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Tag: Arquidiocese de Manaus

Dom Zenildo Lima convida fiéis a viverem sob o olhar de Deus na solenidade de Santa Maria

Durante a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, convidou os fiéis a pedirem à Virgem Maria a graça de permanecerem sempre sob o olhar de Deus. “Que nos sintamos envolvidos, amados, perdoados e pacificados”, afirmou o bispo na celebração realizada na noite de 31 de dezembro de 2025, às 18h, na Catedral Metropolitana de Manaus. A liturgia da solenidade recorda que “a Mãe de Deus guarda todas essas coisas no seu coração. A Mãe de Deus guarda toda a nossa história no seu coração. A Mãe de Deus guarda a vida de cada um e de cada uma no seu coração”. E por isso os cristãos são convidados a fazer uma firme decisão pela paz conforme pede o Papa Leão XIV. O bispo explicou que a perspectiva de uma paz desarmada e desarmante envolve não se preparar para “reação ou para reagir agressivamente” e se constrói a partir dos pequenos. Deu salva O bispo iniciou sua homilia recordado a passagem do Evangelho onde passados os oito do nascimento de Jesus ele foi circuncidado recebeu o seu nome que significa Deus salva. Ele explicou aos presentes e ouvintes que a solene celebração do Natal e dos oito dias seguintes proporciona que todos participem “dessa dinâmica de salvação” que é o grande projeto de Deus. Segundo Dom Zenildo Lima, essa celebração permite a afirmação da divindade de Jesus, onde para outras experiências religiosas há um “grande líder, um grande profeta, uma grande referência”. “Nós Dele afirmamos que Ele é Deus, como o Pai, que Ele é Deus da mesma natureza, da mesma substância, diz a igreja, do Pai. Por isso, para a celebração de hoje, a gente reza a profissão de fé do símbolo de Niceia e de Constantinopla, ou afirmar categoricamente, sim, Ele é Deus como o Pai. E mais tarde se vai dizer da Virgem Maria, ela é a Mãe de Deus, a solenidade que celebramos no primeiro dia do ano”, explicou o bispo. Deus olha para nós A primeira leitura do livro de números traz a bênção de Arão, nela é experimentado o gesto de Deus de “olhar para nós”.  A atitude de Deus é uma disposição direcionada a cada homem e a cada mulher que indica a bênção como “uma experiência de disposição nossa para outra pessoa”, disse Dom Zenildo. Essa disposição ao outro é percebida nas famílias quando há insistência das crianças para que sejam escutadas, mas também para que “a gente volte o rosto, volte o olhar” para o que elas desejam comunicar. “E quando a gente volta o olhar para o pequeno, quando a gente volta o olhar para a pequena, eles experimentam não somente que estão debaixo dos nossos olhares, estão também dentro do nosso abraço, estão também participantes da nossa relação, estão debaixo do nosso cuidado, estão debaixo da nossa compaixão, estão protegidos por nós e lhes é assegurada a paz. Assim é a benção proposta no livro dos números”. O horizonte proposto pela bênção de Arão dimensiona a grandeza do olhar misericordioso de Deus que alcança a totalidade de todo o povo. E por isso não pode ser vista como uma concorrência ou privilégio, pois “é sempre uma experiência de escolha do outro”, destacou o bispo. Essa expressão da vontade de Deus de abençoar, proteger e dar paz ao Seu povo requer abandonar as experiências religiosas que diminuem sua “dinâmica e força” empobrecem seu significado. “O Senhor volta ao seu rosto. pessoa abençoada não é a pessoa bem sucedida financeiramente a pessoa abençoada não é a pessoa necessariamente que conquistou suas esperas a pessoa abençoada é aquela que entrou na relação com Deus nosso Pai uma relação com quem nos guarda, uma relação com quem se dirige a nós com compaixão, uma relação que nos garante Paz. Por isso, todo gesto de bênção, ele é solene”, afirmou Dom Zenildo Lima. Jesus é a proposta de Deus A Igreja Universal celebra a 59ª Jornada Mundial da Paz, e Dom Zenildo exortou que a bênção experimentada nas famílias nos dias do Natal precisa envolver cuidado, compaixão e assegurar a paz. E a proposta de Deus para todos é Seu Filho Jesus Cristo, que visita todo o percurso da história, contemplando a todos, sem distinção, e apresentando a grandeza de Deus manifestada na aparente fragilidade e pequenez do Menino no Presépio. Por isso, recordou o bispo, o Papa Leão tem insistido que se volte olhar para as coisas pequenas e frágeis. Para que ao contemplá-las, seja possível pensar as escolhas, modelos e interesses que devem ser assumidos por cada um no ano que se inicia. Isto envolve experimentar o cuidado e a compaixão pelos que vivem em situação de rua, migrantes, pelos jovens perseguidos e todos que interpelam “uma relação de cuidado” que lhes garanta paz. “A paz que tanto nós queremos. A paz que tanto nós almejamos. A paz que nós rezamos. Não é um horizonte que está distante de nós. Esta paz que nós vivenciamos, a experimentamos à medida em que a gente é capaz de sustentar, de assegurar, de vivenciar relações que são assim, que são marcadas por esta capacidade de cuidado, que são envolvidas nessas dinâmicas de compaixão, que asseguram, que asseguram de tal modo a vivência entre as pessoas que se garanta para todos a paz”, acrescentou o bispo. Não alimentar a inimizade Por fim, Dom Zenildo Lima desejou que todos sintam o olhar de Deus que abraça, envolve e propõem relações de compaixão que distanciam mágoas, rancores e desejos de vingança para construir relações de paz. Ele destacou o aumento da violência contra jovens e, especialmente, o número alarmante de feminicídios, apontando como inaceitável o último caso ocorrido no país. Além disso, rememorou o pedido do Cardeal Leonardo Steiner para que não nos vejamos como inimigos, visto que haverá eleições nas esferas estaduais e federais. E que os últimos processos políticos do país têm desviado o olhar do que realmente é necessário para assegurar a dignidade das pessoas.…
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Cardeal Steiner encerra o Ano Jubilar da Esperança: “Sinal de Salvação”

 O cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, presidiu a Celebração de Encerramento do Ano Jubilar da Esperança. A missa, realizada na Catedral Metropolitana de Manaus, às 10h, simultaneamente nas paróquias e áreas missionárias que compõem a arquidiocese, marca o fim das peregrinações jubilares. A conclusão neste domingo, 28 de dezembro de 2025, segue a Bula de Proclamação do Jubileu Spes non confudit do Papa Francisco. O encerramento do ano santo coincidiu com a festa da Sagrada Família de Nazaré, reunido grande número de fiéis. Em sua homilia, o cardeal Leonardo Steiner destacou que o Menino frágil apresentado no presépio de Belém encontrou abrigo em uma família. O cardeal enfatizou que no dia da família que se “tornou sinal de salvação, de redenção” foi concluído o ano santo da redenção, e este é um sinal de que Deus vela e cuida da família. “No dia em que celebramos a Sagrada Família de Jesus, Maria e José, percebemos uma família pobre, humilde, E por causa da violência e da crueldade dos poderosos, deve deixar a casa, que não era casa, e buscar a casa num país estranho. Aliás, como tantas famílias pobres de ontem e de hoje que buscam um lugar fora da própria terra. O Evangelho é nos dizer que a família não estava sozinha na luta. Deus acompanhava. protegia, animava, guiava, salvava.”, explicou o arcebispo. Família de Nazaré: modelo para nossas famílias  O cardeal explicou que a família de Nazaré carrega elementos de união, solidariedade, fraternidade acolhimento que os ajudam a enfrentar juntos “os perigos, as incomodidades, as incertezas, as crises, até mesmo o exílio”. Esse cuidado mútuo, especialmente “do mais frágil, do mais pequenino, Deus em nossa humanidade e fragilidade” demostra a vivência do amor verdadeiro que supera os egoísmos.  Por isso a família de Nazaré, como lugar de salvação, convida ao acolhimento e perdão entre as famílias, mas também a família arquidiocesana.  “O cuidado mútuo, a entrega, torna-se fundamento de uma relação madura, sólida, suave, carinhosa e esperançosa. Uma vida madura, sólida e cheia de sabedoria, porque iluminada por Deus sabemos por onde andar como família. E por ser salvífico, é lugar de reconciliação que nasce da esperança e da certeza de um amor, que somos amados e recebemos a graça de podermos amar”, destacou o cardeal. A Sagrada Família revelou a boa notícia de que o Deus Salvador está no meio de nós. E ao concluir-se o ano santo da redenção nesta festa, é confirmado o amor salvífico de Deus pela humanidade. Assim, na simplicidade das relações, “Deus habita entre nós e habita na nossa família”, tornando-a um espaço de encontro que impulsiona e revigora gestos e palavras do cotidiano de cada pessoa em sua família. Reconduzidos pelo amor Ao comentar as leituras do dia, Steiner recordou que as palavras da Carta aos Colossenses apontam que “somos amados por Deus, somos seus eleitos, pois fomos salvos”. E por isso, há a necessidade de “revestir-nos de misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, sendo suporte uns para com os outros”. Nessa dinâmica de “amarmos uns aos outros” se revela o desafio da vida em família, mas é onde se torna possível desenvolver a nossa humanidade. “Então, como não admirar os conselhos de Paulo para com a sacralidade da nossa família, vemos como amor é possível, a convivência, o cuidado, o perdão, a familiaridade, a gratidão. O amor. Pois é no amor que somos todos reconduzidos para uma fonte integradora e harmoniosa e transformadora das nossas relações. No amor a superação é possível, pois reconduz sempre ao amor do amor”, disse Steiner. Quanto a leitura de Eclesiástico, o arcebispo frisou a necessidade de oferecer o devido valor aos pais, posto que somos “descendência dessa paternidade e maternidade”. De maneira que sejam cuidados não apenas na materialidade, mas sobretudo na oferta de amor, mesmo quando já perdem lucidez. Ele sublinhou que o amor “ao pai e à mãe não é esquecida por Deus”, pois eles “são instrumentos de Deus, são fonte de vida”. Rememorar a Salvação Ao final de sua reflexão, o cardeal Leonardo Steiner ressaltou que a Salvação, oferecida pela morte e ressurreição de Jesus, nos tornou uma “grande família, a igreja, o Reino de Deus”. Dessa forma, dentro do ano jubilar vivenciado em todas as igrejas particulares do mundo inteiro “entramos em comunhão de fé, esperança e amor”. Esse horizonte de esperança, experimentado pelas comunidades, ajuda na compressão do pertencimento de todos ao mistério do amor de Deus, e convida manter-nos na esperança, na fraternidade e possibilite superar a violência. “Jesus, Maria e José, em vós contemplamos o esplendor do verdadeiro amor. Confiantes a vós nos consagramos. Sagrada Família de Nazaré, tornai também as nossas famílias lugar de comunhão, de afeto, de perdão, escola do Evangelho, pequenas igrejas. Sagrada Família de Nazaré, que nunca mais haja nas nossas famílias violência, fechamento, divisão. E quem tiver sido ferido, escandalizado, seja consolado e curado. Sagrada Família de Nazaré, fazei que todos nos tornemos conscientes do sagrado e inviolável amor da família. a beleza do projeto de Deus. Jesus Maria José, ouvi-nos e acolhei-nos. Amém.”, finalizou o cardeal.

Cardeal Steiner: “Nesta noite somos envolvidos por um Deus menino”

“Somos então, queridos irmãos e irmãs, nesta noite envolvidos por um Deus menino, um Deus criança, um Deus humanado, audível, visível, Deus pobreza, Deus leveza, Deus candura, Deus infância”, afirmou o Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, Arcebispo de Metropolitano de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, na noite de 24 de dezembro de 2025, durante a Missa do Natal do Senhor, na Catedral Metropolitana de Manaus, às 18h. A celebração foi concelebrada por Dom Derek Byrne, bispo emérito da Diocese de Primavera do Leste. Um recém-nascido é o sinal O cardeal iniciou sua homilia recordando que no quarto domingo do Advento o profeta Isaías indicava pedir ao Senhor que fizesse “ver um sinal que provenha da profundeza da terra, que venha das alturas do céu”.  Em seguida, destacou que o Evangelho da noite do dia 24 responde ao sinal pedido, através do anúncio do anjo: “Isto vos servirá de sinal. Encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura”. Ele explicou que o sinal “que é esperado pelas gerações, o rogado pelas descendências de Abraão, Isaac e Jacó” é um recém-nascido. “Finalmente o implorado por séculos nasceu. E eis que chegou Emmanuel, o Deus conosco. Nasceu para nós o Salvador, o Cristo, o Senhor. Numa das homilias de Natal, Santo Agostinho pergunta: ‘a que Deus adorais? Um Deus que nasceu?’ Sim, adoramos o Deus nascido na nossa carne, na nossa fragilidade humana. Sim, queridos irmãos e irmãs, adoramos um Deus que nasceu, que veio à luz. Nos enche de admiração e gratidão o anúncio do anjo”, enfatizou o arcebispo. O anúncio da grande alegria para todos os povos é o nascimento de um Salvador na cidade de Davi. Esse nascimento foge a lógica esperada pois, segundo o cardeal, o “sinal que nos foi oferecido e foi oferecido aos pastores é um sinal pequeno, delicado, frágil, apenas um recém-nascido” e não um “sinal da grandeza, do poder, da majestade, do triunfo, das imposições”. Por isso, “o sinal de Belém é apenas um menino, um recém-nascido, frágil, necessitado, pobre, envolvido em panos, deitado no comedouro de animais” é quase decepcionante. “Como pode o libertador, o salvador, o Deus conosco estar nesses sinais da desventura, do desalojamento, na periferia, na fragilidade, na quase desumanidade? Não era o esperado salvador, o forte, o guerreiro, o lutador? E eis que o anjo anuncia um necessitado de cuidados: ser amamentado, ser carregado, ser velado, nascido fora da cidade”, refletiu o arcebispo. Seu amor concreto toca a fraqueza humana Em sua reflexão o arcebispo conduziu os presentes pelo texto bíblico onde os pastores são tomados pelo medo, mas mesmo com temor creram nos sinais anunciados. E ao crerem foram em busca e encontraram o sinal: o recém-nascido. Ele sublinhou que encontrar “Deus na pequenez, Deus na nossa humanidade e fragilidade” revela a concretude do amor de Deus que toca a nossa humanidade, isto é, o “Deus deu-se a si mesmo”, o “recém-nascido Salvador, que é Jesus, o nascido em Belém”.   “Ouvimos o profeta dizer, um filho nos foi dado. Deus se tornou filho nosso. na pobre manjedoura de um lúgubre estábulo, precisamente ali, Deus, porque veio ele à luz durante a noite, sem um alojamento digno na pobreza, enjeitado quando merecia nascer como maior rei, no meio do linho e dos palácios? Por quê? Para nos fazer compreender até onde chega o seu amor por nós”, explicou o presidente. Essa perspectiva do encontro do “Filho de Deus que nasceu descartado” com as nossas vulnerabilidades implica que “todo descartado, descartada é filha, é filho de Deus”. E dessa maneira, reconhecer a filiação de Deus para todos permite acolher “com ternura nossas próprias fraquezas”, disse o cardeal. E assim, compreender que “como em Belém, também conosco, Deus gosta de fazer grandes coisas através das nossas pobrezas e fraquezas, a santidade”. “Colocou toda a nossa salvação na manjedoura de um estábulo, sem temer as nossas pobrezas. Deixemos que a sua misericórdia transforme a nossa vida, dizia Papa Francisco numa de suas homilias da vigília do Natal”, explicou Steiner.  Anunciado aos últimos O arcebispo prosseguiu dizendo que o Deus nascido torna-se “visível, palpável, audível” aos pastores “que viviam na distância, distanciados, viviam sem casa, sem teto”. E estes foram os primeiros a receber o anúncio e encontrar o menino Deus. Suas condições de vida os impediam de cumprir com prescrições religiosas, tornando-os impuros. No entanto, é a eles que “Deus pequeno” é anunciado”, explicou o cardeal. “Então não temamos o nosso Deus. Quanta alegria não devem ter experimentado esses homens e essas mulheres ao verem Deus tão próximo, tão pequeno, para ser acolhido. O anúncio dos anjos nesta noite, queridos irmãos e irmãs, nos consola e fortalece. Não tenhais medo. Sim, eu vos anuncio uma grande alegria para todo o povo nasceu o Salvador, mas a glória, glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens que ele ama. Todos nós em Jesus fomos amados, amadas”, enfatizou Steiner. Ele explica que, como os pastores naquela noite, “nós glorificamos a Deus por ter se feito um de nós, indicar o caminho da nossa finitude, o caminho da salvação”. E nesse horizonte somos convidados a não “termos medo das nossas fraquezas, da nossa finitude, das nossas limitações”. Isto porque a comunicação que o “Deus pequeno, Deus criança” traz é de que Ele está conosco e nasceu para nós. Não temer nossas fraquezas “Por que termos medo do menino que está sendo velado por animais? Por que ter medo se apenas uma criança envolta em panos deitado numa manjedoura é sinal da paz, da fraternidade? Por que medo se apenas um recém-nascido é cuidado por um pai e uma mãe na desventura do desalojamento? Talvez medo porque que Deus pudesse ser visto pego pelos braços no colo de Maria José? Quando antes na história poderíamos pensar que Deus haveria de ter o nosso corpo, assumir a nossa fraqueza?”, questionou o presidente. As respostas para essas perguntas são assimiladas ao contemplar…
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Cardeal Steiner: Advento, “o nascer de Deus em nossa humanidade”

O Cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, presidiu a Celebração do 3° Domingo do Advento na Catedral Metropolitana de Manaus na manhã de 14 de dezembro de 2025. Ele recordou aos presentes que “estamos a caminho de Belém”. Nesse percurso, a liturgia traz o anúncio de diversas manifestações de Deus e que o Advento é a “espera do Filho do Homem o nascer de Deus em nossa humanidade”. Em sua homilia, o cardeal explicou que o 3° Domingo é chamado de Domingo da Alegria, por ser uma “espécie de antecipação litúrgica para podermos celebrar a alegria do Natal”. Em continuidade, recordou o Evangelho do domingo passado, onde “víamos João Batista às margens do Jordão” e hoje o Evangelho anuncia que ele está na prisão e em dúvidas e manda perguntar: “és tu aquele que há de vir ou devemos esperar por um outro?”. “João, o preparador, o anunciador, o aplanador das colinas, o endireitador dos caminhos, não sabe mais. Anunciava e agora já não sabe mais. Ele havia tocado, havia batizado seu Senhor e agora na quase ignorância do saber. Havia dito que não sou digno nem mesmo de carregar suas sandálias, agora já não sabe mais quem ele é”, ilustrou o cardeal. Seria Ele o esperado?  O arcebispo indagou os fiéis presentes a pensar “O que não faz a prisão, queridos irmãos e irmãs? O que pode fazer a solidão?”. Dando seguimento, explicou a perspectiva em que se encontrava João Batista “não mais rodeado pelas multidões, discussões, não mais pregações, nem mesmo o batismo de conversão”. Ele expôs que a solidão de João é um “nada para anunciar, nada para preparar, nada para endireitar” e com ela João se interroga: “é ele ou devemos esperar por um outro?”. “Abandonado, sem o vestido das peles de camelo, sem o cinturão de couro em torno dos rins, sem os gafanhotos e o mel silvestre, se interroga, duvida, espera. E agora no desejo da confirmação de uma presença nova que deve batizar no Espírito. Seria ele o esperado, o desejado das nações, o implorado, o rezado nos séculos o Deus conosco, o Deus da história, o Deus de nossos pais, o Deus de Abrão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó?”, novamente apontando as percepções da dúvida de João Batista.  Em suas palavras o cardeal conduziu os presentes a assumir o questionamento de Batista, “É ele? É ele o nascido em Belém, no quase relento, sem casa, sem lugar, no recolhimento das ovelhas? É Ele? Ele que nascera, Ele cumpridor das escrituras, Ele o esperado, Ele o meu primo, o da minha raça, do meu sangue, da minha parentela, da descendência de Davi. Ele o filho de Maria e José, João não sabe mais”. E outra vez trouxe a passagem do Evangelho “É aquele que devia vir ou devo esperar por um outro?”. O arcebispo prosseguiu com objeção de João “um grande profeta, um grande curador, anunciador”.  E acrescentou “seria demais, impossível que o desejado, implorado, explorado, esperado por tantas gerações fosse justamente ele, o da minha carne, o do meu sangue, da minha parentela, o de Nazaré?”. Isto porque, segundo ele, o precursor se vê “abandonado, solitário, à espera da morte”, e na dúvida envia de seus discípulos a Jesus para questioná-lo. Como resposta, Jesus pede que contem a João o que “os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados”. Feliz aquele que não se separa de Mim Em sua homilia, o cardeal explicou que o que viram e ouviram era “o sinal inconfundível de que era Ele e não o outro”. Em suas palavras “Ele era a vida nova que estava por pulular em todas as partes”, e por isso era “feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim”. Dessa forma, escandalizar assume a compreensão de “não se separa de mim”. Porque, em Jesus, “uma vida nova, pois um reino novo, uma nova convivência. Tudo redimido, tudo transformado”, essas transformações é que tornavam visível a presença de Deus. O arcebispo acentuou que esses sinais não eram os milagres que causam “admiração e estupefação”. E sim “do cuidado e do desvelo de Deus, a aproximação de Deus em dar olhos, em conceder liberdade, em dar corpos limpos”, como explicou o cardeal. A visita de Deus aos pequeninos e necessitados “os enche de vida nova, os renova, os liberta, os coloca de pé, eles caminham com os próprios pés, veem com os próprios olhos, ouvem com os próprios ouvidos, mas todos purificados e limpos”. “É que vivem na purificação não própria. mas na purificação de Deus. Então, não necessitava esperar por o outro. Somente um Deus humanado poderia cuidar assim dos cegos, dos coxos, dos leprosos, dos surdos, dos mortos, dos pobres. Sim, João, sou eu, o da tua parentela, o filho de Maria José que você conheceu. Sou eu, aquele o esperado, implorado, desejado, ansiado por séculos. Sou eu, não precisas esperar por um outro” explicou o cardeal. É a criança de Belém O presidente destacou a beleza do texto apresentado da primeira leitura do Livro do Profeta Isaías “vida nova, parece tudo resplandecer, tudo brilhar, mas cheio de vida e de transformação”. Com a palavras do profeta, refletiu a quantidade daqueles que voltaram para casa curados “Os que o Senhor salvou voltarão para casa. Quantos voltaram para casa curados? Nos textos do Evangelho encontramos”. No retorno iam “a Sião cantando louvores com infinita alegria, brilhando os seus rostos, cheio de gozo e de contentamento, não mais a dor e o pranto. Vida nova, porque presença nova de Deus entre nós”. Essa percepção responde ao questionamento de João a sim mesmo sobre a pessoa de Jesus “Assim era ele, João não precisava esperar por outro”. Hoje, queridos irmãos, queridas irmãs, queridos telespectadores, radiouvintes, Domingo da Alegria. Alegria pré-anunciada pelo profeta, alegre-se a terra que era deserta e intransitável. E não…
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Cardeal Steiner: Advento, tempo “para verificar o nosso desejo de Deus”

No segundo domingo do Advento, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando as palavras da pregação de João Batista no deserto da Judéia: “Convertei-vos, porque o reino dos Céus está próximo.” Ele mostrou que “estamos no tempo de advento, em compasso de espera, estamos na expectativa. Conforme a Palavra de Deus do domingo passado, o Filho do Homem virá! Ele é o Advento. E no anúncio da vinda do Filho do Homem encontrávamos o convite: ficai preparados! O anúncio e o convite da preparação despertaram em nós o desejo de nos encontrarmos com o Filho de Maria e nos colocamos a caminho de Belém”. Memorar a primeira vida e preparar a segunda “Começamos a olhar e a celebrar, mais uma vez, a primeira vinda de Jesus. Ele nossa fonte, nossa raiz, nosso horizonte, raiz da humanidade, sentido de toda a história e de todo o universo. Ao memorarmos a primeira vinda, estamos realizando e preparando a segunda vinda de Jesus”, sublinhou o arcebispo de Manaus. Segundo o cardeal, “o Advento é o tempo que nos é concedido para acolher o Senhor que vem ao nosso encontro, também para verificar o nosso desejo de Deus, para olhar em frente e nos preparar ao regresso de Cristo. Ele voltará a nós na festa do Natal, quando fizermos memória da sua vinda histórica na humildade da condição humana; mas vem dentro de nós todas as vezes que estamos dispostos a recebê-lo, e virá de novo no fim dos tempos para ‘julgar os vivos e os mortos’. Por isso, devemos estar vigilantes e esperar o Senhor com a expetativa de o encontrar”, disse inspirado as palavras de Papa Francisco. “Estamos a caminho de Belém e chegamos ao segundo domingo do Advento. E nesse nosso caminhar ao encontro do Filho de José, aquele que está por vir, no encontramos com João, o filho de Isabel e Zacarias. O encontramos ao lado do rio Jordão com suas roupas de pelos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins. Ele, que se alimenta de gafanhotos e mel do campo. Nos impressiona esse homem com suas vestes e alimento rude e com seu semblante quase suave. Vemos o vir e ir de pessoas: moradores de Jerusalém, de toda a Judéia e de outros lugares”, disse o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1).  “As suas palavras são cheias de força e vigor”, disse citando o texto:“Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo.” O cardeal mostrou que “a sua voz penetrante como um olhar, diz da preparação, da expectativa, da esperança; o seu olhar penitente e iluminador, anunciam um novo Reino. As pessoas ao sorvem as suas palavras, confessam a fraqueza e de deixam purificar nas águas do Jordão”. Preparação e conversão Segundo o arcebispo de Manaus, “o nosso encontro com o Batista fala da preparação, conversão, indicando novos rumos, novos caminhos, novos empenhos; purificação, remissão, libertação, novo encontro.” Ele recordou que “já estamos prontos para partir quando ele olhando para nós proclama”, citando de novo as palavras do Evangelho: “Eu batizo com água para a conversão, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu nem sou digno de carregar as suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo.” Nesse sentido, ele enfatizou que “partimos meditando a Palavra que nas palavras, nos gestos e na figura do Batista, mais decididamente nos anima a subir até Belém”. “O caminho, no nosso caminhar, enquanto caminhantes, as suas palavras continuam a ressoar em nosso coração”, disse citando o texto bíblico:“Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo.” “Conversão porque o Reino dos céus está próximo. O Reino do céu está próximo… está se aproximando; está na proximidade. E se Ele está próximo, porque se aproximou, vivemos sempre próximos a Ele, vivemos d’Ele, nos movemos n’Ele, respiramos a Ele, nós nos direcionamos por Ele no caminho a Belém. Sim, Ele está próximo: Ele o senhor menino, Ele senhor fragilidade, Ele senhor da história humanado. Ele é o Reino que está próximo logo ali em Belém, logo aqui, em mim, Belém; logo ali no desejo de tocar a Deus não diferente de mim. Logo aqui, em mim tão diferente de mim. Esse reino, esse reinado, essa realidade, essa verdade, esse toque de proximidade”, refletiu o cardeal. Veredas que conduzem até Belém Segundo ele, “no caminhar as palavras se tornam vivas, inquietam, alegram, satisfazem, despertam e até apressam nossos passos. E nos lembramos das palavras de Isaías: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas’. Sim preparai o caminho, endireitai as veredas. Os caminhos, as veredas, como as veredas do sertão, como o sertão veredas. Caminhos não trilhados, caminhos não pisados, caminhos não feitos; são os por trilhar, os por pisar, os que estão em preparação, são as veredas que nos conduzem diretamente, acertadamente, certeiramente até Belém”. “O seguidor, a seguidora de Jesus, é aquele, aquela que, ‘através da sua proximidade ao irmão, como João Batista abre caminhos no deserto, isto é, indica perspectivas de esperança até em contextos existenciais impenetráveis, marcados pela falência e pela derrota. Não nos podemos render diante das situações negativas de fechamento e rejeição; não nos devemos deixar submeter pela mentalidade do mundo, porque o centro da nossa vida é Jesus com a sua palavra de luz, amor e consolação. É Ele! O Batista exortava com força, vigor e severidade as pessoas do seu tempo à conversão. Contudo, sabia ouvir e realizar gestos de ternura, gestos de perdão para com a multidão de homens e mulheres que iam ter com ele para confessar os próprios pecados e para receber o batismo de penitência’”, disse citando Papa Francisco. Anunciação da proximidade “Em preparando os caminhos, em buscando Belém, ouvimos a voz do profeta”, disse o cardeal, citando o texto bíblico: “A terra estará tão repleta do saber do Senhor quanto as águas que cobrem o mar” (Is 11,9). Segundo ele, “a proximidade do…
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Arquidiocese de Manaus inicia Assembleia Sinodal da Juventude

Na noite de ontem (5), o Cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus e Presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), presidiu a missa de abertura da Assembleia Sinodal da Juventude, na Catedral Metropolitana de Manaus, às 18h. A celebração marca o caminho de conclusão do Sínodo da Juventude. Nos dias 6 a 8 de dezembro, os Jovens e Adultos Sinodais construirão caminhos pastorais para as Juventudes de todo território arquidiocesano. Durante sua homilia, o Arcebispo de Manaus recordou que o texto do Evangelho nos convida a “um abrir olhos. Sempre um abrir olhos”. Nela o cardeal explicou que “nem sempre nossos olhos atinam para a verdade pela qual poderíamos ser atingidos”. E que o caminho percorrido com o Sínodo da Juventude foi “como que um pedir para abrir olhos”. Olhos sensíveis ao Anúncio do Evangelho Segundo o cardeal, o elo entre o texto evangélico e o Sínodo reflete o desejo da Igreja de Manaus de que os jovens “pudessem falar, os jovens pudessem dizer”. Mas que com ele, os jovens possam também “ver e participar da vida da igreja, da vida eclesial, do reino de Deus, do anúncio do Evangelho. Então a súplica do texto do evangelho de hoje é o desejo de ver”. Ele recorda que a forma como os cegos dos olhos veem no texto, reforça a sensibilidade alcançada por aqueles que sentem a necessidade de “ver”. “Veem pela escuta, pelo timbre da voz, pelas expressões, pelos adjetivos, pela sonoridade agressiva ou acalentadora, veem, mas vem também pelo tato. E apalpando, tocando, veem. Todos veem”, destacou o arcebispo. Essa busca dos cegos pela visão revela a “grandeza e a beleza de podermos viver na dignidade de filhos e filhas de Deus”. E é justamente o que dá alento, coragem e matura as experiências humanas, pois o Evangelho dá sentido à vida. O arcebispo também destacou que o texto apresenta a perspectiva comunitária, onde os dois cegos viram juntos, estabelecendo uma ligação com processo sinodal que carrega as expressões comunitárias de fé dos jovens. “Eram dois. É como se disséssemos, nós vemos mesmo quando vemos juntos. Quando nossos olhos se abrem e juntos vemos. Porque um diz, veja que bonito, e o outro diz, olha mais isso, e veja mais isso, e veja mais aquilo. E nós vamos tendo essa beleza de um mosaico dos veres. Na nossa Assembleia Sinodal, nós não viemos individualmente”, explicou. A concretude dos novos caminhos A dinâmica escolhida para a Assembleia buscará ajudar os jovens a apontar caminhos concretos de como ser jovens na Igreja de Manaus. O “ver” apresentado pelo Evangelho convida a desenvolver uma receptividade construtora de participação autêntica, engajada e comprometida. E, nas palavras do cardeal, “podermos ir trabalhando juntos, servindo juntos, rezando juntos, cantando juntos, dançando juntos. porque somos uma igreja, somos a visibilização do reino de Deus.” E nesse sentido, a clareza de que o processo se constrói de forma comunitária permite que a pergunta de Jesus floresça: “Vós acreditais que eu posso fazer isso?”. E a resposta a essa pergunta é um chamado aos jovens para que apresentem caminhos e propostas para que a igreja possa, como citou o Dom Leonardo, “ir ao encontro de todos”, até os que não participam da vida da igreja. E assim, ver e comunicar a beleza, a profundidade e a verdade extraordinária do Evangelho. “Sim, na medida de crermos que nós, como jovens, somos capazes de responder à beleza do Evangelho. Sim, à medida da fé, à medida de crermos, fomos todos batizados, na medida em que cremos que somos capazes, porque recebemos a filiação divina. Não somos qualquer um, somos todos filhos e filhas de Deus. E como filhos e filhas de Deus, nós dizemos, eu quero ver. Ver sempre mais.”, refletiu o arcebispo. Ao final, o cardeal Steiner reforçou que todos merecem viver e experimentar a beleza do Evangelho. E para isso convidou os presentes a pedirem “Nossa Senhora Imaculada Conceição nos ajude nesses dias”. Principalmente “nós que preparamos os nossos corações para a grande Solenidade da Imaculada Conceição, que nos coloquemos a caminho com os nossos jovens”. Fotos: Arquidiocese de Manaus

Cardeal Steiner: “Não sabemos a hora em que Ele virá, mas gostaríamos de ficar preparados!”

No Primeiro Domingo do Advento, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando que “ingressamos no tempo da vinda do Filho do Homem! Iniciamos o tempo do Advento.” O purpurado disse, se referindo ao tempo que se inicia, que “ele contém duas realidades que nos atraem e despertam: primeiro lugar, vinda do Filho de Deus que manifestou visivelmente na carne, a sua presença, esperada e desejada pelos Patriarcas, a vinda que nos trouxe a salvação. Essa vinda nos faz esperar a manifestação de Jesus na sua glória, o dia do Juízo, quando ele se manifestar no fim dos tempos”, inspirado no  Sermão para o Advento do Senhor de Santo Aelredo de Rievaulx. O filho do homem virá! “Iniciamos o tempo da espera, da expectativa, do nascer da criança de Belém. O tempo que nos é dado como caminho da admiração pelas manifestações de Deus em nossa humanidade. Entramos, novamente, em compasso de espera.” Ele recordou que “a Palavra de Deus a nos anuncia: ‘o Filho do Homem virá’! Ele está por vir, Ele é um Advento. Espera e expectativa; não sabemos a hora em que Ele virá, mas gostaríamos de ficar preparados!” Citando o texto bíblico: “Ficai preparados” e “na hora em que menos pensais”, o arcebispo de Manaus refletiu: “o Filho do Homem virá, porque é um por-vir; é sempre um vir ao encontro. O Senhor veio e se tornou a presença inefável na nossa humanidade e fragilidade. A crença de que o Senhor já chegou, já nos visitou, chegou e fez sua morada em nosso meio, nos dá a disposição de continuarmos nos expondo a esse Senhor que deseja nos visitar mais uma vez. A liturgia celebra a essa visita, visibiliza essa visita. E para que ela possa se tornar audível e visível nós entramos em preparação, exercitamos os nossos olhos, para ver Aquele que nossos olhos não poderiam ver”. Ficai preparados! Segundo o presidente do Regional Norte 1: “Ficai preparados! É o convite do Evangelho deste primeiro domingo do Advento. Estar preparados, permanecer vigilantes, pois pode acontecer que Ele venha, nasça e nós não o vejamos, permanecemos cegos.”  Ele recordou as palavras de Santo Agostinho: “tenho medo que Jesus passe sem me dar conta” (Sermão, 88, 14, 13). Daí que “o Evangelho a nos dizer da necessidade da preparação, da atenção para vermos uma nova presença de Deus em Belém. Às vezes arrastados pelos nossos interesses meramente pessoais, às vezes distraídos por tantas coisas insignificantes, corremos o risco de perder o essencial. Por isso, hoje, o Senhor repete “estai preparados” (Mt 24, 44). Como se dissesse: vigiai, estai atentos, ficar preparados, desejo visitar-vos!” “Vigiar, preparar, é esperar! Estar em vigília! Viver na esperança da vinda transformativa de Deus em nossa humanidade! Como antes de nascer fomos esperados por quem nos amava, assim agora somos esperados pelo Amor que está por nascer em nossa humanidade. Tudo passa, só o amor que nos busca e deseja revelar-se em Belém, não passa. Preparemo-nos!”, disse o arcebispo. Oração para ficar vigilantes Diante disso, o arcebispo questionou: “E como podemos estar preparados, vigilantes?” Sua resposta foi: “Com a oração. Rezar é acender uma luz na noite. A oração desperta da frieza duma vida superficial, ergue o olhar para o alto: um encontro com Deus. A oração permite estarmos na proximidade de Deus; por isso liberta da solidão e devolve esperança. A oração oxigena a vida: tal como não se pode viver sem respirar, assim também não podemos viver sem rezar. Perdemos um pouco o sentido da oração, da adoração: permanecer em silêncio diante do Senhor, adorando, reverenciando, auscultando! A oração nos deixa vigilantes e conduz até Belém. Como estar preparados vigilantes? Com a vigilância da caridade que é amor em movimento. Para não cair no sono da indiferença e estarmos na preparação, estar na vigilância do amor, da caridade. A caridade é o coração pulsante do discípulo, da discipula de Jesus. Como não se pode viver sem a pulsação, assim também não se pode ser cristão sem caridade. Sentir compaixão, ajudar, cuidar, aproximar-se, servir! Tudo e apenas no amor. É com as obras de misericórdia que nos aproximamos do Senhor”, inspirado nas palavras de Papa Francisco. Ele recordou que “São Francisco de Assis desejo de ver o nascer de Deus em Belém, reuniu o povo do vilarejo de Greccio e encenou o nascimento de Deus. Ele desejava ver Aquele que nossos olhos não podem ver: a encarnação de Deus, a aproximação de Deus, a singeleza de Deus, o Deus criança.  Ele compreendeu o que o Evangelho nos dizia com “ficai preparados, na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá”. O Filho do Homem, aquele no colo e nos braços de Maria lhe deu uma alegria incontida, uma admiração poética. Ele compreendeu que a vinda, o nascer de Deus não era coisa do passado, da história, mas encontro cada vez renovado, porque o Filho do Homem era a sua vida. Por isso, ficar preparado era estar todo, por inteiro, à disposição do Filho do Homem. Para ele não existia aquela hora, a melhor hora, a hora decisiva, a hora que não sabemos, o desespero daquela hora. Não saber a hora, é a cada hora, em todas as horas, para além das horas, para quem das horas, meditando, admirando, vivendo, o Deus que se fez Filho do Homem”. A caminho de Belém “Nesse Advento, nos colocamos a caminho de Belém. Uma caminhada de quatro semanas para percorremos com o Povo de Israel os séculos da espera, de súplica, da esperança. É caminhar com Ele, o Deus conosco. Estaremos a caminho de Belém como nesses séculos os homens e a mulheres na confiança da vinda do Salvador. Por isso, o Advento desperta hoje, como no passado, a súplica: ‘Vem Senhor Jesus!’”, disse o cardeal Steiner. Segundo o arcebispo, “a primeira leitura nos serve de alento”, citando o texto bíblico: “Vamos subir ao…
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A Igreja de Manaus ordena 10 diáconos permanentes para assumirem “um serviço de amor”

A Igreja de Manaus viveu na manhã deste sábado, 29 de novembro de 2025, um momento importante, expressão da ministerialidade da Igreja. A ordenação de 10 diáconos permanentes pelas mãos do arcebispo, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, congregou na catedral metropolitana uma boa representação da Igreja local: bispos auxiliares, presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, leigos e leigas, mas especialmente familiares e amigos dos novos diáconos. Um ministério marcado pelo serviço Adailton Miquiles Bechimol, Antônio Mário Ribeiro de Arruda, Jonatas Bentes Picanço, Luzivaldo Nascimento Junior, Magno Fonseca Motta, Maurício Borborena de Medeiros, Osvaldo Tércio Colares de Santana, Raimundo Alves Prestes, Roberto Dantas Prado e Roosevelt Alves dos Santos assumiram um ministério marcado pelo serviço, “um serviço de amor”, segundo o presidente da celebração. Em sua homilia, o arcebispo destacou a importância da diversidade de ministérios, de na sincronia manifestar o desejo de seguir Jesus. Ele recordou a resposta do Salmo lido na celebração: “Ó Senhor, vossas palavras são espírito e vida!”. A partir daí, o cardeal Steiner destacou a missão daqueles que iriam ser ordenados como “anunciadores de Espírito e Vida, porque anunciarão a Palavra, Palavras que concedem vida e novo Espírito, Palavras que são Espírito”. Amor sem limites Uma presença do Espírito que aparece nas palavras do Evangelho, mostrando que “o amor desperta espírito e vida, o amor é espírito e vida, o amor renova o Espírito e concede vida.” Um amor que, seguindo o modo de Jesus é “sem limites, sem porque, sem para que, sem condição, sem condições, sem condicionalmente, livre, libertador, doador, admirador”. “Um amor que encontra, desperta, ilumina”, prosseguiu o cardeal. Ele enfatizou que “fomos e somos escolhidos, prediletos no amor, seja na vida familiar, seja na vida vocacional, é sempre o amor que nos escolhe.” Isso porque “o amor encontra, elege, envia”, e faz isso “para produzir os frutos”, dado que “o amor é frutífero, o amor é abundante”, refletiu o presidente da celebração. Um chamado a serviço do amor O cardeal Steiner recordou aos que iam ser ordenados diáconos que “na Igreja os serviços, os ministérios, as vocações nascem da amorosidade do Espírito Santo.” Junto com isso, ele enfatizou que “o diaconado é uma vocação, um chamado a serviço do amor”, e recordou que o Concílio Vaticano II afirma que os diáconos “servem o Povo de Deus no ministério da Liturgia, da Palavra e da caridade. O arcebispo recordou o chamado de Papa Francisco aos diáconos de Roma a “abaixar-nos, porque Jesus abaixou-se, fez-se servo de todos”. Um chamado a servir aos mais necessitados. Nesse sentido, o arcebispo de Manaus recordou o ensinamento de Papa Leão XIV em Dilexit te: “A condição dos pobres representa um grito que, na história da humanidade, interpela constantemente a nossa vida, as nossas sociedades, os sistemas políticos e económicos e, sobretudo a Igreja. No rosto ferido dos pobres encontramos impresso o sofrimento dos inocentes e, portanto, o próprio sofrimento de Cristo.” Palavras que levaram o cardeal Steiner a pedir aos novos diáconos que “saibam avistar os pobres e distantes”. Sinal de esperança O arcebispo convidou a cada um dos 10 que seriam ordenados a “ser um diácono catequista e profeta, ser um diácono sentinela, que sabe ver e ajudar os outros a ver sempre para além e ver os pobres que estão longe.” No Ano Santo da Esperança, ele lhes convidou a ser expressão da esperança, sinal da esperança. Como Igreja de Manaus, o cardeal Steiner manifestou a gratidão pela ordenação e poder “enviá-los como Palavras de Espírito e Vida”. Uma gratidão que estendeu àqueles que lhes acompanharam no processo formativo e aos familiares e comunidades que ajudaram no discernimento vocacional. O cardeal inovou o Espírito Santo e pediu: concedei a esses irmãos a graça, o dom do serviço, a graça do amor. Sejam no agir e pensar compassivos, deitando o óleo nas feridas do corpo e do espírito”, que eles sejam “consoladores, misericordiosos e anunciadores esperançados da vida e do Espírito.” Que os novos diáconos possam “verem os pobres, amem os desprezados, descartados e esquecidos da nossa sociedade”, e junto com isso “sejam anunciadores do Reino da verdade e da graça, da Justiça, do amor e paz”.

Papa Leão XIV ao cardeal Steiner: “Permaneça na direção da Arquidiocese por mais dois anos”

O arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner comunicou ao clero nesta sexta-feira, 28 de novembro de 2025, que Papa Leão XIV lhe pediu “que permaneça na direção da Arquidiocese por mais dois anos”. Código de Direito Canônico: apresentar a renúncia aos 75 anos O Código de Direito Canônico, no número 401, parágrafo 1, afirma: “Roga-se ao Bispo diocesano, que tiver completado setenta e cinco anos de idade, que apresente a renúncia do ofício ao Sumo Pontífice, o qual providenciará depois de examinadas todas as circunstâncias”. No dia 06 de novembro de 2025 o cardeal Steiner completou 75 anos e apresentou ao Santo Padre sua renúncia. Em resposta ao pedido do arcebispo de Manaus, Papa Leão XIV, através da Nunciatura Apostólica no Brasil, comunicou sua decisão diante desse pedido. Continuar serenamente no governo da Igreja de Manaus Em carta assinada pelo Núncio Apostólico, dom Giambattista Diquattro, com data de 17 de novembro de 2025, lida na reunião do clero, foi comunicado que “o Santo Padre Leão XIV, na Audiência realizada em 15 de novembro de 2025, aceitou a renúncia de Vossa Eminência ao governo pastoral da Arquidiocese de Manaus, e ao mesmo tempo roga a Vossa Eminência que permaneça na direção da Arquidiocese por mais dois anos”. O Núncio Apostólico disse que a decisão Pontifícia “deverá ser comunicada ao clero e aos fiéis da Arquidiocese”. O texto recolhe igualmente que “o Santo Padre Leão XIV pede a Vossa Eminência a generosidade de continuar serenamente no governo da Igreja de Manaus”.

Cardeal Steiner: “A Cruz é a expressão máxima de uma vida feita amor e entrega”

Na Solenidade de Cristo, Rei do Universo, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), cardeal Leonardo Steiner, iniciou sua homilia recordando que “concluímos, hoje o Ano Litúrgico. Na conclusão a liturgia de hoje celebra a Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo. As leituras no despertam para o sentido da Solenidade de hoje”. Unção de Davi NaPrimeira Leitura, ele destacou que “Davi é ungido rei das tribos de Israel (2Sm 5,1-3).O seu reino tornou-se símbolo do reino de paz, de justiça, de liberdade que um dia Deus teria instaurado na terra. E vemos como os Profetas prometeram a chegada de um descendente de Davi, que iria realizar esse sonho, a realização das promessas de um reino livre e libertador. O povo de Israel esperou durante muitos séculos a realização do reino estável e duradouro. Especialmente no tempo de Jesus em que o povo estava dominado pelos romanos, estavam sob o jugo do estrangeiro, esperavam um salvador, um libertador. Um povo que havia recebido a terra prometida, havia conquistado um reino de justiça e liberdade com Davi, agora sob a dominação de estrangeiros. Conhecemos como muitos reis foram traidores da Aliança e levaram o povo à escravidão. Descuidaram, não pastorearam devidamente a promessa, a Aliança de Deus para com os patriarcas, Abraão Isaac, Jacó e sua descendência”. Já na segunda leitura, o cardeal disse que “a Carta de São Paulo aos Colossenses, a nos ensinar porque Jesus se tornou rei, o centro, a possibilidade de realização do existir na nossa humanidade”. Ele citou o texto bíblico: “Ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu Filho amado, porque temos a redenção, o perdão dos pecados. (…) Ele o primogênito de toda a criatura, pois por causa dele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as coisas visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas e todas tem nele a sua consistência. (…) Ele é o Princípio, o Primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo ele tem a primazia, porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz.” (Cl 1,12-20) Segundo o arcebispo de Manaus, “Paulo a nos recordar que Jesus é o centro da história, o fundamento de tudo o que existe. Foi Ele que nos devolveu a graça da filiação divina. Ele que nos salvou, nos ofereceu o perdão dos pecados. Os vivos e os mortos estão referidos a Ele. Ele o início e o fim de todas as coisas. Ele reconciliou todo o universo. E tudo na graça da cruz. Assim, Ele é o rei, pois reina, supera, a divisão, a maldade. O que nos impressiona é que esse rei que a tudo dá sentido e tudo deixa ser, é o Crucificado segundo o Evangelho”. Um Reino de serviço, de amor, de entrega “Na celebração de Cristo Rei do universo, o Evangelho a nos dizer que participamos da sua realeza crucificada. Cristo não aparece sentado num trono de ouro, mas pregado numa cruz, com uma coroa de espinhos, com uma inscrição sobre a cabeça: “Jesus Nazareno, rei dos Judeus”. Rodeado de dois homens que seriam ladrões, insultado, escarnecido pelos soldados. Nada poder, autoridade, realeza terrena. Jesus na cruz, apresenta um Reino de serviço, de amor, de entrega, de dom da vida; um reino de reconciliação”, ressaltou o presidente do Regional Norte 1 da CNBB. O cardeal Steiner mostrou que “nas palavras dos zombadores, vem a palavra de que Jesus é que salva, ele é o Salvador. A recordação da salvação vem como ironia, agressão para que ele salve a si mesmo. E Jesus não salva a si mesmo, morre crucificado, para salvar a todos. E na dor, no sofrimento, na passagem da morte salva toda a humanidade; nele somos salvos e libertos”. “Reino do amor, da vida veio visibilizado no pedido do homem que como ele está no infortúnio. No suplício da cruz, o bom ladrão reconhece a salvação que é Jesus, o seu reinado”, destacou o arcebispo de Manaus. “Por isso, pede a salvação”, disse ele, citando o texto evangélico: “lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado”. Diante disso, “Jesus o acolhe”, disse, recordando as palavras de Jesus: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso“. Segundo ele, “a cruz é o Trono, em que se manifesta plenamente a salvação, a realeza de Jesus. Na cruz acontece a reconciliação, o perdão e a vida plena para todos. A Cruz é a expressão máxima de uma vida feita amor e entrega”. Inaugurar o Reino de Deus “A missão de Jesus foi anunciar e inaugurar o Reino de Deus, a salvação. Missão da Igreja, a nossa missão de discípulos missionários, de discípulas missionárias é continuar o anúncio do Reino de Deus e convocar a todos homens e todas as mulheres para construir aqui na terra, esse Reino da benevolência, do consolo, da misericórdia, do acolhimento, da bondade, da fraternidade universal, da salvação”, refletiu o cardeal Steiner. Ele recordou as palavras do Prefácio da solenidade de hoje, “Reino, eterno e universal, é o Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz”. Isso porque “esse é o Reino anunciado por Jesus, e plenificado na cruz, na sua morte e ressurreição”. “Ao nos ensinar a oração do Pai Nosso Jesus nos disse para pedirmos que seu reino venha”, disse, recordando as palavras da oração dos cristãos: “venha nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terá como no céu”. “Venha a nós o vosso Reino!” Nisso ele vê “Jesus a nos convidar a fazer parte desse Reino e a trabalhar para que esse Reino chegue ao coração de todos. Todos possam participar desse…
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