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Tag: Arquidiocese de Manaus

Uma profecia cada vez mais escassa e necessária

27 de agosto é uma data marcante na história da Igreja do Brasil. Foi nessa data que faleceram três bispos com grande destaque na vida do povo católico brasileiro: dom Hélder Câmara, em 1999, dom Luciano Mendes de Almeida, em 2006, e dom José Maria Pires, em 2017. Três homens de fé, esperança e caridade Três homens de fé, esperança e caridade, virtudes que sustentaram sua profecia, expressada em suas palavras, mas sobretudo em seu compromisso de vida, em suas causas, em seu compromisso por um Brasil mais justo, menos desigual. Mas também na concretização de uma Igreja mais missionária, mais próxima dos pobres, uma Igreja de todos. Eles acreditaram na Igreja católica como instrumento para ajudar a superar situações sociais que levam as pessoas ao sofrimento, para superar a pobreza, a desigualdade, o racismo, a luta pela terra, a exclusão social, as violações de direitos. Bispos companheiros de caminho do povo, que sabiam ir na frente, no meio ou atrás do povo, dependendo de cada momento e situação. Bispos que não duvidaram em incomodar os poderosos para defender os pequenos. Bispos que ajudaram a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, a ser uma voz respeitada na sociedade brasileira. Com sua sabedoria, inteligência, capacidade de raciocínio, experiência de Deus, eles se tornaram anunciadores do Reino de Deus. E faziam isso com gestos concretos, onde mostravam às claras aquilo que define o próprio Deus: sua capacidade de amar aos pequenos, aos descartados, àqueles que não tem lugar. Comprometidos com o Concílio Vaticano II Comprometidos com os ensinamentos do Concílio Vaticano II, encontraram em sua doutrina elementos para denunciar tudo aquilo que na sociedade brasileira contradiz o Evangelho. Bispos que chamavam as coisas pelo nome, apostando no cristianismo encarnado, comprometido com a justiça de Deus em defesa daqueles que ninguém defende, que a sociedade condena. Seguindo o Ano Jubilar que estamos vivenciando em 2025 podemos dizer que os três bispos falecidos na mesma data, 27 de agosto, foram peregrinos de esperança. As pessoas encontraram e continuam enxergando sementes de esperança em suas vidas. Seu exemplo tem que nos levar a nos questionarmos como sociedade e como Igreja, ainda mais diante de tantas pessoas que perderam a esperança em nosso tempo atual. Um espelho para o Brasil atual Homens que devem ser um espelho para o Brasil atual, para a Igreja católica que hoje peregrina no país. Somos desafiados a assumir que o Evangelho tem que ser vivenciado fora dos templos, que acreditar em Deus tem que nos levar a um compromisso de vida com as pessoas, especialmente na defesa dos descartados, daqueles que não contam. Bispos que colocaram seu ministério ao serviço de todos, que entenderam que ser bispo é um serviço e um compromisso com um mundo melhor. Falecer no mesmo dia não pode ser visto simplesmente como uma coincidência, mas como um sinal de Deus, que se faz presente nas pessoas. Eles são presença de Deus no meio de nós e sua vida é um chamado a sermos cada vez mais profetas, a não ficar indiferentes com a vida dos outros, especialmente com a vida dos pequenos. Editorial Rádio Rio Mar

Dom Zenildo Lima: CEAMA, “um novo modelo de articulação das forças eclesiais”

De 17 a 20 de agosto de 2025 quase 90 bispos da Pan-amazônia, representando 70 por cento das circunscrições eclesiásticas da região, se reuniram na sede do Conselho Episcopal Latino-americano e Caribenho (CELAM), em Bogotá. O primeiro encontro depois do Sínodo para a Amazônia, realizado em outubro de 2019. Eles foram convocados pela Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), um dos frutos desse sínodo. Uma experiência de encontro O vice-presidente da CEAMA, dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus avalia o momento vivido dizendo que “para alguns de nós foi uma experiência de reencontro, para boa parte foi experiência de um primeiro encontro”, dado que em todos os bispos atuais participaram do Sínodo para a Amazônia. Um encontro que teve como eixos principais a sinodalidade e a Conferência Eclesial da Amazônia como ferramenta para o exercício desta sinodalidade, segundo o bispo. Ele insiste em que “o objetivo muito específico era aproximar as igrejas locais, dioceses, prelazias, os vicariatos apostólicos da nossa Pan-Amazônia, desta realidade que é a Conferência Eclesial da Amazônia”. O vice-presidente da CEAMA destaca o desejo de “alcançar a compreensão e alcançar o coração do episcopado”, uma iniciativa que ele disse ter se alcançado com êxito. Até o ponto de afirmar que “o envolvimento dos bispos foi surpreendente, a adesão dos bispos ao encontro foi muito positiva. E, sobretudo, a gente perceber, a partir de dinâmicas de escuta nos processos de trabalho de grupo, o quanto as igrejas locais da Amazônia têm se esforçado para implementar processos de sinodalidade, seja a partir do Sínodo da Amazônia e seja a partir do recente Sínodo sobre a Sinodalidade”. A sinodalidade está viva Dom Zenildo Lima sublinha que “a sinodalidade está viva, é uma realidade nas nossas igrejas, e perceber que o Sínodo da Amazônia está vivo, é uma realidade nas nossas igrejas também.” Nessa perspectiva, ele destaca que “os bispos apresentaram algumas pautas que consideram muito importantes para que a gente possa enfrentá-las como comunhão do episcopado, mas sobretudo como comunhão das igrejas da Pan-Amazônia, capitaneadas por uma conferência eclesial”. Seu vice-presidente reconhece que “evidentemente ainda teremos que ter cada vez mais lucidez sobre a identidade desta conferência eclesial, sobre a estruturação, a composição desta conferência eclesial, sobre a regulamentação desta conferência e sobre o modo como ela consegue sustentar e apresentar a proposta de caminho de sinodalidade para as nossas igrejas.” Mas em geral, ele afirma que “a avaliação é muito positiva. Acho que alcançamos este objetivo de propor ao episcopado da Pan-Amazônia a proposta, o modelo de uma conferência eclesial como um caminho de desdobramento, seja para o Sínodo da Amazônia, como também para o Sínodo da Sinodalidade”. Os aportes da CEAMA Sobre os aportes da CEAMA, que o Relatório de Síntese da Primeira Sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade reconhece como exemplo de sinodalidade, o bispo mostra sua surpresa dado que no aparece na Fase de Implementação do Sínodo. Isso porque “o Sínodo sobre a Sinodalidade está buscando aquelas conversões das relações, dos processos. dos vínculos e das dinâmicas de formação em torno da sinodalidade”, afirma. Nesse sentido, ele enfatiza que “no que diz respeito a esta conversão dos processos e ao apresentar a conversão dos processos e do modo como nós tomamos as decisões, como nós agimos com transparência em relação à realização destas decisões, a CEAMA se apresenta como uma grande oportunidade de um novo modelo de articulação das forças eclesiais”. Mesmo com os diversos organismos de participação existentes, desde as conferências episcopais até os diversos conselhos de participação, em âmbito das igrejas locais ou mesmo das paróquias ou das comunidades eclesiais, o bispo afirma que “agora pensar um modelo novo que considera novos sujeitos, o que não compromete toda a estrutura hierárquica da Igreja, é uma possibilidade iluminadora.” Nessa perspectiva, a CEAMA aponta que “a nível de Igreja, nossas decisões, nossos processos missionários, nossos processos de consolidação da evangelização, podem ser feitos a partir de diferentes sujeitos, inclusive com tomada de decisões”. Reticências a processos de sinodalidade Diante das reticências e questionamentos com relação à CEAMA e sua estrutura, seu vice-presidente vê isso como “uma reticência ou um questionamento a processos de sinodalidade, uma insegurança diante dos processos de sinodalidade e das mudanças que esses processos implicam na vida da Igreja.” Um receio à sinodalidade que segundo dom Zenildo Lima “pode ter a ver com o receio de perda de poder”, refletindo que “a questão do poder é a questão da anomalia que atrofia a identidade da estrutura hierárquica da Igreja. Ou seja, o que sustenta a estrutura hierárquica da Igreja não é uma concepção de poder. O que sustenta esse dinamismo necessário e hierárquico da Igreja é como ela articula melhor os seus serviços evangelizadores”. Uma realidade que mostra que “uma conferência eclesial acaba sendo uma experiência subsidiária para o Ministério Episcopal, uma experiência subsidiária para o dinamismo hierárquico da Igreja, porque oferece condições de discernimento, que por si só, o dinamismo, a estrutura hierárquica não teria condições de fazê-lo”, enfatiza o bispo. É por isso, que em palavras de dom Zenildo Lima, “a Conferência Eclesial da Amazônia oferece suporte para as conferências episcopais. Assim como a sinodalidade oferece suporte, elementos e ferramentas para a estrutura hierárquica da Igreja”. As igrejas crescem em caminhos de sinodalidade Com relação à mensagem final do encontro, que valoriza “os passos dados na escuta, na articulação das dioceses, na revitalização dos conselhos, no planejamento pastoral, na formação teológica, espiritual, ministerial e pastoral, que busca responder aos sinais dos tempos”, o bispo vê essa mensagem não como perspectivas e ideais, mas como “resultados de partilhas do que as igrejas locais trouxeram.” Ele vê esses elementos compartilhados como prova de que “as igrejas estão crescendo em caminho de sinodalidade, a partir das assembleias diocesanas, dos sínodos diocesanos. As igrejas da Amazônia estão revitalizando esses conselhos de participação, como já são previstos no Código do Direito Canônico, mas que também podem ganhar novos dinamismos com essa perspectiva sinodal”. Um caminho que é fruto do fato de que “as…
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31° Grito dos Excluídos e Excluídas: “Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”

O Cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus e Presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participou da coletiva de imprensa do 31° Grito dos Excluídos e Excluídas 2025 que acontecerá no dia 05 de setembro com o tema “Vida em primeiro lugar” e o lema “Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”. O arcebispo reforçou que o Grito quer “refletir, discutir e proclamar o cuidado da Casa Comum e da Democracia, porque sempre tem um fundo, um horizonte que guia essas expressões que é a vida em primeiro lugar” e também que “é um privilégio morarmos aqui, é um privilégio morarmos numa região aonde nós ainda podemos apreciar a natureza no seu nascer.” Imposição de grupos de interesse Mas essa perspectiva se contrapõe já que “vemos e nos preocupamos porque a natureza cada vez mais é destruída e com projetos que estão no Congresso Nacional, nós veremos que a destruição acontecerá ainda mais, especialmente se for aprovada a mineração em Terras Indígenas”, como destacou o cardeal, principalmente pela dificuldade em demarcações das Terras Indígenas. Steiner também questionou se “os deputados e senadores, deputadas e senadoras permitiriam a mineração nas próprias terras, mas como a terra dos outros, como se trata de terras indígenas, então pode” o que situa a democracia em um espaço de “imposição de um determinado grupo de pessoas, com interesse, especialmente as empresas mineradores”. Ele enfatizou que o desejo desse grito é “trazer a vida em primeiro lugar, sempre a vida em primeiro lugar”, destacou que hoje “é possível perceber a nossa visão é mais larga quando falamos da vida” e dessa maneira falamos “da vida humana, da vida da natureza, da vida das nossas relações por isso também falamos da vida democrática” que também “corre perigo” ainda que nossas “instituições tenham funcionado, mas nós temos diversas dificuldades em relação à democracia” Cuidado da Casa Comum é fundamento da dignidade “A vida com seu valor, com a sua dignidade, com seus direitos e a necessidade do cuidado e a casa comum é fundamental para que a vida tenha dignidade, por isso a gente grita” foi o destaque feito por Pe. Alcimar Araújo, Vice-Presidente da Cáritas Arquidiocesana de Manaus, justamente para que no “processo democrático garantir aquilo que é o direito da natureza, o direito dos povos” e “a democracia nos possibilita isso: manifestar as nossas opiniões, nos organizarmos e com o coletivo, com força organizado podermos pressionar os governos” Ele insistiu que “na democracia se não há participação popular, há controle dos grupos de interesse do congresso” e que “a representação massiva do congresso não é uma representação Popular, mas a representação de grupos organizados do agronegócio, mineradoras, bancos, dos empresários, assim por diante.” Esses mesmos grupos “financiam campanhas para defender os seus direitos e nós muitas vezes como população os elegemos”, explicou. Disse também que “precisamos fazer a nossa parte porque a democracia não é só votar e deixar que eles trabalhem, a gente precisa participar, é preciso caminhar para uma democracia participativa em que a sociedade tenha consciência do seu papel, da sua responsabilidade para com as questões sociais” principalmente “porque uma vez que a gente não cuida daquilo que é o comum, algumas pessoas vão sofrer bastante”. Um Grito sobretudo de Esperança O coordenador de pastoral da Arquidiocese de Manaus, Pe. Geraldo Bendaham, comentou que “se nós gritamos, se tem um grito é porque tem dor, a gente pode gritar de alegria, mas fazer esse grito dos excluídos é por causa da dor, a dor é pessoal, é comunidade, mas é também social, sobretudo a dor é ecológica. O grito é para mostrar a sociedade, para o mundo que estamos muito preocupados, temos que demonstrar a nossa indignação com tudo que tá acontecendo”.  Em sua fala conduziu os presentes a se perguntarem se “está tudo bem com a nossa sociedade? com o nosso mundo?” e respondeu com a negativa “não tá bem, não tá bem economicamente, não tá socialmente, não tá bem ecologicamente” e convidou a “não ficar nesse pessimismo, em catástrofe” e que se faz necessário “manter a esperança, por isso que o grito é também de Esperança, nós temos a esperança no agora, no presente, de que esse grito também nos ajude para que as presente e futuras gerações possam ter um mundo melhor, sem lixo nos igarapés, por exemplo.” Na coletiva foram apresentadas as seguintes datas: no dia 29/08 será o lançamento da campanha “Água e lixo não combinam” em favor da despoluição e saneamento dos igarapés de Manaus, com a participação de 40 entidades públicas e privadas que serão convidadas para assinatura de uma Carta Compromisso, Parque do Mindú, às 15h. E no dia 05/09, às 15h, na rotatória do Novo Aleixo, Alameda Alphaville, e segue em direção ao Parque dos Gigantes.

Cardeal Steiner: “A medida da porta é Jesus e o seu Evangelho”

No 21º Domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando as palavras do Evangelho: “Procurai entrar pela porta estreita” (Lc 13,24). Ele enfatizou: “a porta, a porta estreita!” Segundo o cardeal: “No Evangelho de São João, Jesus se apresenta como a porta: ‘Eu sou a porta: se alguém entrar por mim, será salvo’ (Jo 10,9). Para entrar na vida, na salvação, deixar-se tomar por Deus, passamos, entrarmos por Ele, e não por outro. Acolhe a sua palavra, o Evangelho, somos convidados a passar pela porta estreita”. Participar da vida do Reino O arcebispo de Manaus enfatizou que “A porta estreita é uma imagem muito significativa, um modo de participar da vida do Reino.  Jesus apresenta a imagem da época, provavelmente referindo-se ao anoitecer, quando as portas da cidade eram fechadas e apenas uma, mais estreita e pequena, permanecia aberta. Para entrar na cidade, voltar para casa, no anoitecer se oferecida a segurança da porta estreita. Para regressar a casa, só se podia passar por essa porta estreita, pequenina”. Ele lembrou que “assim como para entrar na cidade era preciso ‘medir-se’ com a única porta estreita deixada aberta, também o nós entramos na morada, na casa do Reino pela porta estreita. Porta estreita, à medida de Jesus Cristo. Significa que a medida da porta é Jesus e o seu Evangelho: não o que pensamos, mas o que Ele nos ensina. E assim trata-se de uma porta estreita não porque se destina a poucos, mas porque ser como Jesus, segui-lo, comprometer a vida no amor, no serviço e no dom de si como Ele fez, passando pela porta estreita da cruz. A porta estreita da cruz é larga em generosidade, em amor, em cordialidade, em gratuidade. Entrar no com Jesus na vida do Reino, é superar o egoísmo, diminuir a presunção de autossuficiência, baixar as alturas da soberba e do orgulho”. Segundo o presidente do Regional Norte 1, “quando anoitece na nossa vida, quando se faz noite, sempre existe uma passagem para encontrar a verdadeira morada, participar da graça salvífica. Talvez, quando se faz noite, surge a possibilidade de encontrar a morada verdadeira, o Reino de Deus. Será sempre uma porta estreita que abre a porta larga da redenção, do amor, da misericórdia”. Jesus propõe a porta estreita Ele recordou a pergunta feita a Jesus na passagem do Evangelho do dia: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” O cardeal respondeu que “diante da inquietação pela salvação, Jesus propõe a porta estreita.” Ainda mais, ele sublinhou: “Sim queridos irmãos e irmãs, a salvação é pela simplicidade, pela humildade, pela pequenez. Nada de ostentação, de grandiosidade, de poder, de força. A salvação, o Reino de Deus tem uma passagem que conduz à morada, à plenitude, à eternidade.” “A porta estreita indicada por Jesus, nos despertar para viver de forma responsável, agarrar a vida. compromete-se, recusar a mediocridade, a acomodação, a alienação; não ceder à tentação do bem-estar, mas desejar os valores que transformam a vida; viver para os outros, a serviço, buscando animar, transformar a vida dos irmãos e das irmãs em dificuldade.  A porta estreita é um convite a sermos pequenos, simples, humildes, servos e servas, estar na dinâmica do amor doativo!”, disse o arcebispo de Manaus. Isso porque “se apalparmos a nossa cotidianidade, veremos, que tudo é pequeno, simples, sem ostentação, sem dominação. São relações, quase imperceptíveis, que nos deixam ser família, ser irmão, ser irmã, ser pai, ser mãe”, afirmou o arcebispo de Manaus. Gestos diários de amor que realizamos com esforço Ele recordou que Papa Francisco ao comentar o Evangelho de hoje nos ensina: “Pensemos, para sermos concretos, nos gestos diários de amor que realizamos com esforço: pensemos nos pais que se dedicam aos filhos fazendo sacrifícios e renunciando ao tempo para si mesmos; naqueles que cuidam dos outros e não apenas dos próprios interesses: quantas pessoas são assim, boas; pensemos em quantos se dedicam ao serviço dos idosos, dos mais pobres e mais frágeis; pensemos naquelas que continuam a trabalhar com empenho, suportando dificuldades e talvez incompreensões; pensemos em quantos sofrem por causa da fé, mas continuam a rezar e a amar; pensemos naqueles que, em vez de seguirem os próprios instintos, respondem ao mal com o bem, encontram a força para perdoar e a coragem para recomeçar. Estes são apenas alguns exemplos de pessoas que não escolhem a porta larga do próprio conforto, mas a porta estreita de Jesus, de uma vida vivida no amor. Estes, diz o Senhor hoje, serão reconhecidos pelo Pai muito mais do que aqueles que se consideram já salvos e, na realidade, na vida são ‘iníquos’ (Lc 13,27).” “O Evangelho nos indicava o caminho da porta, ao nos propor a porta do banquete que se fechou, impedindo a entrada daqueles que chegaram tarde. A porta estreita indica uma atenção própria de quem não adormece, se acomoda, negligenciando as oportunidades que a porta oferece. É uma passagem! A vida é uma passagem; passa rapidamente. Sem nos darmos conta, o tempo que temos à nossa disposição se esvai, esvazia, e a porta se fecha e acabamos por não entrar na morada, não participarmos da plenitude do Reino de Deus. Somos convidados a buscar as ‘coisas do alto’, as relações que edificam e realizam”, disse o cardeal Steiner. Ele recordou que “na parábola contada por Jesus há pessoas, vindas ‘do oriente e do ocidente, do norte e do sul’ que têm acesso ao banquete; e há outras pessoas que pensavam ter acesso garantido ao banquete, talvez até em lugar de destaque, mas que não conseguem entrar na sala onde o banquete se realiza. Entrar pela porta estreita e sentar-se à mesa do Reino de Deus não depende de direitos adquiridos por nascimento, ou de um ato formal de adesão a uma instituição, mas depende de seguir a Jesus, o Crucificado-ressuscitado”. Lei como sinalizações para o caminho da Aliança Na primeira leitura, o…
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Dom Zenildo Lima: “a sinodalidade é uma realidade viva, latente em nossas igrejas”

Um encontro com um grande potencial sinalizador, disse o bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus vice-presidente da Conferência Eclesial da Amazônia, dom Zenildo Lima. No final do encontro que tem reunido em Bogotá mais de 90 bispos da Pan-Amazônia, de 17 a 20 de agosto, ele enfatizou o “cansaço histórico que nós vivemos nesses contextos tão violentos, tão intolerantes e que produzem, geram relações de descarte. Por isso mesmo, tão agressivas com a nossa região da Amazônia, com a ausência de experiências, espaços de convivências que sejam sadias e esperançadoras”. Um caminho de construção de novas relações Segundo o bispo auxiliar de Manaus, “já há alguns anos, a consciência de seu papel evangelizador, anunciador de Jesus Cristo, a nossa Igreja católica tem assumido esse caminho, caminho de aproximação, caminho de construção de novas relações. Caminho de vivência, de experiência de Igreja a partir de relações que estamos chamando de sinodalidade.” Ele recordou a importância do Sínodo para a Amazônia, em 2019, “como um grande sinal”, que provocou o surgimento de novos sinais, sendo a Conferência Eclesial como “a visibilização desse sinal de relações novas, de relações de cuidado, de experiência religiosa que seja esperançadora”. Nessa perspectiva o bispo destacou como muito oportuno, perceber no encontro que as igrejas locais são “espaço por excelência da experiência da sinodalidade”, e que é aí que “estas experiências novas estão acontecendo”, o que faz da Igreja que está na Amazônia “um grande sinal da presença de Deus junto ao seu povo, tão machucado por essas relações violentas”. Dom Zenildo Lima enfatizou que foi um encontro de igrejas, dado que “os bispos trouxeram consigo, de suas igrejas locais, o testemunho desta sinodalidade, o testemunho desta novidade.” Um encontro que tem ajudado a perceber que o Sínodo e a sinodalidade “é uma realidade viva, latente em nossas igrejas”, sendo o encontro uma oportunidade para perceber que “estamos avançando, estamos juntos, estamos fortes”. Povos amazônicos condutores da história O bispo ressaltou o saber e conhecimento dos povos amazônicos, assim como sua consciência muito clara das relações que se estabelecem, sendo assim “construtores e condutores de história.” Diante da reunião dos presidentes da região amazônica, o bispo disse que “muito além de correspondências formais que podem receber dentro de um protocolo, são muito bem conhecedores dos grandes processos, das grandes tensões, dos grandes desafios e das grandes responsabilidades que tem em mãos”. Dos responsáveis pela governança, ele disse esperar “uma capacidade de escolha, de decisão política, a partir de suas consciências, pela vida, pelas relações, pelo bioma.” O bispo pediu decisões para o bem dos povos, dado que “as populações indígenas, os povos tradicionais, aqueles que são os grandes conhecedores das dinâmicas deste território, continuam nos conduzindo, continuam nos inspirando, continuam nos oferecendo os elementos para que o nosso discernimento se faça também segundo uma grande sabedoria que paira sobre esse nosso continente”. Escutar, discernir e compartilhar a caminhada Um encontro que voltou a evidenciar o compromisso da Igreja da Amazônia de levar “este anúncio do evangelho de Jesus para descobrir a grande riqueza das culturas indígenas, e também o grande desafio que temos diante dos efeitos das mudanças climáticas e do desmatamento”, como destacou o arcebispo emérito de Huancayo (Peru) e presidente da CEAMA, cardeal Pedro Barreto, que vê o encontro como um momento para assumir o compromisso de trabalhar juntos, além das fronteiras. O cardeal peruano insistiu que encontro foi oportunidade para “escutar, discernir e compartilhar nossa caminhada juntos, como pastores das Igrejas Particulares que peregrinam na Amazônia.” Da mesma forma, ele afirmou que “a Igreja com rosto amazônico anuncia Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado, a partir da Conferência Eclesial da Amazônia – CEAMA, acompanha e serve às Igrejas particulares em sua missão evangelizadora.” Isso porque “o anúncio, a organização e o compromisso eclesial devem ser acompanhados por um verdadeiro encontro”, chamando a não viver como ilhas, a não se fechar em si mesmo, mas a “amar e ser amado”, ser sinais da “ternura de Jesus, nosso Bom Pastor, que nos chama a participar de sua missão, não por nossos méritos nem pelo tempo que estamos em seu rebanho, mas por sua bondade e misericórdia”. Momento de amadurecimento Uma experiência de escuta que tem a ver com o bioma amazônico, nas palavras da vice-presidente da CEAMA, Patricia Gualinga, bem como com a realidade dos povos indígenas, as ameaças que sofrem e a evangelização a partir da inculturação. Uma dinâmica que levou à descoberta de que “todos estamos compartilhando realidades comuns”, segundo a indígena equatoriana, que insistiu na crise climática, que levou a Amazônia a um ponto sem volta, que tem a ver com muitas violações aos povos. O prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano, cardeal Michael Czerny, felicitou a CEAMA pela iniciativa desta reunião dos bispos. Ele disse esperar que este encontro “seja um momento de amadurecimento, um novo começo”, que produzirá coisas novas e interessantes sobre “como a Igreja continua tentando acompanhar o povo de Deus e o grande dom de Deus que é a Amazônia”.

Encontro da CEAMA: “as vozes dos Bispos da Amazônia sejam acolhidas, escutadas e consideradas”

A Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), “um dos frutos do Sínodo”, segundo o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), convocou os bispos da Amazônia para um encontro de 17 a 20 de agosto, em Bogotá. Necessária presença das igrejas particulares na CEAMA O cardeal vê Querida Amazônia como “um texto extraordinário que ainda pode nos ajudar muito no futuro.” Ele ressaltou a necessidade da presença na CEAMA das igrejas particulares, pois não pode ficar em um grupo. Mesmo com os avanços, o arcebispo de Manaus disse que “ainda temos um caminho longo a percorrer para que realmente se torne uma conferência eclesial.” Daí a importância desse encontro, dada a necessidade de todos entrar no espírito do Sínodo, “deixar que esse espírito chegue às nossas dioceses, às nossas igrejas particulares, às nossas comunidades”. O arcebispo de Manaus destacou o trabalho sinodal que fazem os bispos da Amazônia brasileira. Por isso, “esse nosso encontro é uma ocasião para afirmarmos a CEAMA, para nos firmarmos como uma Igreja que seja realmente eclesial, isto é, sinodal. Uma Igreja que escute as comunidades, uma Igreja que sabe escutar os leigos, escutar a Vida Religiosa, escutar a todos.” Ele refletiu sobre a diversidade eclesial, que ajuda a construir a Igreja sonhada por Papa Francisco, “uma Igreja que realmente está preocupada com os pequenos. Uma igreja que está preocupada com os povos originários”. Igualmente, o cardeal Steiner destacou a necessidade de “sermos cada vez uma Igreja profundamente encarnada.” Ele disse aos bispos que “nas nossas pessoas, no nosso ministério estão presentes as nossas igrejas, as nossas comunidades. Nós não seríamos bispos se não estivéssemos nas nossas dioceses, nas nossas comunidades.” Isso faz com que o encontro seja oportunidade para que “a CEAMA seja profundamente sinodal e seja uma Igreja realmente e profundamente eclesial. A participação dos leigos se torne cada vez mais profética, cada vez mais ministerial”. A CEAMA um verdadeiro milagre Por sua vez, o prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, cardeal Michael Czerny, disse que “a gestação e o nascimento da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) foram um verdadeiro milagre.” Ele destacou na CEAMA que “a sua missão foi definida em relação com uma pastoral compartilhada e inculturada que se devia promover entre as dioceses amazônicas”. Daí a relevância desse encontro dos bispos da Amazônia, que “tem como objetivo dar graças por tudo isso e, ao mesmo tempo, aprofundar seu chamado, redescobrir sua vocação e sua missão de maneira mais madura, e impulsionar uma nova etapa em sua caminhada.” O cardeal Czerny destacou na CEAMA que “os seus membros e participantes não são apenas bispos, mas que representam todas as vocações dentro do Povo de Deus”, sendo “uma Igreja não apenas de ministérios, mas também de carismas”, seguindo a proposta de Aparecida que afirmou que “os leigos devem participar do discernimento, da tomada de decisões, do planejamento e da execução” da vida e da missão de toda a Igreja. Ser eclesial não a faz menos episcopal Uma realidade que demonstra “uma brilhante e criativa recepção latino-americana, tanto do Concílio Vaticano II, como dos Sínodos sobre a Amazônia (2019) e sobre a Sinodalidade (2023-2024); abraçando a diversidade e potenciando a complementaridade; assim como convidando-nos a implementar dinâmicas comunicativas próprias de uma Igreja sinodal”, sublinhou o prefeito. Ele insistiu em que o fato de ser eclesial, não faz esta conferência menos episcopal, e fez um chamado a centrar-se na Igreja local, onde a Igreja molda “a sua própria identidade na escuta e diálogo com as pessoas, realidades e histórias do território”, segundo aparece em Querida Amazônia. O cardeal Czerny chamou a acrescentar na CEAMA a dimensão pastoral e territorial, que “supõe superar a concepção da Amazônia como um mero lugar geográfico e começar a compreendê-la como lugar da presença e revelação de Deus”, o que tem a ver com a necessidade de uma fé que “não é neutra nem abstrata, mas inculturada”. Junto com isso um chamado para que a CEAMA, mas do que fazer assuma o papel de “coordenar, articular e facilitar” e assim ajudar as igrejas locais “a enfrentar os principais desafios pastorais e realizar a sua missão”. É por isso que o encontro tem como objetivo “que as vozes dos Bispos da Amazônia sejam acolhidas, escutadas e consideradas, e que a CEAMA redefina a sua trajetória, relançando, acompanhando e ajudando as igrejas locais a realizar a sua missão”.

Cardeal Steiner no encontro da CEAMA: “um momento muito importante para podermos todos juntos refletir e caminhar”

Mais de 80 bispos da Pan-Amazônia, com a participação dos bispos do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), estão reunidos na sede do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM), em Bogotá (Colômbia), de 17 a 20 de agosto de 2025. Um encontro de escuta para ajudar nos processos de construção de um Plano Sinodal para a Igrejas da Pan-Amazônia. Um encontro para retomar o Sínodo Uma dinâmica que tem sido ressaltada pelo arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da CNBB na missa de abertura, onde foi celebrada a Missa da Criação: “estamos aqui para retomar o Sínodo, nos colocarmos mais uma vez a caminho, tentando assim expressar também o sínodo nas nossas dioceses, nas nossas Igrejas particulares”, afirmou. Ele sublinhou que “é um momento muito importante para a Igrejas que se encontram na Pan-Amazônia, para podermos assim todos juntos refletir e caminhar”, vendo no texto do Evangelho do dia um elemento que “pode nos ajudar nesse caminho”. No “vem e segue-me” de Jesus, o cardeal Steiner vê “uma atratividade de eternidade.” Ele citou as palavras de São João Crisóstomo, que disse que “não foi um ardor medíocre que o jovem revelou, estava como que apaixonado”, ressaltando que a diferença de outros, o jovem, “aproximou-se de Jesus para conversar da eternidade, a vida eterna”, dado que “o jovem viu em Jesus certamente um caminho, o caminho da bondade, da compaixão, da misericórdia, da transformação, da eternidade”. A riqueza dos mandamentos O arcebispo de Manaus refletiu sobre os mandamentos, que “às vezes soam como norma, como obrigação, como preceitos. Mas mandamentos são sinalizações, indicações, são iluminações, é o caminho que havia percorrido.” Mandamentos que cardeal definiu como “exercitar-se continuamente nessas tarefas do Espírito, sim, conhecer as riquezas, as transformações, as maturações que os mandamentos possibilitam, a possibilidade de desabrochar a vida, a possibilidade de chegar à maturidade da fé do povo de Deus”. O presidente do Regional Norte 1 refletiu sobre as atitudes do jovem, mostrando os passos dados, mas “ele havia intuído que em Jesus havia algo mais. Em Jesus havia mais que bondade, havia mais do que caridade”, destacou o cardeal Steiner. Daí a resposta de Jesus: “só te falta uma coisa, vai e vende tudo que tens e dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Vem e segue-me”, reconhecendo que “Jesus propõe um passo a mais. Tudo a partir de um grande amor. Um amor livre, gratuito. Um tesouro que dá sentido a tudo. Seguir, mas segui-lo na liberdade”. Seguir Jesus é um grande tesouro Isso porque “seguir tem a força, o vigor de uma ruptura. É um salto mortal, um salto existencial inigualável. É como que morrer para viver em Cristo, de Cristo, entrar no seu seguimento”, afirmou o arcebispo de Manaus. Ele reforçou: “seguir Jesus é um grande tesouro. Um movimento maravilhoso e transformador que é mais do que a abnegação cristã. É a liberdade do Crucificado Ressuscitado”. Frente a isso a resposta do jovem, que mostra que “o terreno era fértil, mas esbarrou na gratuidade do seguimento, na pobreza do seguimento. Desapareceu a ligeireza, a prontidão, a disponibilidade, a busca. O que sobrou? A tristeza, a lentidão dos passos, não mais perguntas pela eternidade. E distanciou-se de Jesus com passos lentos, com ar de frustração. Tinha dado a impressão que era um homem livre, pronto, mas não era. Carregava demais, tinha amarras demais. Por isso saiu desiludido, não descobriu o tesouro do viver, a vida eterna, feita pobreza, feita gratuidade”. Uma dinâmica que envolva as Igrejas da Pan-Amazônia O evangelho de hoje, enfatizou o cardeal Steiner, “nos provoca ao seguimento, a razão de ser de uma dinâmica que envolva todas as nossas Igrejas particulares, todas as nossas Igrejas da Pan-Amazônia. É aquele convite de vender tudo e seguir, seguir para viver da grandeza, da bondade do Reino de Deus. As nossas Igrejas, as nossas comunidades serem sinal, visibilização do Reino de Deus, da sinodalidade”. Para isso, ele pediu que “o convite do seguimento na gratuidade possa nos ajudar no caminho que iniciamos com o Sínodo para a Amazônia. A deixar-nos guiar pelos sonhos de Querida Amazônia.” O cardeal insistiu em que “não se trata de uma nova organização, mas de uma inspiração. Um espírito que renova e funda o modo de ser Igreja.” Por isso, ele fez ver aos bispos reunidos que “fomos colocados à frente das nossas Igrejas, nas nossas Igrejas. Todas as nossas Igrejas despertadas pelo ‘Se tu queres ser perfeito, vai e vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás o tesouro do céu. Vem e segue-me’. As nossas Igrejas particulares no seguimento gratuito de Jesus.” Diante disso ele questionou: “Então, o que importa?”, respondendo que “o que dá razão a nossa vida, a nossa Igreja, às nossas Igrejas é o seguimento de Jesus, que é o modo do reino de Deus”.

Cardeal Steiner: “Na casa vemos a caridade de Maria”

No dia em que a Igreja celebra “uma das festividades mais importantes dedicadas à bem-aventurada Virgem Maria: a solenidade da sua Assunção”, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia dizendo que “a Mãe de Jesus é elevada ao Céu, à glória da vida eterna, está na plena comunhão com Deus”. Libertação definitiva do mistério da morte Segundo o arcebispo, “a vida de Maria, toda a sua existência, foi uma expressão da grandeza do amor da Trindade, por isso, a sua vida e sua morte celebram o mistério amoroso do Pai, do Filho e do Espírito Santo. E porque toda manifestação amorosa da Trindade veio manifestada na mulher Maria ao dar à luz a Jesus, celebramos nesta liturgia a sua libertação definitiva do mistério da morte”. O cardeal Steiner recordou que “São Lucas nos fez ver e proclamar a presteza com que Maria deixa a própria casa e subindo as montanhas entra na casa de Isabel. Na casa vemos a caridade de Maria, a agitação de João no ventre materno; vemos e ouvimos o grito de alegria de Isabel, venerando a presença do Filho de Deus no ventre materno; ouvimos a exultação e louvação da Mãe de Deus pelo reconhecimento da presença do Filho Unigênito de Deus como fruto de seu ventre. E ‘Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa’. Na Ladainha a invocamos como Casa de Ouro!” “A casa!”, exclamou o presidente do Regional Norte 1 da CNBB, sublinhando que “gostamos de estar em casa, de voltar para casa. Saímos, viajamos, mas nos sentimos em casa, na nossa casa. Gostaríamos de sentir-nos sempre em casa como na nossa casa. Tentamos viver o Evangelho, como se estivéssemos por tudo em casa. Não suportamos viver sem uma referência, sem um porto, sem lugar. Nosso coração deseja estar em casa em algum lugar. Não suportaríamos viver sem sonhos, sem um lugar onde repousar e retomar as buscas”. Sempre em casa Nessa perspectiva, ele disse que “Maria sai da sua casa, entra na casa de sua prima Isabel e do mudo Zacarias, permaneceu na casa por três meses e volta para casa. Maria que sai da casa, entra na casa, permanece na casa e volta para casa. Muitas vezes deixará a casa! Já deixara a casa paterna para entrar na casa de José. Deixando a casa de Nazaré entra na casa-estábulo em Belém; de Belém entra na casa estrangeira no Egito; da casa do Egito entra na casa de Nazaré; de Nazaré entra na casa de João o discípulo amado; e da casa de João em quantas casas não terá entrado essa mulher e mãe no peregrinar com João? Parece sempre estar saindo de casa, entrando em casa e permanecendo na casa por três meses, três dias, três anos… Mas sempre em casa!” “E de casa em casa, saindo de casa, entrando na casa, permanecendo em casa, voltando para casa, ela sempre parece estar em casa. Ela fará de estábulo a sua casa. Nessa casa-estábulo dá à luz ao seu Filho único. No acolhimento da situação, da geração, ali agora, é a casa e ela está ali toda inteira de corpo e alma. Está em casa e recebe os pastores e os anjos. A casa-estábulo onde os pastores e os anjos se sentem em casa. Eles da casa-estábulo voltam para os céus e para os campos; uns cantando e outros cheios de alegria louvando a Deus. O recém-nascido a faz estar em casa”, afirmou o cardeal Steiner. “E quando tiver que abandonar a casa de Nazaré para acompanhar o Filho no caminho da Cruz e da morte habitará a casa da dor e da solidão. A casa da dor no caminho do calvário e aos pés da cruz. Nada mais existe somente a dor, a perda, o sofrer. A dor é sua casa e ela a habita e nela está de corpo e alma. A casa da solidão ao tomar em seus braços o seu filho único descido da cruz, despido, silenciado, sem respiro, sem vida. A vida de sua vida, a vida que lhe dera a vida e era a razão de sua vida, agora sem vida nos seus braços. Ela habita a casa da solidão e nela está de corpo e alma. Por que dizemos que habita a casa da dor e da solidão de corpo e alma? Nenhum desespero, nenhum fim, nenhum sem sentido, mas repetição silenciosa”, refletiu o arcebispo de Manaus, que citou o texto bíblico: “faça-se em mim segundo a tua palavra”. Maria sempre em casa Isso porque “Maria sempre está em casa em toda à parte. Cada parte é a sua casa; cada lugar é sua casa; em cada situação ela está em casa. Por tudo está em casa e habita sempre a mesma casa em todas as casas. Também na dor, na solidão; sem casa está ela sem casa. Ela está em casa de corpo e alma”, afirmou o cardeal. O arcebispo definiu Maria como “Mãe-mulher habitação de Deus, morada de Deus, a casa de Deus, na concepção; ela, mãe feita habitação de Deus ao dar à luz torna o mundo dos homens a habitação e a casa de Deus. Ela sabia que em tudo, por tudo, sempre, em todas as situações e lugares habitava sempre a mesma casa: Deus, o amor da Trindade. Como Deus desejoso de habitar e estar por tudo na casa dos homens, era ela desejo de deixar-se habitar, toda inteira pelo amor da Trindade. Hoje celebramos o habitar de Maria na Casa da Trindade Santa: Assunta aos Céu!” Ser uma Igreja que serve Diante disso, ele mostrou que “somos convidados, convidadas a estar a caminho com Maria e ser a habitação, a morada, na soltura, na liberdade e na receptividade transformante. Ser casa do aconchego, do cuidado, da misericórdia, morada, casa de Deus. “A nossa revolução passa pela ternura, dizia papa Francisco, pela alegria que sempre se faz…
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Cardeal Steiner: “nos sentirmos felizes por conviver, por servir, desenvolver-se, ser no amor!”

No 19º Domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando que o texto proclamado faz parte do sermão de Jesus a partir dos “lírios do campo e as aves do céu.” Segundo ele, “aquelas palavras de Jesus que despertam em nós confiança no Pai dos céus e nos sentimos na sua proximidade. Expressa o cuidado amoroso e amorável de Deus para com seus filhos e filhas”. Participar da intimidade de Deus O cardeal Steiner recordou a palavra de consolo e esperança que ouvimos: “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o Reino.” Ele enfatizou: “Sim, somos convidados, convidadas à participação da intimidade de Deus, fazer parte de seu Reino. O reino, o seu reinado, o seu amor, a sua cordialidade.” É por isso que “poderíamos viver com pessoas que buscam desfrutar cada momento, cada experiência. Organizando a nossa vida de forma sempre mais guiada pelo prazer. Levar uma vida vivida hedonisticamente. O importante do viver é desfrutar todo e qualquer prazer”. O arcebispo de Manaus ainda acrescentou: “poderíamos viver como pessimistas, onde nada funciona, tudo é mau. Poderíamos fugir dos problemas, buscando como defender-nos da melhor maneira possível, uma espécie de pessimismo existencial: para que viver, para que sofrer. Assim entenderíamos a felicidade como tranquilidade, fugir dos problemas e conflitos, dos compromissos. Há uma fuga para a tranquilidade e não percebemos que as tensões fazem parte da vida e depende de cada um dar sentido às tenções e conflitos”. Frente a isso o cardeal Steiner disse: “Mas poderíamos entender e viver como pessoas que percebem a grandeza da vida como realização, maturação, plenitude de viver. Buscar sempre o melhor, perceber que a vida é inesgotável e pode chegar à plenitude. Entenderíamos a felicidade como crescimento, como transformação, como caminho. Na verdade, não entenderíamos a felicidade como busca, como conquista, mas nos sentirmos felizes por conviver, por servir, desenvolver-se, ser no amor!” Caminhar para a plenitude O presidente do Regional Norte 1 recordou que Teilhard de Chardin afirmava: um “homem feliz é aquele que sem buscar diretamente a felicidade, encontra inevitavelmente a alegria, como acréscimo, no próprio fato de ir caminhando para a sua plenitude, para a sua realização, para frente”, palavras recolhidas por José Antonio Pagola no livro “O caminho aberto por Jesus, Lucas”. “Sim em meio a todos os dissabores e desamores, caminhar, abrir veredas!”, enfatizou o cardeal Steiner. Citando o texto evangélico: “Vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça corrói”, ele fez um chamado a descobrir que “permanecer na cercania do cuidado e benevolência do Pai, é o convite de Jesus. O valor maior, quase único é a preciosidade do cuidado de Deus, do seu amor para conosco. Nenhuma coisa, objetos, substituem o amor de Deus por nós: esse é o tesouro que recebemos! O convite para desfazer-se dos bens e ter um tesouro, pois “onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. Aquele tesouro que ninguém pode roubar, destruir, o tesouro que não se desfaz. Desfazer-se, despir-se, desvestir-se, como possibilidade de participar do tesouro do Reino, do amor de Deus”. De novo, citou o texto do evangelho do dia: “Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater. Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar.” Diante disso, ele disse que “o texto sagrado nos remete para o encontro com o inesperado esperado; o outro que conhecemos e que nos desperta para um encontro de expectativa, de desejo, de reencontro”. Ele recordou as palavras de Antoine de Saint-Exupéry, em “O Pequeno Príncipe”: “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieto e agitado: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração…” Uma citação onde o cardeal vê o chamado a “estar na atenção, na espera do encontro com o amado, a amada”. Uma espera benevolente “A espera sem ânsia, a expectativa sem nervosismo! Uma espera benevolente, desejosa, mas não opressora; inquieta mas não nervosa. A imagem sugestiva do discípulo fiel que está sempre preparado, a qualquer hora e em qualquer circunstância, para acolher o Senhor que vem. Está na expectativa acolhedora e benevolente da vinda de seu Amor”, disse o arcebispo de Manaus. Segundo ele, “essa expectativa, essa espera pelo inesperado, pede ‘vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe’. Esse desprendimento, essa liberdade e liberalidade, essa cordialidade e gratuidade de viver, pede soltura, movimento de pássaros voadores, embelezamento dos lírios: despojamento, pobreza! No dar esmola manifestamos a nossa solidariedade, a nossa irmandade.” Ele citou os ensinamentos do místico Harada, H. em “Domingos com São Francisco de Assis, Ano C”: “Ser solidário com os pobres, promovê-los, significa que nós ‘ricos’, como indigentes do sentido mais profundo do homem, mendigamos da pobreza do pobre a riqueza da vida, para nos convertermos a um princípio mais radical e essencial do homem”. Movidos pela gratuidade “O modo de quem vende tudo, os pobres de espírito, dos misericordiosos, são movidos pela gratuidade. Longe de tornar o homem acomodado, alheio à terra dos homens e aos homens da terra, com suas lutas e labutas, faz dele um homem sempre operoso, fecundo, serviçal, útil, prestimoso para com os outros, especialmente os que estão mais à margem”, enfatizou o cardeal Steiner. Ele disse que é nesse sentido que poderíamos meditar as palavras de Jesus: “que os vossos rins estejam cingidos e…
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Jubileu dos Ministros Ordenados em Manaus: se colocar “a caminho para bem servir às comunidades”

Os ministros ordenados da arquidiocese de Manaus realizaram seu Jubileu no dia 9 de agosto. Uma oportunidade para vislumbrar “não apenas o sentido do nosso ministério, mas o dom da fé”, segundo o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner. Suas palavras deram início a uma celebração penitencial na comunidade São Francisco de Assis, área missionária Cidade de Deus, com a presença dos bispos, padres e diáconos. O caminho da misericórdia e da bondade Segundo o arcebispo, “é o fato de termos sido salvos e redimidos que vivemos a esperança. A esperança de que a redenção acontecida nos ilumina, nos fortalece, nos aquece e sempre de novo nos coloca a caminho. É o caminho da misericórdia e da bondade.”. Nessa perspectiva, a importância da celebração penitencial, pois “reconhecer a fraqueza é reconhecer o amor, reconhecer o amor é reconhecer a fraqueza, é reconhecer que fomos salvos e redimidos”, fazendo um chamado a buscar o perdão e a misericórdia. Juno com isso, que o Ano Santo “fortaleça nosso ministério, ajude a nos colocarmos cada vez mais a caminho para bem servir às comunidades e sermos anúncio do Reino novo, o Reino da Salvação”. A celebração penitencial foi ocasião para descobrir, segundo o cardeal Steiner, que “quem nos faz caminhar não é o pecado, a infidelidade, quem nos faz caminhar é a atração de Deus, o que nos faz caminhar é a atração de ter sido amados até a morte e morte de Cruz. O que nos faz caminhar é justamente podermos perceber a participar do Reino novo que foi restaurado na redenção de Jesus. O que nos faz caminhar é esse novo céu, essa nova terra”, proclamada pelo profeta Isaías. Um pedir perdão com o coração confiante e alegre, “porque recebemos a graça de reconhecer a fraqueza do pecado é a possibilidade de uma participação cada vez maior da redenção, da salvação, da misericórdia”, sublinhou o arcebispo. Esse momento penitencial foi seguido de uma pequena peregrinação, saindo da comunidade São Francisco de Assis até a comunidade São Benedito, onde aconteceu a celebração eucarística. Junto com os ministros ordenados caminhou o povo da área missionária Cidade de Deus. Um momento que recebeu o reconhecimento daqueles que em suas casas, nos comércios, se juntaram com esse momento jubilar dos ministros ordenados. Povo da periferia de Manaus que sente a presença e companhia dos ministros ordenados em seu cotidiano. Deixar-se tocar pela Palavra Na homilia, o cardeal Steiner disse que “tendo ouvido a Palavra, deixando se tocar pela Palavra, Jesus percebe agora qual é a sua missão”, que Ele assume. Essa missão é “cantar eternamente o amor do Pai, era espalhar, esparramar o amor do Pai, se cumprir o amor que Deus havia prometido.” Algo que se concretiza no envio para os pequenos, para os pobres, “é de novo despertar, é iluminar, é abrir olhos, mas especialmente envio para a liberdade. O amor da cruz é a liberdade”, enfatizou o arcebispo de Manaus. Isso porque “o único amor que realmente liberta e libertou toda a humanidade a cada um de nós, do qual vem o nosso ministério, seja diaconal, presbiteral, episcopal, é um amor à vida nova”. Aos ministros ordenados, o cardeal Steiner fez um chamado a se comprometer, a no amor de Deus “assumir ainda melhor o nosso ministério.” Para isso ele pediu que “a nossa participação da vida da Igreja, seja uma participação de disposição, de alegria”. Guiados pelo amor esperançoso Mesmo diante dos momentos difíceis na Igreja, na política, na sociedade, o cardeal disse que “sempre nos deixaremos guiar pelo amor esperançoso.” Junto com isso, ele pediu aos ministros ordenados “ajudar as pessoas a viverem o Evangelho, a remeter sempre de novo, não para as normas, não para o comportamento moral, mas para a alegria de sermos redimidos, termos sido salvos, termos sido inseridos no amor da Trindade, termos sido conquistados elo amor de verdade.” Uma dinâmica que ajude para que “esse nosso ministério possa sempre de novo apontar para essa realidade original, fontal. E nós vivemos o nosso ministério a partir dessa fonte, dessa graça, desse dom”. Isso fará com que os ministros ordenados possam servir com alegria às comunidades, “mas especialmente, ser uma pessoa profundamente realizada, porque tocado por um amor”, afirmou o arcebispo de Manaus. Ele pediu finalmente que “Deus nos dê a graça de vivermos com intensidade do nosso ministério, porque é o ministério da redenção, porque é o ministério da salvação, que assim possamos sempre de novo apontar para a fonte”.