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Atualização Teológica do Clero de Manaus: “Abordagem da Cristologia numa linguagem amazônica”

O clero da arquidiocese de Manaus realiza de 06 a 08 de agosto de 2025 seu encontro anual de atualização teológica, com a presença de mais de 70 participantes entre bispos, presbíteros, diáconos e seminaristas. O padre André Luiz Rodrigues da Silva, do clero da arquidiocese do Rio de Janeiro, doutor em Teologia e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio), é a assessor desse tempo de formação. Ajuda nos processos de evangelização Um momento muito importante, segundo padre Matheus Marques, membro da equipe de coordenação da Pastoral Presbiteral da arquidiocese de Manaus. Ele considera que “para nossa Pastoral Presbiteral é muito importante que, como presbíteros, como diáconos da nossa Igreja de Manaus, nós possamos estar nesses dias atualizando a nossa Teologia, a nossa compreensão da pessoa de Jesus, que nos ajuda nos processos de evangelização.” Ele destacou que “a Teologia que a gente estuda nos ajuda a dinamizar ainda mais nosso processo evangelizador, a nossa pastoral”, motivo que levou a Pastoral Presbiteral a promover esse encontro. Diversos interesses com relação a Jesus Cristo A proposta do assessor é “fazer uma abordagem da Cristologia numa linguagem amazônica.” Para isso, ele “separou em primeiro lugar as fontes dos Evangelhos sobre Jesus Cristo, mostrando que tanto na Cruz quanto no Nascimento de Jesus, a gente tem várias percepções. O Evangelho não fala apenas de uma percepção, mas ele fala da visão cristã, fala da visão judaica e fala da visão pagã sobre Jesus Cristo. Jesus Cristo, ele interessa não apenas aos cristãos, aos católicos, mas Jesus é simbólico. Hoje é interessante para os não cristãos, os judeus, por exemplo, para as religiões orientais e no contexto amazônico a gente quer inspirar esse interesse, como que Jesus Cristo é interessante e ao mesmo tempo o contexto amazônico tem autoridade para falar de Jesus”. Ao longo do encontro, o padre André Luiz Rodrigues da Silva, vai falar sobre o Antigo Testamento e o Novo Testamento, as principais características da Cristologia baseada nas Escrituras.” Com relação ao Antigo Testamento ele disse querer voltar para “a ideia do Paraíso, porque o contexto amazônico tem essa linguagem muito próxima: a Árvore da Vida, o rio que surgia do trono, os quatro rios que vão para todos os lugares da Terra.” Uma realidade que mostra, segundo o doutor em Teologia, “a importância da Amazônia para todo mundo, a Amazônia é um berço de salvação para todo mundo, isso é mais do que constatado aqui, e várias outras linguagens próximas do texto do paraíso, do Éden, que podem ser aplicados à ecoteologia”. Outra temática a ser abordada é a questão moral, “falando sobre a salvação para quem é batizado e para quem não é batizado, como no contexto missionário a gente deve olhar para isso”, disse o assessor, tendo como referência a Redemptoris Missio, de São João Paulo II. A partir daí, “como manter a missão em um contexto amazônico, diante da perspectiva da verdade de fé sobre a salvação universal”, buscando que isso ajude no trabalho pastoral dos participantes. 1700 anos do Concílio de Niceia O Concílio de Niceia, que está completado 1700 anos também faz parte da programação, abordando a dicotomia entre a humanidade e a divindade de Jesus. Ele destaca a questão apresentada em Niceia, o relacionamento entre o Pai e o Filho, mostrando as heresias posteriores, especialmente o arianismo. “Ario acreditava que Jesus fosse apenas uma criatura, um anjo poderoso de Deus, mas uma criatura responsável por toda a Criação, porque Deus não pode tocar a Criação. Deus na sua onipotência, na sua onisciência, Ele não pode se contaminar ao mexer com o barro da Criação”, explicou o professor da PUC Rio. Diante disso, o Concílio de Niceia defende que “Cristo é verdadeiramente Deus, verdadeiramente homem”. Isso hoje nos diz que “Ele não se contamina quando Ele toca o barro, Ele não se contamina quando toca as nossas vidas, quando vem e se aproxima de cada um de nós. Esse Deus Todo-Poderoso, ele permanece o que é na sua divindade, na sua humanidade, sem que veja em nós o motivo de contaminação”, disse o assessor. Ele falou sobre a tentativa de “ver o irmão como a possibilidade de que algum mal vai chegar até nós”. Encarnação como fundamento da Igreja Para a Igreja da Amazônia, que em Santarém 1972 insiste na encarnação como fundamento da Igreja, se faz necessário entender que em Jesus “a humanidade e a divindade se unem. O mistério da encarnação, então, ele é vivido no corpo de Cristo, que é a Igreja. Então a dimensão eclesial, a espiritualidade da encarnação na igreja, ela precisa ser vivida de acordo com Cristo cabeça.” Para isso, o padre André Luiz Rodrigues da Silva defende que “a gente não deve perguntar na Igreja quem é membro superior e membro inferior. A gente não deve se perguntar na “Igreja quem é membro santo e membro impuro. A gente não deve se perguntar na Igreja quem é cabrito, quem é ovelha”. “Se um dia no julgamento, em algum momento da vida isso for importante, as Sagradas Escrituras não disseram que isso dependeria de nós. Mas a gente deve sim abraçar a todos como uma única Igreja. Tanto aqueles que estão dentro da Igreja, quanto aqueles que estão fora da Igreja, vistos como um único corpo em Cristo”, enfatizou o assessor. Ele defende que com todo ser humano, independentemente de sua crença, “existe alguma coisa que nos une. E essa única coisa que nos une é Cristo e a Igreja”, segundo aparece em Dominus Iesus. É por isso que “se ele encontrar um caminho de salvação, esse caminho é único, tanto no corpo de Cristo, que é Cristo, quanto no corpo de Cristo, que é a igreja, porque só há um corpo de Cristo”, concluiu.

Cardeal Steiner: “Toda ganância destrói, separa, divide”

No 18º Domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia lembrando que “não encontrando conciliação com o irmão, um homem busca a Jesus.” Segundo o arcebispo, “diante do litígio dos bens, Jesus recorda: ‘Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens.’” Desabundância de plenitude O cardeal Steiner sublinhou que “pode haver abundância de bens, mas falta de vida, desabundância de plenitude! A equidade, a justiça, o bem, a irmandade não vem de bens, mas do encontro com a abundância da vida. Toda ganância destrói, separa, divide, às vezes leva à morte. A abundância da vida, o bem-querer, a bem, a bondade, a justiça, a equidade, a irmandade, a generosidade, a misericórdia obrativa, concedem a medida que possibilita discernir o que os dois podem receber e depois usufruir. Dividir e ter pouco, mas abundância de vida”. Ao contar a parábola, o cardeal mostrou que “Ele nos propõe um modo de viver que evita a ganância e deixar guiar-se pela abundância da vida. A vida do Homem, a vida de cada um de nós, tem seu valor, tem seu sentido, tem sua grandeza, sua beleza, que provém de outro espaço. Não da abundância dos bens, mas da abundância da vida, da grandeza das relações, dos cuidados, da doação da generosidade, do amor. É da abundância da vida que nasce a realização de nós mesmos e na experiência de seguidoras, seguidores de Jesus. Jesus a vida plena, a abundância da vida, experimentou uma vida de poucos bens e distribuiu a todos os bens do corpo e do espírito aos mais necessitados. Ele era a abundância da vida, do amor!” Apreciar o capital de amor O presidente do Regional Norte 1 recordou as palavras de Santo Agostinho no Sermão 34: “Irmãos, examinai com atenção a vossa morada interior, abri os olhos e apreciai o vosso capital de amor, e depois aumentai a soma que tiverdes encontrado em vós. E guardai esse tesouro, a fim de serdes ricos interiormente. Chamam-se caros os bens que têm um preço elevado, e com razão. […] Mas que coisa há mais cara do que o amor, meus irmãos? Em vossa opinião, que preço tem ele? E como pagá-lo? O preço de uma terra, o preço do trigo, é a prata; o preço de uma pérola é o ouro; mas o preço do amor és tu mesmo. Se queres comprar um campo, uma joia, um animal, procuras em teu redor os fundos necessários para isso. Mas, se desejas possuir o amor, procura apenas em ti mesmo, pois é a ti mesmo que tens de encontrar. Que receias ao dar-te? Receias perder-te? Pelo contrário, é recusando-te a dar-te que te perdes. O próprio Amor exprime-se pela boca da Sabedoria e apazigua com uma palavra a desordem que em ti lançava a expressão: «Dá-te a ti mesmo!»(…) Escuta o que diz o Amor, pela boca da Sabedoria: «Meu filho, dá-me o teu coração» (Pv 23,26). (…) ‘Meu filho, dá-me o teu coração», diz a Sabedoria. Se ele for meu, já não te perderás. […]. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento’ (Mt 22,37). […] Quem te criou quer-te todo para Si”. “Sim, amados irmãos e irmãs, ganância, pode nos deshumanizar e desdivinizar. Corremos o risco de perdermos a nós mesmos, quando perdemos a força de amar, servir, repartir”, enfatizou o cardeal. Ele lembrou como nos dizia Agostinho: “dá-te a ti mesmo!” Isso, porque “oferecer a nós mesmos, está no movimento da doação, isto é, do amor como possibilidade da abundância de vida. No bem que oferecemos, no acolhimento que possibilitamos, no dinheiro que damos, pode ir sempre ‘eu mesmo’. É nesse dar-me a mim mesmo que está a possibilidade de um amor que jamais frustrará, pois é livre e doativo. Eleva, transforma, transfigura!!, pois é nosso coração que oferecemos e não os objetos e as sobras”. Vaidade das vaidades “É da abundância dos bens da vida, do coração que recebemos o ensinamento da primeira leitura do Eclesiastes: Vaidade das vaidades tudo é vaidade!”, afirmou o arcebispo de Manaus. Segundo ele, “o homem religioso, descobriu que fora de Deus nada existe, nada é. Tudo um grande vazio: um nada, pura vaidade, ilusão, fantasia! Todos os empreendimentos, esforços, conquistas, realizações, sonhos aparentemente realizados, tudo o que fizermos a partir de nós mesmos e para nós mesmos, contradizem ao desejo mais profundo de plenitude e de eternidade que habita em cada um de nós. Na intimidade de nós na busca de um lugar, onde repousar nosso coração. E o coração não repousa nas coisas, nos bens”. O cardeal enfatizou que “a última frase do Evangelho que ouvimos é uma verdadeira provocação que Jesus nos faz: ‘Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste? Assim acontece com quem ajunta tesoureiros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus. E para quem ficará o que tu acumulaste?’ Ou seja, para quem acumulei?” Citando o texto evangélico, “Tomai cuidado contra todo tipo de ganância”, ele disse que “a ganância que acumula, acumula e destrói a vida pessoal e, também a vida dos pobres”. O cardeal citou as palavras de Papa Francisco em Evangelii Gaudium 202: “Enquanto não forem radicalmente solucionados os problemas dos pobres, renunciando à autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira e atacando as causas estruturais da desigualdade social, não se resolverão os problemas do mundo e, em definitivo, problema algum.” Segundo ele, “sim amados irmãos e irmãs, hoje o que domina é a especulação financeira. Perdeu-se o horizonte da abundância da vida, caminhamos com rapidez para a acumulação de tudo o que passa”. Nesse sentido, ele lembrou que São Paulo insistia: “aspirai às coisas celestes e não às…
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Dom Zenildo Lima: Encontro dos Bispos da Amazônia, dar continuidade à sinodalidade a partir do território

Seis anos após o Sínodo para a Amazônia, a Igreja amazônica continua sua caminhada com convicção e esperança. Nesse espírito, a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) convoca todos os bispos das jurisdições amazônicas ao Encontro dos Bispos da Amazônia, que acontecerá em Bogotá, Colômbia, de 17 a 20 de agosto de 2025. Este evento tem como objetivo fortalecer a comunhão, avaliar o caminho percorrido e discernir juntos como continuar consolidando uma Igreja com rosto amazônico, sinodal, encarnado nos territórios e comprometido com a Casa Comum. Um momento para verificar o caminho e projetar o futuro Dom Zenildo Lima, Vice-Presidente da CEAMA e Presidente da Comissão Organizadora do Encontro, destaca que este Encontro é fruto de um discernimento coletivo e responde à necessidade de continuar aprofundando o processo sinodal iniciado em 2019: “Mais de cinco anos após o Sínodo da Amazônia, e confirmados pelo Sínodo sobre a Sinodalidade, continuamos nossa vocação de ser uma Igreja com face amazônico, marcada pela sinodalidade, pelo compromisso com a nossa Casa Comum, pela aceitação das experiências dos nossos povos indígenas e pelos muitos desafios que os nossos territórios enfrentam.” Dom Lima lembra que, como fruto direto do Sínodo, a CEAMA foi criada como um organismo eclesial a serviço das Igrejas locais. Agora, o Encontro dos Bispos da Amazônia será uma oportunidade para avaliar este caminho, e, acima de tudo, perguntar-nos: “Qual é a melhor maneira para esta Conferência Eclesial apoiar nossas Igrejas locais?” Participação essencial dos pastores amazônicos O Encontro busca reunir bispos que atuam nas regiões amazônicas dos nove países do bioma. Sua presença é essencial para continuar avançando em um sinodalidade corporificada e territorializada. “Nossa participação como pastores das Igrejas locais na Amazônia é muito importante para consolidar esse caminho”, afirma Dom Zenildo Lima. Por isso, a CEAMA convida com entusiasmo cada bispo a ser parte ativa desta experiência de escuta mútua, reflexão compartilhada e compromisso pastoral. Continuar a sinodalidade a partir do território O Encontro dos Bispos da Amazônia se apresenta como um espaço de diálogo fraterno e discernimento coletivo, que nos permitirá estreitar laços, compartilhar desafios pastorais e projetar juntos novas formas de presença evangelizadora e solidária na Amazônia. “Este encontro é fundamental para garantir que o caminho sinodal inaugurado no Sínodo da Amazônia continue na sinodalidade concreta de nossas Igrejas locais”, conclui Dom Zenildo. Com este passo, a CEAMA continua a reafirmar a sua missão de caminhar ao lado dos povos amazônicos, encorajando uma Igreja que não impõe, mas escuta; que não domina, mas serve; que não teme os desafios, porque é sustentada pela força do Espírito e pela sabedoria do povo. Fonte: CEAMA

Ordenação de Michel Carlos da Silva: “Ministério Diaconal é Encarnação”

Na manhã desde sábado, 26/07, a Arquidiocese de Manaus acolheu, com muita alegria, pela imposição das mãos do Bispo Auxiliar, Dom Zenildo Lima, seu mais novo diácono, Michel Carlos da Silva, que escolheu como lema “O verbo se fez Carne e habitou entre nós” (Jo,1 14), A celebração aconteceu na Comunidade São Paulo Apóstolo, Área Missionária São João Paulo II, bairro Jorge Teixeira. Dom Zenildo iniciou a celebração dizendo que “a comunidade está em festa,toda a nossa Igreja de Manaus!” e enfatizou que a Igreja de Manaus é “uma Igreja ministerial”. Ele convidou para que a “Eucaristia enriqueça a nossa experiência de Igreja, que se faz carne e arma a sua tenda no meio das pessoas, no meio desta Amazônia, que essa Eucaristia renove a nossa disponibilidade para o serviço, nos diversos ministérios que se reúnem nesta celebração, que essa Eucaristia faça bem a todos nós” reforçando a ideia do lema escolhido. A solicitude do ministério é reflexo da comunidade Em sua homilia, insistiu que a solicitude é uma “ação tão urgente, tão necessária, tão essencial pra esses tempos de referencialidade com o risco de ministérios e ministros que pensam em si mesmo e a partir de si mesmo” e seguiu dizendo que a Igreja pede que “seja um ministério de solicitude, que seja um ministério de mansidão”. E aproveitou para recordar que “vivemos tempos violentos, vivemos tempos intolerantes, tempos de serviços que mais do que amenizar as dores do povo parecem impor pesos maiores e insuportáveis”. E novamente pediu um “ministério de mansidão,e um ministério na constância na intimidade com Jesus”. Dom Zenildo disse também que o pedido para esse ministério a ser “vivenciado, conferido, entregue e exercido pelo Michel é um reflexo da vida da comunidade. A gente não reflete só o ministério da pessoa, do indivíduo, do sujeito, a gente reflete também a vida ministerial da comunidade e a Palavra que vai nos ajudar a gente compreender essa vida, essa identidade comunidade essa identidade do ministério.” A Palavra plenifica a identidade comunitária O presidente da celebração conduziu os presentes a pensar que na Palavra encontramos experiências que ainda permeia nosso tempo “É uma comunidade com uma realidade de diversidade. tem gente de todos os lugares, de todas as origens, de todas as experiências precedentes que agora estão fazendo parte da comunidade como as nossas comunidades que foram frutos de processos de ocupação, de pessoas que vieram de tantos lugares, tantos bairros diferentes, de tantas histórias diferentes.” Destacou que há pessoas de um percurso de experiência religiosa anterior e que se aproximaram “da vida da comunidade: tem gente pequena, tem gente pobre, tem mulheres, tem pessoas estrangeiras na comunidade”, e por isso “nascem conflitos por causa dessa diversidade as pessoas mais pobres, as mulheres, as viúvas”. O sentimento é de que “estão sendo deixadas pra trás porque existe uma ocupação, uma preocupação, uma atenção maior da comunidade”. Um ministério em direção aos pequenos O Dom Zenildo explicou que no texto o “drama e o conflito que se apresenta na comunidade não se resolve com a tentação de tornar todo mundo igual, uniformidade. A comunidade busca respostas diferentes. Recorre a autoridade dos doze” e eles “respondem com os sete, não mais os doze, mais os sete. Essa resposta, segundo o bispo auxiliar, nos aponta que “o ministério se abre na direção dos pequenos dos pobres, dos estrangeiros. A Igreja sempre costuma se afirmar a partir dos doze da sua solidez”, mas também que “se construiu a partir dos sete, da missionariedade, da disponibilidade, do tornasse Igreja em saída” alicerçada sobre a experiência dos doze, mas também na experiência dos sete porque que “vai ao encontro de pessoas”. A Vocação como força e inspiração para as comunidades Dom Zenildo questionou como a comunidade encontra esta inspiração, força e respostas? E respondeu que “a comunidade invoca o Espírito de Deus. Para que o Espírito suscite respostas” e acrescentou que “os ministérios são sempre respostas do Espírito para as necessidades que aparecem no seio da comunidade.” E continuou afirmando que “a ordenação do Michel hoje é fruto de um processo vocacional, pessoal, comunitário. É fruto de uma caminhada de formação presbiteral, que envolve o seminário, casas de formação, mas é também uma resposta do Espírito pra esses tempos que nós estamos vivendo”. Ministério Diaconal é Encarnação Retornado ao lema escolhido, do evangelista São João, o bispo disse que “mostra a realização Deus de modo muito aproximado. O Verbo se fez Carne e habitou entre nós” e essa e a “compreensão do amor de Deus”, que é falar do ministério “como participação desta escolha de Deus, de realização da proximidade de Deus” e completou que o “Ministério Diaconal é Encarnação”. Ele ressaltou que o “Ministério Diaconal faz parte desse processo encarnatório que começou com a palavra de Deus e que é continuado pela Igreja, Igreja também se faz carne, ministério é encarnação da igreja, Michel você se faz carne”. Dom Zenildo desejou que a “palavra amorosa de profecia, de promessa de Deus se transforme no teu serviço na vida das pessoas” e disse também que “a grande inspiração, a grande realização ministerial, de serviço a grande realização desta encarnação é Jesus Cristo”. Explicou que nossa compreensão do Ministério do Diácono passa pelo horizonte dos serviços: da palavra, da pregação, da animação bíblica, da liturgia, do cuidado do altar, da mesa, da promoção humana, da caridade e que isto “é próprio da encarnação”. Retomou o texto da primeira leitura onde os diáconos “tinham diante de si um problema, uma situação de carência do povo, daquelas mulheres, daquelas viúvas” reafimando que o diaconato “é um trabalho, de Palavra, é Trabalho de mesa, é trabalho de compaixão humana, de encarnação e a gente se inspira sempre na pessoa de Jesus, o Verbo que se faz Carne. A vida de Jesus, o ministério de Jesus é um ministério de realização da promessa do Pai, da palavra do Pai. A vida de Jesus é um ministério de serviço à mesa.” Presença na realidade concreta das pessoas No…
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Cardeal Steiner no Nortão da Catequese: Na Amazônia, uma catequese inculturada

A diocese de Castanhal (PA), acolhe de 24 a 27 de julho o 1° Nortão da Catequese, com a presença de mais de 300 catequistas dos Regionais Norte 1, Norte 2, Norte 3 e Noroeste da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. O tema do encontro é “Iniciação à Vida Cristã na Amazônia: Anúncio, Mistagogia e Ecologia Integral”. A Igreja deve crescer na Amazônia Em sua reflexão sobre “A Igreja deve crescer na Amazônia (QA 66): Querigma, um anúncio de Esperança”, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da CNBB, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, tentou demonstrar “a relevância, a identidade e as características do anúncio querigmático no território amazônico, iluminado pelas reflexões do Jubileu 2025, tendo em conta que os povos da Amazônia ‘têm direito ao anúncio evangelizador’, (QA, 64); o Evangelho da Esperança”. O Documento Final do Sínodo sobre a Sinodalidade nos leva a dizer, segundo o cardeal Steiner, que “somos todos enviados para anunciar Jesus nossa Esperança.” Ele explicou a origem da palavra catequese, “instruir por viva voz”, insistindo em que “a Catequese é anúncio”. Inspirado na Evangelii Nuntiandi de São Paulo VI, o arcebispo de Manaus falou de “anúncio decisivo para a vida da Igreja, para ser Igreja”, de ser crístico, de “chegarmos, todos juntos, à unidade na fé e conhecimento do Filho de Deus”, segundo ensina São Paulo. Fazer ecoar o novo Reino O cardeal lembrou a importância significativa da catequese, segundo São João Paulo II, uma importância que brota dos Evangelhos, que leva a ver a catequese como “fazer ecoar pelo mundo inteiro o novo Reino, o Reino de amor, a vida da Trindade, a todas as criaturas, como Jesus com sua vida, palavra, gestos, morte e ressurreição”. Se trata, seguindo as palavras do Catecismo da Igreja, de fazer discípulos e discípulas, de aprofundar na fé. O Papa Francisco ressaltava a presença no Novo Testamento de batizados que exerceram o ministério de transmitir o ensinamento dos apóstolos. Nesse sentido, o arcebispo de Manaus vê a catequese como “o ecoar da vida recebida de Jesus Crucificado-Ressuscitado, o Reino de Deus”, uma ideia presente em Lumen Gentium. Mas também, seria “a possibilitação de encontro, um modo de ser que gera relações novas, uma nova fraternidade, leva à pertença a uma nova comunidade”. Um anúncio que “deve ressoar constantemente na Amazônia”, enfatizou o presidente do Regional Norte 1 da CNBB, seguindo Querida Amazônia. Ele mostrou que o Documento Santarém, em 1972, “sinalizou que a evangelização tornaria visível a Jesus crucificado-ressuscitado pela encarnação na realidade e pela libertação dos filhos e filhas de Deus.” Isso porque a catequese “deseja despertar para a presencialização de Deus na realidade de hoje na Amazônia”, que demanda uma “catequese que leve em consideração a realidade concreta das comunidades”, sublinhou o cardeal. Uma catequese que seja “evangelização libertadora”, e “não seja um código de doutrinas, um manual de moral, de regras a serem seguidas”. Cresce na vida em Cristo com rosto amazônico “A catequese possibilita crescer na identidade cristã, na vida em Cristo. A vida em Cristo com rosto amazônico”, segundo o cardeal. Ele refletiu sobre o conceito de identidade, como “um processo existencial de ser”, e afirmou que “identidade cristã tem a ver com o que damos ao nosso ser discípulo missionário, discípula missionária”, e junto com isso, “é a responsabilidade em ser sempre cada vez mais livremente discípula missionária, discípulo missionário.” Por isso, “a catequese deveria ser esse despertar para possibilitar uma participação, um pertencimento a Cristo”. Um iniciar à vida cristã que acontece na comunidade, que cuida para que “haja a catequista, o catequista, que ajude à iniciação à vida cristã, no aprofundamento da vida segundo o Evangelho.” Na Amazônia isso se concretiza nas Comunidades Eclesiais de Base, “primeiro e fundamental núcleo eclesial, que deve, em seu próprio nível, responsabilizar-se pela riqueza e expansão da fé”, seguindo a proposta de Medellín e Santarém. Uma dinâmica que tem a ver com a sinodalidade, tão presente na Amazônia. É por isso que “a catequese numa comunidade de espírito sinodal na Amazônia, desperta a comunidade para a presença estável de responsáveis leigos, maduros e dotados de autoridade”. Um processo necessário de inculturação Para crescer na Amazônia, a Igreja deve, afirmou o arcebispo de Manaus, “moldar a sua própria identidade na escuta e diálogo com as pessoas e realidades e histórias do território, desenvolvendo cada vez mais um processo necessário de inculturação”, com uma catequese que não despreza as culturas amazônicas, nem “a riqueza de sabedoria cristã transmitida ao longo dos séculos pela piedade das comunidades.” Ele lembrou a insistência de Papa Francisco na inculturação, pois “a graça supõe a cultura”, em um movimento duplo, uma dinâmica de fecundação e outro de recepção por parte da Igreja. Nessa perspectiva, “a catequese aberta à receptividade das culturas, por exemplo indígenas, torna-se uma riqueza para a evangelização, para ser e existir da Igreja”, segundo o cardeal, citando exemplos disso. Uma inculturação que “tem a ver em formar catequistas indígenas”, com “ministérios que sejam expressão do estilo de vida, da cultura do povo”, com um acolher as riquezas culturais na catequese, na liturgia, nos Sacramentos, na organização da comunidade eclesial e os ministérios. Diante da realidade amazônica, marcada por diversas dificuldades, “o ministério do catequista recebe nessa realidade uma verdadeira missão: realizar o querigma”, disse o arcebispo de Manaus. Ele insistiu em que “para conseguir uma renovada inculturação do Evangelho na Amazônia, a Igreja precisa escutar a sabedoria ancestral, voltar a dar voz aos idosos, reconhecer os valores presentes no estilo de vida das comunidades nativas, recuperar a tempo as preciosas narrações dos povos”, reconhecendo os valores já recebidos dos povos da Amazônia. Uma catequese chamada a ser hermenêutica da totalidade, presente nos quatro sonhos de Querida Amazônia, que são dimensões do todo. O arcebispo defende “uma sensibilidade para não impor, mais uma vez, a cultura, as expressões religiosas, as devoções.” Nesse sentido, ele insiste em que “as estruturas sociais, as expressões culturais, os seres na sua totalidade, a comunidade de fé, necessitam ser…
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1° Nortão de Catequese: o caráter querigmático e mistagógico da Catequese como folêgo da Evagelização

De 24 a 27 de julho de 2025, em Castanhal, no Pará, acontece o 1° Nortão de Catequese, com o tema: Iniciação à Vida Cristã na Amazônia: Anúncio, Mistagogia e Ecologia Integral. A reflexão busca oferecer elementos para as Igrejas Locais em seus processos catequéticos, fortalencendo a pluralidade da idetidade amazônica. Representação do Regional Norte 1 O evento contará com a presença do Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, 23 catequistas, 2 irmãs Consagradas e 2 padres das dioceses de Parintins, Alto Solimões, São Gabriel da Cachoeira, Borba, Roraima, Coari, Prelazia de Tefé e Arquidiocese de Manaus. Dentro dos 5 painéis, nosso regional apresentará 3: Catequese Ribeirinha (Diocese de Parintins), Catequese Indígena (Diocese de São Gabriel da Cachoeira) e Catequese Urbana (Arquidiocese de Manaus), partilhado nossas experiências. Chegada dos participantes Padre Jânio Negreiros, do clero da Diocese de Parintins e coordenador de catequese do Regional Norte 1, expressou a expectativa dos participantes “com muita alegria que nós assim acompanhamos esse início e da chegada dos das nossas catequistas, assessores da catequese, dos nossos bispos, dos conferencistas, dos que vão conduzir as oficinas as e também os painéis”. Destacou também a Catedral de Castanhal como “lugar extraordinário de convivência”, visto que ela é “toda pensada no aspecto bíblico” e é como “um ver a bíblia desenhada, expressada nas paredes” e “toda sua estrutura pensada dessa forma” favorecendo um “ambiente acolhedor” e aumentando a “expectativa dos nossos catequistas”. Novo olhar para catequese na Amazônia O evento reunirá aproximadamente 500 catequistas, juntamente com as religiosas e religiosos, padres, diáconos e bispos que estarão juntos tratando das diversas temáticas e desenvolvendo o tema geral. O coordenador enfatizou que isto traz um “novo olhar para uma realidade em nossa Amazônia”. O padre explicou que o encontro acolhe “todos os regionais do Norte para esse momento realmente inaugural, inicial” de algo que “foi pensando pelos nossos bispos no ano passado, em agosto, e assim foi levado adiante essa preparação” e culminou “para vivenciar esse primeiro momento”. Por fim, padre Jânio manifestou que o evento “é algo de grande significado pra nossa catequese na nossa região amazônica”. E por isso “queremos que seja um encontro de partilha, de aprendizado e que possa trazer realmente um fôlego para Evangelização”. E “especialmente para o processo inicial da fé das nossas crianças, adolescentes e adultos que estão no processo de Iniciação à Vida Cristã e também o trabalho pastoral, bíblico dentro das nossas pastorais e movimentos de nossas prelazias, dioceses e arquidioceses”. As temáticas das quatro conferências serão: “A Igreja deve crescer na Amazônia (QA, 66): Querigma, um anúncio de Esperança“, (Cardeal Leonardo Steiner,OFM); “Aceitar corajosamente a novidade do Espírito (QA, 69): Fundamentos para catecumenatos amazônicos”, (Victor Paiva, OFS); “Cuidar da Amazônia (QA, 51): Catequese a serviço de uma ecologia integral” (Moema Miranda, OFS); e “A este mundo, só a poesia poderá salvar (QA, 46): A literatura na transmissão da fé”, (Dom Antônio Fontinele), respectivamente, e finalizará com a peregrinação Jubilar até a Igreja Catedral.

Clero de Manaus despede padre Orlando Barbosa: “um dom que Deus compartilhou conosco”

O clero da arquidiocese de Manaus despediu neste domingo 20 de julho seu irmão presbítero, Orlado Gonçalves Babosa, falecido no dia 19 de julho de 2025. Uma missa presidida pelo arcebispo emérito, dom Luiz Soares Vieira, que fez um convite a celebrar “o sacramento da vida”, a vivenciar “momento de muita fé”. Ao longo do dia, na paróquia São Francisco de Assis, onde o falecido era pároco e está sendo velado seu corpo, antes de ser levado para a cidade onde mora sua família, Vicentina (MS), tem sido celebradas diversas missas de corpo presente e momentos de oração, com a participação dos paroquianos e de centenas de pessoas da arquidiocese de Manaus. Mensagem do cardeal Steiner Antes da homilia, o bispo auxiliar de Manaus, dom Samuel Ferreira de Lima, leu uma mensagem do arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, enviada em nome dos bispos dessa igreja local. No texto, o arcebispo citou o texto do profeta Isaias: “Os meus pensamentos não são os vossos”! Umas palavras que levaram o cardeal Steiner a expressar um sentimento comum nesse momento da Páscoa do padre Orlando Barbosa: “estamos todos procurando as razões da morte de um irmão presbítero: surpresa é tão cedo!” O arcebispo disse: “desejamos assumir os desígnios de Deus e nos colocarmos ainda mais a serviço dos irmãos e irmãs. Ele enviou uma mensagem descrevendo alguns sintomas. Insisti para que procurasse o hospital e Pe. Charles ajudou na internação.” Diante disso, “desejamos entrever na morte de Pe. Orlando a grandeza do mistério da Ressurreição. O Ressuscitado é nossa Esperança e nessa esperança continuaremos o nosso caminho como Igreja Particular de Manaus. Nossa gratidão a padre Orlando por todo bem na Paroquia São Francisco, na Faculdade Católica, na Pastoral com os irmãos e irmãs das nossas ruas e tantas participações na nossa vida eclesial”, afirmou o cardeal. Finalmente, o cardeal Steiner fez um pedido a Deus: “participe da glória da Trindade que sempre invocamos e com quem abençoamos!” Ele agradeceu aos pais e irmãos de padre Orlando “pelo ministério presbiteral e presença na Arquidiocese”, pedindo que “a dor seja para todos possibilidade de reafirmar a o amor é a fé na ressurreição”. A vida é um dom Na homilia, o bispo auxiliar iniciou sua fala dizendo que “a vida é um dom”, definindo o padre Orlando Barbosa como “um dom que Deus compartilhou conosco. Um dom de serviço, um dom de acolhida, um dom de entrega, que foi ao encontro dos mais necessitados, humilhados, marginalizados.” Segundo dom Samuel, “a sua vida não foi tirada, mas a sua vida foi transformada, porque na fé em Jesus Cristo, nós somos plenificados, porque somos filhos da ressurreição.” Uma certeza que vem da fé, dado que “crer em Cristo é vivenciar essa experiência do caminho para o encontro do Pai.” Ele enfatizou que “hoje o nosso irmão foi liberto de toda dor, de todo sofrimento, de toda angústia, para viver a plenitude da graça, o encontro definitivo com o amor que é o próprio Deus”. “Quando nós celebramos a memória de alguém que nós queremos agradecer a Deus por ser um dom na nossa vida, por aquilo que compartilhou com cada um de nós, por aquilo que nos ensinou, por aquilo que vivenciou, nós bendizemos a Deus, porque o dom da vida de padre Orlando, hoje foi plenificado porque retornou ao dom de Deus, que é o Senhor de todas as coisas”, disse dom Samuel. O bispo auxiliar afirmou que “por isso, sentimos a dor partida, mas ao mesmo tempo, enchemos nosso coração de gratidão. Gratidão a Deus por aquilo que ele compartilhou conosco, vivenciou, testemunhou, a sua fidelidade ao Evangelho, a sua alegria de anunciar a Boa Nova e se comprometer no seguimento de Jesus Cristo”, algo que é motivo para bendizer a Deus, “por tudo aquilo que Ele compartilhou conosco. Fidelidade ao Evangelho O bispo auxiliar de Manaus pediu para o falecido, “que Deus o acolha na plenitude do reino, porque o nosso irmão buscou viver cada dia a fidelidade do Evangelho, traduzida em gestos, em atitudes, em serviços.” Partindo da ideia de que Jesus é o caminho, dom Samuel sublinhou que “todos nós estamos traçando esse caminho, esse caminho que nos leva a amar, esse caminho que tem dores, sofrimentos, angústias, guerras, contratempos, mas em tudo isso nós somos mais que vencedores, porque o Cristo Senhor caminha conosco. E ao assumir a nossa humanidade, Ele aponta para nós a divindade, a plenitude do Reino.” Refletindo sobre a cruz e a morte, que “para nós, muitas vezes, parece ser algo terrível, para nós, cristãos, é a porta que nos abre o caminho para o encontro definitivo com o Pai. A nossa vida é plenificada nessa passagem, porque somos libertos de todas as nuances humanas”, refletiu o bispo. Ele pediu “que o nosso irmão, que hoje terminou a sua missão junto a nós, possa também, junto de Deus, interceder por nós.” Dom Samuel fez um convite a que a continuar “nessa peregrinação, para que possamos buscar vivenciar esse dom que Deus nos concede, o dom da vida, o dom do ministério, o dom da vocação”. Momento de ação de graças Um dom que o bispo pediu “seja vivido como ação de graças ao Senhor, a quem devemos todo louvor, toda bênção, toda graça. Porque hoje nosso irmão alcançou a plenitude do Reino, hoje ele terminou a sua missão e verdadeiramente habita na casa do Pai.” Segundo dom Samuel, “essa é a fé que nos sustenta e que dá significado e sentido a tudo aquilo que fazemos e buscamos.” Mesmo diante da dor da separação, ele fez um convite a “nos deixar inundar da alegria daquele que combateu com o combate, terminou a sua missão vivendo a radicalidade da vida”. Movidos pela fé, o bispo auxiliar pediu que “o Cristo Jesus todo-poderoso, na plenitude do Reino, apoie o nosso irmão e nos dê o consolo, a paz e a fortaleza, para que todos nós possamos nos encher de esperança, da certeza de que todos…
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Solidariedade do Regional Norte 1 da CNBB pela Páscoa de Pe. Orlando Barbosa

O Regional Norte 1 mostra sua solidariedade pela Páscoa de Pe. Orlando Gonçalves Barbosa, padre da arquidiocese de Manaus.

Muticom 2025 abre chamada de trabalhos acadêmicos sobre comunicação e ecologia integral

Mutirão de Comunicação será realizado em Manaus e recebe, até 20 de julho, resumos expandidos de pesquisas voltadas à comunicação, sustentabilidade e transformação social O 14º Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom 2025) está com chamada de trabalhos acadêmicos aberta para o evento, que acontecerá de 25 a 28 de setembro de 2025, no Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques, em Manaus (AM). O evento é promovido pela Comissão Episcopal para a Comunicação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e traz como tema central “Comunicação e Ecologia Integral: transformação e sustentabilidade justa”. A programação do Muticom será marcada por debates científicos e produção coletiva de conhecimento, com foco no papel da comunicação diante dos desafios socioambientais contemporâneos. A proposta metodológica do Muticom se organiza em Rios Temáticos, que são espaços formativos destinados à escuta, ao diálogo e à construção coletiva de saberes. É nesses rios que acontecerão as apresentações presenciais de comunicações acadêmicas, nos dias 26 e 27 de setembro de 2025, em formato de resumo expandido. Modalidade de submissão e temáticas Os interessados poderão submeter seus trabalhos na modalidade “Pesquisa que Transforma”, que contempla comunicações acadêmicas, em andamento ou já concluídas, que articulem teoria e prática no campo da comunicação ou em áreas afins. Os trabalhos devem estar vinculados a um dos 12 Rios Temáticos, que abrangem tópicos como: narrativas transmidiáticas, jornalismo ambiental, espiritualidade ecológica, ativismo digital, educomunicação, direito à informação, comunicação popular e saberes tradicionais. A lista completa dos rios e suas respectivas ementas está disponível na chamada oficial. Normas para submissão A submissão deverá ser feita por meio de resumo expandido (de 4 a 6 páginas), com texto formatado em fonte Times New Roman 12, espaçamento simples, conforme orientações disponíveis na chamada. Cada autor(a) poderá submeter até dois trabalhos, sendo um individual e outro em coautoria. Estudantes de graduação deverão obrigatoriamente submeter em coautoria com profissional formado. As submissões devem ser realizadas até o dia 20 de julho de 2025, via formulário disponível online:  FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO Benefícios aos aprovados Autores(as) com trabalhos aprovados terão isenção da taxa de inscrição e participação garantida no evento. Os resumos integrarão um e-book com ISBN, com lançamento e distribuição digital gratuita após o Muticom. Sobre o Muticom O Mutirão Brasileiro de Comunicação é realizado há mais de 50 anos e se consolidou como o principal espaço de articulação, formação e inovação no campo da comunicação eclesial no Brasil. A edição de 2025 será especialmente marcada pelo diálogo entre comunicação e ecologia integral, em memória aos 10 anos da encíclica Laudato Si’ do Papa Francisco e em sintonia com os apelos do Papa Leão XIV por justiça ecológica, social e comunicacional. Cronograma da chamada de trabalhos: Informações Dúvidas devem ser encaminhadas para o e-mail:  ricardocalvarenga@gmail.com A íntegra da chamada, o edital, com normas detalhadas e temáticas dos rios, está disponível no link:  EDITAL – CHAMADA PARA ENVIO DE TRABALHOS Por Equipe Pedagógica – Muticom

Dom Zenildo Lima: “As comunidades não podem ser igual casa de conjunto habitacional, todas iguais”

A missionariedade é uma dimensão fundamental na vida da Igreja, na vida das comunidades eclesiais de base. Na Amazônia, as CEBs são “um barco missionário que inclui todos e todas”, segundo o bispo auxiliar de Manaus e referencial das comunidades eclesiais de base no Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), dom Zenildo Lima. Uma reflexão presente na VI Assembleia das Comunidades Eclesial de Base da prelazia de Tefé, que se celebra na paróquia São Joaquim de Alvarães de 09 a 13 de julho, com a presença de mil representantes das 14 paróquias e 03 áreas missionárias em que se divide essa igreja local. A Igreja casa O bispo destacou a importância das imagens, seguindo o exemplo de Jesus, que se servia das parábolas, uma dinâmica presente na catequese da Igreja ao longo da história. Dom Zenildo Lima usou a imagem da casa para falar da Igreja, sustentada em quatro pilares, quatro esteios, nas casas de madeira da Amazônia: Palavra, Pão, Caridade e Ação Missionária. Dom Zenildo Lima refletiu sobre as experiências de vida que as pessoas vivem em suas casas, mas também nas comunidades. A casa como lugar de encontro, em volta da mesa, como local de encontros marcantes, como local onde vamos descobrindo nossa identidade. Nessa perspectiva, o bispo destacou a importância de as comunidades ter sua identidade, de recuperar a identidade de nossas comunidades, onde a gente tem que vivenciar a experiência de encontro amoroso, de encontro afetuoso. “As comunidades não podem ser igual casa de conjunto habitacional, todas iguais”, disse o bispo referencial das CEBs no Regional Norte 1. A Igreja barco Falando da Igreja como barco, dom Zenildo disse que “CEBs não pode ser barco de turismo, tem que ser barco de pesca”. Isso porque “um barco de pesca é simples, funcional, sempre em movimento. Carrega redes, instrumentos de trabalho e pescadores que conhecem a dureza das águas, mas também a alegria da pesca abundante”, segundo o bispo. Nessa perspectiva, ele definiu as CEBs como “comunidades que se reúnem para partilhar a Palavra, a Eucaristia, fortalecer a fé, discernir a vida e sair ao encontro dos irmãos e irmãs com gestos concretos de solidariedade, justiça e anúncio do Reino”. Frente a isso, “um barco de turismo é bonito, confortável, cheio de poltronas, música ambiente e paisagens para admirar. Tudo é feito para agradar os passageiros. Mas ele não pesca, ele passeia. Está ali para entreter, não para transformar. Se uma CEB se transforma num barco de turismo, perde sua razão de ser: deixa de evangelizar e passa a girar em torno de si mesma”, sublinhou dom Zenildo. Uma Igreja que se envolve com a vida do povo É por isso que, em palavras do bispo auxiliar de Manaus, “as CEBs foram pensadas como um jeito de ser Igreja, como expressão da Igreja em saída: uma Igreja que rema contra a corrente, que se envolve com a vida do povo, que escuta as dores da terra e dos pobres. Não podemos correr o risco de cair na tentação do comodismo, de nos contentar com reuniões fechadas, eventos para nós mesmos, e um certo ‘turismo espiritual’ que nos afasta da realidade”. Um barco missionário, que acolhe, que conduz, que entrega. Um barco que promove a inclusão, a corresponsabilidade e a sinodalidade, refletindo sobre relações, processos, vínculos e formação. O bispo, seguindo o Documento Final do Sínodo sobre a Sinodalidade, questionou: Quais as convicções que nos sustentam para estarmos juntos no Barco? Como diferentes sujeitos com diferentes responsabilidades, podem atuar em comunhão? Como se dá a tomada de decisões e o acompanhamento das mesmas nas diferentes instâncias da comunidade? Como experimentamos nosso senso de pertença à comunidade e como ela está enraizada na realidade? Nossas experiências de formação educam para caminharmos juntos? Ajudam a ser comunidades sinodais e em saída missionária? O barco missionário das CEBs tem que ajudar as pessoas a viver como seguidores de Jesus, disse dom Zenildo. O bispo fez um chamado a descobrir que Jesus está conosco, Ele está no barco, ajuda a superar as dificuldades. Mas sabendo que o barco missionário tem que ir ao encontro dos outros, atravessar o rio, mesmo correndo riscos. Diante da diferença com os outros, o bispo questionou como a gente reage, se o faz com agressividade ou se aprende com os outros. O desafio missionário é fazer com que todos tenham vida e para isso é necessário se sentir responsável pelo cuidado das pessoas. Um barco missionário Na reflexão eclesiológica, “a Igreja se compreende, as comunidades de base se compreendem como comunidades eclesiais missionárias, como um barco missionário que inclui todos e todas”, sublinhou dom Zenildo Lima. Segundo ele, “missionariedade, mobilidade, Igreja em saída, inclusão permearam esta reflexão”. O bispo refletiu sobre “os movimentos que acontecem dentro do barco, que são movimentos que exigem sinodalidade, os movimentos que acontecem fora do barco, que são movimentos que exigem comprometimento no que diz respeito ao cuidado da casa comum, no que diz respeito a novas experiências religiosas”. Realidades em que somos “sempre iluminados pela Palavra que apresenta Jesus presente no barco conosco, sempre iluminados pela caminhada da Igreja em nossa região, sempre iluminados pelo testemunho de pessoas que deram a vida por esta Igreja em Tefé”, disse o bispo. Ele definiu a VI Assembleia das Comunidades Eclesiais de Base da prelazia de Tefé como “grande encontro de uma Igreja sinodal, de uma Igreja em saída, de um compromisso com a plenitude da vida e com a missão”.