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Na Festa da Eucaristia, buscar respostas para as comunidades que não podem celebrá-la

No dia em que a Igreja celebra a Solenidade de Corpus Christi, a festa da Eucaristia, que na arquidiocese de Manaus tem como tema “Eucaristia: Pão da Esperança”, somos chamados a refletir sobre a impossibilidade que muitas comunidades da Amazônia, do Brasil e do mundo têm para celebrar a Eucaristia cada domingo. O primeiro mandamento da Igreja diz: “Participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho”. Diante disso surge uma pergunta: Aqueles que não participam da missa aos domingos estão pecando? O que acontece com os católicos que moram em comunidades onde a celebração da Eucaristia acontece uma vez por mês ou uma vez por ano? Como possibilitar que cada comunidade católica possa celebrar a Eucaristia, que segundo o Concílio Vaticano II é fonte e cume da vida cristã? No dia 15 de outubro de 2024, na Sala de Imprensa do Vaticano, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, durante a Segunda Sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade, disse que lhe preocupa o atendimento às comunidades na arquidiocese de Manaus, uma arquidiocese com mais de mil comunidades e pouco mais de 170 presbíteros, “pois não se consegue acompanhar a vida sacramental das comunidades”. Diante dessa realidade, ele afirmou que “para determinadas realidades não seria uma dificuldade admitir homens casados à ordenação”, reconhecendo que “para outras realidades na Igreja, é uma grande dificuldade”. Junto com isso, o cardeal, seguindo as reflexões de Papa Francisco, pedia continuar dialogando, olhando a comunidade, que é o motivo da existência da Igreja. A escuta e o diálogo, pilares de uma Igreja sinodal, um caminho assumido pelo Papa Leão XIV, deve ser uma atitude cada vez mais presente na vida da Igreja católica. Não adianta impor modos de viver a fé, nem mudanças que não são fruto do discernimento comum. Mas diante da realidade de muitas comunidades, onde a Eucaristia é um sacramento raramente celebrado, se faz necessário encontrar novos caminhos, de acordo com a Doutrina e a Tradição, mas sem esquecer que a realidade atual demanda respostas concretas. Um caminho que não pode estar fechado às mulheres, que durante muitos anos “levaram adiante as comunidades e hoje estão levando a frente as nossas comunidades”, segundo disse o arcebispo de Manaus nesse 15 de outubro de 2024. O cardeal Steiner ainda ia além, sublinhado que “várias das nossas mulheres são verdadeiras diaconisas, sem terem recebido a imposição das mãos”. Segundo o arcebispo, “é admirável, admirável, o quanto as mulheres são responsáveis pela nossa Igreja, é admirável”, até o ponto de dizer que “a nossa Igreja, não seria a Igreja que é sem a presença das mulheres”. Mais uma vez, a festa da Eucaristia é uma oportunidade para refletir sobre a vida da Igreja, sem medo de dialogar abertamente, sem medo de pensar na vida de fé de tantas pessoas que hoje não tem a possibilidade de celebrar assiduamente a Eucaristia, que não podemos esquecer que é fonte e cume da vida cristã. Editorial Rádio Rio Mar

Faculdade Católica do Amazonas faz propostas em vista da COP-30

A Faculdade Católica do Amazonas realizou no dia 17 de junho de 2025 o Seminário Interdisciplinar de Extensão, com o tema: COP-30 e Amazônia. Os participantes elaboraram uma Carta-Manifesto, onde afirmam seus compromissos com a Ecologia Integral. O texto afirma que “Nós, oriundos das comunidades amazônicas: ribeirinhas, indígenas, quilombolas e urbanas, estamos aqui para partilhar saberes e sabores amazônicos, aprendendo a interligar, resistir, formando uma aliança para enfrentar os grandes projetos coloniais de ontem e de hoje que desprezam e delapidam nossas condições de vida nesta parte da aldeia sagrada – o planeta Terra.” A COP30 é definida na Carta como “um acontecimento inédito”, em busca de diversidade, inclusão, cooperação e resiliência, realizada em mutirão, em um momento de um possível ponto de inflexão irreversível do bioma amazônico. No texto aparecem propostas como promotores da Ecologia Integral: educação ambiental, luta contra os racismos e injustiça ambiental, denuncia dos processos de privatização, garantia de direitos, participação cidadã na elaboração de Políticas Públicas, melhor tratamento dos esgotos. SEMINARIO INTERDISCIPLINAR DE EXTENSAO: COP-30 e AMAZONIA CARTA – MANIFESTO DOS/DAS PARTICIPANTES SABERES E SABORES AMAZÔNICOS PARA UMA ECOLOGIA INTEGRAL Na noite de lua cheia de 17 de junho de 2025, foi realizado o Seminário Interdisciplinar de Extensão da Faculdade Católica do Amazonas, com o tema: COP-30 e AMAZONIA, organizado pelos discentes e professores do Curso Filosofia e Teologia, com o apoio de nossas comunidades, pastorais, movimentos e amigos e amigas da caminhada. No ano em que comemoramos os 10 anos da Laudato Si’, documento inspirador que nos chama a mudar nossa relação com a criação de Deus, queremos afirmar nossos compromissos com a Ecologia Integral. Nós, oriundos das comunidades amazônicas: ribeirinhas, indígenas, quilombolas e urbanas, estamos aqui para partilhar saberes e sabores amazônicos, aprendendo a interligar, resistir, formando uma aliança para enfrentar os grandes projetos coloniais de ontem e de hoje que desprezam e delapidam nossas condições de vida nesta parte da aldeia sagrada – o planeta Terra. Levamos em nossas veias e em nossos territórios, o sangue dos mártires torturados e mortos na luta pela defesa dos nossos modos de vida e de nossas religiosidades e do grande Espírito que povoa, nossos territórios, fortalecem e amparam nossa peleja e nos inspiram nas práticas de cuidado e da ética do bem-viver e conviver com todas as criaturas, destas terras molhadas. A COP30 que será realizada no coração da Amazônia, a cidade de Belém do Pará, em novembro de 2025, faz lembrança dos 20 anos do Protocolo de Kyoto e 10 anos do Acordo de Paris. É um acontecimento inédito, primeiro pela sua localização, depois porque busca reafirmar e comprometer os países, na busca de valores como diversidade, inclusão, cooperação e resiliência. O conceito de mutirão, proveniente das culturas tradicionais da Amazônia,define sua metodologia e organização. Vivemos este encontro, tendo como realidade as secas, os picos mais altos de calor, o risco de um possível ponto de inflexão irreversível do bioma. A crise ecológica é um colapso progressivo dos sistemas de vida, da sociedade e da nossa condição humana. Contudo, seus impactos e responsabilidades não são distribuídos de forma igualitária. Promotores da Ecologia Integral, exigimos uma educação ambiental que promova uma consciência, primeiramente de quem promove a destruição da casa comum, quem sofre os impactos e quem deve e pode agir local e globalmente, para enfrentar os desafios ambientais com justiça. Promotores da Ecologia Integral, lutamos com respeito e solidariedade às lutas contra os racismos e injustiça ambiental pelo direito à água, ao saneamento, à moradia, à comida justa e saudável, o que corresponde ao direito de viver com dignidade. Promotores da Ecologia Integral, denunciamos os processos de privatização do sistema público de água e energia, transformando esses bens em mercadoria e não um serviço para todos. Repudiamos qualquer tentativa de destruir o encontro das águas do Rio Amazonas com o Rio Negro. Dizemos não à exploração do petróleo na foz do Rio Amazonas. Exigimos uma maior transparência no comércio de crédito de carbono, Promotores da Ecologia Integral, lutaremos e exigimos que os dispositivos da Constituição Federal, das normas internacionais, garantam e protejam os direitos por terra, vida e cultura dos povos indígenas. Repudiamos o avanço do agronegócio e da monocultura que avança pelo sul do Amazonas, do extrativismo mineral, nas terras indígenas dos povos Mura de Autazes e Yanomami em Roraima. Promotores da Ecologia integral, reivindicamos participação como sociedade civil organizada, na construção de cidades, ambiental e socialmente sustentável, incentivando a arborização urbana, estimulando a eficiência energética, o baixo consumo de carbono, a crescente substituição por fontes de energia renováveis e denunciamos as cidades do estado do Amazonas com 70% dos seus municípios que gastam recursos públicos com contratos milionários com empresas privadas (nacionais e interesses das internacionais) mostrando a ineficiência de gestão do poder público, no qual destacamos a baixa arrecadação dos municípios para manter estes contratos vultuosos (criando desiquilíbrio nos outros serviços básicos a população),  mantendo os lixões a céu aberto, que contamina o ar (gás metano), contaminação da água (lençol freático) desperdiço dos resíduos, propomos atender com o cuidado da  Ecologia Integral (cuidar das pessoas e ambiente),  de maneira sustentável, dar visibilidade as pessoas, comunidades em situação  social vulnerável (catadores nos lixões), possibilitar o reconhecimento da profissão destes catadores (as)  de acordo a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), sob o código 5.192-05, de acordo com a Portaria nº 397/2002 do Ministério do Trabalho e o decreto nº 11.414/2023, a oportunidade do trabalho, a reutilização dos resíduos e promover uma economia circular. Exigimos melhor tratamento dos esgotos, integrando aos corredores verdes reestabelecendo conexões com rios, riachos, lagoas e áreas úmidas, aproveitando seu potencial paisagístico e tratando seus problemas de saneamento. Sistemas de parques, essenciais para o desenvolvimento da fauna e biodiversidade, devem ser propostos com o objetivo de integrar estes espaços e devolvê-los aos cidadãos, espaços à vida cotidiana dos moradores. Promovendo a Ecologia Integral na Amazônia, celebraremos sempre a vida, a memória de nossos ancestrais, em nossos espaços acadêmicos, em comunidades, pastorais e movimentos organizados. Continuaremos nesta caminhada juntos, escrevendo textos…
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Marina Silva à Faculdade Católica do Amazonas: “A reflexão sobre ecologia integral é fundamental”

A Faculdade Católica do Amazonas realizou no dia 17 de junho de 2025 uma Mostra Científica, com o tema “Perspectivas Filosóficas e Teológicas diante da COP-30. Além da apresentação de Projetos de Pesquisa e a exposição de banners sobre “Casa Amazônica – Saúde e Medicina”, foi realizada uma Mesa Redonda com o tema: “COP-30 e a Amazônia”, que contou a participação de Marina Silva. Junto com a Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, participaram da Mesa, moderada pelo professor da Faculdade Católica do Amazonas, Ricardo Castro, a professora da Universidade Federal do Amazonas, Marilene Corrêa da Silva, o Procurador Federal, Fernando Merloto Soave, e o diretor da Faculdade Católica do Amazonas, dom Joaquim Hudson Ribeiro. A ministra iniciou sua intervenção em vídeo cumprimentando os participantes, destacando a importância da “roda de conversa sobre nossa casa comum” e mostrando seu “apoio e respeito a essa importante iniciativa”. Segundo Marina Silva, “a reflexão sobre ecologia integral, especialmente neste momento em que o Brasil se prepara para a COP30 em Belém, é fundamental. É um chamado à ação, ao diálogo entre ciência, fé e justiça socioambiental”. Marina Silva recordou sua participação no dia da biodiversidade, 22 de maio, no Congresso Ibero-Americano: “10 anos de Laudato Si, Dívida Ecológica, Esperança Pública”, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). O encontro reuniu mais de 200 reitores, contando com a participação do diretor da Faculdade Católica do Amazonas, dom Hudson Ribeiro, e do arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner. Um congresso onde, segundo a Ministra de do Meio Ambiente e Mudança do Clima, “pudemos dialogar sobre a agenda do cuidado e essa nossa importante responsabilidade com a vida e o bem comum”. Nessa perspectiva, Marina Silva disse esperar que a Mostra Científica realizada na Faculdade Católica do Amazonas fosse uma oportunidade para realizar “bons e transformadores diálogos”. Segundo partilhou no encontro da PUC-Rio, “as universidades têm um papel muito importante na formulação e conhecimento de inovação tecnológica”. Marina Silva insistiu em que “cada vez mais a gente vai precisar fazer políticas públicas com base em dados e evidências para o enfrentamento da mudança do clima, da perda de biodiversidade, da desertificação e para que a gente possa criar um novo ciclo de prosperidade onde a gente possa combater os danos ambientais, mas gerar riqueza, condições de vida digna para as pessoas”. Nessa perspectiva, a Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, defende que “as universidades têm sim um papel importante, e quando há essa disposição dos mais altos níveis das universidades se reunir para tomar um direcionamento no sentido da contribuição mais efetiva que ela pode dar, isso é muito bom para a sociedade e para a formulação e implementação de Políticas Públicas”.

Cardeal Steiner: “Celebrar a Santíssima Trindade é uma revolução no nosso modo de viver”

Na Solenidade da Santíssima Trindade, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia, recordando que “depois de termos liturgicamente acompanhado o nascer, o anúncio, o sofrer, a morte, a ressurreição, ascensão de Jesus, a vinda do Espírito Santo, termos recebido a núncio das realizações do Pai, celebramos o mistério revelado de um amor: Pai, Filho e Espírito Santo.” É meu O cardeal disse que “ouvimos na proclamação do Evangelho a grandeza, a essência, a intimidade, o amor, que deixa ser a Trindade Santa: ‘Quando, porém, vier o Espírito da Verdade ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu.’ Uma vivacidade de vida, de amor que une, deixa ser comunhão das três pessoas da Trindade Santa.” Segundo o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), “a ação das pessoas da Trindade está revestida do amor. O amor que flui e eflue das pessoas é o constituir-se da realidade relacional, a conduzir à plena verdade. O perceber-se tocado pela verdade de um amor que desperta a glorificação pela ação amorosa. O que um oferta é para ou outro na oferenda ao outro, cada uma das pessoas são anúncio benevolente, salvífico. Assim, tudo o que é do Filho e do Pai e tudo o que é do Pai e do Filho, e tudo o que é do Pai e do Filho são do Espírito Santo e tudo o que é do Espírito Santo é do Pai e do Filho.” Os três são um só Deus O arcebispo de Manaus citou as palavras de Santo Agostinho em A doutrina cristã, 1.5: “o encantado com o amor da Trindade”, que nos ensina que “não é fácil encontrar um nome que possa convir a tanta grandeza e servir para denominar de maneira adequada a Trindade. A não ser que se diga que é um só Deus, de quem, por quem e para quem existem todas as coisas (Rm 11,36). Assim, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são, cada um deles, Deus. E os três são um só Deus. Para si próprio, cada um deles é substância completa e, os três juntos, uma só substância. O Pai não é o Filho, nem o Espírito Santo. O Filho não é o Pai, nem o Espírito Santo. E o Espírito Santo não é o Pai nem o Filho. O Pai é só Pai, o Filho unicamente Filho, e o Espírito Santo unicamente Espírito Santo. Os três possuem a mesma eternidade, a mesma imutabilidade, a mesma majestade, o mesmo poder. No Pai está a unidade, no Filho a igualdade e no Espírito Santo a harmonia entre a unidade e a igualdade. Esses três atributos todos são um só, por causa do Pai, todos são iguais por causa do Filho e todos são conexos por causa do Espírito Santo.” “Na ação doativa, dativa, sem limites e sem posse e poder, tudo se torna anúncio do amor verdadeiro e límpido, generoso e gratuito. Livres no amor, no amor livre vive a Trindade no cuidado para com o universo, para com cada uma das criaturas. Especialmente para com cada um dos filhos e filhas. O Filho verbo encarnado, humanado, fraqueza de nossa riqueza, todo a nossa riqueza e pertença: ‘é meu’. É meu diz Jesus, pois feito meu, conquistado por Ele, a serviço de toda a criatura, agora tudo pertence a ele, na liberdade de um amor único, da liberdade da cruz. Porque ‘é meu’ não possui, pois com nada ficou, mas tudo entregou nas mãos do Pai. E tudo, na liberdade do amor que redime, vai para Ele, como nos diz o apocalipse: todos diante do cordeiro a cantar”, refletiu o arcebispo. Ele citou Apocalipse 5,11-13: “E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões, e milhares de milhares, Que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças. E ouvi toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e todas as coisas que neles há, dizendo: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre.” No texto ele percebe “a bela imagem do Apocalipse a nos dizer ‘é meu’, isto é, fomos conquistados, atraídos por um amor, pertencemos a esse amor redentor, esse amor encanado.” Participação na vida da Trindade Em palavras do cardeal Steiner: “na Trindade, no pertencimento à Trindade, na participação do amor da Trindade, nos tornamos anúncio e temos um pertencimento. ‘vos anunciará, é meu.’ Assim, ao traçarmos sobre nós a cruz e ao benzermos com a cruz, estamos manifestando nossa participação na vida da Trindade. Pois estamos afirmando nossa pertença ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Ao mesmo tempo estamos a anunciar a vida da Trindade na qual nos movemos e somos. Tudo na pertença e anúncio que nos foi possibilitado pelo amor do Crucificado e nos dons recebidos o Espírito Santo. Nas cruzes reafirmamos que fomos gerados pelo amor da cruz e ao visibilizarmos o símbolo da vida na morte anunciamos o mistério da salvação, isto é, a beleza de um amor inaudito.” Ele destacou que “No Ano Santo da esperança, nos apercebemos que essa pertença e esse anúncio é uma pertença de esperança, um anúncio de esperança. Na Trindade somos ungidos com o bálsamo da esperança, porque o Espírito Santo é o reconstrutor da esperança. Uma esperança que não desilude, uma esperança duradoura.” Uma afirmação…
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Pentecostes 2025 em Manaus: Uma celebração de esperança

Pentecostes pode ser considerada a grande festa católica na cidade de Manaus. Milhares de pessoas, 70 mil segundo números oficiais dos Bombeiros do Estado do Amazonas, chegadas das comunidades, áreas missionárias, paroquias, pastorais e movimentos, se reúnem desde 1998 no Sambódromo para invocar o Espírito Santo, com o tema “No Espírito Santo, Peregrinos de Esperança”. Protagonismo da Juventude Em um clima de grande festa, perceptível nos rostos dos presentes, iniciou uma longa procissão de entrada, com protagonismo especial para a Juventude, que na arquidiocese de Manaus está celebrando seu Sínodo e que na celebração de hoje foi convocada pelo arcebispo para a Assembleia Sinodal, que será realizada de 05 a 08 de dezembro, com a participação de 450 jovens e 60 adultos. Uma oportunidade, como diz a carta de convocação, que recorda o caminho percorrido ao longo de dois anos, para “discernir juntos os traços de novos caminhos”. Para isso, “conduzidos pelo Espírito Santo queremos viver nossa missão como Igreja de rosto amazónico, sinodal e profético”. Presença do arcebispo, bispos auxiliares e eméritos A celebração, presidida pelo arcebispo, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, contou com a presença dos bispos auxiliares, dom Zenildo Lima, dom Hudson Ribeiro e dom Samuel Ferreira de Lima, e dos bispos eméritos, dom Mário Pasqualotto, e dom Luiz Soares Vieira, recentemente retornado para morar em Manaus, algo que o cardeal destacou no início de sua homilia, mostrando grande alegria pela presença do arcebispo emérito, uma alegria expressada pelo povo manauara com sonoras palmas. O arcebispo de Manaus ressaltou como é bonito poder celebrarmos juntos Pentecostes, “podermos louvar e bendizer a Deus pelo Espírito Santo que recebemos”. O cardeal Steiner questionou: “Ah não fosse o Espírito Santo, o que seria da Igreja? O que seria das nossas comunidades?”. Isso, porque “foi o Espírito que conduziu a Igreja através dos séculos, nos seus momentos mais difíceis. Nos seus momentos de pecado foi Ele que conduziu e continua a conduzir. E nós o experimentamos”, salientou o presidente da celebração. Peregrinos de esperança Lembrando o texto do Evangelho lido na celebração, o arcebispo recordou que Jesus enviou o Espírito Santo, sublinhando que todos nós recebemos no Batismo e na Crisma, destacando quantos adultos se crismaram ultimamente na arquidiocese de Manaus, “porque descobrem a beleza, a nobreza do Espírito Santo”. Segundo o cardeal Steiner, “foi soprado sobre nós o Espírito, um espírito novo, um espírito de justiça, um espírito de esperança”, afirmando que “por isso somos todos peregrinos, peregrinas de esperança, porque foi soprado sobre nós, foi ungido em nós o Espírito Santo”. “É por isso que peregrinamos neste mundo, caminhamos neste mundo com esperança, porque recebemos o sopro do Espírito, a vida nova”, disse o cardeal. Ele, recordando que na primeira leitura falava do vendaval do Espírito, recordou as palavras de Papa Francisco em uma festa de Pentecostes, quando disse que “o vento era forte, mas não destruidor, era forte o fogo, mas não destruidor”. Segundo o arcebispo de Manaus, “o vento que recebemos é forte, nos conduz, nos ilumina, fortifica os nossos passos, aquece os nossos corações, mas é suave, ele não se impõe, ele se insinua. E nós, na medida em que vamos criando a sensibilidade para o Espírito Santo, vamos sabendo para onde caminhar na vida”. E ainda mais, reforçou o cardeal Steiner, “quando o Espírito novo penetra em nós, somos enviados a anunciar um mundo novo, o mundo do ressuscitado, não mais o mundo da morte, não mais o mundo do pecado, mas o mundo da vida nova”. Segundo o arcebispo de Manaus, “somos todos enviados para testemunhar que Jesus ressuscitou e venceu a morte. Somos todos enviados para anunciar e dizer: o Espírito está sobre nós, está em nós e nos envia”. Um envio que é especialmente “ao encontro dos pequenos, dos pobres, os injustiçados, aqueles que ninguém quer, aqueles que não tem ninguém. É para lá que o Espírito nos envia”. Ministérios sopros do Espírito Seguindo a segunda leitura proclamada na celebração, o cardeal disse que “os nossos ministérios são todos sopros do Espírito”, ressaltando que “os nossos ministérios ordenados não são nossos, foi pela invocação do Espírito Santo que recebemos o ministério”, fazendo um chamado aos ministros ordenados a ser gratos, a “nos abrirmos à graça do Espírito Santo para não trairmos o nosso ministério, para não nos esquecermos que o ministério não é nosso, é da Igreja, para a Igreja”. Junto com isso, destacou a diversidade de ministérios que o Espírito Santo suscitou na Igreja. Finalmente, o cardeal pediu que “nossa celebração de Pentecostes seja sempre uma celebração de esperança”, fazendo um chamado a peregrinarmos no Espírito, a ser na família e na comunidade testemunha da esperança de uma vida nova, do sopro do Espírito que somos chamados a transmitir aos outros.

Cardeal Steiner no Seminário Faça Bonito: “Que cresça cada vez mais o cuidado de nossas crianças”

O auditório Deputado Belarmino Lins, na Assembleia Legislativa do Amazonas, acolhe de 04 a 06 de junho de 2025 o Seminário Estadual Faça Bonito, que comemora os 25 anos do 18 de Maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O resultado de uma caminhada O Seminário conta com a participação de representantes da Igreja católica, dentre eles o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, o bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus, dom Joaquim Hudson de Souza Ribeiro, e a coordenadora estadual da Rede um Grito pela Vida, Ir. Michele Silva. Na abertura, o cardeal Steiner destacou que o seminário vem precedido por um caminho de muitos anos, que “tem antecedentes, tem buscas, tem discussões, tem mulheres guerreiras, pessoas que se preocuparam até chegarmos aqui”. Ele ressaltou que “o 18 de maio é resultado de uma caminhada, de uma busca, de uma preocupação, de uma admiração, especialmente de um cuidado, um cuidado em relação às nossas crianças e adolescentes”. É por isso que “poder celebrar 25 anos é poder também agradecer a todas essas pessoas que nos ajudaram nessa longa caminhada”. Ser criança O arcebispo de Manaus fez um chamado a “não esquecer o passado, não esquecer as buscas, e por isso é uma possibilidade de estarmos aqui porque há passado, há busca, há cuidado”. Ele recordou as palavras de Jesus no Evangelho, onde ele nos chama a ser criança. O cardeal disse que “criança é o melhor ser, criança é futuro, mas futuro presente, criança é a possibilidade de ser cada vez mais pessoa, ter uma identidade própria. Criança é a possibilidade de ser mulher, de ser homem, de ser pessoa. E nós que cremos, dizemos, a possibilidade de cada vez mais ser filho, filha de Deus. É por isso que nós nos reunimos e nos preocupamos com as nossas crianças”. Uma preocupação que segundo o presidente do Regional Norte 1, é em relação “à sexualidade, a nossa preocupação em relação aos abusos que acontecem. Não ao sexo, mas à sexualidade, porque a sexualidade é uma grandeza de alma”. Analisando a etimologia da palavra sexualidade, ele disse que “ela carrega uma força, uma energia, uma vitalidade. A sexualidade é uma vitalidade de cada um de nós”. Diante disso, o cardeal Steiner refletiu sobre o ser abusado, quando a alma é abusada. Maior cuidado e políticas públicas      O cardeal Steiner pediu que o seminário seja oportunidade “para que cresça cada vez mais o cuidado de nossas crianças, mas cresça cada vez mais também políticas públicas, os nossos governos se interessem e ajudem a cuidar”. Ele destacou o compromisso da arquidiocese de Manaus “para podermos superar essa agressão à sexualidade humana”. Finalmente, o arcebispo pediu que “nós, ao olharmos as crianças, não vejamos lágrimas, mas sorrisos. Ao olhar as crianças, não vejamos crianças que se escondem. Não por vergonha, mas pela agressão recebida. E possamos vê-las na liberdade, possamos vê-las na liberdade porque pessoas, filhos e filhas de Deus, não se imaginam como nós. Ao longo do seminário serão abordados os avanços, normativas e desafios na Rede de Proteção, assim como as boas práticas na atenção às vítimas de violência sexual. Igualmente será apresentado o papel da pesquisa na prevenção da violência sexual, com os aportes de dom Hudson Ribeiro. Também será realizada uma contextualização dessa problemática no Brasil, o papel do homem na prevenção dessas violências ou os desafios a enfrentar quando o agressor também é adolescente. O último dia, será tratado sobre a “Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências e os Núcleos de Prevenção de Violências e Promoção da Saúde”. Junto com isso a vigilância e a importância da Saúde na identificação das violências e outras questões relacionadas com o tema da Saúde.           

Cardeal Steiner: “Na medida em que vamos caminhando na fé, nós vamos percebendo a presença de Jesus”

Na solenidade da Ascensão do Senhor, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando que a liturgia dos últimos dias, “veio nos preparando para a solenidade que celebramos hoje. E a solenidade que celebramos hoje da Ascensão do Senhor nos prepara para a celebração de Pentecostes, que celebraremos no próximo domingo”. Nas leituras da última semana “Jesus estava como que se despedindo e preparando os discípulos para a vinda do Espírito Santo”. Voltam com grande alegria Na Solenidade da Ascenção, o Senhor “desaparece aos olhos e não é visto e não vendo adoram, e retornam à sua cotidianidade, ao seu dia a dia”. Junto com isso, segundo o cardeal refletiu, na primeira leitura, “Jesus foi elevado ao céu à vista deles”, destacando que longe de se entristecerem, os discípulos “voltam para Jerusalém com grande alegria”. O arcebispo disse que “é verdade, temos necessidade de ver. Ver nos dá a percepção de segurança e sabermos onde nos encontramos em determinado lugar. Ver nos faz perceber onde nos encontramos, mesmo quando nosso sofrimento. É que no ver, vemos mais do que os nossos olhos. Ver é aquela percepção de nos situarmos, nos localizarmos, nos encontrarmos. Ver, porque também os cegos veem”. Analisando a primeira leitura, nos dois homens vestidos de branco, ele disse que “recordam aos apóstolos que a nova situação deve levá-los a caminhar, mas caminhar na esperança”. Um chamado a caminhar com aquele que “se fez caminho: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ele agora será visível no caminhar, e caminhando vemos Jesus”. Nesse sentido, ele sublinhou que “na medida em que vamos caminhando na fé, nós vamos percebendo a presença de Jesus, e o vemos”. Jesus “faz descobrir nos passos sempre uma nuvem de não saber de antemão, invisível aos olhos, mas que faz fazer o caminho da luta, da labuta, da nossa cotidianidade. Ele encoberto pela nuvem dos nossos saberes, das nossas dogmatizações, das nossas definições, das nossas determinações”, disse o arcebispo de Manaus. Sobre o fato de os apóstolos serem conduzidos a Betânia, o cardeal recordou as palavras do venerável Beda, mostrando que Betânia significa “a casa da obediência”. É por isso que “foi para essa cidade da obediência, da atenção, da descoberta, da reverente audição que Jesus conduziu os seus discípulos porque viveram da nuvem do não-ser. Saber pré-determinado, um saber encoberto a ser descoberto, que é eterno na riqueza da presença de Deus em nossa humanidade. E Jesus continua presente no meio de nós, mesmo tendo subido aos céus”. Permanecer na escuta Algo que se faz presente na Liturgia, pois “quantas vezes nós dizemos, o Senhor esteja convosco, e nós respondemos, Ele está no meio de nós”, lembrou o cardeal. É por isso que Solenidade da Ascenção, “nos faz ver sem os olhos e permanecermos na escuta, na busca da presença salvadora, libertadora de Jesus, como quem perscruta o horizonte no deserto esperando chuva. E no perscrutar o horizonte da nossa cotidianidade, nos nossos afazeres, vemos o Senhor em contato. Coberto pela nuvem, mas vivo e presente no meio de nós. A ele ninguém viu, mas se nos amarmos uns aos outros e guardarmos a sua palavra, ele virá e fará em nós sua morada”, disse o presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. “Nesse tatear, nesse buscar, nesse servir, nesse amar, é que somos tocados pela presença do Senhor, porque ele virá e fará em nós a sua morada. Ele se aproxima, nos toca e nos liberta. E vivemos numa espécie de eterna não fixação em Jesus. É como se Jesus sempre de novo fosse se revelando, através dos nossos momentos de oração, através do nosso serviço aos pobres, no cuidado do meio ambiente. A nossa assembleia celebrando presencializa Jesus que subiu aos céus, não estamos sós, continua no meio de nós”, refletiu o cardeal Steiner. Seguindo as palavras de Paulo aos Efésios, o arcebispo de Manaus disse que “o caminho agora é o da esperança e nós estamos no Ano da Esperança”. Uma reflexão também presente em Santo Agostinho, que diz que “Cristo já foi elevado ao mais alto dos céus, contudo continua sofrendo na terra através das tribulações que nós experimentamos como seus membros”. É por isso, que ele enfatizou que “Cristo está no céu, mas também está conosco e nós, permanecendo na terra, estamos também com Ele e por sua divindade, por seu poder, por seu amor, Ele está conosco e nós, embora não possamos realizar isso pela divindade como Ele, ao menos podemos realizar pelo amor que temos aos irmãos e as irmãs”. Ter olhos e coração para o encontrar O cardeal recordou as palavras de Papa Francisco na Solenidade da Ascensão, que falava sobre a nova forma de presença de Jesus no meio de nós, que “pede-nos para ter olhos e coração para o encontrar, para servir, para testemunhar Jesus aos outros. Trata-se de ser homens e mulheres da ascensão. São os que já buscadores de Cristo nas sendas do nosso tempo, levando a sua Palavra de salvação até os confins da terra”. Segundo ele, “nesse caminho, nesse itinerário, encontramos o próprio Jesus nos irmãos e irmãs, sobretudo nos mais pequenos, sobretudo nos pobres, enquanto sofrem na própria carne a dura, mortificadora experiência de antigas e novas pobrezas. Assim, como inicialmente Cristo ressuscitado enviou seus apóstolos com a força do Espírito Santo, também hoje Ele nos envia com a mesma força para dar sinais concretos e visíveis de esperança”. É por isso que Jesus “nos devolve a esperança, porque nos enviará o Espírito Santo”, disse o arcebispo. Segundo ele, “nessa visão e participação, recebemos gratuitamente os olhos da fé, que vê em novos céus e nova terra, e que a nuvem anuncia um novo tempo, o tempo da esperança”. Na Solenidade da Ascensão do Senhor, o cardeal Steiner pediu que “voltemos também nós, com alegria, a nossa cotidianidade, voltemos com satisfação ao dia a dia, para bem vivermos o dom de sermos participantes de Jesus, já agora…
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Cardeal Steiner: Um Conclave para eleger um Papa “que desse continuidade ao Concílio Vaticano II”

O arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, um dos 133 eleitores que participaram da escolha do Papa Leão XIV, partilhou com o clero da arquidiocese suas vivências durante o Conclave e as congregações gerais prévias. Saber o estado da Igreja no mundo Ele iniciou sua partilha com a oração que os cardeais eleitores fizeram antes de entrar na Capela Sistina. Uma oração que, segundo o arcebispo de Manaus, resume o caráter eclesial da eleição do Romano Pontífice. Uma escolha do Papa que foi precedida pelas congregações gerais, onde cada cardeal, que fazia um juramento, podia tomar a palavra. A grande questão desses encontros prévios era “sabermos como a Igreja se encontrava no mundo inteiro”, aparecendo a enorme riqueza expressada pelos cardeais de mais de 70 países, aparecendo como “a Igreja vai se inculturando nas diversas realidades”. O pedido dos cardeais foi que o Papa fosse “alguém que desse continuidade ao Concílio Vaticano II como deu o Papa Francisco”, destacou o cardeal Steiner, ressaltando a necessidade de continuar com suas propostas evangelizadoras. O arcebispo de Manaus mostrou a importância da homilia do cardeal Re no funeral de Papa Francisco, que “tinha conseguido trazer alguns elementos importantes do pontificado de Papa Francisco”, enfatizando que “a reação na Praça de São Pedro àquilo que ele falava, repercutiu depois nas congregações”, dado que “os fiéis sabem por onde a Igreja deve ir”. As congregações gerais foram um momento dos cardeais se conhecerem, de troca de ideias para ir descobrindo o perfil daquele que poderia ajudar a conduzir a Igreja. Toda a Igreja presente no Conclave Depois da Missa pro Elegendo Pontífice, na manhã do dia 7 de maio, os cardeais ficaram isolados na Casa Santa Marta. Na tarde, os cardeais se dirigiram à Capela Paulina, sendo colocados conforme a data de criação de cardeais e conforme as três ordens dentro do Colégio Cardinalício: bispos, presbíteros e diáconos. O cardeal Steiner destacou a quase meia hora de silêncio nesse momento antes do cardeal Parolin dar início ao Conclave e iniciar a procissão até a Capela Sistina. Esse foi para o arcebispo de Manaus o momento mais emocionante, o mais significativo, com o canto da Ladainha de todos os santos, mostrando assim que “toda a Igreja estava presente. Igreja não como organização, mas a Igreja como Reino de Deus, a Igreja como Povo de Deus”. Algo que o cardeal considera muito importante, “porque você está invocando aqueles que já peregrinaram, já fizeram o itinerário, já viveram o Evangelho, já experimentaram a grandeza do Evangelho”, ressaltando que esse é um momento eclesial. Logo em seguida foi invocado o Veni Creator, “de novo esse sentido de que não somos nós que estamos ali, mas é a Igreja”. O fato de os cardeais estar com a veste litúrgica, é explicado por que “não é uma votação, é uma celebração”. Uma longa salva de palmas Ele contou brevemente os elementos que fazem parte das votações, destacando como algo que impressiona o fato de votar na frente do Juízo Final. No quarto escrutínio, quando deu o número de 89 votos, que eram os necessários para ser eleito, uma longa salva de palmas tomou conta da Capela Sistina e todos os cardeais se levantaram. Nesse momento, disse o cardeal Steiner, “você percebe o significado enorme de Pedro para a Igreja católica”. Terminada a recontagem, o cardeal Parolin perguntou ao cardeal Prevost se ele aceitava. Ele aceitou e disse que o nome seria Leão, que posteriormente, já com as vestes de Papa, foi cumprimentado por todos os cardeais e cerimoniários que estavam a serviço. Mesmo tendo trabalhado com o cardeal Prevost, no Sínodo sobre a Sinodalidade, e em um grupo de trabalho criado em torno ao Sínodo, para abordar a questão da nomeação dos bispos, o cardeal Steiner disse que uma vez que ele coloca a veste de Papa, “parece que tem uma autoridade que você antes não via”.  Ele insiste em que o Conclave “é uma experiência única”. Com o jeito latino-americano Do novo Papa, o arcebispo de Manaus destaca que “ele tem muito do jeito latino-americano, é muito simples, no trato muito próximo, é um homem que escuta muito. Não é de falar muito, mas que depois de escutar, encaminha”. Segundo o cardeal Steiner, “essas virtudes vão ajudá-lo a conduzir a Igreja”, ressaltando que “ele irá dar continuidade às iniciativas de Papa Francisco”. O Papa irá reunir os cardeais uma vez por ano, e desde a primeira reunião com os cardeais, no dia 10 de maio, ele quis escutá-los, perguntando o que a Igreja deveria fazer daqui para frente. O cardeal insistiu em que o Papa Leão XIV será alguém que “vai ouvir antes de tomar certas decisões”. Das conversas previas ao Conclave, o arcebispo de Manaus destaca como admirável que “os cardeais tenham insistido que a Igreja precisava de alguém que fosse um pastor e que tivesse profunda experiência de pastoreio numa diocese”, algo que considera bastante decisivo para elegê-lo. Os cardeais, mas que com a procedência do novo Papa, queriam alguém preocupado com “a questão dos pobres, a questão da paz”. Um Papa que escuta Com relação à sinodalidade, o cardeal Steiner disse que no grupo que aborda a questão da eleição dos bispos, o cardeal Prevost tinha insistido na necessidade de ouvir os conselhos pastorais diocesanos para indicar o perfil do bispo que precisa essa diocese. Algo que o arcebispo de Manaus percebeu na fala aos fiéis da diocese de Chiclayo pouco depois de ser eleito, de quem ele disse que tinha aprendido tanto, destacando a questão do sensus fidei. De fato, sendo bispo no Peru, ele ouvia muito às comunidades, ficava anotando as coisas, aprendendo com a experiência de fé que o povo faz nas comunidades, que para o cardeal Steiner é um ensinamento, uma espécie de Magistério. O Papa Leão XIV é visto pelo cardeal Steiner como alguém do meio dos pobres, afirmando que “quem viveu no meio dos pobres não sai o mesmo”. Mais do que unidade, o arcebispo de Manaus disse que…
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Cardeal Steiner chama a “Uma mudança na economia que se tornou reguladora, dominadora da vida”

O sonho ecológico em uma perspectiva econômica foi o ponto de reflexão no quarto dia do II Encontro Sinodal de Reitores de Universidades para o Cuidado da Casa Comum, que acontece de 20 a 24 de maio de 2025 na Pontifícia Universidade Católica de Rio de Janeiro (PUC-Rio). Um congresso em torno a Laudato si´, que “depois da Pacem in Terris de São João XXIII, talvez, tenha sido o documento da Igreja com maior repercussão e de valor para o espaço e tempo em que vivemos”, segundo o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, que refletiu sobre “A caminho de uma Possível Remissão da Dívida”. Vivemos numa Casa Comum Um texto pontifício que representa “um horizonte que se abriu, mas que ainda necessita de provocações, debates, para perceber que vivemos numa Casa Comum”, segundo o arcebispo. Ele agradece a Papa Francisco “por nos ter ofertado essa pérola preciosa”, um documento que “foi decisivo nas discussões da COP de Paris”. O cardeal fez quatro provocações: Hermenêutica da totalidade; pensar calculante e poético; o movimento da palavra economia; e Eco-nomia como esperança. Segundo o arcebispo, em Querida Amazônia, “os quatro sonhos, as quatro dimensões, oferecem a totalidade do modo de ser, de viver, uma hermenêutica da totalidade”. Uma encíclica que “é essencialmente o cuidado com o todo!”, abordando a questão econômica como “dinâmica da convivência, desestruturando a Casa comum”. Ele lembrou as palavras dos bispos da Amazônia em Santarém 1972: “para uma verdadeira encarnação e libertação!” Segundo o arcebispo de Manaus, a hermenêutica da totalidade “possibilita uma outra hermenêutica da narração do Génesis, que convida a ‘dominar’ a terra”, fazendo um chamado a “cultivar e guardar”, abrindo assim “a uma conversão de relação de reciprocidade responsável entre o ser humano e a natureza (LS 67)”. Um cuidado que nessa hermenêutica é individual e comunitário, que faz necessário “considerar as interações dos sistemas naturais entre si e com os sistemas sociais”, entender que a crise é socioambiental, que “a conversão ecológica afina a relação entre a natureza e a sociedade”, que “despertar a sensibilidade de que participamos da natureza e que a recebemos como casa comum, possibilita uma relação nova de acolhida, respeito, reverência, irmandade”. Nessa hermenêutica da totalidade somos chamados a “reaprender a habitar”, com novas relações. Essa hermenêutica desafia a “uma mudança na economia que se tornou reguladora, dominadora da vida”, que se abre à admiração. A essência do ser revelada através da linguagem O cardeal Steiner refletiu sobre a Eco-nomia a partir do pensamento de Martin Heidegger, para quem “a essência do ser é revelada através da linguagem, e a linguagem é o lugar onde o ser se manifesta e se expressa”. Isso nos leva a entender que “estamos sendo movidos pela palavra, vamos percebendo uma totalidade que se desfaz, uma totalidade que se mantém pela teimosia da esperança, com palavras”. Uma casa que no mundo indígena é “onde se vive”, que leva a entender a Casa Comum, termo acunhado por Francisco, como “a espacialidade para servir”. O segundo modo de conhecer, segundo o cardeal, seguindo o pensamento de Romano Guardini “fazem as energias e as substâncias convergirem para um único fim: a máquina, desenvolvendo uma tecnologia da submissão do ser vivo, mas também para o econômico, o lucro. A tecnologia permite viver melhor, comunicar e ter muitas vantagens, mas alerta para o risco de ela se tornar reguladora, se não dominadora, da vida, se torne um modo de pensar que domine as relações humanas”. O grande perigo é que “o homem perde todos os laços interiores que lhe conferem um sentido orgânico da medida e das formas de expressão em harmonia com a natureza”. E junto com isso, o perigo de entrar na lógica do “se pode ser feito, é lícito”, de entrar no pensar da máquina, do “pensar calculante”, como afirmava Heidegger, algo que tem muito a ver com a Inteligência Artificial. Perigos da economia imediatista Nessa perspectiva, o cardeal falou sobre a economia como esperança, que leva a refletir sobre o fato de que “os recursos da terra estão a ser depredados também por causa de formas imediatistas de entender a economia”. Algo que tem a ver com a maximização do lucro, que entende a relação com o meio ambiente desde os interesses particulares, “o interesse econômico, chega a prevalecer sobre o bem comum e manipula a informação para não ver afetados os seus projetos”. Uma dinâmica que faz com que “os grupos econômicos tomaram conta do poder político e impõe retrocessos em relação ao meio ambiente”, segundo o arcebispo de Manaus. A Encíclica, afirma o cardeal, “demonstra a relação doentia entre tecnologia-economia e meio ambiente”, dado que “o que conta é o lucro, o ganho financeiro”. Uma economia que mata que destrói o meio ambiente e assassina os defensores ambientais, como aconteceu com Dom e Bruno no Vale do Javari, que está atrás do Marco Temporal, do garimpo ilegal. Só existe um interesse: o dinheiro. Diante disso, aprender com os povos originários, de sua capacidade para fazer economia em harmonia com o meio ambiente. Nesse sentido, “a Laudato si´é um convite a procurar outras maneiras de entender a economia e o progresso, o valor próprio de cada criatura”. Restabelecer a Justiça de Deus A esperança, presente no Ano Jubilar, é devolver, perdoar dívidas como uma questão de justiça, como caminho da Paz, buscando restabelecer a justiça de Deus nos diferentes âmbitos da vida. Daí o chamado que ele faz a ver o Jubileu como “um acontecimento que impele a procurar a justiça libertadora de Deus em toda a terra e sentimo-nos chamados denunciar tantas situações de exploração da terra e de opressão dos pobres”. Algo que tem que se traduzir em gestos concretos. Provocações que são “um chamamento inicial para sinodalmente deixar ecoar o meio ambiente numa economia servidora, não exploradora”, com uma mudança cultural, que nos leve a descobrir que “somos todos devedores, mas também todos necessários uns aos outros”. Isso porque “Deus confiou aos nosso cuidado da obra criada, deu a vocação de…
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Dom Hudson Ribeiro: Maior incidência política das universidades para obter resultados na COP 30

O II Encontro Sinodal de Reitores de Universidades para o Cuidado da Casa Comum que acontece na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), conta com a presença de representantes de universidades de toda América, da Espanha, Portugal e Reino Unido. Entre os participantes está o diretor da Faculdade Católica do Amazonas, dom Hudson Ribeiro. O melhor somos nós Na reflexão em torno ao sonho cultural, o bispo auxiliar de Manaus, em vista da COP 30, contava que durante o mestrado na Universidade Católica de Milão, ele teve uma experiência no Benin, que tem como símbolo um pássaro chamado sankofa, que no desenho olha para trás e tem um ovo na boca. Sem saber o que significava, diante dos poucos recursos da comunidade, ele murmurou que lá não tinham nada. Diante disso, uma senhora irritada disse assim para ele: “você não vê, aqui nós temos o melhor e o melhor desse lugar somos nós”. Um ensinamento que lhe levou a aprender a trabalhar com o que nós temos, o melhor somos nós. Uma realidade que o bispo auxiliar de Manaus disse ter encontrado também na Amazônia, “escutando as comunidades indígenas, escutando as comunidades ribeirinhas, que o elemento chave para facilitar o diálogo, preservar a cultura, seria a memória”. Segundo ele, “a memória está no centro daquilo que a gente professa como fé, como cristãos católicos”. Algo presente na Eucaristia e na Bíblia, dado que “quando o povo perdia a memória, a memória se retomava”. Nesse sentido, “a retomada da memória ela persegue a história da salvação”. Ir se encontrando Diante da mudança cultural que leva a olhar para frente, de progredir, isso faz com que “essa mudança epistemológica cultural tem os destroços, porque a gente não olha para trás”, segundo o bispo. Ele relatou o que acontece em Manaus com o encontro das águas do Rio Negro com o Rio Solimões. Rios que vem de longe, mas que ajudam a entender encontros como este, onde “a gente faz parte dos afluentes desses rios que vão se encontrando”. O encontro das águas, onde os dois rios caminham juntos por 14 quilómetros, é visto como expressão de um diálogo tão grande, que os leva a se juntar em um rio, a Amazonas, que se alarga. Falando da tecnologia social, ele disse que aí, “nós trazemos presente a temática do fazer memória. E fazer memória é o que tem ajudado as nossas comunidades ribeirinhas, os povos indígenas, de fato, a sobreviver e a saber tirar da floresta, de fato, a preservação”. Dom Hudson Ribeiro referiu-se a diversos elementos que ajudam a resgatar a memória, questionando “quanto nós estamos valorizando a memória, ao nos aproximarmos das nossas pesquisas, do nosso ensino, estamos olhando para frente, quanto olhamos para trás, para aprendermos do que não é possível mais fazer, para manter aquilo que já era possível e viável para que a gente continue de fato caminhando lado a lado como dois rios até se encontrar e desaguar no mar ou no oceano, dando sequência à vida. Necessidade de incidência política nas universidades Ele também se posicionou sobre o cada vez menor espaço das mulheres. Diante disso, ele reclamou das universidades maior incidência política como caminho para obter resultados na COP 30, porque quem vai debater lá na COP são chefes de Estado. “Então, nós podemos pensar nessas provocações a partir de ocupações de espaços políticos de agenda pública”, ressaltou dom Hudson Ribeiro. Nesse sentido, ele disse que “sem isso, os nossos avanços serão bastante limitados”, mostrando que a Faculdade Católica do Amazonas começou a investir nas escolas de formação. O bispo auxiliar de Manaus recordou, seguindo o pensamento de Papa Francisco, no Pacto Global pela Educação, a importância de “escutar as crianças, os adolescentes e os jovens, torná-los protagonistas. Não falar sobre, mas eles estarem conosco dizendo o que eles pensam, o que eles querem”. Nessa perspectiva, “essa nova formação de uma geração que possa ser escutada com possibilidade de incidência política, a gente precisa responder nas nossas instituições. Não dá para fazer isso dizendo que isso não é nosso. Isso é nosso. A gente precisa ocupar, voltar a ocupar os espaços que eram e que nós fomos perdendo”.