivo era celebrar a resistência, a cultura e a espiritualidade dos povos em comunhão com o Jubileu da Esperança. Ao saudar os presentes, o cardeal ressaltou que “estamos aqui reunidos na busca de celebrarmos ou participarmos do ano santo da redenção, o ano da esperança”. Por isso, ele recorda a quantidade de “elementos importantes da nossa vida” e “elementos culturais” que foram apresentados. Mas destaca, especialmente, o elemento “das nossas relações mais próximas” como fundamento do júbilo. “Nós que vivemos da Terra, com a Terra, que participamos da vida da Terra. E ao celebrarmos o Jubileu, nós estamos lembrando que Jesus nos redimiu, Jesus nos salvou”, disse o arcebispo. Recordar a dignidade de todas as criaturas Essa perspectiva da salvação é apresentada no Evangelho de São Marcos, onde Jesus “envia os apóstolos e diz: anunciar isso a todas as criaturas”. Dessa maneira, o cardeal explica que “todas as criaturas participam da Salvação, todas as criaturas participam da Redenção, nenhuma criatura ficou de fora”. Por causa disso, a forma de relacionamento dos povos indígenas com a natureza expressa a dignidade de toda a Criação. “Quando nós temos, como povos indígenas, uma relação toda especial com o Meio Ambiente, com todas as criaturas, nós estamos recordando a dignidade de cada criatura, que cada criatura tem, porque participa da vida de Jesus, participa da vida de Jesus que ressuscitou por nós, participa da vida nova”, disse o arcebispo. Converter as relações Cardeal Steiner pediu aos povos indígenas que “nós ajudem a serem esse sinal de esperança”, já que, ao participar do ano santo, “nós somos guiados pela esperança” de que “haja uma outra relação com o Meio Ambiente”. E essa esperança recai sobre a necessidade de que “o nosso mundo se converta, a esperança de que a sociedade branca se converta”. E assim, “nós possamos realmente nos relacionar com as criaturas, não para dominar e destruir, para ganhar dinheiro, mas podermos viver juntos na Casa Comum”. O arcebispo de Manaus trouxe à memória o empenho que a Igreja no Brasil assume em torno da temática ambiental. Essa importância se destaca em muitas atividades realizadas, mas especialmente nas Campanhas da Fraternidade. Mas mesmo com esse esforço, segundo o cardeal, “parece que a sociedade está surda. Parece que os corações estão fechados e não percebem como todas as criaturas, são importantes para podermos viver, conviver”. Assim, cardeal Steiner reforça que celebrar o ano santo é dizer “ainda estamos buscando a salvação”. E mesmo com a destruição do meio ambiente existente, permanece a palavra que diz “não, ainda existe salvação” porque “nós acreditamos na necessidade de uma conversão”.  Ao final, motivou os participantes para que a celebração vivida seja um ânimo e possam permanecer como presença de esperança, de salvação e de harmonia. “Nós vivemos como irmãos e irmãs, nós usamos uma expressão tão bonita e significativa dizendo, somos parentes. Que nós todos possamos nos sentir parentes, irmãos e irmãs, mas também, como dizia São Francisco de Assis, irmão e irmã de todas as criaturas. Que Deus nos ajude e que vocês nos ajudem a sermos cada vez mais motivo de esperança, motivo de transformação e não de destruição”, finalizou o cardeal.

Cardeal Steiner: “Jesus nos pede que percorramos, com coragem e empenho, o caminho da fé”

No vigésimo sétimo domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando que “aumenta a fé é a súplica dos discípulos a Jesus. O pedido, a súplica, que nasce depois de ouvirem a parábola do pobre Lázaro que nos foi proclamado no domingo passado e depois de ouvirem o ensinamento do perdão”, citando o texto do Evangelho: “Se pecar contra ti sete vezes num só dia, e sete vezes vier a ti dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe”. Os apóstolos pedem a graça da fé Ele sublinhou que “diante das revelações de Jesus que não cabem na compreensão dos apóstolos, eles pedem a graça da fé. A fé que permite ultrapassar o que é incompreensível, impensável; uma fé que acolhe e oferece horizonte extraordinariamente sem limites. Diante da dificuldade em acolher os ensinamentos de Jesus os discípulos são despertados para a necessidade de uma fé mais robusta, mais aberta, que leva à liberdade diante das contradições e cruzes da vida. A fé que supera a adesão a dogmas ou a um conjunto de verdades abstratas sobre Deus. Fé que é fé, é adesão a Jesus, à sua proposta de vida, à vida do ‘Reino’”. O arcebispo recordou que Santo Ambrósio, nos diz Comentário sobre o Evangelho de Lucas VII, 176-180: “Lembro-me de outra passagem que evoca o grão de mostarda, e onde ele é comparado com a fé; diz o Senhor: «Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: “Muda-te daqui para acolá”, e ele há-de mudar-se» (Mt 17,19). […] Se, portanto, o Reino dos Céus é como um grão de mostarda e a fé também é como um grão de mostarda, a fé é seguramente o Reino dos Céus e o Reino dos Céus é a fé. Ter fé é ter o Reino dos Céus. […] Foi por isso que Pedro, que tinha fé, recebeu as chaves do Reino dos Céus: para poder abri-lo aos outros (Mt 16,19). Apreciemos agora o alcance da comparação. Este grão é certamente uma coisa comum e simples; mas, se o trituramos, faz irradiar a sua força. Do mesmo modo, à primeira vista, a fé é simples; mas, tocada pela adversidade, faz irradiar a sua força”. Adesão a Jesus Segundo o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos de Brasil: “a adesão a Jesus e ao seu modo de viver, ao seu Reino, é um caminho incômodo, às vezes difícil, pois é um caminho na fragilidade, nas incertezas, na nossa finitude. Um estar a caminho que devagar vai abrindo horizontes, iluminando as incompreensões, os não saberes, possibilitando novas relações e uma percepção sempre mais profunda e real da vida com Deus”. “Nesse caminhar na fé existe um exercício de abandono. Um abandonar-se na fé, abandonar que é próprio da fé ‘é a máxima ousadia do homem’!”, disse citando Karl Rahner. Isso porque “uma partícula ínfima do cosmos se atreve a relacionar-se com a ‘totalidade incompreensível e fundante do universo” e, além disso, o faz confiando absolutamente com seu poder e em seu amor. Perceber a audácia inaudita que implicada atrever-nos a confiar no mistério de Deus’”, disse seguindo José Antônio Pagola, no “Caminho aberto por Jesus, S. Lucas”. Confiar incondicionalmente no Mistério Em palavras do arcebispo de Manaus, “a mensagem central e original de Jesus consiste precisamente em convidar a cada um de nós a confiar incondicionalmente no Mistério insondável que está na origem de tudo. A confiança que ressoa no anúncio: Não tenhas medo, confiai em Deus, chamai-o de Abbá, pai querido, papai. Ele cuida de vós, até os cabelos de vossa cabeça estão contados. Tende fé em Deus. Não vos preocupes.” Ele recordou o texto de Lucas 12,22-28: “Não fiqueis preocupados quanto a vossa vida, pelo que haveis de comer, nem, quanto aos vosso corpo, pelo que haveis de vestir. A vida vale mais quem o alimento, e o corpo mais que o vestuário. Observai os pássaros não semeiam, nem colhem, não tem dispensa, nem celeiro, e Deus os alimenta. Vós valeis mais que os pássaros do céu. Observai os lírios do campo, como crescem. Não trabalham, nem fiam, no entanto, eu vos digo que nem Salomão em toda a sua glória, jamais se vestiu como um só dentre eles. Ora se Deus veste assim a erva do campo que hoje está aí e amanhã é lançada ao forno, quanto mais a vós fracos na fé.” O cardeal prosseguiu: “Sim, a fé como confiança, como experimentar o cuidado de Deus para conosco”. O arcebispo referiu-se “à confiança proclamada pelo profeta na primeira leitura. Uma confiança que se torna em determinadas situações um clamor, um confronto: Senhor, até quando clamarei, sem me atenderdes, sem me socorres? Destruição e prepotência estão à minha frente; reina a discussão, surge a discórdia”. Ele considera que “as palavras tão atuais, ressoam os nossos dias, a nossas aflições, e e desilusões. E, no entanto, Habacuc a nos despertar para uma confiança: ‘se demorar, espera, pois ela virá com certeza, e não tardará. (…) o justo viverá por sua fé’ (Hab 1,3; 2,3-4)”. Igualmente, ele recordou as palavras de Paulo a Timóteo que nos ilumina ao ensinar: “Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e sobriedade. Não te envergonhes do testemunho de Nosso Senhor, nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus. Usa um compêndio de palavras sadias que de mim ouviste em matéria de fé e de amor em Cristo Jesus. Guarda o precioso depósito, com a ajuda do Espírito Santo que habita em nós” (2Tm 1,6;8.13-14). É a fé que tem a nós “O Espírito Santo que nos concede o dom da fé, nos concede a gentileza que percebermos que na dinâmica da fé nós não temos fé, é a fé que tem a nós. Mesmo a possibilidade, a disposição de nos abrimos à fé, é doação da fé. A fé é simples: una, inteiriça, coerente. Simples não quer dizer nem…
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Cardeal Steiner no Jubileu da Terra, da Água e da floresta: “olhar as criaturas sem dominação”

Na manhã de hoje (4), durante o Jubileu da Terra, da Água e da Floresta, o Cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, explicou que “os pequeninos significam aqueles que olham as criaturas sem dominação”. Esse jubileu traz “todas as criaturas” e reconhece que “todas as criaturas participam do mistério da Salvação”. Os participantes saíram em peregrinação da Igreja Nossa Senhora dos Remédios em direção à Catedral Metropolitana de Manaus, no percurso, foram tratadas as temáticas da água, da terra e da floresta seguido da Celebração Eucarística. Segundo o arcebispo, “nós fomos redimidos, fomos salvos. Toda obra celeste e terrestre, toda obra criada participa da obra da redenção. Ele explicou que essa compressão da obra da redenção pode ser entendida pelo texto do Evangelho: ‘Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos pequeninos’. O texto destaca os pequeninos como aqueles percebem as criaturas sem a vontade de submetê-las a dominação, “sem o desejo de dinheiro, sem o desejo de cobrança”, mas com um desejo de cuidado e cultivo. Aquele que não se impõe Ao recordar a celebração da festa de São Francisco de Assis, o cardeal explicou a opção do santo em nomear os frades como “menores”. Ela parte da compreensão de serem “menores diante de todas as criaturas, não apenas diante dos irmãos e irmãs do gênero humano”.  Para o arcebispo, ser menor é uma expressão que significa “aquele que não se impõe”. “Menor aquele que pode se tornar plenitude. Menor aquele que serve. Menor aquela que serve. Menor sempre aquele e aquela que está a serviço. Menor é sempre aquele e aquela que compreende a profundidade da irmandade universal”, disse. A incompreensão dos dominadores Ainda sobre o texto do Evangelho, o arcebispo destaca que a incompreensão dos dominadores diante da fraternidade universal acontece “porque não são pequenos”. “Os dominadores não compreendem que a água é irmã, que o sol é irmã, que a terra é mãe”, explicou. Diferente de Francisco de Assis, “que tentou ser menor e compreendeu”. “Por isso, celebramos até hoje o Cântico das Criaturas, onde tudo tem uma irmandade profunda, porque um respeito, uma relação toda própria, que nós poderíamos chamar de fraternidade universal. Nós, nosso pequeno grupo que aqui está, mas tocado pela espiritualidade franciscana, e no desejo de termos cada vez mais um respeito profundo e um cuidado cada vez melhor pela obra criada buscando assim uma Ecologia Integral, nós queremos louvar e bem dizer”, refletiu o cardeal Steiner. Ao final, o arcebispo argumentou que o louvor passa “por podermos ter olhos que guardam a realidade, olhos que podem ver as criaturas e não as destroem, olhos que realmente sabem acolher”. E convidou que cada um pudesse fazer o seu hino de louvor sem esquecer que não só “todo o gênero humano foi redimido, mas que todas as criaturas do mistério da Salvação”. Mas para isso, é fundamental “nos deixarmos tocar pela minoridade de sermos pequenos. Porque até Jesus louva os pequenos”. Vigília Popular pela Amazônia Na noite de ontem (3), a Arquidiocese de Manaus realizou a Vigília Popular pela Amazônia: Vozes do Povo e da Terra.  Segundo organizadores do evento, o objetivo era acolher as vozes num clamor espiritual e político pela Amazônia Viva, pelo direito dos povos e por justiça climática. O encontro aconteceu na Praça do Congresso, em Manaus, com representantes de redes de fé, juventudes, pastorais e movimentos sociais e populares e da comunidade acadêmica. Essa programação é parte de uma série de esforços que as diversas denominações religiosas vêm desenvolvendo em preparação para a 30ª Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a Conferência das Partes, (COP30), em Belém (PA), em novembro de 2025. Dom Hudson Ribeiro, bispo auxiliar de Manaus e referencial para as pastorais sociais, convidou os presentes a estender os seus braços e perceber o peso de sustentá-los sem um apoio. Uma imagem alusiva a necessidade de construir caminhos de união em torno de causa comuns a toda sociedade. “Podemos ter imagem de louvor? imagem de clamor? imagens de mãos estendidas pedindo? imagens de mãos estendidas clamando? Quanto tempo aguentaremos sustentando as nossas mãos e os nossos braços nesta posição?”, indagou. Um gesto de clamor e louvor Com esse gesto, o bispo reforça que “milhares de pessoas clamam por ajuda” e acrescenta que “a floresta também clama pelo nosso olhar”. Essa perspectiva direciona para a compreensão da natureza como um sujeito de direitos e por isso “clama pela nossa acolhida, clama pela nossa voz, clama peno nosso cuidado”. O gesto simbólico de clamor, apresentado por Dom Hudson Ribeiro, retrata as realidades sofridas, mas também um gesto “de louvor”, explicou. Em seguida, o bispo convidou para que todos dessem as mãos com os braços levantados e destacou “como é mais fácil quando a gente ergue os braços e ter os nossos braços sustentados uns pelos outros”. “Que o bom Deus, que criou a todos nós, que criou todas as formas de vida desse planeta, esteja sempre conosco ao erguermos os braços, ao erguermos as pessoas que estão caídas, a estendermos as nossas mãos, os nossos braços pra que a solidariedade, a fraternidade, a busca, o sonho, a realização do cuidado para com a Casa Comum aconteçam”,finalizou o bispo. fotos: Ana Paula Lourenço

Cardeal Steiner no término do 14ºMuticom: “uma responsabilidade a partir do Evangelho”

O encerramento do 14° Mutirão de Comunicação (Muticom) aconteceu neste domingo (28) no Encontro da Águas. Um momento marcado por muita alegria e sentimento de responsabilidade “a partir do Evangelho” como reforçou o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, e assumida pelos participantes de serem comunicadores e comunicadoras do Reino Novo. “Nos encontramos em um momento crucial em relação à Terra, mas o momento crucial das nossas relações. Nós temos uma responsabilidade, temos uma responsabilidade não porque achamos que temos responsabilidade, mas o temos a partir do Evangelho. O cuidado e o cultivo”, alertou o arcebispo. Nesta perspectiva, o Cardeal Steiner enfatizou que como “comunicadores e comunicadoras, anunciamos Jesus Cristo Crucificado e Ressuscitado”. E por isso, é de responsabilidade coletiva “comunicar a harmonia contemplada nas criaturas que inspira relações de fraternidade universal”. E dessa forma “despertaremos para relações fraternas, reconhecendo que tudo está interligado.” O convite final é para que todos levem a alegria, a esperança e todos os aprendizados construídos ao longo da programação do evento para as dioceses, paróquias e regionais. Ao final da celebração foi lida e aprovado o texto da Carta de Encerramento do 14° Mutirão de Comunicação junto com o compromisso assumido por todos os presentes. Os documentos se encontram na íntegra abaixo: Compromissos assumidos Mensagem final do 14° Mutirão de Comunicação

Cardeal Steiner: “O abismo que se abre na parábola entre os dois modos de viver”

No 26ºDomingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, iniciou sua reflexão afirmando que “o Evangelho a nos apresentar duas pessoas e nelas dois modos de vida, de viver. Um pobre, desvalido, esquecido, maltrapilho, faminto; existencialmente no chão, como que sem chão. Não sabemos como sobrevivia, pois nem migalhas lhe eram permitidas. Temos diante dos olhos um homem, sem valia, desprotegido, apenas protegido e cuidado pelos cães. Um rejeitado da vida, sem eira nem beira”. Olhos fechados para o outro Segundo o arcebispo, “ousaríamos dizer como o profeta Isaías: ‘Não tinha aparência nem beleza para que o olhássemos, nem formosura que nos atraísse. Foi desprezado, como o último dos homens, homem de dores, experimentado no sofrimento e quase escondíamos o rosto diante dele; desprezado, não lhe demos nenhuma importância.’ (Is 53,2-3). Nossos olhos conseguem vê-lo na fome, na miséria, no desprezo, mas se fecham quando vemos suas feridas sendo lambidas pelos cães”. “A deshumanidade nos aterroriza, nos ataca, pode nos tornar insensíveis; ela nos machuca, nos faz sofrer. O afastado e desprezado nos leva a quase descompaixão. E, no entanto, este homem tem um nome: Lázaro. Lázaro que é a expressão de ‘Deus ajuda’, ‘Deus é meu auxílio’. Talvez até possa nascer em nós o desejo de uma prece: Deus vinde em seu auxílio, Deus seja o seu auxílio. E somos conduzidos em nosso olhar meditativo e contemplativo para a morte que conduz à vida: “Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão”. Da miséria à vida, ao seio, à vida abraâmica, à descendência de Deus. Um abismo, encontro no desencontro”, disse o cardeal Steiner. Uma narrativa que nos incomoda Em suas palavras, ele mostrou que “quase nos incomoda a narrativa de Lucas ao contemplar o desprezado e esquecido sendo conduzido à vida da Trindade. Aquele estranhamento de uma vida, não-vida, uma vida não vivida e que se torna vida eterna. Será necessário passar pela não-vida, para entrar na vida eterna?” O presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), recordou as palavras de Santo Agostinho no Sermão 24,3: “Não foi a pobreza que conduziu Lázaro ao céu, mas a sua humildade. Nem foram as riquezas que impediram o rico de entrar no descanso eterno, mas o seu egoísmo e a sua infidelidade”. “O outro modo de vida apresentado pelo Evangelho é de uma pessoa que vive vestido com roupas finas e elegantes. Um estilo de vida que circula entorno de si mesmo, no descuido de si. No seu aparecer, na sua aparência tem luxo e elegância falsa. No seu conviver é de festa, prazer diário. Todos os dias no esplendor e no vagar existencial sem relações, sem envolvimento, sem comprometimento. Já não enxerga mais a entrada de sua vida e viver, perdeu o ingresso, a porta do convívio, perdeu os olhos para além de si mesmo. Os convivas são apenas a possibilidade da veste de si mesmo. Existe ele e mais ninguém”, refletiu o arcebispo de Manaus. Diante disso, o cardeal Steiner sublinhou que “a vida é dom! Ele, no entanto, acaba desprezando a sua vida. Não sabe assumir como dom. Quando dom, está a serviço dos outros, principalmente dos necessitados, dos pobres, que estão à porta do existir. Fechou sua vida à solidariedade, à comunhão, impedindo satisfazer as necessidades mais profundas de sua humanidade: cuidar, partilhar. É apenas desencontro!” Confundir utilidade com felicidade Ele recordou as palavras de Papa Francisco à Pontifícia Academia das Ciências Sociais: “Hoje estamos diante de um paradigma dominante, amplamente difundido pelo ‘pensamento único’, que confunde utilidade com felicidade, divertir-se com o viver bem, e afirma ser o único critério válido para o discernimento. Esta é uma forma sutil de colonialismo ideológico. Trata-se de impor a ideologia de que a felicidade consiste apenas no que é útil, nas coisas e posses, na abundância de coisas, na fama e no dinheiro.” Isso mostra “o sabor do dom da vida que se esvai. Perde o gosto de viver, da solidariedade, do amar sem porque, da gratuidade da porta aberta, do encontro com os necessitados”. O cardeal, seguindo as palavras do profeta Amós na primeira leitura, disse que “fazem ressoar a vida que se perde, se esvazia, se esvai e que acaba desterrada: ‘Ai dos que vivem despreocupadamente em Sião, os que se sentem seguros nas alturas de Samaria! Os que dormem em camas de marfim, deitam-se em almofadas, comendo cordeiros do rebanho e novilhos do seu gado; os que bebem vinho em taças e se perfumam com os mais finos unguentos e não se preocupam com a ruína de José’ (Am 6,4-7)”. Palavras do profeta que o levaram a afirmar: “insensível, viver um mundo à parte, descuidado com a mundo que o rodeia, desligado da graça de pertença à tribo de José. Vida que flutua, desenraizado, sem fonte que satisfaça a sede de viver. Vida destruída, sorvida por si mesma, tomada pelo vazio do viver. Traição!” O abismo do mim mesmo “O abismo que se abre na parábola entre os dois modos de viver e que se fecha ao encontro é a inércia, o esquecimento, a indiferença diante daquele que está à porta. O abismo está na indiferença que às vezes atinge a cada um de nós quando somos indiferentes, nos habituamos a ver pessoas famintas, deserdadas e descartadas, somos indiferentes diante da pobreza, da violência, da injustiça. O abismo que vai se formando quando os olhos deixaram de alcançar a porta e quem está à porta, para além da porta do existir. E perdemos a sensibilidade para as chagas que hoje afligem a tantas pessoas”, refletiu o arcebispo de Manaus. Ele citou as palavras de São Jerônimo: “Oh! Quão infeliz és tu entre os homens! Vês um membro do teu corpo prostrado diante da porta e não tens compaixão! Em meio às tuas riquezas, o que fazes do que te é supérfluo?”. Partindo disso, ele afirmou que “o abismo entre os dois modos de viver podem nos atingir, quando perdemos a…
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Dom Zenildo Lima: “Uma comunicação carregada de sentido e anúncio profético”

“Mais do que comunicações muito imediatas, sejam muito carregadas de sentido, de significado, de conteúdo e de anúncio profético”. Essas foram as palavras de Dom Zenildo Lima, o bispo auxiliar de Manaus e referencial para a Comunicação do Regional Norte 1, em mensagem aos comunicadores reunidos na 14º edição do Mutirão de Comunicação (Muticom). O evento busca refletir a comunicação pautada na Ecologia Integral e na Sustentabilidade e acontece de 25 a 28 de setembro, na Arquidiocese de Manaus. Aprofundar os conteúdos comunicados Ele faz um apelo a todos os comunicadores participantes do evento, mas que se estende aos “agentes de pastorais de comunicação, de organismos de comunicação eclesial”. Para que “aprofundem na reflexão, que conheçam os conteúdos”.  Já que o modo de ser da sociedade tecnológica estimula uma “ânsia, o desejo muito forte de furo de reportagem, de apresentar logo uma publicação”, mas que “não pode transcurar, não pode descuidar da profundidade do seu conteúdo”. Essa mensagem surge de uma inquietação sentida pelo bispo ao perceber que “até mesmo aqui neste encontro, neste mutirão, uma necessidade muito grande, para não dizer uma avidez, de registro e de publicação”. Ele recorda que no decorrer do mutirão de comunicação “nós fomos alertados” da importância de que “nós sejamos dominadores do conteúdo que a gente quer publicar”, destacou o referencial da comunicação. Amazônia como palco de narrativas construídas na escuta Ao comentar a importância de o evento acontecer na Amazônia, Dom Zenildo Lima, reforçou que se trata “um esforço da Igreja do Brasil, da Igreja Católica, de somar com outras vias de comunicação”. Esse esforço, é para que a “atualíssima questão da Ecologia Integral” seja capaz de gerar narrativas e esclarecer notícias que não são verdadeiras. “É providencial que o encontro aconteça aqui na Arquidiocese de Manaus, porque no chão da Amazônia e a reflexão a partir do lugar tem a possibilidade de vermos as perspectivas do território, de escutarmos as vozes de sujeitos locais. E é muito importante que não somente a Igreja Católica, mas a sociedade como um todo consiga de fato pautar a Ecologia Integral”, explicou o bispo. As dimensões expostas pelo evento se somam a necessidade de compreender o momento histórico vivido pelo país. Isso porque há um enfrentamento de um “projeto de lei que fragiliza a legislação ambiental”. Por isso, é fundamental, segundo Lima, que “tenhamos a força a partir de ferramentas de comunicação para efetivarmos o cuidado com a Casa Comum”. O itinerário temático Os painéis e rios temáticos trouxeram elementos muito importantes para o itinerário de construção do discurso da comunicação nas igrejas locais. É fundamental que as discussões feitas ajudem a formar um discurso autêntico das problemáticas ambientais. Nessa perspectiva, diversos pontos de vistas devem ser considerados, inclusive “do ponto de vista científico” como destaca Dom Zenildo.  “o aquecimento global não é uma falácia, não é uma invenção, mas é uma realidade comprovada, cientificamente comprovada. Nós tivemos a possibilidade de compreender que hoje nós temos não somente uma pauta de comunicação, mas para usar uma expressão apresentada aqui, uma comunicação necessária”, disse o bispo. Essa comunicação necessária considera também “as vozes dos sujeitos locais”. E a experiência compartilhada “a partir do território, a partir dos sujeitos locais tem o seu impacto na globalidade, na realidade nacional” o que consolida os argumentos em defesa da Casa Comum. Embora se apresentem em diferentes abrangências, convidam para um caminho unificado. “O aquecimento global e todas as ameaças são uma realidade, é uma ameaça verdadeira e crescente. A articulação das forças locais, mas também as articulações nacionais são necessárias e isso nós podemos ver a partir de diversos caminhos que os nossos rios temáticos têm nos ajudado” finalizou Dom Zenildo.

Irmã Joana Puntel: “a cultura digital não é mais online ou offline, ela é onlife”

A irmã Joana Puntel acaba de completar 80 anos. Em vez de receber presente, ela tem nos presenteado, junto com Marcus Tullius, com mais um livro: “Pastoral Digital: uma mudança paradigmática”. A religiosa paulina é uma das assessoras do Mutirão Brasileiro de Comunicação (MUTICOM), que acontece em Manaus de 225 a 28 de setembro de 2025, onde esta obra será lançada. Importância da ecologia integral no MUTICOM Ela considera “muito importante que esse MUTICOM esteja se dedicando, a comunicação esteja se dedicando a levar adiante o tema da ecologia integral”. A religiosa destaca o impacto que a encíclica Laudato Si, do Papa Francisco, teve no mundo todo, “ele que ajudou a criar muito a mentalidade sobre essa questão de que tudo está interligado”, explicando o que isso significa. Daí a relevância da comunicação se engajar dentro dessa temática, “ela escolhe essa temática para ser algo que ajude a avançar na mentalidade, primeiro de tudo, porque as coisas podem se tornar gastas de tanto repetir e, às vezes, não ter ação”. A Ir. Joana Puntel vai assessorar no MUTICOM sobre a educomunicação para a formação cidadã. Ela vai tratar sobre a questão do ser humano, “o ser humano que precisa ser formado para isso”, ressaltando que “educação e comunicação, elas estão interrelacionadas”. É por isso que “a educação que você dá para uma pessoa, o que você vai desenvolver, ela precisa estar ligada a tudo o que você vai fazer, o que você é antes de tudo como pessoa. Então os valores que você tem, os valores, a honestidade, a fraternidade, o respeito, a dignidade pelo outro”. “Conforme você é na sua vida, você também vai tratar não só os outros, mas todo o planeta, tudo o que está ao seu redor. E aí, então, você também tem razões profundas e vai se aperfeiçoar mais, digamos assim, com bibliografias, para você discutir também isso no contexto”, afirma a religiosa. Ela destaca a necessidade da formação humana, da formação cidadã para a cidadania. Partindo de que tudo está interligado, sublinha que “você é uma pessoa que precisa saber como que você trata os outros, porque, como diz assim um grande professor, nós não nascemos prontos, a humanidade não nasce pronta, ela se forma”. Entrar na cultura digital Sobre a temática do livro que está sendo lançado, ela afirma que “a pastoral digital não é uma pastoral diferente da pastoral de comunicação, mas é ajudar a pastoral da comunicação que nós já conhecemos a entrar cada vez mais dentro de uma cultura que é uma cultura digital. Não é simplesmente usar os meios, mas é dentro desse todo que nós vivemos numa cultura digital. E a cultura digital não é mais online ou offline, ela é onlife”, fazendo referência ao novo paradigma de Luciano Floridi, “onde leva em conta a pessoa, porque infelizmente quando se fala em comunicação, se pensa em meios”, inclusive na Pastoral da Comunicação. A irmã Puntel insiste em, sem deixar os meios de lado, incluir a pessoa nisso. Um livro dedicado à memória do Papa Francisco, que é definido como pastor da escuta e do discernimento, comunicador exemplar. A religiosa paulina vê Papa Francisco como alguém que praticou o que ele disse sobre comunicação, “que é essa escuta, ser firme, porque escutar e deixar fazer a mesma coisa não é realizar a comunicação.” O livro mostra que Francisco é um homem do processo, que leva a se perguntar “quais são os sinais dos tempos para você poder entrar em diálogo com o contexto de hoje”, uma reflexão que aparece numa conferência que ele fez para a Cúria Romana no Natal, “onde ele mostra essa questão dos processos que precisa abrir”, superando dinâmicas que levam a ficar parado, dando passos que levem a prestar atenção aos sinais dos tempos hoje. Algo que leva a refletir sobre a Inteligência Artificial, “que não se trata só de uma ferramenta, é de tudo que ela está provocando no ser humano, no sentido de repensar, de nova antropologia”, reflete a irmã Puntel. Ela destaca a necessidade de “escutar os sinais dos tempos, porque é ali que o Espírito fala também”. O ‘onlife’ Aprofundando no conceito ‘onlife’, a religiosa fala dos manguezais, onde convivem a água doce e a água salgada, uma metáfora usada por Luciano Floridi. O filósofo italiano defende que não é igual antigamente quando era ligado ou desligado um aparelho, hoje “você está continuamente ‘onlife’, porque a comunicação, o digital, ele está ao redor, ele está no que você pensa, não é mais assim que você puxa a gavetinha para dizer aqui está o digital. Nós nos movemos dentro desse digital, seja por aquilo que nós queremos usar no negócio, seja por aquilo que nós queremos consumir, você está continuamente ligado”. A religiosa vê esse fenómeno especialmente presente entre os jovens, falando da síndrome do FOMO (fear of missing out), o medo de ficar fora das novidades e eventos das redes sociais. Isso leva a ter a necessidade de sentir a vibração do celular, o que “mostra que nós vivemos dentro de um todo que se movimenta.” Nesse sentido, “quando a gente fala que tudo está interconectado, é nesse sentido, tudo. E isso está ficando assim, planetário.” A irmã Puntel lembra que agora saiu um livro chamado “A Soberania Planetária”, que é a questão da inteligência, as camadas neuronais. Magistério e Inteligência Artificial Diante do receio frente à Inteligência Artificial, também em ambientes eclesiais, a religiosa paulina destaca a importância de conhecer o Magistério da Igreja em relação a essa temática. Ela lembra a mensagem de Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz de 2024, afirmando que “quem quiser saber o que é a Inteligência Artificial e como é que a igreja se comporta, vai lá olhar essa carta”, aparece o tema da ética. Uma reflexão que tem se dado em diversos momentos, enfatizando que “a dignidade humana precisa ser defendida na Inteligência Artificial”. A religiosa insiste na necessidade de a Igreja reconhecer os progressos que nascem da Inteligência Artificial,…
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